15 Fevereiro 2012
Peito cheio
Anualmente, aa semana que antecede o Carnaval é tempo de me sentir meio deslocado em São Paulo. É impressionante como está impregnado na mente das pessoas daqui o total descomprometimento com a festa que, em todo o país, acontece desde o mês passado. Fico numa angústia danada vendo o povo trabalhando até tarde, com a maior naturalidade na cara deslavada, como se estivesse contribuindo para alguma coisa senão o prejuízo aos demais brasileiros.
De minha parte, decretei desacelaração no ritmo desde a última sexta, onde fomos Evinha e eu para o Bantantã. Também tomamos chuva no glorioso Cambuci, bairro que abriga o Bloco da Ressaca. Desnecessário dizer que, ao contrário de manifestações abjetas como a ocorrida na rua Augusta - onde a fuzarca era comandada por grandes nomes do samba como a atonal Pitty e Wilson Simoninha (mais conhecido por seu trabalho como filho de Wilson Simonal) -, os tradicionais e insistentes blocos citados contaram com a participação de poucas dezenas de pessoas.
São coisas como essas que me fazem fugir de São Paulo como o diabo da cruz durante o reinado do Momo (que hoje é magro e fashion), num siricutico que começa em meados de novembro. Me levem pra Osasco, mas não me deixem na capital durante a folia. Não é exagero: podem ir às avenidas Paulista ou Berrini às 20h da próxima sexta para ver a quantidade de escritórios ainda lotados, enquanto o Brasil cai na farra.
Eu, no entanto, não terei tal desprazer. Estarei em terras pernambucanas, ao lado da minha preta e do Galo da Madrugada, prestando homenagem ao centenário do mestre Luiz Gonzaga. Mas deixo antecipadamente meus salves a todas os focos de resistência do samba e do Carnaval aqui da garoa, certamente angustiados como eu. Viva os Inimigos do Batente, viva meu Peruche (vamos subir campeões!), seu cantinho e Seu Carlão, viva o Camisa e a Barra Funda, viva a Nenê e a Zona Leste, viva a Vila Maria (torço pelo título), viva o Samba do Maria Zélia, viva Pirapora do Bom Jesus, viva todas as rodas de samba das periferias dessa cidade!
Dito isso, rumo ao norte encher o peito de vida para continuar morrendo aos poucos até o próximo ano. A quem fica, meus lamentos e uma aula de Plínio Marcos logo abaixo. Até a volta!
07 Fevereiro 2012
No dia 11, é "Bataglia Corinthians"
Reproduzo aqui as propostas da Chapa Bataglia Corinthians, que no próximo dia 11 de fevereiro estará na frente do Parque São Jorge manifestando sua total discordância com os rumos cada vez mais elitistas e excludentes que os dirigentes estão impondo ao Sport Club Corinthians Paulista. A contextualização dos 10 mandamentos da chapa é feita com brilhantismo pelo meu irmão de arquibancada Filipe.
De minha parte, que a família corinthiana assuma seu papel vigilante e não se deixe levar pelos espelhinhos de convencimento que tanto alienizam nossa torcida. ACORDA, FIEL!
"Um Timão nota 10
As 10 propostas da chapa
“Bataglia Corinthians”
1. Inclusão Massiva – Com cerca de 30 milhões de torcedores e a marca mais valorizada do país, o SCCP deve rever urgentemente sua estratégia de gestão de ativos humanos. Hoje, desperdiçamos recursos e energia com uma política restritiva e elitista do produto futebol. Dessa forma, amplos segmentos da comunidade corinthiana estão sendo afastados da vida do clube. Essa conduta pode gerar, a curto prazo, um incremento de receitas. A longo prazo, no entanto, reduz o contingente de aficcionados e dificulta a implementação de projetos de massa. Para manter seu novo e caro estádio, por exemplo, o clube precisará de público numeroso em todos os seus compromissos.
2. Engajamento por responsabilidade compartilhada – Nos países desenvolvidos, ganham força hoje os projetos sociais e econômicos de gestão coletiva. Seja no compartilhamento de bens ou na troca de serviços, o mundo busca formas de engajamento na administração dos empreendimentos. Não se trata de reprise do coletivismo forçado, mas de uma conversão dos próprios atores do teatro capitalista. Num mundo com recursos escassos e consumo desenfreado, colocamos em xeque a manutenção da própria civilização. Você já percebe esses sinais no trânsito infernal, na enchentes de verão, na contaminação dos alimentos e no recrudescimento da violência urbana. Ou mudamos ou perecemos. Para que assumamos um novo caminho, precisamos horizontalizar o poder, delegar atribuições e mobilizar os membros das organizações, sejam elas públicas, privadas ou de cunho associativo comunitário. Cada corinthiano necessita, portanto, assumir sua quota de responsabilidade. Engajados, somos mais fortes. Compartilhando, fazemos crescer o objeto de nossa paixão.
3. Universalização do direito participativo – Todo corinthiano deve ter o direito de participar da vida do clube. Hoje, o que vemos é um quadro associativo restrito, uma comunidade fechada, em que falta a diversidade e a dissonância criativa. Muitos clubes pelo mundo vêm desenvolvendo sistemas alternativos de associação, procurando agregar também aqueles aficcionados dos estratos econômicos C, D e E. Não há como descrever o júbilo do corinthiano que se vê formalmente agregado à instituição, seja por conta de um título patrimonial ou pela adesão a um programa de torcedor. Nosso atual sistema, no entanto, despreza os corinthianos do interior paulista e de outros Estados. Como afirmar que este é o “clube mais brasileiro” se nos conformamos em abrigar uma pequena elite, preponderantemente paulistana, em nossas fileiras? Até mesmo como estratégia de marketing, o Corinthians precisa alargar seus horizontes e encontrar meios de associar o maior número possível de torcedores, recebendo mensalmente suas contribuições e, em contrapartida, oferecendo-lhes acessos, informação selecionada, descontos em produtos e outras facilidades.
4. Política de voz e voto – Todo associado deve ter respeitado seu legítimo direito de opinar sobre os destinos do clube, de modo que propugnamos a constituição de um fórum permanente de ideias e sugestões, com encontros pontuais e interface de comunicação virtual. Além disso, deve ter garantido seu direito a voto nas eleições para a formação do conselho e da diretoria. Isso quer dizer que consideramos fundamental que o torcedor, alma viva do Timão, tenha assegurado seu direito de co-gerir a instituição, dentro das normas estatutárias internas e das condições estabelecidas pelas leis em vigor.
5. Fusão de instrumentos associativos – Urge, desde já, a extensão de direitos de participação aos detentores de quotas do programa de sócio-torcedor hoje vigente. Já é norma, em muitos clubes, que esses agregados tenham direito a voto nas eleições do clube. Por respeito à isonomia, é necessário que a qualificação como sócio patrimonial garanta ao corinthiano acesso facilitado à aquisição de ingressos.
6. Interiorização do clube – Faz-se fundamental a constituição de uma política de expansão do clube, com sedes em regiões marcadas pela aglutinação de adeptos. Londrina, Uberlândia, Campo Grande, Goiânia e Recife, entre outras cidades, merecem, em tempo breve, contar com extensões físicas do clube do povo.
7. Justa devolução à sociedade – As sedes atualmente existentes e outras que vierem a ser construídas, devem honrar o compromisso dos fundadores. O Corinthians é grande demais para se limitar ao esporte. Seus redutos devem, desde sempre, figurar como opções de lazer e entretenimento comunitário. Também é fundamental que sirva como polo educativo para as populações locais. Deve ser, como sonhado pelos brasileiros do Bom Retiro, um lugar de aprendizado permanente, oferecendo cursos e organizando palestras e debates sobre os mais diversos temas.
8. Valorização de nossos recursos humanos – Desde já, é preciso transformar em craques os milhares de pequenos corinthianos e corinthianas que se destacam nos mais diferentes esportes. Nossas divisões de base, no futebol e outras modalidades, devem receber atenção especial. Esse processo de recrutamento e seleção deve abranger as sedes regionais, citadas na proposta 6, de forma a se aproveitar de maneira integral a oferta de jovens talentos. Propomos a implantação do projeto “Corinthiano do Futuro”, destinado a oferecer assistência de saúde e educação integral aos jovens das divisões de base. Esses valores devem ser contratados pelo SCCP e, assim, protegidos da ação funesta de agenciadores e empresários.
9. Criação da Universidade Corinthians – Constituição de uma instituição com foco em ensino superior, pesquisa e serviços comunitários. Os cursos, inclusive os de pós-graduação, devem valer-se das peculiaridades do clube, oferecendo aos alunos experiências práticas na rica diversidade do universo corinthiano. Cursos de Medicina Esportiva, Fisioterapia, Psicologia, Nutrição, Ciências Sociais, Comunicação e Administração Esportiva devem receber especial ênfase na universidade. Atletas profissionais, atletas da base e associados devem ter acesso facilitado às atividades da instituição, de forma especial às jornadas de extensão. Haverá parcela mínima de portadores de deficiência e indivíduos economicamente desfavorecidos nos cursos de graduação, extensão e especialização.
10. Formação de um Corinthians forte e vencedor – Obviamente, essas ações devem compor um cenário de fortalecimento das finanças e da imagem da instituição, o que resultará num aprimoramento das equipes. Um Corinthians de gente engajada e responsável será mais forte, terá receitas que superarão largamente as despesas, contará com atletas de ponta e será vencedor nas principais competições esportivas, seja no futebol, no futsal, na natação, no basquete, no handebol e em outras modalidades. É preciso que os dirigentes do Corinthians saibam que o “business” é, sim, importante, mas nunca como finalidade. Bons negócios e empreendimentos, em nosso caso, são “meio”. O principal objetivo do gestor corinthiano será proporcionar satisfação ao torcedor. Antes de uma transferência lucrativa, preferimos o título. Antes do sucesso do agente de atletas, desejamos equipes competitivas, capazes de honrar nossa tradição vitoriosa. Antes do acordo entre negociantes, buscamos mais uma glória do campeão dos campeões.
Por que aderir a esta chapa
A chapa “Bataglia Corinthians” não concorre oficialmente nas eleições corinthianas de 2012. No entanto, não deixa de oferecer, de forma legítima, uma alternativa ao modelo tradicional de gestão do futebol.
Algumas dessas ideias foram colhidas de modo informal em conversas com o atleta Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira (1954-2011), um dos líderes da Democracia Corinthiana. Ele é, portanto, nosso candidato à presidência do SCCP.
Incluímos também propostas colhidas entre outros artífices da DC, como o atleta Wladimir Rodrigues dos Santos. Outras reivindicações surgiram da manifestação dos torcedores, organizados ou desorganizados, que seguem o Corinthians, no Pacaembu e em outras praças esportivas do país.
Consideramos que o mundo mudou e com ele o conceito de gestão e sucesso. No futebol destes novos tempos, não haverá mais espaço para oportunismos, farisaísmos e esquemas predatórios, destinados a beneficiar cartolas e grupos corporativos que vampirizam a comunidade de torcedores.
O Corinthians deve ser palco do melhor da vida, nunca uma vitrine para especuladores e oportunistas.
Valorizamos nossa história, valorizamos nosso rico capital humano, valorizamos a construção compartilhada do conhecimento, valorizamos o engajamento individual, valorizamos a comunhão, valorizamos a democracia, valorizamos a sustentabilidade econômica, social e ambiental de todos os projetos associados ao esporte.
Vai, Corinthians! Seja o que você é! Não pare, você também, de lutar!"
Marcadores: Corinthians
15 Janeiro 2012
Revolução corinthiana já!
Se você está com saudades antecipadas da gestão de Andrés Sanchez que se encerra no próximo mês, pare de ler este texto imediatamente. Ele é longo e indigesto aos fúteis ou descompromissados. O que vem abaixo é um manifesto pessoal, à disposição de quem queira contribuir ou me atacar, de acordo com suas preocupações e prioridades. No mais, minha intenção é aproveitar o ambiente político em ebulição no Corinthians para ser, de novo, aquele chato que reclama de tudo. Se minha chatice é defender nossa instituição, então assumo o papel que me foi concedido.
Já tratei por aqui o que chamamos de espelhinhos de convencimento, que consiste na propaganda supervalorizada daquilo que é básico. Figuram com destaque nesse rol a construção do CT, o estádio e o aumento de faturamento, realizações que deveriam ser vistas como mera obrigação para qualquer administração que assumisse um clube tão gigantesco e com tanto potencial como o Corinthians. Peguemos o caso das receitas para ilustrar rapidamente a inoperância. Numa relação tosca entre faturamento de 2010 (R$212 milhões segundo o balanço) e o número de torcedores, temos aí uma captação de R$7 anuais de cada corinthiano, indício de desperdício de oportunidade incrível. Anexando esse quociente aos preços praticados na venda de ingressos e de produtos como camisas oficiais - todos eles excludentes -, fica nítido que a estratégia segue na contramão de nossa história.
Do estímulo propagandista para escamotear cagadas, surta uma alienação que se espalha como vírus por toda a Fiel Torcida e detona com as ideologias que, para o bem ou para o mal, serviam a nosso procedimento. Os instrumentos variam de acordo com o momento, de jogadas de marketing a palavrórios de dirigentes. No começo deste 2012, por exemplo, pipocou pela internet uma entrevista lamentável com o presidente que se diz licenciado arrotando mais abobrinhas que o usual e enchendo o prato da imprensa abutre. Curiosamente, alguns recados e provas desse modus operandi ficaram bem claros nas entrelinhas e também nas linhas. Abaixo, excertos da coisa, com os devidos comentários deste que vos escreve:
"Hoje, temos gerentes remunerados e eu queria pôr superintendente, um CEO, que agora tá na moda, aqui no meu lugar (...) Aqui sempre teve diretor amador, apaixonado." - se virar moda tomar no cu...
"É inexplicável o Corinthians começar como começou e se tornar o que se tornou. Não tinha uma bandeira." - para todo corinthiano, não é inexplicável. A explicação é tão sólida que, cem anos depois, tem um descendente de japoneses levando a idéia adiante.
"Eu não sou doutor e tive uma rejeição grande dentro do clube, isso por não ter curso universitário, não falar bonito." - menção indireta, maldosa e desnecessária ao Sócrates, que será repetida logo à frente. Fora isso, vale lembrar de Vicente Matheus, tido como analfabeto, mas cuja aceitação pública era gigantesca. Talvez pela autenticidade.
"O futebol, você tem que entender (...), é a melhor forma de se falar com a população." - aqui, a chave da gestão Sanchez, que realmente falou com toda sua torcida, mas de modo a extinguir os valores do corinthianismo.
"Olha aqui: eu sou presidente do Corinthians. Tenho qualquer informação. Onde você trabalha tem um corintiano e, dependendo do que você falar, ele me fala. Liga aqui e me conta. É inacreditável." - ou seja, ele sabe o que será publicado de mentiroso contra o Corinthians e, mesmo assim, não prepara a defesa do clube.
"Hoje, no Pacaembu, vira e mexe eu assisto jogo da arquibancada." - essa é uma das mentiras que, repetida à exaustão para aquele torcedor que não vai ao Pacaembu com freqüência, acaba virando verdade. Nunca vi Andrés Sanchez pelas arquibancadas desde que ele começou a ser figura pública.
"O maior faturamento do Corinthians é bilheteria e patrocínio. A partir do ano que vem, vai ser da televisão. Ela [a televisão] tá pagando! Ela não quer saber quem vai ao estádio, quer saber quem liga a televisão!" - nefasto, o presidente força o clube a abrir mão de sua autonomia e se torna refém de uma emissora vil, cuja ideologia é totalmente contrária aos interesses do torcedor e do povo brasileiro.
"eu cobro US$ 300 dólares e eles, US$ 1.000. Por quê? Porque eles têm estádio decente. O dia que eu tiver um estádio decente, os preços são outros!"- aqui, uma dica de quais serão os preços no estádio em Itaquera, reforçando o processo de elitização do futebol e, mais grave, do torcedor corinthiano presente aos jogos.
"como o Sócrates escreveu que ele sabia que eu não tinha me formado nas melhores escolas da Europa, mas, pelo menos, tinha estudado em escola pública no Brasil." - novamente, ele demonstra seu incômodo com a figura do Doutor, um dos principais críticos do parasitismo que infesta a política interna do Corinthians.
"O Corinthians vai fazer uma arena de show aqui (mostra o campo de futebol do Parque São Jorge). Vai tirar essa merda toda e construir uma arena pra 25 mil pessoas." - alguém que chama o Monumental Alfredo Schürig - fruto do suor de centenas de guerreiros corinthianos - de "essa merda", só pode estar demonstrando seu desdém pela nossa centenária história.
"Não tem cabimento ter meia-entrada em futebol e não ter meia-janta! Meio-almoço! O que é mais importante: um jogo de futebol ou comer?" - um corinthiano jamais diria isso. O corinthiano deixa de comer pra ver o Corinthians.
"Você acha que é fácil fazer isso com a Odebrecht? Mas eu tenho costa quente (risos)." - o pedantismo é característica marcante de aficionados pelo poder.
A matéria não pára aí. Vem com um apêndice e troca gato por lebre, exaltando as qualidades democráticas e participativas da eleição da rainha da Inglaterra conhecida como RPC. Timing perfeito, como toda manipulação de Sanchez, já que o troço aconteceu dois meses antes da votação de verdade. É claro, é notório, é explícito que essa porcaria não vai resultar em nada para o corinthianos, mas deu às representações ilegítimas que atuam no Corinthians um cenário de águas calmas para a prática dos crimes mais cruéis possíveis.
E o crime veio, com a nova regulamentação que limita o voto do associado à escolha de apenas um grupo de 200 velhacos para representar os anseios de milhões no Conselho Deliberativo. O inaceitável retrocesso foi defendido por situacionistas e oposicionistas, cada um a seu tempo, mas ambos aspirando manter as coisas como estão. O helulismo, meus caros, é ainda muito presente por aquelas bandas, mesmo que seu fundador tenha ido para o merecido inferno ano passado. Para tanto, vale espiar os membros do Conselho Vitalício, esse câncer a ser extirpado, e notar quantos helus, dualibs e curis ainda figuram no órgão, ao lado de outros não menos infames como o ex-governador Fleury, o ex-promotorzinho aparecido Fernando Capez, Miriam Athiê e Romeu Tuma Jr., além dos conhecidos Citadini, Rubens Approbato e Waldemar Pires.
Cartas à mesa, basta somar dois e dois e apreciar o esquema da perpetuação do lixo nas salas ar-condicionadas do Parque São Jorge: o dito "torcedor comum" é iludido com palhaçadinhas marketeiras, o tráfico de influência junto às lideranças de organizadas é fortalecido e a participação do povo no Time do Povo escorre pelas mãos como areia. Paralelamente, os inocentes e os não tão inocentes úteis trabalham a todo vapor para defender sua boca na teta, tentando convencer quem não vota (por falta de po$$ibilidades ou por ainda estar na quarentena do Estatuto) que suas intenções são as melhores possíveis.
Neste período eleitoral, o corinthiano de arquibancada que não tem os 800 reais do título de sócio porque precisa pagar ingresso, será abordado pelas duas facções majoritárias e ouvirá maravilhosas promessas. Os pleiteantes precisam ganhar visibilidade e apoio externo para se salvaguardar e falar, indevidamente, em nome da maioria. De um lado, os de Sanchez irão investir no discurso de manutenção do planejamento, da estrutura, da organização e da modernização como etapas para obtenção de uma participação cada vez mais ampla. Já os opositores posarão de arautos da moralidade, pregando austeridade e tolerância zero com as falcatruas que eles próprios instituíram lá dentro.
Sendo assim, no próximo dia 11 de fevereiro, é dever daqueles que lutam pelo resgate do corinthianismo ir até a porta do clube para manifestar seu desejo de ampla abertura política no Corinthians. A Revolução Corinthiana urge! Pelo fim do Conselho Vitalício! Pelo voto do Fiel Torcedor! Pelo fim das cláusulas de barreira para votantes e candidaturas!
O CORINTHIANS É NOSSO!
ACORDA, FIEL!
Marcadores: Corinthians
20 Dezembro 2011
Corinthiarte - volume III
Mais uma vez voltamos aqui para divulgar o maravilhoso trabalho dos irmãos de arquibancada Filipe Gonçalves (do AnarCorinthians) e Fernando Wanner que, ao lado de Luiz Wanner (pai de Fernando), vêm preenchendo as lacunas de corinthianismo decorrentes dessa modernidade nociva do futebol. Retomo, novamente, o que escrevi em janeiro, data de lançamento do primeiro fascículo da série Corinthiarte:
"O Corinthians é a utopia concretizada do povo. Fruto de uma conjunção de fatores racionalmente improvável, nosso Todo-Poderoso se tornou gigante e Centenário enfrentando provações diárias. Sua gente não podia ser diferente e agrega esses valores ao cotidiano como nenhum outro torcedor. Puxa daqui, arranca de lá, e o corinthiano resiste, contra tudo e contra todos, alimentando sua alma com o mesmo sonho que tiveram os ancestrais reunidos na famosa esquina do Bom Retiro, formada pelas ruas José Paulino e Cônego Martins.
Sonharam também Filipe Gonçalves, Fernando Wanner e Luiz Wanner, devaneio que acompanhei de perto, mais precisamente da arquibancada. Um sonho de comprometimento, de crença numa força inexplicável que brota da lendária biquinha, de legítimos filhos de São Jorge. Belíssimo como uma jogada de Luizinho, um lance magistral de Cláudio, um passe de calcanhar do Doutor, uma falta de Neto, uma redenção de Basílio, uma defesa de Ronaldo, um carrinho de Idário. E, acima de tudo, corinthianíssimo como cada batida do coração de Neco."
Como nas outras vezes, tive a grata oportunidade de ler o texto em primeira mão e adianto que esse terceiro volume está especialmente emocionante. Para marcar a chegada da terceira parte da saga - que leva o título "É com o pé. É com a mão. É Campeão" -, o Ginásio do Parque São Jorge estará aberto na próxima quinta-feira para receber toda a Família Corinthiana, o que torna o troço ainda mais imperdível. Encerre este ano de 2011 renovando as energias na Cidade Corinthians e prestigiando o feito dos três Mosqueteiros que, com muito afinco, estão fazendo importante resgate de nossa Centária história.
VIVA O CORINTHIANS!
Lançamento: "É com o pé. É com a mão. É Campeão"
Local: Ginásio do Parque São Jorge
Data: 22/12/2011 - às 19h
Preço: R$10

Marcadores: Corinthians
08 Dezembro 2011
Brasileiro e corinthiano
Com os sentimentos um pouco mais controlados, acho que me sinto preparado para tecer algumas palavras sobre o gigantesco herói que nos deixou no último domingo, justamente num dia de alegria para o Corinthians pelo seu quinto Campeonato Brasileiro. Ouvi a notícia da morte de Sócrates Brasileiro e Corinthiano lá pela hora do almoço, quando me preparava para ir ao Pacaembu. Um baque, uma faca no peito e uma sensação de vazio no estômago que não era fome, mas algo muito parecido com aquilo que me deu no dia em que minha saudosa tia Terezinha se foi.
Aliás, foram inúmeros os testemunhos nessa toada: os corinthianos perderam um ente próximo. A tristeza que me acompanhou até o Templo Sagrado pairava pela cidade e pelo país, e se intensificou ainda mais depois da catraca. À beira do alambrado, no encontro com os irmãos Filipe, Rubio, Salgado e Victor - todos eles seguidores ortodoxos dos paradigmas socráticos -, foi difícil segurar as lágrimas. Lá em cima no nosso lote, ao lado do Janeiro, Luizão, Raphael e muitos outros parceiros, o pranto foi inevitável.
Os braços erguidos e os punhos cerrados que homenagearam Sócrates antes do apito inicial representavam a esperança, o amor e o compromisso com a luta encampada pelo Doutor no início dos anos 80, retomando, inclusive, os ideais corinthianistas de 1910 de participação política intensa do povo dentro do seu time. Serão essas as recordações marcantes do ambíguo 4 de dezembro de 2011; é nisso que devemos nos apegar toda vez que formarmos nossas opiniões sobre tudo que envolve o Corinthians.
O legado de Sócrates é imensurável e, até certo ponto, incontestável. É crime hediondo ignorar cada vírgula por ele eternizada, mesmo aquelas com as quais a gente possa não concordar de imediato. Ele não queria ser o bom-moço casadoiro, mas sim fazer de cada corinthiano um contestador, baseando-se em nossa impetuosidade e nossa irmandade características. O pensador dos gramados forjava pensadores nas arquibancadas e nas ruas, incitava o raciocínio além das meia-verdades e combatia a imbecilidade, ainda que cercado de imbecis aproveitadores.
Isso posto, a tristeza de ver partir esse gênio da bola e da cachola não se dá pelo simples fato da morte, pois ela é inevitável. Dói demais não poder contar com novas provocações que colocavam a opinião média contra a parede, algo tão necessário ao corinthianismo claudicante dos dias atuais. Dói porque há canalhas que riem dessa desgraça. Dói porque sua história, assim como todos que vestiram a camisa do Corinthians um dia, será distorcida pelos babacas da mídia dominante e ele será o "alcoólatra comunista maloqueiro", ainda que não tenha sido nenhuma dessas coisas.
Sócrates foi, sim, corinthiano, brasileiro, craque, vencedor, iluminado, líder, escritor, boa-praça, brasileiro, verdadeiro. Escolha qualquer uma dessas - ou várias - facetas e faça a coisa certa: seja um devoto desse anjo torto, que agora foi ter com nossos antepassados brigadores e guerreiros.
OBRIGADO, DOUTOR SÓCRATES!
Marcadores: Corinthians
05 Dezembro 2011
Corinthians 5x: festa, contemplação e democracia
O Templo Sagrado era o palco perfeito para tudo o que aconteceu neste 04 de dezembro, quando conquistamos nosso 5º título brasileiro. Conquistamos, na primeira do plural, porque não foram os vagabundos e o técnico de merda os grandes responsáveis pela glória corinthiana. Quem merece os parabéns e uma volta pela cidade com a taça na mão é a Fiel Torcida, que jogou como nunca neste modorrento campeonato de pontos corridos. Mas vamos por partes.
O domingo começou com uma das notícias mais tristes que poderíamos receber: faleceu Sócrates Brasileiro e Corinthiano. Um gênio a serviço de seu povo, um craque com a bola nos pés e com as idéias na cabeça. Provocador e sempre racional, foi um dos poucos jogadores na centenária história do Corinthians a entender sua torcida e criar junto dela um relacionamento de respeito e admiração, tendo como pano de fundo o amor ao Coringão. Creio eu que a passagem dele para o rol de corinthianos imortais foi também muito bem pensada - dizem alguns até prevista pelo próprio. O Doutor foi ter com o pessoal lá de cima porque queria curtir esse título tranqüilamente, tomando cerveja e fazendo a festa que sempre soube fazer.
Sua energia, porém, tomava conta do Pacaembu. A belíssima e emocionante homenagem antes da partida final, com todos os filhos de São Jorge com o punho em riste, fez a diferença em campo. Não poderiam os vagabundos deixar esse campeonato ir para a caralha; por nós e por Sócrates. E assim fizeram, jogando titescamente (o vocábulo titescamente pode ter como sinônimos escrotamente ou empatibilidade) e empurrando o coração de cada torcedor pela goela. Diante de toda a anticorinthianada atônita, porém, chega hoje no Memorial do Parque São Jorge outro troféu que coloca mais uma viga na concretização do sonho do povo iniciado em 1910. Uma viga com tendências democráticas, diga-se, pois o título socrático precisa servir de inspiração à Fiel para que retomemos os ideais participativos e includentes dentro do clube.
Depois da festa sem precedentes que tomou as ruas de todo o Brasil, com o povo sendo feliz e louvando o corinthianismo em estado puro, só resta dar os parabéns a toda a família corinthiana. Lutamos e vencemos, que é como deve ser. Agora, é encher a cabeça de cachaça e guardar na memória toda a emoção sentida.
VIVA O CORINTHIANS! PARABÉNS, FIEL TORCIDA! OBRIGADO, DOUTOR SÓCRATES!
É CAMPEÃO!
Marcadores: Corinthians
27 Novembro 2011
Lições e a última batalha
Domingo que vem, o Corinthians só precisa jogar bola e esquecer os cotovelos moídos alheios. Hoje, aqueles desprivilegiados que não foram escolhidos pelo Corinthians para defender sua história e sua camisa estão alimentando frustrações para tentar nos prejudicar. Ignore, corinthiano. Você tem uma batalha sangrenta e só ela é o que nos interessa.
Aprenda, de uma vez por todas, que a gente nunca ganha nada de mão beijada. Pare com essa babaquice de ficar cantando "tá chegando a hora" quando essa hora ainda não chegou. Sabemos muito bem como é o futebol e já viramos muitos jogos justamente nos últimos segundos. Não dê espaço a políticos aproveitadores (viu, seu Antonio Goulart?) que querem aparecer às custas de nosso triunfo e exerça o LHP de maneira ortodoxa.
Domingo é dia, principalmente, de exaltar o amor ao Coringão. Não vá ao Pacaembu fazer festinha, vá defender nossas cores como se fosse o dia do Juízo Final.
Pois quem não for corinthiano...
VAI CORINTHIANS!
Marcadores: Corinthians
19 Novembro 2011
Eu era um barco errante
"Bonequinha linda
Que Deus me mandou
Me faz um carinho
E diz que eu sou seu amor
Eu era um barco errante
Sem rumo a navegar
Você é a estrela brilhante
Que veio pra me guiar
Bonequinha meu xodó
Tem tem tem de mim tem dó
Me abraça e nunca me deixe só"
Sempre que chega o 19 de novembro, eu tenho cá comigo um agradecimento especial a sei lá qual força superior atua sobre nossas cabeças. É dia da minha Evinha, de encher ela de presente, alegria e tudo o que mais for necessário para aquele sorrisão se abrir e os olhos ficarem cada vez mais cinzas.
Agradeço, então, por estar ao lado dela e tentar contribuir para que tal nível de felicidade e amor esteja sempre estratosférico, seja com regalos, com nossa cerveja ou com as idiotices que eu falo e só ela suporta. Talvez os anos se passando até ajudem o desenvolvimento dessa paciência quase oriental que ela deve ter com minhas teimosias...
E confesso: a música aí em cima é mais uma das minhas provocações, apesar de toda verdadeira para mostrar fanfarronicamente o meu imenso amor por essa preta que festeja hoje mais um aniversário. Expor minha breguice, aliás, é das grandes provas de toda minha idolatria por você.
Amo-te, Evita!
07 Novembro 2011
Contaminação de mediocridade
É impossível não ficar indignado com a falta de Corinthians no atual catado de vagabundos que agora veste nossa camisa. Não se entregam, não dão à vida como faz - hoje em menor número - a Fiel Torcida por essa imensa instituição. Mais ainda, a alienação promovida a toque de caixa pelos espelhinhos da modernidade contribui para que o outrora maior movimento social da humanidade caminhe em direção da completa mediocridade, habituando-se passivamente às regras de disputa correntes no futebol.
O que estamos presenciando nada mais é que uma repetição do mesmo disco riscado, apenas com mudanças dos fantoches. Desde que se instalou o modorrento campeonato de pontos corridos e sua conseqüente valorização do que há de pior no esporte, o Corinthians, para se adaptar à realidade, se propôs a adotar idéias que jamais seriam aceitas pelos guerreiros ancestrais que consolidaram o sonho do Time do Povo em 1910.
Para não nos basearmos em achismos, aos fatos. Fiz um levantamento que leva em conta as apresentações do Timão nas últimas 10 rodadas dos Brasileirões desde 2005. Segue:
- 2005
- 32ª rodada: empate em 1x1 contra o palmeiras
- 35ª rodada: empate em 1x1 contra o vasco (terminou em 12º lugar), no Pacaembu
- 36ª rodada: derrota por 2x1 para o cruzeiro (terminou em 8º lugar), em BH
- 39ª rodada: derrota por 1x0 para o são caetano (terminou em 17º lugar)
- 40ª rodada: empate em 1x1 contra o inter, no Pacaembu
- 42ª rodada: derrota para o goiás por 3x2, campeão por conta da derrota do inter
- 2006
- 29ª rodada: derrota por 3x0 para o flamengo (terminou em 11º lugar), no Maracanã
- 35ª rodada: empate em 0x0 com o figueirense (terminou em 7º lugar), em Floripa
- 36ª rodada: empate em 1x1 com o fluminense (terminou em 15º lugar), no Pacaembu
- 37ª rodada: empate em 0x0 com o botafogo (terminou em 12º lugar), no Maracanã
** Ficamos a sete pontos do quinto colocado, o inexpressivo Paraná Clube, que levou a vaga para a Libertadores.
- 2007
- 31ª rodada: empate em 1x1 com o inter (terminou em 11º lugar), no Pacaembu
- 32ª rodada: derrota por 1x0 para o náutico (terminou em 15º lugar), em Recife
- 35ª rodada: empate em 2x2 com o atlético/PR (terminou em 12º lugar), no Pacaembu
- 36ª rodada: empate em 1x1 com o goias (terminou em 16º lugar), em Goiânia
- 37ª rodada: derrota por 0x1 para o vasco (terminou em 10º lugar), no Pacaembu
- 2008 (série B)
- 29ª rodada: empate em 1x1 com o marília, em Londrina
- 30ª rodada: empate em 2x2 com o santo andré, no Pacaembu
** subiu na 32ª rodada. Empate na 7ª rodada com o bragantino em 1x1 em Bragança (depois venceu no returno por 2 a 0), derrota na 12ª rodada para o bahia por 0x1 no Pacaembu, empate na 15ª rodada com o criciúma por 0x0 no Pacaembu.
- 2009
- 30ª rodada: derrota por 2x0 para o sport (último colocado), em Recife
- 31ª rodada: derrota por 0x1 para o cruzeiro, no Pacaembu
- 36ª rodada: derrota por 2x3 para o náutico (penúltimo colocado), no Pacaembu
** nessa edição, o então técnico Mano Menezes desistiu de disputar a competição na 18ª rodada, após derrota em 1x0 para o flamengo. O time carioca foi campeão da edição e, naquela rodada, ocupando a 8ª posição na tabela.
- 2010
- 29ª rodada: derrota por 3x4 para o atlético/GO (16º colocado), no Pacaembu
- 30ª rodada: empate em 0x0 com o guarani (18º colocado), em Campinas
- 36ª rodada: empate em 1x1 com o vitória (17º colocado e já rebaixado), em Salvador
- 38ª rodada: empate em 1x1 com o goiás (19º colocado, rebaixado e com time reserva), em Goiânia
Avaliando esses números, mais a postura de inomináveis charlatões que ocupam desde as salas ar-condicionadas do Parque São Jorge até aqueles que calçam suas chuteiras coloridas e vão para o gramado fazer a torcida passar vergonha, fico cada vez mais descrente com nosso futuro e cansado da apropriação imoral do Corinthians por bandidos e/ou incompetentes. O descompromisso é imensurável e, caso a taça venha para nosso Memorial, será por pura teimosia dessa camisa que ainda tem força suficiente para combater a vagabundagem.
ACORDA, FIEL!
Marcadores: Corinthians
15 Outubro 2011
Brava gente
Neste 15 de outubro, novas e velhas crianças devem louvar aqueles que muito contribuíram em nossa trajetória. Gente que acorda cedo e vai dormir tarde, que enfrenta as piores condições de trabalho, recebe um salário indigno e, ainda assim, cumpre dignamente seu papel na consolidação da cidadania. Lembrem-se de todos os professores que passaram por sua vida e faça uma saudação calorosa.
Eu, que tenho aulas particulares com a melhor prô do mundo, nutro particular admiração pela determinação com que minha Evinha dá de ombros para os desmandos de quem quer que esteja no poder. Ali, na sala dela, quem manda é a inteligência e a capacidade. Números e estatísticas são para governantes apresentarem aos imbecis e nas eleições; à classe, ela passa humanidade e um conhecimento impossível de mensurar.
Quantos guerreiros não estão nos fins de mundo desse Brasil, comendo o pão que o diabo amassou por conta de uma digna teimosia: ensinar. A essa brava e incansável gente que tanto apanha e que não perde a força, minha reverência. E à minha Evinha, mais que reverência, eterna gratidão por tudo que me ensinou, principalmente pelo péssimo aluno que sou.
VIVA OS PROFESSORES!







