30 agosto 2007
Corinthians quebrando tabus
Ia postar outra coisa - a decadência paulistana cada vez mais latente -, mas fica pra sábado. Hoje vou falar rapidamente sobre o glorioso Sport Clube Corinthians Paulista, que também será lembrado no sábado, quando completa 97 anos.
Hoje é coisa rápida, e apenas para trazer um dado simples. Com a goleada vergonhosa sofrida ontem no Mineirão, foi-se mais um dos tabus que contruímos ao longo dos anos, com lutas e grandes conquistas.
E esses merdas que hoje vestem o manto alvinegro parecem não saber a importância daquilo que defendem. Que não venham me falar asneiras do tipo: "ah, eles estão correndo, têm vontade". Correr é uma coisa, dar o sangue e jogar com raça é outra.
Belo presente ganhou a Fiel na semana de aniversário da sua razão de viver. Triste ver a que ponto chegamos. Corinthianos, de luto, assistem aos pernas de pau quebrando tabus. Negativamente...
FORA TODO MUNDO!
P.S.: como o Edson conseguiu ser jogador profissional?
24 agosto 2007
Quem vem com tudo não cansa
Post rápido hoje, mas de relevante constatação. São no relógio 16:34 no momento em que escrevo esta frase. Minha Evinha está lá na Praça da Sé, em manifestação dos professores da rede estadual paulista, mais o movimento estudantil e o MST.
Todos cobrando melhorias no ensino público e o fim das arbitrariedades do governo tucano, que já se aninha no Palácio dos Bandeirantes há mais de uma década.
Do palanque, garantem 40 mil pessoas. Testemunhas de corpo presente dão algo em torno de 15 mil. E a Folha de São Paulo silencia... Assim como a Globo silenciou com relação a 25 de abril de 1984.
Relevante constatação...
13 agosto 2007
Por fora, bela viola
Estive no último domingo no Pacaembu. Mas não vou falar de futebol hoje, apesar da vitória massacrante, histórica e heróica do Corinthians contra os gaúchos amarelões. Vou falar do crime que estão fazendo com esse que é o estádio mais charmoso e simpático do Brasil (além de ser, ao contrário do que querem pregar, a casa corinthiana).
Fundado em abril de 1940, o Paulo Machado de Carvalho já havia sofrido uma primeira mácula em 1970. O então coronézinho da cidade, Paulo Maluf, derrubou a belíssima concha acústica para construir a porcaria do tobogã, sob a desculpa de suprir a demanda de público.
47 anos depois, temos na cidade de São Paulo um novo coronézinho. Que chama os cidadãos de vagabundos e lançou por aí uma lei que é conhecida como Cidade Limpa. Por causa dessa lei, todos os estabelecimentos passaram por restrições de fachada e foram obrigados a colocar letreiros menores. Na teoria, tudo ótimo, porque isso valorizaria as características das construções, principalmente no centro.
No entanto, o que se viu foi mais uma maneira de se arrecadar dinheiro via multas pesadíssimas, aplicadas principalmente a estabelecimentos de pequeno porte. Aliado ao fato de que se explicitou a feiura dos prédios mal-cuidados, a regra também descaracterizou em muito a periferia, extinguindo as placas interessantíssimas das barbearias, açougues e que tais, hoje inexistentes nos chamados bairros nobres. Por fim, eliminou aquele show de luzes em néon que dava todo o charme dos inferninhos da rua Augusta.
Contrária à própria determinação, no entanto, a Prefeitura instalou na entrada principal do Pacaembu uma muralha que faria Alcatraz figurar entre as sete maravilhas do mundo. Com a desculpa de estar realizando obras, encheram de concreto, tijolo e arame farpado a pomposa fachada do estádio.
Sai do jogo ontem e passei pela frente da casa corinthiana. E fiquei triste com aquelas muralhas tapando uma das poucas coisas belas que a capital paulista possui. Mas depois que eliminaram as barracas de pernil da praça Charles Miller, não duvido de mais nada. Estádio moderno é o caralho. VIVA O RATO DO PACAEMBU!
08 agosto 2007
O fim?
Acabou há pouco a reunião do conselho (vendido) corinthiano, que decidiu pelo afastamento dos velhos gagás das salas ar-condicionadas do Parque São Jorge. Para muitos, o fim de uma era. Para mim, o começo de mais lambança.
Sim, era imprescindível a saída de Dualib. Mas e agora? Disseram que vão fazer uma auditoria, que vão escutar a defesa dos dois ex-mandatários, que vão realizar assembléia entre os sócios para definir se haverá ou não novas eleições. Já temos aí dois problemas e uma insensatez. A insensatez é deixar esses dois pulhas se defenderem. Males da democracia, ou democratismo, como dizem por aí. E os problemas? A auditoria será feita por membros do próprio conselho - e esse conselho foi quem aprovou a "parceria" com a máfia russa. Além disso, é óbvio que tem que ter novas eleições, mas os candidatos são gente que ou colocou o velho no poder ou fazia parte da quadrilha dele.
O movimento Fora Dualib perdeu o prumo. Na verdade, nem deslanchou. Não tinha proposta, tanto que agora os corinthianos de fato - não aquela corja que decide pela Nação - estão sem saber o que pedir daqui para frente. Pois então eu digo, em tópicos:
1) dissolução total do conselho e criação de uma campanha de incentivo com duração de um mês, para arrecadar novos associados, que terão poder de voto;
2) eleição direta para conselho (formado por apenas 100 membros, tendo representantes de todas as modalidades esportivas do clube) e para a presidência;
3) prestação de contas mensais aos sócios;
4) declaração de moratória das dívidas;
5) revisão dos contratos de patrocínio, cotas da TV e venda e compra de jogadores, eliminando as famosas comissões;
6) cobrar dos antigos jogadores e personalidades ilustres que se dizem corinthianos a presença mais ostensiva em prol do clube;
Agora é instituir de vez o Corinthians para corinthianos. Chega de Citadinis, Sanchezs, Marlenes e toda essa velharada que não fez nada para deter o velho gagá em mais de década. Se fossem realmente dignos de confiança, não teriam deixado a coisa chegar onde chegou.
AQUI É CORINTHIANS, CARALHO! ACORDA, FIEL!!!
04 agosto 2007
A quinta coluna
A coisa toda começou após do trágico acidente em Congonhas. Depois de tentar, via Renan Calheiros, novamente desqualificar o governo Lula, a elite econômica do país aproveitou a morte de mais de 200 pessoas para mostrar suas garras e tentar tomar o poder de volta. Aqui em SP, diz que vai acontecer neste sábado, 4 de agosto, uma tal manifestação "Cansei". Se juntarem mais de 100 pessoas, o que eu duvido (a direita não tem poder de mobilização), quero ver jornalão falar que tem gente atrapalhando o trânsito na Paulista. Quem está por trás é o empresariado sujo do estado paulista, além da OAB conterrânea, que já foi chamada de golpista pela OAB carioca por causa desse apoio.
O Metrô, em greve, parou a cidade. O governo do estado se isentou (os tucanos se isentam de tudo, impressionante) e ainda quer jogar a culpa na esfera federal (???). Além disso, fez algo que considerei ilegal, pois usou dinheiro público para fazer inserções de rádio condenando - antes do TRT - uma manifestação que é direito de todo trabalhador.
O "prefeito" Kassab fechou o Bahamas, que é um dos puteiros de luxo paulistanos mais famosos. Talvez porque estivesse muito fora da mídia e porque ano que vem ele tenta a reeleição. E quem tenta a reeleição deve estar sempre em destaque.
Tudo isso são fatos da agenda pública. E todos eles têm relação um com o outro. O golpista "Cansei" é uma forma da elite paulista, que tem a Folha e a Veja como porta-vozes, de tentar levar à presidência o ainda governador Serra. Porque não engoliram 2002 e 2006. Serra, ao se isentar da greve (ele não cumpriu o acordo feito na greve anterior), quer tumultuar uma cidade que ainda se recupera da maior tragédia da aviação que já ocorreu no país. Para gerar uma impressão de caos sempre ligada ao governo Lula. Esse mesmo Serra, que cuspiu na própria assinatura e nos deixou Kassab. O Kassab que fecha bares ("as esquerdas bebem!") e agora puteiros. Ficou puto porque Serra quer deixá-lo de fora da sucessão municipal. E, para afetar os partidários de Serra, Kassab fechou o puteiro onde sempre está o empresariado paulista. Que é quem articula o "Cansei".
Essa é a quinta coluna brasileira. Uma putaria...
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Mais sobre a quinta coluna em Cansei, tô cansadinho
01 agosto 2007
Chega!
Já são dez jogos sem ganhar. Já são uma porção em que o "gênio" tira um atacante e coloca um zagueiro com o time ganhando por um gol de diferença e toma um gol no final, todos eles por falha de zagueiros. São 3 gols contras nos últimos 5 jogos.
Havia dito anteriormente: se você tem 3 zagueiros pernas de pau, coloca só 2. Diminui-se a chance de erro. Mas não. O gênio vai lá e coloca mais um zagueiro. É brincadeira.
Chega de perder pontos. Agora é FORA CARPEGIANI! O Corinthians não é lugar para covardes.
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Iria a mídia golpista colocar a culpa no governo Lula pela ponte que caiu no Mississipi? É só o que falta...
31 julho 2007
Malandragem de botique e outros
Eu tento segurar, mas tem horas que fica difícil. Falo de uma mistura que desceu um tanto indigesta. E numa sexta de madrugada.
Foi no último dia 27 de julho que se deu o assassinato à obra de um dos maiores gênios da música brasileira. A Rede Globo exibiu um especial a Noel Rosa (talvez pelos 70 anos da morte do compositor, mas que se deu em maio e a Vênus Platinada deixou passar), trazendo no elenco Orquestra Imperial, Marcus Sacramento, Lucas Santtana e Maria Rita.
Esta última, óbvio, teve mais holofote. E foi ela também quem deu as facadas mais doídas em duas pérolas do cancioneiro de Noel. Quem escutou a moça vociferar "Feitio de Oração" e "Conversa de Botequim" sabe do que estou falando. Destaco, ainda, o tal Lucas Santtana e sua guitarra.
Pois bem: sou guitarrista. Mas toco rock. Guitarra com Noel Rosa? Valha-me Deus. Certas coisas precisam conservar sua essência e suas origens. Não se trata de conter revoluções, mas sim de manter o que é sagrado.
A Globo quis entrar numa área em que não é especialista. Foi à Vila Isabel, mas é da Barra e do Leblon. Quis colocar no malandro uma roupa da Daslu. Cometeu, por fim, dois erros: homenageou um grande de forma pequena, e ainda fez isso só para cumprimento de tabela, jogando o especial para as duas da madrugada de sexta. É sabido que todos que reverenciam o mestre Noel Rosa estavam, a essa hora, em algum botiquim do subúrbio, batendo em sua caixa de fósforo.
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A CBF oficializou a campanha brasileira para sediar a Copa de 2014. Dito isso, anuncio que começa hoje a campanha deste blog, totalmente contrária à realização da Copa e de qualquer outro evento esportivo desse porte no Brasil. A realização da Copa por aqui significa o fim do futebol brasileiro. Ou alguém discorda que lugarzinho marcado na arquibancada é positivo. No Maracanã, acabaram com os geraldinos. E por aí vai...
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Está cada vez mais inviável a permanência do velho gagá nas salas ar-condicionadas do Parque São Jorge. Mesmo assim, ele tenta mais uma manobra para se perpetuar na presidência. Espero que a Justiça brasileira não dê ouvidos a esse câncer. E esse tal de Rubão como vice de futebol, hein? É para rir...
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Decreto aqui também o fim das relações diplomáticas deste blog com a Argentina. Enquanto os portenhos continuarem a mandar frio para o Brasil, defendo a abertura das comportas de Itaipu, alagando aquele brejo que atende pelo nome de Buenos Aires.
24 julho 2007
Grandeza é pela glória
Eu não deveria perder meu tempo respondendo a mais uma das inúmeras imbecilidades que os bambis dizem e que a imprensa adora propagandear. Eu deveria escrever aqui sobre a reunião do conselho vendido de hoje, que deveria votar pelo impeachment do velho gagá e a saída dessa "parceira". Mas aí eu vejo o quanto a tradição e a grandeza do Corinthians incomoda.
O bambi-mor, que andava meio sumidinho depois de ser humilhado publicamente pelo Vampeta e de ver seu time cambaleando, voltou à cena. E aproveita a má-fase do Coringão para tentar fazer com que aquela imundice cediada no Morumbi esteja no mesmo patamar que o nosso. O fato é que sugerir o que está naquele link ali de cima é desconhecer a própria história.
Primeiro, desconhece porque não nasceu bambi, como a grande maioria delas. Vídeos no Youtube que mostram o Pit-bitoca comemorando o título paulista do santos no ano passado comprovam isso. E desconhecendo, não sabe que a imundice que ele representa só existe porque os dois clubes verdadeiramente grandes e verdadeiramente rivais em SP assim o quiseram.
A ignorância, então, leva os bambis a distorcer a história e até invertê-la, porque é fato latente que quem recebeu ajuda financeira não foi e nunca seremos nós. Também não recebemos, ou melhor, roubamos dinheiro público para construção de estádio e reformas na sede social. Não temos, ainda, um diretor infiltrado em redes de televisão para vender a imagem de "administração modelo", mesmo sabendo das dívidas e das inúmeras incompetências administrativas.
Finalmente, fica o aviso a esse irresponsável bambi aparecido: cuidado com você e com a sua família. Deixo aqui registrado que, se ocorrer de trombar contigo na rua, farei a gentileza de tirar até o último resquício de sangue da sua cara suja. E nem se preocupe: o Corinthians é muito maior do que você imagina e jamais acabará.
20 julho 2007
Mortes: tragédias e alívio
Muitas mortes nessa semana. Primeiro, daquela tragédia aérea. Segundo, o Corinthians no Beira-Rio. Terceiro, o ACM, vulgo Malvadeza.
Do primeiro caso, eu gostaria de falar sobre dois tópicos e uma conseqüência. O primeiro deles é a burrice dos jornalistas que cobrem o fato. Não dizem coisa com coisa - chegam a falar que o avião derrapou e tentou arremeter, e todos sabem que não tem possibilidades físicas disso acontecer - e jogam termos técnicos no ouvido do povão. Segundo: politizam uma tragédia, na tentativa golpista de derrubar o governo Lula a todo custo. Fizeram até tocaia na janela do assessor do presidente e conseguiram um "flagra" em que o cara, supostamente, desdenha dos mortos. É claro, ao vermos o vídeo, que não se trata disso
E aí vem a conseqüência. O povão engole tudo isso como verdade. Todos parecem ser especialistas em aviação e usam aquele discurso vago e raso, em que a "culpa é do governo". Que governo, cara-pálida? Fossem tucanos no poder, essa gritaria toda sobre Infraero e governo federal estaria sendo feita? E porque não mencionam que o tal caos aéreo já data de muito antes? De minha parte, nem Cumbica é seguro, pois já há muitas casas no entorno. E eu nunca confiei em algo mais pesado e que o ar e ainda voa.
Dito isso, vamos à morte no Beira-Rio. O Corinthians morreu no campeonato. Não vai almejar nada, a não ser uma constante fuga da zona de rebaixamento. O time, que no começo se mostrava ao menos dedicado, nem isso é mais. E eu sempre disse que a diferença daquele fantoche pra esse era nenhuma. Sobre a "diretoria" e a "parceira", eu não digo mais palavra. Só aguardo a morte ou prisão de todos.
Morte igual a de ACM. Esse câncer do Brasil, que acaba de ser extirpado. Deixa herdeiros? Sem dúvida. Mas a referência já não mais existirá, e seus correligionários irão se perder quando a água bater na bunda. Morre com ACM uma força do Regime Militar. Morre um pedaço da tortura. Morre um pouco da usurpação do estado da Bahia. E o Brasil respira um pouco. Mas não duvido nada culparem "a esquerda" da morte do coronel. E olha que o PT já não é mais esquerda há uns dez anos...
15 julho 2007
Vou, vou pra Bahia
A última semana foi gasta de ótima maneira. Pousei-me em Salvador, não sem antes um pouco de aventuras ainda em São Paulo. Tudo na companhia de minha Evinha. Sigamos com o diário de bordo.
A saída se deu no cabalístico dia 07/07/07, e o avião sairia às 16:00 em ponto. "Em ponto, com essa crise aérea?", pensei eu. Check-in marcado para as 14h30, chegada no aeroporto às 15h30. E não é que a porra saiu na hora? E não é que a gente se fudeu? Pois é. Depois dessa, eu madrugo no aeroporto. Fora isso, pelo rádio, o Corinthians dava outro tropeço contra o Fluminense.
Prometido pela companhia de viagem, teríamos em São Salvador um receptivo nos aguardando para levar-nos ao hotel. Só uma pausa para um comentário. Quando se viaja, a gente aprende palavras engraçadas como receptivo, voucher (lê-se váucher), city tour e outras terminologias do mundo do turismo. Voltando, e chegando à Bahia, é óbvio que ninguém nos esperava. Sorte (ela tinha que aparecer) é que havia um taxista perdido como nós que nos deu carona. A parte positiva desse mico na partida foi a passagem, mesmo que relâmpago, pelo Rio de Janeiro. Duas viagens pelo preço de uma.
Já em terras baianas, o susto. Domingo de manhã acorda com uma tremenda garoa. Que em duas horas se dissipa e dá lugar a um sol escaldante, que nos acompanhou até o último dia. Reconhecendo o território, ficamos em Jardim de Alah, uma praia próxima ao hotel. E o primeiro artista aparece. Vendendo queijos, o cara estava comportadíssimo na parte da manhã. Mais à tarde, e já com alguma coisa a mais, transformou-se em "Van Dãime" e distribuia a xepa do dia. E eu já vinha sendo tratado há horas como gringo, apesar de não entender o porquê...
A segundona foi reservada para o centro histórico. E resolvemos ir de busão. Salvador é muito positiva porque dá para ir a qualquer lugar (mesmo) de busão. Já conto como isso é verdade. Pois bem. Em frente ao monumental Elevador Lacerda, nos aborda uma senhora comerciante, dando-nos aquelas chatíssimas fitinhas de "presente". Iríamos ignorar, como havíamos feitos com outros anteriormente. Mas a mulher apelou. Disse ela: "não despreza a baiana", com um ar tão imponente quanto uma entidade cabocla. Cedemos e acabamos com 10 contos de prejuízo e um monte de correntinhas que, claro, jamais iremos usar.
Depois de um passeio e umas mijadas no Mercado Modelo (os banheiros são limpos e gratuitos. Para quem está na Cidade Baixa tomando uma, é a melhor coisa do mundo), compramos alguns badulaques e pegamos o elevador de volta para uma visita ao Pelourinho. Driblamos as ciganas na porta do Mercado e saímos em direção ao local mais badalado de Salvador. Pois é mesmo tudo muito bonito - e também depois eu explico o processo de expulsão que ocorreu no local - com os casarões reformados, polícia rodando por todos os cantos e uma penca de restaurantes. Eles, porém, todos com um ar meio requintado, o que nos obrigou a garimpar.
Não demorou muito para acharmos um beco. E nesse beco, o melhor buteco de Salvador. Passei e dei aquela olhada. Um sujeito na porta do estabelecimento me encarou e eu, na cara de pau mesmo, perguntei se havia alguma mesa. Ele responde: "pegue aí qualquer uma mesmo, aqui não é local de turista, não..." Perfeito! Puxei a mesa, peguei a cadeira, busquei a ampola. E o cara - que não trabalhava lá - virou meu amigo durante os três minutos que gastou para tomar sua mistura de 51 e Martini. Achei que ele vendia tóxicos e se mandou assim que chegou um policial (policial que, por sua vez, era a pessoa mais desmoralizada no beco inteiro). Vou reforçar a descrição do lugar para deixar claro o motivo desse ser o melhor buteco de Salvador - assim como o Szegeri nomeou o Puppy de Bar do Bigode, chamamos esse de Bar do Juvenal. O cenário: casarões coloridos e piso de pedregulhos. Lá dentro, a venda de um sem-fim de produtos (juro, tinha desde calabresa até sabonete à venda). Faltou mesmo uma roda de samba para completar o conjunto. Aliás, se tivesse um sambinha lá, acho que não teria conhecido mais nada em Salvador.
Deu para perceber o que mais gostei de lá - e provavelmente é o que sempre gosto em todo lugar que vou. Mas não dá para deixar de falar do resto. Fomos a Itapuã no dia seguinte. Acredito que enganaram Toquinho e Vinicius. Achei aquilo meio feio e caímos em Piatã, uma praia mais estruturada por conta dos inúmeros condomínios que começam a proliferar por lá. A famosa especulação imobiliária... Mesmo assim, as barracas têm preços convidativos e o atendimento é sempre cordial. Saímos de lá quando o sol baixou (no inverno isso acontece por volta das 17h). A visita me rendeu uma boa ensolação, que perdurou até o outro dia. Foi quando passamos na Barra mais uma vez para comer. E como tem hippie naquela porra. E rico, claro. Mas a praia e o Farol também são muito belos. Pena que foram tomados por um câncer chamado Nova Schin.
* Abro aqui um apêndice ao texto. A Nova Schin, depois de tentar dominar o Rio de Janeiro sem sucesso, apelou para Salvador. Chamou Ivete Sangalo para a propaganda e simplesmente cobriu toda a orla da capital baiana - não é exagero, é toda a orla mesmo - com toldos e guarda-sóis. E aí promovem uma venda a R$2 a garrafa. Nego que acha Bohemia boa, claramente irá tomar esse lixo de Itu aos montes. E essa merda começa a se proliferar pelo nordeste brasileiro. *
A quinta foi reservada para a Igreja do Bonfim e sua famosa escadaria. Pensamos em alugar um carro, mas isso seria muito caro. Fomos de ônibus mesmo (lembram que eu disse sobre os ônibus?). E em uma hora e meia estávamos na tal Igreja. Decepcionante. Nem perca seu tempo. Garanto que a escada de qualquer casa é maior que aquilo. Só que estávamos no meio de uma bocada federal. E a minha cara de gringo (não sei por que, realmente) ficou ainda mais explícita. Só sei que rezei bastante ao Senhor do Bonfim no caminho de volta.
Resolvemos voltar ao Pelourinho para conhecer melhor. Ali, encontramos a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos. O "ingresso" de dois contos já me causou certa estranheza. Lá dentro tinha um "guia", e resolvemos pagar mais 10 por uma breve explicação história. Ele nos contou que aquela construção foi feita por escravos e que, desde muito tempo, era comandada por uma irmandade negra. Visitamos o mausoléu e o cemitério de escravos, com o sincretismo dando o tom. Aí o cara começou a oferecer o seu pacote de serviços. Como recusamos todos, ele acabou com as explicações. Mas nos disse algo que me fez dar o veredicto sobre esse lugar. Segundo Jorge, o guia, o único padre negro da paróquia só rezava uma missa por ano. E isso ocorria só quando os senhor Antônio Carlos Magalhães aparecia por lá. Nessa hora, veio o grito, contido pela sanidade mental: "bando de nego vendido. Zumbi se debate no caixão!!" No fim da segunda volta ao Pelourinho, passamos pelo Feitiço da Lua e comemos um ótimo Bobó. E ainda quero retornar lá para entrevistar o dono do lugar, que faz placas em homenagem às celebridades que o visitam.
A sexta ficou novamente para a praia de Piatã, já que era um lugar de águas mais calmas e minha Evinha queria dar uma salgada no corpo. E no sábado lagarteamos sob um sol saariano até chegar a hora de voltar pra esse frio infernal de São Paulo.
Disso tudo, algumas outras considerações:
* Salvador é uma cidade negócio. Tudo lá virou negócio, sob a aura das coisas históricas. Há, é claro, resistências e tesouros - como o Bar do Juvenal. Mas o turismo feroz devorou uma essência que ainda se faz presente em outras cidades turísticas como o Rio. Até mesmo os baianos, na necessidade de sobrevivência, deixaram sua simpatia e receptividade natural à serviço do dinheiro. No entanto, é para ir e querer voltar, com certeza.
* A parte restaurada do Pelourinho é uma prova disso que foi dito anteriormente. Era uma parte do centro ocupada por moradores de rua e com alto índice de crimes. O turismo varreu esses moradores para bairros distantes - partindo da Cidade Baixa e margeando a Baía de Todos os Santos vê-se a quantidade infinita de favelas por todos os morros - e revitalizou apenas uma pequena porção da cidade. Lá, os contrastes são ainda maiores que em SP e RJ.
* O ponto positivo com relação às cidades praianas é o desprendimento com o culto ao corpo. Gordinhos e sarados dividem as areias e não há aquele olhar de nojo se você exibe sua pancinha a um rato de academia.
* Como tem bambi naquele lugar...
Agora, é guardar dinheiro para ir à Recife e Olinda.
02 julho 2007
Dois em um
Devido à escassez de posts, vai um em dose dupla.
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* Duas vidas, várias histórias
Sexta-feira entro no blog de Fernando Szegeri - o mestre - e me deparo com uma notícia que gerou-me espanto num primeiro momento. E, logo depois, um remorso que me corría como um rato no estômago. A notícia falava do falecimento de Armando Colacciopo. Ou Armando dos Bichinhos, como era conhecido (eu o chamava de "Toli-Toli-Tolá").
Para quem não sabe, esse cara era uma lenda urbana, só que real. Vagueava pela região da Paulista e pela Vila Madalena vendendo bichos de pelúcia. Mas era muito mais. Não vou me estender, mas digo de bate-pronto: não gostava dele. E digo com muita vergonha, porque não o conhecia. E é esse remorso que me corroeu na última sexta. Não me dei, em quase oito anos freqüentando o Puppy (ou bar do Bigode, como alcunhou o Fernandão), o trabalho de conhecer essa peça única e cada vez mais rara na nossa terra da garoa.
Nessa mania de não prestar atenção a detalhes tão essenciais do nosso dia-a-dia, deixamos passar essas figuras raras. E ainda nos damos o direito de difamar com mentiras alguém tão honrado. A epopéia de Armando está lá no blog do Fernando. E, já com vontade de vomitar por causa de minha mesquinharia, achava Armando um mala. Porque conhecia só um décimo daquele personagem merecedor de páginas na história do mundo. Eu sabia somente do vendedor, e nem um mero vendedor ele era. Mas só depois de sua morte eu me dei conta disso...
Do mais baixo de minha baixeza por esse meu achismo, registro aqui um protesto contra mim. Por ter caído na armadilha que tanto combato. Por ter me deixado levar pela ignorância. Por ter, enfim, não conhecido Armando. E a dor bate mais forte, por saber que meu avô está próximo de seus últimos dias. E se, repentinamente, eu o perder, estarei novamente deixando ir embora alguém que mereça muito mais a minha atenção.
Espelhos se quebram e não os fazemos refletir em nossas vidas...
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* Até quando?
Até quando, Corinthians, você vai deixar de ser reabilitação de rivais? Até quando, Corinthians, dará alegria a sua Fiel? Até quando, Corinthians, irá se deixar nas mãos de ladrões que usurpam seu dinheiro, sua glória e sua história? Até quando, Corinthians, fará valer a máxima "vingança do povão"? Até quando, Corinthians, seus jogadores irão entrar em campo sem a noção do manto que vestem? Até quando, Corinthians, irá dar pauta a essa imprensa suja, doida para ver seu fim?
E até quando, Fiel, iremos ter essa postura passiva? Revolução Corinthiana já! A invasão e tomada do Parque São Jorge é iminente! E nem pela derrota para a porcada. É pela sucessão de imbecilidades que há dois anos são ministradas nas salas ar-condicionadas da rua São Jorge. São quase 97 anos de história. E a corja conseguirá acabar com tudo se não tomarmos a frente. A torcida é que tem um clube, mas estão roubando ele da gente.
ACORDA, FIEL!
P.S.: e nego ainda acreditava nesse time só por causa das primeiras rodadas. Eu avisei...
P.S.2: bons os empresários desses bostas do Dinélson e Willian. Um não vale nem pra jogar aqui na rua. O outro já está na Europa e nem um golzinho pelo profissional no Brasil marcou. MORTE À IMPRENSA!!!
21 junho 2007
Do fundo do nosso quintal...
Amici, desculpem a falta de atualizações. Essas últimas semanas estão seriamente conturbadas. Ando meio que de feriadão do blog e só consigo entrar em outros para não me manter alienado do mundo internético.
Dito isso, vamos lá...
Há sonhos e sonhos. Eu, por exemplo, sonho em ter um trabalho que sustente todas as minhas idas aos bares e os poucos churrascos e feijoadas aqui em casa. Mas tem um que anda recorrente.
Sonho em ter um quintal. Aqueles que tem um gramadão e um pé de jaboticaba bem no meio pra fazer sombra. Toda vez que penso nisso, vejo domingos em que a cerveja é farta, a carne é assada e o samba come solto debaixo da jaboticabeira. Do lado, um puxado com uma churrasqueira de tijolo da altura da barriga, uma pia, uma geladeira daquelas brastemp marrom e uma mesa de madeira lascada.
O quintal, hoje em dia cada vez mais ausente nas mentes dos engenheiros, arquitetos e decoradores, é uma instituição. Minha criação se deu na rua e no quintal. Metade do meu joelho foi ralado no quintal. O quintal é como um CT, onde a gente treina tudo que vai fazer na rua.
Quem já veio na Heitor pode estranhar: "Caralho, esse japonês é louco. A casa desse porra tem um quintal". Sim, tem. Grande até. Mas é um quintal incompleto. Não tem a grama. Não tem a jaboticabeira. Ele já está meio urbanizado.
Por isso, sonho com aquele quintal. Da grama. Da jaboticabeira. E não sonho só para mim. Acho que é uma maneira de me enganar e pensar que, se eu sair daqui um dia, algum outro moleque terá a sorte de crescer com um quintal. Com grama, jaboticabeira, churrasco, samba...
03 junho 2007
Diagnóstico
Havia dito que só me pronunciaria sobre o time do Corinthians deste campeonato Brasileiro depois do jogo contra os sardinhas. Isso porque, nas primeiras rodadas, pegamos só moscas-mortas. E mesmo assim tivemos algumas dificuldades contra o Atlético-MG em casa, num resultado que muitos consideraram aceitável.
Pois aceitável também é empatar na vila belmiro. Porém, esse jogo colocou um pouco de juízo na cabeça de muitos que já vislumbravam um time com aspirações ao título. A defesa perdeu sua invencibilidade. O meio esteve atrapalhado. E o ataque simplesmente não existiu. Dito isso, vamos a algumas análises individuais.
O gol teve origem na direita, por onde atuam Rosinei e Edson. Ambos foram horríveis no apoio e sofríveis na marcação. O tal de Renatinho deitou e rolou por lá. Edson realmente tem um ótimo padrinho no Pq. São Jorge. E me irrita demais aquela munhequeira que ele usa. Virou tenista agora? Já Rosinei tá com a cabeça em qualquer lugar, menos no Corinthians. E se é pra ser assim, vaza! A definição precisa desse cara eu escutei em um programa de rádio: "se o Rosinei jogasse metade do que ele acha que joga, já tava bom".
Fora isso, deve-se reconhecer que o sistema defensivo está bem mais arrumado. Só o goleiro Felipe precisa melhorar um pouco a saída do gol. E Marcelo Oliveira precisa perder a mania de querer sair jogando em todas as ocasiões. Tem hora que é para dar bicão.
No meio, Marcelo Mattos não entrou em campo. Errou passes e parece sentir o peso de ser o único volante do time. Daí para ser expulso idiotamente é dois palitos. E a gente chega em William. O meia-armador não arma. É moleque, claro. Mas precisa começar a mostrar bola em jogo importante. Tanto ele quanto o resto da molecada têm que ter isso em mente. Porém, parece que toda essa safra de novos jogadores já saem dos juniores pensando em qual time vão jogar na Europa. Sem mesmo se firmar no Brasil. É a geração "fala com meu empresário que ele manda em mim".
Já o ataque foi nulo. Clodoaldo sentiu o peso da estréia e da camisa. Relou na bola duas vezes, quando a chutaram em cima dele. A única presença positiva foi o belo passe no primeiro tempo, que deixou William na cara do gol. Mas o meia desperdiçou chance que não se pode deixar passar em clássico. E Everton ainda não se firmou. É esforçado, mas não dá para considerá-lo como um ponto de desequilíbrio.
O técnico precisa começar a enxergar o jogo. Era claro desde o começo do segundo tempo que o time do interior estava aproveitando a deficiência do Edson na direita. Além disso, tirar um centroavante e colocar um volante antes dos 30 minutos é ser cauteloso demais. Deixasse o centroavante, tirasse o ponta e avançasse o meia. Simples e lógico. Morto por morto, deixa uma uma opção para uma possível bola parada ou uma sobra. Enfim...
Diagnóstico? Vampeta no time vai fazer bem. Fábio Luciano, se vier, também. William precisa sair de promessa e virar realidade. E se Finazzi e Clodoaldo engrenarem, aí sim poderemos pensar em vaga para a Libertadores no fim do ano. Só assim para termos um time competitivo para essa merda de campeonato por pontos corridos, e que demora uma eternidade para acabar.
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Corinthians, 1º Campeão do Rio-São Paulo de Show Ball!
Chupa porcada!
E o Ronaldo continua o cara. Chora Jean Carlos...
29 maio 2007
2(dois)
Há dois anos e um pouquinho, disse que queria roubar um teco do teu coração. Você relutou, eu dei uma insistida. E como vi que você curtia uma coisa à mineira, fui pelas beiradas. Acabei te convencendo.
Aí combinamos que viveríamos um dia de cada vez. Para não cair nas mesmas ciladas que ambos havíamos embarcado antes. Talvez era isso que eu queria. Mais até do que você. E é nisso que encontro minha segurança, hoje e sempre. Isso não é desleixo ou falta de atenção. É saber, em primeiro lugar, respeitar o seu espaço.
Depois desse tempo todo, tudo ainda é novo. Como naquele dia em que falei "ei, sou teu fã". Como nas vezes que te fotografei (principalmente com os olhos) sem você perceber. E vendo o que de mais belo havia nesse mundo. As novidades me excitam e motivam.
Antes não botava muita fé em astrologia. Você me fez entender e crer no retorno de Saturno. Antes achava que não havia esse negócio de ciúme. Me mordo os cotovelos cada vez que te vejo longe de mim e perto do perigo de te perder. Antes imaginava que não iria encontrar ninguém com a mesma sede que eu. Você me tira o fôlego e me fatiga.
Engraçado de tudo isso é saber que nossos tortuosos caminhos podiam ter se encontrado antes. Tangenciaram-se, é verdade. Bar do Deco, sambas bicho-grilo, amigos em comum, o diabo! E nada da gente se trombar. Mas teimosos que somos, demos nosso jeitinho. Passo de bêbados cambaleantes, apoiando-se um no outro, rezando pra não cair.
Cada mico, cada riso, cada choro, cada vitória e cada maldade que a gente disse dos outros... São todos momentos intensos, únicos e só possíveis porque fomos nós. Feijão (tu) com arroz (eu).
Certa vez você escreveu, na maior e única declaração de amor que já recebi: "como se a vida colocasse um anjo na Terra só pra salvá-la do inferno". É nisso que me pego. E se eu falar o contrário, é só o medo de não tê-la mais para me guiar me tomando de assalto.
Roubei teu coração. E dei o meu pra você. Troca justa. Amo infinitamente.
28 maio 2007
É cada uma...
A gente ganha pouco, mas a gente se diverte. Dias desses, chega lá no site a reclamação de um usuário. Ah, antes disso... Trabalho num site que trata de festas, casas noturnas e bares, 99% do tipo que o Edu Goldenberg (com negrito e link!) adora bater em seu buteco virtual. E com razão. São detratores da boemia. Essa que nos é uma das poucas alegrias da vida.
Pois bem. Diz o leitor, num email carregado de subjetividade e até bastante preconceituoso, que a festa de 8 anos da casa Manga Rosa - uma merda de lugar que só dá babaca - tinha sido ruim. Mais, apontou irregularidades e truculência da segurança (ah vá?).
Até aí, nada de novo. E bem-feito pro cara, já que é sabido da população paulistana que ir a esses lugares é sinônimo de maus-tratos. Só que o histórico da assessora de imprensa do tal Manga Rosa era bastante empolgante. Disseram meus companheiros de redação que a mulher era uma escrota e que, além de tudo, nos enrolou com credenciamento para essa e tantas outras festas. Aí eu resolvi dar uma alfinetada.
Mandei a reclamação para a dita cuja, dizendo que iria publicar aquela merda e que precisava da resposta da casa. Tive que agüentar dois dias de telefonemas da "assessora", que tentou até me dar aulas de jornalismo. Desculpe meus amigos Barneschi e Filipe (vocês têm discernimento suficiente para saber que isso realmente não se aplica a vocês), mas assessor de imprensa é uma das figuras mais insuportáveis do planeta, além da maioria ter cérebro de ostra. Não que as redações tenham só gênios (lá no trabalho, por exemplo, a coisa é feia...), longe disso. Agora, ficar escutando alguém que se acha a bala vermelha no pote de jujuba só porque trabalha com uma casa "badalada" é de dar no saco.
Fato é que hoje, segunda-feira, essa balbúrdia está no ar. É só clicar aqui. E já adianto: não dá para saber quem está mais errado na história toda. O pedantíssimo reclamante, a casa de merda e sua assessora escrota, ou eu, que tenho de dar ouvidos pra esse tipo de coisa...
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Sobre sexta, vulgo dia do renascimento.
1.500 pessoas em uma data tão importante é foda para explicar. Foi legal, deu início ao movimento e tudo mais. Mas cadê você, torcida Corinthiana? Fosse ensaio de Carnaval, teríamos umas 10 mil, não é?
Fiel, teu mundo é o Corinthians. Nego hoje não tá levantando a bunda do sofá para nada. Banalizaram tudo, até o amor ao time. Na hora de cornetar e zicar, nego abre a boca e até esperneia. Fiquei realmente triste com o saldo. Frio não é desculpa. Provavelmente, era o mesmo frio em 1º de setembro de 1910. E chegamos onde chegamos.
Acorda, Fiel! Revolução já!
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Resumo do fim de semana: tem coisa melhor do que enfrentar essa friaca comendo feijoada (a "feijuca de lentilha" da Dona Clarice, como muitos denominam ignorantemente, merece cada vez mais elogios), bebendo cerveja e passando aproximadamente 48 horas nos braços de Eva Carolina? Se tiver, tente me convencer...
21 maio 2007
Romário é rei!
Não adianta. Quiseram derrubá-lo. Desde 1998. Mas o baixinho é gigante. Superou toda a mídia paulista que, com seu bairrismo insuportável, tentou decretar o fim da carreira do maior atacante do Brasil em várias oportunidades.
Mas Romário foi lá e guardou o milésimo. Para a alegria dos torcedores brasileiros. Esses mesmos que vibraram com a Copa que ele trouxe para nós em 1994, depois de um jejum de mais de duas décadas.
Usaram de tudo para desmerecer o feito. Até a incompreensível comparação a Pelé. Burra é a imprensa. Nada se compara a Pelé. Aí são outros quinhentos.
A bem da verdade, tivesse o baixinho evitado a migração de times, hoje ele seria o maior ídolo do futebol brasileiro. Assim como é Maradona para a Argentina. E não trato aqui (só) da qualidade futebolística - até porque dois de meus ídolos são Zé Maria e Wladimir. Ótimos jogadores, mas que jamais tiveram a pretensão de figurar na lista de insuperáveis. Ídolo é aquele que põe o pau na mesa. Não se esquiva e não fica em cima do muro como o negão de Bauru.
Quantos da minha geração não tentaram imitar aqueles dribles e aqueles chutinhos de bico? Romário foi uma referência. Lembrou que o Brasil é o país do futebol, em épocas que vôlei e outras recreações estavam tomando as ruas de assalto.
Guardo esse post há meses, desde a iminência do milésimo. Publico agora para fazer essa microscópica, mas verdeira, homenagem a um verdadeiro ídolo do futebol. Valeu, Romário. Parabéns!
18 maio 2007
Extra! Extra! Extra!
Não, não é comercial do supermercado. Acabei de receber a notícia aqui. E sem achismos, que é a premissa maior da imprensa esportiva. A fonte é segura e quente. Se vai sair do papel ou não, são outros quinhentos.
A diretoria do Corinthians irá se reunir nesta sexta, 18 de maio, com representantes do poder público da cidade de Guarulhos para definir a compra de um terreno onde será construído o estádio do time.
Pode ser mais um blefe. Pode ser mais uma enganação. Dessa "administração" espera-se tudo. Até marcar esse tipo de coisa para alguém ficar sabendo e divulgar - como eu. Mas o fato é que a reunião irá mesmo acontecer, e a fonte estará lá dentro.
Também não se trata do Cooperfiel. É a corja mesmo quem está por trás disso. Diz a fonte que será construído um estádio com capacidade para 77 mil pessoas - número interessante, diga-se de passagem - e um centro de convenções, num terreno entre as rodovias Dutra e Ayrton Senna. O interesse é de, ainda, ser o estádio principal da Copa de 2014.
As coisas estão bem obscuras (como tudo que sai das salas ar-condicionadas do Pq. São Jorge), e esse agravante de ser o estádio principal da Copa só me causa mais calafrios. Porém, é um indicador de possíveis "parceiros" interessados em mamar na teta do Coringão.
Esperemos.
16 maio 2007
O poder da criação
O berço
A criação do sujeito é o seu molde de caráter. Então vou falar do meu caráter contando meus primórdios. Nasci com uma camisa Corinthiana na porta da maternidade. Talvez essa tenha sido uma das poucas coisas boas que meu pai deixou como herança. Não nego que fui amado por ele, mas a vida desviou nossos caminhos e, hoje, parece que ele morreu (e, quem sabe, seria melhor ter morrido de verdade).
Outra coisa que ele me ensinou, talvez sem perceber, foi o amor pelas palavras. E eu, sem perceber, acabei jornalista como ele. Sem pressão. Meio que por osmose. Também agradeço a ele por isso. E só.
Mas minha figura paterna é meu padrinho. Assim como a maioria dos meus amigos, palmeirense - é sina. E isso é seu único desvio. Por ele e pela minha madrinha, coloco a mão no fogo. Foram eles que colocaram na minha cabeça os valores da igualdade entre as pessoas. Tiravam dos próprios filhos para dar, em partes iguais, para mim e para minha irmã. Éramos cinco. Tinha uma de sangue e mais três de criação. E dindo e dinda, um pouco menos favorecidos na parte financeira que meus pais, passaram tudo o que o ser humano tem de melhor. E por eles tenho eterna gratidão, mesmo que hoje nossos caminhos também estão um pouco separados. Mas ainda correndo em paralelo - e duas linhas paralelas se encontram no infinito.
Falar de mãe não vale. Se pensarmos bem, a gente mais briga com elas do que vive em harmonia. Acho que essa é a essência do relacionamento mãe-filho. E a maior demonstração de amor mútuo. Então, pulemos essa parte.
Aí vem os avós maternos, dois guerreiros (o avô recebeu o pseudônimo de Jorge, precisa dizer o motivo?). O velho anda meio cambaleante e a velha nem parece ter a idade que tem. As férias na casa dos dois serviram como nossa primeira comunhão e a sabedoria empírica de ambos era nosso evangelho.
As instituições
A escola era uma merda. Sempre foi. Tudo que sei aprendi por conta e interesse próprios, já no cursinho pré-vestibular. Até o colegial, o essencial foi saber conviver em sociedade e respeitar suas regras. Claro que extrapolei alguns limites. Mas isso é natural. Foi lá que tive contato com o que há de bom e ruim. Mas não levo muito mais que gratidão por ter me dado uns poucos e ótimos amigos, comigo até hoje.
A rua é onde a gente compensa o mimo de casa. E eu fui muito mimado e chato. Aliás, um gordinho chato, daqueles que ninguém suportava. Aos poucos, e a custo de muito tapa na orelha, fui aprendendo a ser alguém um pouco mais agradável. Outra lição veio via contraste social. Na esquina tinha uma favela. Gente boa e trabalhadora. O convívio era constante e natural, mas sempre rolava um pequeno incômodo. Por que aquele moleque que joga bola comigo tá comendo o sanduíche descontroladamente? Por que a roupa daquele outro tá sempre rasgada e suja? Inconscientemente, isso ficou gravado em mim e hoje garante a indignação permanente com as diferenças e as injustiças.
Ainda falando da rua, tínhamos uma festa junina. Vinham o pessoal da favela, todos os vizinhos e alguns agregados. Fechávamos os acessos da Heitor e servíamos o banquete nas garagens. Tinha bingo e tudo. A criançada soltava bombinhas e balões. Comíamos feitos ogros até de madrugada, numa verdadeira festa asterixtica. Os portões ficavam sempre - eu disse sempre - abertos. E jogávamos bola. Até estourar a última bolha.
A macumba era nossa válvula de escape. Mas o jeito natural com que tudo era tratado me fez ver aquilo mais como uma manifestação cultural que uma religião. Deve ser por isso que ainda gosto tanto do negócio, apesar de também a vida ter desviado meu caminho da umbanda. É nela onde repouso minhas explicações para o inexplicável. Acreditem, isso acontece - ainda discorro sobre a vez que um criolo de 1,90m de altura conversou, em japonês, com minha avó.
O lema
Conheci o samba tardiamente. Lá pelo meio da adolescência. Mas ao escutar João Nogueira dizendo "aos que vivem a chorar, eu vivo pra cantar e canto pra viver", tudo voltou. Posso parecer frio, calculista e racional, mas é porque penso sempre naquilo tudo - pouco - pelo que já passei. E vejo que, depois de tantas alegrias e tristezas, nada irá abalar o que aprendi. Mesmo com tantos desvios no caminho...
07 maio 2007
Fim de semana no parque...
Mais um post de breves. Tá corrida essa semana e muitas idéias fluindo...
- Na parte cultural, dois grandes eventos. Informações prévias dão conta de um Skol Beats micado. Em parte pelo preço absurdo. Mas muito pela falta de artistas mais consagrados e/ou relevantes no line-up. Já a Virada Cultural chegou a sua terceira edição e foi marcada pelo despreparo da PM. Show dos Racionais, vida loka no centrão e a PM sedenta por briga. Uma garrafa voa na direção dos coxinhas e vira desculpa para tiros com bala de borracha, bombas de gás e muita correria. Sem motivos, assim como aconteceu nas manifestações do Dia da Mulher. É a nossa puliça limpando o centro de SP, mostrando pra periferia que ela tem que ficar mesmo é na periferia. Como diz o Brown, "não confio na polícia, raça do caralho".
- Sinto um misto de susto e admiração com algumas pessoas. Elas casam e têm filhos. É preciso muita coragem para isso. Em alguns casos. E em outro casos, é preciso muita abnegação. De minha parte, reforço os votos de sorte a todos que mergulham na empreitada. (Em tempo, perdão Corinthiano e Teresa pela ausência na festança! Vida de proletariado é complicado...)
- Outras sensações novas. Tô planejando férias, já que farei um ano de "firma". Coisa inédita. Tive reconhecimento, mais moral que financeiro. Estaria eu virando gente?
- No Corinthians, sai o chinelinho e alguns dos pernas-de-pau. Chegam uns "nota 6" pra compor. O técnico (que é gênio, substitui 3 laterais direitos num mesmo jogo) diz uma coisa e se desmente logo em seguida, mostrando uma semelhança incrível com seu antecessor. A Fiel parece dormir. E o velho gagá e sua netinha ainda deitam e rolam nas salas ar-condicionadas do Parque São Jorge. Dia 13 começa o Brasileirão e a certeza é uma só: tempos sombrios podem se anunciar, mais sombrios que os deste começo de 2007. Revolução já!
- Disseram que teve final hoje em SP. Não ouvi nada. Só tenho o recado de uma pessoa no celular (que eu fiz questão de não escutar). Essa pessoa torce para um time do interior que tenta subir a serra de qualquer jeito. Nem na hora de comemorar nego esquece da gente... Final eu vi no Rio, MG, RS e PA. Deve ser porque tinha time grande envolvido.
- A volta ao começo de uma jornada. Clark's. 2 anos. Centi Anni!
- Adianto aqui o tema de uma das próximas postagens, que também remete ao primeiro tópico deste post. Falando em cultura, outro dia me vi procurando qual a faceta de identificação de São Paulo. Ainda não encontrei e acho que vou decretar: não temos! O Rio tem o samba. Salvador seus ritos remanescentes da África. O sul (entenda-se Rio Grande do Sul) tem o churrasco, o galdério e seu separatismo. Cada capital nordestina possui musicalidade própria, além de fortes manifestações populares em torno de um santo ou religião. Até o centro-oeste tem o sertanejo pantaneiro. Minas é a terra do queijo, da cachaça, do bom papo e do comedor das beiras. E a gente, paulistada???
Fui, adeus!
01 maio 2007
Que Fria
Neste primeiro de maio, escrevo me remetendo à morte de uma figura importante do jornalismo brasileiro. Importante no quesito empresarial, lógico. Dono do maior jornal do país - de novo, outro relativismo: maior no quesito circulação -, Octávio Frias faleceu na última semana. Morreu muito tarde. Conseguiu deixar seu legado entreguista e liberalista, personificado na figura do filho, Octavinho.
Comprado a preço de banana, o periódico dirigido pela família Frias cresceu na década de 80. Sagaz, o publisher se aproveitou da onda das diretas já e se vendeu como o "porta-voz da redemocratização do país". Só que esqueceu de apagar as páginas manchadas das décadas anteriores.
Como explicar, por exemplo, a postura extremamente complacente ao regime militar? Até o Estadão, diário da oligárquica e fascista família Mesquita, foi mais combatente (por motivos pessoais, claro) que a Folha. Citemos, como exemplo, a demissão sumária do então diretor de redação, Cláudio Abramo, substituído por Boris Casoy para calar uma equipe recheada de esquerdistas e progressistas.
Aí a gente vê gente como Mauro Beting - para mim, um dos poucos jornalistas esportivos que merecem ser escutados - exaltando a figura do "seo Frias". Francamente. Depois de Roberto Marinho, o Frias pai era uma das figuras mais nefastas da mídia brasileira. Talvez por tentar, a todo custo, ter o mesmo poder de influência de Carlos Lacerda.
Calou investigações. Silenciou em benefício de sua empresa. Defendeu forças conservadoras paulistas. E na última corrida presidencial, polarizou sul e norte brasileiros, num autêntico separatismo preconceituso. Camuflou como colunistas os porta-vozes de seu partido, o PSDB, e os forjou "jornalistas respeitados". Era, enfim, um empresário, e trabalhou a favor de seu planozinho pessoal de grande empreendedor.
Do baixo do túmulo, Frias deve estar fechando sua derradeira primeira página para este dia do Trabalhador. Pegará as manifestações e chamará de baderna. Dirá invasão às ocupações dos movimentos sociais Sem-Terra e Sem-Teto. E, no ano que vem, provavelmente teremos uma festa (10 para 1 que será da Força Sindical) na "Avenida Octávio Frias". Cúmulo.
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