02 dezembro 2006

Sétima arte, dez petardos


Quem não gosta daquele filme que não fez sucesso, não tem reconhecimento da "crítica especializada", não tem nada de muito revolucionário e, pior, a gente não acha nem na 2001 pra alugar? Essas produções marcam nossas vidas de uma maneira única e, se pudéssemos, assistiríamos a elas todo dia. Algumas nos tornam motivo de chacota quando contamos que as consideramos impagáveis.

No meu caso, há não um, mas vários filmes. Farei um TOP 10, já adiantando que provavelmente deixarei vários de fora. Eles não estão em ordem de preferência, porque cada um é bom de um jeito.

1) Jovens, Loucos e Rebeldes (Dazed and Confused) - É o terceiro filme do diretor Richard Linklater, que depois soltou pérolas como "Escola do Rock". Ele mostra o fim das aulas e o começo das férias de verão num subúrbio norte-americano na década de 70. Entre trotes e mudanças na vida dos adolescentes, o diretor ilustra o que eu considero como a noite perfeita. Festa, bebida, drogas e, principalmente, falar e fazer merda com os amigos. O principal é que se tem um distanciamento da cultura consumista estadunidense. Poderia ter sido filmado tanto no Capão Redondo quanto nas alamedas de Moema.

2) Boleiros - O filme de Ugo Giorgetti é uma obra-prima do cinema nacional. Pra quem gosta de futebol, é tão imperdível quanto os filmes do Pelé. Histórias baseadas em fatos reais do mundo da bola são contadas de uma maneira muito eficiente. Geralmente, os filmes sobre o esporte carecem de verossimilança. "Boleiros" é quase um documentário, uma versão cinematográfica do "Grandes Momentos do Esporte", da TV Cultura. Pena que a continuação não foi um décimo do original.

3) O Poderoso Chefão (The Godfather) - Não precisa nem falar o porquê. Esse é o clássico dos clássicos. Particularmente, prefiro a segunda parte, em que é contada a origem da saga dos Corleonne. Fora a seleção de estrelas no elenco, que reúne gente como Al Pacino, Robert de Niro, Diane Keaton e Robert Duvall, tem também a direção de Francis Ford Coppola. Tudo isso numa trama perfeita, assinada por Mario Puzzo.

4) Quinteto Irreverente (Amici Miei atto II) - Poderia ter escolhido o primeiro da série, "Meus Caros Amigos". Mas a continuação da obra de Mario Monicelli é um daqueles raros exemplos em que a parte 2 é melhor que a primeira. Outra justificativa é que as sacadas mais geniais estão neste "atto II". Ele também me fez chorar no final. Vale a dica para conhecer um dos grandes trabalhos do ator Philippe Noiret, morto na semana passada.

5) Férias do Barulho (Private Resort) - Já adianto que é uma bosta. A história é fraca, só mostra mulher de peito de fora e conta as aventuras de dois adolescentes querendo trepar num hotel de luxo. Mas o fato é que esse filme marcou a infância e pré-adolescência de todos nos anos 80. Era praticamente certo que o SBT iria exibi-lo pelo menos uma vez por mês. Não veja relação com o filme de número 1 desta lista. As estripulias aqui beiram ao ridículo. E tem Johnny Depp no começo de carreira.

6) Kill Bill vols. 1 e 2 - Não dá pra separar os dois volumes. Só Hollywood fez isso. Apesar de ter no currículo "Pulp Fiction", "Jackie Brown" e "Sin City", entre outros, esta é a obra definitiva de Quentin Tarantino. Muitos o chamam de marqueteiro, fake, forçador de barra... Eu digo: é gênio! Nesta homenagem à própria infância, Tarantino revive antigos astros do cinema japonês e faz infinitas referências aos heróis das artes marciais. Além disso, consegue a proeza de deixar Uma Thurman bonita. Destaque para as atuações de David Carradine (da série "Kung Fu"), Sonny Chiba (o lendário Hattori Hanzo) e Gordon Liu (que estrelou milhares de seriados nipônicos), e também a parte em animação, que conta a história de O-Ren Ishii.

7) Bar Esperança, o último que fecha - É a voz da boemia. A obra de Hugo Carvana retrata um ponto de encontro dos bêbados cariocas. Nos primeiros minutos, já dá aquela vontade de abrir uma gelada e se sentir na mesa ao lado da cena. E tome filosofia de boteco, acompanhada de muita nostalgia e uma trilha sonora perfeita. Deve ser um dos grandes responsáveis pela minha paixão por bar e Rio de Janeiro.

8) Diários de Motocicleta - Co-produção de diversos países, dirigida pelo brasileiro Walter Salles e estrelada pelo mexicano Gael García Bernal. Conta a parte pré-revolucionária de Che Guevara. Dois pontos me tocam neste filme: a viagem pela América Latina e o idealismo quase romântico de Guevara, que, depois do contato com o marxismo, se tornou prático, efetivo e até hoje mostra sinais de vida. Dá vontade de vender tudo, comprar uma moto e cair na estrada sem destino.

9) Férias Frustradas (National Lampoons) - A saga da família Griswold também marcou a infância nos anos 80. O que mais atraía era o cinismo das piadas e as situações bizarras. Algumas cenas clássicas: a vovó morta no teto do carro, o seqüestro do parque de diversões, as luzes de natal e "crianças, o Big Ben"... Chevy Chase é o cara!

10) Máquina Mortífera (Lethal Weapon) - Os quatro filmes estrelados por Mel Gibson e Danny Glover podem ser taxados de violentos e machistas, além de tentarem pregar a supremacia norte-americana... Independente disso, não dá pra apagar a genialidade da série de Richard Donner. Nacionalismos à parte, o diferencial de "Máquina Mortífera" é justamente seu mea culpa, ora tratando do apartheid, ora denunciando a exploração de imigrantes pelo sistema escravista. No meio disso tudo, piadas e chavões inesquecíveis completam o pacote e fortalecem o mito.


2 comentários:

evita disse...

pra quem tava sem inspiração esse post ficou excelente


posso te ajudar com o poderoso chefão kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

eu ultimamente tenho conseguido comprar todos aqueles que (pra mim) merecem ser assistidos diariamente

que venham as férias!

urrú

Barneschi disse...

Vale o que eu sempre digo, japonês:

Há filmes que são reconhecidamente uma merda, mas que merecem lugar de destaque na nossa memória. E há outros que são bons - e nós reconhecemos -, mas que são esquecidos no dia seguinte.

Sobre esta sua lista, algumas considerações:

1. "Boleiros" é um clássico. Mas eu até hoje não entendo como o cara conseguiu cometer o "Boleiros 2". É um crime!

2. Falar o que de "The Godfather"? Tudo o que for dito é pouco. Ressalto apenas que o meu preferido também é o segundo.

3. "Férias do Barulho" é o tipo de filme ruim, mas bom.

4. Sobre "Kill Bill", concordo que não deveriam ser separados. Eu só fui gostar do Vol. 1 após assistir ao Vol. 2.

5. Chevy Chasey é o cara! Ele é John Candy formam uma dupla única. Acrescento algumas cenas clássicas: o primo sujão seqüestrando o chefe dele na noite de Natal; o cachorro que fica preso pela coleira e a paquera dele com a loira da Ferrari. Impagável!