11 setembro 2010

A que custo?


Há uma semana, o
Barneschi colocou lá no blogue dele um post muito bom com relação ao tal estádio do Corinthians. Palavras, aliás, muito mais corinthianas do que a grande maioria das que eu vi por aí, apesar dele ser palestrino...

Hoje, recebo por e-mail outro texto parmerense, desta feita de
Adriano Pessini - mais um grande amigo que essa tal de internet me deu. Reproduzo abaixo a caneta precisa do Pessini, que sintetiza brilhantemente muito do que eu penso sobre o que está se passando no Coringão.

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República Popular de quem?


No meio das comemorações do centenário do Corinthians, vi milhões de documentários, depoimentos, matérias especiais etc e as duas frases _onipresentes_ que mais me chamaram a atenção foram "é o time do povo" e "vamos ter a nossa casa".

Vendo de longe, no meio da empolgação, realmente seria um sonho consumado de todo trabalhador brasileiro: o povo conseguir sua casa própria.

Mas, analisando a fundo, não vejo um futuro assim tão altaneiro para quem realmente move o Corinthians: o seu torcedor.

Longe de mim colocar água no chope alvinegro, mas até agora ninguém explicou quanto vai custar um ingresso para a nova arena. Estipula-se a venda dos direitos do nome do estádio em valores irreais, fala-se em ganhar dinheiro até de pontos de venda de cachorro-quente, mas a realidade é que, na ponta do lápis, quem vai pagar a conta pela sua paixão será o torcedor. O condomínio da nova casa vai ser caro.

Espero que os dirigentes corintianos não se esqueçam da frase de Miguel Bataglia, primeiro presidente do clube: "O Corinthians é o time do povo, e é o povo que vai fazer o time".

No último feriado, passeando por um shopping endinheirado de São Paulo, deparei-me com uma enorme propaganda da República Popular do Corinthians. Um painel muito bonito, muito bem-feito, expondo a camisa do centenário, vendida a módicos R$ 300. Popular para quem?, questiono-me.


09 setembro 2010

Mas já?


Caralho, 29...

Outro dia pensava que:

- faz 10 anos que eu entrei na faculdade
- faz 7 anos que eu me formei
- faz 9 que eu contribuo para o IR
- faz 18 anos que eu vou aos jogos do Corinthians
- faz 21 anos que eu dirijo
- quem tira carta hoje nasceu em 1992
- quem vota hoje nasceu em 1994
- meus amigos agora casam e/ou têm filhos

Ainda assim, há felicidades. Por causa da minha Evinha, do meu Corinthians, dos irmãos que vão aparecendo pelo caminho.

Vale a pena, ainda que também é pena haver quem não esteja mais aqui.

01 setembro 2010

Corinthians 100 anos! Corinthians, nunca sem você!


Que o mundo se curve diante do sonho de Joaquim Ambrósio, Antonio Pereira, Raphael Perrone, Anselmo Correa e Carlos Silva, um sonho que hoje habita o coração de mais de 30 milhões de brasileiros. O Time do Povo, mais que um mero escrete do futebol, é uma Nação.


Desde 1910, o Corinthians segue um caminho sempre destacado pelo irmão Filipe e que o mestre Lourenço Diaféria descreveu tão bem: ‎"Assim como o organismo humano defende-se com anticorpos por ele mesmo produzidos, o Corinthians foi se imunizando com o correr dos anos e soube extrair a força que tem de suas próprias aparentes fraquezas. Também nisso o Corinthians Paulista segue sendo um retrato fiel do povo." Dessa maneira, os incrédulos esperam há um século pelo fim da utopia popular que foi forjada na digníssima várzea, local responsável por dar ao futebol a verdadeira alma. O Corinthians, amigos, é várzea pura! E, ao mesmo tempo, um gigante, capaz de subverter a rotação da Terra e contrariar qualquer regra.


Nesse 1º de Setembro, completamos um ciclo. Inicia-se uma nova era em nossa história cheia de glórias e lutas, principalmente lutas. Não nos deixemos levar por falsas palavras, por ciladas já conhecidas, pela descaracterização que os tempos modernos tentam impor. A Fiel Torcida, força maior dessa instituição, precisa manter sua mística e exaltar o corinthianismo.

O corinthianismo, aliás, é a forma de amor mais verdadeira que existe. Sua pioneira e maior representação em carne e osso foi Manoel Nunes, disseminando-se posteriormente por todos os cantos. Não há - ao contrário de todo outro sentimento que a humanidade já conseguiu inventar -
a possibilidade desse amor sequer diminuir, quanto mais se extinguir. O Corinthians é razão de viver, e ele é quem define quais privilegiados terão o prazer de gritar seu nome. Corinthiano não vira, ele nasce e pronto. Nas vitórias, nos libertamos. Nas derrotas, aprendemos lições, não sem antes fazer furdunço. Isso é Corinthians, para o bem e para o mal. Não viemos pela ordem e progresso; viemos ser o povo, sem juízo de valor.

Salve o Sport Club Corinthians Paulista e todos os guerreiros que defenderam seu Manto, em campo ou nas arquibancadas. Obrigado, Corinthians, por você me dar essa honra. Obrigado por pelos elos de amizade que me proporcionou nessa jornada até aqui, com poucos e bons irmãos que irei carregar até o fim. Por ti, dou minha vida.

CORINTHIANS MINHA VIDA, MINHA HISTÓRIA E MEU AMOR!

O Corinthians pelos rivais


O Centenário do Corinthians movimenta não só a Nação Alvinegra. Por sintetizar o povo, desperta uma respeitosa relação de rivalidade - que, por sinal, é recíproca - em vários outros torcedores. Isso também é o que nos faz grande.

O rubro-negro Edu Goldenberg, por exemplo, ao publicar um textaço sobre o Maracanã e suas memórias no Maior do Mundo, dedicou as bonitas palavras aos corinthianos. Da mesma forma brilhante e impecável, o bugrino Bruno Ribeiro tratou de sua relação com o Time do Povo pela Invasão de 76 e pela Democracia Corinthiana. Simplesmente dois golaços, daqueles que valem a taça!

Mas eu queria reproduzir também o depoimento que recebi via GTalk do maior vascaíno do mundo, o João Medeiros. Vejam o que o irmão de arquibancada fala sobre o Corinthians:

"Deixa eu te contar uma coisa. Eu tinha 9 anos... E lembro como hoje. O país inteiro parou pra ver a final do Paulista/77, o fim da espera de 23 anos da fiel... Era o país inteiro torcendo pela Ponte. O Morumbi LOTADO. Uma festa inesquecível. Inesquecível.

Você não imagina a repercussão que teve no Rio, na época. Lembro de cada detalhe, Cláudio.
Do gol chorado... Foi a primeira vez que eu tive noção da grandeza do Corinthians. O futebol era muito provinciano e o Rio meio que ofuscava o resto do país. Mas o Corinthians parou o Brasil naquele dia. Foi um dia mágico, como outros que o futebol me proporcionou.

Estou te falando isso, porque essa merda toda [nota minha: a destruição do Maracanã] tem me deixado muito nostálgico. É duro saber que uma festa dessas NUNCA mais vai acontecer. Não com aquela pureza e paixão que aconteceu em 77. Cara, é difícil descrever...

Tinha um tio, em Atibaia, corinthiano, mas corinthiano de verdade... Esteve no Rio na invasão de 1976. Lembro que estivemos na casa dele em 1976, nas férias de janeiro. Ele fez questão de nos levar no Pacaembu. Cara, pisei no gramado sagrado do Pacaembu, na companhia do meu tio... Tenho foto pra provar. Meu tio falava do Corinthians com uma devoção difícil de descrever. Eu não entendia, juro que não entendia. Como alguém pode ser algum time que não VASCO, fla, flu? Que graça tinha torcer para o "Curíntia". Pois naquele1977 eu entendi, finalmente. A alma que emanava das arquibancadas lotadas do Morumbi atravessaram a Dutra e chegaram ao Rio e consegui entender a paixão que o Corinthians pode despertar num torcedor.

Entenda: eu tinha apenas 9 anos, não havia internet. Mas eu sei porque isso me marcou tanto. Porque foi exatamente esse dia de 77 que deu o peso certo para a vitória do VASCO em 1980, com 5 do Roberto. Não entenda isso como pilha, não é mesmo. Se não fosse 1977, a vitória de 80 não teria o peso que teve pra mim. Estava no Maracanã e ganhar do time da torcida insana, maluca (era isso que eu pensava do corinthiano) teve um sabor especial.

Queria te dar esse depoimento. Foi em 1977 que eu, um carioca provinciano, que achava que o Brasil se resumia no Rio, descobri o Corinthians. Meu velho é tricolor e estava no Maracanã no dia da invasão. Ele torceu muito pra Ponte. E eu, contagiado por ele, torci também... Acho, que nesses 100 anos, aquele foi o dia mais corinthiano que o Brasil já viu."

VIVA O CORINTHIANS!!!


30 agosto 2010

Breves do Centenário


Está aí a data tão esperada. O
corinthiano deve ter em mente a importância desses cem anos do Corinthians e ser grato por ter nascido alvinegro e poder comemorar nosso Centenário. Reforço aqui minha discordância com relação aos shows que vão acontecer no Anhangabaú, mas peço: saia às ruas! Pinte o mundo de preto e branco!

- Sábado estivemos na Rádio Coringão na apresentação da última edição do programa
100 Anos de História, iniciativa do irmão Filipe. A atração foi uma extensão dos posts "O Time do Povo", que ele publicou no seu Anarcorinthians e que, para mim e para muitos, se trata dos melhores textos sobre a trajetória do Timão nesse século de existência. Foi uma honra participar do furdunço ao lado de outros grandes corinthianos.

- Falei para sairmos às ruas e desisti da vigília. Provavelmente estarei em um dos seguintes locais na virada do dia 31 para o 1º de Setembro: Bar do Biu (indicação do
Álvaro, do Blogue do Timão) ou meu recanto na esquina da Rua dos Pinheiros com a Cônego Eugênio Leite. Os amigos são bem chegados.

- Dentro da programação de corinthianos para corinthianos, temos ainda a Semana do Corinthians, que irá fazer uma série de debates no Museu do Futebol a partir de amanhã. Imperdível.

- Ainda no dia 31, o pessoal da Rádio também fará uma festa no The London Pub, que pertence a um diretor do
Corinthian-Casuals.

- Discordo também da construção de estádio, mas não vou negar que essas coisas não acontecem por acaso quando se trata de Corinthians. Está engraçadíssimo ver o desespero da anticorinthianada. No entanto, essas serão minhas parcas palavras sobre o assunto até que as obras sejam iniciadas e a política de ingressos definida. Espero que o povo mais pobre de Itaquera não fique excluído, como todas as previsões indicam...

26 agosto 2010

Tudo errado...


Estamos a menos de uma semana do
Centenário do Corinthians e o que eu vejo por aí é uma seqüência de erros que causa calafrios. Desde o time em campo, com um futebol cuzão já faz tempo, até os preparativos da diretoria suja para a comemoração daquilo que deveria ser o dia mais importante na vida de cada corinthiano.

Havia falado anteriormente da ridícula programação oficial divulgada pelo bando de imbecis que administra o
Coringão, explicitando a falta de comprometimento e seriedade dos eventos. Ao que parece - e para minha profunda tristeza - as babaquices foram incorporadas por grande parte da torcida. Da mesma maneira que bateu palmas para uma vergonhosa eliminação alguns meses atrás, a massa cada vez mais ignóbil se curva diante do anticorinthianismo.

Provas disso? Os
Gaviões da Fiel soltaram uma nota oficial vergonhosa falando sobre o maldito Estatuto do Torcedor, mas não trataram do principal, que era manifestar repúdio da entidade ao regulamento. Pelo contrário, deixaram uma cartilha de bons modos para seus associados, seguida de uma ameaça de censura em prol dos bons costumes. Nada surpreendente para quem se reuniu no último sábado para saber "o que ia fazer" no dia 1º de Setembro e que recebeu o presidente do clube em sua quadra...

Aí, no ano passado, surgiu uma tal comissão do Centenário nomeada pela diretoria. Defendi várias vezes o grupo, mesmo não concordando com o modo de "eleição" desses pares. Passado um ano, o que fez a comissão a não ser se omitir e, pior ainda, ficar de charminho quando um irmão nosso alertou quanto a utilização de um trabalho alheio sem dar o devido crédito? Ao invés de simplesmente citar o autor, fizeram bico e limaram o troço, o que nos leva a questionar o real interesse dessas pessoas.

Que fique bem claro: não tenho nenhuma intenção de denegrir o caráter de ninguém, tampouco atacar gratuitamente os Gaviões. Acredito, sim, que é preciso apontar os erros porque estamos às vésperas de um marco importantíssimo. De minha parte, e levando em conta que
meu compromisso é apenas com o Sport Club Corinthians Paulista, reitero aos amigos a necessidade de mobilizar atividades para a noite do dia 31 de agosto. Tinha sugerido uma vigília na esquina de Fundação, tomando cerveja, soltando rojões e gritando Corinthians até sumir a voz. Podemos, no entanto, nos reunir em outro lugar - que não seja naquele lastimável show no Anhangabaú - para exaltar o corinthianismo, tão em baixa nesse período crucial de nossa história.

Meu email (
cramone99@gmail.com) está esperando mensagens. Vamos conversando. Só não podemos tratar o Centenário com o mesmo desdém dos incautos sem alma.

PELO CORINTHIANS, COM MUITO AMOR, ATÉ O FIM!

25 agosto 2010

Contra o assassinato do Maracanã


Atualização rápida, mas totalmente necessária, para recomendar mais um texto impecável de Edu Goldenberg, do Buteco do Edu. Ele, que mantém uma luta incessante pelo fim das frescuras daqueles bares cheios de graça e usurpadores dos valores populares, fala agora sobre o assassinato que a Copa 2014 está promovendo no futebol brasileiro. A primeira vítima, o Maior do Mundo. Nesta semana, o Maracanã foi destruído para, daqui 4 anos, estar de acordo com o maldito padrão Fifa.

Sem mais, fiquem com as palavras de Edu e espalhem esse manifesto de luta: É preciso lutar contra o esmalte

Recomendo, ainda, mais dois textos sobre o mesmo assunto. O primeiro é do sempre impecável Barneschi; o segundo, do grande vascaíno João Medeiros, que compareceu àquela que pode ser considerada a última partida que o Maracanã com alma recebeu.

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Atualização:

Outro grande brasileiro, o Simas, mandou sua contribuição em defesa do Maracanã. Igualmente imperdível!

22 agosto 2010

Jogo das Barricas: a taça é do Timão!


Foi uma tarde de sábado perfeita, senhores. Cada vez que eu olhava aquela multidão tomando conta do Nacional do Bom Retiro, sentia uma emoção indescritível, um sentimento de dever cumprido. Fizemos, ao modo da arquibancada, a nossa reparação histórica, unindo novamente dois rivais numa festa bonita em favor do futebol de verdade. Xingamos, gritamos, cantamos e bebemos demais. E o Corinthians saiu como o grande vencedor da 3ª edição do Jogo das Barricas, enfiando na porcada um sonoro 9 a 4, com direito a gol olímpico de nosso sósia de Neto.

Não irei cometer o equívoco e a indelicadeza de agradecer um por um os amigos que estiveram por lá porque seria injusto e esqueceria muitas pessoas, todas elas importantíssimas. Fica, portanto, um parabéns a todos nós que construímos essa imensa comunidade de torcedores que não se cala, que não fica passiva aos desmandos dos canalhas. Porém, vale citar a presença de alguns ilustres, como o pessoal da Rádio Coringão. Também aproveito para mandar a saudação ao pessoal do Foras de Forma, que se deslocou desde o interior paulista para prestigiar nossa festa e me presenteou com um boné da gloriosa agremiação.

Pessoalmente, considero essa muito bem-sucedida edição das Barricas como minha minúscula contribuição ao Centenário corinthiano. Durante a semana, aguardo fotos e relatos dos amigos, que serão devidamente linkados por aqui para que todos possam ter uma idéia do que foi a festa. Novamente, parabéns e muito obrigado a todos que estiveram por lá. São eventos como esse que mantém nossa crença no povo e no futebol com alma. Até o ano que vem!

Leia mais:

A reparação histórica
- por Anarcorinthians
3º Jogo das Barricas: Deu a lógica e foi um sucesso - por Blog do Silvinho
Futebol, cerveja e suor e Obrigado - no Cruz de Savóia

Narração - Rádio Coringão:

Parte I:



Parte II:



P.S.: no mais, o cachorro mijou no poste de novo nesse domingo...

19 agosto 2010

3º Jogo das Barricas - atualização


*** Atualização 19/08:

A partir dessa quinta-feira, as inscrições para o Jogo das Barricas deverão ser feitas pelos mesmos e-mails (cramone@gmail.com e cruzdesavoia@gmail.com), mas os pagamentos deverão ser realizados na entrada. Isso porque os DOCs a partir de hoje só serão compensados na segunda-feira, o que inviabilizaria o troço. Quem quiser pagar na boca do caixa ou depositar em dinheiro no caixa eletrônico ainda pode fazer o depósito até amanhã. Porém, até por questão de comodidade, pode deixar para pagar na hora. Quem já fez o depósito até hoje, ignore essas recomendações. Portanto, aqueles que quiserem chamar mais pessoas, basta enviar o nome para os e-mails acima e levar os R$20 na porta.

Nessa planilha, está a prestação de contas, com a listagem de quem já pagou. Se alguém fez o depósito e não viu seu nome na relação, favor me mandar o comprovante - acho que não vai ter esse caso, porque fiz a conferência há pouco e o que está lá é o que pingou na minha conta.

Não se esqueçam das moedinhas para o cofrinho da madame! Até sábado!

Jogo das Barricas - 3ª edição
Quando: 21/8 - sábado - 15h (chegue antes!)
Preço: R$20 (entrada e churrasco) - cerveja à parte
Endereço: informado após a inscrição

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Da mesma forma que nas obras de
Shakespeare e Machado de Assis, Corinthians e palmeiras nasceram para ser rivais inseparáveis. Entre os torcedores, o fato se repete. São Montecchio e Capuleto, Esaú e Jacó. Aprenderam, no decorrer do tempo, que em certos momentos têm de dividir o espaço, já que essa competição eterna é o que mantém as respectivas paixões. Toda conversa é um embate e qualquer encontro se transforma em acontecimento épico. Palmeirenses e Corinthianos precisam conviver e competir.

É esse o espírito do Jogo das Barricas. Pelo terceiro ano consecutivo, a maior rivalidade do futebol brasileiro e mundial sai das arquibancadas e vai ao campo de jogo. Com a bola nos pés, arquibaldos e alambradinos do Pacaembu e do Jardim Suspenso promovem encontro que desmitifica o caráter violento imputado por aproveitadores ao futebol, a fim de afastá-lo definitivamente do povo por meio do pânico.

Além da oportunidade de reunir amigos de trincheiras opostas para bater uma pelada, comer um churrasco e beber cerveja, o Jogo das Barricas é uma reparação histórica e uma manifestação de escárnio contra a entidade que é a antítese ao futebol com alma exalante dos derbys. Consta nos anais que, em 7 de julho de 1938, houve o torneio Augusto Mundell, cuja arrecadação de fundos serviu ao salvamento financeiro de uma instituição que havia ido à bancarrota pela segunda vez em menos de dez anos de existência, apesar de toda sua identificação com as classes abastadas. Por conta disso, alvinegros e alviverdes se juntam novamente para rir do time do Jardim Leonor, lembrando também do erro gigantesco que foi a promoção do referido campeonato.

Mais exatamente no próximo dia 21 de agosto, um sábado, três escretes formados pelas três torcidas mais tradicionais da capital paulista serão recebidos pela gloriosa várzea do Tietê. E dizemos três escretes não por erro de conta, mas porque irão nos acompanhar nessa jornada nobres torcedores da Portuguesa de Desportos, outra agremiação participante do Augusto Mundell. O Jogo das Barricas, enfim, é uma festa que irá louvar o futebol sem frescuras e suas histórias maravilhosas.

Os interessados devem mandar e-mail para cramone99@gmail.com ou cruzdesavoia@gmail.com. Depois da inscrição, serão enviados os dados bancários necessários para o pagamento da contribuição de R$20, destinada ao aluguel do campo e à carne do churrasco, além do endereço do evento e demais instruções. Prepare suas moedinhas!

Jogo das Barricas - 3ª edição
Data:
21 de agosto - a partir das 15h
Local:
campo da várzea paulistana (endereço via e-mail, após confirmação da inscrição)
Preço:
R$20 (aluguel do campo e churrasco incluso)

Informações e inscrições:
cramone99@gmail.com / cruzdesavoia@gmail.com

17 agosto 2010

O Corinthians é nosso e a gente faz a festa


Desde que os preparativos para o Centenário Corinthiano começaram, fiz alertas de que o troço deveria ser pautado pela louvação ao corinthianismo. Nada de vincular a Libertadores ou qualquer outra conquista a um marco que, por si só, já é motivo de celebração. Somos Corinthians, temos 100 anos de luta de um povo que nos fez gigante. Porém, a preocupação que eu tinha se concretizou com a divulgação da programação oficial preparada pela diretoria.


Shows sem nenhuma identidade com a Fiel, atividades que não valorizam nossos heróis e nossa história. Que se foda se a molecada (ou clientes da vez) se identifica com os artistas de merda que vão tocar no dito "Show da Virada" - isento o goleiro Ronaldo, artista só em campo. Por que Faéti e Toquinho, que tanto fizeram pelo Timão com seus hinos extra-oficiais, não têm lugar nesse palco? Cadê a comissão de auxílio a ex-atletas que nunca saiu do papel? O que há de corinthianismo nessa agenda? Pedir que gente vista o manto alvinegro no 1º de setembro é o mesmo que colocar uma placa na testa lembrando que a gente precisa respirar. Abrir mão da partida em Templo Sagrado no dia do nosso Centenário é prova maior de falta de compromisso.

O que importa, portanto, é o que cada um de nós tem a dizer e a fazer em prol do Todo Poderoso Corinthians. De minha parte, deixo o convite aos amigos - serão poucos, eu sei - que queiram me acompanhar na vigília que farei na noite do dia 31 de agosto no Bom Retiro. Estarei tomando minha Brahma, ouvindo músicas e o hino corinthianos, agradecendo a todos os nossos guerreiros antepassados. Pretendo, inclusive, me adiantar a uma prometida revitalização do obelisco - escuto essa história há anos - e tentar fazer uma placa. E gritando, gritando muito o nome do Corinthians!

Esse clube é nosso. Não precisamos de firulas pirotécnicas se elas visam ser ação de marketing, ao invés de festejar uma das maiores realizações do povo brasileiro: a nossa fundação. Esqueçamos por um momento dos nossos egoísmos e os problemas do dia-a-dia. Furar essa "festa oficial" é nada mais que um protesto contra o desrespeito e o desleixo dos incautos com os 100 anos de Sport Club Corinthians Paulista.

PELO CORINTHIANS, COM MUITO AMOR, ATÉ O FIM!

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Atualização:
o mano Filipe nos envia outra programação interessantíssima de debates que irão ocorrer sob as arquibancadas do Templo Sagrado. Trata de nossa história e da mística corinthiana. E não, não está na tal agenda oficial. Mais em semanadocorinthians.com.br



11 agosto 2010

Dos debates infundados, porém divertidíssimos, no Twitter


Estava eu escutando a gloriosa Saudade FM e entra na difusão uma música do Djavan. O chato Djavan. O mala Djavan. Eu, que outro dia levei umas botinadas na timeline por conta do meu nariz virado com a música "Imagine", de John Lennon, arrisquei: "Será que nessa consigo adesões? Djavan, um grande mala!"

O @SeoCruz prontamente lançou: "(2 membros) RT @craudio99 Djavan, um grande mala!"

@barneschi veio em seguida: "@craudio99 Mas o Milton Nascimento é ainda mais chato."

E aí foi feita a balbúrdia, não sem antes @JohnSoprano ("@craudio99 Djavan tinha q ser esquartejado e seus restos expostos nas paredes de todos barzinhos que tocam MPB no estilo banquinho e violao.") e @luizromani ("@craudio99 Não tem nada pior do que rádio de escritório tocando Djavan. Impressionante o incômodo que 'amarelo deserto' me causa.") se manifestarem.

Ainda alertei que ia dar merda: "@barneschi O Milton ainda tem algumas grandes composições, mas é chato como cantor. O maior feito do Djavan foi estar no Balão Mágico. / Pronto! Campanha contra Djavan é uma unanimidade. "Imagine" do Lennon e Clube da Esquina ainda gera polêmica." Do Rio de Janeiro, @butecodoedu apareceu na hora: "@craudio99 @barneschi o Milton Nascimento é chato como cantor? Falem de futebol, pô!"

Campinas deu o berro, com @brsamba: "@craudio99 não sei do que vocês estão falando, mas também acho os mineiros do Clube de Esquina muito chatos. Sem exceção." A Tijuca replicou: "Canta mal?! Me poupem! @craudio99 @brsamba @barneschi http://bit.ly/cOGy4j".

@brsamba veio com mais dois tweets, e sobrou até pro Ivan Lins: "@butecodoedu @craudio99 não é que Milton cante mal. Ele canta muito. O problema é o repertório. Chato. / Querem outro exemplo de chato-bom? Ivan Lins. O cara é bom. Mas é chato".

Fanfarrão, @butecodoedu cruzou ("@brsamba @craudio99 querem outro exemplpo de chato-bom? Eu!") e o @brsamba mandou pra rede ("@craudio99 mas [Djavan] deixou no lugar seu imitador: Jorge Vercilo. Esse sim, um mala de fato").

Pobre do @leoboechat, que nesse bololô todo ficou mais isolado que o Serra: "@craudio99 Opa, perdi essa. Ia defender o Djavan também."


Faltou só a Brahma na tarde de hoje...


05 agosto 2010

Da série Leitura Obrigatória


Como já havia avisado antes, a minha freqüência de atualizações caiu drasticamente por aqui. Entonces, vou fazer minhas referências de leitura, mais no Twitter, e às vezes no blogue.

O mestre Edu Goldenberg se juntou a Luiz Antônio Simas, outro dos grandes brasileiros a quem tenho o prazer de conhecer, e ambos fizeram o que poucos jornalistas fazem hoje em dia, que é a entrevista cara-a-cara. Invariavelmente, o troço fica bom, mas o resultado dessa incursão dos amigos cariocas acabou sensacional, muito por conta da entrevistada. Sem mais delongas, senhores, visitem o Buteco do Edu e confiram o papo imperdível com a maravilhosa Beth Carvalho!



Foto surrupiada do Buteco do Edu

29 julho 2010

Jogo das Barricas - 3ª edição


Em 2008, meia dúzia de radicais, intolerantes e irracionais
corinthianos e palmeirenses que viviam trocando suas farpas por blogues, e-mails e que tais - ainda não havia se disseminado o Twitter - resolveram consertar o ato mais irresponsável das diretorias de Corinthians e palmeiras de sua história. Um dos gaiatos teve a idéia de jerico e o restante não só concordou como ajudou a viabilizar aquilo que viríamos chamar de Jogo das Barricas - a reparação histórica.

Quem ainda não entendeu nada, deve obrigatoriamente visitar o Cruz de Savóia para ter noção exata do que foi a "Taça Augusto Mundell", eternizada e popularizada nos registros futebolísticos como o Jogo das Barricas a que nos referimos. Tal alcunha foi dada graças às esmolas arrecadadas pelas duas grandes equipes paulistanas, mais a Lusa, em benefício do time de Jd. Leonor, numa atitude que nos custou caro pouco tempo depois, com a intervenção na presidência do Corinthians e a mudança do palestra para palmeiras - a própria Portuguesa foi vítima de um dos rolos tricolores, comprando o Canindé depois que ele foi tungado pela escumalha dos alemães.

Pois são essas e diversas outras aberrações da história sombria do time de madame que iremos denunciar, e também prestaremos tributo a todos os nossos guerreiros antepassados. Mais ainda, eis a prova de que corinthianos e palmeirenses (e agora consta que teremos a participação de uma esquadra lusa) conseguem conviver em clima fraterno quando o que está em pauta não é a disputa do maior clássico do mundo.

Assim, a
3ª Edição do Jogo das Barricas será realizada no próximo dia 21 de agosto, um sábado, a partir das 15h. Conseguimos, desta feita, fazer com que o evento aconteça na gloriosa várzea paulistana, local de gestação daquele futebol que todos aprendemos a amar, o futebol do povo. Voltar à várzea, aliás, ganha mais significado porque é um protesto contra a modernidade assassina, tão peculiar daquele clube que temos o prazer de combater.

Pedimos, então, a
colaboração de R$20 dos interessados para custear o aluguel do campo e o churrasco que será feito durante e depois da partida. A cerveja e demais bebidas não estão inclusas, mas poderão ser adquiridas a preços honestos no bar da agremiação que irá nos receber. Infelizmente, não podemos divulgar abertamente o local do jogo por questões óbvias. As informações só serão enviadas para quem se identificar via e-mail (cramone99@gmail.com ou cruzdesavoia@gmail.com) e garantir presença. Posteriormente, iremos divulgar uma conta corrente para receber os depósitos. A prestação de contas será cristalina e, caso haja sobra, ela entrará no rateio das Brahmas.

Aos corinthianos e palmeirenses, reforço que essa edição será a "nega", já que os alvinegros levaram a primeira e os alviverdes faturaram a segunda. Quanto aos uniformes, vale a sugestão de levar tanto o primeiro quanto o segundo fardamento, para que os presentes decidam no voto qual das camisas deve entrar no gramado.

Recado final:
leve suas moedinhas! Afinal de contas, madame está descontrolada também nos cofres e a intenção é despejar uma barrica cheia níqueis na porta do Morumbi. Contamos com a presença!

Jogo das Barricas - 3º edição
Data: 21 de agosto - às 15h (pontualmente)
Preço: R$20 (aluguel do campo e churrasco)
Inscrições e informações: cramone99@gmail.com / cruzdesavoia@gmail.com

27 julho 2010

Um canalha chamado Juca


Muito do caráter das pessoas pode ser percebido não nas grandes frases de efeito, mas sim nos pequenos detalhes. Num texto opinativo, então, a regra é quase 100% certeira. Temos na imprensa esportiva aquele que talvez seja o mal dos males, o vírus da AIDS da crônica futebolística, que atende pelo nome de Juca Kfouri. Já tratamos inúmeras vezes de quem, neste humilde espaço, é denominado "a voz da verdade".

Porém, não vou gastar saliva repetindo todo o conhecidíssimo modus operandi sujo utilizado pelo pseudo-jornalista, tão valorizado por grande parte da massa leitora brasileira como o totem da moralidade. Irei me ater à última presepada do nobre arquivista, que resenhou o recente filme do Corinthians sobre nosso glorioso Centenário. Lá pelas tantas, Juquinha vem com a seguinte assertiva, tratando das personalidades alvinegras presentes no longa: "Não tem Ronaldo que, estranhamente, pediu dinheiro para falar, assim como Rivelino".

Antes de tratar do ocorrido, parênteses abertos. É preciso esclarecer que Ronaldo só tem um e jogou 601 vezes pelo Corinthians. É um dos maiores ídolos de nossa história e ganhou tudo o que podia na sua longa trajetória no Parque São Jorge. Particularmente, foi o último jogador que mereceu minha saudação das arquibancadas. O resto que temos por aí fazendo hora extra e nos custando milhões, tratemos pelo diminutivo que merece.

Exatamente por conta dessa confusão criada pela homonímia entre ex-atletas, a frase citada ali em cima é canalha. Ela tenta jogar fagulhas de crise na Fiel Torcida, colocando-a em confronto com um dos seus principais ídolos e contra outro grande jogador e ídolo, coincidente e recentemente homenageado pelo clube. Mais do que não esclarecer de qual "Ronaldo" tratava, Juquinha não apresentou provas da acusação grave que fez. E aí a gente faz o trabalho para esses pulhas.

Nosso querido Ronaldo, o grande queixada, está no Twitter. Por lá, indaguei:

- Ô, @Ronaldo601: não vai mudar nada, mas é vc q o Juquinha tá querendo chamar de mercenário por cobrar pela entrevista no filme dos 100 anos?

Ronaldo respondeu:

- @craudio99 não sei quem é, eu já gravei.....agora se vc descobrir me avise. Porque esse cara precisa de ajuda!!!! Ok

E o diálogo prosseguiu assim:

- @Ronaldo601 Eu sabia que só podia ser o Gordo. De qualquer maneira, é sempre bom esclarecer que RONALDO SÓ TEM UM!

- @craudio99 beleza ......

- @Ronaldo601 No mais, esse é o modus operandi do Juca Kfouri e não sei pq ainda insistem em chamar esse babaca pras coisa do Timão.

E finaliza nosso ídolo:

- Só lembrando qualquer duvida em cima do meu nome e só escrever..... Ok

Notem a postura louvável de Ronaldo em perder seu tempo ao responder para mim e, depois, dar uma aula básica de jornalismo a quem se diz jornalista. Como imaginava de antemão, é óbvio que o craque das traves, o "Espaaaaaaaaaaaaaaaaalma Rrrrrrrrrrrrronaldo" da minha infância e juventude, jamais faria algo assim. O esclarecimento, no entanto, era necessário, até porque nos tempos de internet um mal-entendido se espalha como verdade em questão de segundos.

Eis, portanto, o perigo de um canalha como Juca Kfouri ainda ter tanta relevância no meio esportivo, principalmente junto à molecada. Fato inexplicável, assim como a presença constante desse nojento em tudo o que envolve o Corinthians, mesmo ele não sendo corinthiano (que ele grafa corintiano). Mais grave ainda é essa diretoria - principal alvo das denúncias vazias de Juquinha e seus laranjas - permitir boçalmente que ele diga asneiras em registros históricos e oficiais do Coringão. Talvez esses merdas se mereçam, mas que deixem a Fiel e o Corinthianismo fora dessa.

18 julho 2010

A volta, de fato


Como fazem falta o Pacaembu, a festa na favela e o Corinthians em nossos domingos! Depois de um escorregão no nordeste, voltamos para casa - que raios esse papo furado de construção de estádio - e ensacamos mais uma vez o galo mineiro. A liderança isolada, finalmente, parece ter tomado corpo e o time começa a engrenar, alheia aos equívocos do treinador. Sobre isso, comentávamos no caminho de volta do Templo Sagrado, subindo a rua Goiás: Mano Menezes SÓ errou nessa temporada, tanto nas escalações iniciais quanto nas substituições.

A desobediência tática de alguns jogadores novamente foi decisiva para que os três pontos viessem, haja vista o posicionamento do time nos lances de perigo e, principalmente, no gol do Coringão - Danilo e Bruno César avançados na mesma jogada devem ter causado faniquitos no técnico. Ainda assim, vamos fazer um esforço para tentar entender o que se passa na cabeça de Mano, avaliando seu trabalho nessa partida. A teimosia na manutenção de Iarley entre os titulares e as inexplicáveis trocas de Dentinho por William e Ralf por Jucilei (não por quem entrou, mas por quem saiu), por exemplo. Não achei relatos de nenhum motivo - contusão ou cansaço - para que Dentinho fosse sacado, assim como não concebo melhoria tática na entrada do Beckenbauer de Ébano como primeiro volante. Isso são fatos, até para que minhas palavras não denotem uma perseguição pessoal ao gaúcho.

Bobagens à parte, vamos louvar a participação de Bruno César, que mantém sua média de boas apresentações e demonstra não ter sentido o peso da Centenária camisa alvinegra. O outro César, o Júlio, também merece palmas por mais uma defesa salvadora, assim como é digno de aplausos o espírito guerreiro de São Jorge Henrique. Porém, existe a lista de coisas a fazer, e é prioridade sanar a alarmante lentidão da dupla de zaga. Falando em zaga, o recado dado à diretoria pelo Chicão ao perder o pênalti foi bem claro: enquanto não me derem a grana e um contrato novo... Portanto, corja, parem de pagar tubos a um ex-jogador que virou socialite e socializem melhor a grana com o resto do elenco.

As duas babas de quiabo nas próximas rodadas precisam ser aproveitadas como um bom treinamento para o grande clássico do dia 1º de agosto. São 6 pontos para ampliar a vantagem em relação aos concorrentes e duas vitórias obrigatórias para nos embalar diante da porcada. Que o treinador entenda dessa maneira. Que São Jorge continue nos iluminando. O Coringão voltou!

P.S.:
são lamentáveis as palavras de Andrés Sanchez sobre os estádios no Brasil. Ele faria como fizeram com o assassinato ao Wembley: demolição total. Ainda que lixos como o panetone merecessem esse fim, querer derrubar o Maracanã é de uma irresponsabilidade sem limites. Tal premissa, aliás, é o que pauta a falaciosa construção de um estádio para o Corinthians. Sanchez não respeita tradições e, portanto, não respeita a Fiel. Fora, Sanchez!

15 julho 2010

Na volta, as mesmas lembranças

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O retorno do modorrento Brasileiro de pontos corridos deixou todos nós torcedores ansiosos. Foram 40 dias sem aquele glorioso futebol de verdade e com uma Copa de nível técnico baixíssimo - na verdade, pareceu um Carnaval sem samba essa Copa. Eis que, na quarta-feira, o Corinthians foi enfrentar o Ceará na casa lotada do adversário, e aquilo que tinha de tudo para ser um jogaço por valer a liderança isolada serviu para nos trazer de volta vários aborrecimentos do primeiro semestre.

Antes, vale ressaltar que ambos os times pareciam estar com a marcha emperrada. Erros de passe grotescos, chutes sem nenhuma direção e muita sonolência. Do nosso lado, apenas Bruno César mostrou alguma vontade habitual e foi o responsável direto pelas principais jogadas de pouco perigo do Timão. Também continua impune a pancadaria contra nossos jogadores. Assim, passou-se um mês de treinamentos para que o time jogasse um futebolzinho de quinta categoria.

Algumas outras recordações daquilo que estava faltando no Coringão antes da parada para a Copa? Ausência do Jucilei no meio, ausência do Danilo no planeta Terra, ausência de futebol no Iarley, ausência de vontade (e talvez de caráter) no Defederico, ausência de velocidade da dupla de zaga e, principalmente, ausência de noção tática do treinador. Como, meu São Jorge, o sujeito troca Danilo por Tcheco e Iarley por Souza? Que carajos de substituições imbecis são essas? Isso sem contar o time titular, que entrou em campo com dois anões no ataque e não conseguia chegar à área do inimigo.

Só para não ficar com a fama de ranheta, digo que estou cada vez mais convencido de que finalmente encontramos um camisa 9 decente nas categorias de base. Isso não acontecia desde Viola, pelo menos no meu entender. Que esse moleque corresponda à expectativa de milhões de corinthianos e desbanque esse monte de sem-vergonha que anda encostado no Parque São Jorge, mamando nas tetas de Sanchez, Roxemberg e turba.

Domingo é ganhar ou ganhar no Pacaembu. Vai, Corinthians!

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*Alerta: Este blogue tende a ficar meio às moscas daqui até outubro. Teremos atualizações esporádicas, geralmente depois dos jogos ou caso alguma coisa grave aconteça. Não me condenem, a culpa é do capitalismo.

12 julho 2010

Balanço da Copa


A cada edição da Copa, o futebol fica cada vez menos futebol. A vitória da Espanha no último domingo foi relevante porque demonstra qual o tipo de modelo que está sendo valorizado hoje em dia. Aliás, se não fosse a Espanha, lamentaria do mesmo jeito um título de Inglaterra, Itália, Holanda e Alemanha, todos eles pólos do que se adotou como modelo de futebol moderno. É muito mais prejudicial a consolidação dessa bobagem de modernidade que uma vitória da seleção de
Dunga, se vocês querem saber...

Como balanço do torneio de 2010, podemos tirar algumas conclusões:

- As vaias ao uruguaio Suárez - responsável por uma das
poucas jogadas decentes nesse Mundial fraquíssimo - durante a disputa pelo terceiro lugar foram constrangedoras. Suárez, para quem não lembra, salvou a Celeste de uma derrota no minuto derradeiro da prorrogação contra Gana, tirando a bola de cima da linha com uma cortada à la Gilsão Mão de Pilão. Mandou a olímpica babaquice do fair play às picas e foi premiado com a classificação de seu time para a fase seguinte. E aí a imprensa quis compará-lo a Henry e Maradona, numa inversão de valores terrível. O francês foi, de fato, um canalha e teve sua canalhice punida com um chá de banco e a eliminação vergonhosa da França na primeira fase. A mano de D10s, por outro lado, é totalmente justificável e heróica porque tratou de vingar uma covardia bélica. Quanto a Suárez, nem tanto ao céu, nem tanto ao inferno. Sua intervenção faz parte do jogo e foi devidamente repreendida pelo árbitro com a marcação do pênalti e com a expulsão. O resto é choro e desconhecimento.

- Durante o silêncio oriundo da Copa, os canalhas aprovaram no Senado a reformulação do Estatuto do Torcedor (???).

- Chegou em casa uma IstoÉ (e faz mais de dois meses que os desgraçados mandam esse lixo para mim, de graça, num artifício desonesto para aumentar a tiragem) que traz entrevista com o Galvão Bueno. Falam de amenidades e tentam recolocar o péssimo narrador de volta a seu pedestal, inclusive tratando o "Cala Boca Galvão" como mera brincadeira. Esqueceram de tocar no ponto crucial, que foi a ridícula cobertura global da Copa e sua campanha contra Dunga, motivada pela quebra do monopólio e pelo fim às regalias da emissora dos Marinho. Isso não pode ser chamado de jornalismo, mas de assessoria de imprensa. Noves fora, em 2010 diminuiu a influência da contraditória vênus platinada, que exalta a liberdade de expressão para derrubar um treinador e, ao mesmo tempo, processa o UOL pela exibição dos gols da Copa.

- É impressão minha ou a internet aumentou o número de aproveitadores que se dizem torcedores durante a Copa?

- Você se lembra de alguma vez que a escolha do chefe de delegação tenha sido tratada com destaque pela mídia suja? Pois só o Corinthians consegue isso. Os abutres não engoliram até agora que um presidente do Corinthians, por mais filho da puta que seja, tenha representado o futebol brasileiro diante do mundo. Só porque o cara bebe, fala palavrão e não se veste de terno, como faz a maioria do povo?

- Parabéns à África do Sul!

- 2014 está cada vez mais perto.

- A Copa foi tão sonolenta que eu comemoro a volta do modorrento Brasileirão por pontos corridos...

08 julho 2010

Canalhas, deixem o futebol em paz!


Eu, você, seus amigos e parentes que vamos aos estádios sabemos que as coisas andam feias para o nosso lado. Tanto é que o amigo
Teo se sentiu no dever de redigir a obra-prima "Estatuto para o verdadeiro torcedor", com a finalidade de separar o joio do trigo e estabelecer algumas regras de conduta óbvias para nós, mas absurdas e ao mesmo tempo necessárias para outros tantos babacas politicamente corretos. Tal documento é, além disso, uma contraposição à besteira homérica do Estatuto do Torcedor, cuja utilidade é a mesma do papel higiênico.

Ocorre que, desde o ano passado, o famigerado documento entrou novamente em pauta no Legislativo para reformas, respondendo a interesses que não os do torcedor. Na verdade, tanto o original quanto sua atualização insistem no binômio torcidas organizadas/violência, fazendo uma associação ignorante e covarde e atendendo aos anseios daqueles que querem transformar o futebol numa chatice mercadológica. Eis que na última quarta-feira, dia 07/07, o Senado aprovou texto do deputado Arlindo Chinaglia - vou me esforçar para não fazer o trocadilho natural - que mexe no Estatuto e traz milhares de absurdos, com destaque para os seguintes:

- O primeiro Artigo escancara o nível da imbecilidade.
"É dever de toda pessoa física ou jurídica colaborar na prevenção de atos ilícitos e de violência praticados por ocasião de competições esportivas". Ou seja, incita-se a cagüetagem.

- A
censura aos protestos consta na nova lei. Diz o item IV do Artigo 13-A que é condição para o acesso e permanência do torcedor nos estádios: "não portar ou ostentar cartazes, bandeiras, símbolos ou outros sinais com mensagens ofensivas, inclusive de caráter racista ou homofóbico". Deixando de lado o fato de que a definição do que é ofensivo é bem subjetivo e aplaudindo a criminalização do racismo e homofobia, não podemos esquecer que o insulto é condição de existência das torcidas. Dessa forma, terei de tratar os porco e a bicharada por vossa excelência? Se eu xingar o juiz ou levar uma faixa chamando o Andrés Sanchez de filho de puta - trata-se apenas da verdade -, poderei ser banido? Se um desgraçado de um dirigente vende ingressos de arquibancada a R$30, eu tenho que me calar e não posso mandar fazer uma bandeira cobrando decência?

- Ainda no Artigo 13-A, seu item IX afirma que eu não posso
"invadir e não incitar a invasão, de qualquer forma, da área restrita aos competidores". Ao mesmo tempo, o Artigo 39-A estabelece que "A torcida organizada que, em evento esportivo, (...) invadir local restrito aos competidores, árbitros, fiscais, dirigentes, organizadores ou jornalistas será impedida, assim como seus associados, de comparecer em eventos esportivos pelo prazo de até 3 anos". O novo Estatuto, portanto, ao invés de proteger o torcedor, dá guarida aos principais canalhas do futebol, a saber: jogadores vagabundos, árbitros, dirigentes ladrões e jornalistas abutres. Ficam os torcedores à mercê desses pulhas e qualquer protesto é criminalizado.

- O Artigo 39-B traz que
"A torcida organizada responde civilmente, de forma objetiva e solidária, pelos danos causados por qualquer dos seus associados ou membros no local do evento esportivo, em suas imediações ou no trajeto de ida e volta para o evento". Sendo assim, o Estatuto admite a incompetência da Polícia em gerenciar uma tarefa básica.

Diante de todas essas punhaladas dadas em nosso peito pelo Congresso em favor da modernidade, o prognóstico da morte do futebol para 2014 feito em 2007 está corretíssimo. O próximo passo é instalar ar condicionado e servir canapés aos convidados (as torcidas serão extintas e ficarão nas ruas, e aí sim vocês vão ver o que é violência!), todos eles em trajes de gala nas confortáveis cadeiras das arenas. A cada gol, palmas contidas irão saudar os atletas, todos eles de Cristo, e o público mal irá prestar atenção ao gramado. Telões irão transmitir em HD a partida - pela Globo, que revira o calendário todo ano e não sofre nenhum tipo de punição pelo Estatuto - e auxiliarão os 20 juízes em campo a validar qualquer lance duvidoso. Parabéns, caros assassinos, vocês estão conseguindo destruir o que ainda resta ao povo!