19 novembro 2019

Tudo bem



"And when the cupboard's bare
I'll still find something there with my love
It's understood
It's everywhere with my love
And my love does it good


(...)


Don't ever ask me why
I never say goodbye to my love
It's understood
It's everywhere with my love
And my love does it good"

Porque você anda meio cabisbaixa, e não dá pra culpar, achei que é preciso apenas lembrar. Lembrar de que você é aquela que faz um bem danado, que tira "do nada um império pra me dar". Você acha ali, no cantinho, uma faísca pra gente fazer fogueira e transformar numa bobagem que só nós iremos achar graça. Juntinhos. Porque você faz tudo bem.

Assim, quando bater aquela sensação de que nada está dando certo, que as coisas só desanimam, lembre que talvez seja isso o que a canalha quer. E se lembre de que você faz tudo bem; aliás, tudo ótimo. Inclusive pra mim, um sujeito chato com tudo.

Não baixe a guarda, nunca esqueça daquilo que você é. Gigante, linda, emocionante e instigante. Você faz tudo bem.

Amo a nega!



29 maio 2019

14!


"Contigo no escuro sem saber ao certo
Acertei meu futuro que passava por perto
Na madrugada a brisa mais forte
A cidade calada só eu e você trombando com a sorte

Num hotel sem conceito, rolando na cama
Sem nenhum preconceito a gente se ama
Bebendo um scotch falso e sem gelo
Mostrando pro mundo que amor vagabundo também tem seu apelo

E foi assim
Aconteceu
Numa balada você e eu
Fiquei feliz com esse presente
Que a vida me deu

Um tempo depois sem se encontrar
Eu vejo nós dois no mesmo lugar
Será coincidência ou o nosso desejo
Deixando a imprudência na sua indecência
Sonhar com outro beijo

Em vez do hotel, te levo pra casa
Do inferno pro céu voando sem asa
Tomando um bom vinho em frente à lareira
A gente se entrega e tão de repente é pra vida inteira"


Tirando o scotch e o bom vinho essa música é perfeita, né? E assim, com 14 anos desse amor vagabundo, a gente continua descobrindo e redescobrindo as frestinhas de alegrias, fanfarronices e paixão. É sempre igual aquele estalo que deu desde a primeira roçadinha de mão.

Continuamos cambaleando nessa vida que está cada vez mais torta, mas sempre escorando um no outro, no nosso malabarismo que parece uma dança de rua, um desfile de escola de samba (sem coreografia). Há quem veja dificuldade, a gente vê oportunidade pra tirar um sarro, tomar um trago e te dar um beijo.

Amo teu sorriso, amo teu olhar, amo te fitar. Vou te carregar sempre, até arrastada pela blusa, se for preciso. Te cuidar é a melhor parte do meu dia.

Viva nóis! Amo um tanto!


19 novembro 2018

Me carrega nesse estradão


Viajando
Em grandes alturas
Uma nuvem
Traz você a mim
Chegando
Em lugar distante
No primeiro instante
Fica logo assim
Assim, assim
Com saudades
Me lembrando
Vou sempre amando você
Me lembrando, me lembrando
Vou sempre amando você
Você, você
Lhe beijo
Onde amor eu faço
Lhe vejo
No primeiro olhar
Lhe abraço
Em qualquer abraço
Lhe sinto
Em tudo que há
Que há, que há
Eu vou
Me lembrando, me lembrando
Vou sempre amando você
Me lembrando, me lembrando
Vou sempre amando você


Minha nega, você chegou nos 4.1, motor bom do Opalão seis caneco, aquele nosso preferido. Você me é tudo de preferido, cada vez mais me levando a lugares incríveis que eu jamais imaginei. E, mais que nunca, às vezes sem precisar sair da nossa preguicinha do domingo porque a gente já está cansado.


Me esbaldo e esbanjo passear você toda, me viro para sempre te alcançar. Vou fazer isso até quando você deixar. Já são várias jornadas e eu quero sempre mais. 


Apesar do mundo parecer estar ficando cada vez mais difícil e pior, apesar dos sinais desfavoráveis, vem junto que a gente muda o rumo dessa prosa. A conquista ao teu lado é uma delícia.


Sempre falo e sempre vou falar: estou aqui, bem do teu ladinho, pra tudo que você precisar. Amo um tanto e esse tanto só aumenta.


Viva o dia da neguinha!!! 


Viva a minha EVINHA!!!!


AMO-TE!



29 maio 2018

13!



Compreender o riso e a dor,
caminhando lado a lado,
ser amigo, irmanado,
ser fuzil e ser a flor.
Seja lá aonde for,
não perde tua razão,
derrama teu coração,
o amor não é egoísta.
O amor é Socialista,
ele faz revolução.

(...)
Abraça a pessoa amada,
faz da luta companheira,
o amor não tem fronteiras,
é bandeira desfraldada.
Preconceito está com nada,
o amor é construção,
respeita toda a opção,
o amor não é egoísta.
O amor é Socialista,
ele faz revolução.


Preta minha, chegamos aos 13 nesse ano tão de luta e tão cheio de incertezas sobre o que vai ser do que nos rodeia. Mas apesar do reveses da porta para fora, o nosso 13 foi gigantesco quando se trata de nós dois. Se não há fartura na conta, se não há tudo aquilo que aquela gente babaca quer nos impor como "sucesso", há essa admiração e amor cada vez mais forte. Uma parceria revigorante tal qual a sua gargalhada.

Tomamos bomba juntos. Rimos e choramos juntos. Socializamos vitórias e derrotas. E, para suportarmos tudo isso, bebemos e comemos - é o que nos resta, minha nega. Foi neste 13 que você virou 13. Viva a luta, viva a luta! Acho que nos últimos tempos, ela nos juntou ainda mais.

Aqui, aproveito para falar sempre e para sempre: AMO VOCÊ! E QUERO VOCÊ! Se fosse por mim, apenas, estaria dando de ombros. Eu boto a cara mesmo é por você, já que é inadmissível ver você sofrer qualquer dor que seja.

Estou sempre aqui. Amo!


19 novembro 2017

Simplesmente




"Well this is just a simple song
To say what you done
I told you about all those fears
And away they did run
When you sure must be strong
You feel like an ocean
Being warmed by the sun"






A quem me deu motivos para sorrir, acreditar e lutar. A quem me mostra a esperança e me encoraja. A quem me desafia e aceita todas as minhas implicâncias.

Você não sabe o que é, você não tem idéia do que faz no mundo e de como você preenche de vida o seu redor. É muito além do que passa pela cabeça. Quantas vezes eu só paro e olho: caralho, que mina foda! - você nem percebe. 

Eis que mais um ciclo se completa, mais um marco se expressa. E você, nessa imensidão, vai ficar mais foda ainda. Poderia passar o dia falando o quanto te amo, mas eu prefiro ser simples. Então, hoje eu vou só te admirar. Ver esse acontecimento de Eva passando diante dos meus olhos, e eu todo orgulhoso.

Orgulhoso por estar contigo, debaixo do teu franzido de sobrancelha e sua enxurrada de carinho. Me leve onde quiser, eu sou simplesmente teu.

Amo um monte, Evinha!


P.S.: o vídeo não tem nada a ver, especialmente com a música, mas tem tudo a ver, especialmente pela data, pela fanfarronice e talvez para tirar todas as coisas que passam pela nossa cabeça.



29 maio 2017

12!


"Amo-te tanto, meu amor... não cante
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.

Amo-te afim, de um calmo amor prestante
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.

Amo-te como um bicho, simplesmente
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.

E de te amar assim, muito e amiúde
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude."


Eu tentei não pensar no relógio só para te surpreender. Aí lembrei que os sonetos, alexandrinos os danadinhos, têm 12 sílabas e muitos falam de amor. E para falar de amor, o velho poeta é melhor que eu.

Mas eu, ao contrário dele, não vaguei. Ao menos divaguei. Foquei, parei e fitei. Um amor para tanto tempo e por mais tempo que ainda espero.

Cada sílaba de sentimentos profundos para cada suspiro que eu lhe devo ao te admirar. Como mulher, como amante, como amiga, como parceira e como guardiã de sabedoria. A mim, não resta nada a não ser testemunha de algo tão gigantesco e que é meu. 

Te espero sempre. Te busco sempre. Te quero sempre como o ponteiro volta ao primeiro momento. Pronto: falei do relógio. Você me faz perder os sentidos.

AMO!

19 novembro 2016

Coisa boa é você como tema

Quero falar de poema
Para falar de você
Meu tema
Ponto X da minha inspiração
É você terceira pessoa em nossos pronomes

Eu falo já não é à toa
Você direção do meu indicador

Linda pele, linda cor
É aquele algo mais
Quanta alegria me traz

Você 4 letras igual ao amor
Inspirou-me a compor
Este doce poema
Ao me inspirar senti o firmamento
Fitando o seu olhar
Vejo o grande momento

Coisa boa é você como tema
Ouço cantar e num solfejar
Assim componho meu poema




E você vai assim, me inspirando, mesmo eu querendo cada vez mais me enfiar dentro de mim. Eu só vou além para manter essa fogueira acesa, tudo por você, minha pessoa do passado, presente e futuro. Se eu for parar pra pensar, não faria nada se não tivesse sua motivação, sua provocação e seu riso e amor ao final.

De certo o sol só brilha depois que você acorda. A chuva só cai quando você chora. E o meu mundo é assim, em torno do teu olhar. Vem sendo assim desde o primeiro oi e se repete todo dia.

Amo um tanto gigantesco.

VIVA A NEGUINHA!

27 setembro 2016

Cosme, Damião e Mariazinha


Repostando! Sete anos depois e a saudade é ainda maior. (original em 27/09/09)


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"Lá no céu tem três estrelas
Todas três em carreirinha
Uma é Cosme, Damião
A outra é Mariazinha"


O ponto das crianças era sempre cantado com mais força. Lá no terreirinho, era o que mais passava energia positiva e a festa delas era sempre a mais esperada. Sinto cada vez mais saudade daquela nossa macumba, principalmente no dia de São Cosme e Damião.

Foram milhares de histórias fantásticas nessas ocasiões. Além da comilança, havia muita farra. Até mesmo os pretos-velhos, caboclos e até ciganos, quando passavam para saudá-las, quebravam protocolos contagiados pela alegria. A molecada dava de ombro e apenas aguardavam impacientemente sua hora, brincando com as bexigas penduradas em enorme quantidade no teto do terreiro. Como giravam aquelas bexigas!

Depois da espera, eis que surgiam a Martinha, o Pedrinho, a Terezinha e, claro, Mariazinha. Mariazinha era a dona do pedaço. Jogava comida e "talaná" em todo mundo, agarrava os "tio comprido" que a pajeavam e incitava os amiguinhos a pegarem mais doces do que o havia permitido. Certa feita, ao comer um pé-de-moleque, perdeu um dente. Chorou, inconsolável, por longos 20 segundos, até encontrar uma bala que cabia certinho no buraco do canino esquerdo.

Causos como esse eram regra e registro mais dois inusitados que marcaram. O primeiro aconteceu no ano em que o Senna morreu. Nessas festas, os vizinhos ajudavam com as oferendas e, por conta disso, vinham menos ressabiados para participar. Inevitável haver incautos sem a exata noção da simbologia e significância da cerimônia, e um deles perguntou sobre o falecido. A réplica veio na lata:

- Ele tá triste e não sabe que morreu. Aliás, esse papo também é triste, e eu não quero falar disso porque hoje é minha festa! - Nada como a sinceridade infantil...

O segundo caso, porém, foi o mais surpreendente. Minha avó era presença certa quando rolavam essas bagunças. Estava ela lá no fundo do salão, quietinha como sempre, quando desce um menino de uns 9 anos no Beto - um negrão de 2 metros de altura. Meio de canto, ele chama minha vó e os dois começam a conversar. Em japonês.


Essas histórias e a paz em nossa alma depois daquelas festas me fazem cada vez mais saudoso. Era um tempo de alegria e união. Com os anos, as vidas foram se separando e hoje nada mais resta do terreiro a não ser as boas lembranças. Essas, juro, têm um espaço cativo no meu peito.

Salve as crianças!

29 maio 2016

11


Outro dia achei engraçado quando você falou dos nossos 11, mais assustada que em dia de convocação da seleção. "Como pode tudo isso?", foi a pergunta. Talvez impossível para você naquele seu coração peludo (de mentirinha), mas é a mínima retribuição àquela pergunta em cima do caminhão. Então 11 é só o começo.

A cada dia nosso eu fico que nem criança no Natal esperando por essa pergunta, que você insiste (e espero que continue) em fazer, como se houvesse outra resposta possível. Eu, que acostumei com nada, quando tive muito me lambuzei.

Mas acho que não é assustador o que passou. Estamos provando dia-a-dia aquela história de envelhecer ao lado - porque eu vou te falar: a juventude nos abandonou. 1 ao lado de 1, 1 fazendo de 1+1 um belo time. Tem tanta coisa que, para mim, a coisa está só esquentando.

Você realmente não sabe o que me causa lembrar de 11 anos atrás. Cachorro correndo atrás do rabo pode ser uma boa imagem, já que foi a maior alegria que esse coração sem sentimentos provou. Porém acho que eu prefiro uma metáfora mais calma, como ESPERAR FLORES CRESCEREM NO JARDIM...

Amo-te pelos 11 e por mais 1, 1, 1, 1, 1, 1, 1, 1, ...



"Tu y yo
Más que dos
Carne de mi carne, huesos de mis huesos
El talón de aquiles de mis pensamientos
Mi polÍtica de amarte tanto que

Como lluvia en el agua fría
Yo te busco en las orillas
Con la piel de una noche tibia
Cubre este amor

Cada día

Tu y yo
Más que dos
El espejo de mi corazon abierto
La manzana de la dieta de mis besos
Mi resolucion de amarte tanto que

Como lluvia en el agua fría
Yo te busco en las orillas
Con la piel de una noche tibia
Cubre este amor

Cada dia

Y me despierto con el concierto de tu cabello y el mío
Y un sin fin de te quiero
De te quiero

Como lluvia en el agua frÍa
yo te busco en las orillas
con la piel de una noche tibia
Tu me arropas cada día

Como lluvia en el agua frÍa
Yo te busco en las orillas
Con la piel de una noche tibia
Cubres este amor

Cada dia"

19 novembro 2015

Sendo



"Eres lo que más quiero en este mundo, eso eres
Mi pensamiento más profundo, también eres
Tan sólo dime lo que hago, aquí me tienes

Eres cuando despierto lo primero, eso eres
Lo que a mi vida le hace falta si no vienes
Lo único, preciosa, que mi mente habita hoy

Qué más puedo decirte, tal vez puedo mentirte sin razón
Pero lo que hoy siento es que sin ti estoy muerto
Pues eres lo que más quiero en este mundo, eso eres

Eres el tiempo que comparto, eso eres
Lo que la gente promete cuando se quiere
Mi salvación, mi esperanza y mi fe
Soy el que quererte quiere como nadie soy
El que te llevaría el sustento día a día, día a día
El que por ti daría la vida, ese soy

Aquí estoy a tu lado y espero aquí sentado hasta el final
No te has imaginado lo que por ti he esperado
Pues eres lo que yo amo en este mundo, eso eres
Cada minuto en lo que pienso, eso eres
Lo que más cuido en este mundo, eso eres"


A gente era para ter se encontrado antes, eu sei. Por onde andava você quando eu precisava disso tudo que só você pode dar? Essa dúvida egoísta sempre é respondida na hora em que eu penso naquilo que nos marca. Você é, e sempre foi. E eu estou sempre buscando ser. Essa distância era muito grande e por isso os desencontros. Aí chegou a hora dos nós se atarem.

Você é o modelo e eu busco ser o que você ensina. Você é o desafio, e eu buscando a resposta certa. Você já foi enquanto estou buscando o caminho. Você é o estímulo e eu tento equacionar a fórmula. Nada, dá para ver, é por acaso. Tudo é o nosso caso

O mais importante? Eu só sou por sua causa.

Amo.

Feliz aniversário!

01 setembro 2015

Era uma vez o Juarez


Na esquina de casa tinha uma favela. Lugar de gente pobre, mas trabalhadora, honesta e sobretudo fraterna. Se faltava aqui, alguém compensava ali. E nós, do ladinho, aprendíamos e muito com aquele pessoal. No meio daquela molecada toda - a maioria deve estar morta, sabe como é a sina de preto e pobre neste país -, tinha o Juarez. O Juarez era uma figura, brasileiríssimo. Negro, canelinha fina, magricela e boa-praça, tirava sua graninha revendendo sorvete no bairro. Estava sempre com um sorriso largo na boca cheia de dente, o Juarez.

A bicicleta do Juarez era meio esquisita. Foi o que deu para comprar com a venda dos picolés de água, açúcar e corante. Tenham noção que o freio do troço era no pedal, acionado no movimento contrário da pedalada. Só ele conseguia andar sem cair daquela porra. E o Juarez jogando bola? Grosso, porém com uma jogada mortal: duas embaixadinhas e um voleio para onde apontava a bunda. Chegou a marcar alguns golaços com essa técnica tão peculiar. Mesmo tortas, as coisas funcionavam muito bem para o Juarez. E o Juarez vivia aqui no meio da gente, entrava na nossa casa, comia da nossa comida e estava sempre sonhando com uma vida melhor - estudava demais, o Juarez. Ele pouco falava da família, mas sua mãe, se não me engano, morava com um padrasto dele e também ralava o dia inteiro para botar comida na mesa. Rotina dura, mas íntegra. 

Como não podia deixar de ser, Juarez era corinthiano. Gostava muito do Viola e do Tupãnzinho, assim como a grande maioria da nossa geração. Era o Corinthians ganhar do bambi, que naquela época ainda não era bambi, e ele corria para a porta do português filho da puta aqui da rua para tirar uma com a cara do luso, a quem ele apelidou carinhosamente de Pingüim. Essa alcunha, aliás, é um caso à parte. Não passava um dia sem que o Juarez descesse nossa rua (e demorava uma meia hora nessa caminhada de uns 100 metros) chamando pelo "Pingüim de água doce" no mesmo tom de voz com que ele anunciava seus sorvetes. O portuga se mordia...

Porém, o antagonista do Juarez não era o Pingüim, mas sim o meu vizinho de muro. Um babaca. Pense num sujeito babaca, daqueles que só querem levar vantagem, posar de superior e que hoje virou até moda em passeata. Era ele. Criado por um pai tão babaca quanto, a diversão da família era fazer maldades com o pessoal todo da favela. Logicamente, o Juarez não escapava. Foi ele o responsável pela única vez que eu vi o Juarez chorar, provavelmente de raiva, numa dessas gracinhas que só esse imbecil achava graça. Eu mesmo vivia saindo na mão com o otário e só não apanhava porque era muito menor e talvez ele tivesse vergonha de bater em criança. Diziam, pai e filho, que também eram corinthianos. Eu digo que na final de 1993 eles compraram uma montanha de rojão e ficaram mostrando para a vizinhança toda, cantando vitória antes da hora. Deu no que deu.

Tudo isso porque no dia de hoje, não sei o raio do motivo, me lembrei que o pai desse infeliz morreu com um tumor no cérebro. E, ao mesmo tempo, me deu uma saudade danada do Juarez.

Viva o 1º de setembro!

CORINTHIANS! 

27 agosto 2015

Capitulando


Lá se vão 22 anos de arquibancada. Não é carteirada, é apenas questão de marcar cronologicamente que a percepção daqui não é achismo. Tal ponderação, aliás, reitera a gravidade do fato, uma vez que há muito mais gente com muito mais tempo nessa caminhada. Vi de tudo. Chorei de tudo. Comemorei demais. Senti no peito muitas amarguras, mas o Corinthians estava lá, em campo e no entorno, vivo. Havia o sangue correndo nas veias, havia o respeito com o povo corinthiano, que paga - como nunca - seu ingresso sem parar.

A noite de 26 de agosto de 2015 foi histórica. E nós devemos prestar atenção quando estamos fazendo parte dos marcos históricos, porque as lições e as oportunidades são únicas nesses momentos. A última quarta-feira foi quando mais clara e gritantemente se desrespeitou o Corinthians. Não falo do placar, altamente previsível, mas sim do abandono oficializado, da entrega de mão beijada do nosso clube a um novo modelo de funcionamento. O Corinthians que me ensinaram era corpo, alma, paixão e suor. O Corinthians que eu aprendi foi forjado no punho cerrado, no abraço fraterno e na vontade de brigar pelo ideal em comum. O Corinthians que nos dão hoje é individualista, cínico, excludente, babaca, omisso, medíocre, comum e, sobretudo, covarde.

Está, desde a presente data, instituído que o Corinthians foge da luta. Camuflam-se os canalhas com resultados momentâneos e com um discurso de pseudo-apoio - aquele que dizem ser incondicional - para nos alienar a consolidação diária do sonho de nossos ancestrais, cuja grande e única vitória era preservar e perpetuar a simples existência do Corinthians. Terceirizamos o Corinthians, deixando na mão de irresponsáveis ou de um cagalhão qualquer nossa sorte e nossa identidade. A cara do Corinthians é seu time em campo: assustado, impotente. E covarde.

Tiraram definitivamente a minha alegria de ver o Corinthians jogar. Se vou ao túmulo em Itaquera hoje, é por um misto de teimosia e um pouco de inércia. Minhas forças e minha paciência, no entanto, estão se esgotando. É triste perceber que estamos perto do fim. Estou capitulando e não sei se há um caminho de volta. Talvez se resolverem lutar de novo. Quando meu povo resolver assim, me avisem. Caso contrário, relego-me a ser apenas mais uma história como outras tantas que, depois de anos de dedicação, desaparecem como fumaça, perdida no vento.


* o texto vai em tom de desabafo e tristeza, sem revisões ou cuidados com a língua. Não dá para ser de outra maneira. A dor é profunda.

29 maio 2015

Nós, dez


Há uma parte em você que eu adoro porque ela mostra muito daquilo que você tem e nem sempre deixa revelar. Suas mãos são lindas. No dia que eu ficar cego, não conseguiria assinar meu nome, mas saberia desenhar cada detalhe das suas mãos. Lembro de Salvador e aquelas ciganas que queriam ler sua palma, e eu só ri por dentro. Não seriam em qualquer dez minutos que o mistério se revelaria.

Quando me apaixonei por você, houve uma conjunção de fatores. Seus mistérios, seu comportamento arisco, sua tentativa de esconder o coração gigante que você tem, suas provocaçõs e sua beleza... Mas as suas mãos, mais do que me cativar, elas me enfeitiçaram.

Poder provar o seu toque, poder seguir o caminho que você indica, receber suas mensagens, enroscar seus dedos nos meus e até quando você está lá do outro lado no Morumbi e me manda aquele simpático sinal, tudo isso é um pouquinho de nós dois em em dez. Dez anos. Dez marcos. Dez símbolos, com curvas, altos, baixos, feridas e cicatrizes. Dezenas de alegrias e momentos inesquecíveis.

Depois de me ter nas mãos, agora tenho-me aos seus pés. Ali há mais dez e é para lá que eu vou. E depois? Ah, tem muita coisa a ser descoberta.

COMO EU AMO A NOSSA DÉCADA! COMO AMO VOCÊ!


Do you remember when we met
Liquor drinks and cigarettes
All the boys were takin bets
My credit card so in debt
Bought drinks from you at the bar
Poured them out behind my car
So I could come back to where you are
And order one from you again
And Again
I'll be your open tab
You'll be my favorite sin

You're such a Pretty Melody
I'm just another tattooed tragedy
Oh baby we don't have to be
Like the rest of them

What time can we get out of here
I got some words you need to hear
I really wanna make it clear
That I don't do this everywhere
How do I make this not sound cheap
I'd like to show you where I sleep
And keep you there a couple weeks
And make you come again
And again
I'll be your waste of time
You'll be my happy end

You're such a Pretty Melody
I'm just another tattooed tragedy
Oh baby we don't have to be
Like the rest of them
It's anything but hard to see
I want all of you all over me
There's not a single part of me
That would ever let you go

05 março 2015

Os próximos 100 anos


Ser crítico na adversidade é fácil. Cômodo, até. Há pouco menos de dois meses, o corinthiano era só insatisfação. Pudera: a diretoria vinha fazendo mais do mesmo, subindo o preço dos ingressos, demonstrando total despreparo na condução do clube e mantendo sua política de aberrações alienantes a todo vapor. Só que o time em campo passou a não perder. E o termo "não perder" é usado de maneira proposital, pois assim está consagrado o novo modus operandi desse Corinthians moderno. As vitórias na base do "não perder" escamoteiam uma crise de identidade crescente, gestada quando embarcamos nessa onda de ser aquilo que os outros esperam que a gente seja.

Fazendo isso, o corinthiano revogou sua tarefa, sua missão de contestador, e passou a absorver sem o menor critério todas as idéias de jerico que a anticorinthianada doente propagou por anos ("não tem estádio, só ganha Paulista"). Pior ainda, começou a aceitar a omissão, a falta de respeito com a própria história e, dentro de campo, a covardia. De novo, só para agradar os olhos dos outros.

Quando vejo os jogos do Corinthians dos últimos anos, não me reconheço ali. Há apenas flashes esporádicos daqueles times heróicos que pude ver ou sobre os quais ouvi falar. E não se trata de dar espetáculo ou coisa que o valha, que isso nunca me foi decisivo. O Corinthians, com exceção da década de 1950, da Democracia e da individualidade dos inúmeros craques que estiveram conosco, nunca prezou pela alta técnica em sua história centenária. Só que o Corinthians também nunca prezou pelo medo de ir à luta, pelo medo de atacar para se defender.

Na concepção atual, a essência do Corinthians são números inseridos em planilhas. Os objetivos, também números, são precedidos de cifras. Joga-se e se administra o clube a partir de resultados frios, sem tecido, que seduzem e satisfazem apenas a ânsia pelo acúmulo e pela quantificação em comparação ao outro (que outro, raios?). Vai daí que a premissa do Corinthians jogar pelo seu povo tornou-se coisa ultrapassada. Em mais de 20 anos de arquibancada, foram muitas as ocasiões nas quais saí do estádio de alma lavada após derrotas memoráveis. Notem que não é o placar, é o que está ali dentro. Trata-se da formação do caráter, pois quando se entra em campo, se luta e o resultado é adverso, ainda assim se ganha. Hoje, entretanto, uma derrota é só isso: uma derrota, num nível de limitação que, inclusive, tira o peso da vitória.

O momento pede sensatez. O gol continua sendo comemorado, a vitória continua agradando, mas é muita imprudência perder de vista a razão de tudo isso. Em 1915, não tivemos Corinthians. Fomos vítimas de um golpe dado por certa parcela da sociedade que não suportava (e ainda não suporta) povo e não tinha engolido a surra de dois anos antes no Velódromo. Apesar disso, a postura não foi outra senão partir para cima, ignorando qualquer conseqüência da impetuosidade que sempre nos moveu. Mesmo sem Corinthians, houve Corinthians. Curiosamente, cem anos depois o Corinthians entra em campo duas vezes por semana e quase não há mais Corinthians, numa ausência de nossa inteira responsabilidade.

QUE CORINTHIANS IREMOS DEIXAR PARA AS PRÓXIMAS GERAÇÕES?


19 novembro 2014

Quando eu viro água


Toda terra quer sua água. Só assim as coisas fazem sentido, só assim o troço frutifica e faz o ciclo ser completo, dando continuação à sábia roda da vida. Nesse semi-árido que me habita, seu dilúvio é uma benção na qual eu sempre vou querer mergulhar. É o "mergulho na paixão".  Me regue sempre que puder, me afogue quando precisar. É pra isso que meu coração, embora duro, é poroso. Aí eu vou dosando e a gente vai assim, bebendo pelas coisas boas do mundo, de duplinha, do jeito que é o melhor jeito.

Espero sempre ser a beira do teu São Francisco, a margem do teu Amazonas, o barranco do seu Nilo e a encosta do teu Tejo. Para isso, milhões de beijos em mais um seu aniversário, que é quando me desmancho e viro lama, todo esparramado em você.

Amo mais que um monte.

Beijo do seu neguinho.


Sozinho por quê?
Se eu vivo à mercê desse amor
Não precisa brigar
Vou desembaraçar nossa dor
Sempre foi, sempre fui
Beijos de amor
Sempre se misturou
Essa vontade de amar

Não me molhe assim
Esse fogo não pode apagar
Deixa arder a chama
Desse que te ama
Por te admirar

A riqueza do nosso querer
É o beijo e o olhar
É um elo entre eu e você
Atração que não vai acabar
Como é linda a emoção de viver
Mergulhados na mesma paixão
Quero ter a razão de te ver
Presa ao meu coração

Não me molhe assim
Esse fogo não pode apagar
Deixa arder a chama
Desse que te ama
Por te admirar

30 setembro 2014

Voto e peito aberto


Estão aí as eleições deste 2014 e venho neste espaço manifestar meus votos como parte de minha estratégia de militante e de meu próprio caráter. Ao contrário de muitos, defendo meus ideais, representados nas candidaturas abaixo, de peito aberto. Minhas escolhas não são de agora e, apesar de ter naturais e necessárias discordâncias com todas, jamais me envergonhei ou me envergonharei delas. Mais ainda: é uma tomada de posição. E eu estou do lado do povo, estou do lado daqueles que sempre ficaram à margem até pouco tempo atrás - para ser exato, 12 anos.

É inegável, meus caros, que o Brasil avançou. Como ignorar que o país tenha saído do mapa da fome, que tenha tirado da miséria mais de 36 milhões de pessoas? Como ignorar que aqueles sem perspectiva nenhuma de vida passaram a cursar uma faculdade e entrar no mercado de trabalho? Não avalio política com o fígado, muito menos me deixo levar pelas insanidades irresponsáveis que saem diariamente na imprensa, esse verdadeiro partido de oposição ao governo federal e a todos nós. Política é um troço do dia-a-dia e ela mostra que nossa vida melhorou sim depois dos mandatos populares de Lula e Dilma.

Até 2002, mesmo a classe média vivia em apuros. O desemprego era uma epidemia, o salário era arrochado e a inflação estava muito mais alta do que mostram os indicativos atuais - naquele ano, o IPCA fechou em 12,5%, contra 5,9% de 2013. Porém, eu falei do dia-a-dia e a ele voltarei porque a lembrança não nos trai. É só puxar pela memória e lembrar do que tínhamos - seja bens ou direitos civis - há 12 anos e como estamos agora. Obviamente que há ainda muita coisa a ser feita, mas não tenham dúvidas: só existe um grupo político compromissado com esse direcionamento.

A presidência precisa de mais 4 anos de Dilma Rousseff. Só assim poderão ser consolidadas iniciativas como a utilização correta dos recursos do pré-sal na Educação e na Saúde já previstos por lei. É só no governo de Dilma que será possível o tensionamento para realizar reformas. Somente com Dilma é que está garantida a manutenção de políticas sociais como o Bolsa-Família, o Luz Para Todos e o Prouni. Com mais ênfase nessas eleições, entraram no debate os direitos LGBT e, curiosamente, a presidenta é acusada de omissão. No mínimo injusto, pois foi em seu mandato que se organizou a 2ª Conferência LGBT, na qual foram assumidos compromissos importantes com a causa. Não tenham dúvidas: o governo atual é obrigado historicamente a dialogar; já aqueles que querem entrar resolvem as coisas na porrada.

Isso nos leva à escolha para governador. O Estado não pode mais conviver com esse faraônico domínio tucano instalado por aqui há 20 anos. São duas décadas de borrachada, de repressão, de baixíssima representatividade - governam para poucos -, de aburda seca, de pedágios extorsivos, de professores assediados e de Metrô superfaturado num dos maiores casos de usurpação do dinheiro público. São Paulo precisa de uma mudança de perspectiva que, a meu ver, só virá com a eleição de Alexandre Padilha. É o mesmo voto de confiança que demos a Fernando Haddad, que vem revolucionando a capital paulista.

Com relação aos deputados e senadores, torno a repetir que o meu voto tem lado e, para garantir o máximo de independência possível a esse lado - o do povo -, é essencial a escolha por legisladores que sigam o mesmo princípio dos cargos executivos. Dessa forma, irei de Suplicy para o Senado, em respeito a seu histórico na casa e por ser o único representante de qualquer força progressista - há outros dois inomináveis na disputa que não é bom nem citar para não trazer mau-agouro.

Para deputado federal, votarei em Orlando Silva, que já foi ministro dos Esportes, realizando a Lei de Incentivo ao Esporte, e vereador de São Paulo, focando seu mandato em projetos na área do esporte e da cultura. Finalmente, meu voto para deputado estadual é em Gustavo Petta. Esse eu conheço de algum tempo, mais precisamente dá época do movimento estudantil, e ele sempre foi um militante ferrenho da Educação. Na presidência da UNE, por exemplo, colaborou de maneira decisiva na elaboração do Prouni. 

É preciso salientar que não quero obrigar ninguém a nada com isso. Trata-se apenas de uma manifestação legítima daquilo que penso como política, coisa que em tempos sombrios era impensável. Dessa maneira, caso alguém passar por aqui e tiver alguma dúvida, estão aí os links dos candidatos e até mesmo a caixa de comentários para o debate - papinhos de "petralha" e outros infantilismos sonháticos ou de discursos "apartidários" serão obviamente ignorados. 

Termino reproduzindo a cola da minha cédula:

Dilma - 13
Padilha - 13
Suplicy - 131
Orlando Silva - 6565
Gustavo Petta - 65100

Avante, Brasil!

01 setembro 2014

Sobre o que comemorar


Neste Dia de Corinthians, aquele que quiser visitar o Parque São Jorge para renovar seus votos irá dar com a cara no portão. A parte diretiva do clube, mantendo sua tarefa diária de afastar o Corinthians de todos os ideais propostos pelos antepassados, quer também distância de todos nós (apesar de mirar ansiosa o nosso bolso). O desrespeito e o descompromisso provavelmente dará o tom das ações de celebração promovidas pelas instâncias ditas oficiais, mas pouco legítimas e representativas da coletividade alvinegra. 

A nós, cabe a reflexão. É o Corinthians que todos aprendemos a amar que precisa ser comemorado. Hoje, família corinthiana, é dia de lembrar as lições de Antônio Pereira, Anselmo Correa, Carlos Silva, Joaquim Ambrósio e Rafael Perrone. É dia de celebrar os benfeitores Miguel e Salvador Bataglia, Alexandre Magnani, Alfredo Schürig, Alfredo Ignácio Trindade e Vicente Matheus. Dia de contemplar as obras dos artesãos Francisco Rebolo e Lourenço Diaféria. De agradecer ao mantenedor da história corinthiana Antoninho de Almeida. De louvar heróis de verdade que nos representaram no campo de batalha, e não os vagabundos milionários de agora. 

Em troca de uma inexplicável ostentação, a Fiel Torcida não conhece mais o porquê de sua existência e, conseqüentemente, o próprio clube acaba em crise de identidade. Saber de onde viemos é o primeiro passo para não errarmos o caminho adiante. Pois vamos lá: o Corinthians existe para dar alegria e voz ao seu povo. O Corinthians é a revolução, é o maior movimento social do mundo.

Neste 1º de setembro, portanto, o corinthiano deve avaliar o que está fazendo pelo Corinthians. Será que você está levando adiante a missão que lhe foi confiada pelos antepassados e por São Jorge? Será que não estamos entregando nosso amor de mão beijada a meia dúzia de bandidos enganadores, nos deixando convencer por desculpas esfarrapadas? Tomar conta do Corinthians é nossa obrigação e desavisado deve procurar outras bandas. Corinthians é compromisso, é dedicação de corpo e alma, não um hobby ou uma distração. 

Foi a partir dessas reflexões que me pus a sonhar, para não chorar de desgosto. Vislumbrei um movimento de massa tomando o Parque São Jorge de assalto e despejando de lá a corja que deita e rola às custas do nosso suado dinheiro. Vi o clube cheio de gente, debatendo Corinthians e tomando decisões que objetivam somente o bem da instituição. Da sede social, saíamos todos carregando na mão o ingresso comprado a preços realmente populares para nos juntarmos ao povão de Itaquera, que agora sim pode freqüentar o estádio. É esse o Corinthians que eu quero para nós e para as futuras gerações. E você?

PARABÉNS, CORINTHIANS! OBRIGADO, CORINTHIANS! 

CORINTHIANS! tum-tum-tum
CORINTHIANS! tum-tum-tum  
CORINTHIANS! tum-tum-tum
CORINTHIANS! tum-tum-tum
CORINTHIANS! tum-tum-tum
CORINTHIANS! tum-tum-tum
CORINTHIANS! tum-tum-tum
CORINTHIANS! tum-tum-tum
CORINTHIANS! tum-tum-tum
CORINTHIANS! tum-tum-tum

03 junho 2014

A Copa e minhas contradições


Não era este blogue que desde 2007 chama de Copa assassina o evento que inicia no próximo dia 12 de junho. Sim, caro visitante, você está correto. E se você só lê o primeiro parágrafo das coisas que escrevo aqui, irá tentar apontar qualquer contradição com o #vaitercopapracaralho que estou dizendo 7 anos depois. Mas será que há contradição mesmo? Vejamos.

Quem quiser gastar cinco minutos, pode ir ao primeiro texto que postei sobre o assunto, em novembro daquele ano. Ainda assim, vou destacar algumas passagens, principalmente com relação aos problemas - que disse e continuo dizendo - que essa tranqueira traria na bagagem:

"Vejam: os estádios, ao se adaptarem aos 'padrões FIFA', terão cadeiras numeradas. Tendo cadeiras, teremos que assistir aos jogos sentados. Durante a Copa, foda-se. Mas eu NUNCA assisto ao jogo sentado. Isso é inconcebível! Outro grande problema vai ser a elitização do esporte. Os ingressos, que hoje já são caros, irão atingir um patamar estratosférico após o evento. Nunca mais o povo terá seu ópio. Provas? Acabaram com a geral do Maracanã e no Pq Antártica entrará em vigor um tal setor VIP, que está fazendo a porcada gritar até com a nonna. Fora esses problemas de essência, muitos outros virão:

- consolidação dos pontos corridos
- europeização do futebol latino-americano
- definhamento dos clubes por conta da supervalorização de atletas
- atrelamento ao calendário europeu, dando fim aos charmosos campeonatos regionais
- fim das organizadas"

Reitero, portanto: minha preocupação é com o futebol. Lá adiante no texto de 2007, eu avisei: "não há nenhuma possibilidade de aceitar reclamações de qualquer natureza (sobre política, políticos, violência) desse tipo de gente. Eu não entro aqui nem no mérito do financiamento público - não previsto mas que irá ocorrer sem sombra de dúvida. Se o problema do país fosse esse, estaríamos em melhor situação". 

Falava dos oportunistas da Copa, que sempre apareceram apenas na torcida (contra) e agora, com a realização do evento no Brasil, viram uma chance incrível de colocar suas asinhas de fora. Não pisam num estádio e acompanham seu time só por meio dos canalhas da imprensa. Vivem arrotando as merdas que a mídia dissemina por aí, posando de politicamente corretos e pagadores de impostos.

Entretanto, aqui se defende a arquibancada e o alambrado. Aqui se defende o futebol popular e toda a significância do esporte para esse povo. Dentro ou fora do país, promovendo a elitização ou não, com a bola rolando eu continuo torcendo pela Canarinho. Aliás, vou torcer ainda mais agora, só para ser oposição a essa gente aproveitadora que hoje é o público-alvo preferido dos dirigentes esportivos e do plim-plim, a verdadeira dona da coisa toda.

Oras, é consenso que a Federação Paulista de Futebol está infestada de filhos da puta. Vou deixar de ir a jogos no Paulistão ou chamar o campeonato de "paulistinha", como fazem alguns incautos que muitos adoram? Odeio o Brasileiro por pontos corridos, mas vou abandonar os estádios? Da mesma forma que não deixo de ser corinthiano mesmo me indignando com as cagadas diárias feitas pela diretoria do clube, não vou abandonar a seleção brasileira numa Copa do Mundo.

Portanto, repito que #VAITERCOPAPRACARALHO! Vai ter muita Copa e eu vou torcer, encher a cara todo jogo e comemorar caso o Brasil garanta o Hexa. E praqueles que estão na onda de partidarizar ou disseminar imbecilidades como "ah, tinha que gastar com Saúde e Educação", sugiro se informar melhor. Porque você está passando muita vergonha em público. Muita mesmo. Se você não apoiou nossa luta sete anos atrás, agora não venha despejar vossa alienação. Deixe o futebol em paz, por favor.

29 maio 2014

9!


Eu sempre me pego pensando em tudo que a gente já passou quando chega o 29 de maio. É uma história bonita um bocado e, além das grandes emoções, eu gosto de lembrar dos pequenos detalhes. São eles que, ao lado do amor gigante, fazem tudo ter mais gosto e mais graça.

Eu fico lembrando da primeira bronca que te dei quando você comeu limão e saiu no sol. Dos olhares de reprovação com aquelas minhas piadas sem graça. Da vez que meu carro quebrou bem na frente da sua casa, ainda no comecinho. Da sua alegria quando a gente está numa festa - se bem que a gente não tá mais agüentando muita festa - e toca Hanson. Do dia em que você descobriu que o sashimi de atum é o grande líder do universo.

Sua cara de felicidade nessas horas é impagável. E fazer ela aparecer sempre que possível é minha missão de vida. Pense sempre nisso quando eu fizer alguma bobagem, porque não é  por mal. Talvez por burrice, por infantilidade ou por desatenção. O fato é que se depois de tudo vier seu sorriso e o brilho nos olhos, eu me dou por satisfeito.

Amo-te um tanto! Amo-te mais que um tanto! 

https://www.youtube.com/watch?v=nKH71CgPCY8

P.S.: essa é mais uma das pequenas coisas: você consegue me fazer gostar de cada música!

14 maio 2014

Manifesto da Fiel Torcida

O manifesto abaixo foi escrito por coletivos corinthianistas e visam conter o mais grave ato no processo de elitização promovido pela diretoria do Corinthians. Faço apenas considerações pessoais com relação ao texto que segue:

- a indignação não é de agora. Há muito um grupo pequeno de torcedores já vem alertando sobre a exclusão de grande parte da torcida dos estádios. Este blogue, por exemplo, trata do assunto desde 2009. 

- às reivindicações, incluo a necessidade de se democratizar a participação política no Parque São Jorge por meio do Fiel Torcedor.

- li explicações de alguns conselheiros do clube, que alegam não ter muito o que fazer no caso. Concluo que o Conselho, ao contrário do que diz o Estatuto do clube, é consultivo, não deliberativo. Vale ressaltar que tal aberração só existe por conta do indecente chapão, instituído na última eleição e que minou qualquer possibilidade de contestação da diretoria. Aliás, ele foi avalizado pelo mesmo Conselho que hoje abriga representantes autodeclarados incapazes de promover alterações significativas e de interesse geral dos corinthianos. 

- se ainda assim torcida corinthiana não se mobilizar e começar a protestar ostensivamente pela revisão de preços e também pela abertura política no clube, todas as previsões catastróficas feitas por aqui irão se concretizar o mais breve possível. Perderemos uma oportunidade histórica. Aliás, já estamos perdendo...

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Senhor Mario Gobbi e diretores do SCCP,

É constrangedor? Sim. Mas temos que lembrá-los, mais uma vez, daquilo que determinou nosso primeiro presidente, Miguel Battaglia, em 1910: “este é o time do povo, e é o povo que vai fazer este time”.

No que tange à política de acessos à Arena Corinthians, em Itaquera, os senhores aparentemente desconsideram a mensagem dos fundadores e encetam ofensiva sem precedentes em favor da elitização do espetáculo esportivo.

Se os senhores são realmente dignos de gerir a maior instituição popular do país, aprendam: não é assim que se faz. É preciso ouvir a Fiel, é preciso dialogar, é preciso preservar o valioso ensinamento da Democracia Corinthiana.

Se há um novo estádio construído, ele tem origem no suor e no sangue de milhões de corinthianos, vivos ou mortos, que lutaram para concretizar este sonho. E seremos nós os responsáveis por pagar a conta desta obra monumental.

Portanto, não tapem os ouvidos, tampouco fechem os olhos à realidade. Se concordam em gerar diálogos, entendimentos e ritos de cooperação, prestem atenção a estas reivindicações.

1) Dialoguem com civilidade, como convém na tradição corinthianista. Chega de ironia, cara feia e arrogância. Essa postura não combina com líderes de verdade. Deixem de lado os tecnicismos. A realidade contempla a Contabilidade, mas também os sentimentos humanos. Acordem!

2) Façam com que os ouvidores do Fiel Torcedor sigam essa lição. Se eles são remunerados, que trabalhem e honrem o que ganham. Que sejam menos indolentes e menos carrancudos.

3) Preços devem ser fixados a partir de dois parâmetros: a necessidade de quem vende e a disponibilidade de quem compra. Os senhores, equivocadamente, miram somente o primeiro personagem do jogo das trocas econômicas. Nossos salários e rendas não foram subitamente elevados apenas porque o Corinthians inaugurou sua arena. Bom senso é bom. Pratiquem-no.

4) Valores devem ser reajustados, evidentemente, mas basicamente em função dos indicadores de inflação. O Corinthians não vive num Estado paralelo, em que os preços podem se elevar bruscamente do dia para a noite. Foi o que os senhores fizeram com os valores dos ingressos, especialmente no programa Fiel Torcedor.

5) O Fiel Torcedor tem, sim, suas virtudes. Não as negamos, pois se inserem no contexto do moderno e cômodo comércio eletrônico. Ele reduziu sensivelmente a ação dos cambistas no processo de venda de ingressos. É também uma forma de organizar e agilizar o acesso ao estádio. No entanto, muitas correções devem ser feitas na gestão do programa.

6) O sistema não pode, jamais, constituir castas de privilegiados, tampouco impedir que outros aficcionados tenham acesso ao estádio em dias de jogos. O FT não pode restringir, tampouco gerar obstáculos à participação da nação alvinegra. Saibam: somos 30 milhões de almas, e não apenas 68 mil.

7) O novo sistema de setorização do estádio foi, sem dúvida, produzido sem o devido critério. Resultado: torcedores claramente prejudicados em suas escolhas, de locais e preços. Nesse ponto, exige-se correção imediata.

8) Percebam quão absurda é vossa política. Como pode um Fiel Torcedor ser reduzido à categoria de membro de um clube de compras? Por que pode pagar por um ingresso, mas não pode ter voz e voto no clube do coração? Por que os senhores caminham, neste particular, na contramão da história?

9) E é tão injusta quanto ridícula vossa fórmula que impede o acesso de sócios patrimoniais ao sistema de comercialização de ingressos. Isso quer dizer que um filiado do SCCP pode, um dia, tornar-se presidente da instituição sem jamais ter pisado em uma arquibancada. Falando sério: os senhores têm ideia do absurdo dessa política?

10) Os senhores já foram crianças? Acreditamos que sim. Portanto, foi nessa fase da vida que constituíram vossos amores e fascinações esportivas. Os senhores eliminaram as isenções garantidas aos meninos e meninas que agora se iniciam no corinthianismo. Ao mesmo tempo, oferecem descontos de faz-de-conta para os dependentes do FT. Como pretendem cativar a nova geração de torcedores-consumidores? Convém ainda que concedam justas facilidades aos irmãos da melhor idade. Afinal, foram eles que consolidaram, com muito esforço, a tradição corinthiana.

11) O FT, aliás, está intoxicado pelo vírus das restrições. Os senhores ainda não notaram a diversidade dos núcleos familiares atuais? A corinthiana associada quer acessar o novo estádio com seu companheiro. Os enteados e sobrinhos também desejam acompanhá-los. Se o Brasil tanto avançou na compreensão dessa complexidade, como os senhores podem ter retrocedido tanto? Por favor, respeitem a família corinthiana.

12) Somos também obrigados a considerar escandalosa vossa política de aplicação de castigos. Quem cancela um plano do FT, agora, é obrigado a cumprir uma “quarentena” de um ano. Em que escola de marketing os senhores aprenderam essas estratégias de relacionamento com o cliente? Será que faz sentido? Será que agrega valor, ainda que comercialmente, ao SCCP?

13) Também é certo que o Corinthians tem seguidores em todo o Brasil. Os senhores foram a Manaus assistir ao jogo da equipe? Se foram, viram a quantidade de aficcionados locais? O FT não pode se restringir ao torcedor paulista, o que comparece todas as vezes, por proximidade. Esta é uma cidade de passagens. É preciso criar mecanismos para a venda de ingressos fora do Fiel Torcedor. Discriminar o corinthiano de fora, igualmente, não nos parece uma condizente com a tradição do Corinthians.

14) Ao mesmo tempo, sabemos que alguns dos corinthianos não podem comparecer sempre ao espetáculo. Por quê? Porque ainda não recebem proventos maiúsculos. Porque labutam nos horários de jogos. Porque têm compromissos familiares. Portanto, é urgente a criação de meios para garantir o acesso também desses irmãos alvinegros. Crie-se o FT dos que vão menos. Constitua-se uma forma confiável de vendas avulsas.

15) Na realização da Copa do Mundo, dá-se atenção especial, por exemplo, a torcedores portadores de limitações físicas e a obesos. Aprendam com essa experiência. Percebam também os senhores a diversidade. Prestem atenção nas particulares e necessidades das pessoas que amam o nosso Corinthians.

16) Ouvimos muito falar em transparência. No entanto, parece-nos opaca a parede que nos separa da gestão do Fiel Torcedor. Gostaríamos de saber quem o administra e quanto recebe pelos serviços prestados. Não pode o próprio clube gerir este segmento de negócios?

17) Leiam a história, senhores. O Corinthians é, desde sempre, uma referência de difusão do pensamento democrático neste país. Nossa tradição é de solidariedade. Nascemos para criar protagonismos populares. Portanto, não se atrevam a fechar as portas da Arena Corinthians para o povo da Itaquera trabalhadora e do resto da periferia. Nosso estádio até pode servir para vossas festas VIP. No entanto, não pode ser território restrito à “gente diferenciada”. Deve também funcionar como pólo irradiador de cultura e cidadania na Zona Leste da cidade.

18) Se os senhores pretendem fazer caixa para pagar a dívida contraída com a construção da Arena, evitem o recurso fácil à exploração voraz do torcedor-consumidor. Tampouco se fiem na assiduidade dos vossos confrades da elite, que dificilmente se deslocarão a Itaquera em dias frios, com o time já desclassificado de um torneio de menor importância. Em vez disso, acreditem no povo. E para fazer tilintar o dinheiro em vossas caixas registradoras, apostem no volume. Baixem o preço e a Fiel lotará sempre a praça esportiva. Não se trata apenas de uma comportamento que contempla a justiça, mas também de uma estratégia sensata de ampliação de receitas.

Abram os olhos, estendam as mãos, compreendam as demandas dos donos do Sport Club Corinthians Paulista. Os senhores são nossos delegados na gestão da instituição. Convém que busquem aprimorar vossas condutas na troca de experiências com o povo corinthiano.

Que o “mais brasileiro” converse já, sem melindres, com os filhos desta mãe gentil.

RESISTÊNCIA CORINTHIANA 
BRIGADA MIGUEL BATAGLIA