28 novembro 2008

Só um desabafo


Eu não suporto bater cartão de ponto. Eu não consigo trabalhar em lugar que segue essa rigidez de horário. Pode até ser falha de caráter ou coisa parecida, mas não consigo ver a relação entre o ponto e o aumento de produtividade, ao menos na minha profissão.

Quando instalam essa porcaria no lugar onde trabalho, é sinal de que meu prazo de validade venceu...

As coisas mudam


Ontem, depois de milênios, encontrei dois amigos dos tempos de colégio. Havíamos marcado, via internet, uma reunião para relembrar os ensaios que fazíamos quando adolescentes, ainda alimentados pelo sonho de viver de música. Só que uma coisa mudou, além da idade e dos sonhos: antes o negócio era meio que na marra, enfurnando-nos num quartinho ou no porão de casa. Ontem, meus caros, toquei num estúdio todo modernoso.

A comparação foi imediata com os campos de futebol society. E, da mesma forma, com as escolinhas de futebol. Se antes a bola era jogada nas ruas e os ensaios eram feitos nas garagens, agora a molecada vai toda emperequetada para a grama sintética e se enfia numa sala cheia de parafernálias para tocar.

O lado ruim é que isso some com a essência da coisa, aquele negócio meio rebelde (santa ingenuidade) de ficar tocando por horas, enchendo a cara de cana e jogando conversa fora com os amigos. Some também a inspiração para composições. Não que não tenha sido bacana tocar no mesmo lugar por onde passou um monte de artista fudido, mas os estúdios eram um outro estágio na vida de músico.

Para se ter uma idéia da facilidade, a hora custa módicos R$20. Há na recepção (!!!) um bar e todas as salas possuem ar-condicionado. Está ao alcance de todos um lugar que outrora era considerado um templo.

Talvez por isso qualquer um vira músico, bandas medíocres fazem sucesso e o Perdigão é jogador do Corinthians.

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Falando em coisas medíocres, não demorou muito para que confirmássemos que, mesmo com o limite de 40% para meia-entrada, os preços de ingressos para eventos culturais não irão diminuir. O Filipe me mandou esse texto, acompanhado de um editorial ameaçador da Falha, avisando que isso é só o começo.

E aí eu me pergunto: mesmo se baixar, vai baixar de R$400 pra R$300? Pra mim não adianta nada...

27 novembro 2008

Compilando idéias soltas


- Pensamento sobre a questão das cotas: se os jornalistas que as atacam dizem que o favorecimento seria motivo de desmerecimento e humilhação aos negros, o que dizer de jornalistas que se fazem às custas de (falsas) informações privilegiadas, recebidas por telefone ou e-mail?

- Tem um post no Nassif falando sobre como escrever bem. O tópico 10 recomenda não generalizar. Ignorando o fato de que isso é constante na atividade jornalística, pergunto qual o problema das generalizações? Ela dá toda a graça ao negócio e não deixa o texto sem sal. O grande desafio é provar tal generalização, coisa que a grande maioria não faz.

- Já o Kotscho reproduz texto de um editor do Fantástico. O global até que tenta fazer sua crítica da mídia, mas já está contaminado pelos vícios da emissora. Leiam que vocês irão me entender. O que eu realmente acho é que os jornalistas têm que humanizar as coisas, entrevistando o povo ao invés de "especialistas no assunto". Além de trazer novas pautas, é uma boa desculpa para dar ao editor na hora em que a fonte não quer falar nem sob decreto.

- A coisa em Santa Catarina foi feia, porém mais feio ainda é o que estão fazendo alguns comerciantes, segundo mostra o PHA. Botijão de gás a R$120, galão de água a R$50. Alô capitalismo!

- É praxe dirigente de futebol vir com aquelas provocações babacas na imprensa. Achando-se muito malandros, esses manés desconhecem as táticas dos verdadeiros mestres. Veja o que fizeram os presidentes do Corinthians e do fluminense quando do jogo da Invasão Corinthiana de 1976, em depoimento do próprio diretor tricolor ao Juquinha.

Inaugurando


Dando seguimento à promessa de fazer um rígido acompanhamento ao governo Kassab, inauguro hoje a seção Hora da Patrulha, que poderá ser acompanhada pelo marcador patrulha logo abaixo de cada texto.

Na cerimônia de abertura, temos a presença de ninguém menos que Soninha Francine. Interessante a trajetória dessa moça. Ela fez fama na MTV apresentando programas de debates voltados à juventude e virou até comentarista de futebol. Tal proximidade com a molecada transformou-a num belo quadro político, tanto que foi eleita vereadora do PT. Só que aí...

Há na política inúmeros fatores determinantes para o sucesso eleitoral. Coerência é uma das mais importantes, a meu ver. Porém, tudo que a jovem senhora em questão não possui é a coerência. Durante sua passagem pelo PT, ela foi uma das que mais fez eco aos discursos golpistas anti-Lula na época do "mensalão" (invenção tucana, lembrem-se disso), criando uma indisposição com a cúpula petista e o isolamento no partido. Ao mesmo tempo, Soninha passou a votar contra a determinação de sua coligação na Câmara - e outro elemento imprescindível na política é a lealdade partidária -, demonstrando inadequação aos preceitos do centralismo democrático.

Depois dessas tretas todas com o PT, a moça migrou para o PPS, filial tucana destinada a receber pseudo-esquerdistas que, na verdade, tiveram raros espasmos progressistas e nunca admitiram a própria peleguice. Foi nesse período que ficou muito próxima do então prefeito e atual governador José Serra. Por conta disso, refugou o convite do Bloco de Esquerda para compor candidatura com Aldo Rebelo e saiu pelo PPS, prestando grandes serviços à campanha do generalzinho, o Paulinho do Serra.

A recompensa para esse sinuoso caminho chegou agora. Deu no Estadão que "Soninha deve comandar Subprefeitura na gestão Kassab". Para aqueles que viam na moça a grande alternativa de São Paulo e se deixaram seduzir por aqueles papinhos ecológico e politicamente correstos, é bom começar a rever os requisitos na hora de escolher em quem votar.

Eu avisei!


26 novembro 2008

Patrulhamento cívico compulsório


Dois assuntos em pauta, ambos merecedores de extrema atenção. Falemos primeiramente da questão da meia-entrada, em discussão no Congresso Nacional. Foi aprovado no Senado, em primeiro turno, um projeto que cria a cota máxima de 40% no total de ingressos dos eventos culturais
ao desconto estudantil.

Essa reserva representa o início da extinção da meia-entrada, uma bandeira histórica do movimento estudantil conquistada com muito suor e saliva. É um retrocesso inadmissível, que só servirá para tornar ainda mais restrito o acesso da juventude à cultura. Alegam os defensores do projeto que houve uma disseminação de carteirinhas, o que tornou as produções inviáveis por conta do baixo faturamento. Pois bem, o problema a se combater é exatamente a emissão desenfreada de identificações estudantis, e não o direito à meia. Dito isso, é bom sempre lembrar que o grande responsável pela baderna foi o ex-ministro Paulo Renato que, na tentativa de desarticular o movimento estudantil, tirou a única fonte de renda das entidades e acabou com o controle e fiscalização na confecção das carteirinhas.

Nesse imbróglio todo, o mais interessante foi ver alguns artistas fazendo coro a essa imbecilidade. Nomes como Beatriz Segall (diz a lenda que a Odete Roitman não sai de casa por menos de R$30 mil; quanto pagaram para ela?), Gabriela Duarte, Ivete Sangalo, Irene Ravache e Fernanda Montenegro nem surpreendem. Porém, me decepcionou muito gente como Wagner Moura e Herbert Vianna estarem no mesmo barco. Segundo a patota, eles afirmam que a cota possibilitará a redução no preço dos ingressos para suas peças e shows - um parêntese: quando o dólar explodiu, apareceu uma bela desculpa para inflacionarem os preços, que não caíram com a valorização do Real.

Por que, ao invés de se prestarem a esse papel, eles não se reúnem para pressionar o governo por subsídios e políticas públicas para a cultura? Talvez porque são bancados pela Globo e pela Lei Rouanet. Garanto, inclusive, que as peças e shows desses figurões não dependem de bilheteria, uma vez que já foram pagos com o patrocínio de empresas em busca de isenção fiscal. E agora eu lanço o primeiro motivo para nosso patrulhamento cívico. Quero ver se vão baixar o preço depois dessa cota!

O segundo assunto remete ao compromisso assumido com o amigo Raphael de realizar uma intensa fiscalização ao nefasto governo Kassab. Depois de descumprir a primeira promessa de campanha ao não priorizar os CEUs, o generalzinho divulgou hoje os patrocinadores de sua reeleição. A informação vem da Falha: "Maiores doadoras de Kassab têm contratos com a prefeitura de SP".

Não irei me prender ao dado, mas sim ao tratamento que ele mereceu no panfleto tucano dos Frias. Fosse a Marta, imaginem o escarcéu. Fosse o Lula, então... O erro maior da matéria está justamente em não ter investigado as últimas obras realizadas por tais empresas para o município, o que poderia até configurar uso da máquina pública em campanha.

É imprescindível que nos mobilizemos para patrulhar dia-a-dia esses afrontes ao povo. Mesmo que com opiniões divergentes, o essencial é mostrar que as coisas não são como os jornalões mostram. Estarei por aqui e conto com a adesão da nossa humilde rede blogueira.

25 novembro 2008

As madrugadas de quarta


Quem me acompanha há algum tempo já deve ter lido uns textos sobre meu saudosismo com relação à imprensa esportiva de não muitos anos atrás. As manhãs de domingo na rádio Jovem Pan AM e o fechamento da rodada com o Mesa Redonda, por exemplo. Tal saudosismo, no entanto, é sempre confrontado com o péssimo direcionamento que a mídia futebolística tomou a partir da década de 90. Jornalistas, servindo a interesses escusos, esqueceram-se de seu público e passaram a tratar a profissão como um grande balcão de negócios.

Há duas vertentes nesse novo jornalismo dos gramados. Uma, cuja figura principal é o Milton Neves, vende até a mãe se possível, utilizando um espaço (raro) para fazer seus merchans ao invés de aproveitá-lo em prol da informação. Fala-se muita besteira, e a não ida aos estádios, coisa incompreensível para quem quer ser chamado de jornalista, é o motivo. Já a outra vertente também não costuma freqüentar os estádios, porém é ainda mais perigosa. Usa seu espaço como meio de promoção político-social, se veste com o manto da moralidade e consegue atingir o público higienista e imbecil que, por exemplo, vota em Kassab e acha o máximo as benesses da modernização do mundo. Acertou quem pensou no Juquinha, o crápula inexplicavelmente admirado por uma renca de gente, principalmente a molecada.

Isso em mente, venho aqui cumprir o mea culpa e dizer que a primeira turma está, ao menos, prestando um ótimo serviço à memória das comunicações. O Cabeção, ao lado do Mauro Beting, faz hoje o melhor programa de rádio durante as madrugadas de quarta-feira na Bandeirantes AM, na edição especial do Terceiro Tempo. Enquanto os juquinhas tentam abocanhar alguma teta nos poderes instituídos, Milton e sua equipe parecem querer voltar aos áureos tempos de Panamericana - contando, inclusive, com o fantástico acervo da Bandeirantes.

É divertidíssimo escutar as merdas - no bom sentido - que são ditas durante o Terceiro Tempo. Bom humor, recordações de ricas histórias do futebol e do povo e o resgate de jingles, programas e propagandas antigos. Não dá, por exemplo, para não se emocionar com o logotom do "Scratch do Rádio" característico das transmissões esportivas na emissora dos Saad.

Lógico que não serei irresponsável em absolver todas as imbecilidades que já proferiu o Milton Neves, ainda mais em relação às torcidas organizadas e ao Corinthians. Porém, é altamente recomendável escutar - ou ressucitar o velho gravador de k7 - essas madrugadas de quarta. Pena que algo tão bom esteja num horário tão inacessível ao grande público. O que, diga-se, faz saltar novamente minhas lombrigas com relação ao podcast. Resolução para 2009, aliás: fazer essa porra acontecer.

24 novembro 2008

Abre o olho...


Depois da Miss Centenário querer sair na Playboy e da japonesada ficar se esfregando no vestiário, eis a última da Terra do Sol Nascente:

Sutiã para homens vira sucesso no Japão


Depois disso, nada mais a declarar...

Algumas doses


- Em plenas férias futebolísticas (forçadas, obviamente), me deparei com um jogaço no cumprimento de tabela do Corinthians, sábado passado. Jogaço porque o Coringão mostrou que o futebol é um negócio sério e que, se for preciso, o pau come. Corinthianíssima a atitude de Morais, que não só deu um chega-pra-lá num alemãozinho folgado da mentira azul catarinense como também mandou um belo cruzado. A coisa fechou, a Fiel se inflamou e o negócio ficou bonito. Pena que uma besta invadiu o campo, e isso nos deve custar um mando de jogo na Copa do Brasil, a obrigação de 2009.

- Ainda sobre o futebol, é baixíssimo o nível da Série A - e nego ainda vem querer falar que tivemos um campeonato fácil na B... Sem tirar os méritos do já campeão, uma vez que é inconstestável a invencibilidade de 16 jogos, os leonores foram levados ao título também por incompetência de seus adversários diretos. Ressalto: farei uma análise fria e com o mínimo de parcialidade. Na minha humilde opinião, o jogo-chave foi o parmera x spfc. Ali definiram-se os futuros escorregões verdes, que também serviram para ressucitar um quase-defunto. No mais, ficou comprovado que o Grêmio é um time como sua torcida: desprezível. Comprova-se, ainda, que fórmula de pontos corridos é totalmente equivocada. A dois jogos do fim, temos os mesmos dois times "brigando" pelo caneco. Agora é agüentar a Evinha (e só ela, já que ignoro o bando de aproveitadores que preferiram ficar vendo corridinha de F1 ao invés de ir no estádio) mais um ano...

- Aconteceu nesse último fim de semana o encontro dos principais Partidos Comunistas de todo o planeta. Conforme previsto, não houve uma cobertura digna do evento. A coisa toda, aliás, se torna ainda mais importante nos dias de hoje, em que o liberalismo sobrevivendo com a ajuda de aparelhos. Enquanto o mundo ignorar o comunismo e suas premissas, muito sangue, muita pobreza e muita exploração ainda vão contaminar as relações sociais por muito tempo.

- Visitei pela primeira vez o Bar dos Cornos neste último sábado. Prorrogava a visita há anos, apesar do lugar ficar perto de casa. Trata-se de um grande estabelecimento, com um cardápio recheado de delícias e a cerveja a um preço médio (R$4 a Brahma). Comi por lá uma porção de coxinha extraordinária, e a Eva mandou um caldo de mocotó. Dividimos, ainda, uma rã. Boa, mas a da Juriti ainda é melhor. Ainda é preciso outras tardes no buteco, já que ele serve pratos do norte. Tem também música ao vivo em ótimo volume (entenda: não é preciso ficar gritando para se conversar) e um mugido de boi recepcionando os clientes de forma bem-humorada. Boa opção de refúgio, principalmente nesses tempos de blitze.

- E o Jogo das Barricas, hein?

21 novembro 2008

Pela rede


Feriadão e só o otário aqui trabalhando - ou melhor, fingindo -, só me resta ficar lendo na internet e acompanhando uns vídeos no Youtube. Escolhi alguns temas para debate:

- A aprovação na Câmara da reserva de 50% das vagas para alunos de escola públicas para negros nas Universidades Federais vai render muita bobagem escrita por aí. Vão alegar que estão nivelando por baixo (preconceito), que as cotas são um real preconceito (não são), que os alunos das cotas não teriam condições de acompanhar o curso (mentira, porque nos últimos anos foram feitos levantamentos que provaram exatamente o contrário) e que a miscigenação típica do Brasil não pode permitir segregações (hipocrisia, porque o racismo ainda é fortíssimo por aqui, haja vista os discursinhos contra a criação do Dia da Consciência Negra, numa inveja de brancos terrível). Exemplo dessas aberrações? Leiam o artigo de Demétrio Magnoli no lixo dos Mesquita...

- "Em crise, o Corinthians pretende se desfazer de seu principal atleta, o atacante Dentinho, mas não sabe se terá recursos para contratar nomes de ponta". Essa frase está no site da Falha, e foi escrita pelo arruda e pelo galdieri. Crise? Onde, seus abutres? O time sobe com seis rodadas de antecedência, é campeão com quatro, e há crise? Só se for em vossas cabecinhas ocas. Depois eu sou paranóico...

- Teve nenhuma repercussão a declaração do secretário da educação Alexandre Schneider (hail), divulgada pelo vereador João Antônio e feita numa audiência pública da Comissão de Finanças da Câmara Municipal. Segundo ele, construir CEUs "não será prioridade desta administração". Ahn? Também relacionado com isso está a informação de que São Paulo é a capital mais endividada do país. Onde estão os compromissos de campanha? Onde está a austeridade mostrada na propaganda bonita da TV? Sorria, meu bem.

- Joguei alguma no ventilador no blogue do Luís Nassif na última terça, por conta da matéria sobre a indignação dos ilustres sócios do Clube Paulistano com um show do Zeca Pagodinho. Os reaças ficaram bravos e andam me detonando por lá. Quem quiser, pode acompanhar o caso e, se possível, dar seus pitacos.

- O Pedro Alexandre Sanchez conta uma polêmica participação do Nelson Sargento em um desses programas de "incentivo cultural" empresariais - no caso bancado pela Natura -, nos quais os mecenas só colocam grana pensando nas isenções fiscais (ou seria uma bela lavanderia?). Pois bem, vale dar uma lida no post do Pedro e ver ainda um comentário que conta como se dá tal apoio, que cobra do artista uma contrapartida bastante imoral. Pessoalmente, eu ainda não acredito que o Nelson tenha embarcado nessa, ou ao menos tenha se dignado a fazer o que fez.

- Acharam-me e eu os achei em retribuição o pessoal do blogue Baixa Cultura. Os caras promovem um interessantíssimo debate sobre as questões dos direitos autorais, criminalização da troca de arquivos na rede e outras cositas más. Deram, inclusive, repercussão para os casos de censura que a gente andou sofrendo por aqui (foram os únicos, aliás, fora de nossa rede blogueira). Vale conferir o endereço, com link ali do lado.

Uma história esclarecedora


Minha proximidade com o lado verde sempre foi muito forte. Talvez aconteça isso com a maioria dos corinthianos, diga-se. Meu padrinho, a grande maioria dos meus melhores amigos... Por isso mesmo existe uma coisa ainda não muito compreendida pelos mais novos do que a gente chama de rivalidade com respeito.

Há respeito mútuo entre Corinthians e palmeiras, apesar de todo antagonismo entre as agremiações, muito por conta das histórias sempre se entrelaçando. Não há nada, porém, como um Corinthians x palmeiras, e muita gente morre de inveja disso.


Bom, isso tudo é para dar a dica de mais um texto antológico do Favela, escrito em duas partes. Não vou me alongar muito, apenas deixarei os links aqui e aqui. As palavras do Favela podem explicar o que a molecada ainda não entende hoje em dia.


19 novembro 2008

Se eu fosse...


Se eu fosse um confeiteiro, passaria a noite inteira na beira do forno cuidando do bolo do dia de hoje.

Se eu fosse um cantor, mandaria "A Deusa da Minha Rua" à capela, com aquela luz sobre a cabeça, num cabaré enfumaçado, só pra te homenagear.

Se eu fosse um poeta, seria o Neruda ou o Pessoa, porque eles escreveram os melhores.

Se eu fosse um sambista, seria da Portela e faria um samba com o Candeia falando só de você.

Se eu fosse o Lula, te escolhia como ministra da Educação.

Se eu fosse o Pelé, teria marcado aquele gol contra o Uruguai na Copa de 70 e faria aquela breguíssima comemoração desenhando um coração pra câmera da Globo.

Se eu fosse um sushiman, era só salmão.

Se eu fosse um cineasta, você seria a primeira mulher a chefiar a máfia, porque meus filmes só seriam de máfia.

Se eu fosse uma Brahma, iria querer só o teu copo.

Mas, como eu sou apenas um jornalista rampeiro, só posso te escrever essas palavras e dizer que eu sempre fico feliz nos 19 de novembro.

Amo-lhe, minha ídala!

18 novembro 2008

Porcos capitalistas


O que fazer com um patrão que diz agora, às 15h de terça-feira, que a emenda do feriado programada para acontecer foi suspensa?

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Dica do Filipe, publicado na Falha:


Zeca Pagodinho leva polêmica ao Paulistano


No que depender de alguns sócios, o cantor Zeca Pagodinho vai receber a "bola preta" do clube Paulistano, reduto de endinheirados e quatrocentões dos Jardins (bairro nobre localizado na zona oeste de São Paulo).

Desde que foi divulgado o show no salão do clube, para o dia 28, que encerra a temporada deste ano, a ouvidoria tem recebido e-mails e telefonemas de membros descontentes com a apresentação do sambista.

Numa das mensagens, um sócio desgostoso chama o músico de "cachaceiro" e sugere que ele "vá se apresentar para o pessoal do Corinthians".

(...)

"Era só o que faltava trazer, esse pagodeiro. O clube vive de exclusividade. Daqui a pouco vão fazer baile funk", diz um sócio que pede anonimato.

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Do PHA, também saído na Falha:


O conselho do governador


DAVI DE LACERDA

O pragmatismo do conselho que o governador me deu reflete o descaso do Estado com os médicos da rede pública de saúde

A São Paulo Companhia de Dança realizou no dia 7 deste mês uma magnífica apresentação em comemoração ao seu primeiro ano de existência. Entre as várias autoridades presentes estava José Serra. Ele escreveu a introdução do programa e merece grandes elogios pelas realizações da companhia. O belo espetáculo foi seguido de um coquetel, no qual tive a honra de parabenizar o governador pessoalmente pela alta qualidade técnica alcançada por uma companhia tão jovem.
O breve encontro foi a oportunidade de lhe comunicar um fato que me deixara perplexo, ocorrido no início daquela semana.

Ao me apresentar, contei ao governador que sou médico, que fiz graduação na USP, pesquisas em Harvard, residência em dermatologia no hospital Johns Hopkins (EUA) e especialização em cirurgia dermatológica em Paris. Contei também que há cinco dias fora contratado como médico concursado do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.

Ele sorriu e me deu parabéns. Ao agradecê-los, muito constrangido, informei-o de meu espanto ao descobrir que o salário-base para o médico do HC era de R$ 414 mensais para uma carga horária de 20 horas semanais.

O governador buscou me consolar dizendo que eu não ganharia só isso.

Respondi que estava ciente das gratificações e que, mesmo assim, meu salário bruto seria de R$ 1.500.
Informei-o ainda de que o custo para manter meu consultório fechado durante as horas em que estarei no HC é o triplo do valor que receberei do Estado.

Àquela altura, quando já não mais sorríamos, pedi sua opinião. O governador me aconselhou a deixar o HC, dizendo que o HC não é um bom negócio para mim.


Povo ameno


Dia desses, reli uma edição da Bizz do ano de 2007, mais precisamente um artigo de um cara que não vou lembrar o nome agora. O texto tratava da falta de criatividade nos noticiários televisivos feitos por estudantes de jornalismo. De fato, é um monte de gente seguindo cartilha e sem nenhum ímpeto para transpor a bancada de madeira que separa jornalistas e câmeras. Tal artigo me refrescou as idéias quando vi a lista elaborada pela revista Época sobre os 80 blogues imperdíveis da atualidade.

O estranho dessa reportagem é que ela parece ter sido feita em 1998, começo da popularização da internet, pois não se deu ao trabalho de procurar nas entranhas da blogosfera o que realmente interessa. Caiu na mesmice ao mencionar blogueiros famosinhos e esqueceu que os blogues são mera opinião pessoal. Só por isso, deveriam ser limados da lista 90% das páginas, uma vez que elas trazem nada mais que o óbvio e a repetição das besteiras que a grande mídia dissemina.

Analisando a seleção de blogues nacionais proposta pela revista, só o do Nassif se salva, logicamente por trazer opiniões diversas daquilo que é senso comum. Só para comprovar que eu não estou sendo radical, vejam alguns exemplos do que é tido pela Época como "superhiperbacanas":

- "Comandado por Dani Koetz, tem conteúdo variado e destaca o que ganha relevância na blogosfera. Uma marca de salgadinhos colocou um enorme pacote num prédio de São Paulo? Uma revista feminina quer promover discussão de relações entre namorados? Se há uma ação de marketing on-line entre os brasileiros, provavelmente ela estará no Ah! TriNé!."

- "Para quem gosta de animais, o Bicho Amigo tem posts sobre o comportamento dos bichos, casos interessantes como o de um cão que protegeu filhotes de gato num incêndio e dicas do que fazer para colocar mais um gato em casa."

- "Luiza Gomes é autora de um blog que trata de assuntos femininos, ou de menininha, como se costuma dizer. Ela dá dicas de como cuidar da pele e deixar os pêlos dourados para o verão. Fala de grifes famosas, vestidos da moda e ensina a ser sustentável."

E o que dizer daqueles blogueiros terrivelmente ruins que, por estarem ligados ao corpo funcional das Organizações Globo (destaco entre parênteses) ou serem ferrenhos opositores do governo Lula, são tratados como cerejas do bolo pela publicação? Alguém de bom senso levaria Miriam Leitão (Rede Globo), Reinaldo Azevedo, Juquinha (CBN), Ricardo Noblat (O Globo), Lilian Pacce (GNT), Ricardo Freire (da própria Época) e Paulo Coelho (G1) a sério?

Essas aberrações comprovam que os leitores estão cada vez mais preguiçosos, reacionários e fazem parte de uma casta com poucos valores de coletividade. A amenidade das opiniões ilustram como o povo está ameno, manso e domado. Mais grave ainda é a consolidação do ideário das grandes corporações na internet, um território que deveria ser pautado pela liberdade de criação e pela vastidão de pontos de vista.

Insisto que se faz necessário, mais do que nunca, o nascimento de nossa rede blogueira, sem restrições elitistas e sem formações de grupelhos que gritam no vazio. Deve ser uma coisa de peso, deve ser a contra-palavra, dando tratamento mais humano e fraterno à vida e ao cotidiano, elementos tão ricos e tão desdenhados aos olhos apressados de hoje em dia. Todos que estão ali no meu canto esquerdo deste blogue (e muitos também no lado esquerdo do peito) já fazem isso. Por que não dar o primeiro passo?

17 novembro 2008

Pérolas


Achei esse post no blogue Geografias Suburbanas, de autoria de Diego Moreira, linkado no Histórias do Brasil, de Luiz Antônio Simas.

Vale conferir os dois!

Ceninha imbecil


Vindo hoje ao trabalho, presenciei uma cena grotesca, porém muito comum em São Paulo ultimamente. Na saída do Metrô Vila Madalena há uma tiazinha que bate ponto por ali faz muito tempo, vendendo bolos, chás e café para o pessoal que sai correndo de casa e não tem tempo para o desjejum. Ao que parece, essa segunda-feira foi sua última. Uma operação truculenta da Subprefeitura de Pinheiros quase derrubou a velha e ainda levou um outro gaiato com seus DVDs piratas.

Apesar de muita gente defender o fim do comércio informal, recorrendo sempre à política higienista e alegando prejuízo na arrecadação de impostos e tudo mais, não é assim que se promove a inclusão desse pessoal no mercado de trabalho. Não basta descer o cacete, levar mercadoria (comprada com muito suor, diga-se) e tratar os ambulantes como bandidos. É preciso lembrar que esse povo só está dando duro nas ruas porque não tem oportunidade de emprego.

Quem vai aos estádios, por exemplo, já não encontra as fabulosas barraquinhas de pernil, e os vendedores de cerveja têm de ficar escondidos para não serem presos pela GCM. Na região da 25 de Março, a coisa beira à selvageria e a propina come solta - puxemos pela memória os casos de envolvimento de funcionários da prefeitura nessa cobrança, típicos das gestões Pitta e Kassab e que foram esquecidos pela mídia nas últimas eleições.

Falando em pleito, nota-se que o tom proibitivo voltou após a reeleição do generalzinho. Depois de falar aquele monte de mentira na campanha, o solteirão mais famoso da capital paulista retomou sua política repressiva, está fechando bares e tornou a restringir toda e qualquer possibilidade de melhoria de vida aos mais pobres.

Pior de tudo: se formos colocar na calculadora, o valor arrecadado com os impostos recolhidos pela tiazinha do café não daria para pagar nem metade do salário dos imbecis que atuam contra sua própria classe e abusam da "otoridade" que lhes é concedida, muito menos a gasolina e o IPVA da kombi que levou a mercadoria apreendida.

Por esse motivo, é inevitável pensar que essas ações são feitas por pura maldade. Sorria, meu bem...

16 novembro 2008

O Corinthians é foda!


Não vou falar da vitória sobre o Vila Nova, nem sobre as tentativas dos abutres de tumultuar o Parque São Jorge e muito menos sobre as férias prolongadas do corinthiano nesse 2008, depois de tanto sofrimento. Vou falar de como é bonito quando o corinthianismo se manifesta.

Fomos a Pirapora do Bom Jesus (mais aqui) sábado retrasado para o aniversário da Lila, mãe da Eva. Juntamo-nos na cidadezinha aprazível para tomar todas, falar bobagens e tomar mais algumas. E tem uma coisa interessante em todos os eventos da família da Eva nos quais estamos a vó dela, a Ema, e eu: o Corinthians decide algum título e ganha. Foi assim em 2005, foi assim em 2008.

Domingão da ressaca, a cidade recebia os romeiros habituais. Igreja e praça lotadas e uma bandinha promove uma bela fanfarra no coreto. E a Ema solta: "Orra, Claudinho. Tinha que tocar o hino do Curinthia pra nóis!"

Não deu quinze minutos, e aconteceu o que aconteceu no vídeo abaixo.




O Corinthians, realmente, é foda!

14 novembro 2008

O dia em que eu vi o morto


Hoje eu vi meu pai, e há tempos venho prometendo por aqui que iria falar da desgastada relação que culminou no afastamento definitivo entre a gente. Antes de mais nada, é necessário dizer que tenho plena consciência de que um camarada sem o pai como modelo está sujeito a uma série de complicações e de desvios de caráter. E agora uso o blogue como um divã. Quem não se sentir à vontade, pode pular o post, mas eu juro que há um propósito.

O caso é que resolvi matar meu pai dentro de mim. Fiz isso para conservar a imagem que tinha dele antes de uma série de presepadas (obviamente não irei contá-las aqui), com ápice no dia em que passei a receber comunicados judiciais despropositados sobre assuntos acordados previamente, com base na palavra. Matei-o, aliás, exatamente por isso: se um pai não crê na palavra empenhada pelo próprio filho, meu Deus, onde estamos?

A auto-preservação foi extremamente importante para que tudo aquilo que um dia o velho me ensinou não se perdesse por conta de um acesso de raiva justificável. A coisa pode até ser vista como um revanchismo relacionado à separação da minha mãe, mas não é o caso. O fato é que houve uma reviravolta e os valores do cara se perderam tal qual o amor que ele nutria pelos filhos.

Mesmo enxergando uma possível explicação lógica para esse tipo de guinada egoísta – o pai o abandonou, ainda bebê, ao lado da minha tia e minha avó -, é incompreensível a repetição do erro. Que a família dele não é lá flor que se cheire (histórias cabulosas contou minha mãe, falando das crises no começo do casamento) e que ele tenha sido manipulado pela atual mulher, não foi aceitável ter minha palavra colocada em xeque.

Matei-o para deixar vivo quem me deu o privilégio de nascer corinthiano. Para ter o exemplo de alguém que saiu do nada e, junto da mulher, construiu um belo lar. Para deixar na lembrança aquele rapazote que, ao saber da notícia do filho que vinha por aí, tomou dos primos um banho com um espumante fedorento e riu, riu demais, teve uma das maiores alegrias.

Dizem que os verdadeiros ídolos são tão bons que sabem até mesmo a hora de morrer, e fazem isso ao pressentirem um risco de aprontar qualquer merda. Valho-me aqui de tal premissa. O meu pai em mim é só lembrança. Foi o jeito que encontrei de não sofrer, de não me martirizar e, principalmente, de levar adiante as coisas boas e frear o erro que vinha se repetindo. Aplico isso aos amigos e no amor, como forma de reconhecimento às pessoas que estão no meu caminho. Hoje eu vi o morto, e ele me fez entender que era preciso esclarecer a razão da sua partida.

13 novembro 2008

Passadas as eleições...


Bela sacada do repórter Diego Salmen, do Terra Magazine. Segundo a matéria, o dinheiro liberado pelo governador José Serra para alimentar a indústria automobilística - R$4 bilhões - daria para construir 13km de metrô, distância maior que a extensão da Linha Verde.

É nada mais que a comprovação de que a campanha de Kassab se tratava de uma mentira deslavada. Por que Kassab? Porque quem manda no Kassab é o Serra, obviamente. O Kassab é o Paulinho do Serra...

Não houve contestação, não houve questionamento de ninguém. Ao invés de incentivar o consumo de carros e piorar o trânsito (tudo sob a desculpa de manter empregos nas montadoras, o que não é verdade), o governo deveria criar postos de trabalho na construção do metrô. Isso movimentaria muito mais a economia e aí sim teríamos um enfrentamento da crise. Mas nosso sanguessuga gosta mesmo é de dar dinheiro para empresas privadas.

12 novembro 2008

A Juriti


Quase uma semana depois, escrevo o post relatando o evento em que se concretizou o encontro com os irmãos Falavigna e se acertou, inclusive, alguns poucos pontos do Jogo das Barricas. Não vou falar dos impropérios político-futebolísticos saídos das bocas dos presentes (também estiveram Filipe e Barneschi), uma vez que, na sobriedade, aquelas palavras radicais podem assustar os mais desavisados. Resumo este texto às impressões sobre o estabelecimento que serviu aos hunos e que atende pelo nome de A Juriti.

Primeiro, no entanto, é obrigatório falar do caminho para se chegar até ele. Horas antes, conversava via MSN com o Barneschi para pegar indicações, e o Barneschi é o cara mais indicado para isso porque ele tem duas obsessões: decorar o mapa da cidade de São Paulo (dessa eu compartilho) e saber de cabeça os itinerários dos ônibus e seus respectivos números de linha. O papo partiu daí e acabou na imortal discussão sobre a desonestidade da zona sul. Barneschi é morador do Ipiranga, um bairro abjeto que tem como grande glória estar no hino nacional (mas todos sabemos que o D.Pedro parou às margens do corregozinho para dar uma cagada, e só).

Devo dizer que a prosa havia tomado esse rumo porque o Raphael, que mora no Cambuci assim como o buteco, vociferou algumas verdades sobre o bairro do Barneschi e os dois começaram aquela viadagem de qual lugar era melhor. Eu, daqui da zona oeste (que não fede nem cheira) e grande admirador das maravilhas das zonas norte e leste, pensava: “se é na zona sul, é tudo uma grande merda”. Ainda meio desconfiado, saí do trampo, peguei o metrô e saltei na estação Vila Mariana.

Acontece que São Paulo é incompreensível aos mais desatentos. Por seu formato em L, é possível cruzar as quatro zonas da capital em poucos minutos, e mudar de uma para outra em questão de passos. Foi o que se sucedeu quando saí da referida estação e desci a Lins de Vasconcelos. No terceiro quarteirão já era possível sentir toda a atmosfera da zona leste.

Ao invés de tomar um ônibus no terminal (dica: 874T ou 478P), resolvi ir caminhando, já que o percurso duraria cerca de 15 minutos. Metros adiante do início da camelada, entrei numa padaria sob o comando de um portuga (e hoje isso não é pleonasmo, pois os coreanos estão dominando as padocas, mercadinhos e butecos) para comprar uma latinha. Por todo o caminho, um sem-número de barbeiros, despachantes, mecânicas e lojas de bugigangas enfeitavam a Lins, e dois estabelecimentos chamaram mais atenção. O primeiro, um butiquim dos mais vagabundos de um portuga mal-humorado (comprei outra latinha aqui, já que chegava mais ou menos na metade do trajeto). O segundo, um prédio de três andares abandonado que fica em frente à Sabesp, me deu vontade de ganhar na loteria só para restaurá-lo. Tudo isso provava que ali já não era zona sul. O Cambuci é leste violentamente.

Chegamos finalmente à Juriti. Na quase-esquina da Amarante com a Lins, vemos uma construção tímida se o olhar for de relance. Mas a pouca largura da fachada é compensada na profundidade do salão, todo ele revestido por um azulejo bege que grita: aqui é um lugar de respeito. Na entrada, mesas na calçada; na parte da frente, o balcão das preciosidades. Há de tudo: queijos, berinjela, batatinhas de casamento, mariscada e tantas outras pérolas para acompanhar a gelada Brahma. Fora os petiscos, o cardápio é rico. Ostras frescas, calabresa à Joana D’Arc (sim, incinerada), frango à passarinho regado de alho e uma fantástica rã à milanesa. Cuidando da assistência, garçons competentes, simpaticíssimos e quase infalíveis. Tudo isso a preços módicos.

Eis aí, meus caros, um dos maiores lugares da face da Terra.

11 novembro 2008

Se a gente que é pombo não fala...


Uma das primeiras lições que a gente aprende quando entra na faculdade de jornalismo diz respeito à responsabilidade da coisa publicada. Para garanti-la, é preciso ter como premissas uma boa apuração e a comprovação da informação com dados. Amarrando tudo isso, chega-se ao ponto crítico: a notícia beneficia ou não o bem-estar social?

Outra lição que também é repetida à exaustão: bom jornalismo se faz com suor, e não às custas de informações privilegiadas, já que elas provavelmente vão privilegiar aqueles que a forneceram. Por fim, temos ainda a questão do mercado de trabalho, e aí o bicho pega. Isso porque o QI – obviamente não me refiro ao quociente de inteligência – impera nas redações de veículos de maior alcance e, não raro, muita gente incompetente toma lugar de ótimos profissionais que, por sua vez, precisam se vender a subempregos para pagar as contas.

No jornalismo esportivo dos últimos tempos, destacou-se uma figurinha que vai contra todas essas orientações da profissão. Pudera, ele nunca pisou numa faculdade de comunicação para assistir a qualquer aula que fosse. O Juquinha se fez à base do QI, e em menos de 4 anos passou de pesquisador do arquivo da Abril para chefe de reportagem. Nenhum repórter na história do jornalismo teve ascensão tão meteórica. Mas eu não vou ficar aqui contando as posturas éticas do Juquinha, caracterizada pelo estilo camarão-que-dorme, nem falar de sua "vitoriosa carreira", porque isso está mais do que explícito. O que me preocupa são as gerações que vêm por aí...

Juquinha inaugurou em seu blogue um preguiçoso modo de escrever, baseado em frases curtas que abrem espaço para diversas interpretações - isso quando não passa semanas publicando textos alheios. Dizem os bastidores, inclusive, que ele é incapaz de escrever uma lauda com a devida correção gramatical. Nessas frases curtas e irresponsáveis, ele joga uma série de fofocas não comprovadas que ganham repercussão absurda por estarem no portal de maior audiência da internet brasileira. Tal preguiça na escrita, porém, ganhou adeptos, e a molecada admira o Juquinha como eu admiro caras do calibre de Mino Carta, Claudio Abramo, José Arbex Jr. e Aloysio Biondi. Todos eles, segundo os mais novos, “chatos” de ler.

Mas Juquinha tem o mínimo de consciência e resolveu dar um empurrãozinho na carreira de um papagaio de esgoto. Pegou no colo um estudante de jornalismo que escreve tão mal ou pior que ele e resolveu dar as merdas que não pode publicar por conta daquela responsabilidade citada no começo do post. Factóides, manobras políticas, esquemas pecaminosos de se obter informação: esse é o jeito de fazer jornalismo do Paulinho, tudo sob os olhos atentos do grão-mestre.

Já havia escrito algumas coisas sobre o Paulinho aqui, mas agora o acúmulo de absurdos transbordou. No post de hoje, o “jornalista da credibilidade” – como ele se auto-intitula - traz fotos pessoais e as utiliza como “prova” daquilo que quer denunciar. Isso lá é jeito de se conseguir informação?

E aí os meus pouquíssimos leitores devem estar perguntando: para que tudo isso? O motivo é simples. Este post é, na verdade, um apelo. Um apelo para essa molecada que adora o Juquinha e sua trupe. Acordem e usem o senso crítico. Não podemos acreditar em tudo que a gente lê, assiste e escuta. Não dá para aceitar alguém desse naipe vomitando o que quer por aí. Pior, é inadmissível esse tipo de gente ter espaço, divulgação e formar opinião.

Só um ignorante não enxerga o grande movimento dos barões da mídia que se arrasta há mais de século para impor os ideais de uma elite que determina o seu salário, o seu jeito de vestir e até mesmo o horário do jogo do seu time de coração. Ficaria triste em saber que os futuros colegas de profissão têm como ambição participar desse esquema sujo.

10 novembro 2008

Não é possível


Eu tento mudar a pauta vez ou outra por aqui, mas as coisas andam tão difíceis que não dá para deixar de falar de alguns fatos da nossa vida política e social. A última barbárie cometida contra a inteligência alheia apareceu no Globo:

"PF vai indiciar delegado do caso dantas por 5 crimes

A Polícia Federal deverá indiciar ainda esta semana o delegado Protógenes Queiroz, responsável pela operação que prendeu o banqueiro Daniel Dantas, por cinco crimes: quebra de sigilo funcional, desobediência, usurpação de função pública, prevaricação e violação telefônica. Se condenado por todos os crimes, como deseja a própria PF, Protógenes pode pegar as penas mínimas, somadas, de três anos, seis meses e 15 dias de prisão."

Trata-se de uma bipolaridade absurda. Um presidente que vem combatendo a fome nas regiões mais pobres, que fez um mandato quebrador de recordes na geração de emprego e que colocou a inclusão social nas diretrizes do governo é o mesmo presidente que se cala e se omite perante o caso mais simbólico de combate à corrupção dos últimos tempos.

Aí eu fico imaginando na quantidade oceânica de saliva que eu venho gastando há 6 anos defendendo os avanços do governo Lula. E vou falar o que agora? Como justificar a proteção a Daniel Dantas por parte da Polícia Federal? Lula se cala diante do golpe contra ele, se cala diante das decisões absurdas do presidente do STF e se cala diante da imprensa que divulga tudo isso.

Meu presidente, por favor. Respeite seu povo e sua própria história.

09 novembro 2008

Corinthians 2008


Acabou.

"Se um dia
Meu coração for consultado
Para saber se andou errado
Será difícil negar
Meu coração
Tem mania de amor
Amor não é fácil de achar
A marca dos meus desenganos
Ficou, ficou
Só um amor pode apagar"

EU SOU CORINTHIANS!

07 novembro 2008

Meia-boca


A tucanagem, na sua tarefa árdua de prejudicar o povo brasileiro, apresentou um projeto no Senado para limitar a meia-entrada entre segunda a quinta-feira. A proposta, segundo os autores, visa diminuir os preços nos cinemas, teatros, shows e eventos esportivos. Quando se trata de tucano, é sempre assim. Eles inventam uma desculpa que, aos olhos da moral e dos bons costumes, é linda. Na prática, porém, ou a coisa não se cumpre ou acontece de maneira totalmente oposta.

É bom lembrar, primeiramente, que esse rolo todo de meia-entrada tem origem na publicação da MP que tirou da UNE o controle da confecção das carteirinhas de identificação dos estudantes. Bancada por FHC e seu ministro Paulo Bernardo, a medida criou um mercado para predadores ganharem dinheiro e desestruturou o movimento estudantil ao retirar das entidades sua única fonte de renda.

A conseqüência dessa artimanha foi emissão desvairada de carteirinhas, toda ela feita sem nenhuma fiscalização e sem nenhum critério. Qualquer um apresentava um boleto falso numa pizzaria e saía com a sua identificação estudantil. E eu não vou ser hipócrita: fiz isso até ano passado.

Por quê? Porque isso é nada mais do que uma cadeia de acontecimentos. Com a farra do boi, os empresários resolveram aumentar os preços dos ingressos para não comprometer sua margem de lucro. Fazendo isso, mais gente passou a falsificar o documento. Com mais gente falsificando, mais meia-entrada na praça. E mais inflação nos preços.

Agora, as aves bicudas se vestem da cara-de-pau e resolvem interferir novamente na questão, usando um mecanismo ainda mais excludente. Mas quem me garante que os preços serão reduzidos? Quando o dólar estava nas nuvens, os shows internacionais ficaram caríssimos e também influenciaram os shows nacionais. Depois da queda da moeda norte-americana, esses valores diminuíram? Isso sem contar outra lei aprovada pelo PSDB que acabou com a consumação mínima em bares e casas noturnas. A desculpa do barateamento era a mesma, porém nosso bolso continuou esvaziando.

No meio dessa discussão, nem mesmo a UNE quer deter novamente o monopólio das carteirinhas. A UNE entende que o governo deveria regular a emissão do documento, mas repudia a proposta de restrição à meia-entrada por ela se tratar de medida contrária à democratização da cultura.

Por todo o bafafá, apenas uma certeza: eis uma boa hora para começarmos a falar sobre políticas públicas e subsídio para a cultura. Que o governo faça concorrência aos endinheirados que hoje bancam shows, peças e filmes, abrindo mais espaço para os artistas e utilizando as artes e o esporte como meio de inclusão.

06 novembro 2008

Pelas barbas do profeta


Vi hoje no UOL a notícia de que Silvio Luiz foi demitido da Band, no último pacote de reformulação da emissora dos Saad. Apesar do desvio clubístico de Silvio, ele era o último dos comunicadores que podemos considerar folclórico. Agora, está definitivamente decretada a imbecilidade como fio condutor da imprensa esportiva.

Silvio já estava meio de escanteio há algum tempo, tendo destaque apenas no Band Sports e raramente escalado para narrar jogos. Triste para quem, como eu, começou a assistir ao futebol no fim dos anos 80 e começo dos anos 90, e considera Silvio Luiz como um dos maiores locutores da TV.

Seus bordões eram impagáveis, assim como seu sarcasmo ao cobrir jogos desesperadores de ruins. Falava das coxinhas servidas na cabine, tirava sarro de comentaristas e repórteres, exagerava nas aberrações que aconteciam em campo. Mas, acima de tudo, fazia daquilo um espetáculo.

A Band, que já foi o canal do esporte, é perita em enterrar seus tesouros. Quem não lembra da época em que Silvio narrava o Paulistão e Januário de Oliveira (crueeeeeel) fazia jogos interessantíssimos como Entrerriense e Madureira pelo Campeonato Carioca? Ou de Alexandre Santos, com seu "apontou, guardou"? Tempos de ouro, quando o futebol ainda não estava tomado por bichices e frescuras...

A demissão de Silvio Luiz pode servir como o marco definitivo da tal modernização no esporte. Não há, nessa nova concepção de futebol, espaço para gente como ele. É preciso valorizar os sem alma que reproduzem fielmente o discursinho programado. Por isso mesmo que a Globo tomou a frente nas transmissões. Já repararam que, se algo dá errado, a emissora carioca não consegue trabalhar ao vivo? É tudo ensaiadinho.

Insisto na idéia: cabe a nós, blogueiros sem muito espaço e com muita vontade, construírmos uma nova mídia. Restaurar essa cobertura idealista e sem hipocrisia. Cafagestagem por cafagestagem, que façamos uma que seja honesta e apaixonada. E não essa que está aí, a serviço dos barões e dos aproveitadores.

05 novembro 2008

Da série imprensa de merda...


Mostra o Blog do Meu Saco, de André Falavigna:

Aprendendo a perguntar

Dá-lhe, jumentos! Hahahahahahaha...


Cuidado, Obama


A vitória de Barack Obama serviu para três coisas: a primeira foi ter tirado os republicanos do poder, e só isso já bastaria; a segunda foi a assunção de um negro ao cargo político mais relevante ao mundo ocidental; a terceira foi o reestabelecimento da força militante na campanha política, com ênfase na divulgação pela internet.

Sobre o ocaso republicano no cenário político mundial, trata-se de um enfraquecimento significativo do conservadorismo e seus discursos repletos de preconceitos. Mais ainda, abre espaço para que tenhamos um fiapo de esperança no que diz respeito ao comportamento dos EUA perante as outras potências do planeta e sua política externa no continente americano. Quem sabe, o fim dos embargos? Quem sabe, a aceitação dos pólos orientais, centrados na China? Quem sabe, a retirada de tropas do Iraque e o reconhecimento oficial do absurdo que foi a invasão? Quem sabe? Enquanto isso, São Paulo Kassab...

Perde o conservadorismo, ainda, porque temos uma figura negra no posto mais alto da república norte-americana. Negra e de origem pobre. O que automaticamente nos faz relacioná-lo ao Lula. É certamente um passo à frente na luta contra o racismo, mesmo com tanto a se fazer. Passado o pleito, no qual Obama não se vendeu como candidato da negritude, ele agora deve exaltar a cor de sua pele, lembrando sempre o que foi feito com a população afrodescendente nas Américas.

Não podemos esquecer, por fim, um dos pilares dessa vitória. A rede construída pela campanha de Obama no mybarack é algo inédito e fantástico. Criou-se uma mídia paralela, contraposta aos meios tradicionais - e, em sua maioria, conservadores republicanos -, para desmentir e desmoralizar cada tentativa de golpe via imprensa. Tal comportamento deveria servir de inspiração para todos os cantos do mundo que necessitam se desligar das amarras ideológicas impostas pelos conglomerados de comunicação. A internet consolidou-se como instrumento revolucionário.

Para o futuro, podemos esperar uma diplomacia moderada e uma intensa presença do Estado na economia interna, com viés comunitário. O que já é um avanço, pois retrai os ímpetos intervencionistas dos EUA. Obama, no entanto, deve se precaver, mantendo essa rede que o cerca e o protege. De novo recorrendo a Lula, em 2002 a mídia cortejava o presidente brasileiro. A trégua será igual na América do Norte. Mas, aos poucos, a coisa vai começar a apertar, principalmente porque esses figurões irão perceber que não são só eles os beneficiados pelo Estado. E aí, negão, tome crise! Oxalá Obama não se retraia como Lula, já que conta com sua própria fortaleza midiática, e retruque com a força necessária.

04 novembro 2008

A censura se expande


Os registros de censura pela internet brotam como espinhas em rostos adolescentes. Aqui por essa humilde e combativa rede de blogues, tivemos o caso do Cruz de Savóia, além de meu fotolog. Já o mestre Sérgio Amadeu denunciou a apreensão arbitrária de um servidor de pesquisadores da Unicamp. Mais recente é o apagão no blogue do delegado Roberto Conde Guerra, um dos pontos de referência na greve dos policiais civis e forte crítico da administração de José Serra. E teve ainda a famosa eliminação de Paulo Henrique Amorim do iG.

O jeito de agir é muito semelhante em todos os casos. Os interesses em jogo também. Tiram do ar, indiscriminadamente, todo o conteúdo do endereço. Arquivos, histórias, pensamentos, tudo vai para o espaço e vira mera lembrança, num ato embasado por argumentos frágeis. O Cruz de Savóia era "blog-spam", o meu fotolog "violou as regras de funcionamento", o servidor na Unicamp foi apreendido sem determinação judicial, no caso do delegado não se sabe o motivo e o PHA "não tinha apelo comercial" (sendo o Conversa Afiada a página mais vista do portal, segundo dados do próprio iG).

Tanto o pessoal da Unicamp - cujo trabalho era alimentar uma rede social de troca de informações - quanto os outros endereços tratavam de assuntos ignorados pela grande imprensa. Ignorância interesseira, obviamente. Havia sempre denúncias contra os poderosos conservadores e contra os aproveitadores que se utilizam da mídia subserviente e vendida, além da defesa de idéias que, ao senso comum, sempre foram tachadas de esquizofrênicas.

O que nos leva em direção ao projeto de autoria do senador Eduardo Azeredo, que tramita no Congresso e propõe um controle excessivo e desnecessário à internet. Para se ter uma idéia, será transformado em crime a troca de arquivos no esquema P2P, feita aos baldes pela rede. No mesmo balaio entram as restrições durante a campanha política desse ano, que retirou o caráter democrático da divulgação na web.

É preciso, por conta de tudo isso, um levante organizado contra esses abusos. A internet tem como principal característica sua liberdade de criação, expressão e formatação. Não é possível aceitar que um território ainda sem leis seja dominado pela mesma gentinha que já coloca suas mãos sobre a mídia tradicional e excludente. Porque é esse o principal objetivo do silencioso, sagaz e traiçoeiro cerceamento à informação: expansão de negócios via tecnologia.

Corinthians do povo


É preciso que o corinthiano entenda e conheça toda a história que move essa grande nação. Saber o porquê de gritar "time do povo" nas arquibancadas e o quanto foi penoso chegar onde chegamos. Penoso, porém honroso e, principalmente, glorioso. Honra e glória são coisas da várzea, e hoje estão sendo colocadas de lado, em um futebol cada vez mais cheio de frescuras e tribunais desportivos.

Com a competência que se faz necessária para a tarefa, o Filipe mandou esse petardo sobre os primeiros anos do Corinthians. Anos de luta e de superação de um povo que tinha um sonho.

Clique para ler.


03 novembro 2008

Se gritar pega ladrão


Ano passado, quando aconteceu a tragédia do dia 02 de dezembro, muitos "corinthianos" acreditavam que, afinal de contas, o rebaixamento seria positivo pois iria afastar os ladrões do Parque São Jorge. Diziam que não havia mais espaço para administrações como a do velho gagá e que era chegada a hora da transparência, comprando mais uma idéia de marquetim do Sanchez. De volta ao nosso lugar de direito, pergunto a esses imbecis: mudou o quê?

Recebi por e-mail a seguinte mensagem do Filipe, alertando sobre o texto do edital de convocação para reunião extraordinária do CORI, a ser realizada nesta próxima terça-feira: "Deliberação do CD diante da recomendação do CORI sobre tomada de medidas mais severas relacionadas com o contrato SCCP e MSI".

Eis a prova, corinthianos do meu Brasil, de que nada mudou de fato. Conforme falávamos aqui desde quando o Sanchez assumiu, foi-se o velho, ficou a corja. Há uma imundice que ainda habita as salas ar-condicionadas do Coringão e ela precisa ser expulsa de lá.

Desde a saída do gagá e o suposto fim da parceria - e vemos que fim não houve, já que há necessidade de discussão no Conselho Deliberativo - eu venho alertando que a gente está dormindo para as coisas que acontecem no Corinthians. O recente lance do Senger de retirar penalidades mais duras a Dualib e Nesi prova que, passado tsunami administrativo, a diretoria continua seu modus operandi e esconde suas medidas anticorinthianas no embalo da campanha da série b.

Acreditem, corinthianos, que só a democracia plena irá colocar no comando do clube aqueles que amam o Timão. Essa mudança no estatuto foi branda, não trouxe a reformulação profunda que necessitávamos e que era totalmente viável naquele momento de extrema turbulência. Aproveitemos, então, esses últimos dois jogos para protestar. Elevemos novamente a voz das arquibancadas contra essa diretoria. Lembrem-se, enfim, que o relógio corre e o nosso centenário está aí. E o mínimo que devemos ter é um centenário digno da história do Corinthians.

Por fim, deixo aqui o link do que eu falei em 08 de agosto de 2007. Era uma sugestão do que deveríamos ter feito. Ainda é uma sugestão do que devemos fazer, antes que seja tarde.