13 agosto 2007

Por fora, bela viola


Estive no último domingo no Pacaembu. Mas não vou falar de futebol hoje, apesar da vitória massacrante, histórica e heróica do Corinthians contra os gaúchos amarelões. Vou falar do crime que estão fazendo com esse que é o estádio mais charmoso e simpático do Brasil (além de ser, ao contrário do que querem pregar, a casa corinthiana).

Fundado em abril de 1940, o Paulo Machado de Carvalho já havia sofrido uma primeira mácula em 1970. O então coronézinho da cidade, Paulo Maluf, derrubou a belíssima concha acústica para construir a porcaria do tobogã, sob a desculpa de suprir a demanda de público.

47 anos depois, temos na cidade de São Paulo um novo coronézinho. Que chama os cidadãos de vagabundos e lançou por aí uma lei que é conhecida como Cidade Limpa. Por causa dessa lei, todos os estabelecimentos passaram por restrições de fachada e foram obrigados a colocar letreiros menores. Na teoria, tudo ótimo, porque isso valorizaria as características das construções, principalmente no centro.

No entanto, o que se viu foi mais uma maneira de se arrecadar dinheiro via multas pesadíssimas, aplicadas principalmente a estabelecimentos de pequeno porte. Aliado ao fato de que se explicitou a feiura dos prédios mal-cuidados, a regra também descaracterizou em muito a periferia, extinguindo as placas interessantíssimas das barbearias, açougues e que tais, hoje inexistentes nos chamados bairros nobres. Por fim, eliminou aquele show de luzes em néon que dava todo o charme dos inferninhos da rua Augusta.

Contrária à própria determinação, no entanto, a Prefeitura instalou na entrada principal do Pacaembu uma muralha que faria Alcatraz figurar entre as sete maravilhas do mundo. Com a desculpa de estar realizando obras, encheram de concreto, tijolo e arame farpado a pomposa fachada do estádio.

Sai do jogo ontem e passei pela frente da casa corinthiana. E fiquei triste com aquelas muralhas tapando uma das poucas coisas belas que a capital paulista possui. Mas depois que eliminaram as barracas de pernil da praça Charles Miller, não duvido de mais nada. Estádio moderno é o caralho. VIVA O RATO DO PACAEMBU!


6 comentários:

Barneschi disse...

Isso pra não mencionar a mutilação da arquibancada, né?

Uma aberração sem tamanho, tanto quanto a proibição das barraquinhas de pernil e calabresa.

Viva o rato do Pacaembu!

evao do caminhao disse...

até a copa melhora

kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

uala disse...

...e me tira a dúvida?! como é que os caras do churrasco acendem o fogo?! nem acender meu cigarro consegui direito! aaaahhhhhhhh!

Filipe disse...

Mas você, ali da rua de cima, viu a quebradeira nas salinhas de bilheteria? O Templo Sagrado é tombado ou não, condephat de merda?!!? Cadê a placa do engenheiro da obra?
A arquibancada está sobre as salinhas em reforma. Cadê a planta do que querem fazer ali? Devia estar em lugar visível de fácil acesso a quem interessar possa, por ser patrimônio público do cidadão paulistano (por isso mesmo Corinthiano em sua essência).
Os que promovem a agenda política de destruição conseguem contaminar o ar que respiram, dada a tristeza da ausência de alma. Assim, suprimir a cidadania nos simples, mascarados, pequenos, grandes, pouco ou muito contundentes atos, se torna a marca da corja.
Eu tenho para com o Pacaembu uma relação maior que com o colégio onde estudei maior parte da minha infância. O meu ser, por menor que seja, é seriamente atingido com esta vilipendiosa agressão.
Isso é coisa do vampiro, dessa corja que domina os bastidores daquilo que se tornou o futebol brasileiro, que, pisando em seu ouro, deseja os espelhinhos dos gringos. É que há aqueles que lucram mais que os outros com isso. Nessas horas conta mais o obscurantismo da ausência de alma.
Afinal, o que é perder um pernil pra quem deixou de ter cidadania?...

Olívia Andreolli disse...

Não vi ainda o que estão fazendo com o Pacaembu, mas concordo que é um patrimônio e, como tal, não deveria ser tocado.

Você esqueceu de mencionar que a tal lei Cidade Limpa ainda gerou uma massa de desempregados. Acho que Gilberto Kassab não sabe o que significa a palavra prioridade.

Olívia Andreolli disse...

craudio, tem que dizer o nome do dito cujo pra ganhar a cerveja de garrafa. eu não tava brincando! rs