15 fevereiro 2012

Peito cheio


Anualmente, aa semana que antecede o Carnaval é tempo de me sentir meio deslocado em São Paulo. É impressionante como está impregnado na mente das pessoas daqui o total descomprometimento com a festa que, em todo o país, acontece desde o mês passado. Fico numa angústia danada vendo o povo trabalhando até tarde, com a maior naturalidade na cara deslavada, como se estivesse contribuindo para alguma coisa senão o prejuízo aos demais brasileiros.

De minha parte, decretei desacelaração no ritmo desde a última sexta, onde fomos Evinha e eu para o Bantantã. Também tomamos chuva no glorioso Cambuci, bairro que abriga o Bloco da Ressaca. Desnecessário dizer que, ao contrário de manifestações abjetas como a ocorrida na rua Augusta - onde a fuzarca era comandada por grandes nomes do samba como a atonal Pitty e Wilson Simoninha (mais conhecido por seu trabalho como filho de Wilson Simonal) -, os tradicionais e insistentes blocos citados contaram com a participação de poucas dezenas de pessoas.

São coisas como essas que me fazem fugir de São Paulo como o diabo da cruz durante o reinado do Momo (que hoje é magro e fashion), num siricutico que começa em meados de novembro. Me levem pra Osasco, mas não me deixem na capital durante a folia. Não é exagero: podem ir às avenidas Paulista ou Berrini às 20h da próxima sexta para ver a quantidade de escritórios ainda lotados, enquanto o Brasil cai na farra.

Eu, no entanto, não terei tal desprazer. Estarei em terras pernambucanas, ao lado da minha preta e do Galo da Madrugada, prestando homenagem ao centenário do mestre Luiz Gonzaga. Mas deixo antecipadamente meus salves a todas os focos de resistência do samba e do Carnaval aqui da garoa, certamente angustiados como eu. Viva os Inimigos do Batente, viva meu Peruche (vamos subir campeões!), seu cantinho e Seu Carlão, viva o Camisa e a Barra Funda, viva a Nenê e a Zona Leste, viva a Vila Maria (torço pelo título), viva o Samba do Maria Zélia, viva Pirapora do Bom Jesus, viva todas as rodas de samba das periferias dessa cidade!

Dito isso, rumo ao norte encher o peito de vida para continuar morrendo aos poucos até o próximo ano. A quem fica, meus lamentos e uma aula de Plínio Marcos logo abaixo. Até a volta!


2 comentários:

Mônikita disse...

Vc veio assistir o Bloco da Ressaca?
Poxa eu cansei de sair nele, a maioria são meus amigos desde a infância.

Bruno Chagas disse...

Rá! Osasco... rs.