Hoje eu vi meu pai, e há tempos venho prometendo por aqui que iria falar da desgastada relação que culminou no afastamento definitivo entre a gente. Antes de mais nada, é necessário dizer que tenho plena consciência de que um camarada sem o pai como modelo está sujeito a uma série de complicações e de desvios de caráter. E agora uso o blogue como um divã. Quem não se sentir à vontade, pode pular o post, mas eu juro que há um propósito.
14 novembro 2008
O dia em que eu vi o morto
Hoje eu vi meu pai, e há tempos venho prometendo por aqui que iria falar da desgastada relação que culminou no afastamento definitivo entre a gente. Antes de mais nada, é necessário dizer que tenho plena consciência de que um camarada sem o pai como modelo está sujeito a uma série de complicações e de desvios de caráter. E agora uso o blogue como um divã. Quem não se sentir à vontade, pode pular o post, mas eu juro que há um propósito.
13 novembro 2008
Passadas as eleições...
Bela sacada do repórter Diego Salmen, do Terra Magazine. Segundo a matéria, o dinheiro liberado pelo governador José Serra para alimentar a indústria automobilística - R$4 bilhões - daria para construir 13km de metrô, distância maior que a extensão da Linha Verde.
É nada mais que a comprovação de que a campanha de Kassab se tratava de uma mentira deslavada. Por que Kassab? Porque quem manda no Kassab é o Serra, obviamente. O Kassab é o Paulinho do Serra...
Não houve contestação, não houve questionamento de ninguém. Ao invés de incentivar o consumo de carros e piorar o trânsito (tudo sob a desculpa de manter empregos nas montadoras, o que não é verdade), o governo deveria criar postos de trabalho na construção do metrô. Isso movimentaria muito mais a economia e aí sim teríamos um enfrentamento da crise. Mas nosso sanguessuga gosta mesmo é de dar dinheiro para empresas privadas.
12 novembro 2008
A Juriti
Quase uma semana depois, escrevo o post relatando o evento em que se concretizou o encontro com os irmãos Falavigna e se acertou, inclusive, alguns poucos pontos do Jogo das Barricas. Não vou falar dos impropérios político-futebolísticos saídos das bocas dos presentes (também estiveram Filipe e Barneschi), uma vez que, na sobriedade, aquelas palavras radicais podem assustar os mais desavisados. Resumo este texto às impressões sobre o estabelecimento que serviu aos hunos e que atende pelo nome de A Juriti.
Primeiro, no entanto, é obrigatório falar do caminho para se chegar até ele. Horas antes, conversava via MSN com o Barneschi para pegar indicações, e o Barneschi é o cara mais indicado para isso porque ele tem duas obsessões: decorar o mapa da cidade de São Paulo (dessa eu compartilho) e saber de cabeça os itinerários dos ônibus e seus respectivos números de linha. O papo partiu daí e acabou na imortal discussão sobre a desonestidade da zona sul. Barneschi é morador do Ipiranga, um bairro abjeto que tem como grande glória estar no hino nacional (mas todos sabemos que o D.Pedro parou às margens do corregozinho para dar uma cagada, e só).
Devo dizer que a prosa havia tomado esse rumo porque o Raphael, que mora no Cambuci assim como o buteco, vociferou algumas verdades sobre o bairro do Barneschi e os dois começaram aquela viadagem de qual lugar era melhor. Eu, daqui da zona oeste (que não fede nem cheira) e grande admirador das maravilhas das zonas norte e leste, pensava: “se é na zona sul, é tudo uma grande merda”. Ainda meio desconfiado, saí do trampo, peguei o metrô e saltei na estação Vila Mariana.
Acontece que São Paulo é incompreensível aos mais desatentos. Por seu formato em L, é possível cruzar as quatro zonas da capital em poucos minutos, e mudar de uma para outra em questão de passos. Foi o que se sucedeu quando saí da referida estação e desci a Lins de Vasconcelos. No terceiro quarteirão já era possível sentir toda a atmosfera da zona leste.
Ao invés de tomar um ônibus no terminal (dica: 874T ou 478P), resolvi ir caminhando, já que o percurso duraria cerca de 15 minutos. Metros adiante do início da camelada, entrei numa padaria sob o comando de um portuga (e hoje isso não é pleonasmo, pois os coreanos estão dominando as padocas, mercadinhos e butecos) para comprar uma latinha. Por todo o caminho, um sem-número de barbeiros, despachantes, mecânicas e lojas de bugigangas enfeitavam a Lins, e dois estabelecimentos chamaram mais atenção. O primeiro, um butiquim dos mais vagabundos de um portuga mal-humorado (comprei outra latinha aqui, já que chegava mais ou menos na metade do trajeto). O segundo, um prédio de três andares abandonado que fica em frente à Sabesp, me deu vontade de ganhar na loteria só para restaurá-lo. Tudo isso provava que ali já não era zona sul. O Cambuci é leste violentamente.
Chegamos finalmente à Juriti. Na quase-esquina da Amarante com a Lins, vemos uma construção tímida se o olhar for de relance. Mas a pouca largura da fachada é compensada na profundidade do salão, todo ele revestido por um azulejo bege que grita: aqui é um lugar de respeito. Na entrada, mesas na calçada; na parte da frente, o balcão das preciosidades. Há de tudo: queijos, berinjela, batatinhas de casamento, mariscada e tantas outras pérolas para acompanhar a gelada Brahma. Fora os petiscos, o cardápio é rico. Ostras frescas, calabresa à Joana D’Arc (sim, incinerada), frango à passarinho regado de alho e uma fantástica rã à milanesa. Cuidando da assistência, garçons competentes, simpaticíssimos e quase infalíveis. Tudo isso a preços módicos.
Eis aí, meus caros, um dos maiores lugares da face da Terra.
11 novembro 2008
Se a gente que é pombo não fala...
Uma das primeiras lições que a gente aprende quando entra na faculdade de jornalismo diz respeito à responsabilidade da coisa publicada. Para garanti-la, é preciso ter como premissas uma boa apuração e a comprovação da informação com dados. Amarrando tudo isso, chega-se ao ponto crítico: a notícia beneficia ou não o bem-estar social?
Outra lição que também é repetida à exaustão: bom jornalismo se faz com suor, e não às custas de informações privilegiadas, já que elas provavelmente vão privilegiar aqueles que a forneceram. Por fim, temos ainda a questão do mercado de trabalho, e aí o bicho pega. Isso porque o QI – obviamente não me refiro ao quociente de inteligência – impera nas redações de veículos de maior alcance e, não raro, muita gente incompetente toma lugar de ótimos profissionais que, por sua vez, precisam se vender a subempregos para pagar as contas.
No jornalismo esportivo dos últimos tempos, destacou-se uma figurinha que vai contra todas essas orientações da profissão. Pudera, ele nunca pisou numa faculdade de comunicação para assistir a qualquer aula que fosse. O Juquinha se fez à base do QI, e em menos de 4 anos passou de pesquisador do arquivo da Abril para chefe de reportagem. Nenhum repórter na história do jornalismo teve ascensão tão meteórica. Mas eu não vou ficar aqui contando as posturas éticas do Juquinha, caracterizada pelo estilo camarão-que-dorme, nem falar de sua "vitoriosa carreira", porque isso está mais do que explícito. O que me preocupa são as gerações que vêm por aí...
Juquinha inaugurou em seu blogue um preguiçoso modo de escrever, baseado em frases curtas que abrem espaço para diversas interpretações - isso quando não passa semanas publicando textos alheios. Dizem os bastidores, inclusive, que ele é incapaz de escrever uma lauda com a devida correção gramatical. Nessas frases curtas e irresponsáveis, ele joga uma série de fofocas não comprovadas que ganham repercussão absurda por estarem no portal de maior audiência da internet brasileira. Tal preguiça na escrita, porém, ganhou adeptos, e a molecada admira o Juquinha como eu admiro caras do calibre de Mino Carta, Claudio Abramo, José Arbex Jr. e Aloysio Biondi. Todos eles, segundo os mais novos, “chatos” de ler.
Mas Juquinha tem o mínimo de consciência e resolveu dar um empurrãozinho na carreira de um papagaio de esgoto. Pegou no colo um estudante de jornalismo que escreve tão mal ou pior que ele e resolveu dar as merdas que não pode publicar por conta daquela responsabilidade citada no começo do post. Factóides, manobras políticas, esquemas pecaminosos de se obter informação: esse é o jeito de fazer jornalismo do Paulinho, tudo sob os olhos atentos do grão-mestre.
Já havia escrito algumas coisas sobre o Paulinho aqui, mas agora o acúmulo de absurdos transbordou. No post de hoje, o “jornalista da credibilidade” – como ele se auto-intitula - traz fotos pessoais e as utiliza como “prova” daquilo que quer denunciar. Isso lá é jeito de se conseguir informação?
E aí os meus pouquíssimos leitores devem estar perguntando: para que tudo isso? O motivo é simples. Este post é, na verdade, um apelo. Um apelo para essa molecada que adora o Juquinha e sua trupe. Acordem e usem o senso crítico. Não podemos acreditar em tudo que a gente lê, assiste e escuta. Não dá para aceitar alguém desse naipe vomitando o que quer por aí. Pior, é inadmissível esse tipo de gente ter espaço, divulgação e formar opinião.
Só um ignorante não enxerga o grande movimento dos barões da mídia que se arrasta há mais de século para impor os ideais de uma elite que determina o seu salário, o seu jeito de vestir e até mesmo o horário do jogo do seu time de coração. Ficaria triste em saber que os futuros colegas de profissão têm como ambição participar desse esquema sujo.
10 novembro 2008
Não é possível
Eu tento mudar a pauta vez ou outra por aqui, mas as coisas andam tão difíceis que não dá para deixar de falar de alguns fatos da nossa vida política e social. A última barbárie cometida contra a inteligência alheia apareceu no Globo:
"PF vai indiciar delegado do caso dantas por 5 crimes
A Polícia Federal deverá indiciar ainda esta semana o delegado Protógenes Queiroz, responsável pela operação que prendeu o banqueiro Daniel Dantas, por cinco crimes: quebra de sigilo funcional, desobediência, usurpação de função pública, prevaricação e violação telefônica. Se condenado por todos os crimes, como deseja a própria PF, Protógenes pode pegar as penas mínimas, somadas, de três anos, seis meses e 15 dias de prisão."
Trata-se de uma bipolaridade absurda. Um presidente que vem combatendo a fome nas regiões mais pobres, que fez um mandato quebrador de recordes na geração de emprego e que colocou a inclusão social nas diretrizes do governo é o mesmo presidente que se cala e se omite perante o caso mais simbólico de combate à corrupção dos últimos tempos.
Aí eu fico imaginando na quantidade oceânica de saliva que eu venho gastando há 6 anos defendendo os avanços do governo Lula. E vou falar o que agora? Como justificar a proteção a Daniel Dantas por parte da Polícia Federal? Lula se cala diante do golpe contra ele, se cala diante das decisões absurdas do presidente do STF e se cala diante da imprensa que divulga tudo isso.
Meu presidente, por favor. Respeite seu povo e sua própria história.
09 novembro 2008
Corinthians 2008
Acabou.
"Se um dia
Meu coração for consultado
Para saber se andou errado
Será difícil negar
Meu coração
Tem mania de amor
Amor não é fácil de achar
A marca dos meus desenganos
Ficou, ficou
Só um amor pode apagar"
EU SOU CORINTHIANS!
07 novembro 2008
Meia-boca
A tucanagem, na sua tarefa árdua de prejudicar o povo brasileiro, apresentou um projeto no Senado para limitar a meia-entrada entre segunda a quinta-feira. A proposta, segundo os autores, visa diminuir os preços nos cinemas, teatros, shows e eventos esportivos. Quando se trata de tucano, é sempre assim. Eles inventam uma desculpa que, aos olhos da moral e dos bons costumes, é linda. Na prática, porém, ou a coisa não se cumpre ou acontece de maneira totalmente oposta.
É bom lembrar, primeiramente, que esse rolo todo de meia-entrada tem origem na publicação da MP que tirou da UNE o controle da confecção das carteirinhas de identificação dos estudantes. Bancada por FHC e seu ministro Paulo Bernardo, a medida criou um mercado para predadores ganharem dinheiro e desestruturou o movimento estudantil ao retirar das entidades sua única fonte de renda.
A conseqüência dessa artimanha foi emissão desvairada de carteirinhas, toda ela feita sem nenhuma fiscalização e sem nenhum critério. Qualquer um apresentava um boleto falso numa pizzaria e saía com a sua identificação estudantil. E eu não vou ser hipócrita: fiz isso até ano passado.
Por quê? Porque isso é nada mais do que uma cadeia de acontecimentos. Com a farra do boi, os empresários resolveram aumentar os preços dos ingressos para não comprometer sua margem de lucro. Fazendo isso, mais gente passou a falsificar o documento. Com mais gente falsificando, mais meia-entrada na praça. E mais inflação nos preços.
Agora, as aves bicudas se vestem da cara-de-pau e resolvem interferir novamente na questão, usando um mecanismo ainda mais excludente. Mas quem me garante que os preços serão reduzidos? Quando o dólar estava nas nuvens, os shows internacionais ficaram caríssimos e também influenciaram os shows nacionais. Depois da queda da moeda norte-americana, esses valores diminuíram? Isso sem contar outra lei aprovada pelo PSDB que acabou com a consumação mínima em bares e casas noturnas. A desculpa do barateamento era a mesma, porém nosso bolso continuou esvaziando.
No meio dessa discussão, nem mesmo a UNE quer deter novamente o monopólio das carteirinhas. A UNE entende que o governo deveria regular a emissão do documento, mas repudia a proposta de restrição à meia-entrada por ela se tratar de medida contrária à democratização da cultura.
Por todo o bafafá, apenas uma certeza: eis uma boa hora para começarmos a falar sobre políticas públicas e subsídio para a cultura. Que o governo faça concorrência aos endinheirados que hoje bancam shows, peças e filmes, abrindo mais espaço para os artistas e utilizando as artes e o esporte como meio de inclusão.
06 novembro 2008
Pelas barbas do profeta
Vi hoje no UOL a notícia de que Silvio Luiz foi demitido da Band, no último pacote de reformulação da emissora dos Saad. Apesar do desvio clubístico de Silvio, ele era o último dos comunicadores que podemos considerar folclórico. Agora, está definitivamente decretada a imbecilidade como fio condutor da imprensa esportiva.
Silvio já estava meio de escanteio há algum tempo, tendo destaque apenas no Band Sports e raramente escalado para narrar jogos. Triste para quem, como eu, começou a assistir ao futebol no fim dos anos 80 e começo dos anos 90, e considera Silvio Luiz como um dos maiores locutores da TV.
Seus bordões eram impagáveis, assim como seu sarcasmo ao cobrir jogos desesperadores de ruins. Falava das coxinhas servidas na cabine, tirava sarro de comentaristas e repórteres, exagerava nas aberrações que aconteciam em campo. Mas, acima de tudo, fazia daquilo um espetáculo.
A Band, que já foi o canal do esporte, é perita em enterrar seus tesouros. Quem não lembra da época em que Silvio narrava o Paulistão e Januário de Oliveira (crueeeeeel) fazia jogos interessantíssimos como Entrerriense e Madureira pelo Campeonato Carioca? Ou de Alexandre Santos, com seu "apontou, guardou"? Tempos de ouro, quando o futebol ainda não estava tomado por bichices e frescuras...
A demissão de Silvio Luiz pode servir como o marco definitivo da tal modernização no esporte. Não há, nessa nova concepção de futebol, espaço para gente como ele. É preciso valorizar os sem alma que reproduzem fielmente o discursinho programado. Por isso mesmo que a Globo tomou a frente nas transmissões. Já repararam que, se algo dá errado, a emissora carioca não consegue trabalhar ao vivo? É tudo ensaiadinho.
Insisto na idéia: cabe a nós, blogueiros sem muito espaço e com muita vontade, construírmos uma nova mídia. Restaurar essa cobertura idealista e sem hipocrisia. Cafagestagem por cafagestagem, que façamos uma que seja honesta e apaixonada. E não essa que está aí, a serviço dos barões e dos aproveitadores.
05 novembro 2008
Da série imprensa de merda...
Mostra o Blog do Meu Saco, de André Falavigna:
Aprendendo a perguntar
Dá-lhe, jumentos! Hahahahahahaha...
Cuidado, Obama
A vitória de Barack Obama serviu para três coisas: a primeira foi ter tirado os republicanos do poder, e só isso já bastaria; a segunda foi a assunção de um negro ao cargo político mais relevante ao mundo ocidental; a terceira foi o reestabelecimento da força militante na campanha política, com ênfase na divulgação pela internet.
Sobre o ocaso republicano no cenário político mundial, trata-se de um enfraquecimento significativo do conservadorismo e seus discursos repletos de preconceitos. Mais ainda, abre espaço para que tenhamos um fiapo de esperança no que diz respeito ao comportamento dos EUA perante as outras potências do planeta e sua política externa no continente americano. Quem sabe, o fim dos embargos? Quem sabe, a aceitação dos pólos orientais, centrados na China? Quem sabe, a retirada de tropas do Iraque e o reconhecimento oficial do absurdo que foi a invasão? Quem sabe? Enquanto isso, São Paulo Kassab...
Perde o conservadorismo, ainda, porque temos uma figura negra no posto mais alto da república norte-americana. Negra e de origem pobre. O que automaticamente nos faz relacioná-lo ao Lula. É certamente um passo à frente na luta contra o racismo, mesmo com tanto a se fazer. Passado o pleito, no qual Obama não se vendeu como candidato da negritude, ele agora deve exaltar a cor de sua pele, lembrando sempre o que foi feito com a população afrodescendente nas Américas.
Não podemos esquecer, por fim, um dos pilares dessa vitória. A rede construída pela campanha de Obama no mybarack é algo inédito e fantástico. Criou-se uma mídia paralela, contraposta aos meios tradicionais - e, em sua maioria, conservadores republicanos -, para desmentir e desmoralizar cada tentativa de golpe via imprensa. Tal comportamento deveria servir de inspiração para todos os cantos do mundo que necessitam se desligar das amarras ideológicas impostas pelos conglomerados de comunicação. A internet consolidou-se como instrumento revolucionário.
Para o futuro, podemos esperar uma diplomacia moderada e uma intensa presença do Estado na economia interna, com viés comunitário. O que já é um avanço, pois retrai os ímpetos intervencionistas dos EUA. Obama, no entanto, deve se precaver, mantendo essa rede que o cerca e o protege. De novo recorrendo a Lula, em 2002 a mídia cortejava o presidente brasileiro. A trégua será igual na América do Norte. Mas, aos poucos, a coisa vai começar a apertar, principalmente porque esses figurões irão perceber que não são só eles os beneficiados pelo Estado. E aí, negão, tome crise! Oxalá Obama não se retraia como Lula, já que conta com sua própria fortaleza midiática, e retruque com a força necessária.
04 novembro 2008
A censura se expande
Os registros de censura pela internet brotam como espinhas em rostos adolescentes. Aqui por essa humilde e combativa rede de blogues, tivemos o caso do Cruz de Savóia, além de meu fotolog. Já o mestre Sérgio Amadeu denunciou a apreensão arbitrária de um servidor de pesquisadores da Unicamp. Mais recente é o apagão no blogue do delegado Roberto Conde Guerra, um dos pontos de referência na greve dos policiais civis e forte crítico da administração de José Serra. E teve ainda a famosa eliminação de Paulo Henrique Amorim do iG.
O jeito de agir é muito semelhante em todos os casos. Os interesses em jogo também. Tiram do ar, indiscriminadamente, todo o conteúdo do endereço. Arquivos, histórias, pensamentos, tudo vai para o espaço e vira mera lembrança, num ato embasado por argumentos frágeis. O Cruz de Savóia era "blog-spam", o meu fotolog "violou as regras de funcionamento", o servidor na Unicamp foi apreendido sem determinação judicial, no caso do delegado não se sabe o motivo e o PHA "não tinha apelo comercial" (sendo o Conversa Afiada a página mais vista do portal, segundo dados do próprio iG).
Tanto o pessoal da Unicamp - cujo trabalho era alimentar uma rede social de troca de informações - quanto os outros endereços tratavam de assuntos ignorados pela grande imprensa. Ignorância interesseira, obviamente. Havia sempre denúncias contra os poderosos conservadores e contra os aproveitadores que se utilizam da mídia subserviente e vendida, além da defesa de idéias que, ao senso comum, sempre foram tachadas de esquizofrênicas.
O que nos leva em direção ao projeto de autoria do senador Eduardo Azeredo, que tramita no Congresso e propõe um controle excessivo e desnecessário à internet. Para se ter uma idéia, será transformado em crime a troca de arquivos no esquema P2P, feita aos baldes pela rede. No mesmo balaio entram as restrições durante a campanha política desse ano, que retirou o caráter democrático da divulgação na web.
É preciso, por conta de tudo isso, um levante organizado contra esses abusos. A internet tem como principal característica sua liberdade de criação, expressão e formatação. Não é possível aceitar que um território ainda sem leis seja dominado pela mesma gentinha que já coloca suas mãos sobre a mídia tradicional e excludente. Porque é esse o principal objetivo do silencioso, sagaz e traiçoeiro cerceamento à informação: expansão de negócios via tecnologia.
Corinthians do povo
É preciso que o corinthiano entenda e conheça toda a história que move essa grande nação. Saber o porquê de gritar "time do povo" nas arquibancadas e o quanto foi penoso chegar onde chegamos. Penoso, porém honroso e, principalmente, glorioso. Honra e glória são coisas da várzea, e hoje estão sendo colocadas de lado, em um futebol cada vez mais cheio de frescuras e tribunais desportivos.
Com a competência que se faz necessária para a tarefa, o Filipe mandou esse petardo sobre os primeiros anos do Corinthians. Anos de luta e de superação de um povo que tinha um sonho.
Clique para ler.
03 novembro 2008
Se gritar pega ladrão
Ano passado, quando aconteceu a tragédia do dia 02 de dezembro, muitos "corinthianos" acreditavam que, afinal de contas, o rebaixamento seria positivo pois iria afastar os ladrões do Parque São Jorge. Diziam que não havia mais espaço para administrações como a do velho gagá e que era chegada a hora da transparência, comprando mais uma idéia de marquetim do Sanchez. De volta ao nosso lugar de direito, pergunto a esses imbecis: mudou o quê?
Recebi por e-mail a seguinte mensagem do Filipe, alertando sobre o texto do edital de convocação para reunião extraordinária do CORI, a ser realizada nesta próxima terça-feira: "Deliberação do CD diante da recomendação do CORI sobre tomada de medidas mais severas relacionadas com o contrato SCCP e MSI".
Eis a prova, corinthianos do meu Brasil, de que nada mudou de fato. Conforme falávamos aqui desde quando o Sanchez assumiu, foi-se o velho, ficou a corja. Há uma imundice que ainda habita as salas ar-condicionadas do Coringão e ela precisa ser expulsa de lá.
Desde a saída do gagá e o suposto fim da parceria - e vemos que fim não houve, já que há necessidade de discussão no Conselho Deliberativo - eu venho alertando que a gente está dormindo para as coisas que acontecem no Corinthians. O recente lance do Senger de retirar penalidades mais duras a Dualib e Nesi prova que, passado tsunami administrativo, a diretoria continua seu modus operandi e esconde suas medidas anticorinthianas no embalo da campanha da série b.
Acreditem, corinthianos, que só a democracia plena irá colocar no comando do clube aqueles que amam o Timão. Essa mudança no estatuto foi branda, não trouxe a reformulação profunda que necessitávamos e que era totalmente viável naquele momento de extrema turbulência. Aproveitemos, então, esses últimos dois jogos para protestar. Elevemos novamente a voz das arquibancadas contra essa diretoria. Lembrem-se, enfim, que o relógio corre e o nosso centenário está aí. E o mínimo que devemos ter é um centenário digno da história do Corinthians.
Por fim, deixo aqui o link do que eu falei em 08 de agosto de 2007. Era uma sugestão do que deveríamos ter feito. Ainda é uma sugestão do que devemos fazer, antes que seja tarde.
31 outubro 2008
A Globo é canalha! E o Huck também...
O blogue do Azenha tá muito bom ultimamente. Essa saiu no fim de semana passado e eu não tinha visto. Segundo consta, a Globo está metida num processo cabeludo, que envolve adulteração de carro e falsidade ideológica.
Clique aqui para ler o absurdo.
O modus operandi é esse, e se espalha por toda grade. Basta vermos o horário absurdo de quarta-feira às 22h imposto no futebol brasileiro.
Pingado
- Para aqueles que viam na Soninha uma grande alternativa independente para a prefeitura de São Paulo, destaco aqui o que achei no site do Estadão. "Kassab chama Soninha de secretária e depois se corrige" . Daí eu vou no blogue da moça, e ela tenta se explicar, soltando a pérola: "Pode ser que o Kassab me faça um convite. É possível que eu aceite? Sim. Se eu realmente tiver poder para mandar executar algumas coisas – diretamente ou acionando Secretarias, Subprefeituras, empresas públicas. Se eu não for enfeite. Se tiver recursos. Se tiver respaldo".
Qualquer pessoa que se pintasse como alternativa de contraponto iria rejeitar participação em um governo do Kassab. Mas ela não. A explicação, além de sua militância no PPS de Roberto Freire, está no texto de Mauro Carrara que linkei aqui há alguns dias, onde é dito brilhantemente que Soninha é "a moça seduzida por José Serra num camarote do Parque Antarctica".
- Finalizado o pleito no Brasil, as atenções políticas se voltam para os EUA. Li uma análise interessante feita pelo Azenha, em que é mostrado o quanto a mídia alternativa foi imprescindível para o sucesso da campanha de Barack Obama. Tal avaliação diz respeito, inclusive, à cruzada ainda quixotesca de alguns poucos inconformados nessa nossa blogosfera. Há até uma motivação para todos nós, uma vez que, segundo Azenha, a imprensa norte-americana se encontra num movimento de inversão, com os veículos tradicionais disputando espaço e importância com outros meios mais democráticos. Já que copiamos o modelo excludente no passado, por que não copiar de novo?
Também há no texto uma lição de como se comporta a articulação política de Obama, agindo contra as mentiras republicanas com a rapidez e eficiência necessária, ao contrário do corpo mole visível das campanhas esquerdistas no Brasil. Conforme já disse antes, está na hora de começar a desmoralizar os barões da imprensa. Eu nunca vi o Brizola perder voto por falar mal da Globo, muito pelo contrário.
- Deve ter gente estranhando meu comportamento com relação aos últimos jogos do Corinthians. Esclareço que, de minha parte, o que tinha de ser feito já foi feito. O resto é cumprimento de tabela. Não vou aos próximos jogos - talvez vá contra o Vila Nova, talvez - porque é mera pré-temporada. Deixo os zicas aproveitarem, já que gostam tanto de festa. Minha dose de paciência com esse campeonato de merda já foi pro espaço. O que deve ser feito é o planejamento para 2009 e, principalmente, para nosso centenário. Além de fiscalizar a corja e lutar por mais democracia no Parque São Jorge. O resto é papo-furado.
30 outubro 2008
Os moralistas estão de férias
Causou pouquíssimo furor o caso claro de homofobia a alunos da USP em uma festa de sua Faculdade de Veterinária. Ao contrário do ímpeto feroz que motivou um factóide de intensa repercussão por parte de Falha, Estadão, Veja e Globo, dessa vez houve o desdém típico dos aproveitadores.
Lembremos o escarcéu da campanha eleitoral municipal. Os jornais foram entrevistar entidades LGBT, deram voz às lideranças como nunca e só faltou colocarem o arco-íris no cabeçalho de suas publicações. Eu contestei tudo isso, questionando a ausência desses mesmos veículos na Parada e na defesa dos direitos homossexuais. Cheguei até ser considerado homofóbico por conta das minhas declarações.
Vale perguntar de novo: cadê o microfone na boca da comunidade? Onde está a indignação dos jornalistas, estes também sempre receosos de assumir publicamente sua sexualidade? Parece que ficaram cansados do trabalho ostensivo durante as eleições – em favorecimento do nosso amado generalzinho – e cerraram ouvidos e olhos para os fatos.
Veja como tratou do caso o site da Falha. “Segundo a versão deles, entre demais beijos de casais mistos, o DJ da festa interrompeu a música, acendeu as luzes e apontou para Lima e Góes. Mesmo constrangidos, os dois continuaram a se beijar até que foram empurrados para o chão por outro aluno. Na troca de insultos, os dois foram expulsos. Em dois tempos, a festa acabou. (...) Procurados pela reportagem, os alunos do centro acadêmico não responderam aos pedidos de entrevista. Em nota, negam a agressão e afirmam que há gays entre os membros da gestão. ‘Os estudantes Jarbas e Eduardo não estavam apenas se beijando. Era uma troca de carícias muito mais explícita, o que acabou provocando certo desconforto em alguns dos poucos presentes, não por conta de ser um casal homossexual, mas sim porque a demonstração exacerbada estava ocorrendo no local mais visível do evento’”.
Ressalto duas coisas: 1) era um baile funk, o que já denota baixaria generalizada. Não seria um agarra-agarra de homens que iria se destacar no meio de tanta imbecilidade; 2) notaram a ênfase para valorizar as palavras do centro acadêmico?
Fosse séria, a imprensa não perderia nem tempo com essas explicações. Agiria com a mesma impulsividade que agiu quando da “polêmica” do “é casado”. Espaço aberto para Cantanhêde, Clóvis Rossi, Dimenstein, Calligaris e tantos outros raivosos contra a intolerância, que parecem ter tirado férias...
29 outubro 2008
Pau neles!
Imprescindível e complentar ao post abaixo o texto de Mauro Carrara publicado pelo Azenha. Deveria ser uma bíblia, inclusive...
A ingenuidade da censura
No começo do mês, postei aqui um caso de censura na internet que vitimou nosso amigo (é amigo, mas incorremos no erro histórico de não ter ainda nos conhecido pessoalmente, de preferência num buteco) Raphael Falavigna. Ele teve seu Cruz de Savóia retirado arbitrariamente do ar, só porque se manifestava contra a imparcialidade da imprensa em favorecimento ao SPFC de forma contundente.
Semana passada, antes do 2º turno, publiquei em meu fotolog (para quem não conhece, é uma espécie de blogue, só que o post é uma foto) uma montagem em que equiparava Adolf Hitler ao Kassab. Era a MINHA opinião no MEU fotolog. Logo em seguida, o primeiro comentário raivoso da direita. Respondi com o sarcasmo que a coisa merecia e fui viajar. Eis que, na volta, a Evinha me liga: "Você viu que apagaram teu fotolog?"
Ela mesma já tinha passado por situação semelhante. Havia um gaiato colocando uns comentários imbecis nos 3.967 fotologs que ela tinha (alguns em parceria comigo) e, em um deles, havia uma ilustração expondo meia teta de uma mulher. Foi o suficiente para uma denúncia ao administrador e a suspensão de todas as páginas registradas sob o mesmo endereço de e-mail. Ou seja, não dão nem a chance de defesa e simplesmente deletam tudo, a partir de uma denúncia que pode nem ser verdadeira.
A minha sensação não foi de tristeza por ter perdido registros da minha história. Não foi de ódio por ter sofrido uma censura. Foi de escárnio e motivação. Escárnio por poder usar a história para comprovar mais uma vez que é uma grande bobagem nossa liberdade de expressão e nossa democracia. Motivação por me dar mais forças para enfrentar esse governo fascista que se instaurou na Cidade e no Estado de São Paulo. Se queriam me calar, só conseguiram me fazer gritar mais. Vale lembrar, ainda, que a repressão só leva a uma radicalização maior.
Deixo, por fim, a reprodução do texto de repúdio que enviamos (Filipe, Raphael, Rodrigo e eu) a alguns jornalistas que poderiam repercutir e discutir a questão do controle autoritário da informação na internet. Obviamente, e porque jornalista é uma raça desunida para cacete, ninguém falou vírgula sobre o caso Cruz de Savóia. No entanto, é bom repetir a dose por aqui, para deixar bem claro - mesmo que para os 30 visitantes que tenho por dia - que as coisas estão caminhando para o buraco, tudo em prol da modernidade.
"Futebol, política e a mesma agenda midiática
Caros amigos jornalistas.
Essa mensagem cai em vossas caixas para denunciar um fato grave: a censura ganha força na internet. Da mesma forma arbitrária que o blogue do jornalista Paulo Henrique Amorim foi retirado do ar quando era hospedado pelo portal iG, o Cruz de Savóia (www.cruzdesavoia.blogspot.com), de autoria de Raphael Falavigna, saiu de cena na última semana sob o pretexto não confirmado e tampouco previamente apurado de ser um “blog spam”.
Primeiramente, deve ser explicado o que é o Cruz de Savóia, que hoje pode ser acessado pelo endereço www.cruzdesavoia.wordpress.com. E, para isso, é preciso ir além, lembrando que há na rede mundial uma congregação ainda não unificada de blogueiros brasileiros, com o objetivo de demonstrar o papel nocivo dos barões da imprensa esportiva em favor de alguns clubes. No caso específico, o favorecido é o São Paulo Futebol Clube, cuja “modernidade administrativa” é alardeada tal qual um dogma pela mídia, mas todos sabemos que as coisas não funcionam bem assim.
Pois bem, o Cruz de Savóia é talvez o mais combativo deles. Em sua série “Souvenirs de Madame”, expõe todas as formas de beneficiamento dos veículos de comunicação ao SPFC. Clube, aliás, que é historicamente um usurpador do dinheiro e das coisas do povo. Tomou patrimônio alheio baseado no pretexto da Segunda Guerra e do ódio a italianos e alemães, construiu um estádio às custas do governo do Estado e agora quer usar os cofres públicos para reformar o mesmo elefante branco, com a desculpa da Copa do Mundo.
Contestar tudo isso, portanto, foi a justificativa para calarem o Cruz de Savóia, isso à beira do clássico Palmeiras x SPFC. Resultado: indignação maciça pela internet, já que tal censura foi repudiada não só entre os blogueiros verdes, mas também em sites rivais corinthianos, o que legitima ainda mais o protesto..Ressalta-se que esta mensagem não se presta à defesa de nenhuma agremiação em específico, uma vez que une rivais. É, na verdade, um protesto contra esse modus operandi padrão das redações, disseminado também no futebol, na política e nas relações interpessoais. Desmoralizam o oponente, exaltam o protegido e se esquecem da razão de ser do jornalismo, que é prestar serviço em benefício ao coletivo.
Os autores deste manifesto assinam abaixo e irão comemorar toda e qualquer divulgação que a denúncia obtiver, assim como comemoraram as inúmeras manifestações nos blogues da Mídia Palestrina, linkadas no próprio Cruz de Savóia. Mais grave que a indecência do mau jornalismo é a censura imposta a quem busca falar o que não interessa aos manda-chuvas. E isso é inadmissível."
27 outubro 2008
A alegria triste - ou o fim da tristeza eterna
Conforme foi dito aqui, o dia 02 de dezembro de 2007 foi o mais triste da minha vida. Naquela tarde - sempre é bom lembrar que por causa de uma corja hoje ainda ativa, embora com um pouquinho menos de cara-de-pau -, o corinthiano iniciava seu martírio. Caía o Sport Club Corinthians Paulista. Ficava o futebol um pouco menos brasileiro.
A batalha foi dura, sofrida e, num certo momento, ficou difícil controlar a ansiedade para saber quando iria acabar aquilo tudo. O povo, a nação alvinegra sofria por contar com o inevitável, mas não sabia quando esse inevitável iria virar realidade. Semana que vem vai ser? - perguntava há algumas semanas o corinthiano.
Foi, enfim, no último sábado. Casa cheia. Nossa casa. Time jogando tal qual o Corinthians precisa e merece. Vitória incontestável. Paralelamente, faltava apenas um gol - vejam, igual 2007 -, e ele deveria vir de uma cidade aqui do lado. O placar pisca. O Paraná marca seu segundo tento e garante matematicamente nosso retorno ao lugar de onde nos tiraram - argumentando, inclusive, que eram dos nossos.
Junto ao anúncio do placar e aos gritos ensurdecedores da Fiel, caí em prantos tal qual ano passado. Passaram pelos olhos, como nos últimos segundos da vida de uma pessoa, todas aquelas imagens que denunciavam o ápice de um golpe que nos foi aplicado sem dó nem piedade - não dá para deixar de mencionar a passividade da torcida em não contestar o ululante golpe, aliás. Era a alegria de tirar, finalmente, aquela dor que me acompanhava desde o apito final em Porto Alegre.
Hoje, vejo alguns abutres dizendo que nossa festa é demasiada. Primeiro, não é festa. É a manifestação de um grande alívio daqueles que tiveram que ficar calados por quase um ano. E calar a Fiel é só com tristezas desse naipe. Segundo, nós sabemos que foi obrigação. Obrigação para com a torcida corinthiana, não para vocês. Vocês fiquem aí, doídos de inveja por não fazerem parte dessa massa. Tentem diminuir nossa volta por cima, porque é só para isso que vossas opiniões servem. Aliás, é bom repetir: esqueçam-nos!
Parabéns, Corinthians! Parabéns, Fiel Torcida! Espero que tenhamos todos aprendido a lição...
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Próximo post: a confirmação da falácia e mais um ato de censura na internet.
24 outubro 2008
O quarto poder ou de quatro pelo poder
Acabo de ler no Terra que a rejeição do eleitorado paulistano à Marta é de 50%. Além da notícia ser obviamente manipulada por não trazer o índice de rejeição do Kassab, ela reforça a idéia que defendi aqui desde o começo do pleito: a mídia esteve a serviço do candidato que seu chefe mandou. E o chefe é, explicitamente, o José Serra.
Essa rejeição é resultado de uma campanha intensa, iniciada quando Marta ainda era ministra e que ficou mais forte à medida em que se aproximava a eleição. Mais que uma disputa política, os jornais, revistas e emissoras têm como aliado o grande ímpeto conservador e o preconceito nojento que impera em São Paulo. O paulistano e o paulista médio não suporta que o pobre chegue mais rápido de ônibus do que ele em seu carro (parcelado em 80 vezes). Não tolera que um governo destine suas ações a quem tem menos. Fica indignado ao ter como presidente da república um cara que veio do proletariado.
Com essa base de apoio, fica fácil articular golpes para enfraquecer uma força política que possua viés popular. É fato: o Partido dos Trabalhadores possui inúmeros problemas e muita gente lá de dentro não vale um tostão. Mas isso, ao contrário do que prega a imprensa, não é exclusividade petista.
Também é preciso ressaltar o nível de argumentação daqueles que são "defendidos" por essa mídia escrota. Ao mesmo tempo em que o meu lado faz uso de um discurso fundamentado na análise dos fatos, a grande maioria dos anti-esquerdismo, antipetismo ou anticomunismo parte para a ignorância. Assim, é comum bradarem que petista é tudo bandido, que comunista é tudo safado, que somos cínicos e que queremos implantar uma ditadura do nosso grupelho. São as mesmas pessoas que vociferam, sem nenhum pudor, que preto é ladrão, judeu é filho da puta, mulher nasceu para ser dona de casa, viado tem que morrer, nordestino é sujo e japonês tem o pau pequeno (se bem que isso tem um fundo de verdade).
De qualquer forma, reconheço ser desnecessária a validação do discurso desse pessoal, já que a imprensa coloca tudo isso sob uma roupagem mais elaborada. O principal, porém, é que os jornalistas sabem exatamente a quem servem, e mesmo assim se prestam ao papel mesquinho de atuar em favor do patrão. E o patrão, por sua vez, abre seu veículo de comunicação (e as pernas) para tucanos, demos e toda a casta desprezível desse país consolidarem seus núcleos de poder. E aí eu pergunto: não é politicagem de grupinho?
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Leituras que complementam a idéia do texto acima:
- Blogueiros com Marta: o pessoal do Futepoca reuniu a mídia martista numa bela iniciativa, fazendo o contraponto à covarde atuação da imprensa nessas eleições. O post de ontem está por lá.
- O Azenha fala sobre a responsabilidade de certos "jornalistas" na morte de 8 pessoas, vítimas do falso cenário de calamidade no surto de febre amarela.
- O PHA mostra que a crise econômica está faznedo o PIG gargalhar.
- O Terreiro Grande comprova que o preconceito não se resume às eleições.