17 março 2008

Os domingos de Neves e Avallone


Volto a falar sobre os "jornalistas esportivos". E uso as aspas porque a grande maioria é lixo, tanto na ideologia quanto na ética que os rege. Sempre foi assim, mas até pouco tempo atrás tínhamos, ao menos, um tico de diversão.

Já devo ter mencionado e o Barneschi cansa de lembrar os áureos tempos de nossa saudosa - e hoje falida - Rádio Panamericana AM. O dial do radinho da cozinha já estava colado nos 620 kHz. Todo engordurado, ele aquecia os ânimos para o jogo que viria (sempre) às 16h - naquele tempo, horários esdrúxulos como 18h10, 21h45 e 11h00 eram exóticos.

Dali de dentro, uma festa de informações e de futebolatria. A equipe de Milton Neves tinha o mestre José Silvério, Wanderley Nogueira, o saudoso Flávio Prado (ele morreu e hoje tem outro no lugar dele), Luiz Carlos Quartarollo, Mauro Nóbrega, Cláudio Carsughi e o grande Israel Gimpel trazendo informações do Rio.

Já de noite, outra instituição saudosa que hoje não vale nada. O Mesa Redonda Futebol Debate, da TV Gazeta, tinha o folclórico e ainda necessário Roberto Avallone comandando o bate-boca. E naqueles áureos tempos, Chico Lang era ninguém. Quem mostrava serviço em outras épocas era Luiz Carlos Ramos, Márcio Bernardes, Fernando Solera (antes de ficar gagá) e até o temperamental Dulcídio Wanderley Boschillia.

Ficou famosa, inclusive, a briga ao vivo entre os dois comandantes. Milton Neves e Roberto Avallone trocaram acusações na mesa do programa da Gazeta, o que rendeu ao sobrinho da Tia Dora um gancho considerável. Esse episódio, vale dizer, é tão inesquecível para quem viu quanto a Playboy da Claudia Ohana.

Tudo isso culmina na aparição recente de Jorge Kajuru (o coitado está cego), bradando moralidade e defendendo crápulas como o JK. Muito coerente, a não ser o motivo real de sua visita ao ridículo programa de Vanucci, na Rede TV. O gordinho foi lá para promover seu livro, uma publicação que deve ser horripilante e só traz agressões (muitas até necessárias) a seus desafetos.

Federações e clubes vivem a receber críticas por conta de seu funcionamento à base de camaradagens. E o que fazem os "jornalistas esportivos"? Agem da mesma forma, ao tentar parecer éticos e fiscalizadores, mas apadrinhando pseudo-profissionais e trocando tapas e beijos. A crônica não precisa disso. Quem fiscaliza é a torcida. A imprensa deve estimular as rivalidades, exaltar os grandes jogos, falar da beleza que é a alma da arquibancada.

Quem dera tivéssemos uma peleja como a Neves x Avallone todo domingo. Seria uma melhora significativa a tudo isso que está aí. Hoje, no entanto, não passam de um bando de cagalhões, que só trabalham nos bastidores e, por isso, ferem uma regra básica do jornalismo: trabalhar visando o bem coletivo.

10 março 2008

O caso Paulinho


Acredito que seja de conhecimento de todos que por aqui passam a existência de um certo Paulinho, que atua na blogosfera e é bancado pelo JK, o pai do Barneschi. Mesmo assim, vale falar um pouco mais sobre a figura. Trata-se de um estudante de jornalismo que se acha jornalista. Ninguém sabe o porquê de ele ter se tornado uma figura com certa notoriedade. Assim como é desconhecido o motivo do apadrinhamento pelo JK.

Que o JK não é flor que se cheire ninguém duvida. Ataca o Cabeção constantemente, mas atua com ética semelhante a de seu rival. É, jornalistas têm rivais. Por isso, esqueçam aquela baboseira de jornalismo a serviço do bem social. Voltemos ao tal Paulinho. O filhote do Juca atua como se fosse a boca de fossa do consagrado cronista esportivo, mandando ver nos factóides e utilizando artimanhas de apuração como vasculhar e-mails de empresas das quais saiu.

É por causa disso que ele entrou na justiça contra o site "Futebol Interior", que também tem suas falcatruas e não é flor que se cheire. Paulinho ameaça cagüetar, diz que é o dono da verdade, desmoraliza quem não pensa como ele e utiliza como título de seu blog a frase "Jornalismo com credibilidade". Ora, quem faz jornalismo com credibilidade não precisa usar isso como bandeira do próprio trabalho. Quem se defende demais deve alguma coisa.

Estamos diante de mais um crápula na mídia esportiva. Mais uma laranja podre nesse pomar cheio de estrume. Enquanto isso, falar das bolachas ninguém fala...

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Em tempo e, infelizmente, lembrado em meio a exemplos tão negativos, aniversariou no Dia da Mulher último o já citado Barneschi. Esse sim um belo jornalista, apesar de estar enfiado em uma assessoria, como tantos outros talentos.

07 março 2008

Shots...


- Depois de me esgoelar um ano aqui nesse blog, SÓ AGORA o movimento Fora Dualib pede eleições diretas no Corinthians. Por essas e outras que eu estou cada vez mais convencido que a Fiel precisa acordar.

- O trânsito de São Paulo tá cada vez pior. Essa semana eu devo ter perdido um dia, só dentro do carro.

- Notem a gravidade: o verão está acabando!

Adeus e bom fim de semana.


03 março 2008

Voltemos aos 10 mil


A imprensa fez um grande auê por conta dos 37 mil ingressos vendidos antecipadamente para o clássico do último domingo e pelos 50 mil presentes. Auê que contaminou a torcida corinthiana e, mais uma vez, prestou um desserviço à instituição Corinthians.

Se é para ficar quietinho e sentado durante um clássico, assistam ao jogo em casa. Já falei aqui e repito que essa geração do fim dos anos 90 e os fãs de argentinos de 2005 não prestam. Não valem nada. Enfiem a camisa do Tevez no cu. E fiquem em silêncio no conforto do lar.

Toda essa amenidade toma conta dos que estão em campo. Antigamente, lembro-me de partidas históricas de pernas-de-pau como os laterais Elias e Leandro Silva em clássicos. Todos QUERIAM jogar contra rivais históricos. Hoje em dia, os bunda-moles já se cagam antes do jogo e somem no gramado, limitando-se a toques laterais e jogadas sem objetividade. Tanto que no domingo, quem decidiu foi o único em campo a assumir sua responsabilidade. Pena que do nosso lado não havia (e não há) quem fizesse isso.

O que é Lulinha, caros? O que é Bóvio? O que são Héverton e Herrera? A torcida ainda dorme, achando que está tudo bem. Lembro de novo: estamos na segunda divisão. Enquanto eles fazem o povo acreditar em estádio, projetos de marketing miraculosos e outras baboseiras, o time continua sem um meia e sem um atacante decente. Aliás, gostaria de saber quem é o padrinho desse Héverton dentro do Coringão, porque não é possível que ele continue sendo escalado.

Que nos próximos jogos, a gente volte à marca dos 10 mil (sempre) presentes. Não precisamos de gente alienada que não está lá para defender nossa honra. O Corinthians tem que voltar a ser o que era. Caso contrário, iremos caminhar rumo ao Canindé...


28 fevereiro 2008

Santa previsibilidade


Em 1º de maio de 2007, escrevi no post "Que fria" a seguinte frase: "Do baixo do túmulo, Frias deve estar fechando sua derradeira primeira página para este dia do Trabalhador. Pegará as manifestações e chamará de baderna. Dirá invasão às ocupações dos movimentos sociais Sem-Terra e Sem-Teto. E, no ano que vem, provavelmente teremos uma festa (10 para 1 que será da Força Sindical) na 'Avenida Octávio Frias'".

Aí, abro hoje a Folha de S. Paulo e vejo que o prédio do Instituto do Câncer, chamado Edifício Doutor Arnaldo, será reinaugurado com um outro nome: Instituto do Câncer de São Paulo Octavio Frias de Oliveira.

Errei só o objeto. Como é cara de pau esse José Serra, não? Depois o que eu falo são teorias conspiratórias...


25 fevereiro 2008

Sou brahmeiro é o caralho!


Muito me espanta esse termo utilizado pela nova propaganda da Brahma. Sou fã da número 1, que, vale lembrar, faz 120 anos em 2008, assim como a abolição da escravatura (muito bem observado por Julio Vellozo no Carnaval carioca). Ela é minha número 1 de fato, seguida pela Original e Faixa Azul - antes gostava mais da Faixa Azul, mas a Antarctica de SP conseguiu estragar esse clássico.

Bom, voltando ao assunto, o reclame da Brahma usa o tal termo brahmeiro. Primeiro que isso é coisa de micareteiro. E micareteiro, pelo que eu saiba, só bebe lixos como Schin ou Itaipava. Aliás, é uma raça de alienado babaca que nem sabe o que está bebendo.

A premissa é boa, até. Exalta aqueles que querem reunir os amigos no bar, que ralam a semana inteira e sentam num botiquim para celebrar a vida etc. Mas esse termo é o cu da cobra. Mais respeito com a Brahma, senhores.

A obra - tinha que ser - vem da mente do sr. Nizan Guanaes, o propagandista tucano. De fato, ele é perito em usurpar valores populares e vendê-los por aí. Um recadinho a ele, então: brahmeiro é o caralho! Não me venha querer equiparar a grande Brahma Chopp a lixos vindos de Itu. Já basta nos ter empurrado goela abaixo o digníssimo governador paulista e sua corja...


20 fevereiro 2008

Ressuscitaram a mulher!



Notícia publicada hoje, no site Vírgula. O link já foi corrigido...

Ressuscitaram a mulher e eu não tô sabendo? Hahahhahahahahahahahahahha...

Ê jornalismo de quinta.

19 fevereiro 2008

Aos amigos


Antes do post, primeiramente algumas considerações. A rede Globo é um lixo, uma emissora nefasta que corrompe opiniões por todo o país e sempre serviu ao que há de mais sujo na política brasileira. Seus jornais têm como finalidade emburrecer o povo, assim como a maioria das suas (boas) novelas. Quem não possui o mínimo de discernimento acredita que o Brasil é aquilo que está na tela da vênus platinada. Porém, quando eles querem, eles fazem coisas boas. Sempre no lado ficcional, obviamente.

Dito isso, vamos ao post.

Estreou na última segunda a minissérie "Queridos Amigos". A história se passa em 1989 e mostra um sujeito que descobre ter pouco tempo de vida. Ele decide reunir um grupo de amigos que, por acasos da vida, se separaram. Assim como ficaram separados os conflitos entre eles. A festa promovida pelo protagonista é uma grande oportunidade para que grandes merdas aconteçam, com atritos de outrora vindo à tona como avalanche.

Escrevo essa opinião assistindo ao segundo capítulo. Despi-me de ideologias - logo no primeiro capítulo, tive que me deparar com um daqueles comunistas da Globo, caricatos e tão conservadores quanto quem eles combatem, elogiar Victor Civita - e me identifiquei de imediato com a premissa. A premissa, aliás, é muito parecida ao filme "Invasões Bárbaras", filme canadense com o qual tive sensação semelhante à sentida com a minissérie global.

Na verdade, tudo que remete aos amigos me deixa um tanto quanto emotivo. O papo de bicha é sério. E, assim como o protagonista de "Queridos Amigos", sempre tive essa responsabilidade inata de ser aquele que reúne pessoas (a semelhança pára aí, não estou morrendo). O impulso é tamanho que cheguei a fazer um belo churrasco para 5 pessoas, comigo incluso. Chego até a ficar mal-visto quando tento misturar turmas e a coisa não engrena. Fazer o que, sou assim...

Vendo o programa, me inseri naquela história e fiquei imaginando a cena: velho caquético, consegui juntar 3 meses de aposentadoria. Comprei uma quantidade indecente de cerveja. A carne é de primeira e o fogo já em brasa. Samba de primeira puxado por uns velhos caquéticos como eu. E as lembranças já meio embaralhadas de vidas que, de uma forma ou outra, tornam-se uma coisa só cada vez que se encontram.

Mas isso é só o futuro. Há ainda muito a ser feito para que existam memórias. À sensação boa que me dá a cada casa cheia com aqueles que prezo, um geladíssimo copo de cerveja e uma idéia para o capítulo final do meu livro de memórias.

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* Apêndice:

Retira-se Fidel, mas a revolução ainda vive! A mídia imbecil, que o trata como o diabo encarnado, irá tentar desconstruir a imagem do comandante. Aliás, tratam seu afastamento como uma morte, estendendo isso ao regime cubano. De minha parte, prefiro acreditar num ditador que garante condições básicas ao seu povo a um democrata que mata de fome milhões de pessoas que ele sequer representa.


12 fevereiro 2008

Nojo


Algumas coisas que me deram nojo nos últimos dias:

- uma aproveitadora sai com um tapa(???)-sexo de 4 cm e faz sua escola cair. Hoje, vejo na Falha que ela irá posar na Playboy. Conseguiu o que queria.

- "crise" dos cartões. E a mídia golpista sofreu uma virada antes do previsto.

- modo de operação nefasto da prefeitura e do governo estadual com relação à educação.

- ex-jogador(???) Caio comentando jogo na Globo.

- cerveja sem álcool nos estádios.

- camisa roxa.

Por essas e outras, eu continuo acreditando em todas as minhas teorias de conspiração.


08 fevereiro 2008

Enquanto isso, na alta roda...


Enquanto o povo se divertia à beça nas ruas durante o Carnaval, bailes chiquérrimos abalavam as estruturas dos clubes. Presenças de vips e bacanas, muita música e, claro, Narcisa Tamborindeguy. Sim, aquela que joga ovo nas pessoas no ponto de ônibus.

Vejam a descontração da jovem senhora, que sentiu bastante calor no baile.




07 fevereiro 2008

Esqueceram...


O Carnaval passou, a quarta de cinzas acabou. Mas esqueceram...

Esqueceram de avisar a uma multidão que o Cordão do Bola Preta e seus 90 anos é uma instituição brasileira, mesmo sem nenhum incentivo de ordem governamental. Esqueceram que quando junta um bando de gente disposta a beber, viver as alegrias e sair pelas ruas cantando, a coisa fica bonita demais.

Esqueceram de avisar aos usurpadores da alma do povo que, mesmo com uma tormenta sobre o Rio de Janeiro, o Cordão do Boitatá saiu e ficou lá o dia inteiro. Esqueceram que na Praça XV os foliões, encharcados e sem lugar para mijar, estavam extremamente felizes.



Esqueceram da Portela e do Salgueiro, da Unidos da Vila Maria e da minha Peruche. Todas elas, campeãs do Carnaval para quem realmente interessa: o povo. Esqueceram de trazer o Império Serrano à festa principal (mas ano que vem, ele está de volta).

Esqueceram de falar que, numa súbita vontade de farrear, meia-dúzia de gatos pingados saem por ruas de terra batendo panelas e cantando, nem que seja só para a alegria deles e de mais outra meia-dúzia.

Esquecendo, fazem o povo esquecer. Mas tem muita gente por aí pra fazer lembrar. Lembrar que, no Carnaval, as coisas são do jeito que o povo quer!

01 fevereiro 2008

Ao Rio de Janeiro


Desloco-me pela BR-116 em direção à Cidade Maravilhosa.

Desligo-me do mundo a partir de agora e só volto à realidade na quarta-feira de cinzas.

Beberei toda a Baía de Guanabara e um pouquinho do mar de Copacabana.

Vou pro Bola, meu bem...


31 janeiro 2008

É o fim do mundo


Camisa roxa? Mudança no símbolo?

SANCHEZ, VAI TOMAR NO TEU CU!

Aqui é Corinthians.

O uniforme do Corinthians é Camisa Branca ou Preta Listrada. O resto é zica ou sacanagem com a torcida.

FORA SANCHEZ!


29 janeiro 2008

Choram muito


Eu até ia ficar quieto sobre os tais lances polêmicos do último domingo no jogo contra elas. Mas expressarei algumas coisas pontuais novamente, porque há muita baboseira sendo dita e muita coisa certa esquecida, principalmente pelo anão-de-jardim.

1) não foi pênalti (o dagoberto colocou o pé na frente do chute do Chicão, forçando a situação) e foi falta no William (o pinguço empurrou o zagueiro com a mão esquerda). Só não vê isso quem não quer;

2) todos os entrevistados do time de morumbi estão falando coisas do árbitro como "mal-intencionado, vergonhoso etc." Pois bem. Ano passado a TV flagrou o Finazzi fazendo um gesto com a mão que o juiz não viu e pegou dois jogos. O Valdívia, na rodada retrasada, levou amarelo porque apanhou. E elas? Não vão ser punidas pelo STJD por causa disso?

3) ano passado, elas ganharam 12 (12!!!) pontos decorrentes de erros de arbitragem a favor. Ninguém falou nada e elas não pediram cabeça de árbitro nenhum;

4) o Corinthians jogou melhor. Como se recusam a aceitar que a gente foi melhor, criam factóides para desviar a atenção para esse fato;

5) quem foi prejudicado foi o Corinthians, porque o joílson e o bicharlyson tinham que ter sido expulsos;

Como eu disse, só não vê quem não quer.


28 janeiro 2008

O cheiro do Carnaval...


"Vou beijar-te agora
não me leve a mal
Hoje é Carnaval".

(Zé Kéti)

Dizem que algumas músicas nos remetem tanto a um período de nossa vida que a gente sente cheiro e vê luzes e cores ao escutar os primeiros acordes. Essa música maravilhosa de Zé Kéti, compositor magnífico, é minha canção para a folia de fevereiro. Apesar de falar de amor, não me faz lembrar de ninguém, mas sim da data especificamente. É o amor pelo Carnaval.

Lembro de, quando criança, ficar com um brilho nos olhos diferente ao ver aqueles bailes, aquele povo todo cantando marchinhas em blocos, as pessoas nas ruas alegres como um quê. E "Máscara Negra" é o símbolo de tudo isso para mim. Naquele tempo, não via a hora de crescer para, liberto, cair na farra.

Nesse ano, passarei (enfim) o Carnaval na Cidade Maravilhosa. É lá que, provavelmente, irei cantar à cidade: "Eu sou aquele pierrot que te abraçou, que te beijou". Mesmo nunca tendo pisado no Bola Preta (coisa classificada em email recente pelo mestre Edu Goldenberg como grave falha de caráter). Será o maior Carnaval do mundo e das nossas vidas - prometo, Evinha!

Há coisa de 10 anos, estava eu fuçando as músicas de Adoniran Barbosa (outro dos grandes). Deparei-me com a música "Vila Esperança", que me trouxe a mesma sensação de "Máscara Negra" - e que também me fez lembrar do filme "Bar Esperança", todinho ele envolto em confete e serpentina. Deixo aqui a letra para vocês.

Respirem. Cheirem. Vejam. Inspirem-se para a farra momesca.

"Vila Esperança,
foi lá que eu passei
o meu primeiro Carnaval
Vila Esperança,
foi lá que eu conheci
Maria Rosa, meu primeiro amor

Como fui feliz naquele fevereiro
pois tudo para mim era primeiro.
Primeira Rosa, primeira esperança
primeiro Carnaval, primeiro amor criança.

Numa volta no salão ela me olhou
Eu envolvi seu corpo em serpentina
E tive a alegria que tem todo pierrôt
ao ver que descobriu sua colombina.

O Carnaval passou,
levou a minha Rosa
levou minha esperança
levou o amor criança
levou minha Maria
levou minha alegria
levou a fantasia
e só deixou uma lembrança."

(Adoniran Barbosa)


21 janeiro 2008

O balde de água


Veio mais rápido do que esperava o balde de água fria sobre a torcida corinthiana. Empolgados com a vitória de 3 a 0 sobre o Guarani na estréia do Paulistão, os torcedores já vislumbravam grandes apresentações. Talvez motivados pela "renovação" do elenco, com 13 caras novas. E renovação está entre aspas, porque o critério não houve.

O time ainda é incógnita. É certo que Acosta irá, no mínimo, desempenhar papel muito melhor do que Ailton, Gustavo Nery, Heverton (ele ainda está lá...) e outros tantos cabeças de bagre que apareceram pelo meio-campo do Corinthians nos últimos anos. Mas a derrota para a mentira do ABC só mostrou que nada ainda está arrumado.

De concreto mesmo, só dá para ver que a zaga é qualificada. Os dois beques são infinitamente superiores que seus antecessores. Até porque ser melhor que Betão e Zelão... E tem aqueles que já são eternas promessas, como Bruno Octávio (isso é nome de jogador?) e Lulinha, o pé-murcho e cagão. Esse último, aliás, deveria ter sido vendido ano passado. Ao menos entrava um dinheiro.

Aos otimistas, lembro o seguinte: estamos na segunda divisão! Já estava mais do que na hora desse zé-povinho entender isso e acordar. Não adianta nada comprar camiseta do Sanchez (fora!) e ficar sentado com a bunda no sofá. Tem que comparecer e fazer o time jogar, nem que seja na marra.

Finalizando, é fato que agora temos um técnico. Assistindo ao jogo de ontem, comentei após o terceiro chute espalmado pelo goleiro na área: "esse merda desse Finazzi não pega uma sobra". Hoje, vendo entrevista do Mano Menezes, escutei as exatas mesmas palavras. Bom sinal. É um técnico que vê o que acontece em campo, ao invés de só teorizar. Que ele tome providências.

OU JOGA POR AMOR, OU JOGA POR TERROR!


16 janeiro 2008

Noite de Corinthians


Ontem foi noite de Corinthians. Ontem, depois de tempos, eu vi o Corinthians jogar. Por quê? Viradas como a que fez a molecada na Copinha são dignas de Corinthians. Sair perdendo por 2x0 e virar o jogo em 20 minutos é coisa do time de Pq. São Jorge.

Talvez inspirado pela foto postada pelo Filipe, torci como um imbecil pela molecada. Xinguei muito no primeiro tempo, é verdade. Mas porque mereceram. Moleque é foda, e entra em campo achando que vai ganhar só pela camisa. No intervalo, o Ladeira deve ter enfiado a mão na cara deles e o time voltou outro.

Voltando à foto, lembrei dos tempos áureos da arquibancada. Época em que eu, levado pelo meu primo, me apaixonei pela Fiel. Era uma quarta-feira, no ano de 93. Corinthians e Noroeste de Bauru. 2x0 Coringão. Geralmente - e quando chegava cedo -, ficava entre a Explosão Coração Corinthiano e a Gaviões da Fiel. E debaixo de um mar de bandeiras, hoje proibidas por motivos mais que desonestos.

Às vezes, quando o Corinthians abria larga vantagem no placar, saíamos caminhando ao lado do alambrado, esquecendo do jogo e fazendo festa. Não havia coisa mais bonita que o Pacaembu lotado, com aquele povo fazendo seu carnavalo fora de época.

Hoje, tristemente, a molecada perdeu esse valor. Hoje, temos que jogar no morumbi, aquela coisa fria e européia. Que o time da Copinha e a geração 90 inspire esse time profissional, que terá um 2008 de lutas. E quem sabe de conquistas.

Amanhã começa o ano do Corinthiano.


11 janeiro 2008

Roubo no Masp? Sei...


Minha mente insana já tinha pensado nisso. Hoje, quando vi as filas na porta do Masp mais ainda. E minha irmã me falando a mesma coisa no msn comprovou que eu posso estar louco, mas não estou louco sozinho.

Sempre digo que acredito nas mais improváveis teorias conspiratórias (tipo, que o homem não foi à Lua, que há uma face na superfície de Marte, que o João Goulart e o JK foram assassinados...) e essa pode ser minha nova. Ocorre que houve o furto de duas telas no Museu de Arte de São Paulo. Picasso e Portinari, dois ícones da arte moderna.

O negócio foi feito muito nas coxas e, mais tarde, descobriu-se que o Masp não tinha nenhum artifício de segurança e que quem fazia vigilância do lugar não era segurança de fato. Até aí tudo bem, porque o museu sofre uma crise de gestão há mais de década. Dívidas enormes e uma parca utilização do espaço, que nunca é a primeira opção para receber as principais exposições de São Paulo.

Aí, menos de um mês depois, prendem dois caboclos em Ferraz de Vasconcelos (Grande SP e na casa do caralho), um com passagem na polícia por roubo de automóveis, e encontram as telas. Bonitinhas, inteirinhas. A investigação conclui que um russo seria o comprador das obras.

Pergunta: como um russo iria pegar seu telefone, meter um DDI para Ferraz de Vasconcelos e falar com dois caboclo? Mais fácil eu aprender japonês...

Vendo as filas na porta do Masp na inauguração de uma exposição, e também vendo na mídia que a prefeitura pode passar a tomar conta do negócio, concluí que meu pensamento insando estava certo. Facilmente, a diretoria do Masp contratou os maninhos, deu a fita toda de onde entrar e sair e quais quadros pegar. Depois, trouxe tudo de volta e soltou uma grana boa pra família dos caboclo. Jogou a bomba no colo do poder público e ainda é prestigiada pela burguesia paulistana, que demonstra todo seu "carinho e afeto" pela instituição, com uma visita em massa.

Tô viajando demais???

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E outra coisa que tinha pensado mas não tinha falado pra ninguém. O tal Betão fez uma placa agradecendo o Corinthians por tudo. E aí hoje vem a notícia: "Betão promete comemoração caso marque gol contra Corinthians".

Primeiro: tem que fazer o gol. Segundo: enfia a placa no meio do teu cu, seu safado!


08 janeiro 2008

Que bonitinho


Aproveitando o embalo, vejam que release bonitinho que eu recebi, mostrando inconformadas Xuxa e Galisteu:

"Xuxa e Adriane Galisteu desabafam com Amaury Jr.

O Programa Amaury Jr dessa terça-feira (08) leva ao ar duas entrevistas imperdíveis: uma com a apresentadora Xuxa e outra com Adriane Galisteu.

Amaury exibe um protesto veemente com a apresentadora Xuxa. De férias na Disney com a filha Sasha, ela concedeu uma entrevista corajosa onde acusa a televisão brasileira de não dar atenção para as crianças e quando dá pensa primeiro em retorno financeiro e em índices de audiência, jamais na educação. Xuxa deixou bem claro que acha um absurdo o pequeno número de programas infantis e o exagero de desenhos animados importados. Em seu protesto, clamou para que a televisão brasileira faça para as crianças o que a escola pública não faz: divertir sem um tom professoral e chato.

Ainda na Disney, Amaury entrevistou a apresentadora Adriana Galisteu que, novamente, aproveitou para espetar Silvio Santos: “Sou a telefonista mais cara do SBT (‘Alô, é Adriane Galisteu, quem fala?’). Eu quero fazer as coisas e o Silvio não me deixa, mas ele fala e eu obedeço. Eu sou o lado mais fraco de tudo isso. O fato é que eu gosto de trabalhar. Gostaria de trabalhar mais para o Silvio e estar mais feliz”


Atentem para o detalhe Disney...


Lindo, não?



O conformismo assustador


Começo o ano de 2008 com um post um tanto quanto azedo. Discutíamos no blog do Barneschi em torno de um texto - muito bom, por sinal - que tratava da profissionalização extremada do futebol inglês, processo o qual levou a uma extrema marginalização tanto de clubes que estão fora da panelinha quanto de torcedores, os verdadeiros torcedores. Para se ter uma idéia do absurdo, o torcedor comum só consegue ingresso (e a 32 libras, ou R$128) se os detentores da carteira permanente e sócios-torcedores, que pagam quantias astronômicas, deixarem alguma sobra.

Pois bem. Lá pelas tantas, vem um caboclo dizendo que tudo isso é necessário para a existência do clube, enchendo a boca para valorizar a lei de mercado, e que devíamos mesmo é seguir o exemplo. Tal processo já engatinha aqui no Brasil, haja vista as reformas em estádios para abrigar a Copa 2014 (data do fim do futebol brasileiro em definitivo) e as campanhas de marketing a rodo pelos clubes.

Aí pode vir o questionamento: japonês, você não tem uma camisa do Corinthians? Tenho, sim. Mas isso não tem nada a ver com mercantilização. Aliás, defendo que um clube deve ter 3 fontes de renda - os ingressos dos jogos, o patrocínio na camisa e a venda dessa camisa. E só. O resto, como cotas de TV e possíveis parceiros (argh!), tem que ser lucro e não influenciar uma vírgula na conduta da administração. É a receita para sustentar as contas, até porque clubes são entidades sem fins lucrativos.

Radical ou não, isso impõe uma certa liberdade aos clubes, ao mesmo tempo em que se valoriza algo praticamente extinto hoje em dia nos modelos de gestão: alma e paixão pela agremiação. Porém, a intensa martelação do conceito de clube-empresa e a idéia de "exemplo administrativo" como forma de glorificação já colhe seus frutos e nos presenteia com pensamentos conformistas semelhantes ao citado acima.

O conformismo, ainda, não está só no futebol. Discursos como "política eu não discuto" comprovam isso. A grande mídia conservadora, iconizada por Globo Comunicações, Grupo Folha e Editora Abril, dá risos largos ao ver suas premissas espalhadas pelos principais centros econômicos do país, cujos resultados são revelados em 16 anos de tucanato em SP, por exemplo. Já assistiram à propaganda do Kassab na TV? Parece que moramos num paraíso...

Finalizo cagando uma regra. Gente que acredita que não pode mudar as coisas, por menor que seja a ação, abre mão de qualquer direito de reclamar. Aguardemos 2008 e as eleições municipais. Aguardemos 2010 e as eleições presidenciais. Aguardemos, enfim, a Copa 2014.