26 março 2007

Definham...


Para quem não sabe, o jornalista Franklin Martins foi nomeado Ministro pelo presidente Lula. Levando em conta que essa nova equipe tem algumas pecinhas raras, é um dos nomes mais interessantes. Ele vai cuidar da parte de comunicação estatal, será responsável pelas verbas de publicidade e ainda deve comandar a criação de uma rede de TV pública. Do ponto de vista estratégico, manobra de mestre de Lula. Do ponto de vista jornalístico, me fez pensar em que ritmo anda essa (minha) profissão.

Franklin é peça rara no meio. Assim como era Aloysio Biondi e como são Mino Carta - às vezes chato -, Eugênio Bucci, Ricardo Kotscho e o maior repórter da Terra, José Hamilton Ribeiro. Tirando eles e mais alguns poucos, o resto era bom e se transformou em merda, ou simplesmente sempre foram merdas.

Desses últimos, não precisa fazer nem esforço pra lembrar: Diogo Mainardi, Flávio Prado (leiam a biografia de Silvio Luiz e vejam como se desintegrou a carreira dessa besta), Datena, Eliane Cantanhede, Miriam Leitão, Milton Neves e Juca Kfouri. A parte esportiva, toda, se encaixa no quesito "era bom mas virou merda".

Tudo isso dito, vale refletir. Qual destes grupos têm maior exposição na mídia? Qual destes jornalistas conseguem atingir e formar a opinião de mais pessoas? E quais deles realmente dá para levar a sério hoje em dia?

Aqui na "firma", trabalho com 4 estagiários. A diferença de idade é pouca. Conhecimentos básicos como apuração, correção gramatical e interesse pela dúvida são a diferença. Sem modéstia nenhuma - até porque não primo por nenhuma dessas coisas como dom, mas sim as uso para nortear meu trabalho -, digo que eles também são uns merdas. Não como pessoas, porque nem opinião formada têm. Mas como tentativas de jornalistas.

Eles representam uma geração alienada, que não busca as informações e fica vivendo de releases tão ou mais mal-escritos. E são resultado da manipulação dessa massa de bostas que escrevem suas tranqueiras em jornais, revistas e sites. Enquanto isso, talentos natos que poderiam fazer uma nova escola nas redações ficam presos a trabalhinhos em assessorias, a única coisa que paga bem.

A ida de Franklin ao poder e a aspiração da criação de uma rede de TV pública simbolizam o fio de esperança. Simbolizam, ainda, que uma hora a competência toma frente e é reconhecida. Deixando de lado posicionamentos políticos a favor ou contra Lula, não dá para negar que se trata de um grande jornalista. Esperemos, portanto, que isso se torne regra. E que os merdas e seus discípulos definhem. Porque para eles não vejo salvação.

5 comentários:

Barneschi disse...

Grande análise, japonês! Para mim, o mais complicado é perceber que a geração de jornalistas que me fez gostar desta profissão (Milton Neves e Flavio Prado à frente) se presta a papéis vergonhosos hoje em dia.
Abraços

Filipe disse...

Se me permite fazer papael de chato, eu diria que este brilhante jornalista ofusca seu brilho na mediocridade çapista.
Nas mãos deste governo todo e qualquer gênio cai na lama. Se não for gênio, pior; afunda nela.
É constrangido que afirmo que esse fio de esperança, lá na ponta, está preso em nada. Eu diria que é melhor não se segurar nele...
Mais ainda; não é pela competência que Franklin está lá. Antes fosse.

Mas esta falta de conhecimento é recorrente na nossa geração de uma forma geral. Tem gente chegando no primeiro ano de uma faculdade de Filosofia sem nunca ter lido nem mesmo a Ilíada...
Imagina o cara lendo os poemas de Parmênides, sem ter lido nada de Homero...
Erro de português, então, é melhor não comentar...
Geração alienadíssima.

Sem dúvida que a salvação do jornalismo pode ser a salvação de toda uma geração. Mas se ela, salvação, estiver baseada em uma tevê pública do çapo, estamos perdidaços...

Abraço

Craudio disse...

Barneschi: pior de tudo é que esses caras ainda pregam que a gente deixe de ir aos estádios. Talvez pra que cada vez mais a opinião pública seja alienada. Por isso que eu sempre fui a favor da criação de um conselho regulador e fiscalizador da profissão.

Filipe: a salvação não é a criação da TV pública em si. É ela ser criada tendo como planejador um cara como o Franklin. Que o governo Lula não é a grande maravilha do Brasil, isso até o mais cego lulista enxerga. Mas o ponto que me faz defendê-lo é que houve sim uma mudança na pauta, por menor que seja.

Cito o exemplo do Sérgio Amadeu na presidência da agência de tecnologia. Ele só se sustentou por causa do Dirceu. É uma das grandes autoridades na questão do software livre. Implantou os Telecentros aqui em SP. Porém, a máquina governamental, construída há décadas para tornar tudo mais difícil e excludente, não deixou que ele trabalhasse. Mesmo assim, nem eu nem ele deixamos de acreditar que é melhor isso que nada. Mas isso é papo pra gente levar secando ampolas no buteco.

filipe disse...

Pode até ser. Que a máquina é feita justamente para isso, não há dúvida. Mas incomoda o çapo estar tão bonachão, como se os picaretas agora dependessem dele... O pior é saber que ele acredita nisso.
Mas discutir a pauta do çapo é assunto para buteco, dois engradados, uma noite e uma madrugada inteiras, com certeza.
Só assim para entender como é que o herói do çapo dá entrevista para a Monica Bergamo e fala que o perfil do usineiro, hoje, mudou; que eles são "profissionais".
Fora isso, abaixo flavio da prado o miltoneves!!!
Abraço

evaodocaminhao disse...

acho q me sinto bem na atual posição de alienada