30 março 2011

Pela Revolução Corinthiana


Na surdina, como tudo o que acontece no
Parque São Jorge há algum tempo, reuniu-se no dia 29 de março o CORI, Conselho de Orientação do Corinthians, para deliberar uma série de proposições ao Estatuto. No entanto, apenas duas delas compuseram a pauta e, pior, nenhuma contemplou melhorias. A que iremos tratar aqui diz respeito a alterações na forma eletiva do Conselho, mas antes de tudo: 1) leiam o Anarcorinthians; 2) estamos no mundo da suposição, pois qualquer mudança depende da aprovação da Assembléia Geral dos sócios.

Como os amigos já devem estar a par da situação por conta da divulgação farta em diversos blogues alvinegros, aproveito que o assunto está pegando fogo para fazer ponderações relacionadas à sugestão apresentada na citada reunião do CORI, entre todas - elas podem ser vistas aqui - a mais anti-democrática e, por que não?,
golpista.

Grosso modo, a idéia capitaneada pelo ex-presidente Waldemar Pires defende a eleição de um blocão. Cada chapa apresentaria 200 nomes e 100 suplentes e a votação é só na chapa. Aquela com mais votos leva todo o Conselho. Analisemos, em princípio, a postura do CORI. Conforme seu próprio nome indica, ele deveria orientar todo corinthiano sobre a indecência que é essa proposta, não sem antes advertir seu propositor. Ao se calar, o órgão transparece ser a favor dessa imbecilidade. Depois, é preciso apontar o dedo em direção ao histórico cappo do Parque São Jorge, há décadas aprontando das suas: Wadih Helu. O agrado, ao que parece, é para ele, e o responsável pela palhaçada tem nome e sobrenome: Antonio Roque Citadini.

Ademais, sempre que o assunto eleição vem à tona, exponho nessa humilde trincheira aquilo que considero importantes paradigmas. Enumero-os:

- extinção do Conselho Vitalício;
- extinção do CORI;
- eleições diretas de fato, para conselheiros e presidente, com a perpetuação desses termos no Estatuto;
- proporcionalidade na relação quantidade de conselheiros/quantidade de associados;
- direito de voto aos associados do Fiel Torcedor;
- campanha de associação maciça ao clube, com redução de preços do título;
- direito de voto a qualquer associado, sem restrição de tempo;
- redução do tempo de associação para candidatura ao conselho;

É preciso retomar a missão histórica do Corinthians de proporcionar a seu povo o exercício da política via participação efetiva na administração de sua única propriedade, que é o próprio Corinthians. Cabe a cada um de nós, caso haja possibilidade real (atualmente, po$$ibilidade), participarmos e plantarmos a semente da Revolução Corinthiana. Chega de entregar nosso patrimônio nas mãos do inimigo.

PELO CORINTHIANS, COM MUITO AMOR, ATÉ O FIM!

ACORDA, FIEL!

28 março 2011

Breves (ou bravas?)


- Depois da proeza de perder em pleno Pacaembu para a minúscula Ponte Preta, o expoente da maldita escola gaúcha de técnicos armou um time sem pé nem cabeça para um clássico. Só não esperávamos que a imbecilidade tática atingisse níveis tão medonhos. Com sua incompetência, esse bosta mordeu o cachorro para dar notícia à assessoria de imprensa e sua saída é urgente.

- Acredito não ser prudente jogar toda a responsabilidade sobre os ombros de Dentinho e, principalmente, Júlio César. Ainda que o primeiro anda firulando mais do que o necessário e o segundo tenha realmente falhado, lembremos que: 1) é a base, é o Terrão; 2) tire ambos do time e teremos algo mais escabroso; 3) no confronto anterior contra o mesmo time sujo, foram eles os responsáveis diretos pela vitória. No mais, admitamos: o Corinthians, no domingo, fez sua pior partida no campeonato.

- A culpa, portanto, é única e exclusiva do tilte.

- Vem Adriano. Tenho as mesmas ressalvas de quando veio a baleia, mas faço algumas ponderações. Primeiro, que ele é um jogador mais decisivo. Segundo, que é um maloqueiro. Terceiro, que não entendo a falta de tolerância com ele, uma vez que as passadas de pano pro gordo eram injustificadas.

- Eu novamente fora da População Economicamente Ativa, mas o tilte continua firme e forte. FORA TITE! MÁRCIO BITTENCOURT JÁ!

- Continuo com a máxima: time que tem história não se prende a penduricalhos.

AQUI É CORINTHIANS!


15 março 2011

Pontos corridos: uma chatice homérica


Depois dos últimos anos provarem A+B que a fórmula de pontos corridos é uma falácia, uma aberração inventada por europeus para justificar seu fraco desempenho, a CBF aprofundou ainda mais a cova do Brasileirão com uma novidade em 2011: clássicos regionais na última rodada. Dois ótimos textos falam sobre o mesmo tema e eu os referencio aqui para enriquecer o debate. O primeiro é o do Barneschi e o segundo do Álvaro, ambos tratando de questões importantes, pautas incontestáveis em qualquer redação minimamente digna, mas que obviamente não serão sugeridas por defenderem os interesses do torcedor de verdade - no caso do Barneschi, ignorem o rio de lágrimas verde :D.

Careço, no entanto, reforçar uma leve discordância de minha parte à essência das citações, ainda que mais tarde a conclusão de todos nós será a mesma. Tanto o Barneschi quanto o Álvaro destacam a influência da realização dos clássicos no chamado período decisivo. Discordo frontalmente, e assim faço pois tal influência inexiste se uma equipe acumular uma boa diferença de pontos a fim de não contar com as últimas rodadas para ser campeão, garantir classificação para torneios secundários ou escapar do rebaixamento.

Digo isso baseado nas lembranças do último triênio, em que os clubes da ponta da tabela demonstraram uma capacidade incrível de entregar a taça na mão dos concorrentes, muito por causa da valorização da incompetência e da falta de comprometimento em campo proporcionada pelos pontos corridos. Ontem mesmo, falava ao rádio um recém-demissionário treinador que a mídia elege como o "especialista em Brasileiros" (o mesmo que, meses atrás, não cumpriu seu dever cívico com a Seleção). Quase bati o carro ao ouvir do sujeito bradar que um dos principais segredos para ser campeão nacional é "ter uma boa zaga"...

Mais do que simplesmente esvaziar os clássicos, os pontos corridos e seus defensores querem transformar o futebol numa chatice homérica, coerente com a postura passiva da bunda no sofá. Independentemente da rodada em que serão confrontadas as rivalidades regionais, há em todas elas o combate ostensivo ao esporte numa esfera mais ampla, ideológica até. De todo modo, o dito aqui e o dito nos links acima não são excludentes; quis apenas ressaltar que a desvalorização de duelos históricos é só mais um elemento do nocivo processo de europeização do esporte. Aliás, o esvaziamento dos clássicos nada mais é que conseqüência da receita de modernização, e não seu instrumento. Notem, portanto, que discordando da essência dos dois textos, todos dizemos em alto e bom som:

Viva o modorrento campeonato brasileiro de pontos corridos.

10 março 2011

Pelo fim da escola de técnicos gaúchos (ou respeitem o Brandão)


Só pelas expressões rebuscadas e que quase sempre dizem nada, o cuzão disfarçado de técnico do
Corinthians não mereceria seu emprego. Mas ele está lá, dando seqüência a algo que outros dois indivíduos da maldita escola de técnicos gaúchos que o antecederam vinham fazendo. Nunca o Coringão repetiu tantas formações táticas covardes como nos últimos três anos, seja com o mano dos empresários, com o zé-lelé ou agora, com o tilte. Cansei de ver a zaga falhando porque íamos desembestados ao ataque, mas nunca por deixar times medíocres do interior dominar as ações em pleno Pacaembu.

Os tempos mudaram - e como mudaram, pois babaquinhas das palmas hipócritas e devotos do marquetim roxemberguiano transformaram o Templo Sagrado num lugar para correio elegante - e agora somos obrigados a aturar uma linhagem que parece tomar conta do futebol brasileiro, há muito tentando se equiparar aos moldes europeus. Como estamos cá, o produto final é uma total falta de organização em campo, fruto da preocupação com números da famosa "produtividade". Porém, já que gostam tantos de números, vamos a eles. Alertava ontem o Filipe, na saída do jogo, que a porcaria campineira sem títulos é um dos maiores fregueses do
Timão. De fato, dos 125 confrontos, vencemos 73 e perdemos apenas 22. Assim, é vergonhoso o medo de emparedar um adversário com esse retrospecto.

Aprofundemos ainda mais a análise: quem tira os dois laterais diante de um oponente excessivamente retrancado não pode saber o que está fazendo. Pior ainda é o sujeito perceber sua cagada e rolar na merda, colocando um bisonho meia-atacante na lateral. Caso tudo isso não seja suficiente para deixar claro o que se quer mostrar aqui, a demissão estaria justificada pela coletiva pós-jogo, uma cereja no bolo em que o pazzo disse estar pensando no Brasileiro e, portanto, antevendo o fracasso nesse Paulistão.

Não podemos mais alimentar essa linhagem de treinadores que trabalham vislumbrando a derrota e consideram a zaga como primeira linha do time. A história do Corinthians não nos permite cautela, receio ou vacilação. Não entrarei nem no mérito da fragilidade do elenco, tampouco cometerei o devaneio de considerar que não se deve fazer marcação forte. No entanto, se é para perder, que seja atacando, e não acuado, como vem acontecendo.

FORA TITE!

CORINTHIANS PARA CORINTHIANOS!

28 fevereiro 2011

Carnaval, combustível de vida


Dizem os chatos, o sem-amigos, que o Carnaval é uma insuportável apologia à banalidade. Carnaval sob qual perspectiva, seus bufões? Os milionários e falseados desfiles, as excludentes orgias burguesas uniformizadas de Salvador ou os bailes de plumas certamente são a referência, e não são Carnaval. Os amargos não suportam ver o banguelo sorrir, o esfomeado deitar no mesmo meio-fio que o classe média e ambos terem suas bocas lambidas pelo mesmo vira-latas que procura afago.

Recorro ao mestre Luiz Antônio Simas para melhor e brilhantemente definir o sentimento que representa o Carnaval. Diz ele: "Sempre fui um vigoroso defensor de uma ideia que não tem lá muitos adeptos e que já apresentei alhures: os maiores foliões são os tristes. O Carnaval, definitivamente, não foi feito para os alegres, os festeiros escancarados, as globelezas, os baianos de ocasião, as polianas desvairadas do sonho bom, os colecionadores de abadás que depois da festa serão usados como uniformes de musculação. O verdadeiro folião - o triste - sabe que a experiência carnavalesca é uma pequena morte. Durante os dias de Momo, a máscara prevalece e todas as inversões sociais são urgentes e necessárias. É quando devemos esquecer o que somos, o que fazemos e, nos casos mais agudos, a quem amamos".

Não sei exatamente se o dito pelo professor foi o que interpretei, porém há, de fato, a necessidade extrema da tristeza do folião. Ela não é patológica, mas sim oriunda do cotidiano, e então temos ainda mais destacada a faceta renovadora da farra. Novamente, voltemos ao início desta digressão textual para lembrar os tais amargos (não confundir a canalhice com a tristeza pautada por Simas) e seus motivos de ojeriza a um bando de fudidos saindo às ruas para celebrar. "Celebrar o quê?", pensam com a bile.

Celebramos, seus otários, a liberdade. Mesmo tristes e levando seguidas cacetadas, enchemo-nos de vida durante 4 dias para conseguir passar pelos outros 361 - e nesse ponto tomo a ousadia de discordar do Simas, que entende o período como uma pequena morte na "quarta-feira de cinzas, quando [o folião] ressuscitará como burocrata, marido, professor ou escriturário, para o longo e medíocre intervalo cotidiano entre um carnaval e outro". Morte, para mim, é ficar restrito à pseudo-felicidade daqueles amargos, que enxergam plenitude no trabalho, no cartão de ponto impecável, na mesquinharia e nas babaquices que tomam conta do meu dia-a-dia. Morro um pouco cada vez que o despertador toca, pois ele diz que eu DEVO acordar em determinado horário para perder 10 horas do meu dia em troca de migalhas.

Que venha logo o próximo sábado, pois estamos com o tanque já na reserva. Este ansioso brasileiro já não agüenta mais pela sua alforria.

24 fevereiro 2011

Ingenuidade, uma arma poderosa


Eis que aconteceu um furdunço entre a classe dirigente futebolística do país. No tiroteio de interesses monopolistas, criou-se um clima de total desvio de foco na negociação dos tais “direitos de transmissão” dos jogos em que muitos viraram mocinhos, apesar de serem todos bandidos. A pauta, mais uma vez, se origina da visão cada vez mais distorcida do torcedor que valoriza a bunda grudada no sofá. Do lado de lá, cartolas, emissoras, imprensa, todos eles sabem o que estão fazendo – e fazem muito bem - para acabar de vez com o pouco de alma que ainda resta nas arquibancadas.

Não iremos ficar aqui explicando do que se trata o assunto, pois até os alienados da bola devem conhecê-lo. Façamos, então, a análise de alguns pontos que saltam aos olhos. Peguemos, em primeiro lugar, o grande totem que muitos ingênuos elegem como a salvação do futebol: a Rede Record. Sim, senhores, a emissora do bispo, aquela que toma dinheiro de gente pobre no dízimo e que transmite horas e horas de pregação numa concessão pública de um Estado laico, se apresentou como concorrente da Vênus platinada em uma disputa que, aos olhos desavisados, parece ser revolucionária. Só parece, porque temos aí a mera troca de mão da chibata.

Quem, por Deus do céu, acredita na boa intenção da emissora da Barra Funda? Quem garante que os horários esdrúxulos (os quais foram oficializados com o veto do generalzinho Kassab ao PL que previa término das partidas até as 23h15) irão acabar? Quem, pelo Santo do Pau Oco, não vê nessa investida crente mais uma movimentação tentacular da fé sobre outra esfera importantíssima do país, assim como é feito na política há algum tempo? Oremos, senhores, pois estamos diante de uma briga entre o Céu e o Inferno, e geralmente o
barbudo e o chifrudo são os únicos que saem numa boa.

Adiante, é necessário frisar a subserviência ainda gigantesca de todos os envolvidos – inclusive da Record – à Rede Globo. Os clubes construíram sua divulgação e até mesmo suas vendas de patrocínio a partir do índice de audiência no canal 5. Parece-me até lógico, haja vista o interesse geral em deixar os estádios às moscas ou repletos de torcedores-modelo. Espertamente, os Marinho passaram a funcionar como um BNDES do futebol brasileiro, adiantando as famosas cotas e instituindo um sistema quase escravocrata. Não seria cegueira demais imaginar que o Clube dos 13 tomaria decisões sem levar isso em consideração? Está mais do que na cara a improbabilidade de qualquer time fechar com a Record, ou porque deve à Globo ou porque deve muito à Globo. Na malandragem, o C13 aproveitou a determinação do CADE em vetar os privilégios de negociação para tentar arrancar uma grana maior usando o bispo na jogada.

E então chegamos ao ponto crucial: o esfacelamento dessa eminência falsa. O C13 é uma bobagem que vinha se sustentando porque garante, apenas e tão somente, certo status a dirigentes decaídos. É também uma modalidade de monopólio do futebol que, se outrora prestou serviço ao esporte, agora está parada no tempo. Não é possível esquecerem que os jogos no meio da semana às 22h é culpa exclusiva do C13 e da CBF, cujas ineficiências ou submissões permitiram a emissora carioca desenhar a tabela dos campeonatos de acordo com suas vontades.

Por essa razão, é louvável que o tampão do Corinthians, ao lado dos presidentes dos 4 grandes do Rio, tenham tomado a iniciativa de cavar a sepultura desse ajuntamento de lordes. Os elogios, porém, ficam por aí, e agora passamos a avaliar apenas o alvinegro. Um dos grandes problemas - entre os muitos - de Sanchez é sua vocação para tomar uma decisão acertada seguida de inúmeras cagadas. Novamente, ao solicitar o desligamento do C13, ele não tinha na manga o próximo passo. Quando, em 1913, promovemos o revolucionário estapeamento da elite ao colocar a várzea no futebol da Liga, as ações foram muito bem programadas, estudadas e discutidas. Quase 100 anos depois, vemos apenas um dirigente jogando fumaça na realidade, deixando de exercer a função social do Sport Club Corinthians Paulista na defesa do seu povo
e enganando trouxa sem sequer mencionar a questão indispensável: ou estatizam as transmissões ou cada clube possui sua própria emissora.

Antes que venham os gritos de “utópico!” por conta da suposta inviabilidade dessas duas propostas, é preciso reforçar que aqui neste espaço eu tento manter a coerência das idéias. E ser coerente é não conseguir aceitar que o futebol tenha seu destino traçado pela televisão. A televisão, ainda mais depois do crescimento gigantesco das novas e mais democráticas mídias, não pode mais ditar as regras. Ao mesmo tempo, clube que depende de dinheiro de transmissão de jogo cospe na própria história até meados dos anos 70, quando a TV não valia um vintém. De maneira que essas sugestões, além de atender os interesses dos torcedores, ainda garantem autonomia administrativa muito maior ao clube e acabam, definitivamente, com o futebol produto.

O mais assustador nesse papo todo é ver gente pensante, inteligente e freqüentadora de estádios caindo no conto de fadas elaborado pela mídia. Uma fábula na qual o Corinthians, notem, é a bruxa má (os times cariocas, de posição similar, são curiosamente poupados), tanto para a imprensa quanto para esses mesmos ingênuos que botam fé na Record ou em qualquer outra emissora. Na fábula, o Corinthians é o “advogado da Globo”, mas se esquecem de terem, os acusadores, defendido a emissora anos a fio. Dizem que é preciso “pensar coletivamente”, mas como trabalhar em conjunto com dirigentes do nível traiçoeiro de um Juvenal Juvêncio? Vou além, e digo que, se são tão nobres os reclamantes, para que precisam do Corinthians nas negociações? Será que não dão conta?

Pessoalmente, sempre me preocupo em avaliar muito a situação antes de esbravejar minhas opiniões. Consulto minha memória, avalio os fatos de acordo com minhas ideologias e, num último recurso, recorro ao inimigo para saber o que ele está dizendo. Fico contente em perceber que invariavelmente estou contra as vozes da verdade, malditos que usam os incautos para acabar com esse já combalido mundo.

21 fevereiro 2011

Pela simplicidade


Está chegando o Carnaval e me ponho a pensar seriamente naquilo que louva a frescura, a máscara da modernidade e as enganações típicas de um mundo sem alma. E o que isso tem a ver com a festa de Momo? Ora, o Carnaval é a hora do revés, é quando o pobre fica rico de alegria e o rico dorme bêbado na sarjeta. É o tempo do mais simples possível, sob a pena de se complicar.

Mentira, falei do Carnaval pois precisava mencionar os exploradores natos conhecidos como patrões. Desvalorizar os quatro dias de folia é nada mais que um ato terrorista dos pulhas, a grande maioria seres dotados de uma tristeza insolúvel: não ter amigos. Em não tendo amigos, presumem que o restante da população brasileira - sempre admirada a partir de uma superioridade garantida tão somente pelo poder econômico - não tem o direito de ser feliz. O imbecil que não dispensa funcionário do batente no Carnaval, portanto, é sinal de que o caminho atual leva às trevas.

Mas há outros exemplos de perdição na fuga do simples. Arthur Favela, figura simbólica da gloriosa e tradicional
Associação Atlética Anhangüera, outro dia veio a público, indignado, noticiar que o campo da referida agremiação do desporto paulistano sofreu uma intervenção assassina: instalaram lá na várzea do Tietê, desrespeitando a raiz do futebol popular, uma merda de gramado sintético. A prática, aliás, é recorrente. Na Vila Maria, zona norte da capital, o terrão que ficava nos fundos da escola de samba local recebeu idêntico tratamento estético.

Aliás, as escolas de samba... É cada dia mais vergonhoso o que vêm se transformando os ensaios nas quadras e barracões. Infestados de ex-BBBs (nessa modernidade toda, ex-alguma coisa virou profissão bem remunerada) e celebridades de todo baixo nível, vai chegar o dia em que não veremos um único preto sambando. Até o ato de sambar ficou meio esquisito. Com as baterias funcionando no 220 e soando tal qual liquidificadores, as passistas sugerem ter pó de mico no cu. Pulam, não passam.

Como também não passa a raiva quando se nota o oportunismo de alguns representantes do poder constituído. Desde os promotores de merda que atuam no futebol até deputados que propõem projetos absurdos, essa escumalha que deveria estar a serviço do povo usa seu cargo de trampolim pessoal. Peguemos os babacas que atendem pelo nome de Luis Yabiku e Vinícius Camarinha, cujos projetos de lei em diferentes esferas congruem na proibição de cigarros e que tais em locais públicos. Além de todas as balelas sobre "melhorias na saúde", uma das principais defesas é a de que a idéia funciona em Nova York. Ora, que se foda essa cidade de merda! Noves fora, o tal Yabiku tem umas influências na Cosan, empresa que degrada o meio ambiente com sua monocultura extensiva e é fornecedora de álcool combustível. Aí eu pergunto o que poluiria mais, um cigarro ou um escapamento de carro?

Nesse conjunto articulado de iniciativas, a palhaçada lentamente se oficializa. Vá a um estádio e tente comer um pernil na porta ou beber uma cerveja. Pergunte ao colega de trabalho desse escritório bacana na Berrini onde tem um PF bem servido para o almoço e note o nariz torcido para a falta de glamour. Tente comprar um camarão na praia. Eu vi o fim e ele é meu vizinho: no último sábado, adolescentes faziam churrasco no prédio ao lado de casa escutando música eletrônica. Pela simplicidade, devemos combater essas práticas desgraçadas, urgentemente.

14 fevereiro 2011

Breves


Senhores, eu tenho muito a falar sobre dois assuntos. O primeiro é com relação ao fardo que sai das costas do Corinthians, cuja oficialização acontece nesta segunda-feira. Resumo o que penso: com os palhaços indo embora, o circo de Andrés Sanchez baixa a lona e a bosta do cavalo começa a aparecer. Obviamente, melhor escreveu e descreveu o que o corinthiano precisa ter em mente nesse momento o Doutor Sócrates, esse nosso guia. O texto vai ali para a coluna esquerda, na seção "Corinthianismo", com o título "O peso da camisa do Corinthians". De chorar!

E o segundo assunto é sobre o que vieram me cobrar sobre o meu partido participar da administração Kassab. Tal acontecimento demanda ainda mais reflexão e tempo, mas já adianto que nada do que escrevi por aqui será limado, tampouco irá cessar. Continuo achando esse cara um merda, mas não cairei no discurso comum de quem vê a política com olhos cândidos.

Depois eu volto...

07 fevereiro 2011

Corinthians em III atos


I - O clássico:

O resultado diante da porcada tem implicações que não podem mascarar nossa realidade, mas também não devem ser ignoradas. Nem esse bando de vagabundo consegue minimizar a alegria de destruir os verdes e mostrar que o Pacaembu é sim a nossa casa. Apesar do rival ter sido maioria esmagadora - é preciso lembrar, porém, que só o Corinthians coloca mais de 30 mil em clássico por lá -, o barulho alvinegro comprovou a máxima "quem manda nessa porra é a torcida do Timão". O risinho da quinta sumiu no domingo e o corinthiano que foi ao Pacaembu dormiu com a sensação de dever cumprido.

Mais: ficou provado, A + B, que não precisamos de ex-jogadores em campo. O nojento, o sujo Gordo e sua claque de imbecis não fazem a menor falta e não voltar nunca mais ao Templo Sagrado. Quem estiver a fim de festa, favor dirigir-se a outros clubes que possuem essa faceta, porque no Timão o futebol deve ser levado a sério.

São dois anos de hegemonia no derby, apesar de tudo e de muitos. Apesar de Tite. Apesar de Andrés. Apesar de Gordo e filhos da puta agregados. Fora com todos eles, AQUI É CORINTHIANS!

II - Os "marginais":

Eis que no sábado a torcida retomou seu papel e foi ao CT tocar o terror necessário para colocar o Corinthians de volta aos eixos. Antes mesmo de qualquer avaliação compromissada com o factual, a imprensa abutre já estampava nas manchetes o serviço dos "vândalos e marginais", com sua "violência desnecessária". Ora, corinthiano, esses carniceiros querem convencer você a não ir ao estádio por puro interesse do patrão, de olho nas vendas de publicidade nas transmissões e no pay-per-view. Querem despolitizar o povo, como fizeram durante todo o regime militar, para depois se transvestir de arautos da moralidade e cobrar consciência e engajamento.

O ápice dessa campanha sórdida, aliás, é o circo de Flávio Prado, esse arremedo de jornalista que, curiosamente, não pisa em estádios há um bom tempo. Seu programa, mesmo visto por quase ninguém, ainda tem certo impacto por trazer reproduzir intensamente o discurso reacionário do dito "torcedor comum" (que, registre-se, abandonou o Corinthians e não foi ao clássico). O grande problema é definir como violência o que deveria ser chamado de mera reação. Violência de verdade é desrespeitar um manto que recebeu litros de suor para se tornar o gigante que é. Violência é tratar o futebol como produto e o elitizar, é usar uma instituição gloriosa para enriquecimento ilícito. Violência é se apropriar indevidamente da paixão de milhões.

Nesse meio tempo, a torcida vem debatendo e levantaram a hipótese de não comparecer ao clássico nem aos demais jogos. A meu ver, faríamos exatamente o que querem os vagabundos. Querem também boicotar produtos de patrocinadores, como se isso fosse afetar contratos cujos interesses são todos, menos o impacto em vendas - duvido que tenha havido qualquer incremento no faturamento das empresas que estampam seu nome na vestimenta do time. Sugeriram até boicotar o Fiel Torcedor, o único direito adquirido pela torcida nessa gestão lamentável. Levando adiante tais sugestões, aí sim estaríamos cometendo a maior das violências, absorvendo a visão mercantilista do esporte, ao mesmo tempo em que exterminaríamos nossa característica de construção contínua do clube a partir do povo das arquibancadas. A bandeira máxima, o nosso norte, precisa ser a ampla participação dentro do Parque São Jorge e, no momento, a única maneira viável para chegarmos lá é forçar via porrada.

III - Morte:

A morte de William Morais para mim foi um baque. Nunca o vi a não ser em campo, defendendo o Coringão, mas a maneira como o troço aconteceu e o período conturbado pelo qual estamos passando deixou as coisas mais tristes. Sem querer me aproveitar da tragédia, é bem sensato afirmar que há alguns assassinos indiretos, desde Mano Menezes até Tite, passando também pela diretoria. Esse moleque era para ser nosso camisa 9 desde o ano passado, mas sua, digamos, incompatibilidade com o banco de negócios que hoje toma conta do clube fez com que ele acabasse emprestado. Todos, todos vocês, crápulas, devem prestar contas à família desse garoto. Daqui de baixo, a família corinthiana pede para São Jorge recebê-lo em boa conta.

CORINTHIANS! CORINTHIANS! CORINTHIANS!

03 fevereiro 2011

Acorde, corinthiano!


Texto indicado pelo mano Filipe.

"ELITIZAÇÃO DO CORINTHIANS

por Wagner da Costa, quinta, 3 de fevereiro de 2011 às 11:09

Há 3 anos para se associar no SCCP no primeiro ano pagava apenas o titulo, hoje em dia paga o titulo e a manutenção, manutenção que custava R$ 50,00 e hoje custa R$ 80,00 sendo que qualquer atividade que faça no clube é pago a parte.

Era permitido a entrada de não sócio para visitar o clube desde que um sócio autorizasse na secretária, hoje e cobrado R$ 50,00 para visitar.

O presidente viu que o Povão estava se associando e esta dificultando a possibilidade do povo se associar, sua mascara caiu. Presidente que só pensa em dinheiro e divida que nunca diminui...
Sem falar nos preços dos ingressos, e um absurdo arquibancada que já ficamos um campeonato paulista inteiro sem entrar no estádio por que estava sendo cobrado R$ 20,00 e hoje esse presidente me coloca R$ 50,00 num jogo de libertadores para fazer a Fiel passar essa vergonha.

Fora Andres!"

Leia mais: Por uma crise corinthiana

A violência voltou


A noite, que começou péssima para mim, comprovou o ditado do "ruim que pode piorar". Ver esse juntado de vagabundos vestindo uma sagrada camisa e protagonizando um vexame indizível é algo que eu, realmente, não precisava testemunhar. Já tivemos derrotas que doeram no fundo da alma. Hoje, o problema é a falta dela...

Em momentos como esse, a razão é a única coisa da qual temos a obrigação de abrir mão. É preciso descer o braço, dar porrada em filho da puta que fez do Corinthians um loteamento de esquemas para enriquecimento ilícito e para a prática despudorada e escancarada do anticorinthianismo. A começar pelo presidente tampão, passando pelo diretor de marketing e chegando na socialite obesa. Todos precisam apanhar, todos!

Domingo, se não bastasse, é dia de derby. A improvável à enésima potência vitória não pode servir como outra maquiagem a um boneco de cera que começa a derreter. O apoio ao Corinthians é defender seu maior patrimônio, ou seja, sua origem popular e de lutas. O Corinthians, como maior movimento social do mundo, não pode ficar à mercê dos parasitas do mercado, da modernidade e das negociatas.

Acorde, corinthiano! Esse modus operandi valoriza exatamente aquele que nunca deveria merecer destaque. A diretoria do bizines quer tratar como rei os aproveitadores, os babacas de camisas coloridas que desprezam a nossa Centenária história e nossos bravos antepassados a troco de oba-oba. Em todas as partidas no Pacaembu, é nossa obrigação tornar a vida dos vagabundos um inferno, até que todos sumam do Parque São Jorge. Se você é um adepto da babaquice, alienação e higienização social, nem chegue perto do estádio.

É chegada a hora de declarar guerra! Temos de varrer o anticorinthianismo de dentro de nossa casa. PELO CORINTHIANS, COM MUITO AMOR, ATÉ O FIM!

27 janeiro 2011

Pensamentos raivosos de uma noite vexatória


- Não adianta xingar jogador que está correndo se temos um vagabundo que não se mexe e só se apresenta para pegar o filé.

- Técnico que num jogo decisivo tira um lateral para colocar outro lateral a 10 minutos do apito final não sabe o que fazer.

- Torcida que leva como lema Lealdade, Humildade e Procedimento não tem o direito de passar pano para jogador vagabundo. Aliás, eu disse tempos atrás também que receber presidente do clube na quadra da torcida é, no mínimo, conflito de interesses.

- Torcida tem que torcer, e não ficar jogando sua história no lixo em prol do Carnaval e entregando seu patrimônio a nós sabemos quem.

- Apoiar os 90 minutos é o caralho. Chega de gastar gogó com vagabundo. Faz-se necessário criar um clima de medo para separarmos o joio do trigo. Quem não agüentar, pode sair fora.

- Enquanto tivermos como público gente que pretere um ídolo que ganhou o primeiro Brasileirão do Corinthians a uma baleia que descompromissada, os problemas tendem a aumentar. Por muito menos, jogadores que fizeram muito mais foram escorraçados do Parque São Jorge.

- É preciso reverter o clima quanto à direção do clube. Enquanto a grande maioria comprar a falsa idéia de que a administração do tampão é ótima, ele terá carta branca para continuar com seus esquemas e seu marketing anticorinthiano.

- Falando em marketing, cadê você que não vive de títulos e não pagou 300 conto para ver o Corinthians?

- Também é preciso formar desde já uma oposição de fato dentro do Conselho. Depois de ontem, eu quero que se foda: vou me endividar para comprar a porra do título ainda nesse fim de semana.

- A apatia do time em campo é muito o reflexo da inação da torcida.

- Vagabundo tem que tomar tapa na orelha para aprender. Tem de haver pressão, senão não é Corinthians.

- Ainda assim, depois da noite de ontem, tem filho da puta descompromissado que consegue dormir bem, dizendo "ah, é só futebol". À merda todos vocês!

PELO CORINTHIANS, COM MUITO AMOR, ATÉ O FIM!

25 janeiro 2011

Por uma crise corinthiana


O Corinthians precisa de uma crise. Pode até ser incoerente ler isso por aqui, mas a crise que devemos propor não é daquele tipo que a abutraiada insiste em inventar no Parque São Jorge. De tempos em tempos, organizações sociais se vêem diante de uma encruzilhada e somente um ambiente em ebulição é capaz mostrar o rumo certo na trajetória. Mais ainda: tradicionalmente, o Coringão sempre fez das suas insurreições internas um poderoso instrumento para manter sua essência e sua história intacta. Portanto, nada mais justificável que essa movimentação parta legitimamente do povo e para o povo.

Há tempos o Corinthians vem se desfigurando. Essa massa ignóbil, hoje em dia tão presente nos estádios por conta da modernização e da elitização promovida pelo marquetim roxembergueano, valoriza mais um ex-jogador socialite que o próprio clube. Clamam por contratações de europeus, acham o máximo pedir um jogador que disse gostar muito de nos vencer – ainda que nunca tenha feito isso. Ao mesmo tempo, desrespeitam nosso Manto Sagrado apoiando cores esdrúxulas e desfigurações dos modelos tradicionais. E quem somos contra tudo isso somos chamados de ultrapassados e intolerantes.

Por conta disso, precisamos reorganizar a torcida. É fato que os Gaviões da Fiel, outrora grande articuladora de toda e qualquer mobilização das arquibancadas, desde a década de 90 passa por uma despolitização e uma falta de compromisso que fariam seus fundadores se envergonhar e se decepcionar profundamente. Urge iniciar um processo de conscientização para que a Fiel retome o papel que sempre teve, de dar rumo à instituição. É preciso dizer que o foco dos Gaviões não é o Carnaval e suas atividades interligadas – e eu sempre ressalto que sou contra essa faceta, porque acaba com a torcida e com o samba.

Diante dessa realidade, não é exagero afirmar que a oposição ao areia mijada inexiste. Aquele banner no menu esquerdo pedindo o “Fora Sanchez” é um grito no deserto. Mas o cara, reconheçamos, é esperto. Calou todo mundo colocando gente em seu nocivo esquema ou fazendo pequenos favores para ganhar tempo e conseguir perpetuar o trabalho de seus mentores, devastando o patrimônio físico e moral do Corinthians.

Ressalto a publicação dessas palavras antes do jogo contra o Tolima. Segundo consta – e não compartilho essa opinião -, é o jogo do ano. Justamente para não soar oportunista diante de uma tragédia que se mostra iminente na quarta-feira, clamo por um clima bélico no Pacaembu, qualquer que seja o resultado. Ao ouvir palminhas hipócritas, xingue e ameace o babaca autor desse despautério (no caso de insistência, desça a mão no sujeito). Ao ver um cretino de camisa roxa, ordene a retirada do troço. No intervalo e no fim do jogo, grite contra o preço absurdo dos ingressos e incentive o linchamento da diretoria. Aproveite para ameaçar todos os vagabundos que certamente não irão se esforçar. Ainda que seja inacessível a muitos, associe-se ao clube (essa é minha meta para daqui dois meses) para fazer barulho lá dentro. Caso contrário, estaremos diante de uma ameaça muito maior que uma mera eliminação no torneio.

ACORDA, FIEL!


20 janeiro 2011

A ridícula pretensão de um indizível mijo de rato


Meses atrás, a minha cerveja de estimação embarcou numa de trocar a cor de sua lata. Levada a cabo por uma campanha de marketing que no fim das contas teve bons resultados, a Brahma deixou de lado a mesmice das latas alviprateadas e investiu no vermelho. Defensor de causas que sou, ignorei solenemente minha própria desconfiança e desfiei inúmeras justificativas - algumas injustificáveis - para convencer os outros dos benefícios que a mudança traria.

No supermercado, por exemplo, ficou muito mais fácil de distinguir a Brahma nossa de cada dia
à distância (a Antarctica, minha número 2 na preferência, foi pioneira nisso ao se smurfetizar). Na campanha eleitoral, o mote #ondavermelha que extirpou a demo-tucanalhada e elegeu a presidenta Dilma serviu de desculpa para arregimentar partidários à nova lata. Para quem foge das blitzes da lei seca, dá para dirigir tranqüilamente com uma gelada na mão e outra no volante porque os gambés e os cagüetas vão achar que é coca-cola.

Argumentos pessoais à parte, a prova maior do sucesso de alguma coisa aparece quando ela é copiada descaradamente pelos concorrentes. Dias desses, vi dois caboclos com vermelhinhas na mão e logo pensei como seria boa idéia ir até a padaria comprar meia dúzia. Qual não foi meu pavor ao olhar mais atentamente e perceber que a cerveja em questão era a nojenta Itaipava.

Citei essa bosta e preciso fazer a necessária digressão. Tal mijo de rato apareceu cheio de pompa nas propagandas, se vendendo mentirosamente como um produto refinado da Cervejaria Petrópolis. Ganhou popularidade porque atingiu em cheio os anseios dos beberrões amadores, nojentos tal qual o produto que sorvem e tão facilmente reconhecíveis em eventos nos quais as bebidas são rateadas entre os presentes. Percebam: eu levo Brahma porque bebo Brahma e, suponho, todos no planeta bebem Brahma. No afã de economizar alguns centavos e pagar de moderno, esses oportunistas aparecem com um - sim, geralmente eles levam só um - fardo de Itaipava. Na hora em que o bicho pega, porém, lá está a minha Brahma descendo na goela nos desgraçados...

Sim, eu sei que a Brahma é artigo da Ambev, que a Ambev piorou consideravelmente a qualidade de suas cervejas e que os donos de bares, principalmente os pequenos grandes bares, comem o pão que o diabo amassou com o fornecimento nada digno da multinacional. Mas, oras, Brahma é Brahma e eu vou brigar do mesmo jeito que o Zeca Pagodinho brigou para ter uma caixa delas na gravação do comercial da Schincariol, este outro lixo que habita certos gogós desavisados.

Certamente, maior que a indignação com o monopólio da Ambev deveria ser a ojeriza à blasfêmia da Itaipava de tentar se equiparar a uma instituição etílica. Seria o mesmo que colocar a camisa do Corinthians no s4n7os: o time médio da baixada nunca vai ser grande. Pintar a lata da Itaipava, portanto, não traz automaticamente o carisma popular e o sabor da Brahma que, vale lembrar, tem sua origem glorificada pelo abolicionista dizer "desde 1888" estampado no logotipo. É preciso, no mínimo, respeito. Porra!

08 janeiro 2011

Mais um sonho do povo


O Corinthians é a utopia concretizada do povo. Fruto de uma conjunção de fatores racionalmente improvável, nosso Todo-Poderoso se tornou gigante e Centenário enfrentando provações diárias. Sua gente não podia ser diferente e agrega esses valores ao cotidiano como nenhum outro torcedor. Puxa daqui, arranca de lá, e o corinthiano resiste, contra tudo e contra todos, alimentando sua alma com o mesmo sonho que tiveram os ancestrais reunidos na famosa esquina do Bom Retiro, formada pelas ruas José Paulino e Cônego Martins.

Sonharam também Filipe Gonçalves, Fernando Wanner e Luiz Wanner, devaneio que acompanhei de perto, mais precisamente da arquibancada. Um sonho de comprometimento, de crença numa força inexplicável que brota da lendária biquinha, de legítimos filhos de São Jorge. Belíssimo como uma jogada de Luizinho, um lance magistral de Cláudio, um passe de calcanhar do Doutor, uma falta de Neto, uma redenção de Basílio, uma defesa de Ronaldo, um carrinho de Idário. E, acima de tudo, corinthianíssimo como cada batida do coração de Neco.


Eis que esses Três Mosqueteiros lançam na próxima segunda, dia 10, no Bar da Torre do Parque São Jorge, o livro "Aleguá-guá Corinthians", novela ilustrada feita em prol da disseminação irrestrita do corinthianismo. Contando com o traço certeiro e cheio de vida de Fernando, o texto emocionado de Luiz e a pesquisa histórica do Filipe - nosso sucessor de Toninho de Almeida e Lourenço Diaféria -, "Aleguá-guá" é uma jóia rara na bibliografia do Timão.

VIVA O CORINTHIANS!

Lançamento "Aleguá-guá Corinthians"
Local: Bar da Torre, Parque São Jorge
Data: 10 de janeiro, às 20h
Preço da obra: R$10




06 janeiro 2011

Vence a mesquinharia


São Paulo vai perder no próximo mês uma das poucas salas de cinema que eu freqüentava.
Falo do Belas Artes, na Consolação, que cerra as portas em 2011. Apesar de não ser um assíduo das telonas, quando me arriscava a encarar um filme fora de casa era para lá que eu sempre pensava em ir. Não por que ele contava com modernices desnecessárias de som cheio de nove horas, 3D e outras firulas que só servem para encarecer os ingressos, mas sim por ser aquele estabelecimento um dos poucos a vender cerveja, não estar enfurnado dentro de um maldito shopping center e ser localizado numa região de fácil acesso por metrô e com vários bares - esse último quesito, aliás, é importantíssimo para quem gosta de dividir as impressões do que viu logo após o letreiro final.

Mencionei o preço e ressalto que, para mim, seria muito mais conveniente ir ao Unibanco da Rua Augusta que, além de ter as mesmas características do Belas Artes, me permite pagar meia-entrada por minha condição de correntista do Itaú. O problema está nos filmes que passam lá, a maioria chatíssimos, e principalmente na disposição das poltronas. O Unibanco é praticamente um Morumbi das salas de exibição, tamanho o número de pontos cegos.

Voltando ao Belas Artes, diz a apuração da Falha de S.Paulo (vamos fazer um esforço para confiar) que o imóvel foi requisitado pelo proprietário porque "Perderam o prazo... Não tenho nada a declarar". Segundo consta, o mesquinho que atende pelo nome de Flávio Maluf preferiu assassinar um lugar histórico na capital paulista a estender o prazo dado ao administrador do cinema para que ele buscasse patrocínios e viabilizasse o funcionamento das salas.

Repito: não sou um cinéfilo e meu gosto para o troço é de qualidade duvidosa. Aprecio certas bobagens para as quais muita gente torce o nariz, como as quadras de "Máquina Mortífera" e "Duro de Matar", além da pérolas "Férias do Barulho", "Quanto mais idiota melhor" e que tais. Essa falta de recurso intelectual a respeito do assunto me força a enxergar o fato a partir daquilo que eu valorizo, o que me faz lamentar ainda mais o fechamento do Belas Artes. Existe ali um certo ar comunitário, uma certa intimidade entre casa e espectador. Penso na família dos funcionários que serão demitidos por conta do pensamento umbiguista de um paulistano típico. Penso também na loja de CDs e DVDs raros que tanto me causou rombos no orçamento. Penso que certas coisas deveriam ser assumidas pelas administrações públicas por seu significado histórico e cultural.

Mas nesses tempos, o que eu venho pensando não anda valendo quase nada...

Sorria, São Paulo.

23 dezembro 2010

Esse feijão tá cheiroso


"Mãe eu lembro tanto a nossa casa
As coisas que falou quando eu saí
"

Coisa de um ano atrás, foram embora de maneira brusca e num curto intervalo duas das pessoas mais importantes, minha tia e meu avô, ambos fontes abundantes e perenes daqueles ensinamentos que a gente guarda no compartimento do caráter.

Meu avô, Teruo, veio ao Brasil no começo do século, deixando sua terra por conta de uma política governamental japonesa que não assistia famílias com certo número de filhos. Salvando seus irmãos da miséria, o velho tomou um navio e despencou por essas bandas para trabalhar na lavoura. Chegando com uma mão na frente e outra atrás, fincou seus alicerces de mansinho e à base de muito suor. Recebeu dos brasileiros um nome que resume bem sua trajetória, e nas feiras onde batia ponto todo santo dia era chamado de Jorge.

Teruo - ou Jorge - teve minha mãe, meu tio e a Terezinha, assim, no diminutivo. Dizia o velho tratar-se de homenagem a uma professora que ajudou muito a família. Minha tia, apesar do inha no nome, era uma gigante. Dos três irmãos, foi a que mais se deu bem na vida, em todos os aspectos. Não casou, não teve filhos e, ainda que tenha se dedicado a cuidar dos pais desde que sobrou na casa dos velhos, não partiu passando vontade e conseguiu tempo para ser a segunda figura materna de todos os cinco sobrinhos.

Outro dia, numa dessas lembranças que a morte impõe, me dei conta de um dos meus elos com os dois: o feijão inimaginável que só eles sabiam fazer. O troço tinha um caldo espesso, quase caramelizado, e a sustância era corroborada pelos nacos de bacon e calabresa que boiavam junto da turma de grãos tipo carioquinha, sempre macios. Nunca (e não é exagero) comi algo que chegasse aos pés daquele feijão.

Pode parecer injusto para caralho que a receita desse divino rango esteja enterrada naquela cova pouco merecedora dos três. Mas percebi que, mesmo a sete palmos do chão, o cheiro do feijão segue adiante, porque o importante é manter a boa essência daquilo que ficou para trás dentro do nosso peito. Eis um bom balanço para o ano que acaba.

Até 2011.

16 dezembro 2010

Quanto riso, ó, quanta alegria!


No dia 16 de dezembro de 1990, a Nação Alvinegra fazia uma das maiores festas de sua centenária história. Levantávamos, pela primeira vez, a taça de Campeão Brasileiro, dando uma noção mais concreta àquilo que queria dizer Toquinho em "ser corinthiano é ser também um pouco mais brasileiro".

A campanha toda, e principalmente a fase eliminatória, foi um Deus-nos-acuda jamais visto. Passamos pelos adversários na marra, contando com a raça de um elenco de trabalhadores e um gênio, além da força da Fiel Torcida. Força tão memorável, aliás, que no jogo contra o atlético/mg - diz a lenda - havia tanta gente na Praça Charles Miller quanto dentro do Pacaembu. E naquela época, 60 mil no Templo Sagrado cabia fácil.

Obrigado a todos os guerreiros que deram essa alegria ao Time do Povo! Obrigado especial aos meus ídolos Neto, Ronaldo, Tupãnzinho, Wilson Mano e Márcio. Vocês não têm a mínima noção do que significam para cada corinthiano espalhado por esse mundo. Obrigado, São Jorge!

VIVA O CORINTHIANS!


14 dezembro 2010

Alguma coisa só pode estar errada...


** Atualização: o problema descrito abaixo foi solucionado hoje, 15 de dezembro. Perguntas que ficam: por que mexeram nisso? E se eu ou mais gente que percebeu não gritasse?

Post em forma de desabafo, pois algumas coisas que acontecem simplesmente não podem passar em branco. Apareceu no Twitter uma mensagem do Fiel Torcedor, esquema de aquisição de ingressos do
Corinthians pela internet, dizendo que seria anunciada para breve a venda referente à Libertadores 2011. A fim de conferir se estava tudo certo com meu cadastro, resolvi entrar no meu perfil, associado que sou desde 2008. Um ano em que, vale sempre lembrar, a Fiel Torcida viveu seu pior martírio e que todos estávamos lá cumprindo nossa obrigação e pagando pela filhadaputice de um certo senhor.

Pois bem. Desde então, somava no meu histórico de compras 72 ingressos. A importância disso? Enorme! Primeiro que isso me dá uma legitimidade absurda para fazer todas as críticas que faço neste blogue contra os sujos que habitam as salas ar-condicionadas do
Parque São Jorge. Segundo que, provavelmente, esse rankeamento me permitiria uma merecida situação privilegiada na aquisição de ingressos para o já citado e concorrido torneio sul-americano (isso, ao menos, foi o procedimento na edição 2010).

Qual não foi minha surpresa ao entrar no site do FT e ver que boa dúzia daquelas 72 partidas havia sumido. Perguntei a amigos, também associados, e o problema era padrão. O raciocínio, ao menos para mim, foi óbvio: deram uma manipulada marota na contagem de quem tinha muitos jogos para beneficiar os aproveitadores, os batedores de palmas hipócritas que abandonam o
Timão e não cumprem seu papel de cidadão corinthiano. O problema foi que eu vi e aí #xingueimuitonotwitter, aqui e aqui.

O melhor, no entanto, vem agora. O perfil do FT me responde prontamente – perdoem os erros grosseiros de português:

@craudio99 Obrigado Pela Preferência. / O Twitter é um meio de comunicação e não duvidas. Tiramos as dúvidas com Prazer e ainda temos que ver cada coisa.

Eu, que trabalho com esse negócio de vendas online há um tempo considerável para saber o que são boas práticas de relacionamento, não tive outra reação senão ficar chocado e indignado. Bate-boca daqui e dali, eis que o tal perfil me sugere enviar um e-mail para “solução do problema”. Caso você não tenha ficado pasmo até agora, o diálogo por e-mail que segue é um tranco no peito (de novo, ignore o assassinato da língua):

Eu - Referente às críticas no twitter. Verificar histórico. matricula xxxxxx. Há outros amigos meus com o mesmo problema.

FT - Caro amigo, o Twitter apenas para comunicados. Estamos ajudando a todos por apoiar todos os torcedor. Irei verificar para você ok? Abraços

Eu - Perfeito, e eu comuniquei aos meus amigos do problema que estava acontecendo. Só acho que algo como isso - http://twitter.com/fieltorcedor_10/status/14679464017395712 - não é maneira de se tratar nenhum caso. Agradeço o atendimento e peço que estendam a todos os associados, porque o problema não é só comigo.

FT - Caro amigo, o twitter é apenas para comunicados para deixar todos informados. Você também causou uma crise de problemas e socios falando critica direta. Não foi Correto também... Estamos vendo o seu problema Grato

Eu - Como é que é? Quer dizer que eu não posso criticar? É censura??? Vocês só podem estar de brincadeira...

FT - Não amigo. Claro que pode,moramos em um Pais Democratico. Mais criticas CONSTRUTIVAS. LEMBRANDO QUE O FIELTORCEDOR É DEPENDENTE DO CORINTHIANS. GRATO

É nas mãos dessa gente que está
o glorioso, o Centenário, o Gigantesco Sport Club Corinthians Paulista. É essa a “marca valiosa”. São esses os profissionais gabaritados escolhidos por aquele diretor de marketing que só sabe fazer camisetinhas babacas. E isso tudo é qualquer coisa, menos Corinthians.

ACORDA, FIEL!