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11 maio 2011
Higienópolis, um câncer
Talvez dois terços da minha vida tenham sido passados no caminho para Higienópolis. Por conta das idas ao Pacaembu, pelos porres no Ugue's ou na época em que trabalhei na Avenida Angélica, as visitas ao bairro chique sempre foram constantes. Tirando a labuta, as causas eram mais que nobres e contrastavam muito com quem mora na região, representantes daquilo que há de mais nojento na cidade de São Paulo.
É em Higienópolis que a visão tucano-reacionária prospera. Lá, é proibido falar de troços como Bolsa-Família, ProUni e que tais. O nome de Luiz Inácio Lula da Silva, se dito em voz alta, motiva chamados ao 190. Fica ali o Mackenzie, famoso pelo seu trabalho a favor dos milicos na época da ditadura ao matar comunistas com o seu CCC. Mas a última notícia que sopra a partir da Praça Villaboim é assustadora.
Dão conta que os moradores organizaram abaixo-assinado requisitando a remoção de uma estação de metrô prevista para as cercanias. As justificativas são dignas de Adolf Hitler: evitar "o aumento de ocorrências indesejáveis" e a transformação do lugar num "camelódromo". Deixe de lado o absurdo de alguém ser contra qualquer ampliação do Metrô - e aí a gente entende o motivo de 16 anos de PSDB - para atentar aos dois termos. "Aumento de ocorrências indesejáveis" seria mais povo? E "camelódromo" seria esse povo consumindo por conta do bolsa-esmola do Lula?
Indignações preconceituosas à parte, é lamentável o poder público prejudicar milhões de pessoas para atender os caprichos de 3,5 mil assinaturas arrecadadas no papel dos higiênicos paulistanos. É mais uma prova de que esse lixo chamado tucanato está cagando e andando para qualquer melhoria do lugar que governa há quase duas décadas. São Paulo, cidade e Estado, estão estagnados e são o anti-Brasil, com seus administradores trabalhando para uma minoria nojenta.
A solução, para mim, é drástica e única: o bairricídio. Radicalidade por radicalidade, fiquemos do lado da maioria. Preservem apenas o Ugue's, de onde verei esse lugar fétido e imoral definhar.
Sorria, São Paulo.
07 dezembro 2010
Hora da Patrulha
É certo que muito da superlotação do trânsito em São Paulo se dá por conta da cabacice dos motoristas, a grande maioria deles um bando de despreparados para dirigir. As barbaridades pelas ruas a gente vê de minuto em minuto, basta lembrar dos posts "A bunda-molice" e "Guerra Santa no trânsito". No entanto, o outro pilar de sustentação dessa praga que são os congestionamentos atende pelo nome de Companhia de Engenharia de Tráfego.
Órgão mais odiado da administração municipal, a CET, por coordenar o bando de cabaços, sempre foi um antro de jumentos. Possivelmente, a especialização engenharia de tráfego nas faculdades da área seja a menos concorrida, pois não há outra explicação para haver tantos prejudicados cerebrais num único lugar. O problema é que essa característica tão marcante se intensificou a partir do alinhamento dos marronzinhos à brilhante dupla Serra/Kassab, que há seis anos vem devastando a capital paulista.
Antes canalha apenas tecnicamente, a CET passou a servir aos demo-tucanos como instrumento de retaliações políticas. Três meses atrás, instituiu-se que os caminhões ficariam proibidos de circular na Marginal Pinheiros. Festa na Chucri Zaidan, comemorações no prédio da Abril, o pessoal do Alto de Pinheiros (onde mora Serra), Jardins (onde mora o Kassab), Vila Olímpia, Brooklin, Berrini e Interlagos acharam um luxo. Só que além de não ter resolvido a questão da intrafegável e fedorenta beira-rio - porque você abre espaço para os carros e mais deles se deslocam para lá -, simplesmente abarrotaram as bordas da cidade de caminhões, justamente os locais em que essa escumalha vive tomando sonoras tundas eleitorais...
Descreverei meu caso para exemplificar melhor o que muita gente está passando todo dia. Meu caminho até o trabalho consiste em pegar a Av. Francisco Morato, depois Estrada do Campo Limpo e, finalmente, atravessar a Carlos Caldeira e Estrada de Itapecerica. Na volta, Carlos Caldeira, Giovanni Gronchi, Guilherme Dummont Villares, Francisco Morato e Eliseu de Almeida. Ou seja, é exatamente o desvio que muitos veículos pesados adotaram para fugir das multas e do agora congestionado e pedagiado Rodoanel.
Para quem conhece tais vias, fica muito claro como é absurdo elas receberem caminhões durante todo o dia (em especial a Estrada do Campo Limpo, cujo trecho entre o Terminal Campo Limpo e o cruzamento com a Carlos Caldeira é de pista única). Para mim, o resultado foi de dez a vinte minutos a mais no trajeto casa-trabalho-casa. Para grande parte da população dessas áreas que dependem de transporte público, o prejuízo é imensurável.
Mas é preciso fazer justiça. Nosso generalzinho mandou que a CET revisse o impacto da citada restrição no paupérrimo e miserável bairro do Morumbi, já que as madames da quebrada reclamaram muito. Por outro lado, Capão Redondo, Parque Arariba, Capelinha, Campo Limpo, Jardim Umarizal, Jardim Maria Sampaio, Jardim Ferreira, divisa de Taboão da Serra e adjacências, durmam com um barulho desses!
Notadamente, a gestão Serra/Kassab vai entrar para a história como aquela que tudo proibiu e nada deu de contrapartida ou solução. Trabalham para poucos, prejudicam a maioria e invertem a ordem de atuação do Estado na sociedade. No entanto, mídia e classe média - esta última também se fode, mas finge que não vê - acredita morar num vilarejo auto-sustentável da Finlândia.
Sorria, São Paulo.
04 junho 2010
Curtas
- Mais um capítulo no DVD chorolado: na noite desta quinta, com um Pacaembu lotadíssimo, o Corinthians deu um vareio de bola na gauchada de merda e consolidou sua boa fase no Brasileirão. Domingo é pegar o Botafogo e enfiar mais um saco para ficarmos tranqüilos nessa estiagem de futebol durante a Copa do Mundo. Mas como vale a prudência, dá para achar o lado negativo: as vitórias não deixam muito espaço para a gente posicionar nossas críticas às cagadas do treinador, que mais uma vez deixou o time com cinco volantes e quatro laterais em campo. Apesar disso, a assertiva a seguir é sim verdadeira: somos líderes, apesar do Mano. #soumanodowilsonmano
- Você aí, que fica maravilhado com aquela propaganda bonita da campanha do Serra na televisão sobre a estrondosa melhoria na educação pública estadual, vale dedicar alguns minutos também para a realidade. Esse post da Evinha é definitivo para denunciar o sucateamento do troço e prever o futuro do Brasil caso a Dilma não vença as eleições de 2010.
- O Edu Goldenberg me perguntou via Twitter e eu faço questão de espalhar uma notícia que ninguém deu muita pelota. Aqui em SP, o generalzinho afirmou categoricamente que vai intensificar sua jornada anti-povo recolhendo faixas, bandeiras e demais adornos em apoio à Seleção Brasileira colocados nas ruas. É a sanha higienista de uma adminstração pública que também bota a culpa nos mendigos pelos buracos das ruas e avenidas cada vez mais abandonadas da capital paulista...
- Vem aí o Jogo das Barricas! 3 de julho, haja o que hajar.
- Quando o frio chega, eu fico, definitivamente, de ovo virado.
11 abril 2010
Curtas
Algumas tarefas e uma bela infecção intestinal me deixaram meio afastado do blogue e a toada permanecerá assim até a sexta-feira que vem. Dessa maneira, alguns curtos comentários sobre coisas relevantes:
- A tragédia que abateu o meu querido Rio de Janeiro desde a última segunda-feira teve, assim como em SP, algumas funções sociais. Desmascarou governos e políticos, principalmente aqueles paspalhos que sempre aproveitam essas calamidades para tentar aparecer. O panaca do governador, por exemplo, me solta um "a culpa é de toda sociedade", tentando desviar o foco de suas irresponsabilidades. O prefeito, um boçal que está querendo transformar a Cidade Maravilhosa num condomínio de bacanas, sumiu tal qual nosso Kassado. Teve até um vereador, chamado Eliomar Coelho, que aponta em seu blogue (vale prestar atenção à descrição de seu perfil) um dos motivos para tudo o que aconteceu: "a irracionalidade da população que teima ocupar áreas impróprias ao uso residencial e não cuidar adequadamente dos resíduos sólidos dos seus lixos." Destaquemos ainda a postura da imprensa que, por conta da proximidade dos governos municipal e estadual com o Planalto, desceu a lenha nas administrações locais para tentar desestabilizar o Lula, esquecendo da desculpa chuva forte que ela própria utilizou aqui em São Paulo. Enquanto isso, o governador paulista abandonou mais um cargo deixando o Jardim Romano, na Zona Leste, debaixo d'água.
- Textos essenciais e como muito mais informações sobre o Rio, aliás, estão em blogues de dois grandes cariocas. Edu Goldenberg demonstrou como esses acontecimentos desmascaram, de fato, algumas figuras densas. Já Luiz Antônio Simas conta o desumano processo de marginalização da população mais pobre da cidade e como ele ainda influencia em tragédias como essas.
- Voltando para o lado garoento da Dutra, que tristeza é um domingo sem Corinthians. Repito: obrigado a todos os envolvidos por isso.
- O Parque São Jorge, aliás, esteve em polvorosa nesses dias com relação à divulgação do balanço financeiro de 2009. Números astronômicos apareceram no documento, que para mim serve somente para limpar a bunda. Nada, repito, nada que essa diretoria fala é passível de crença. Ao mesmo tempo, um aproveitador que outrora tinha o comando e hoje se limita a jogar merda em ventilador via blogueiros laranjas e pseudo-jornalistas, tornou a aparecer na mídia para contestar tal balanço. Ora, se ele próprio é membro do Conselho, por que não fez isso na apresentação dos números. Isso só comprova minha convicção de que todos os conselheiros do Coringão deveriam ser destituídos do cargo, assim como seu presidente. Rasga-se o estatuto, elabora-se um plano de captação de associados com preços populares e promove-se nova eleição, de forma direta. Documento dessa diretoria e aprovado por esse Conselho, perdoem a redundância, não valem nada.
- Dilma e Serra lançaram suas candidaturas nesse final de semana. Acompanhem os discursos de ambos e tente achar nas palavras dos tucanos qualquer proposta para o país. O prêmio para o descobridor de tal relíquia será um perfume de produção exclusiva do PSDB: loção de povo cheiroso.
Acho que é isso. Até algum dia dessa semana, não sei quando.
31 março 2010
Hora da Patrulha
Encerra-se nesta quarta-feira o governo que nunca começou. Talvez a pior gestão nos 16 anos de tucanagem vil no Estado de SP, José Serra deixa o cargo (ele nunca termina um mandato, notem) sem entregar nada de relevante aos paulistas. Em papo com o amigo Seo Cruz, o ronca-e-fuça foi muito feliz ao cunhar o apelido mais que perfeito: Serra é o governador Porcina, aquele que foi sem nunca ter sido.
De herança maldita, a Porcina deixa, entre tantas barbaridades, o arrocho salarial a quase todo funcionalismo público, o eficaz cumprimento de metas do processo de privatização dos bens do Estado, nenhuma linha nova de metrô - apesar das maravilhas na propaganda na TV -, uma desnecessária obra na Marginal Tietê entregue com canteiros de obras funcionando a todo vapor, as diversas bolsas-jornalista dos contratos milionários sem licitação junto à Abril e a Falha, o sucateamento dos serviços básicos à população, os pedágios caríssimos e os alagamentos.
A Porcina sai também em meio a protestos maciços. Os professores, indignados com as mentiras inventadas pela secretaria da área, continuam em greve. Tentam, assim, mostrar para a população que o tal bônus é uma falácia (quem trabalha de verdade recebeu menos que os encostados "combatidos" pela iniciativa, e isso eu comprovo*, mas só deixo o link de um depoimento com a fonte preservada por conta da lei da mordaça), que as apostilas dadas aos alunos são inúteis e prejudiciais (alguém lembra dos dois Paraguais?) e que Educação não pode ser vista como mero produto. Os trabalhadores da Saúde fazem as mesmas reivindicações salariais, alertando ainda para a falta de estrutura dos hospitais. O descontentamento na polícia é idêntico.
Diz a última pesquisa que Serra se afasta do governo que nunca assumiu com 55% de aprovação. Não duvido nada, e até acredito que SP ficará sob as asas dos tucanos por muito tempo. É tudo reflexo de um lugar maldito que se considera o supra-sumo da humanidade e ignora seus problemas enfiando-se no próprio umbigo. Nada surpreendente para uma população que, ao mesmo tempo, condena o direito de greve daqueles sem reajuste salarial há 5 anos, faz vista grossa a um desgoverno e perde seu tempo com bobagens como o BBB.
E já que o papo descambou para as produções globais, uma lembrança para refrescar a memória. A viúva Porcina era, entre todos os habitantes de Asa Branca, quem mais gostava e carecia de alimentar a mentira sobre Roque Santero.
Sorria, São Paulo!
* Depoimento de uma professora da rede: "Desde que entrei no estado nunca cheguei a dar as 6 (nossa tudo isso!) faltas abonadas anuais que tenho por 'direito' (não é direito, é concessão da chefia). Já corrigi SARESP de graça, nunca peguei licença, já troquei de escola para aplicar SARESP e há 4 anos nunca atingi a média esperada e muito menos o total que dizem nos jornais que recebemos.
Dessa vez foi pior. Como já disse anteriormente (mil vezes aqui), formei uma turma que foi da 1ª à 4ª série comigo. Nunca pensei na porra do bônus e sim na formação... minha e dos pirralhos. Fiz tudo que foi curso, pesquisei atividades inovadoras, tentei trazê-los pra era digital. Pra que? Subimos a média da escola, e vale dizer que a minha é uma das melhores do estado e por causa disso... como só conseguimos 107% da meta não ganhamos o total. Observem agora que escolas com nível baixíssimo, como a meta também é baixíssima receberam um bônus altíssimo."
26 março 2010
Curtas
- Cada vez mais isolado - e em um dia, recorde! - decidi que qualquer menção ao gordo neste blogue será, a partir de agora, espécie em extinção. Não que isso tenha me feito mudar de idéia, é apenas um posicionamento estratégico. Confesso, porém, sentir algo cá no peito parecido com o ano de 2005, principalmente por perceber que a eleição de ídolos corinthianos está cada vez mais sem critérios... Finalizando: a derrota do meu time, pelo menos do jeito que vem acontecendo, é uma ofensa pessoal para mim.
- Para quem não acompanhou a repercussão da audiência pública, vale dar um pulo no Maloqueiro e Sofredor para saber de alguns detalhes que a mídia vendida não publicou. Destaco o desvio de foco que a Globo vem promovendo para tentar pressionar o Kassado e forçar o veto.
- Falando em cagadas do poder público, estou temeroso em linkar um texto maravilhoso por causa da lei da mordaça que impera no governo Serra. De qualquer maneira, deixo um trecho daquilo que considero o retrato nu e cru da falácia tucana na Educação. Quem souber fuçar, não vai ter dificuldade em encontrar a obra inteira.
"Desde que entrei no estado nunca cheguei a dar as 6 (nossa tudo isso!) faltas abonadas anuais que tenho por 'direito' (não é direito, é concessão da chefia). Já corrigi SARESP de graça, nunca peguei licença, já troquei de escola para aplicar SARESP e há 4 anos nunca atingi a média esperada e muito menos o total que dizem nos jornais que recebemos.
Dessa vez foi pior. Como já disse anteriormente (mil vezes aqui), formei uma turma que foi da 1ª à 4ª série comigo. Nunca pensei na porra do bônus e sim na formação... minha e dos pirralhos. Fiz tudo que foi curso, pesquisei atividades inovadoras, tentei trazê-los pra era digital. Pra que? Subimos a média da escola, e vale dizer que a minha é uma das melhores do estado e por causa disso... como só conseguimos 107% da meta não ganhamos o total. Observem agora que escolas com nível baixíssimo, como a meta também é baixíssima receberam um bônus altíssimo. Dããããa
Como explicar pros guris que vale a pena estudar, se você é o clássico exemplo que isso é uma balela?"
- Ontem minha irmã chegou em casa e perguntou se as obras do Metrô na linha amarela (aquela que um bando de bambis vieram defender outro dia como um grande trunfo do panetone, se apropriando de outro patrimônio público) estavam atrasadas. E aí eu fui pesquisar. Prevista para 2008, a conclusão das obras iniciais do novo trecho vem sendo prorrogada desde então. A culpa, segundo o governo, é do buraco em Pinheiros que matou sete pessoas e que, como se sabe, apareceu por conta do acaso, e não da incompetência e desleixo de quem vem tocando a empreitada.
- Para relaxar nesta sexta, o vídeo que traz a piada pronta da semana. Fala, Dicesar!
08 março 2010
Curtas
- Coisa rápida, só para o registro. Parabéns ao Barneschi, mano véio vagabundo que faz anos hoje, no Dia da Mulher, e que está comemorando a data com a nova invenção da FPF: o futebol às segundas-feiras.
- Patrulha express! Estadão mancheteou: "Congestionamento de bicicletas na Ciclovia da Marginal Pinheiros, nesse domingo". Duvida? Dá uma olhada, então... Congratulações a todos os envolvidos, especialmente à Soninha Francine. Sorria, São Paulo!
- Duas cacetadas em Ali Kamel, aquele babaca que afirma não existir racismo no Brasil. Enquanto O Globo recusou um anúncio sobre o debate das cotas nas universidades públicas, o brilhante senador Demóstenes Torres (DEM), no mesmo evento, deu a seguinte declaração:
"Nós temos uma história tão bonita de miscigenação... [Fala-se que] as negras foram estupradas no Brasil. [Fala-se que] a miscigenação deu-se no Brasil pelo estupro. [Fala-se que] foi algo forçado. Gilberto Freyre, que é hoje renegado, mostra que isso se deu de forma muito mais consensual."
Brilhante, não?
- Ontem eu recebi uma mensagem que me deixou preocupado e que, por via das dúvidas, está guardada na minha caixa de e-mails para futura publicação. Digo que tem gente bem maluca na internet...
26 fevereiro 2010
Hora da Patrulha
Em meio a tanta propaganda enganosa do governo tucano na TV - lembrando sempre, é campanha eleitoral e estratégia de abafa-enchente -, talvez a mais descarada seja aquela que mostra as maravilhosas escolas da rede pública paulista. Por lá, vemos prédios impecáveis, estrutura de primeiro mundo, valorização dos profissionais e gestão eficiente das verbas. Só que no primeiro dia de aula, alunos sentaram no chão porque não havia carteiras, deixando claro o quão fantasiosa é a lavagem cerebral publicitária de José Serra para conter sua queda vertiginosa nas pequisas da corrida presidencial. Os problemas na educação básica não podem ser tratados com esse descompromisso, pois a realidade de quem está nas escolas - tanto alunos quanto professores - é bem mais dura que as mentiras mostradas no reclame.
Instintivamente, o discurso médio transforma os profissionais do ensino em alvo fácil. Nos últimos anos, a opinião pública vem os classificando como meros funcionários encostados que não se reciclam e só querem saber da fortuna no contracheque. O professor é aquele que só falta, que dá uma aula de merda e que não ensina o seu filho a ler e escrever corretamente. Mas seria esse o diagnóstico correto?
Em primeiro lugar, é preciso analisar o período histórico. Faz 16 anos que um mesmo partido e, pior ainda, uma mesma turba desse partido bate cartão no Palácio dos Bandeirantes. São quase duas décadas de exaltação da visão mercadológica e estatística da Educação, ao invés de considerá-la como parte estratégica na construção de uma sociedade mais igualitária. Ao mesmo tempo, há o enfraquecimento ideológico e prático de um sindicato que se engessou pelo corporativismo puro e simples (não é o corporativismo de categoria, mas sim de manutenção do "aparelho"), muito por conta da repressão policial presente em todas as manifestações, mas também pela falta de diálogo com quem está no front da guerra.
Toda essa imutabilidade traz conseqüências duríssimas. Os professores sofrem assédio moral a partir do momento em que são aprovados no concurso público. Prova explícita do crime são as atribuições de sala, verdadeiro pesadelo para quem acumula cargos na capital paulista. Cientes do absurdo que é um profissional ter de trabalhar em mais de um turno para não passar fome, as administrações estadual e municipal encavalam cargas horárias, numa vilania de dar inveja. Concomitante e paradoxalmente, determinam em circular uma desvirtuação de funções, solicitando a organização em mutirão para pintar parede de escola, reformar quadras e limpar banheiros.
O professor da rede pública do Estado ou do Município de São Paulo que quiser tirar licença para fazer mestrado ou doutorado - uma clara preocupação com a formação para posterior aplicação em sala de aula - dificilmente será contemplado. O tal choque de gestão considera aquele que busca reciclagem de conhecimento um potencial vagabundo. Curiosamente, a própria secretaria de Educação orienta mulheres que não conseguem dispensa para estudar (geralmente de dois anos) a pedir uma tal licença para acompanhar marido (sim, o nome é esse). Afora o machismo, qual a lógica?
Portanto, você que fica indignado quando teu filho chega em casa mais cedo pela falta de um professor, já pensou que ele pode não ter ido ao trabalho porque está, por exemplo, com aquela síndrome de pânico adquirida depois de uma reunião de pais e mestres em que um participante mostrou seu revólver no debate? Que para agüentar os constantes pisoteamentos morais, ele recebe um salário ridículo que não chega nem perto do necessário para pagar as contas no fim do mês? E, pior ainda, ele vê todos esses equívocos cotidianamente e não pode nem apresentar uma reclamação formal ou mandar sequer uma carta para jornal porque corre o risco de ser exonerado - a censura aos docentes é lei.
É tudo isso e mais um monte de cagadas que a gente não vê na televisão, naquele filme bonito ou na imprensa do Serra. É esse sistema equivocado, com base na modernidade e nos preceitos neoliberalistas, que acaba colocando duas forças aliadas em confronto e que as induz à apatia e à desmotivação. Ao invés do apego ao que está na telinha, não seria interessante se TODOS os pais participassem da formação escolar de seus filhos, sem querer jogar toda a responsabilidade nas costas dos professores? E os professores, por sua vez, não deveriam se mobilizar em prol do fortalecimento de seu sindicato? O inimigo, que fique bem claro, é um só. Aliás, é uma sigla só, e de bico bem comprido.
Sorria, São Paulo.
23 fevereiro 2010
Hora da Patrulha
A prudência adquirida pelas pancadas no futebol é muito boa para ser aplicada em tudo na vida, tanto em crises quanto nas bonanças. Lembro do arsenal apontado a todos que sempre estiveram ao lado do governo Lula na ocasião do tal mensalão, na verdade uma prática nascida em ninho tucano. Era crime inafiançável declarar voto ao metalúrgico, assim como tentar esclarecer com dados e fatos que as denúncias não eram exatamente aquilo que a imprensa mostrava.
Já se vão alguns anos e o país vai melhor do que nunca, sobrevivendo a crises mundiais, tirando muita gente da miséria e criando empregos em ritmo e número inéditos. Até mesmo o mensalão serviu para que Lula se livrasse de alguns vícios antigos para trazer à tona novas lideranças políticas, haja vista a futura presidenta do Brasil. É por isso mesmo, por acreditar que não devemos nos comportar tal qual os inquisidores de outros dias, que esta Hora da Patrulha não vai tripudiar sobre o generalzinho Kassado. Pelo contrário, abriremos espaço para discutir o motivo da cassação: o financiamento de campanhas.
Receber dinheiro de empresas e de pessoas físiscas para bancar a corrida eleitoral sempre foi uma algema em qualquer político, corrupto ou honesto. Ao mesmo tempo, muita gente torce o nariz para a proposta de verba pública porque se fixa na tacanha visão do "é meu dinheiro". Ora, meu caro, é seu dinheiro de qualquer maneira. Se o cara não usá-lo na campanha, vai fazer isso - e com muito menos prudência - depois de eleito. Atrelar candidaturas ao caixa do Estado só aumenta o comprometimento dos postulantes com o povo.
Notem que, no caso da cassação, o processo atingiu todo mundo. PSDB, DEM e PT figuraram na lista e, curiosamente, todas essas siglas já posaram de defensores da moral e dos bons costumes em algum período de suas trajetórias. Ao lado deles está a imprensa, que nunca dá pitacos quando há processos de investigação sobre patrocínio de políticos, talvez por receio de ser pega. Ainda assim, é sempre bom destacar que se tivéssemos uma Marta ou uma Erundina na prefeitura, elas estariam sendo esquartejadas na Praça da Sé.
De tudo isso, podemos concluir, seguindo a prudência supracitada, que o Kassado colocou em seu currículo (eu disse currículo!) algo que nem o Pitta conseguiu. Concluímos também que o DEM, paladino da correção política, se vê envolvido em denúncias de corrupção muito graves, todas elas muito características do antigo PFL. Concluímos, ainda, que as TVs e jornais não levantaram a voz contra o desgoverno Serra/Kassab porque nunca na história deste país se viu tanta propaganda da dupla - ontem mesmo, com o caso da cassação explodindo, Kassab aparecia na TV culpando a chuva e o paulistano pelas enchentes. E concluímos que há dois lados bem definidos nesse jogo político-midiático dominante da pauta em 2010: os que querem melhorias e propõem soluções e os que gostam das coisas como estão para continuar mamando - ou continuar sendo ignorantes.
*P.S.: ainda nesta semana, uma Patrulha especial sobre a volta às aulas da rede pública.
28 janeiro 2010
Hora da Patrulha
"Carta aberta de São Pedro a Kassab e Serra:
Caros senhores,
Venho por meio desta solicitar mui respeitosamente que parem com esse papo-furado de jogar na minha lomba a culpa pela tragédia que destrói toda a terra sob vossas responsabilidades. Faço chover desde que o mundo é mundo e nunca vi, na história desse país, tamanho desrespeito com a minha pessoa. Os senhores sabem muito bem que apenas cumpro as regras do chefe. Não que sejá lá uma ditadura - coisa que você, Kassab, adora -, mas há certas determinações que não podem falhar, e as chuvas torrenciais no verão é uma delas.
O fato é que desde quando o Onipresente criou a Terra, o homem sabe onde o troço alaga. Teve um pessoal lá beira do Nilo, por exemplo, que desenvolveu um monte de técnicas de sobrevivência a partir das enchentes. Na contramão, vocês aí em SP andam trocando os pés pelas mãos e, pior, não têm a humildade de reconhecer vossas cagadas (perdoe, senhor, o termo, mas não achei coisa melhor). Preferem apelar e descer a madeira no Pedrão aqui.
Eu só acho engraçado, Kassab, que as alagações ocorridas na sua cidade não tenham sido de minha autoria quando aquelas duas senhoras de vermelho ocuparam a cadeira que hoje afofa o seu bumbum. É até pecado eu querer ser vaidoso, mas fiquei um tanto quanto triste quando esqueceram de mim naqueles dois mandatos que, visto daqui de cima, parecem ter sido pontos fora da curva em São Paulo. Lembro, ainda, que você também acumula mais anos de enchente que elas, principalmente se levarmos em conta o seu cargo de Secretário de Planejamento no governo daquele sujeito que, outro dia mesmo, apareceu por aqui e quis roubar minhas chaves para entrar no céu.
Já você, Serra, tem com seus amigos quase duas décadas de comando no Estado. Era para conhecer de cabo a rabo os problemas desses que rezam para eu parar de trabalhar, quando na verdade eles deveriam rezar para VOCÊ TRABALHAR um pouquinho mais, de preferência nos horários normais. Suas madrugadas no Twitter, papeando com aquela mocinha maconheira, não contam no expediente.
Antes que o ilustre governador coloque a PM aqui na frente do Paraíso para me bater, despeço-me reforçando que não tenho nada contra vossas pessoas. Apenas não agüento mais assinar BOs que não me correspondem. As forças divinas sempre mandam sinais, alguns até maldosos, para os homens enxergarem seus erros. Será que não deu para perceber ainda? Quer que eu desenhe?
Forte abraço! E sorria, São Paulo!
Pedro Petros Kepha."
20 janeiro 2010
Hora da Patrulha
Sempre que escrevemos esta Hora da Patrulha, as formas de atuação recorrentes de quem não concorda com as denúncias relacionadas ao desgoverno demo-tucano em SP são o recalque e o ataque infundado ao governo Lula. Geralmente, o troço é feito com desrespeito e não visa o debate, já que em 99% dos casos a réplica é baseada em mentiras ou afirmações sem nenhuma prova.
Assim, este post, a primeira Patrulha desse 2010 eleitoral, é dedicado ao pessoal que irá se esbaldar com termos como "comunista", "petralha", "lullista", "admirador do presidente analfabeto" e outros preconceitos muito bem entendíveis depois do tijolo na vidraça de um dos porta-vozes da classe média arrogante: o vídeo de Boris Casoy, jornalista e ícone do grupo terrorista CCC.
Para homenagear e estimular ainda mais a participação desses nobres defensores da família, da propriedade e dos bons modos, resolvemos listar algumas realizações do mandato Serra/Kassab dos últimos meses. Quem sabe isso não melhora o nível argumentativo?
Comecemos com a parte orçamentária. Na prefeitura, o generalzinho expôs todos os funcionários públicos divulgando seus ganhos num tal Portal da Transparência que não é tão transparente assim. Prova disso são alguns valores divulgados por lá, que incluem indenizações ou correções salariais acumuladas em anos de serviço, mas que correspondem a um valor líquido bem menor depois dos devidos descontos. Para demonstrar ainda mais preocupação com os cofres do município, nosso Hitlerzinho de estimação resolveu meter a mão no bolso do paulistano aumentando IPTU e as passagens de ônibus, além de impulsionar a indústria de multas. Certo dia, minha irmã foi ameaçada por estacionar o carro numa "área indefinida" - se alguém me explicar do que se trata eu agradeço.
Serra, para não ficar atrás, reajustou o Metrô e os trens. Mas sua aposta para o superávit nas contas do governo estadual são os pedágios. Por meio das privatizações, o notívago político vendeu todas as estradas e limitou o direito de ir e vir de todos os paulistas com as praças de cobrança que enchem a burra das concessionárias de grana. Deixo aqui dois exemplos do assalto: um é a ilhada Campinas; outro é um mosaico com os comprovantes da minha viagem a Ribeirão Preto no último fim de semana, cuja soma chega a R$83,10. Não podemos esquecer que os pedágios também solucionam o problema do trânsito, retendo os congestionamentos nas rodovias.
Passemos à habitação. Preocupados com a péssima qualidade das moradias de quem está nas favelas, Serra e Kassab não dormem. Em plena madrugada, incêndios para lá de suspeitos ocorrem toda semana e transformam em cinzas o pouco que esse povo sofrido conseguiu construir. Rápido e eficiente - tal qual prega o Choque de Gestão -, somem as favelas e a miséria e entram as empreiteiras e a especulação imobiliária.
A educação é outro ponto forte. O CEU Jaguaré, assim como tantos outros, tinha promessa de inauguração para o primeiro trimestre de 2009. Porém, só ficou pronto (e nas coxas) no fim de novembro do mesmo ano. Já na rede estadual, Serra dá braçadas largas e amplas. A qualidade do ensino durante sua gestão é tão elevada que o governo fecha escolas.
Nada supera, no entanto, a superação de um histórico problema: a seca no sertão paulista. Com planos muito bem estruturados e uma série de medidas emergenciais aplicadas com rapidez, cidades da Região Metropolitana têm fartura de água, assim como alguns bairros da periferia da capital, alagados há mais de um mês e sem nenhuma previsão de novo período de estiagem. A água potável abunda e deu até para construir um parque aquático para as crianças brincarem nesse calorento verão.
Por fim, tratemos da parte social, área fortemente relacionada à erradicação da seca em nossa caatinga. A parceria entre as administrações municipal e estadual matou 50 pessoas em 50 dias, numa eficaz política de controle populacional. Ainda fazem parte dos planos de inclusão social o fim do Plano de Aceleramento do Crescimento (PAC) - não dá para ficar gastando dinheiro com os mais pobres - e os intensos debate sobre liberdade de expressão, tão combatido por esses comunistas que elaboraram o novo PNDH.
Sorria, São Paulo.
17 dezembro 2009
Hora da Patrulha
Hoje eu não falo nada. Deixo os telejornais (milagre, hein?) falarem por mim. Enquanto isso, o Taxab diz suas abobrinhas habituais e o governador foi para Copenhague. Fora da comitiva oficial, ressalte-se.
Leia mais:
- Manejo de comportas encheu bairros pobres de SP
08 dezembro 2009
Hora da Patrulha
Hoje é rápido, até porque descascar longamente o desgoverno demo-tucano mensalóide seria muito oportunismo. Nessa terça-feira, dia 8 de dezembro, quando nada anda em São Paulo, a gente sabe exatamente o motivo do caos que se instala na capital paulista. As obras da Marginal Tietê foram julgadas desnecessárias aqui neste espaço no dia 13 de julho. Qualquer um consegue perceber que elas não irão trazer melhorias e, pior, causarão novos problemas.
A lógica é simples: acabando com a capacidade de escoamento de água do rio pelas várzeas, as inundações são naturais. Por que não usaram essa fome voraz contra o trânsito construindo corredores de ônibus? E o Rouboanel, que neste ano foi vítima de calote eleitoral?
Como queremos o melhor para essa terra cada vez mais esquecida pelos céus - ou seria lembrada, haja vista a chuva que não dá trégua? - fica aqui o pedido: não saia de casa. Seu chefe, assim como o meu, também não chegou no trabalho.
Sorria, São Paulo!
* acabo de ver que o Taxab vai dar uma entrevista falando seus blablablás intermináveis na Ponte das Bandeiras. Afora a medida populista e inábil, alguém poderia jogá-lo no Tietê, onde é o lugar de merda?
26 novembro 2009
Hora da Patrulha
Edição participativa da Patrulha - que há tempos não aparecia - motivada por alguns fatos meio estranhos dessa terra outrora boa e da garoa. Desaba tudo por estas bandas. É Rodoanel com contratos suspeitos, é sino da Catedral da Sé, é teto de igreja protestante, é lago no Parque do Cambuci, é cratera na Linha 4 do Metrô... A única coisa que não cai mesmo é pedágio e o IPTU. Esse último subirá bastante ano que vem - o troço ainda está em votação na Câmara de Vereadores, mas a truculência habitual dos pelegos irá garantir a aprovação do abusivo aumento.
Depois de tanta obra mal-feita e mal-planejada, foi natural o abalo nos números das pesquisas de intenção de voto do vampiro presidenciável. Como tudo está indo abaixo no governo demo-tucano, venho pedir que ajudemos a campanha do Serra para o ano que vem, criando um slogan a partir do mote "SP descendo a ladeira". Temos que dar um upgrade na candidatura de quem, provavelmente, vai perder de novo.
Adianto que já existem algumas pessoas engajadas na campanha serrista, só que muitas delas não são, como podemos dizer, dotadas de atividade cerebral capaz de criar uma frase apelativa o suficiente para alavancar nosso ditador até o Planalto. A fim de acordar o ímpeto criativo de todos, deixo como sugestão trechos de algumas músicas, até porque essa turma adora usurpar o cancioneiro popular durante as campanhas:
- Vai sacudir, vai abalar
- Puta que pariu, pisa no freio Zé!
- Meu mundo caiu
- Levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima
- Aí foi que o barraco desabou, nessa que meu barco se perdeu
- Vamo simbora prum bar. Beber, cair, levantar
Colabore! E sorria, São Paulo.
04 novembro 2009
Hora da Patrulha
Em meio a tanta polêmica que todo clássico tem e deve ter, numa coisa corinthianos e palmeirenses que se dignaram em ir até Presidente Prudente/MS concordam: além de longe como um quê, é inexplicável a quantidade e o preço dos pedágios na rodovia Castello Branco. Tudo bem que a estrada está em boas condições, mas isso não justifica os valores exorbitantes cobrados pelas empresas que a administram. São dez praças, ida e volta, e um rombo de R$77,40 no bolso.
A culpa, logicamente, é do modelo privatista - para não dizer entreguista - das últimas quatro gestões estaduais, todas elas sob as asas do PSDB. E aí os sem-argumentos virão com as pedras na mão, berrando: "ah, mas o teu Lula 'privatizou' a Fernão Dias!" Não, energúmeno! Nas federais ocorreu a concessão, de fato e de direito, com tarifas muito mais baixas que as estaduais paulistas. Para fins de comparação, vamos utilizar as duas estradas supracitadas. A Castello Branco tem 315km de extensão, dez pedágios e custa R$4,06 por quilômetro. Já a Fernão, no trecho duplicado entre SP e BH (para ficarmos nos mesmos parâmetros), contará com 7 praças custando de R$1,10 cada uma, ao longo dos 586km. Não precisa nem fazer a conta...
Enquanto essa "competência" para gerir o transporte não é debatida e tampouco contestada, aqui na capital o furdunço continua com as obras na Marginal Tietê. Certo dia, pelo Twitter, o @viniciusduarte definiu bem: é como se a Sabesp alargasse os dutos para que saia mais água na torneira da sua casa. Até mesmo figuras ilustres, como o jornalista Ricardo Kotscho, andam acreditando nas balelas da propaganda demo-tucana e ninguém explica o porquê dessa grana toda não ter sido aplicada, por exemplo, na construção de novos corredores de ônibus pela cidade.
Para refrescar a memória dos maravilhados com o choque de gestão, por que não mencionarmos os pedágios no Rodoanel, decisão totalmente contrária à proposta inicial feita pelos próprios tucanos e que conseguiu a proeza de congestionar a via? Ou então as novas paradas de cobrança na Rodovia D. Pedro I, que corta o interior paulista? Ou ainda o assalto que é pegar a Imigrantes para chegar à Baixada Santista?
Crer cegamente no que os bicudos falam no rádio, na TV e no jornal da ditabranda é validar imbecilidades como esse tal reajuste dos professores, que garante salários de R$7 mil daqui 12 (!!!!!) anos. Qual meritocracia - tucano adora essa palavra - e política salarial decentes incentivariam o cara a largar a sala de aula e estudar, só para ir bem na suposta avaliação e conseguir atingir um teto da categoria que daqui 12 anos já estará defasado? Isso se justificaria somente se a intenção fosse tratar a educação como mercadoria, tal qual defende o atual secretário da pasta e tal qual manda qualquer determinação desse governo.
Finalizando, deixo um belo mosaico que comprova o quanto se gasta no caminho à terra esquecida por Deus. Além de enviar essa conta para os mandatários Sanchez e Belluzo, ofereço a obra de arte como presente ao governador, que, dizem, foi à Turquia com uma sub-prefeita paulistana, talvez em lua-de-mel...
Sorria, São Paulo.
20 outubro 2009
Hora da Patrulha
Começou neste dia 20 de outubro o ponto alto da presepada armada pela parceria Serra/Kassab na Marginal Tietê, quando teremos a interdição de 3 pontes ao longo da via. Já tratamos do tema anteriormente e agora ele volta à tona por conta da incompreensível tolerância da mídia quanto ao caos instalado na capital paulista. Não precisamos ir muito longe para lembrar o que foi a cruzada contra a construção dos corredores de ônibus e túneis nas avenidas Rebouças, 9 de Julho e Cidade Jardim, obras que, apesar de tudo, trouxeram um benefício real ao trânsito por valorizarem o transporte coletivo. Só que agora, com os demo-tucanos devastando a região varzeana do poluído cartão postal de SP e gastando milhões numa empreitada que não será solução, motorista não reclama e jornalista não grita.
Antes de irmos ao ponto crucial, no entanto, é necessário trazer à tona uma informação que passou batida. As primeiras aferições de lentidão feitas após a proibição de fretados na capital detectaram uma piora na fluidez. Em comparação ao ano anterior, o mês de setembro registrou alta superior a 10%, contrariando a redução de 11% prevista pela prefeitura. Diante desse cenário desfavorável, o generalzinho bradou à rádio Bandeirantes na última sexta-feira que os dados foram colhidos por gente má-intencionada e que o trânsito "tinha nítidos sinais de estar muito bom". Resumo da ópera: se me contestam, não prestam, e eu minto sem corar.
Curiosamente e na mesma sexta-feira, o secretário de transportes municipal, divulgando a tal interdição, previa um aumento de 40% nos congestionamentos da cidade. Quatro dias depois, o decrépito aparece na imprensa se contradizendo, garantindo um impacto negativo de, no máximo, 14%. Fica a pergunta: dá para acreditar no sujeito ou em qualquer membro desse governo?
Não dá, senhores. A vil estratégia deles é muito simples e perceptível a qualquer demente, menos a quem foge deliberadamente da realidade. Somem os 10% dos fretados com os 40% das pontes e teremos o lastimável acréscimo de 50% no índice de imobilidade urbana (isso em números oficiais, que não consideram diversas avenidas tão ou mais empacadas que os corredores centrais contabilizados). Cria-se um desnecessário e insuportável cenário que, concluída a construção das novas pistas da Marginal, validará a realização das obras por meio de uma melhoria mentirosa.
Os despudorados governantes ainda têm a coragem de exaltar, com a ajuda midiática, o "planejamento" da coisa, ressaltando que a merda será amenizada por acontecer durante as férias escolares. Basta acionar dois neurônios para duvidar dessa bobagem. Primeiro que nunca vi férias em novembro. Segundo, eles não se lembram que as aulas, por culpa deles mesmos, irão perdurar até perto do Natal, por conta daquela outra ingerência relacionada à gripe suína? Mais ainda: o aumento natural do tráfego na época das festas de fim de ano, com o povo todo saindo às compras, ninguém levou em conta?
Portanto, quem acreditou em propaganda de TV (a mesma que mostra alguém saindo da estação Corinthians-Itaquera para ir ao privadão ha-ha-ha) e pegou o dedinho para cravar 45 e 25 nas últimas eleições, já sabe onde enfiá-lo agora. Sorria, São Paulo!
05 outubro 2009
Hora da Patrulha
Uma patrulha deveras especial. Estamos escrevendo contra os desmandos demo-tucanos em SP depois de um fim de semana redentor para o povo brasileiro, aquele povo verdadeiro, porém marginalizado e odiado pela grande maioria dos paulistas e paulistanos. Para os modernos e civilizados cosmopolitas, essa cidade de merda - e que cheira merda por causa da própria merda jogada no Tietê - é o paraíso na Terra, enquanto o Rio de Janeiro, merecidamente escolhido como sede das Olimpíadas de 2016, não passa de um lugar sitiado e atrasado.
Numa sapatada só, essa gente reacionária e separatista engoliu um operário nordestino sendo elevado ao posto de figura política mais importante do planeta, a consagração da Cidade Maravilhosa como a cara do país e o Ministro dos Esportes Orlando Silva, achincalhado injustamente na "crise da tapioca", fazendo o que nem Pelé - um negro cada dia mais branco - havia conseguido. Com os narizes se torcendo e o recalque gritando, os porta-vozes da gentalha luxuosa logo saíram em defesa da manutenção da nossa subserviência perante o mundo, decretando: vai ser uma roubalheira porque o Brasil não presta.
Bom mesmo é SP e seus 4 mandatos de (d)eficiência tucana. Aqui não há desperdício de dinheiro público. Males havendo, a culpa é do povinho miserável que não pode ver um montinho de dinheiro, uma casa abandonada ou um terreno improdutivo que já vai tomando de assalto. Em São Paulo há disciplina do cercadinho do Serra, uma ação autoritária e excludente que segue os moldes do Cidade Limpa (de limpa isso aqui não tem nada) e busca embelezar o caos diário que se instala na estação Sé do Metrô.
E já que falamos em Metrô, por que não lembrarmos - é sempre necessário lembrar - como o choque de gestão tucano vem, há 15 anos, enfiando a mão no bolso do contribuinte paulista e jogando nosso dinheiro nos cofres da Alstom e de políticos de bico grande, num esquema que faria Fernandinho Beira-Mar corar? Ou então mencionar os remendos (mal)feitos nas escolas estaduais no começo de 2009, tudo mera maquiagem para esconder o péssimo estado de conservação dos prédios que já começam a ruir? É gasto sobre gasto, em medidas que nunca são definitivas e jamais têm a finalidade de sanar problemas.
Não é uma Olimpíada que irá fazer corrupto roubar mais ou menos. O que abre as portas para ladrão - e eles estão sempre de terno e gravata - é essa síndrome de inferioridade, felizmente curada na última semana depois que um de nós foi até a Europa e, sem saber falar o inglês tão adorado pela classe média, convenceu o mundo de que o Brasil e seu povo merece respeito. O Brasil é gigantesco e o orçamento da Saúde e Educação não dependem do dinheiro que será aplicado nos Jogos Olímpicos - pelo contrário, devemos nos preocupar com a reserva bilionária destinada anualmente ao pagamento de juros da dívida pública. Só em SP, com todo o desmoronamento moral e estrutural da maior cidade e do Estado mais "rico" do país, o governador desdenha da festa bonita na Praia de Copacabana porque anda muito preocupado se a banana na feira será vendida a quilo ou à dúzia.
Sorria, São Paulo.
14 setembro 2009
Hora da Patrulha
Nesta segunda chuvosa, o generalzinho Gilberto Kassab esteve no programa Jornal Gente da Rádio Bandeirantes para falar sobre os problemas de São Paulo. Quem conhece a atração comandada por José Paulo de Andrade sabe que, invariavelmente, os políticos são tratados com pouca ou nenhuma cordialidade pelo seu anfitrião - salvo raras e óbvias exceções, como será visto adiante. Ao lado de Joelmir Beting e Salomão Ésper, o fascistóide Zé Paulo representa o que há de pior na imprensa e retrata muito bem a sociedade paulistana: é extremamente preconceituoso, reacionário e tem o ranço tradicional a qualquer nordestino metalúrgico que chega ao cargo de presidente da República. Recebendo o alcaide, no entanto, o programa deixou de lado toda sua característica e descambou para um papo de comadre temperado com pitadas de assessoria de imprensa informal e militante.
Os apresentadores, vorazes críticos de tudo no mundo, portaram-se tal qual cordeiros em pele de lobo. Tiveram grandes chances de colocar o prefeito contra a parede (coisa que ele deve a-do-rar!), principalmente por causa das últimas enchentes. Pelo contrário, o assunto ficou em segundo plano e ninguém questionou o sumiço da máxima autoridade executiva durante o caos instalado no município na terça-feira passada. Houve, ainda assim, a pergunta sobre a péssima execução dos serviços de limpeza, na verdade um cruzamento de três dedos para o oportunista Kassab mandar a resposta sem esforço ao barbante, afirmando que o investimento no setor é recorde. Se é recorde, então está sendo muito mal empregado - já que é latente o acúmulo de entulho pelas ruas - ou indo irregularmente para o bolso de alguém (e essa possibilidade também não foi levantada pelos jornalistas da Band). Ainda nesse quesito, sempre é bom lembrar que hoje apenas 1% do lixo recolhido diariamente passa pela reciclagem, uma iniciativa que deveria ser prioridade da atual secretaria municipal do meio ambiente, curiosamente sob a batuta de Eduardo Jorge, do Partido Verde (!?!?!?!?).
Outras temáticas importantes passaram ao largo das perguntas ácidas e foram apresentadas, sem nenhuma contestação, como modelos de eficiência administrativa, em destaque a saúde e a educação. Novamente, a realidade contradiz as palavras do prefeito. As AMAs, por exemplo, estão em déficit se ainda tiverem validade as promessas de campanha e tal estelionato eleitoral não deverá ser reparado tão cedo dado o corte de orçamento no setor. Quanto às escolas, podemos citar o novo esquema de entrega do leite (notem que, nesse caso, não é assistencialismo barato como no Bolsa-Família). Além de tirar os professores da sala e prejudicar projetos pedagógicos por conta de preenchimento de relatórios burocráticos que determinam quem recebe o benefício, o leite agora vai pelos Correios e o envio significou um custo extra de R$29 milhões à Prefeitura.
Falando sobre contas públicas, Kassab demonstrou sintomas de amnésia ou memória seletiva. Disse o prefeito que São Paulo paga R$200 milhões por mês em dívidas, todas elas contraídas em gestões passadas. Opa, não era ele o secretário de planejamento de Pitta, na administração que mais deixou rombos nos cofres da cidade? A cara-de-pau só foi maior na menção despreocupada e inverossímel aos buracos inexistentes nas ruas, outra ferida aberta pelo choque de gestão demo-tucano que não deve ser percebida a partir das caronas de helicópteros que esse pessoal anda pegando.
Ao fim da entrevista, e antes de anunciar sua visita beija-mão ao cappo do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes, Kassab antecipou o presente que dará a todos os paulistanos: aumentará o preço da tarifa dos ônibus, mas só em 2010 porque ele é muito bonzinho e, sensibilizado com a crise mundial, postergou a decisão. Nossos ônibus sempre vazios, pontuais, com ar-condicionado e de confortáveis poltronas reclináveis circulando pelos milhares de corredores exclusivos realmente custam caro.
Sorria São Paulo.
04 setembro 2009
Hora da Patrulha
De todos os malefícios que os governos tucanos trouxeram para São Paulo e para o país, talvez o pior deles tenha sido a privatização irrestrita dos serviços básicos à população. A coisa funcionava de vento em popa no reinado do monarca FHC e muita gente enriqueceu às custas do dinheiro do povo - basta ler o livro "Brasil Privatizado", do saudoso Aloysio Biondi, para entender. Depois de um tempo, no entanto, a venda depravada do patrimônio público passou a ser vista por muita gente como algo pouco positivo, principalmente por conta da piora no atendimento (mesmo privado) e na qualidade do produto oferecido. A desaprovação maciça ao golpe contra a Petrobrás e o pré-sal, por exemplo, comprova que o brasileiro não aceita mais fazer o papel do nativo que entrega aos colonizadores suas riquezas naturais.
Assim, os bicudos tiveram de realinhar seu modus operandi, promovendo as terceirizações por debaixo do pano e sempre com a ajuda da mídia vendida e golpista (leia-se Falha de S.Paulo, Globo e que tais). A educação foi o primeiro setor onde tal modelo se disseminou silenciosamente, com empresas de limpeza e merenda enchendo a burra de grana nas escolas de primeiro e segundo grau e as fundações na USP restringindo ainda mais o acesso ao ensino superior. Agora, em outro ato deprimente, o governo estadual e a maioria tucana e omissa na Assembléia Legislativa aprovaram o atendimento pago nos hospitais públicos, uma aberração sequer questionada e tampouco debatida de maneira ampla pela sociedade.
Segundo a nova regra, os hospitais poderão receber pacientes particulares e de convênio. É óbvio ululante que, pressionados pelo Palácio dos Bandeirantes e pela lógica mercadológica, funcionários irão dar maior atenção aos pagantes, deixando de lado a população mais carente. Ao mesmo tempo, as empresas particulares responsáveis pela administração dessa estrutura terão caminho livre para criar seu oligopólio dentro do sistema público de saúde e, além da clientela garantida, não precisarão desembolsar um centavo na construção de hospitais. Já o governador poderá apresentar na propaganda eleitoral de 2010, com todo o garbo e elegância, que o Estado deixou de gastar com essa "bobagem" e o choque de gestão teve suas metas alcançadas, com a graça do Santo Expedito.
O alerta que aqui fazemos é necessário, pois a medida é a oficialização de um procedimento que ocorria veladamente no Hospital das Clínicas e em outros postos de saúde mantidos pelo Estado: a segunda porta. Grosso modo, fura a fila do atendimento quem tem dinheiro para pagar. Isso, obviamente, é ilegal e não registrado, e pessoas enriquecem às custas da estrutura estadual. O que o Serra fez - olha que bonzinho - foi legalizar essa imoralidade.
Quem deve estar preocupado é o pessoal das favelas de Paraisópolis e Heliópolis. Afinal de contas, onde eles irão buscar auxílio médico quando a PM do Serra invadir os barracos e promover outra de suas chacinas, com transmissão ao vivo da Globo e tudo mais?
Sorria, São Paulo.
19 agosto 2009
Hora da Patrulha
Esta Patrulha volta a mencionar a nojeira que está sendo a sucessão de imposições comportamentais do governo tucano sobre a população paulista. O processo teve início quando José Serra, então prefeito da capital, implementou o tal "choque de gestão". Aqueles que freqüentam os estádios, por exemplo, perderam as tradicionais barracas de pernil. Os CEUs foram sucateados, o Bilhete Único foi reestruturado para agradar as empresas de ônibus, os orçamentos de secretarias importantes sofreram cortes, os professores comem o pão que o diabo amassou com a falta de estrutura e a ajuda de custo (aquilo não é salário), e o trânsito será resolvido com a destruição de árvores e mais pistas na Marginal, para ficarmos parados apreciando o poluído Tietê.
Dali para hoje, a mais recente arbitrariedade atingiu os fumantes. Como tem apoio irrestrito da mídia, o governo Serra disfarça seus verdadeiros objetivos utilizando causas nobres e nunca é desmascarado. É óbvio que o cigarro faz mal, assim como é óbvia a nojeira de sair fedendo fumaça de qualquer lugar. No entanto, não se trata um problema de saúde público retirando de circulação aqueles que padecem do mal. Ao invés de reprimir o fumante e transformá-lo em bandido, por que não ajudá-lo a largar o vício? Mais ainda: cria-se um auê para possibilitar trabalhos nada nobres por baixo dos panos.
Ressaltando minha condição de não-fumante, jamais poderia deixar de criticar algo que considero bastante perigoso, mais até que meu vício indireto de nicotina: o adestramento social. De ato em ato, de restrição em restrição, os tucanos vêm promovendo nos seus redutos administrativos uma reeducação para manter a população totalmente passiva, ao mesmo tempo em que retira direitos do povo de maneira lenta, gradual e segura. Estratégia inteligente, diga-se, pois garantiu 4 mandatos seguidos no Palácio dos Bandeirantes.
Ainda no caso do cigarro, e para que vejam como essa gestão é banhada de péssimos hábitos, o Estado incentiva a cagüetagem. Coisa suja de gente sem caráter. Já que chegamos a níveis de imoralidade e ilegalidade tais, sugiro a subversão: ao ver um gaiato querendo fechar seu buteco por causa de uma bituca, desça a mão no sujeito!
Engraçado que, ao falarmos sobre cotas para negros em universidades, um dos principais argumentos contrários à ação afirmativa é a suposta segregação que ela poderia gerar. Curiosamente, o mesmo papo-furado não aparece agora, quando é explícita a situação de verdadeiro apartheid. Isso, infelizmente, só comprova minhas teses de proteção e indução midiática (viva a reunião de secretária da Receita em que participante não se lembra da data e da hora!) e de passividade geral (viva os pedágios que irão se reproduzir pelas estradas outra vez e o povo vai pagar sem reclamar!). Talvez seja um silêncio de cumplicidade, assumida nas urnas.
Sorria, São Paulo.
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