30 outubro 2010
29 outubro 2010
Sonhos nunca morrem
É meu dever vir a público hoje, quando todos os brasileiros mandaram seu texto-despedida na campanha eleitoral, para deixar algumas palavras sobre o pleito. Antes, porém, preciso dizer que estou esgotado. Se não fisicamente - e ainda que o batente esteja pesado o suficiente para me afastar do blogue -, ao menos mentalmente a bateria está quase arriando. Minha Evinha, aliás, deve ser quem mais anda sofrendo com algumas mudanças graves no meu comportamento nos últimos dias. A ela peço desculpas, mas é que eu não consigo evitar pensar no jogo político de maneira saudável, fato que se agrava em ano de eleição.
Destaco ainda que não tenho a pretensão de convencer ninguém a essa altura do campeonato, até porque a maioria da minoria que aqui passa já definiu o voto. Quero, de fato, explicar o motivo de minha opção por Dilma Rousseff, reafirmando algumas verdades que conduzem minha lida, que raramente me beneficiam diretamente e que foram herdadas nem sei de quem. Nasci numa família reacionária até o último editorial do Paulo Francis e me lembro de tomar uns safanões dos meus pais em 1989, quando avistávamos algum comício petista e eu saía gritando "olê-olê-olá-Lula-Lula". Ademais, nunca me faltou nada, sobrou até, e felizmente moro num lugar que, até uns dez anos atrás, era vizinho de gente muito pobre.
Foi esse choque de realidade, aliado às lições que tive dos meus padrinhos, que provável e imperceptivelmente minha indignação constante com injustiças e desigualdades foi fomentada, algo que mais tarde vim teorizar e aprofundar por meio da minha parca instrução marxista. De modo que, repito, não venho aqui cagar regras, como habitualmente se faz numa campanha. Convido a todos para compartilharmos sonhos em comum, cuja pedra fundamental foi plantada no ano de 2002.
Para ilustrar melhor, volto à noite do dia 27 de outubro daquele ano. Levávamos, pela primeira vez, um dos nossos à presidência da República. Em mim, marcou uma cena deveras impactante: um senhor de 50 e poucos anos, sentado na calçada de uma Avenida Paulista tomada por milhões de pessoas, chorava. Quando ele olhava para sua bandeira surrada do Partido dos Trabalhadores, chorava mais ainda. Quando a visão focava a enorme foto de um sujeito barbudo esticada em frente ao prédio da Gazeta, o troço ficava indecente. E emocionante. Por não ter testemunhado a repressão e por não ter sofrido as decepções nas Diretas Já, 89, 94 e 98 mais profundamente, entendi o significado daquele pranto só alguns anos depois. De toda maneira, aquelas lágrimas de desabafo me deram a imediata certeza de que Luiz Inácio Lula da Silva não só faria um bom governo, como também iria mudar os rumos desse país.
Desde então, passei a viver mais intensamente o processo político. Quantos não foram meus princípios de úlcera a cada tentativa de golpe que essa imprensa suja tentou contra nosso presidente? Não aceitavam, e ainda não aceitam, a valorização do povo pelo Estado. Particularmente, fui vítima de uma pequena campanha de difamação da Falha de S.Paulo. Criei, logo depois de entrar no Orkut, a comunidade Viva Lula, cuja descrição diz:
"Como só existem comunidades que nasceram para falar mal do governo Lula, esta aqui se propõe a mostrar o quanto o país melhorou desde a saída do nosso tirano e entreguista FHC.
Desde já, o iniciador desta comunidade acredita que existe uma verdadeira conspiração por parte da imprensa - em especial a Folha de S.Paulo - contra o presidente, assim como já ocorre com Fidel e com Chávez."
No dia 1º de agosto de 2004, a versão online do referido jornal publicou uma matéria sobre sátiras preconceituosas contra Lula na rede social e, num tremendo pluralismo sacana, elegeu a Viva Lula como exemplo de contraponto. Deixaram no ar a suposição de uma postura intolerante com a imprensa (que eu ainda não tinha), ao afirmar que me contataram e eu não retornei, fato que nunca ocorreu. Busquei reparação via ombudsman e, não obtendo resposta, fui um dos pioneiros na arte de cancelar a assinatura daquela merda por motivos políticos.
Tudo isso, enfim, para chegar neste 2010 tão carregado de significados, como 2002 foi para aquele senhor que chorava copiosamente após a primeira vitória do povo. Acredito que todo desaforo que venho mantendo sob controle desde o episódio com a Falha esteja entrando em ebulição agora. Naquela oportunidade, muitos me disseram: "ah, tua assinatura não fará cócegas nos cofres da Barão de Limeira, 425". Deixei guardado cá no peito o sonho de, um dia, ver toda esse castelo de areia desmoronar, como está de fato acontecendo. A eleição de Dilma no domingo irá fazer não só esse grito sair da garganta, mas também vai renovar a carga de utopias. Oras, não é para isso que estamos aqui?
Dilma neles!
P.S.: se você acha que seu combustível está na reserva e não agüenta até domingo, passe nos blogues do Simas e do Edu Goldenberg. Funcionou comigo.
25 outubro 2010
Brevíssimas de uma semana decisiva
- Ontem, no maior clássico do mundo, o Corinthians meteu logo um ferro na porcada. Precisávamos disso, independentemente da luta pelo título. Os vagabundos do elenco nos deviam.
- No intervalo, uma indecência. Faixa comemorativa para o pelé, o preto mais branco do planeta? Justo para ele, um amargurado que, rejeitado pelo Terrão - não é para qualquer um -, resolveu se vingar jogando por um time do interior? Bola fora da diretoria (e esperar o que dessa diretoria?)...
- Na saída, subindo a Itápolis, o mano Filipe e eu conseguimos uma boa dúzia de votos para Dilma, cantando ao povo quem é a candidata do povo e, principalmente, lembrando que #serrarojas é um porco fascista. Igual ao Ragognetti.
- Semana decisiva no pleito, blogueiros e leitores sujos! Temos de ganhar votos e eleger Dilma presidenta! Enfrente a mentira e os golpistas com um sorriso na cara e com o mais incontestável dos argumentos: Dilma é Lula, Lula é Dilma e o Brasil de Lula e Dilma é um país bem melhor. Vale lembrar ainda que dia 27/10, aniversário de Lula, é o Dia Nacional da Mobilização. Vermelho é traje obrigatório.
- Aliás, se Chico Buarque, Aldir Blanc, Beth Carvalho, Leci Brandão, Alcione, Oscar Niemeyer, Hugo Carvana, Zé de Abreu, Marieta Severo, Emir Sader, Leonardo Boff, Osmar Prado e tantos outros ilustres e grandes brasileiros estão com Dilma, por que eu não estaria?
- Vai Corinthians e Dilma neles! Domingo passado, a primeira vitória do povo. No dia 31, que o povo ganhe outra vez.
*Atualização: Canta, Tantinho da Mangueira!
23 outubro 2010
É domingo!
Para embalar o importante jogo, para lembrar qual é o maior clássico do mundo e para dizer que só tem um resultado a ser aceito:
VAI CORINTHIANS!
18 outubro 2010
A intolerância e a campanha do ódio
Em primeiríssimo lugar, quero deixar bem clara uma opinião que ficou muito evidenciada nessas eleições. Politização e convencimento baseados em ideologias não funcionam no ano do pleito. Isso é para ser feito durante o mandato, seja situação ou oposição. Nisso, tucanos e demais reacionários que ainda remanescem da ditadura têm vantagem, pois contam com a velha mídia. Daí, chego à conclusão que politizado em ano de eleição é igual a torcedor de Copa do Mundo, e ambos primam por uma marca registrada: o oportunismo.
Dito isso, adiante. Comove-me o nível de argumentação desses que se dizem “do bem” e que enxergam no governo Lula – e conseqüentemente na sua continuidade com Dilma – um perigo à humanidade. Lógico, para alguns é inadmissível um metalúrgico ter se tornado um dos homens mais importantes do mundo, assim como é intolerável uma mulher querer sucedê-lo. Pobre e mulher têm mesmo é que saber o seu lugar e ficar por lá, deve pensar essa gente.
Para espalhar bobagens olímpicas e fazer eco a esse pensamento, um dos principais recursos dessa campanha indecente de José Serra está no envio de e-mails pela dita militância, aquela que nunca vi saindo às ruas e que considera protestos algo démodé. A canalhice é agressiva: mandam mensagens não solicitadas por repetidas vezes, e sempre com alguma mentira contra Dilma.
A mais famosa traz a ficha falsa criada pela Falha de S.Paulo e me chegou novamente nessa manhã de segunda-feira. Enviada por uma Maria Julia Coreixas Alves de Souza (pomposo, não?), ilustre desconhecida que tem, não sei por que cargas d’água, meu e-mail. Ajustando minha estratégia a uma sugestão do jornalista Renato Rovai, respondi copiando um texto preparado pela campanha de Dilma e que aparece justamente numa seção criada para desmentir falsas acusações feitas pela tucanada reaça. Eis o diálogo, que seria triste se não fosse previsível:
Eu: “Como acham que minha caixa de e-mails é penico, respondo com a verdade. Brasil urgente! Dilma presidente!” [mais o link supracitado]
Resposta da digníssima (atentem para a linguagem rica e rebuscada): “Tu jura!!!! Pinico ta a sua urna eletronica com tanta ilusao e retrocidade... nada mais retrogrado doq ser ptista !!!”
Minha tréplica: “Oras, vc me manda um e-mail não solicitado e ainda responde com mais grosseria? E pq não responde a todos? Além de grosseria, usa covardia? Que coisa, depois eu que sou retrógrado. Retrógrado é censura à opinião alheia.”
Vieram mais depois:
- às 12:39, indícios de homofobia: “Nossa,que pessoa sensivel... Me poupe...”
- às 13:16: “Nao faço ideia quem seja vc e como vc veio parar na minha lista de contato,mas pode deixar q nao te amndarei mais emails.”
- às 13:20, enviando para a lista inicial de destinatários, mas não encaminhando todo o diálogo: “Urgente,Dilma presidente??? hahahaha essa foi tao engraçada qto a propaganda apelativa dela q a compara com lady di,anita garibaldi,madre teresa de calcuta... rkkk... só rindo pra nao chorar Onde estão as provas q ela lutou??? me poupe...”
Minha resposta final: “Você não falou que não ia mais mandar e-mails? Aliás, aproveite e mande para a lista toda o diálogo de antes dessa sua resposta, o qual continha, inclusive, agressões pessoais e um discurso levemente homofóbico. Forte abraço.”
Sensacional, não? Deslegitimam toda e qualquer opinião contrária, usam mentiras para arregimentar asseclas e ainda prezam a cultura do ódio, tão característica de um conhecido regime alemão que apareceu na primeira metade do século XX. A cada dia e a cada e-mail desses, fico cada vez mais convicto do que o Brasil precisa fazer no dia 31 de outubro. E você, vai colaborar para levar esses absurdos ao poder?
Em tempo: sugestão do amigo Fernando Ro"mano" Menezes para post do blogue Tudo em Cima - Boato na rede é crime!
15 outubro 2010
Dois relatos, uma eleição
Os mais freqüentes neste espaço sabem de cor e salteado que minha mulher, minha ídala, minha Evinha, é professora e, desde que ela entrou na minha vida, faço nada mais que a obrigação em todo 15 de outubro. Saúdo ela e outros tantos guerreiras e guerreiros que, recebendo um salário de fome na Prefeitura e Estado de São Paulo, enfrentam a tudo e a todos para formar cidadãos. Na verdade, minha intenção era que a Eva escrevesse um relato das amarguras do desgovernos demo-tucanos, que mensalmente a fazem pensar em mudar de rumo. O problema, meus caros, é que nem isso ela pode, pois existe uma Lei da Mordaça que proíbe os servidores de exercerem seu papel crítico, a fim de melhorar um pouco nossa burocracia. Mais ainda: acho que tanta incompetência de 16 anos de tucanagem acumulada não caberia aqui.
Assim, aproveito esse Dia dos Professores para ressaltar que a data é deveras estratégica se levarmos em conta o desenho da atual disputa eleitoral para a presidência. De um lado, temos Dilma, a representante legítima de um projeto responsável por iniciar mudanças essenciais ao Brasil e que faz uso de premissas populares, participativas e inclusivas. Temos, com Dilma e Lula, um país ascendente, que não deve mais ao FMI, que promoveu a inclusão dos mais pobres e que deu oportunidades inéditas às classes menos favorecidas, como o acesso à universidade e a compra – eu disse compra, e sobre isso trataremos mais abaixo – da casa própria. Lula trouxe ao povo dignidade, e Dilma é garantia de que isso não vai cessar.
Do outro lado da trincheira, há um candidato bancado pela calúnia, pela espetacularização e pela religiosidade barata e moralista num campo que se preza laico. Mente, omite, caça jornalistas que não cumprem o papel de uma mídia que está a seu serviço. Inventa realizações em seu currículo, presta serviços aos remanescentes do período mais imundo de nossa história (a ditadura militar) e abandona cargos para os quais foi eleito desde seu mandato de presidente da UNE. No tratamento específico aos professores, manteve em seus governos municipal e estadual um arrocho salarial indizível, submeteu o corpo docente a condições precárias de trabalho e recebeu reivindicações da classe com a PM e suas bombas.
Portanto, é isso – e muito mais – que o professor de todo o Brasil precisa levar em conta nesse dia de comemoração. Informar-se sobre o que estão passando seus colegas de profissão aqui em SP e, diante dessa realidade, definir sua escolha para o dia 31 de outubro é essencial para a conquista de melhorias não só trabalhistas, mas de melhorias para toda a nação. Na propaganda, tudo fica bonito, até mesmo a cerveja Schin. Lembro, finalmente, que temos aí o pré-sal, cujo fundo social irá destinar 50% das verbas para a Educação. Isso num governo Dilma, pois a sanha privatista de Serra provavelmente irá entregar mais esse patrimônio brasileiro a multinacionais, caso o vampiro seja dirigido ao Planalto (bate na madeira!).
Viva os professores! Vocês são essenciais!
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Ainda ontem, o amigo Medina, velho parceiro de bebedeiras, papeava comigo sobre o andar da carruagem no pleito. Discutíamos sobre o que estava em jogo nessa disputa de projetos bastante distintos e ele mencionou a compra de sua casa. Pedi, então, que ele fizesse o testemunho por escrito, pois é um caso pessoal imensamente simbólico por retratar fielmente o país que está mudando para melhor com o modelo administrativo Lula/Dilma. Com vocês, Medina!
“Alô amigos e leitores do Craudião.
Cá estou a honrar um compromisso a convite do menino cabeludo pra representar um pedacinho da classe média “suja” da nossa querida SP, que não nos trata bem, mas a gente ama assim mesmo.
Nunca exerci a cidadania em meu benefício único, próprio e egoísta; meu voto sempre foi pensado ao viés ideológico ATIVO. Digo ATIVO porque não falo de conversa pra boi dormir, falo de papo baseado em ATIVIDADE!
Porém, este ano as coisas mudaram um pouco. O viés ideológico continua em primeiro plano, a atividade idem, mas agora tem um plus sendo erguido na Vila Prudente. Meu primeiro apartamento financiado e subsidiado pelo programa federal ‘Minha casa, Minha vida’ estará pronto no meio do ano que vem.
O plano, além de financiar a minha casinha em vários anos, com parcelas decrescentes e os juros mais baixos do mercado, ainda me deu um belo subsídio. Isso mesmo, ganhei um subsídio de quase 10% do valor bruto que eu financiei.
As prestações são fixas, mas ao contrário do que eu pensava, podem ser renegociadas na base do: ‘ceita um reajuste de X? Se sim, ok! Se não: hasta la vista’. Isto se acaso houver algum problema, que pode ser uma crise externa, uma crise interna…
Enfim, uma crise internacional como a última mundial. Embora os profetas do apocalipse esperneassem que o Brasil ia morrer, mal fez cosquinhas na nossa economia e a minha casinha ainda tá lá, com o meu subsídio e as minhas taxas baixas.
Agora, eu vou colocá-la em risco por um governo que jamais se cansou de provar a sua incompetência aqui no meu estado?
Nem a pau, Juvenal! O Brasil tá querendo Dilma, e eu tô precisando!
Medina – é amigo do Craudio há uns… 4 anos, Craudião?”
P.S.: acho que vai pra uns 6 anos, Medinão!
11 outubro 2010
Corinthians, urgente
Enquanto os amigos se deliciam com as bobagens que a imprensa abutre diz por aí, aproveitando a demissão do técnico para, finalmente, vender jornal e banner em site com nossa "crise", cá neste abandonado espaço a gente faz a análise a partir da arquibancada. Do que aconteceu em campo não há muito o que dizer, a não ser destacar a presença do William Morais como centroavante e a necessidade de retorno do Bruno Bertucci à lateral esquerda. Ainda no que diz respeito ao elenco, Thiago Heleno deveria ser demitido juntamente com seu padrinho e o Moacir deveriam mandar para a seleção do Mano Menezes.
O que mais dói na alma é a canalhice daquela gordura - termo muito bem criado e aplicado pelo mano Filipe - que fica em volta dos 5 mil de sempre. Depois de encarnar a imbecilidade jucakfouriana e aplaudir um time apático na eliminação da Libertadores, os filhos da puta repetiram o ato diante de uma humilhante derrota para um time de merda. Sim, houve aplausos. E aí, cabe também a crítica a quem deveria liderar os 5 mil de sempre: foi boa a tour pelo novo CT?
A pergunta fica aqui aos Gaviões da Fiel porque a torcida, a meu ver, tem seu poder de mobilização cada vez mais indo para o vinagre. A maioria aqui sabe das minhas restrições à valorização excessiva que a instituição dá ao desfile de carnaval, quando na verdade o que criou e fez crescer essa entidade foi sua atuação firme e intempestiva em defesa do Corinthians. Mais grave ainda: dos pouco mais de 100 que lá estivemos em frente ao portão 23 na gélida noite de domingo, é incrível a falta de politização e consciência ideológica dessa molecada. Para se ter uma idéia, a polícia soltou dois morteiros e o pessoal da bateria já estava com os instrumentos na mão subindo a rua Itápolis. Porra, é só gritar mais alto que nego já corre?
A passividade em relação a nossa própria destruição também toma conta das outras organizadas. Não se viu um pano de Camisa 12, Pavilhão 9, Estopim, Chopp e demais agremiações pressionando a saída do vestiário. Finda a partida, todos foram para casa assistir ao Faustão. E o que toma conta do Pacaembu - repito para que isso se torne uma campanha - são as palminhas hipócritas.
E batem palmas para o quê? Talvez para as bobagens marketeiras do senhor Roxemberg, haja vista a enormidade de camisas roxas que ainda imperam pelos estádios onde o Corinthians joga. Ou então para as ignomínias proferidas pelo Gobbi Cadeirada, que é o diretor de futebol mais ausente da história do clube. Para quem não percebeu, senhores, gritar contra Andres Sanchez agora é pura cegueira estratégica. Temos na diretoria esses dois supracitados como pilares de sustentação do presidente, atualmente tão aclamados e pouco combatidos pelo dito torcedor comum - fato que se repete nos organizados.
Os Gaviões precisam retomar sua formação de lideranças e intensificar as reuniões educativas. Membro de torcida que consegue ir até o vestiário para nos representar precisa ter inteligência o suficiente para explicar ao jogador o motivo da porrada que ele vai levar dali a instantes. Caso contrário, irão predominar cada vez mais aqueles que consideram radicais, intolerantes e inconseqüentes nossos protestos contra um bando de merdas que desonram nossa camisa.
A Revolução Corinthiana urge e precisa eclodir antes de 2013, quando o estádio em Itaquera ficar pronto. Chamem de volta à ativa Chico Malfitani, Roberto Daga e demais ideólogos do cimento. Honrem a memória de Flávio La Selva e Joca. Estudem nossa história e se lembrem do teor popular e altamente participativo que sempre rondou as decisões corinthianas. Se há alguma coisa boa que podemos extrair da fase horrenda no modorrento campeonato de pontos corridos é o retorno da ebulição constante no Parque São Jorge.
Chega de bom mocismo. PELO CORINTHIANS, COM MUITO AMOR, ATÉ O FIM!
01 outubro 2010
Voto aberto para o domingo
Amigos e amigas, temos no próximo domingo as eleições que definirão se o Brasil vai continuar na toada das mudanças ou se vai entrar novamente em barcas furadas das quais estamos cansados. Dessa maneira, deixo cá minhas indicações de voto para quem quiser seguir. Abraços e boa escolha!
Presidente - Dilma Rousseff 13
Desde 2003, temos um país que promove o crescimento econômico a partir do viés social. O governo federal, do qual Dilma sempre foi parte importante, tirou milhões da miséria com o Bolsa-Família, gerou milhares de empregos e barrou a entrada de crises mundiais na nossa economia a partir do incentivo de consumo à base da pirâmide social. Hoje, o pobre vai para a faculdade com o Prouni, consegue comprar sua casa e seu carro e até passeia de avião. Mais importante de tudo, o brasileiro enche o peito para falar do seu país porque agora se sente incluído na realidade que o cerca. Isso é fruto de um direcionamento estratégico inédito nesses mais de 100 anos de República, só possível com uma administração iniciada por um operário e que precisa ser continuada. Dilma é a única via para que haja o aprofundamento dessa proposta, tocando à frente não um plano de mandato, mas de nação.
Governador - Mercadante 13
Eu não suporto ver um Estado de gigantesco potencial de desenvolvimento andar na contramão do país por causa de meia dúzia de calhordas que, desde a abertura política da década de 80, vem nos governando. Montoro, Quércia, Fleury, Covas, Alckmin, Serra... É uma sucessão de administrações caracterizadas pela total paralisia. Do patrimônio paulista, o que não foi entregue de bandeja a multinacionais está sucateado; as estradas tem pedágios com valores absurdos; os professores, médicos e policiais - o tripé do funcionalismo público essencial - recebem salários de fome, são tratados como lixo e ainda tomam porrada quando pedem aumento. Precisamos nos livrar dessa política higienista e ditatorial, interessante somente a uma casta minoritária e conservadora. Mercadante representa a oportunidade de termos em São Paulo o mesmo modelo progressista que fez o Brasil funcionar nesses 8 anos de governo Lula.
Senadores - Marta 133 e Netinho 650
Sobre Marta, trata-se da segunda melhor prefeita que a cidade de São Paulo já teve - a melhor foi, sem dúvidas, Luiza Erundina. Fez uma revolução nos transportes públicos com a construção de corredores de ônibus e a criação do Bilhete Único, implementou os CEUs (hoje tratados com desdém e relaxo pelos demo-tucanos) e investiu na formação dos professores da rede, e promoveu um inédito programa de inclusão digital nos Telecentros.
Já Netinho é um caso à parte. Muitos julgam sua candidatura como um insulto, pois ele estaria usando seu status de cantor e apresentador. Outros torcem o nariz para o caso de agressão à ex-mulher, do qual ele próprio se arrepende e reconhece como um erro grave. Digo que essa aversão é essencialmente motivada pela questão sócio-racial. Eleito um dos mais votados vereadores em São Paulo, Netinho tem um trabalho de inclusão social nas áreas pobres muito forte. Está no PCdoB há cerca de 3 anos e, desde então, vem estudando e participando de cursos de formação, preparando-se para o Senado. Juntando um mais um: eis um legítimo representante da periferia que tem a chance de levar reivindicações e condutas mais populares a uma casa legisladora que ainda é habitada por muitos remanescentes do coronelismo e da ditadura militar.
Deputado Federal - Gustavo Petta 6510
Conheço o Gustavo de bares, de encontros na barraca da Maria antes dos jogos em que meu Corinthians destroçava o Palmeiras dele, e das rodas de samba no saudoso Espaço CUCA da UNE. Falando na entidade, Gustavo foi um de seus grandes presidentes. Durante duas gestões, combateu o mercantilismo na Educação vigente nas administrações tucanas, participou ativamente da elaboração do ProUni e Reuni junto ao governo Lula e ajudou a fortalecer a representatividade juvenil na elaboração de políticas públicas. Ainda no movimento estudantil, conseguiu retomar a sede nacional da UNE que fora tungada pelos militares no Rio de Janeiro. Mais tarde, convidado pelo prefeito de Campinas para dirigir a Secretaria de Esportes da cidade, turbinou o setor, dando ênfase na consolidação do programa Segundo Tempo, além de ter feito a 1ª Virada Esportiva. Além dessa capacidade de realização latente, Gustavo tem como valor primordial uma premissa muito cara a mim: fazer as coisas por quem não pode. Que seja assim na Câmara dos Deputados.
Deputada Estadual - Leci Brandão 65035
Pouco há para se falar de Leci Brandão que já não seja de conhecimento geral e irrestrito. Exilada pelo mercado fonográfico por tratar de racismo e da parca condição de vida dos mais pobres, Leci ganhou força e credibilidade por manter a combatividade. Sempre engajada na carreira artística, esse ícone da música popular brasileira pretende agora ampliar o alcance de suas canções participando de decisões políticas. Votar em Leci é quebrar com a sonolência da Assembléia Legislativa paulista, hoje tão subserviente ao Palácio dos Bandeirantes.
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Vale lembrar que todos esses candidatos apontados seguem uma linha bem clara e definida, que vai ao encontro de muito do que penso. Essencial, para mim, é eleger quem defenda a soberania do Brasil, que valorize o povo, que não privatize até a própria mãe e que não use o voto alheio para trabalhar por uma elite ultrapassada e cada dia mais agonizante.
Eu voto pelo Brasil!
16 setembro 2010
Pelo fim da liberdade da velha imprensa
Escrevo como forma de amenizar a indignação que me tomou neste 16 de setembro, após o pedido de demissão pela ministra da Casa Civil Erenice Guerra, uma ilustre desconhecida dos brasileiros e alçada ao posto de "ladra petista" da vez pela mídia. Dizem a Veja e a Falha que a prole de Erenice é responsável por cobrança de comissão a fim de facilitar contratações junto ao governo federal e empréstimos do BNDES. Uma das fontes é um sujeito condenado pela Justiça paulista por receptação e falsificação de moeda, a outra simplesmente desmentiu as denúncias (todas sem provas, como sempre).
Resumindo, é outro golpe da imprensa falida e abutre que não gosta do povo, que não quer o Brasil contemplando o bem-estar social e que está sempre mancomunada com a direita reacionária, essa herdeira ideológica do lacerdismo e do regime militar. Tentaram escandalizar o eleitorado com a tal quebra de sigilo fiscal de tucanos por parte de petistas - depois, ficou-se sabendo que quem violou dados pessoais foi uma tucana, a filha de Serra -, com o único objetivo de atacar a candidatura de Dilma Rousseff. E agora aparece o caso do tal lobby.
Minha indignação, porém, não é tanto com o famigerado modus operandi de tralhas, falhas, vejas e globos. Fico impressionado mesmo é com a excessiva tolerância do governo federal a esses veículos de desinformação, ao menos no que tange à quantidade de verba pública destinada para a manutenção dessa corja via publicidade oficial. Eu bato nessa tecla há anos, desde quando assumiu Lula e as viradas de mesa contra ele eram - e ainda são - forjadas diariamente.
O governo, agora, colhe os frutos de sua omissão. Recuaram na proposta da criação de um Conselho do Jornalismo, recuaram no PNDH e recuaram agora, forçando uma ministra a se demitir por conta do trabalho imundo da Barão de Limeira, que a cada edição perde um pouquinho de sua parca credibilidade, atualmente concentrada na cabeça dos abastados da ultrapassada elite brasileira.
Preocupação eleitoral de minha parte não há. Se Dilma não ganhar no primeiro turno, leva no segundo. A questão é: e depois? Ficaremos mais 4 anos debaixo de um bombardeio midiático cuja veracidade é zero e ainda bancaremos indiretamente os golpistas? Faz-se necessário rever a relação governo-publicidade-veículos a partir de premissas radicais, acabando com a teta grande que alimenta essas hienas, todas sorridentes no dia de hoje por causa da cara de tacho que o povo ostenta diante de mais uma concessão governamental a quem mais quer tirar do governo o seu poder.
A bem da verdade: liberdade da velha imprensa não é garantida pelo que pode ou não ser publicado. Ontem mesmo, José Serra retomou a prática da censura prévia dos milicos ao pedir a fita de um programa que ousou questioná-lo mais duramente sobre questões da campanha, e a mídia de massa silenciou. O sinal verde para as irresponsabilidades, na realidade, é dado pela impunidade ao mal exercício do jornalismo, que acaba premiado com uma graninha vinda dos próprios sparrings de luxo. Aí não é liberdade, é masoquismo mesmo.
P.S.: o Rodrigo Vianna, do Escrevinhador, aponta ainda uma outra faceta do golpe, com origem nas igrejas.
11 setembro 2010
A que custo?
Há uma semana, o Barneschi colocou lá no blogue dele um post muito bom com relação ao tal estádio do Corinthians. Palavras, aliás, muito mais corinthianas do que a grande maioria das que eu vi por aí, apesar dele ser palestrino...
Hoje, recebo por e-mail outro texto parmerense, desta feita de Adriano Pessini - mais um grande amigo que essa tal de internet me deu. Reproduzo abaixo a caneta precisa do Pessini, que sintetiza brilhantemente muito do que eu penso sobre o que está se passando no Coringão.
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República Popular de quem?
No meio das comemorações do centenário do Corinthians, vi milhões de documentários, depoimentos, matérias especiais etc e as duas frases _onipresentes_ que mais me chamaram a atenção foram "é o time do povo" e "vamos ter a nossa casa".
Vendo de longe, no meio da empolgação, realmente seria um sonho consumado de todo trabalhador brasileiro: o povo conseguir sua casa própria.
Mas, analisando a fundo, não vejo um futuro assim tão altaneiro para quem realmente move o Corinthians: o seu torcedor.
Longe de mim colocar água no chope alvinegro, mas até agora ninguém explicou quanto vai custar um ingresso para a nova arena. Estipula-se a venda dos direitos do nome do estádio em valores irreais, fala-se em ganhar dinheiro até de pontos de venda de cachorro-quente, mas a realidade é que, na ponta do lápis, quem vai pagar a conta pela sua paixão será o torcedor. O condomínio da nova casa vai ser caro.
Espero que os dirigentes corintianos não se esqueçam da frase de Miguel Bataglia, primeiro presidente do clube: "O Corinthians é o time do povo, e é o povo que vai fazer o time".
No último feriado, passeando por um shopping endinheirado de São Paulo, deparei-me com uma enorme propaganda da República Popular do Corinthians. Um painel muito bonito, muito bem-feito, expondo a camisa do centenário, vendida a módicos R$ 300. Popular para quem?, questiono-me.
09 setembro 2010
Mas já?
Caralho, 29...
Outro dia pensava que:
- faz 10 anos que eu entrei na faculdade
- faz 7 anos que eu me formei
- faz 9 que eu contribuo para o IR
- faz 18 anos que eu vou aos jogos do Corinthians
- faz 21 anos que eu dirijo
- quem tira carta hoje nasceu em 1992
- quem vota hoje nasceu em 1994
- meus amigos agora casam e/ou têm filhos
Ainda assim, há felicidades. Por causa da minha Evinha, do meu Corinthians, dos irmãos que vão aparecendo pelo caminho.
Vale a pena, ainda que também é pena haver quem não esteja mais aqui.
01 setembro 2010
Corinthians 100 anos! Corinthians, nunca sem você!
Que o mundo se curve diante do sonho de Joaquim Ambrósio, Antonio Pereira, Raphael Perrone, Anselmo Correa e Carlos Silva, um sonho que hoje habita o coração de mais de 30 milhões de brasileiros. O Time do Povo, mais que um mero escrete do futebol, é uma Nação.
Desde 1910, o Corinthians segue um caminho sempre destacado pelo irmão Filipe e que o mestre Lourenço Diaféria descreveu tão bem: "Assim como o organismo humano defende-se com anticorpos por ele mesmo produzidos, o Corinthians foi se imunizando com o correr dos anos e soube extrair a força que tem de suas próprias aparentes fraquezas. Também nisso o Corinthians Paulista segue sendo um retrato fiel do povo." Dessa maneira, os incrédulos esperam há um século pelo fim da utopia popular que foi forjada na digníssima várzea, local responsável por dar ao futebol a verdadeira alma. O Corinthians, amigos, é várzea pura! E, ao mesmo tempo, um gigante, capaz de subverter a rotação da Terra e contrariar qualquer regra.
Nesse 1º de Setembro, completamos um ciclo. Inicia-se uma nova era em nossa história cheia de glórias e lutas, principalmente lutas. Não nos deixemos levar por falsas palavras, por ciladas já conhecidas, pela descaracterização que os tempos modernos tentam impor. A Fiel Torcida, força maior dessa instituição, precisa manter sua mística e exaltar o corinthianismo.
O corinthianismo, aliás, é a forma de amor mais verdadeira que existe. Sua pioneira e maior representação em carne e osso foi Manoel Nunes, disseminando-se posteriormente por todos os cantos. Não há - ao contrário de todo outro sentimento que a humanidade já conseguiu inventar - a possibilidade desse amor sequer diminuir, quanto mais se extinguir. O Corinthians é razão de viver, e ele é quem define quais privilegiados terão o prazer de gritar seu nome. Corinthiano não vira, ele nasce e pronto. Nas vitórias, nos libertamos. Nas derrotas, aprendemos lições, não sem antes fazer furdunço. Isso é Corinthians, para o bem e para o mal. Não viemos pela ordem e progresso; viemos ser o povo, sem juízo de valor.
Salve o Sport Club Corinthians Paulista e todos os guerreiros que defenderam seu Manto, em campo ou nas arquibancadas. Obrigado, Corinthians, por você me dar essa honra. Obrigado por pelos elos de amizade que me proporcionou nessa jornada até aqui, com poucos e bons irmãos que irei carregar até o fim. Por ti, dou minha vida.
CORINTHIANS MINHA VIDA, MINHA HISTÓRIA E MEU AMOR!
O Corinthians pelos rivais
O Centenário do Corinthians movimenta não só a Nação Alvinegra. Por sintetizar o povo, desperta uma respeitosa relação de rivalidade - que, por sinal, é recíproca - em vários outros torcedores. Isso também é o que nos faz grande.
O rubro-negro Edu Goldenberg, por exemplo, ao publicar um textaço sobre o Maracanã e suas memórias no Maior do Mundo, dedicou as bonitas palavras aos corinthianos. Da mesma forma brilhante e impecável, o bugrino Bruno Ribeiro tratou de sua relação com o Time do Povo pela Invasão de 76 e pela Democracia Corinthiana. Simplesmente dois golaços, daqueles que valem a taça!
Mas eu queria reproduzir também o depoimento que recebi via GTalk do maior vascaíno do mundo, o João Medeiros. Vejam o que o irmão de arquibancada fala sobre o Corinthians:
"Deixa eu te contar uma coisa. Eu tinha 9 anos... E lembro como hoje. O país inteiro parou pra ver a final do Paulista/77, o fim da espera de 23 anos da fiel... Era o país inteiro torcendo pela Ponte. O Morumbi LOTADO. Uma festa inesquecível. Inesquecível.
Você não imagina a repercussão que teve no Rio, na época. Lembro de cada detalhe, Cláudio.
Do gol chorado... Foi a primeira vez que eu tive noção da grandeza do Corinthians. O futebol era muito provinciano e o Rio meio que ofuscava o resto do país. Mas o Corinthians parou o Brasil naquele dia. Foi um dia mágico, como outros que o futebol me proporcionou.
Estou te falando isso, porque essa merda toda [nota minha: a destruição do Maracanã] tem me deixado muito nostálgico. É duro saber que uma festa dessas NUNCA mais vai acontecer. Não com aquela pureza e paixão que aconteceu em 77. Cara, é difícil descrever...
Tinha um tio, em Atibaia, corinthiano, mas corinthiano de verdade... Esteve no Rio na invasão de 1976. Lembro que estivemos na casa dele em 1976, nas férias de janeiro. Ele fez questão de nos levar no Pacaembu. Cara, pisei no gramado sagrado do Pacaembu, na companhia do meu tio... Tenho foto pra provar. Meu tio falava do Corinthians com uma devoção difícil de descrever. Eu não entendia, juro que não entendia. Como alguém pode ser algum time que não VASCO, fla, flu? Que graça tinha torcer para o "Curíntia". Pois naquele1977 eu entendi, finalmente. A alma que emanava das arquibancadas lotadas do Morumbi atravessaram a Dutra e chegaram ao Rio e consegui entender a paixão que o Corinthians pode despertar num torcedor.
Entenda: eu tinha apenas 9 anos, não havia internet. Mas eu sei porque isso me marcou tanto. Porque foi exatamente esse dia de 77 que deu o peso certo para a vitória do VASCO em 1980, com 5 do Roberto. Não entenda isso como pilha, não é mesmo. Se não fosse 1977, a vitória de 80 não teria o peso que teve pra mim. Estava no Maracanã e ganhar do time da torcida insana, maluca (era isso que eu pensava do corinthiano) teve um sabor especial.
Queria te dar esse depoimento. Foi em 1977 que eu, um carioca provinciano, que achava que o Brasil se resumia no Rio, descobri o Corinthians. Meu velho é tricolor e estava no Maracanã no dia da invasão. Ele torceu muito pra Ponte. E eu, contagiado por ele, torci também... Acho, que nesses 100 anos, aquele foi o dia mais corinthiano que o Brasil já viu."
VIVA O CORINTHIANS!!!
30 agosto 2010
Breves do Centenário
Está aí a data tão esperada. O corinthiano deve ter em mente a importância desses cem anos do Corinthians e ser grato por ter nascido alvinegro e poder comemorar nosso Centenário. Reforço aqui minha discordância com relação aos shows que vão acontecer no Anhangabaú, mas peço: saia às ruas! Pinte o mundo de preto e branco!
- Sábado estivemos na Rádio Coringão na apresentação da última edição do programa 100 Anos de História, iniciativa do irmão Filipe. A atração foi uma extensão dos posts "O Time do Povo", que ele publicou no seu Anarcorinthians e que, para mim e para muitos, se trata dos melhores textos sobre a trajetória do Timão nesse século de existência. Foi uma honra participar do furdunço ao lado de outros grandes corinthianos.
- Falei para sairmos às ruas e desisti da vigília. Provavelmente estarei em um dos seguintes locais na virada do dia 31 para o 1º de Setembro: Bar do Biu (indicação do Álvaro, do Blogue do Timão) ou meu recanto na esquina da Rua dos Pinheiros com a Cônego Eugênio Leite. Os amigos são bem chegados.
- Dentro da programação de corinthianos para corinthianos, temos ainda a Semana do Corinthians, que irá fazer uma série de debates no Museu do Futebol a partir de amanhã. Imperdível.
- Ainda no dia 31, o pessoal da Rádio também fará uma festa no The London Pub, que pertence a um diretor do Corinthian-Casuals.
- Discordo também da construção de estádio, mas não vou negar que essas coisas não acontecem por acaso quando se trata de Corinthians. Está engraçadíssimo ver o desespero da anticorinthianada. No entanto, essas serão minhas parcas palavras sobre o assunto até que as obras sejam iniciadas e a política de ingressos definida. Espero que o povo mais pobre de Itaquera não fique excluído, como todas as previsões indicam...
26 agosto 2010
Tudo errado...
Estamos a menos de uma semana do Centenário do Corinthians e o que eu vejo por aí é uma seqüência de erros que causa calafrios. Desde o time em campo, com um futebol cuzão já faz tempo, até os preparativos da diretoria suja para a comemoração daquilo que deveria ser o dia mais importante na vida de cada corinthiano.
Havia falado anteriormente da ridícula programação oficial divulgada pelo bando de imbecis que administra o Coringão, explicitando a falta de comprometimento e seriedade dos eventos. Ao que parece - e para minha profunda tristeza - as babaquices foram incorporadas por grande parte da torcida. Da mesma maneira que bateu palmas para uma vergonhosa eliminação alguns meses atrás, a massa cada vez mais ignóbil se curva diante do anticorinthianismo.
Provas disso? Os Gaviões da Fiel soltaram uma nota oficial vergonhosa falando sobre o maldito Estatuto do Torcedor, mas não trataram do principal, que era manifestar repúdio da entidade ao regulamento. Pelo contrário, deixaram uma cartilha de bons modos para seus associados, seguida de uma ameaça de censura em prol dos bons costumes. Nada surpreendente para quem se reuniu no último sábado para saber "o que ia fazer" no dia 1º de Setembro e que recebeu o presidente do clube em sua quadra...
Aí, no ano passado, surgiu uma tal comissão do Centenário nomeada pela diretoria. Defendi várias vezes o grupo, mesmo não concordando com o modo de "eleição" desses pares. Passado um ano, o que fez a comissão a não ser se omitir e, pior ainda, ficar de charminho quando um irmão nosso alertou quanto a utilização de um trabalho alheio sem dar o devido crédito? Ao invés de simplesmente citar o autor, fizeram bico e limaram o troço, o que nos leva a questionar o real interesse dessas pessoas.
Que fique bem claro: não tenho nenhuma intenção de denegrir o caráter de ninguém, tampouco atacar gratuitamente os Gaviões. Acredito, sim, que é preciso apontar os erros porque estamos às vésperas de um marco importantíssimo. De minha parte, e levando em conta que meu compromisso é apenas com o Sport Club Corinthians Paulista, reitero aos amigos a necessidade de mobilizar atividades para a noite do dia 31 de agosto. Tinha sugerido uma vigília na esquina de Fundação, tomando cerveja, soltando rojões e gritando Corinthians até sumir a voz. Podemos, no entanto, nos reunir em outro lugar - que não seja naquele lastimável show no Anhangabaú - para exaltar o corinthianismo, tão em baixa nesse período crucial de nossa história.
Meu email (cramone99@gmail.com) está esperando mensagens. Vamos conversando. Só não podemos tratar o Centenário com o mesmo desdém dos incautos sem alma.
PELO CORINTHIANS, COM MUITO AMOR, ATÉ O FIM!
25 agosto 2010
Contra o assassinato do Maracanã
Atualização rápida, mas totalmente necessária, para recomendar mais um texto impecável de Edu Goldenberg, do Buteco do Edu. Ele, que mantém uma luta incessante pelo fim das frescuras daqueles bares cheios de graça e usurpadores dos valores populares, fala agora sobre o assassinato que a Copa 2014 está promovendo no futebol brasileiro. A primeira vítima, o Maior do Mundo. Nesta semana, o Maracanã foi destruído para, daqui 4 anos, estar de acordo com o maldito padrão Fifa.
Sem mais, fiquem com as palavras de Edu e espalhem esse manifesto de luta: É preciso lutar contra o esmalte
Recomendo, ainda, mais dois textos sobre o mesmo assunto. O primeiro é do sempre impecável Barneschi; o segundo, do grande vascaíno João Medeiros, que compareceu àquela que pode ser considerada a última partida que o Maracanã com alma recebeu.
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Atualização:
Outro grande brasileiro, o Simas, mandou sua contribuição em defesa do Maracanã. Igualmente imperdível!
22 agosto 2010
Jogo das Barricas: a taça é do Timão!
Foi uma tarde de sábado perfeita, senhores. Cada vez que eu olhava aquela multidão tomando conta do Nacional do Bom Retiro, sentia uma emoção indescritível, um sentimento de dever cumprido. Fizemos, ao modo da arquibancada, a nossa reparação histórica, unindo novamente dois rivais numa festa bonita em favor do futebol de verdade. Xingamos, gritamos, cantamos e bebemos demais. E o Corinthians saiu como o grande vencedor da 3ª edição do Jogo das Barricas, enfiando na porcada um sonoro 9 a 4, com direito a gol olímpico de nosso sósia de Neto.
Não irei cometer o equívoco e a indelicadeza de agradecer um por um os amigos que estiveram por lá porque seria injusto e esqueceria muitas pessoas, todas elas importantíssimas. Fica, portanto, um parabéns a todos nós que construímos essa imensa comunidade de torcedores que não se cala, que não fica passiva aos desmandos dos canalhas. Porém, vale citar a presença de alguns ilustres, como o pessoal da Rádio Coringão. Também aproveito para mandar a saudação ao pessoal do Foras de Forma, que se deslocou desde o interior paulista para prestigiar nossa festa e me presenteou com um boné da gloriosa agremiação.
Pessoalmente, considero essa muito bem-sucedida edição das Barricas como minha minúscula contribuição ao Centenário corinthiano. Durante a semana, aguardo fotos e relatos dos amigos, que serão devidamente linkados por aqui para que todos possam ter uma idéia do que foi a festa. Novamente, parabéns e muito obrigado a todos que estiveram por lá. São eventos como esse que mantém nossa crença no povo e no futebol com alma. Até o ano que vem!
Leia mais:
A reparação histórica - por Anarcorinthians
3º Jogo das Barricas: Deu a lógica e foi um sucesso - por Blog do Silvinho
Futebol, cerveja e suor e Obrigado - no Cruz de Savóia
Narração - Rádio Coringão:
Parte I:
Parte II:
P.S.: no mais, o cachorro mijou no poste de novo nesse domingo...
19 agosto 2010
3º Jogo das Barricas - atualização
*** Atualização 19/08:
A partir dessa quinta-feira, as inscrições para o Jogo das Barricas deverão ser feitas pelos mesmos e-mails (cramone@gmail.com e cruzdesavoia@gmail.com), mas os pagamentos deverão ser realizados na entrada. Isso porque os DOCs a partir de hoje só serão compensados na segunda-feira, o que inviabilizaria o troço. Quem quiser pagar na boca do caixa ou depositar em dinheiro no caixa eletrônico ainda pode fazer o depósito até amanhã. Porém, até por questão de comodidade, pode deixar para pagar na hora. Quem já fez o depósito até hoje, ignore essas recomendações. Portanto, aqueles que quiserem chamar mais pessoas, basta enviar o nome para os e-mails acima e levar os R$20 na porta.
Nessa planilha, está a prestação de contas, com a listagem de quem já pagou. Se alguém fez o depósito e não viu seu nome na relação, favor me mandar o comprovante - acho que não vai ter esse caso, porque fiz a conferência há pouco e o que está lá é o que pingou na minha conta.
Não se esqueçam das moedinhas para o cofrinho da madame! Até sábado!
Jogo das Barricas - 3ª edição
Quando: 21/8 - sábado - 15h (chegue antes!)
Preço: R$20 (entrada e churrasco) - cerveja à parte
Endereço: informado após a inscrição
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Da mesma forma que nas obras de Shakespeare e Machado de Assis, Corinthians e palmeiras nasceram para ser rivais inseparáveis. Entre os torcedores, o fato se repete. São Montecchio e Capuleto, Esaú e Jacó. Aprenderam, no decorrer do tempo, que em certos momentos têm de dividir o espaço, já que essa competição eterna é o que mantém as respectivas paixões. Toda conversa é um embate e qualquer encontro se transforma em acontecimento épico. Palmeirenses e Corinthianos precisam conviver e competir.
É esse o espírito do Jogo das Barricas. Pelo terceiro ano consecutivo, a maior rivalidade do futebol brasileiro e mundial sai das arquibancadas e vai ao campo de jogo. Com a bola nos pés, arquibaldos e alambradinos do Pacaembu e do Jardim Suspenso promovem encontro que desmitifica o caráter violento imputado por aproveitadores ao futebol, a fim de afastá-lo definitivamente do povo por meio do pânico.
Além da oportunidade de reunir amigos de trincheiras opostas para bater uma pelada, comer um churrasco e beber cerveja, o Jogo das Barricas é uma reparação histórica e uma manifestação de escárnio contra a entidade que é a antítese ao futebol com alma exalante dos derbys. Consta nos anais que, em 7 de julho de 1938, houve o torneio Augusto Mundell, cuja arrecadação de fundos serviu ao salvamento financeiro de uma instituição que havia ido à bancarrota pela segunda vez em menos de dez anos de existência, apesar de toda sua identificação com as classes abastadas. Por conta disso, alvinegros e alviverdes se juntam novamente para rir do time do Jardim Leonor, lembrando também do erro gigantesco que foi a promoção do referido campeonato.
Mais exatamente no próximo dia 21 de agosto, um sábado, três escretes formados pelas três torcidas mais tradicionais da capital paulista serão recebidos pela gloriosa várzea do Tietê. E dizemos três escretes não por erro de conta, mas porque irão nos acompanhar nessa jornada nobres torcedores da Portuguesa de Desportos, outra agremiação participante do Augusto Mundell. O Jogo das Barricas, enfim, é uma festa que irá louvar o futebol sem frescuras e suas histórias maravilhosas.
Os interessados devem mandar e-mail para cramone99@gmail.com ou cruzdesavoia@gmail.com. Depois da inscrição, serão enviados os dados bancários necessários para o pagamento da contribuição de R$20, destinada ao aluguel do campo e à carne do churrasco, além do endereço do evento e demais instruções. Prepare suas moedinhas!
Jogo das Barricas - 3ª edição
Data: 21 de agosto - a partir das 15h
Local: campo da várzea paulistana (endereço via e-mail, após confirmação da inscrição)
Preço: R$20 (aluguel do campo e churrasco incluso)
Informações e inscrições: cramone99@gmail.com / cruzdesavoia@gmail.com
17 agosto 2010
O Corinthians é nosso e a gente faz a festa
Desde que os preparativos para o Centenário Corinthiano começaram, fiz alertas de que o troço deveria ser pautado pela louvação ao corinthianismo. Nada de vincular a Libertadores ou qualquer outra conquista a um marco que, por si só, já é motivo de celebração. Somos Corinthians, temos 100 anos de luta de um povo que nos fez gigante. Porém, a preocupação que eu tinha se concretizou com a divulgação da programação oficial preparada pela diretoria.
Shows sem nenhuma identidade com a Fiel, atividades que não valorizam nossos heróis e nossa história. Que se foda se a molecada (ou clientes da vez) se identifica com os artistas de merda que vão tocar no dito "Show da Virada" - isento o goleiro Ronaldo, artista só em campo. Por que Faéti e Toquinho, que tanto fizeram pelo Timão com seus hinos extra-oficiais, não têm lugar nesse palco? Cadê a comissão de auxílio a ex-atletas que nunca saiu do papel? O que há de corinthianismo nessa agenda? Pedir que gente vista o manto alvinegro no 1º de setembro é o mesmo que colocar uma placa na testa lembrando que a gente precisa respirar. Abrir mão da partida em Templo Sagrado no dia do nosso Centenário é prova maior de falta de compromisso.
O que importa, portanto, é o que cada um de nós tem a dizer e a fazer em prol do Todo Poderoso Corinthians. De minha parte, deixo o convite aos amigos - serão poucos, eu sei - que queiram me acompanhar na vigília que farei na noite do dia 31 de agosto no Bom Retiro. Estarei tomando minha Brahma, ouvindo músicas e o hino corinthianos, agradecendo a todos os nossos guerreiros antepassados. Pretendo, inclusive, me adiantar a uma prometida revitalização do obelisco - escuto essa história há anos - e tentar fazer uma placa. E gritando, gritando muito o nome do Corinthians!
Esse clube é nosso. Não precisamos de firulas pirotécnicas se elas visam ser ação de marketing, ao invés de festejar uma das maiores realizações do povo brasileiro: a nossa fundação. Esqueçamos por um momento dos nossos egoísmos e os problemas do dia-a-dia. Furar essa "festa oficial" é nada mais que um protesto contra o desrespeito e o desleixo dos incautos com os 100 anos de Sport Club Corinthians Paulista.
PELO CORINTHIANS, COM MUITO AMOR, ATÉ O FIM!
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Atualização: o mano Filipe nos envia outra programação interessantíssima de debates que irão ocorrer sob as arquibancadas do Templo Sagrado. Trata de nossa história e da mística corinthiana. E não, não está na tal agenda oficial. Mais em semanadocorinthians.com.br

11 agosto 2010
Dos debates infundados, porém divertidíssimos, no Twitter
Estava eu escutando a gloriosa Saudade FM e entra na difusão uma música do Djavan. O chato Djavan. O mala Djavan. Eu, que outro dia levei umas botinadas na timeline por conta do meu nariz virado com a música "Imagine", de John Lennon, arrisquei: "Será que nessa consigo adesões? Djavan, um grande mala!"
O @SeoCruz prontamente lançou: "(2 membros) RT @craudio99 Djavan, um grande mala!"
@barneschi veio em seguida: "@craudio99 Mas o Milton Nascimento é ainda mais chato."
E aí foi feita a balbúrdia, não sem antes @JohnSoprano ("@craudio99 Djavan tinha q ser esquartejado e seus restos expostos nas paredes de todos barzinhos que tocam MPB no estilo banquinho e violao.") e @luizromani ("@craudio99 Não tem nada pior do que rádio de escritório tocando Djavan. Impressionante o incômodo que 'amarelo deserto' me causa.") se manifestarem.
Ainda alertei que ia dar merda: "@barneschi O Milton ainda tem algumas grandes composições, mas é chato como cantor. O maior feito do Djavan foi estar no Balão Mágico. / Pronto! Campanha contra Djavan é uma unanimidade. "Imagine" do Lennon e Clube da Esquina ainda gera polêmica." Do Rio de Janeiro, @butecodoedu apareceu na hora: "@craudio99 @barneschi o Milton Nascimento é chato como cantor? Falem de futebol, pô!"
Campinas deu o berro, com @brsamba: "@craudio99 não sei do que vocês estão falando, mas também acho os mineiros do Clube de Esquina muito chatos. Sem exceção." A Tijuca replicou: "Canta mal?! Me poupem! @craudio99 @brsamba @barneschi http://bit.ly/cOGy4j".
@brsamba veio com mais dois tweets, e sobrou até pro Ivan Lins: "@butecodoedu @craudio99 não é que Milton cante mal. Ele canta muito. O problema é o repertório. Chato. / Querem outro exemplo de chato-bom? Ivan Lins. O cara é bom. Mas é chato".
Fanfarrão, @butecodoedu cruzou ("@brsamba @craudio99 querem outro exemplpo de chato-bom? Eu!") e o @brsamba mandou pra rede ("@craudio99 mas [Djavan] deixou no lugar seu imitador: Jorge Vercilo. Esse sim, um mala de fato").
Pobre do @leoboechat, que nesse bololô todo ficou mais isolado que o Serra: "@craudio99 Opa, perdi essa. Ia defender o Djavan também."
Faltou só a Brahma na tarde de hoje...
