02 junho 2009

Eu sou a voz da verdade


O tema desse post nem é novidade, e o Blog do Sakamoto tratou dele com muita propriedade na semana passada. O jornalista discorre sobre a repetição de fontes para certos assuntos, o que faz com que elas assumam, inadequadamente, um posto de sumidade. O problema ocorre, geralmente, por conta da preguiça de jornalistas em pesquisar sobre aquilo que estão escrevendo. Vale realmente a pena ler o post do Sakamoto.

Aqui, manteremos o foco sobre a fonte-mor do esporte brasileiro. Com exceção ao Milton Neves, dez entre dez documentários, reportagens, posts ou até filmes se vêem na obrigação de citar Juca Kfouri. 99% dos livros sobre futebol têm orelha ou prefácio assinados pelo arquivista e pseudo-jornalista. E sempre há ali a reprodução de um discurso nocivo, porque politicamente correto e cheio de moralismos, isso quando não nos deparamos com um texto lotado de erros gramaticais.

Não acredito que seja maldade a obsessão por meia dúzia de palavras do Juquinha. Notem, por exemplo, que a jóia rara Boleiros, talvez o melhor filme sobre já produzido sobre a redonda, eleva JK como alguém que sabe "onde colocar os pingos nos is, as vírgulas, os veja bem, os entretantos". A realidade, pelo contrário, é dura, pois todos conhecemos a escrita pobre e semi-árida de Juquinha, baseada no "estilo" de frases curtas e sem nexo copiado por muita gente, principalmente pelo defensor da família brasileira que tem dois CPFs.

Caras como Juca Kfouri transformam-se em totens sem nenhum mérito e são fruto da maçante repetição. É um tipinho que cresce às custas do trabalho alheio e fica próximo de gente importante para, tal qual um corvo em ombro moribundo, destilar venenos. Juquinha ser o Disk Futebol nada mais é do que o retrato fiel da degradação de toda imprensa esportiva. Pior ainda, ele consegue enganar pessoas do naipe de Mino Carta, Ugo Giorgetti e Sócrates, além de angariar uma porrada de moleques que já nascem escutando que o melhor a fazer é escutar o Juca Kfouri.

Afinal, ele é a voz da verdade.

4 comentários:

Rafael Evangelista disse...

Cara, acho que isso acontece porque (e não quero ser leviano como eles, então ênfase no "acho") ele me parece controlar uma rede de favores e amabilidades no melhor estilo coronelista. Aquela coisa do "fale bem de mim que um dia escrevo um prefácio para você". Outros jornalistas esportivos de vulto também fazem isso, mas JK faz isso com maestria, levando ao círcula da intelectualidade (aquela que, na verdade, não gosta de futebol; gosta só como instrumento de aproximação com o "povão")

Claudio Yida Jr disse...

Sim, também tem isso e eu esqueci de citar essa rede mafiosa do Juquinha. Bela lembrança!

Filipe disse...

Bom, muito bom. É preciso fazer entender o que é esse sujeito.

Chega de juquinha.

Calabres- sempre em desconstrução disse...

Cláudio,
Não tenho ainda o prazer de conhecê-lo, obrigado pela citação e parabéns pela sensibilidade.

Milton Neves,
Jornalista profissional diplomado e publicitário.