11 agosto 2008

Em dia com o cinema


Há muito não ia ao cinema. A bem da verdade, eu realmente não gosto muito de ir à maioria das salas da cidade porque é uma série de encheções de saco. Fora isso, os ingressos estão caríssimos (em média, R$16) e corre-se o risco de assistir a um filme totalmente ridículo.

Preciso lembrar que o tal risco mencionado acima é muito alto no que diz respeito a mim, já que eu não gosto da maioria dos filmes que entram em cartaz. Geralmente, gosto de filmes velhos, assim como velho estou ficando. A última produção que entrou na minha seção de favoritos e que foi vista nas telonas foi Kill Bill, talvez porque ele faça homenagens a velharias.

É necessário também especificar quais são as encheções que me enchem. Filas, ausência de cerveja em muitas das salas (e principalmente nas grandes redes), molecada idiota, poltronas desconfortáveis e a falta da pausa para mijar – quando há cerveja.

No entanto, e mais pelo prazer de acompanhar minha Evinha, fui seguidamente ao cinema nas últimas semanas. Ao que parece, dei sorte. Escolhemos dois belíssimos filmes, vistos em cineclubes que, se não são um primor, ao menos dão a opção de se embebedar durante a exibição. As produções em questão: Chega de Saudade e Meu Irmão é Filho Único.

O primeiro, uma produção verdamarela, trata de um clube de gafieira onde a veiarada relembra os áureos tempos de sapato na madeira. Histórias belíssimas vão se entrelaçando, formando um mosaico interessantíssimo. Fora isso, a trilha sonora é um primor, com Elza Soares mandando brasa como uma das cantoras da banda que anima o rega-bofe – quem costuma troçar de Elza, favor ler “Estrela Solitária – Um brasileiro chamado Garricha” e escutar “Elza, Miltinho e o Samba”. Destaque ainda para Stepan Nercessian, no papel de um gaiato galanteador que conquista o coração de uma jovem garota (a jovem garota é namorada do personagem de Paulo Vilhena, e eu sempre quero que o Vilhena se foda). Pessoalmente, lembrei muito de meu padrinho, já que o seo Migué tocava bateria em gafieiras e chegou a acompanhar gente do naipe de Ângela Maria.

O segundo é um filme italiano, e eu começo a crer que todo filme italiano é bom. Pelo menos todos os que eu vi até hoje. A história mostra o relacionamento de dois irmãos: o mais velho, comunista; e o mais novo deslumbrado com um fascismo distorcido de nacionalismo. Com o passar dos anos, a relação entre os dois, baseada no tapa e no cascudo, fica mais próxima até mesmo politicamente. Imagine só: italiano falando de irmão? É aquela coisa bonita demais. A narrativa é leve, os atores são muito bons e as surpresas existem. E a beleza da língua italiana também se faz presente (dá vontade de sair chamando todo mundo de stronzo pela rua). Li há pouco a resenha de um blogue português, em que o autor ressalta uma possível apologia à despolitização, principalmente dos jovens. Acho o inverso, uma vez que ele desmitifica as coisas e mostra sua opinião sobre as teorias fascistas. O desfecho do irmão mais velho também é simbólico nesse sentido.

Filmes totalmente recomendados, enfim. Chega de Saudade só está no Belas Artes, na Consolação. Meu Irmão é Filho Único eu vi no Espaço Unibanco.


3 comentários:

Filipe disse...

Assisti ao filme italiano com João no sling. É bom mesmo. Para rir e pra chorar.
Talvez o rapaz do blogue lusitano gostasse de mais de salazar...

Tenho que ver o brasileiro...

evao do caminhao disse...

vaffanculo!

kkkkkkkkkkkkk

como ri em italiano?

me fez lembrar a casa da minha véia q sobrava até pra nossa senhora

e mostrou bem o q penso de partidos políticos...

ClaudioYidaJr disse...

em italiano deve ser checheche

hahahahahhaa