26 março 2012
Pernacchia, porcone!
Apesar de inúmeros pesares de antes, durante e depois de mais um derby paulistano, a festa nas arquibancadas do Estádio Municipal foi outra doída lição à anticorinthianada. Vencemos a porcada na bola, de virada e com uma apresentação que poderia ter sido coroada com uma histórica goleada caso os jogadores tivessem um pouquinho mais de pontaria e preparação nos treinos - ao que parece, o técnico de merda proíbe treinamento de finalizações por conta do risco de gol. De quebra, ainda acabamos com a invencibilidade e a pose dos imundos, tirando-os da liderança do Paulistão.
É o Pacaembu, senhoras e senhores, e no Pacaembu o Corinthians não perde se assim a Fiel fizer por onde. A avalanche para cima do chiqueiro saiu direto das gargantas alvinegras para o gramado e, em dois minutos, o 2x1 fez tremer todo o Templo Sagrado. O clima, até então tenso pelas notícias das imbecilidades cometidas muito longe da Praça Charles Miller, transformou-se imediatamente numa manifestação de irmandade e alegria.
Há de se ressaltar que as coisas no mundo da bola não acontecem por mero acaso. A esquizofrenia dos bochecha rosa anda à flor da pele, talvez pelo contraste cada vez mais gritante entre as duas agremiações. A força do Todo-Poderoso, constantemente renovada e ampliada, é o oposto do definhamento daqueles que, para justificar seus próprios erros, apontam o dedo para o vizinho. Senão, vejamos.
As acusações dessa gente que está se tornando um braço kardecista do futebol (é alma para lá, nobreza de espírito para cá) são inúmeras e motivariam risos não fosse o descomprometimento histórico nelas impregnadas. Dizem que queremos um tal de "monopólio do sofrimento" e ignoram que foram eles mesmos que criaram a alcunha de sofredor à Fiel. Afirmam que nunca precisaram de arbitragem, mas são os únicos a terem computado a seu favor um gol de juiz. Falam que somos "financiados pelo poder público", mas escondem de onde vieram os recursos para a aquisição de seu chiqueiro (pesquisem sobre o Banco di Napoli da famiglia Matarazzo, que mexeu seus pauzinhos junto ao interventor paulista para ser beneficiada em transações de envio de capital de seus funcionários à Itália). Chamam-nos de novos-ricos, mas são eles que fazem de seu estádio um puxadinho de shopping center de grã-finos no bairro da Pompéia. Insultam-nos com o termo "neo-bambis", sendo que em recente rifa promovida por eles para custear a compra de um jogador, a maior colaboradora do troço foi uma socialite (madame, portanto) que estrelou um reality show chamado "Mulheres Ricas" e que alguns acusam ser estelionatária.
Os casos de duvidosa nobreza renderiam mais parágrafos, desde a então inédita tentativa de suborno ao Neco - e que porco burro para tentar subornar justamente o Neco - até a canalhice após a morte de Lidu e Eduardo. Não é de nosso feitio, porém, recorrer ao mesmo equívoco dos rivais que, vejam só, detectam agora um esvaziamento do clássico usando como motivo as falácias que desmentimos até aqui. Tais citações só servem para prestarmos esclarecimentos devidos e colocarmos os pingos nos is, além de reforçar que o nosso procedimento deve se basear tão somente na defesa do Corinthians. Sempre, errando ou acertando.
Que a violência, caso necessária de nossa parte, se volte às salas ar-condicionadas do Parque São Jorge. Hoje e até o próximo derby, é dia de zombar os polenteiros e fazer o que nos cabe para manter a rivalidade cada vez mais intensa tanto na disputa de idéias quanto dentro do campo. O resto é birra, e o remédio para isso é bola na rede.
FAZ A FESTA, FIEL!
AQUI É CORINTHIANS!
07 março 2012
24 fevereiro 2012
Carnaval em Pernambuco - registro de um novo amor
É escancarada minha admiração pelo Rio de Janeiro, numa paixão que foi muito fomentada pelo Carnaval do lugar. Só que depois de visitar a Recife e Olinda no último mandato do Momo, o coração ficou dividido. Creio ter passado em terras pernambucanas e junto da minha Evinha os melhores cinco dias de farra da minha vida. Justificativas para a nada exagerada opinião seguem abaixo.
- Recife e Olinda, as cidades e algumas percepções: o contexto histórico das cidades que visito sempre me interessam demais, e tanto Olinda quanto Recife são riquíssimas nesse sentido. Principalmente nos bairros onde se concentram as construções mais antigas, tudo remete à formação do Brasil e aos traços trazidos pela portuguesada na colonização. Culturalmente, o fato de Recife ter abrigado holandeses em certo período de sua ocupação e, depois, ter sido fortemente influenciada pelas bobagens norte-americanas de república falseada (a tal revolta do Frei Caneca deve ter sido o primeiro "Cansei" do Brasil), faz com que a receptividade a influências externas seja muito notada no povo de lá.
Estruturalmente, senti falta de uma rede de hospedagem maior, já que estamos tratando de um pólo turístico muito importante. Aqui, uma dica essencial: durma na rua, mas fuja do Arcada Hotel, uma espelunca indizível que nos presenteou com dois dias sem água, debaixo de um calor constante que ultrapassava os 30 graus. Apesar de bem localizado, o troço não é barato e não vale os transtornos, que vão desde chuveiros indecentes até o ar-condicionado assassino para quem tem qualquer tipo de problema respiratório (há o cultivo de mofo confinado dentro deles).
O transporte público é outra coisa que deixa a desejar, ainda que seja abrangente (dá para ir a tudo quanto é canto de ônibus). Dessa forma, se você contar com uma graninha a mais, vale considerar alugar um carro porque os táxis também são meio salgados, quase como os de São Paulo. Mas especificamente para quem vai no Carnaval, o melhor a se fazer é arranjar um lugar na Praia de Boa Viagem, recheada de restaurantes, bancos, bares e que tais, e ficar rodando nos coletivos. Pousar em Olinda durante a folia só serve se você não fizer questão dos milhares de shows das centenas de pólos que funcionam na capital, preferindo os blocos. Essa opção, porém, é mais cara.
- O povo pernambucano: sempre tenho problemas em locais que, acertadamente, não foram empesteados por hordas de orientais. Nessas ocasiões, sou tratado como verdadeiro extraterrestre, com as pessoas apontando dedos, escondendo as crianças e atravessando a rua. Chegando a Recife, porém, o choque não foi tão grande, pois os chineses que fogem de la migra aqui de SP estão rumando em bando para o nordeste. Aliando isso à natural hospitalidade dos cabras de lá, me senti em casa na terra de Lua e Lula. O pernambucano é um orgulhoso de sua terra e vive intensamente todas as coisas de lá, principalmente o Carnaval.
Uma coisa, porém, me irritou profundamente: os caras não te escutam. Não se trata de falta de educação, eles simplesmente não fazem questão de te ouvir. Para alguém que, como eu, fala pouco e fala baixo, é viver num país de surdos. Outra curiosidade é a falta de noção de espaço e de conhecimento daquilo que vai além do cotidiano. Pedir orientações a um recifense sobre qualquer lugar que não esteja em seu caminho significa você tomar no cu. O ideal a turistas é se informar antes e levar um celular com GPS para se familiarizar nos primeiros dias - aos paulistanos, a cidade é pequena e não carece de muito para dominá-la.
Futebolisticamente falando, fiquei impressionado com a quantidade de torcedores de times paulistas. A óbvia predominância corinthiana é dividida com os bambis e porcos na contraposição aos clubes locais.
- O Carnaval, oras: nossa programação começou na sexta-feira, quando chegamos debaixo de um temporal que durou até a quarta-feira de cinzas e foi essencial para a sobrevivência nos dias de folia. Fomos cedo ao Recife Antigo assistir às apresentações dos grupos de maracatu e frevo que jorravam pelas ruas de pedra. A abertura do Carnaval, realizada no palco principal montado pela prefeitura no Marco Zero, foi uma cerimônia emocionante e indescritível que quase me levou às lágrimas.
Já no sábado de manhã, foi a vez do Galo da Madrugada. E o Galo, senhoras e senhores, é algo espetacular e incomparável. Aqui, o roteiro que fizemos serve de dica para aproveitá-lo tranqüilamente, sem o inevitável aperto causado pelas mais de 2 milhões de pessoas que batem cartão no bloco: pegamos o metrô e ficamos na confluência das Avenidas Sul e Saturnino de Brito, de onde vimos passar todos os 25 trios logo no começo do desfile. No mais, prepare-se para uma manifestação revigorante. Aquilo lá é o povo em estado bruto, é gente de todas as cores e lugares se abraçando e cantando frevos, sambas, marchinhas e o que mais der na telha.
Para os outros dias, ficamos nos blocos de Olinda, cujas ladeiras não são tão difíceis de se vencer como dizem (Ouro Preto é muito mais casca grossa) e à noite nos shows no Marco Zero, numa programação adotada por 99% das pessoas. Destaco alguns pontos altos: o brilhante show de Beth Carvalho no domingo, a multidão de foliões nas ruas de Olinda na segunda-feira e seus milhares de blocos passeando de maneira incansável, o desfile de bonecões na terça-feira gorda e ela, a chuva.
Por que a chuva? Porque naquele lugar faz calor, meus amigos. Faz tanto calor que eu bebia, bebia, bebia e não ficava bêbado. De forma que a água que caía vez ou outra naqueles típicos temporais de verão era uma benção. E o que dizer da cerveja a preço de banana? Latões a módicos R$2,50! Dá para não amar essa porra?
- Balanço: falo por mim, mas minha Evinha deve sentir o mesmo. O Carnaval em Recife e Olinda é obrigatório, daquelas coisas que não devemos morrer sem fazer. Agradecendo seu povo e sua terra e reservando um espaço considerável a Pernambuco no coração, fui embora dali com a esperança de voltar em breve e em grande quantidade, só para cantar:
Voltei, Recife
Foi a saudade
Que me trouxe pelo braço
Quero ver novamente "Vassoura"
Na rua abafando
Tomar umas e outras
E cair no passo
Cadê "Toureiros"?
Cadê "Bola de Ouro"?
As "pás", os "lenhadores"
O "Bloco Batutas de São José"?
Quero sentir
A embriaguez do frevo
Que entra na cabeça
Depois toma o corpo
E acaba no pé
15 fevereiro 2012
Peito cheio
Anualmente, aa semana que antecede o Carnaval é tempo de me sentir meio deslocado em São Paulo. É impressionante como está impregnado na mente das pessoas daqui o total descomprometimento com a festa que, em todo o país, acontece desde o mês passado. Fico numa angústia danada vendo o povo trabalhando até tarde, com a maior naturalidade na cara deslavada, como se estivesse contribuindo para alguma coisa senão o prejuízo aos demais brasileiros.
De minha parte, decretei desacelaração no ritmo desde a última sexta, onde fomos Evinha e eu para o Bantantã. Também tomamos chuva no glorioso Cambuci, bairro que abriga o Bloco da Ressaca. Desnecessário dizer que, ao contrário de manifestações abjetas como a ocorrida na rua Augusta - onde a fuzarca era comandada por grandes nomes do samba como a atonal Pitty e Wilson Simoninha (mais conhecido por seu trabalho como filho de Wilson Simonal) -, os tradicionais e insistentes blocos citados contaram com a participação de poucas dezenas de pessoas.
São coisas como essas que me fazem fugir de São Paulo como o diabo da cruz durante o reinado do Momo (que hoje é magro e fashion), num siricutico que começa em meados de novembro. Me levem pra Osasco, mas não me deixem na capital durante a folia. Não é exagero: podem ir às avenidas Paulista ou Berrini às 20h da próxima sexta para ver a quantidade de escritórios ainda lotados, enquanto o Brasil cai na farra.
Eu, no entanto, não terei tal desprazer. Estarei em terras pernambucanas, ao lado da minha preta e do Galo da Madrugada, prestando homenagem ao centenário do mestre Luiz Gonzaga. Mas deixo antecipadamente meus salves a todas os focos de resistência do samba e do Carnaval aqui da garoa, certamente angustiados como eu. Viva os Inimigos do Batente, viva meu Peruche (vamos subir campeões!), seu cantinho e Seu Carlão, viva o Camisa e a Barra Funda, viva a Nenê e a Zona Leste, viva a Vila Maria (torço pelo título), viva o Samba do Maria Zélia, viva Pirapora do Bom Jesus, viva todas as rodas de samba das periferias dessa cidade!
Dito isso, rumo ao norte encher o peito de vida para continuar morrendo aos poucos até o próximo ano. A quem fica, meus lamentos e uma aula de Plínio Marcos logo abaixo. Até a volta!
07 fevereiro 2012
No dia 11, é "Bataglia Corinthians"
Reproduzo aqui as propostas da Chapa Bataglia Corinthians, que no próximo dia 11 de fevereiro estará na frente do Parque São Jorge manifestando sua total discordância com os rumos cada vez mais elitistas e excludentes que os dirigentes estão impondo ao Sport Club Corinthians Paulista. A contextualização dos 10 mandamentos da chapa é feita com brilhantismo pelo meu irmão de arquibancada Filipe.
De minha parte, que a família corinthiana assuma seu papel vigilante e não se deixe levar pelos espelhinhos de convencimento que tanto alienizam nossa torcida. ACORDA, FIEL!
"Um Timão nota 10
As 10 propostas da chapa
“Bataglia Corinthians”
1. Inclusão Massiva – Com cerca de 30 milhões de torcedores e a marca mais valorizada do país, o SCCP deve rever urgentemente sua estratégia de gestão de ativos humanos. Hoje, desperdiçamos recursos e energia com uma política restritiva e elitista do produto futebol. Dessa forma, amplos segmentos da comunidade corinthiana estão sendo afastados da vida do clube. Essa conduta pode gerar, a curto prazo, um incremento de receitas. A longo prazo, no entanto, reduz o contingente de aficcionados e dificulta a implementação de projetos de massa. Para manter seu novo e caro estádio, por exemplo, o clube precisará de público numeroso em todos os seus compromissos.
2. Engajamento por responsabilidade compartilhada – Nos países desenvolvidos, ganham força hoje os projetos sociais e econômicos de gestão coletiva. Seja no compartilhamento de bens ou na troca de serviços, o mundo busca formas de engajamento na administração dos empreendimentos. Não se trata de reprise do coletivismo forçado, mas de uma conversão dos próprios atores do teatro capitalista. Num mundo com recursos escassos e consumo desenfreado, colocamos em xeque a manutenção da própria civilização. Você já percebe esses sinais no trânsito infernal, na enchentes de verão, na contaminação dos alimentos e no recrudescimento da violência urbana. Ou mudamos ou perecemos. Para que assumamos um novo caminho, precisamos horizontalizar o poder, delegar atribuições e mobilizar os membros das organizações, sejam elas públicas, privadas ou de cunho associativo comunitário. Cada corinthiano necessita, portanto, assumir sua quota de responsabilidade. Engajados, somos mais fortes. Compartilhando, fazemos crescer o objeto de nossa paixão.
3. Universalização do direito participativo – Todo corinthiano deve ter o direito de participar da vida do clube. Hoje, o que vemos é um quadro associativo restrito, uma comunidade fechada, em que falta a diversidade e a dissonância criativa. Muitos clubes pelo mundo vêm desenvolvendo sistemas alternativos de associação, procurando agregar também aqueles aficcionados dos estratos econômicos C, D e E. Não há como descrever o júbilo do corinthiano que se vê formalmente agregado à instituição, seja por conta de um título patrimonial ou pela adesão a um programa de torcedor. Nosso atual sistema, no entanto, despreza os corinthianos do interior paulista e de outros Estados. Como afirmar que este é o “clube mais brasileiro” se nos conformamos em abrigar uma pequena elite, preponderantemente paulistana, em nossas fileiras? Até mesmo como estratégia de marketing, o Corinthians precisa alargar seus horizontes e encontrar meios de associar o maior número possível de torcedores, recebendo mensalmente suas contribuições e, em contrapartida, oferecendo-lhes acessos, informação selecionada, descontos em produtos e outras facilidades.
4. Política de voz e voto – Todo associado deve ter respeitado seu legítimo direito de opinar sobre os destinos do clube, de modo que propugnamos a constituição de um fórum permanente de ideias e sugestões, com encontros pontuais e interface de comunicação virtual. Além disso, deve ter garantido seu direito a voto nas eleições para a formação do conselho e da diretoria. Isso quer dizer que consideramos fundamental que o torcedor, alma viva do Timão, tenha assegurado seu direito de co-gerir a instituição, dentro das normas estatutárias internas e das condições estabelecidas pelas leis em vigor.
5. Fusão de instrumentos associativos – Urge, desde já, a extensão de direitos de participação aos detentores de quotas do programa de sócio-torcedor hoje vigente. Já é norma, em muitos clubes, que esses agregados tenham direito a voto nas eleições do clube. Por respeito à isonomia, é necessário que a qualificação como sócio patrimonial garanta ao corinthiano acesso facilitado à aquisição de ingressos.
6. Interiorização do clube – Faz-se fundamental a constituição de uma política de expansão do clube, com sedes em regiões marcadas pela aglutinação de adeptos. Londrina, Uberlândia, Campo Grande, Goiânia e Recife, entre outras cidades, merecem, em tempo breve, contar com extensões físicas do clube do povo.
7. Justa devolução à sociedade – As sedes atualmente existentes e outras que vierem a ser construídas, devem honrar o compromisso dos fundadores. O Corinthians é grande demais para se limitar ao esporte. Seus redutos devem, desde sempre, figurar como opções de lazer e entretenimento comunitário. Também é fundamental que sirva como polo educativo para as populações locais. Deve ser, como sonhado pelos brasileiros do Bom Retiro, um lugar de aprendizado permanente, oferecendo cursos e organizando palestras e debates sobre os mais diversos temas.
8. Valorização de nossos recursos humanos – Desde já, é preciso transformar em craques os milhares de pequenos corinthianos e corinthianas que se destacam nos mais diferentes esportes. Nossas divisões de base, no futebol e outras modalidades, devem receber atenção especial. Esse processo de recrutamento e seleção deve abranger as sedes regionais, citadas na proposta 6, de forma a se aproveitar de maneira integral a oferta de jovens talentos. Propomos a implantação do projeto “Corinthiano do Futuro”, destinado a oferecer assistência de saúde e educação integral aos jovens das divisões de base. Esses valores devem ser contratados pelo SCCP e, assim, protegidos da ação funesta de agenciadores e empresários.
9. Criação da Universidade Corinthians – Constituição de uma instituição com foco em ensino superior, pesquisa e serviços comunitários. Os cursos, inclusive os de pós-graduação, devem valer-se das peculiaridades do clube, oferecendo aos alunos experiências práticas na rica diversidade do universo corinthiano. Cursos de Medicina Esportiva, Fisioterapia, Psicologia, Nutrição, Ciências Sociais, Comunicação e Administração Esportiva devem receber especial ênfase na universidade. Atletas profissionais, atletas da base e associados devem ter acesso facilitado às atividades da instituição, de forma especial às jornadas de extensão. Haverá parcela mínima de portadores de deficiência e indivíduos economicamente desfavorecidos nos cursos de graduação, extensão e especialização.
10. Formação de um Corinthians forte e vencedor – Obviamente, essas ações devem compor um cenário de fortalecimento das finanças e da imagem da instituição, o que resultará num aprimoramento das equipes. Um Corinthians de gente engajada e responsável será mais forte, terá receitas que superarão largamente as despesas, contará com atletas de ponta e será vencedor nas principais competições esportivas, seja no futebol, no futsal, na natação, no basquete, no handebol e em outras modalidades. É preciso que os dirigentes do Corinthians saibam que o “business” é, sim, importante, mas nunca como finalidade. Bons negócios e empreendimentos, em nosso caso, são “meio”. O principal objetivo do gestor corinthiano será proporcionar satisfação ao torcedor. Antes de uma transferência lucrativa, preferimos o título. Antes do sucesso do agente de atletas, desejamos equipes competitivas, capazes de honrar nossa tradição vitoriosa. Antes do acordo entre negociantes, buscamos mais uma glória do campeão dos campeões.
Por que aderir a esta chapa
A chapa “Bataglia Corinthians” não concorre oficialmente nas eleições corinthianas de 2012. No entanto, não deixa de oferecer, de forma legítima, uma alternativa ao modelo tradicional de gestão do futebol.
Algumas dessas ideias foram colhidas de modo informal em conversas com o atleta Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira (1954-2011), um dos líderes da Democracia Corinthiana. Ele é, portanto, nosso candidato à presidência do SCCP.
Incluímos também propostas colhidas entre outros artífices da DC, como o atleta Wladimir Rodrigues dos Santos. Outras reivindicações surgiram da manifestação dos torcedores, organizados ou desorganizados, que seguem o Corinthians, no Pacaembu e em outras praças esportivas do país.
Consideramos que o mundo mudou e com ele o conceito de gestão e sucesso. No futebol destes novos tempos, não haverá mais espaço para oportunismos, farisaísmos e esquemas predatórios, destinados a beneficiar cartolas e grupos corporativos que vampirizam a comunidade de torcedores.
O Corinthians deve ser palco do melhor da vida, nunca uma vitrine para especuladores e oportunistas.
Valorizamos nossa história, valorizamos nosso rico capital humano, valorizamos a construção compartilhada do conhecimento, valorizamos o engajamento individual, valorizamos a comunhão, valorizamos a democracia, valorizamos a sustentabilidade econômica, social e ambiental de todos os projetos associados ao esporte.
Vai, Corinthians! Seja o que você é! Não pare, você também, de lutar!"
15 janeiro 2012
Revolução corinthiana já!
Se você está com saudades antecipadas da gestão de Andrés Sanchez que se encerra no próximo mês, pare de ler este texto imediatamente. Ele é longo e indigesto aos fúteis ou descompromissados. O que vem abaixo é um manifesto pessoal, à disposição de quem queira contribuir ou me atacar, de acordo com suas preocupações e prioridades. No mais, minha intenção é aproveitar o ambiente político em ebulição no Corinthians para ser, de novo, aquele chato que reclama de tudo. Se minha chatice é defender nossa instituição, então assumo o papel que me foi concedido.
Já tratei por aqui o que chamamos de espelhinhos de convencimento, que consiste na propaganda supervalorizada daquilo que é básico. Figuram com destaque nesse rol a construção do CT, o estádio e o aumento de faturamento, realizações que deveriam ser vistas como mera obrigação para qualquer administração que assumisse um clube tão gigantesco e com tanto potencial como o Corinthians. Peguemos o caso das receitas para ilustrar rapidamente a inoperância. Numa relação tosca entre faturamento de 2010 (R$212 milhões segundo o balanço) e o número de torcedores, temos aí uma captação de R$7 anuais de cada corinthiano, indício de desperdício de oportunidade incrível. Anexando esse quociente aos preços praticados na venda de ingressos e de produtos como camisas oficiais - todos eles excludentes -, fica nítido que a estratégia segue na contramão de nossa história.
Do estímulo propagandista para escamotear cagadas, surta uma alienação que se espalha como vírus por toda a Fiel Torcida e detona com as ideologias que, para o bem ou para o mal, serviam a nosso procedimento. Os instrumentos variam de acordo com o momento, de jogadas de marketing a palavrórios de dirigentes. No começo deste 2012, por exemplo, pipocou pela internet uma entrevista lamentável com o presidente que se diz licenciado arrotando mais abobrinhas que o usual e enchendo o prato da imprensa abutre. Curiosamente, alguns recados e provas desse modus operandi ficaram bem claros nas entrelinhas e também nas linhas. Abaixo, excertos da coisa, com os devidos comentários deste que vos escreve:
"Hoje, temos gerentes remunerados e eu queria pôr superintendente, um CEO, que agora tá na moda, aqui no meu lugar (...) Aqui sempre teve diretor amador, apaixonado." - se virar moda tomar no cu...
"É inexplicável o Corinthians começar como começou e se tornar o que se tornou. Não tinha uma bandeira." - para todo corinthiano, não é inexplicável. A explicação é tão sólida que, cem anos depois, tem um descendente de japoneses levando a idéia adiante.
"Eu não sou doutor e tive uma rejeição grande dentro do clube, isso por não ter curso universitário, não falar bonito." - menção indireta, maldosa e desnecessária ao Sócrates, que será repetida logo à frente. Fora isso, vale lembrar de Vicente Matheus, tido como analfabeto, mas cuja aceitação pública era gigantesca. Talvez pela autenticidade.
"O futebol, você tem que entender (...), é a melhor forma de se falar com a população." - aqui, a chave da gestão Sanchez, que realmente falou com toda sua torcida, mas de modo a extinguir os valores do corinthianismo.
"Olha aqui: eu sou presidente do Corinthians. Tenho qualquer informação. Onde você trabalha tem um corintiano e, dependendo do que você falar, ele me fala. Liga aqui e me conta. É inacreditável." - ou seja, ele sabe o que será publicado de mentiroso contra o Corinthians e, mesmo assim, não prepara a defesa do clube.
"Hoje, no Pacaembu, vira e mexe eu assisto jogo da arquibancada." - essa é uma das mentiras que, repetida à exaustão para aquele torcedor que não vai ao Pacaembu com freqüência, acaba virando verdade. Nunca vi Andrés Sanchez pelas arquibancadas desde que ele começou a ser figura pública.
"O maior faturamento do Corinthians é bilheteria e patrocínio. A partir do ano que vem, vai ser da televisão. Ela [a televisão] tá pagando! Ela não quer saber quem vai ao estádio, quer saber quem liga a televisão!" - nefasto, o presidente força o clube a abrir mão de sua autonomia e se torna refém de uma emissora vil, cuja ideologia é totalmente contrária aos interesses do torcedor e do povo brasileiro.
"eu cobro US$ 300 dólares e eles, US$ 1.000. Por quê? Porque eles têm estádio decente. O dia que eu tiver um estádio decente, os preços são outros!"- aqui, uma dica de quais serão os preços no estádio em Itaquera, reforçando o processo de elitização do futebol e, mais grave, do torcedor corinthiano presente aos jogos.
"como o Sócrates escreveu que ele sabia que eu não tinha me formado nas melhores escolas da Europa, mas, pelo menos, tinha estudado em escola pública no Brasil." - novamente, ele demonstra seu incômodo com a figura do Doutor, um dos principais críticos do parasitismo que infesta a política interna do Corinthians.
"O Corinthians vai fazer uma arena de show aqui (mostra o campo de futebol do Parque São Jorge). Vai tirar essa merda toda e construir uma arena pra 25 mil pessoas." - alguém que chama o Monumental Alfredo Schürig - fruto do suor de centenas de guerreiros corinthianos - de "essa merda", só pode estar demonstrando seu desdém pela nossa centenária história.
"Não tem cabimento ter meia-entrada em futebol e não ter meia-janta! Meio-almoço! O que é mais importante: um jogo de futebol ou comer?" - um corinthiano jamais diria isso. O corinthiano deixa de comer pra ver o Corinthians.
"Você acha que é fácil fazer isso com a Odebrecht? Mas eu tenho costa quente (risos)." - o pedantismo é característica marcante de aficionados pelo poder.
A matéria não pára aí. Vem com um apêndice e troca gato por lebre, exaltando as qualidades democráticas e participativas da eleição da rainha da Inglaterra conhecida como RPC. Timing perfeito, como toda manipulação de Sanchez, já que o troço aconteceu dois meses antes da votação de verdade. É claro, é notório, é explícito que essa porcaria não vai resultar em nada para o corinthianos, mas deu às representações ilegítimas que atuam no Corinthians um cenário de águas calmas para a prática dos crimes mais cruéis possíveis.
E o crime veio, com a nova regulamentação que limita o voto do associado à escolha de apenas um grupo de 200 velhacos para representar os anseios de milhões no Conselho Deliberativo. O inaceitável retrocesso foi defendido por situacionistas e oposicionistas, cada um a seu tempo, mas ambos aspirando manter as coisas como estão. O helulismo, meus caros, é ainda muito presente por aquelas bandas, mesmo que seu fundador tenha ido para o merecido inferno ano passado. Para tanto, vale espiar os membros do Conselho Vitalício, esse câncer a ser extirpado, e notar quantos helus, dualibs e curis ainda figuram no órgão, ao lado de outros não menos infames como o ex-governador Fleury, o ex-promotorzinho aparecido Fernando Capez, Miriam Athiê e Romeu Tuma Jr., além dos conhecidos Citadini, Rubens Approbato e Waldemar Pires.
Cartas à mesa, basta somar dois e dois e apreciar o esquema da perpetuação do lixo nas salas ar-condicionadas do Parque São Jorge: o dito "torcedor comum" é iludido com palhaçadinhas marketeiras, o tráfico de influência junto às lideranças de organizadas é fortalecido e a participação do povo no Time do Povo escorre pelas mãos como areia. Paralelamente, os inocentes e os não tão inocentes úteis trabalham a todo vapor para defender sua boca na teta, tentando convencer quem não vota (por falta de po$$ibilidades ou por ainda estar na quarentena do Estatuto) que suas intenções são as melhores possíveis.
Neste período eleitoral, o corinthiano de arquibancada que não tem os 800 reais do título de sócio porque precisa pagar ingresso, será abordado pelas duas facções majoritárias e ouvirá maravilhosas promessas. Os pleiteantes precisam ganhar visibilidade e apoio externo para se salvaguardar e falar, indevidamente, em nome da maioria. De um lado, os de Sanchez irão investir no discurso de manutenção do planejamento, da estrutura, da organização e da modernização como etapas para obtenção de uma participação cada vez mais ampla. Já os opositores posarão de arautos da moralidade, pregando austeridade e tolerância zero com as falcatruas que eles próprios instituíram lá dentro.
Sendo assim, no próximo dia 11 de fevereiro, é dever daqueles que lutam pelo resgate do corinthianismo ir até a porta do clube para manifestar seu desejo de ampla abertura política no Corinthians. A Revolução Corinthiana urge! Pelo fim do Conselho Vitalício! Pelo voto do Fiel Torcedor! Pelo fim das cláusulas de barreira para votantes e candidaturas!
O CORINTHIANS É NOSSO!
ACORDA, FIEL!
20 dezembro 2011
Corinthiarte - volume III
Mais uma vez voltamos aqui para divulgar o maravilhoso trabalho dos irmãos de arquibancada Filipe Gonçalves (do AnarCorinthians) e Fernando Wanner que, ao lado de Luiz Wanner (pai de Fernando), vêm preenchendo as lacunas de corinthianismo decorrentes dessa modernidade nociva do futebol. Retomo, novamente, o que escrevi em janeiro, data de lançamento do primeiro fascículo da série Corinthiarte:
"O Corinthians é a utopia concretizada do povo. Fruto de uma conjunção de fatores racionalmente improvável, nosso Todo-Poderoso se tornou gigante e Centenário enfrentando provações diárias. Sua gente não podia ser diferente e agrega esses valores ao cotidiano como nenhum outro torcedor. Puxa daqui, arranca de lá, e o corinthiano resiste, contra tudo e contra todos, alimentando sua alma com o mesmo sonho que tiveram os ancestrais reunidos na famosa esquina do Bom Retiro, formada pelas ruas José Paulino e Cônego Martins.
Sonharam também Filipe Gonçalves, Fernando Wanner e Luiz Wanner, devaneio que acompanhei de perto, mais precisamente da arquibancada. Um sonho de comprometimento, de crença numa força inexplicável que brota da lendária biquinha, de legítimos filhos de São Jorge. Belíssimo como uma jogada de Luizinho, um lance magistral de Cláudio, um passe de calcanhar do Doutor, uma falta de Neto, uma redenção de Basílio, uma defesa de Ronaldo, um carrinho de Idário. E, acima de tudo, corinthianíssimo como cada batida do coração de Neco."
Como nas outras vezes, tive a grata oportunidade de ler o texto em primeira mão e adianto que esse terceiro volume está especialmente emocionante. Para marcar a chegada da terceira parte da saga - que leva o título "É com o pé. É com a mão. É Campeão" -, o Ginásio do Parque São Jorge estará aberto na próxima quinta-feira para receber toda a Família Corinthiana, o que torna o troço ainda mais imperdível. Encerre este ano de 2011 renovando as energias na Cidade Corinthians e prestigiando o feito dos três Mosqueteiros que, com muito afinco, estão fazendo importante resgate de nossa Centária história.
VIVA O CORINTHIANS!
Lançamento: "É com o pé. É com a mão. É Campeão"
Local: Ginásio do Parque São Jorge
Data: 22/12/2011 - às 19h
Preço: R$10
08 dezembro 2011
Brasileiro e corinthiano
Com os sentimentos um pouco mais controlados, acho que me sinto preparado para tecer algumas palavras sobre o gigantesco herói que nos deixou no último domingo, justamente num dia de alegria para o Corinthians pelo seu quinto Campeonato Brasileiro. Ouvi a notícia da morte de Sócrates Brasileiro e Corinthiano lá pela hora do almoço, quando me preparava para ir ao Pacaembu. Um baque, uma faca no peito e uma sensação de vazio no estômago que não era fome, mas algo muito parecido com aquilo que me deu no dia em que minha saudosa tia Terezinha se foi.
Aliás, foram inúmeros os testemunhos nessa toada: os corinthianos perderam um ente próximo. A tristeza que me acompanhou até o Templo Sagrado pairava pela cidade e pelo país, e se intensificou ainda mais depois da catraca. À beira do alambrado, no encontro com os irmãos Filipe, Rubio, Salgado e Victor - todos eles seguidores ortodoxos dos paradigmas socráticos -, foi difícil segurar as lágrimas. Lá em cima no nosso lote, ao lado do Janeiro, Luizão, Raphael e muitos outros parceiros, o pranto foi inevitável.
Os braços erguidos e os punhos cerrados que homenagearam Sócrates antes do apito inicial representavam a esperança, o amor e o compromisso com a luta encampada pelo Doutor no início dos anos 80, retomando, inclusive, os ideais corinthianistas de 1910 de participação política intensa do povo dentro do seu time. Serão essas as recordações marcantes do ambíguo 4 de dezembro de 2011; é nisso que devemos nos apegar toda vez que formarmos nossas opiniões sobre tudo que envolve o Corinthians.
O legado de Sócrates é imensurável e, até certo ponto, incontestável. É crime hediondo ignorar cada vírgula por ele eternizada, mesmo aquelas com as quais a gente possa não concordar de imediato. Ele não queria ser o bom-moço casadoiro, mas sim fazer de cada corinthiano um contestador, baseando-se em nossa impetuosidade e nossa irmandade características. O pensador dos gramados forjava pensadores nas arquibancadas e nas ruas, incitava o raciocínio além das meia-verdades e combatia a imbecilidade, ainda que cercado de imbecis aproveitadores.
Isso posto, a tristeza de ver partir esse gênio da bola e da cachola não se dá pelo simples fato da morte, pois ela é inevitável. Dói demais não poder contar com novas provocações que colocavam a opinião média contra a parede, algo tão necessário ao corinthianismo claudicante dos dias atuais. Dói porque há canalhas que riem dessa desgraça. Dói porque sua história, assim como todos que vestiram a camisa do Corinthians um dia, será distorcida pelos babacas da mídia dominante e ele será o "alcoólatra comunista maloqueiro", mesmo não tendo sido nenhuma dessas coisas.
Sócrates foi, sim, corinthiano, brasileiro, craque, vencedor, iluminado, líder, escritor, boa-praça, verdadeiro. Escolha qualquer uma dessas - ou várias - facetas e faça a coisa certa: seja um devoto desse anjo torto, que agora foi ter com nossos antepassados brigadores e guerreiros.
OBRIGADO, DOUTOR SÓCRATES!
05 dezembro 2011
Corinthians 5x: festa, contemplação e democracia
O Templo Sagrado era o palco perfeito para tudo o que aconteceu neste 04 de dezembro, quando conquistamos nosso 5º título brasileiro. Conquistamos, na primeira do plural, porque não foram os vagabundos e o técnico de merda os grandes responsáveis pela glória corinthiana. Quem merece os parabéns e uma volta pela cidade com a taça na mão é a Fiel Torcida, que jogou como nunca neste modorrento campeonato de pontos corridos. Mas vamos por partes.
O domingo começou com uma das notícias mais tristes que poderíamos receber: faleceu Sócrates Brasileiro e Corinthiano. Um gênio a serviço de seu povo, um craque com a bola nos pés e com as idéias na cabeça. Provocador e sempre racional, foi um dos poucos jogadores na centenária história do Corinthians a entender sua torcida e criar junto dela um relacionamento de respeito e admiração, tendo como pano de fundo o amor ao Coringão. Creio eu que a passagem dele para o rol de corinthianos imortais foi também muito bem pensada - dizem alguns até prevista pelo próprio. O Doutor foi ter com o pessoal lá de cima porque queria curtir esse título tranqüilamente, tomando cerveja e fazendo a festa que sempre soube fazer.
Sua energia, porém, tomava conta do Pacaembu. A belíssima e emocionante homenagem antes da partida final, com todos os filhos de São Jorge com o punho em riste, fez a diferença em campo. Não poderiam os vagabundos deixar esse campeonato ir para a caralha; por nós e por Sócrates. E assim fizeram, jogando titescamente (o vocábulo titescamente pode ter como sinônimos escrotamente ou empatibilidade) e empurrando o coração de cada torcedor pela goela. Diante de toda a anticorinthianada atônita, porém, chega hoje no Memorial do Parque São Jorge outro troféu que coloca mais uma viga na concretização do sonho do povo iniciado em 1910. Uma viga com tendências democráticas, diga-se, pois o título socrático precisa servir de inspiração à Fiel para que retomemos os ideais participativos e includentes dentro do clube.
Depois da festa sem precedentes que tomou as ruas de todo o Brasil, com o povo sendo feliz e louvando o corinthianismo em estado puro, só resta dar os parabéns a toda a família corinthiana. Lutamos e vencemos, que é como deve ser. Agora, é encher a cabeça de cachaça e guardar na memória toda a emoção sentida.
VIVA O CORINTHIANS! PARABÉNS, FIEL TORCIDA! OBRIGADO, DOUTOR SÓCRATES!
É CAMPEÃO!
27 novembro 2011
Lições e a última batalha
Domingo que vem, o Corinthians só precisa jogar bola e esquecer os cotovelos moídos alheios. Hoje, aqueles desprivilegiados que não foram escolhidos pelo Corinthians para defender sua história e sua camisa estão alimentando frustrações para tentar nos prejudicar. Ignore, corinthiano. Você tem uma batalha sangrenta e só ela é o que nos interessa.
Aprenda, de uma vez por todas, que a gente nunca ganha nada de mão beijada. Pare com essa babaquice de ficar cantando "tá chegando a hora" quando essa hora ainda não chegou. Sabemos muito bem como é o futebol e já viramos muitos jogos justamente nos últimos segundos. Não dê espaço a políticos aproveitadores (viu, seu Antonio Goulart?) que querem aparecer às custas de nosso triunfo e exerça o LHP de maneira ortodoxa.
Domingo é dia, principalmente, de exaltar o amor ao Coringão. Não vá ao Pacaembu fazer festinha, vá defender nossas cores como se fosse o dia do Juízo Final.
Pois quem não for corinthiano...
VAI CORINTHIANS!
19 novembro 2011
Eu era um barco errante
"Bonequinha linda
Que Deus me mandou
Me faz um carinho
E diz que eu sou seu amor
Eu era um barco errante
Sem rumo a navegar
Você é a estrela brilhante
Que veio pra me guiar
Bonequinha meu xodó
Tem tem tem de mim tem dó
Me abraça e nunca me deixe só"
Sempre que chega o 19 de novembro, eu tenho cá comigo um agradecimento especial a sei lá qual força superior atua sobre nossas cabeças. É dia da minha Evinha, de encher ela de presente, alegria e tudo o que mais for necessário para aquele sorrisão se abrir e os olhos ficarem cada vez mais cinzas.
Agradeço, então, por estar ao lado dela e tentar contribuir para que tal nível de felicidade e amor esteja sempre estratosférico, seja com regalos, com nossa cerveja ou com as idiotices que eu falo e só ela suporta. Talvez os anos se passando até ajudem o desenvolvimento dessa paciência quase oriental que ela deve ter com minhas teimosias...
E confesso: a música aí em cima é mais uma das minhas provocações, apesar de toda verdadeira para mostrar fanfarronicamente o meu imenso amor por essa preta que festeja hoje mais um aniversário. Expor minha breguice, aliás, é das grandes provas de toda minha idolatria por você.
Amo-te, Evita!
07 novembro 2011
Contaminação de mediocridade
É impossível não ficar indignado com a falta de Corinthians no atual catado de vagabundos que agora veste nossa camisa. Não se entregam, não dão à vida como faz - hoje em menor número - a Fiel Torcida por essa imensa instituição. Mais ainda, a alienação promovida a toque de caixa pelos espelhinhos da modernidade contribui para que o outrora maior movimento social da humanidade caminhe em direção da completa mediocridade, habituando-se passivamente às regras de disputa correntes no futebol.
O que estamos presenciando nada mais é que uma repetição do mesmo disco riscado, apenas com mudanças dos fantoches. Desde que se instalou o modorrento campeonato de pontos corridos e sua conseqüente valorização do que há de pior no esporte, o Corinthians, para se adaptar à realidade, se propôs a adotar idéias que jamais seriam aceitas pelos guerreiros ancestrais que consolidaram o sonho do Time do Povo em 1910.
Para não nos basearmos em achismos, aos fatos. Fiz um levantamento que leva em conta as apresentações do Timão nas últimas 10 rodadas dos Brasileirões desde 2005. Segue:
- 2005
- 32ª rodada: empate em 1x1 contra o palmeiras
- 35ª rodada: empate em 1x1 contra o vasco (terminou em 12º lugar), no Pacaembu
- 36ª rodada: derrota por 2x1 para o cruzeiro (terminou em 8º lugar), em BH
- 39ª rodada: derrota por 1x0 para o são caetano (terminou em 17º lugar)
- 40ª rodada: empate em 1x1 contra o inter, no Pacaembu
- 42ª rodada: derrota para o goiás por 3x2, campeão por conta da derrota do inter
- 2006
- 29ª rodada: derrota por 3x0 para o flamengo (terminou em 11º lugar), no Maracanã
- 35ª rodada: empate em 0x0 com o figueirense (terminou em 7º lugar), em Floripa
- 36ª rodada: empate em 1x1 com o fluminense (terminou em 15º lugar), no Pacaembu
- 37ª rodada: empate em 0x0 com o botafogo (terminou em 12º lugar), no Maracanã
** Ficamos a sete pontos do quinto colocado, o inexpressivo Paraná Clube, que levou a vaga para a Libertadores.
- 2007
- 31ª rodada: empate em 1x1 com o inter (terminou em 11º lugar), no Pacaembu
- 32ª rodada: derrota por 1x0 para o náutico (terminou em 15º lugar), em Recife
- 35ª rodada: empate em 2x2 com o atlético/PR (terminou em 12º lugar), no Pacaembu
- 36ª rodada: empate em 1x1 com o goias (terminou em 16º lugar), em Goiânia
- 37ª rodada: derrota por 0x1 para o vasco (terminou em 10º lugar), no Pacaembu
- 2008 (série B)
- 29ª rodada: empate em 1x1 com o marília, em Londrina
- 30ª rodada: empate em 2x2 com o santo andré, no Pacaembu
** subiu na 32ª rodada. Empate na 7ª rodada com o bragantino em 1x1 em Bragança (depois venceu no returno por 2 a 0), derrota na 12ª rodada para o bahia por 0x1 no Pacaembu, empate na 15ª rodada com o criciúma por 0x0 no Pacaembu.
- 2009
- 30ª rodada: derrota por 2x0 para o sport (último colocado), em Recife
- 31ª rodada: derrota por 0x1 para o cruzeiro, no Pacaembu
- 36ª rodada: derrota por 2x3 para o náutico (penúltimo colocado), no Pacaembu
** nessa edição, o então técnico Mano Menezes desistiu de disputar a competição na 18ª rodada, após derrota em 1x0 para o flamengo. O time carioca foi campeão da edição e, naquela rodada, ocupando a 8ª posição na tabela.
- 2010
- 29ª rodada: derrota por 3x4 para o atlético/GO (16º colocado), no Pacaembu
- 30ª rodada: empate em 0x0 com o guarani (18º colocado), em Campinas
- 36ª rodada: empate em 1x1 com o vitória (17º colocado e já rebaixado), em Salvador
- 38ª rodada: empate em 1x1 com o goiás (19º colocado, rebaixado e com time reserva), em Goiânia
Avaliando esses números, mais a postura de inomináveis charlatões que ocupam desde as salas ar-condicionadas do Parque São Jorge até aqueles que calçam suas chuteiras coloridas e vão para o gramado fazer a torcida passar vergonha, fico cada vez mais descrente com nosso futuro e cansado da apropriação imoral do Corinthians por bandidos e/ou incompetentes. O descompromisso é imensurável e, caso a taça venha para nosso Memorial, será por pura teimosia dessa camisa que ainda tem força suficiente para combater a vagabundagem.
ACORDA, FIEL!
15 outubro 2011
Brava gente
Neste 15 de outubro, novas e velhas crianças devem louvar aqueles que muito contribuíram em nossa trajetória. Gente que acorda cedo e vai dormir tarde, que enfrenta as piores condições de trabalho, recebe um salário indigno e, ainda assim, cumpre dignamente seu papel na consolidação da cidadania. Lembrem-se de todos os professores que passaram por sua vida e faça uma saudação calorosa.
Eu, que tenho aulas particulares com a melhor prô do mundo, nutro particular admiração pela determinação com que minha Evinha dá de ombros para os desmandos de quem quer que esteja no poder. Ali, na sala dela, quem manda é a inteligência e a capacidade. Números e estatísticas são para governantes apresentarem aos imbecis e nas eleições; à classe, ela passa humanidade e um conhecimento impossível de mensurar.
Quantos guerreiros não estão nos fins de mundo desse Brasil, comendo o pão que o diabo amassou por conta de uma digna teimosia: ensinar. A essa brava e incansável gente que tanto apanha e que não perde a força, minha reverência. E à minha Evinha, mais que reverência, eterna gratidão por tudo que me ensinou, principalmente pelo péssimo aluno que sou.
VIVA OS PROFESSORES!
11 outubro 2011
O custo de ser corinthiano
De novo esse japonês escrevendo contra a diretoria que fez CT, iniciou estádio, contratou grandes astros do futebol europeu e aumentou o faturamento do Corinthians a níveis estratosféricos? Sim, porque eu não consigo me contentar com pouco quando o assunto é o Coringão. Mais ainda: a que custo todas essas supostas "conquistas" - umas meras obrigações e outras espelhinhos de convencimento - vieram? A fatura é apresentada dia a dia, de maneira vil, disfarçada e lastreando um prejuízo que, em médio prazo, se tornará irreversível e tem como faceta a descaracterização do outrora agregador Time do Povo.
Ontem, por exemplo, a Fiel foi presenteada com o bloqueio da TV Corinthians na internet, agora só acessível mediante pagamento de 40 doletas anuais. Não irei discutir o valor, que ficaria entre os R$6 mensais, tampouco entrarei no mérito dele ser justo por conta da (falta) de qualidade da programação. A decisão, tomada pelo administrador da emissora e seguindo a tendência do marketing roxemberguiano que infesta o Parque São Jorge, só faz punir o torcedor.
Lembremos que a imprensa esportiva atual é a latrina de qualquer meio de comunicação e que o corinthiano tinha na TV Corinthians, ao lado da gloriosa Rádio Coringão, sua fonte mais confiável de informação. Lembremos, ainda, que esses mesmos abutres utilizam gratuitamente o material da TVC para papagaiar mentiras alienantes ou detratoras sobre o clube, chegando até a esconder a logomarca daquela que produziu o conteúdo. E lembremos, finalmente, da propaganda enganosa para que o perfil oficial do Timão no Facebook atingisse um milhão de fãs, dando como prêmio a disponibilização da transmissão gratuita do canal na internet.
Tais posturas de estonteante sujeira se juntam a milhares de outras iniciativas danosas ao meu e ao seu bolso, como a política constante de reajustes nos preços de ingressos, o infindável esquema interno de cessão de ingressos a cambistas, o valor astronômico para se associar ao clube e ter direito à participação política, a falta de transparência nas contas, o aumento em progressão geométrica da dívida e a contratação sombria de perebas que inflam o elenco. Também entram nessa lista o desrespeito a nossa camisa, com layouts e cores que nada têm a ver com a trajetória do Corinthians, e a constante aposta no marketing de chute, que consiste em lançar uma enxurrada de porcarias para ver se alguma cola.
Diante desse resumo de ações, o que esperar, por exemplo, da estratégia que será aplicada no estádio em Itaquera? Este espaço, vale pontuar, sempre se posicionou contra tal idéia por considerar que a casa do Corinthians é o Pacaembu (ao povo, a casa do povo). No entanto, Inês é morta e o troço vai sair, restando-nos a luta para que ele sirva aos interesses de quem sempre carregou o gigante Corinthians nas costas. Não duvide que, a continuar esse grupo de Andrés, o ingresso mais barato seja vendido a R$50 - sobre isso, confira um excelente levantamento feito pelo amigo Vardema no blog Voz da Fiel. Por outro lado, a se eleger a oposição, o futuro é ainda mais sombrio, pois os membros desse grupo são ratazanas ainda piores que a turminha do areia mijada.
Dessa maneira, Itaquera será o ponto crucial na vida do Corinthians para o próximo século. Aquilo que a Fiel permitir acontecer no estádio será o destino que teremos, incluindo o risco de não conseguirmos mais acompanhar a paixão que nos alimenta. Ouso dizer que cada uma dessas irresponsabilidades citadas anterioremente são testes para ver até onde eles podem abusar, com a cartada final sendo posta à mesa em 2014. O torcedor foi transformado e será tratado como consumidor, e somente aqueles que tiverem dinheiro para adquirir tais bobagens valerão a pena.
Se em 1914, conquistamos nosso primeiro título e com ele nos consolidamos como o maior movimento social de resistência do mundo, cem anos depois viveremos o momento em que haverá a definição sobre a manutenção ou não de um Corinthians do povo, pelo povo e para o povo. Sobre sugestões de intervenção, volto a escrever num outro dia.
Leia mais: sobre a questão da TV Corinthians, no blogue do Paulo Monteiro.
30 setembro 2011
Caminho da roça
Há coisa de duas semanas estive no Parque do Trote, uma quase-fazenda encravada na gloriosa Zona Norte paulistana, para prestigiar mais uma edição do evento Revelando São Paulo. Trata-se de uma iniciativa da secretaria de cultura estadual para promover e manter vivas as tradições do interior paulista que, apesar de seus equívocos eleitorais nos últimos anos, possui grandes tesouros hoje pouco explorados e valorizados. O troço se dispõe num amplo espaço e sua programação inclui milhares de barracas com delícias vindas de inúmeras cidades - por lá, me esbaldei e comi feito um ogro -, além de um palco para apresentações que iam de quadrilhas a festejos religiosos, passando até mesmo por danças indígenas e a inclusão dos bolivianos que são muitos ali pelos lados da Vila Maria.
Meus holofotes, no entanto, disparam ao encerramento do evento, que contou com grupos de jongo e o glorioso Samba de Pirapora do Bom Jesus, este um ritmo que já faz parte de mim. A noite fria do último domingo de inverno foi rapidamente revertida quando a negrada quilombola subiu no palco para levantar a poeira e fazer o povo balançar com os atabaques. A cada ponto cantado, mais gente se aglomerava em volta do batuque, as mulheres rodavam as saias e uma energia inexplicável nos purificava como um banho de cachoeira.
É curioso, para não dizer hilário, ver essa emanação de forças extremamente rurais aflorando em plena capital, onde tais manifestações perdem cada vez mais o sentido por conta da impessoalidade e da alienação que infesta os grandes centros urbanos. Durante um apanhado de minutos, garanto que todos se contagiaram pelos ensinamentos dos pretos velhos, ali representados por uma juventude que não deixa a peteca cair e entende a responsabilidade de fortificar cada vez mais nossas raízes para combater o emburrecimento imposto em ritmo frenético pelas TVs, FMs e jornais.
Vale um longo parêntese: a partir dessa constatação, vislumbrei a trajetória do povo que me dá origem e que me causa cada vez mais asco. Todos ali tinham um elo com o seu passado, retransmitido de geração em geração para que não morresse o trabalho dos antepassados e também a razão de sua própria existência. Pensem, por um momento, o que há de valor na cultura nipônica, principalmente naqueles que vieram ao Brasil. Salva-se a culinária, que também foi revirada e desvirtuada depois que virou moda, e nada mais. Nunca vi, por exemplo, minha avó ensinar ritos a minha irmã ou as minhas primas. Ensinou, no entanto, que as mulheres devem ser submissas a seu marido. Nunca meu avô me fez aprender músicas que marcaram sua vida, mas ele vivia repetindo que eu precisava trabalhar para ganhar dinheiro.
A viagem não pára por aí. Automaticamente, associei toda a falta de valores dos imigrantes japoneses no Brasil aos colonos norte-americanos. São muito parecidos os motivos de suposto orgulho e admiração desses dois povos: a existência de uma tal honra bastante contestável por ser baseada em preconceitos absurdos, a ganância excessiva pela grana e uma postura de superioridade escamoteada. Ao fim de toda essa digressão, quando o último bumbo se calou e a realidade do caos urbano voltava a ser nítida, agradeci por ter sido criado bem longe dessas idiotices todas e, se não tenho negritude no sangue, sou crioulo de alma e coração.
Acho que a cidade de São Paulo não mais comporta uma onda constante de brasilidade a esse nível. Tais manifestações são pontuais e provavelmente ficarão relegadas a meia dúzia de espaços, geralmente bancados pelo poder público por pura obrigação e por iniciativa de outra meia dúzia de quixotescos. É isso ou a revolução.
P.S.: no momento em que escrevo essas palavras, Stevie Wonder faz um show histórico no Rock in Rio, tocando "Garota de Ipanema" e "Você Abusou". Brasil, senhores, um banho de Brasil.
01 setembro 2011
Um novo ciclo e a eterna renovação do amor
Virado o primeiro século de nossa gloriosa e gigantesca história, eis aí toda a família corinthiana - da qual São Jorge e os ancestrais me permitiram fazer parte - renovando novamente sua fé e sua devoção. Como diz o sagrado hino, o Corinthians vive eternamente em nossos corações, palpita no peito daqueles que foram, são e estão por vir. Carregar na alma a utopia do povo e dividí-la com milhões por todo o mundo me faz pequeno diante de tanta honra.
Obrigado, Corinthians, por dar sentido às nossas vidas, ser a força suprema que faz o trabalhador levantar da cama e lutar pelo pão, permitir que sua gente possa sonhar com a felicidade sublime de um gol ou de uma taça. Que eu tenha competência para exercer diariamente o corinthianismo e não deixar de defender as tuas cores e o teu manto nem por um segundo.
Corinthians, aceite esta humilde homenagem, uma sincera declaração de amor que vem lá do último átomo e percorre todas as células do meu já combalido corpo. Saiba sempre que por você eu entrego minha vida, sem vacilar. Peço apenas que guie todos nossos irmãos de causa nesse teu caminho torto, para lembrarmos sempre do porquê de sua existência.
SALVE O CORINTHIANS! PARABÉNS, CORINTHIANS! VIVA O CORINTHIANS!
28 agosto 2011
Nota oficial
Este espaço não mais se manifestará sobre qualquer acontecimento do Sport Club Corinthians Paulista - essa instituição de belíssima e centenária história - com relação ao campeonato em disputa, ao menos enquanto tivermos no comando do bando de vagabundos o senhor adenor leonardo bacchi. Se a mediocridade do referido bunda-mole não havia sido comprovada aos mais desavisados desde o ano passado, e inclua aí Andrés Sanchez, tal condição chegou ao limite nesse jogo contra o arqui-rival de verde.
A falta de alma dos filhos da puta que vestem o sagrado manto é outro fator que faz este que vos escreve ficar descrente de qualquer possibilidade de ver o Corinthians jogar como Corinthians, ainda mais em clássicos. A putaria apresentada em Presidente Prudente/MS é digna de chacina. Violência é pouco contra esses canalhas, que sequer demonstraram interesse em honrar, senão nossa camisa, o polpudo e milionário salário que cai nas respectivas contas sem nenhum atraso.
Urge uma mudança para hoje. Não podemos mais aturar essa diretoria omissa e essa torcida idem. De minha parte, continuarei defendendo o amor pelo Corinthians e a prática diária do corinthianismo, mas me pouparei de tecer qualquer palavra sobre algo que continua tomando gol de escanteio postando os 11 jogadores dentro da área. É primário demais.
Tenho minha consciência limpa e sei que não se trata de abandono ao Todo Poderoso. Isso nada mais é que uma maneira de fazer valer essa alcunha.
PELO CORINTHIANS, COM MUITO AMOR, ATÉ O FIM!
E QUEM NÃO FOR CORINTHIANO...
* Atualização: muitos viram a forma sensacionalista, ignorante e irresponsável da imprensinha abutre para tratar a morte de Douglas Karin Silva, corinthiano encontrado morto no rio Tietê na tarde da última segunda-feira. Ele era do Imperaú, time da digníssima várzea do qual nosso amigo Matheus Antunes também faz parte. Recomendo a leitura do post no respectivo blogue, que trata o caso com serenidade e, acima de tudo, respeito. Que São Jorge receba o Douglas e que a imbecilidade um dia chegue ao fim.
25 agosto 2011
Legalidade: 50 anos
Em 25 de agosto de 1961, o ambíguo presidente Jânio Quadros anunciava à nação que estava deixando o cargo. Dizia ele em seu último bilhete que "forças terríveis" não o deixavam governar, numa quase paródia à carta-testamento deixada por Getúlio Vargas sete anos antes, quando o "pai dos pobres" meteu um balaço no próprio coração, freando o ímpeto militar pelo poder ao inviabilizar qualquer movimentação política que não tivesse amparo do povo. A semelhança das cartas, muitos dizem, não era mera coincidência. Jânio também apostava no populismo, mas obviamente sua renúncia não gerou muito engajamento. Aliás, quase zero. Os indícios apontavam para um só caminho: uma jogada (golpe é muito forte e veio 3 anos depois) para se fortalecer e centralizar de vez todo o poder em suas mãos. Mas chegando em São Paulo após a decisão, não tinha ninguém de pedindo sua volta.
Se a morte de Getúlio segurou os milicos em 1954, a jogada mal ensaiada de Jânio foi tudo que as fardas queriam para começar a mexer seus pauzinhos em direção ao recém-inaugurado Palácio do Planalto. Primeiro porque é preciso recordar o espírito anticomunista se disseminava na América Latina e dos inúmeros golpes de estado bancados pela pátria mãe do imperialismo. Nessa investida norte-americana, as escolas de oficiais todas estavam corrompidas e com a finalidade de produzir combatentes contra a onda vermelha que, por aqui, ganhava força com Fidel Castro e Che Guevara, além da sempre presente - e sempre jogada à clandestinidade - ação do Partido Comunista. Tendo isso em vista, era óbvia a intenção de tomada militar do poder ao dizermos aqui o nome do vice que deveria assumir: João Goulart.
Considerado muito esquerdista para o gosto da média opinião - Jango estava à frente do Ministério do Trabalho no governo eleito de Getúlio que deu 100% de aumento no salário mínimo -, o cargo de presidente estava à espera do homem que, no mesmo dia 25, se encontrava na China socialista em viagem oficial para estreitamento de laços comerciais e diplomáticos. Um terror para a família e os bons costumes! Imediatamente, as tais forças terríveis de Jânio trabalharam, usando principalmente sua base parlamentar e aliados da mídia para impedir o cumprimento da lei. Nesse cenário, destaca-se o golpista-mor da classe média, o jornalista Carlos Lacerda.
No Rio Grande do Sul, governava Leonel de Moura Brizola. E para entender o que foi Brizola, é preciso estudar seu mandato nos pampas. Cito aqui as principais realizações para não me alongar: ele investiu pesado na Educação, promoveu a reforma agrária e obras estruturais para a integração do Rio Grande e estatizou empresas estrangeiras, entre outros feitos. Por isso, era outra ameaça aos olhos dos milicos, obviamente contrariados com essa política de autonomia e de valorização do social. Pois foi esse bravo cidadão de liderança única quem liderou toda a nação na maior mobilização popular brasileira do século XX: o Movimento da Legalidade.
Não é exagero a afirmativa, uma vez que o país entrou num clima de verdadeira guerra civil. Depois de silenciar inúmeras emissoras de rádio e corromper jornais que se prestavam a esse papelão, os milicos não conseguiram chegar ao transmissor da Rádio Guaíba, a única fonte de informação daqueles que defendiam a Constituição. E a guerra citada unia, numa mesma trincheira, pessoas de diversas orientações políticas, além de toda a população em geral. Porto Alegre, contam aqueles que participaram ativamente da resistência, virou a meca de quem lutava por um Brasil melhor.
A força do movimento tornou-se imensurável em poucos dias e rachou inclusive o Exército. Oficiais de baixa patente foram grandes heróis nessa história toda. Há o lendário episódio dos sargentos e soldados da base aérea de Canoas que, ao saberem da ordem de bombardeamento do Palácio do Piratini (sede do governo gaúcho), esvaziaram os pneus de todos os aviões e evitaram uma tragédia de grandes proporções. Pelos quartéis do interior, todos estavam com Brizola e isso forçou o general Machado Lopes, comandante do III Exército, declarar seu apoio ao governador. As adesões vinham, ainda, de todo o país. A UNE transferiu sua sede para o sul, diversas lideranças políticas se deslocaram ao encontro de Brizola e a declaração do mandatário de Goiás Mauro Borges à Legalidade, cercando a capital federal, ferveu os ânimos. O povo brasileiro estava unido e disposto a marchar do Rio Grande do Sul até Brasília para empossar Jango.
Infelizmente, as articulações políticas apaziguadoras (sempre elas) vieram com um parlamentarismo de meia pataca, imposto e aceito por João Goulart, numa decisão que foi o ponto de partida para sua deposição naquele terrível ano de 1964. Mas a figura a se exaltar aqui é a de Leonel Brizola, na minha opinião o maior político do Brasil República. Sua sagacidade, sua integridade e sua coragem motivam até hoje os gaúchos, os únicos neste país que ainda têm noção da representatividade do Movimento da Legalidade. Os desavisados, por outro lado, acusam Brizola de uma conspiração pela cadeira de Jango, o que considero uma visão muito simplista e até ingênua. Vou além: tivéssemos Brizola presidente naqueles tempos, seríamos um país muito diferente.
Claro que uma figura como Brizola não passaria ilesa da ignorância que é o principal fruto do regime militar. Além de exilado, ele teve sua imagem destroçada pública e insistentemente, principalmente pela Rede Globo. Já no Rio de Janeiro, onde também fez dois belíssimos mandatos, é de conhecimento geral e irrestrito a participação da emissora na eleição de 1982, com a fraude na apuração para prejudicá-lo. Histórico também é o direito de resposta obtido por Brizola em pleno Jornal Nacional, lido pela múmia Cid Moreira. A descontrução do mito perdurou até sua morte, em 2004.
Tanto Brizola quanto o Movimento da Legalidade são frações da história brasileira muito mal-tratadas, apesar de explicarem quase todas as cagadas de hoje. Brizola era o contraponto, o pensar e agir diferente. Um líder nato, de carisma incrível e que impunha respeito pela sua retidão e inteligência. Para saber mais, é recomendável ler "1961: Que as Armas não Falem", de Paulo Markun e Duda Hamilton. Deixo vocês com um link para o Hino da Legalidade, de autoria de Paulo Cesar Pereio e Lara de Lemos, além do documentário "Tempos de Luta", que conta um pouco da história do gigante Leonel Brizola.
VIVA BRIZOLA! VIVA A LEGALIDADE!
21 agosto 2011
Um DEDO de prosa
Há certos momentos em que sentimos a necessidade de quebrar um pouco a linha de conduta para que alguma coisa mude, ao menos para nós mesmos. Talvez prevendo outra vergonhosa apresentação do Corinthians em pleno Templo Sagrado, São Jorge mandou um sinal: tire esse nó da garganta e xingue a besta que habita o banco alvinegro até ficar afônico.
Estivemos nessa missão Filipe, Daniel, Thiago (irmão do Daniel) e eu à beira do alambrado da numerada na referida partida. De minha parte, com o único objetivo de infernizar a vida do senhor adenor leonardo bacchi. Escuto patrulheiros bradando "abandonaste o Corinthians!", e a esses digo que não consigo ficar inerte à ineficienciabilidade de tite. Vira e mexe, afirmo que o Corinthians em campo é o reflexo da torcida na arquibancada. O papelão no gramado foi nada mais que a extensão da bunda-molice e do silêncio irritante lá das organizadas, dos quais não fui colaborador. Entre o papelão e o "abandono", que para mim foi "fazer o que está ao meu alcance", fiquei com a segunda opção.
Logo aos dez minutos de partida - e já havia tempo suficiente para a múmia ter posicionado todo o time na área de defesa em um escanteio adversário -, mandamos meia dúzia de palavrões e ironias quanto à opção tática (tática?) de adenor, no que fomos prontamente respondidos com um dedo do meio. Mas não foi assim um dedo do meio com vontade, de gaudério macho (gaudério macho?). Cagalhão como é em tudo na vida, tite tratou de escamotear o insulto atrás do banco de reservas.
Esse dedinho, que durante os 80 minutos de partida subseqüentes foi motivo de sugestão ao próprio cu do treinador, recebi menos como insulto e mais como o cumprimento de nosso objetivo. Berrávamos, tão somente, que ele é burro e incompetente. Somente a verdade causaria tamanha intempestividade na réplica, feita, repito, de maneira covarde e na retranca. Oras, se aquilo dito no alambrado atingiu os nervos de tite, é porque ele mesmo se reconhece na burrice e incompetência.
Temos outras provas da insignificância de tite. Um abutre da rádio Tupi interpelou-me no início do jogo, querendo fazer graça e amizade. Enfiou o microfone na minha cara e pediu: "falae!" Prontamente, respondi: "tio, duas coisas: por que vocês se comportam como abutres e por que vocês não perguntam na coletiva como é que um time coloca onze jogadores na defesa na cobrança de escanteio e ainda toma gol". O carniceiro ignorou sua condição na cadeia animal, mas adorou a sugestão de pauta - registro que tive de repeti-la umas cinco vezes, pois o dito cujo devia ter déficit de atenção -, ainda que provavelmente não a tenha colocado em prática.
Mais ainda. No retorno do intervalo, o preparador de goleiros Mauri passou diante de nós e eu não perdi a chance: "Mauri, assume essa porra e manda o adenor passear!" A gargalhada que veio como resposta demonstrou claramente o nível de respeitabilidade que esse energúmeno dos pampas tem entre os próprios colegas de trabalho. Finalmente, o presidente Andrés Sanchez (FORA!), saindo de sua confortável cadeira coberta, escutou, calou e consentiu o pedido: "ainda dá tempo, Sanchez. Mande esse merda embora e contrate Márcio Bittencourt".
Eis então, caros irmãos corinthianos, a prosa que eu queria levar com vocês. A intenção é induzi-los a uma reflexão mais profunda de nossa realidade. Esqueça a liderança de campeonato tão efêmera quanto enganadora, esqueça os espelhinhos marqueteiros. É chegada a hora de escutarmos nosso coração e, por nós mesmos, aplicarmos o corinthianismo a marteladas (como diz sabiamente o mano Filipe). Se hoje o saldo é de apenas um dedo, amanhã podemos ter de volta o aceno respeitoso àqueles que pagam ingresso e amam o Corinthians.
*P.S.: Um grande parabéns à Estopim da Fiel, que levou sua faixa em homenagem ao Doutor Sócrates. Ao que parece, ele já está se recuperando e em breve estará pronto para mais uma porranca. FORÇA, DOUTOR!
14 agosto 2011
Só para ser didático
Às burras almas que acreditam no mundo de fantasia dessa maldita escola de técnicos gaúchos, temos de ser didáticos para explicar melhor como funcionam algumas coisas no futebol. Trabalharemos apenas com fatos e dados, para ver se todo mundo entende que Tite no Corinthians é sinal de fracasso.
- um time grande que quer ser campeão nesse modorrento campeonato de pontos corridos não pode levar apenas 6 pontos dos últimos 18 disputados;
- um time grande não pode perder pontos, em casa ou fora, para atlético/pr, avaí e ceará, além das marias no Pacaembu e pequena sereia desmantelada no amontoado de laje;
- o Corinthians, liderando o campeonato e jogando no Pacaembu, não pode ficar um tempo inteiro de partida tomando sufoco de um time como o ceará;
- o Corinthians não pode contar com um treinador que não possui nenhuma inteligência para modificar taticamente o time durante o jogo;
- o Corinthians não pode admitir que seu presidente, por pior ou melhor que ele seja, mantenha um treinador como o Tite, o que significará mais um fiasco nessa temporada já tão recheada de derrotas vexatórias;
- só o Corinthians, jogando em casa ou fora, coloca seus 11 jogadores na área durante uma cobrança de escanteio. E ainda toma gol.
Se os orelhudos e esse filho da puta do Andrés Sanchez ainda não entenderam, então é melhor pedirem pra cagar e sair, assim como deve fazer o Tite.
À merda toda essa corja!
AQUI É CORINTHIANS!
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