15 fevereiro 2007

Estamos de quatro...


Comecei cedo na arte de beber. Lá pelos 6 ou 7 anos, já dava a famosa "bicadinha na espuma" nos chopps do meu padrinho nos aniversários aqui em casa. Os tempos eram bons. Apesar daquele negócio tenebroso que era a inflação, tínhamos uma vida bem confortável. E todos os aniversários eram feitos no quintal, à base de Churrasquinhos Jundiaí, Chopp Brahma e refrigerantes da mesma espécie.

A vida boêmia, no entanto, veio forte lá pelos 14, 15 anos. Nessa época, saímos do colégio e nos dirigíamos para o Shopping Eldorado. Éramos uns cinco ou seis moleques, que já tinham destino certo: a patinação do segundo subsolo, onde conhecíamos o tiozinho de uma lanchonete. Lá, ficávamos tortos de bêbados, depois de dois copões de 500ml. Gastávamos menos de R$ 3 nessa empreitada.

Pulemos para o hoje, 2007. Peguei o Guia da Folha, leitura obrigatória de toda sexta-feira dos paulistanos. E fui dar uma olhada nos mais tradicionais pontos da noite de São Paulo. Estavam lá o Original e o Filial, dois dos lugares que prestam serviço ao bom chopp. Susto! Não só eles como a maioria dos lugares estão cobrando, em média, R$ 3,50 por uma caldereta. Para um beberrão como este aqui, a quantia pode significar um rombo de R$ 70 na conta corrente numa noite inspirada de 3 horas. E naqueles troços que se espalham no eixo Faria Lima-JK-Hélio Pellegrino, o valor de um mísero copinho de 300ml é absurdos R$ 4,20.

Estão querendo prejudicar as pessoas de bem, que bebem sua ampola mas não dispensam um refrigerado de vez em quando. Afinal, às vezes a gente só está com sede e beber água faz mal. Mas pagar R$ 4 o copo é algo vergonhoso! Desse jeito, vou voltar aos tempos primeiros e ficar só na espuminha... Padrinho, a bença! Porque o chopp tá o olho da cara.

3 comentários:

Barneschi disse...

O problema maior é que não é só chopp que vem acompanhado destes preços criminosos. O cardápio inteiro segue a mesma linha. Isso para não falar nos lugares malditos que cobram entrada e no dinheiro que teoricamente seria gasto com o estacionamento.

Filó Vila Sônia disse...

Estacionamento... Acompanhando o raciocínio, Craudio, precisamos ter em mente que o Estado deveria nos prestar serviços de transporte decentes. Claro, pois além do chopp a R$ 0,50, que deveria ser o preço tabelado, o cidadão precisa chegar em casa na íntegra. E dirigir não é uma boa após 50 reais em chopp.
E não adianta apelar para uma Sol, que nem é boa e nem é barata. Estamos em uma encruzilhada dos tempos, e o melhor elemento para que se perceba isso é justamente esse néctar dos deuses. Até porque o Filial, o genésio, o filésio, o genial, já nem é mais tão legal...
O tempora, o mores... Acostumados a pagar, e caro... Que geração é essa, a nossa, hein?

evaodocaminhao disse...

vamos mudar pra pirapora