10 dezembro 2008
Corinthians e R9
Não dava para deixar passar O assunto do fim de ano. Esqueça Madonna, fim do RBD, crise econômica e o "sifu" do pizidente. Correu o mundo e à boca larga a contratação do Ronaldinho - Ronaldinho, porque Ronaldo só tem um e defendeu as traves corinthianas por 10 anos - pelo Corinthians. Uma grandiosa jogada de marketing e a maior negociação do futebol brasileiro dos últimos tempos.
Antes, porém, preciso lembrar o que sempre disse do tal fenômeno. Venho brigando com Deus e o mundo desde quando ele explodiu no Barcelona, pois via mais um craque da imagem que um craque da bola. Sei que ele fez muito em campo, principalmente na Copa de 2002, quando calou a boca de muita gente, inclusive a minha. Mesmo assim, nunca deixei de ficar com o pé atrás.
Recentemente, soube de umas histórias de bastidores da Copa de 2006. Consta que Ronaldinho, além de visivelmente fora de forma, tinha sua cabeça em qualquer outra coisa, menos no futebol. Ações na bolsa, bajulação de celebridades via msn, negociatas com multinacionais. Para mim, o ímpeto marqueteiro estava comprovado e havia chegado ao ápice, e o jogador passava a ser um empresário, ainda que sem abandonar o campo.
Esses dois fatores me fazem desconfiar demais do novo "reforço" corinthiano. Claro, ele sem joelho é melhor que Errei-rá, Otacílio Neto e Bebeto juntos. O que eu enxergo, no entanto, são duas coisas: a primeira, que se trata de mais uma jogada do departamento do Rosemberg, talvez a única estratégia certeira em toda a gestão Sanchez (FORA!) porque vai trazer receita ao Corinthians; a segunda é estritamente política, e o presidente tampão acaba de garantir sua reeleição. Como projeção, afirmo que sinto aí o mesmo cheiro que senti em 2004 com o MSI e Tevez.
Diante dessas reflexões, espero que no ano do Centenário não estejamos vendo o nome do Corinthians figurando novamente nas páginas policiais por conta da mesma corja estúpida e aproveitadora que ainda manda no Parque São Jorge. E também espero que o Gorducho cale minha boca mais uma vez, priorizando o jogador de futebol que ainda é em detrimento ao empresário que busca se tornar.
09 dezembro 2008
Enfim, o Jogo das Barricas
É de conhecimento geral e irrestrito que houve, em 1938, o famoso Jogo das Barricas entre Corinthians e Palestra Itália. Tal evento foi uma demonstração de solidariedade dos então tradicionalíssimos clubes em favor de um recente e já falido SPFC, que arrecadou fundos aproveitando-se da popularidade do maior clássico do mundo.
Hoje, claro, a iniciativa pode ser avaliada como um grande equívoco de ambos os lados, uma vez que a história leonor passou a ser marcada por inúmeros golpes, bancados inclusive pelo poder público.
Nesses 70 anos do Jogo das Barricas, surgiu a idéia de reverter, pelo menos em nossos corações, o erro de 38. Para isso, venho convocar todos os corinthianos e palmeirenses para uma reedição da peleja, que acontece no próximo dia 13 de dezembro, sábado, a partir das 12:00. Mesmo que, a princípio, a iniciativa pareça modesta e até mesmo quixotesca, a intenção principal é mostrar que há unidade e mobilização dessa rede de blogueiros contrários à submissão manipuladora dos barões da mídia - cujo favorecimento sabemos a quem é dado.
Lembro, finalmente, que não se trata de "união" com os rivais. É, na verdade, parte da história de ambos os clubes, que pode ser conferia neste brilhante texto.
Convocação feita, aguardamos as adesões! Confirme sua presença aqui ou pelo e-mail cramone99@gmail.com . Irei repassar, posteriormente, todas as informações do local do jogo.
08 dezembro 2008
Curto e grosso
Segunda-feira pouco inspirada, apesar do intestino funcionando em operação descida. Só algumas poucas palavras por aqui.
- Havia mencionado que minha postura diante das coisas mudaram um pouco depois do rebaixamento do Corinthians. Uma delas foi demonstrar um pouco mais o respeito que eu tenho pela Evinha e seu amor pelo spfc. Por isso, tenho a obrigação de dizer que ela é uma das poucas pessoas que têm todo o direito de comemorar a façanha de seu clube - mesmo ele sendo o que é - porque acreditou e torceu pelo título desde o começo. A bichinha sofria ontem como-um-quê, e eu achei que ela teria até um treco. A obrigação, porém, não me permite a omissão. O caso do suposto suborno de juiz e o gol impedido que definiu o título desse brasileiro atestam: ninguém pode dizer mais palavra sobre 2005. Como eu costumo dizer, diretorias de futebol são todas a mesma merda. Só que os leonores são perfumados pela imprensa. Parabéns, Evinha. Ano que vem o Coringão tá de volta e aí o barato é outro hehehehehe!
- Imperdível o texto de Luiz Antônio Simas sobre as "aparições surpresa" de Erasmo Carlos nos especiais do Rei. Confiram!
- Urgente para a Hora da Patrulha: "Kassab cria número recorde de secretarias para abrigar aliados". Ué, os demos não acusavam o PT disso e diziam que iriam combater tal postura? Sorria, São Paulo...
05 dezembro 2008
Carta de um abutre em depressão
"Caro Sport Club Corinthians Paulista,
Veio por meio desta demonstrar minha imensa insatisfação com você e toda sua torcida. Pô, já faz tempo que nós, da imprensa abutre, estamos tentando empurrar uma crise pros lados do Parque São Jorge e nada emplaca. Assim você não facilita pra gente.
Veja bem. Achei que a perda da Copa do Brasil seria o momento em que iríamos deitar e rolar. Mas nem aqueles protestos contra o Felipe e Lulinha - e o posterior afastamento do goleiro - tiveram muita repercussão. Estou cansado de falar, falar, falar e falar e essa sua torcida não me escutar. Pô, Corinthians, a torcida não compra mais minhas mentiras como antes.
Naquela época, fiquei muito triste e comecei a pegar pesado. Primeiro, passei a inventar uns tabus imbecis, já que não dava pra falar mal da campanha impecável na série B. E não é que você quebrou todos eles, só de birra? Aí não teve jeito, tive que apelar. Coloquei o microfone na boca da netinha e até a coloquei na capa da Playboy, mesmo ela sendo tão feia quanto o avô. Nem assim, Corinthians. O livro da moça encalhou nas prateleiras e só o Juquinha (meu ídolo, que agora anda mamando em bezerrão) e o Paulinho (outro ídolo) compraram essa porcaria.
Nem preciso dizer que fiquei extremamente irritado com a volta à série A antecipada em um mês e meio de antecedência, além do título quatro jogos antes do fim do campeonato, né? Você acabou com meu ano em outubro, Corinthians. E agora, o que eu vou fazer? O que vou inventar para o meu editor, que veneninho vou jorrar ali na Fazendinha? Não posso nem entrevistar jogador pra ver se aquelas bestas dão com a língua nos dentes porque eles estão de férias... Isso não se faz!
Ó, minha última tentativa foi essa entrevista com o Paulo Garcia, mas isso é só um aquecimento para as eleições. É bom você se preparar, que aí eu vou me esbaldar. Porém, não estou tão animado assim (meus colegas também não), porque está difícil exercer esse trabalho de plantador de crise com você.
Espero, enfim, que tenha mais consideração com quem você tanto ajudou um dia.
Palavras sinceras e abraços cordiais,
Jornalista abutre."
04 dezembro 2008
Não largo da memória
*título indevidamente inspirado no nome do bloco carioca "Largo do Machado mas não largo do copo"
O post de ontem da Evinha me trouxe novamente algumas lembranças sobre infância. Ao falar dos lixeiros pedindo caixinha de natal, ela foi criança e disse "boa noite, lixeiro", refugando a idéia de xingá-los por causa da gritaria promovida pela rua. Lá em casa, o prêmio de fim de ano nunca foi muito volumoso, mas minha mãe deixava uma moeda até para o cara que ia entregar leite. O que eu gostava mesmo era do caminhão de gás. O alvoroço gigantesco - havia buzinaço, gritos e campainhas sendo massacradas - era acompanhado por minha irmã e eu, ambos sentados na janela da copa que dá para um corredor cujo eco é fenomenal. O vizinho devia adorar...
Mas não é da minha infância que eu quero falar. O papo é sobre os primeiros dias dessa tão combalida cidade de São Paulo (estão acompanhando a série Hora da Patrulha?). Pesquisava algumas imagens pelo google e me deparei com diversas fotos antigas da capital paulista. Impressionei-me, por exemplo, com a esquina da Avenida São Luiz com a Ipiranga. A rua, toda arborizada e com um casarão onde hoje é o Edifício Itália, parecia ser de uma cidade interiorana. Passeando um pouco mais pelas fotos e com o google maps a tiracolo, tive a certeza: São Paulo já foi belíssima!
Se hoje os estilos das construções se misturam caoticamente, se os prédios antigos estão todos deteriorados pela falta de manutenção e se os próprios paulistanos viram suas costas para o Centro, antigamente a região era um burburinho. Ridiculamente pequena se comparada ao país no qual se transformou a vila do Anchieta, a certo momento - mais precisamente no começo do século XX - São Paulo tinha o potencial necessário para abrigar os principais projetos arquitetônicos europeus trazidos pela elite que se firmava. E não era só a gente da grana que mandava bem nos respectivos barracos. Os trabalhadores também tinham bom gosto na hora de erguer seu teto, haja vista as casinhas no estilo colonial dos bairros àquela época periféricos, como o Cambuci, Bom Retiro e Barra Funda, entre outros.
No meio de tudo o que vi, no entanto, o meu lugar preferido não tem nenhuma grande obra da arquitetura ou da engenharia. É o Largo da Memória, que dá de fundos para a 7 de Abril (antiga Rua da Palha) e encontra do outro lado com a João Adolfo, em frente à Praça da Bandeira. A João Adolfo, aliás, tem um grande buteco, o Ben-Hur, e, logo ali do lado, no fim da Álvaro de Carvalho, há outro com semelhante grandeza, o Verdinho. Nos arredores, existem muitas quitinetes habitadas por migrantes nordestinos, o metrô Anhangabaú e uma meia dúzia de mercadinhos dominados pelos coreanos e chineses.
Vê-se que o Largo, desde que o mundo é mundo, sempre foi ponto de encontro para os mais diversos agrupamentos sociais, e seus habitantes atuais comprovam a vocação. Em volta de seu obelisco, havia uma biquinha onde os viajantes recarregavam seus cantis - vale lembrar que ali era uma das extremidades da cidade no século XIX, e de lá saía a Estrada dos Piques, uma das principais vias de acesso ao interior. Nesse mesmo período, consta que no espaço onde fica a estação de metrô era realizada a comercialização de escravos negros. Antes disso, no século XVI, quem vivia sob as correntes brancas e era posto como produto eram os índios.
De modo que a beleza do Largo da Memória não está exatamente na sua plasticidade, mas em como sua história preserva todas as marcas dos povos construtores de São Paulo. Índios, negros, elites, nordestinos e imigrantes, todos estiveram ou estão ali. Largo da Memória... Não há melhor denominação para um lugar que insiste em lembrar os paulistanos daquilo que mais lhes anda faltando ultimamente.
03 dezembro 2008
Que carajo?
Antes de mais nada: sempre odiei o Los Hermanos e, principalmente, Marcelo Camelo, seu vocalista. Bandinha imbecil de maconheiro sujo e barbudo que fez sucesso por causa de um hit à la roquezinho anos 50 bancado pela Globo, que depois foi menosprezado e substituído por uma música intelectualóide para pós-adolescentes brasileiros, cujo sonho era estar se preparando para o "prom" que marca a saída da "high school". Típico playboy da zona sul carioca que quer pagar de revoltadinho.
Vale dizer também: assim que botei os olhos numa tal de Mallu Magalhães, vi que ela mereceria tanto ódio quanto os Hermanos. Elevada ao posto de musa indie (indie são aqueles esquisitos que se vestem com roupas saídas diretamente de um guarda-roupas em Londres e adoram falar que conhecem tudo que ninguém conhece) "di menor", a moça é uma retardada que não sabe cantar, tocar violão e compor. Porém, trata-se do novo fenômeno da música pop nacional.
Dias desses, Marcelo Camelo e Mallu Magalhães assumiram para todos os fuxicos, babados, caras e bundas que estavam de namorico. E aí eu quase caí da cadeira, não pelo basfond, mas porque me vi pensando em algumas cenas da vida privada desse casal.
(fade in)
Cenário: Casinha no Brás, mas num dia nublado e frio em São Paulo, que faz lembrar o verão londrino.
Cena 1 - O primeiro beijo: Mallu é estranha e, portanto, nenhum de seus coleguinhas (ela tem 16 anos, salvo engano) no colégio deve ter movido uma palha por ela. Nem mesmo depois do "sucesso", já que Mallu - como já disse - não tem o menor talento e também não faz a música sem qualidade que a molecada gosta, que é o funk. Camelo também não é lá uma beldade. Parece um terrorista muçulmano, ou então com o Quico de barba. Não, por favor! Se você não conhece a fuça de um deles, agüente um pouco e não recorra ao google. Prenda-se aos fatores "estranha" e "Quico de barba" e imagine um beijo ainda envergonhado entre essas duas criaturas.
Cena 2 - Depois do beijo, a trepada: Mallu é estranha, Camelo é o Quico de barba. Os dois, esbaforidos, se entrelaçam em uma cama de solteiro (orra, a menina deve ser cabaço, já que é estranha) e o afobado Camelo quer logo partir para os finalmente. Mallu, a estranha, leu na Capricho que não pode perder o cabaço dessa maneira. Tem que ter um xavequinho, um romancinho, um... "Aiiii" - grita ela. Camelo meteu no barbante e já era. 47 segundos depois, eles se olham com cumplicidade, fazem juras de amor e dormem ao som de alguma banda sueca.
Cena 3 - O que vem por aí: Se a Mallu é estranha e o Camelo é o Quico de barba, imaginem o que vai sair dali se o Camelo não usou camisinha?
(Imagens do apocalipse, pessoas gritando desesperadamente ao fundo, o Serra sendo eleito presidente da República)
(fade out) FIM
E agora, as fotos:
Mallu e Camelo.
Boa quarta-feira...
Hora da Patrulha
Na campanha eleitoral, o demoníaco Kassab vivia gritando que Marta era a rainha das taxas. Usou o "Martaxa" a torto e a direito na propaganda, disseminando ainda mais a incorreta alcunha (lembremos que Marta instituiu a isenção do IPTU aos mais pobres e também sua progressividade). Só que...
"IPTU de 2009 deve ter reajuste de 6% em São Paulo"
Também foi martelado na campanha a promessa de investimento recorde na cidade, com prioridade no transporte, educação e saúde - grande parte disso bancado por repasses do governo federal, vale lembrar. E aí, isso:
"Crise faz Gilberto Kassab (DEM) cortar R$2 bi do Orçamento"
Em breve, um post sobre a volta do instinto selvagem de proibição que marca a gestão Serra-Kassab.
Sorria, São Paulo.
02 dezembro 2008
O que mudou?
Um ano após a maior tragédia dos 98 anos do Sport Club Corinthians Paulista, o que mudou? Antes da reflexão, sugiro a leitura do post feito aqui neste blogue no dia seguinte ao rebaixamento. Texto carregado de tristeza, mas ciente do que deveria ter sido feito nesse sombrio 2008.
Alguns podem dizer que estou sendo muito pessimista ou negativo, esquecendo-me do quase-título da Copa do Brasil ou da arrasadora campanha na Série B. Acho que não. Porque ontem eu fiquei assistindo às conquistas passadas do Coringão. Façanhas como a Invasão de 76, o fim do tabu contra o santos, o 4x3 memorável contra os porco em 71, o bicampeonato paulista sobre os bambis e o Brasileirão de 90. Por isso eu pergunto, depois de tanta glória: há o que se comemorar?
A reflexão que faço agora, exato um ano após o fatídico jogo em POA, deveria ser a mesma de todo corinthiano. As incompetências e os esquemas continuam sendo marca nas salas ar-condicionadas do Parque São Jorge, a briga política continua dando arma para os abutres e destruindo nossos alicerces e o Corinthianismo, depois desse tempo todo, parece não ter crescido ou renascido como deveria.
Sim, tivemos uma média de mais de 20 mil torcedores por jogo. Demos dinheiro como nunca aos adversários, pois foram raros os momentos em que não éramos maioria, em qualquer lugar do Brasil. Porém, esse povo todo vestia roxo, gritava "Felipe" e, se pudessem, continuariam pedindo autógrafos a dirigentes. Na arquibancada, o racha na família Gaviões da Fiel está beirando o ridículo. A quadra, além de ter recebido toda a corja que hoje brinca com a história alvinegra, serviu de palco para um programinha sanguessuga, com o próprio presidente da entidade levando lá para dentro nosso maior rival.
Na parte administrativa, mudou-se o estatuto, mas foram preservados os aviltadores. Ainda não há, de fato, democracia no Corinthians. E muitos dos corinthianos não se mostram nem um pouco preocupados, mesmo sabendo que aquilo lá é nosso. Não é nosso no sentido de sermos sócios, trata-se do patrimônio Corinthians.
Respondendo ao título, digo que eu mudei. Posturas na arquibancada, posturas diante dos rivais, posturas diante dos anticorinthianos. Os inimigos, para mim, são óbvios. E estão mais entre nós do que do outro lado do campo. Espero que o centenário marque nossa revolução, que deve ser construída a partir do povo corinthiano. Inclusive, repetindo as lutas dos anos primeiros.
Hora da Patrulha
Tá achando que vai recarregar seu Bilhete Único? A Prefeitura não está deixando, principalmente estudantes e professores.
Deu no G1: "Sistema de recarga do bilhete único trava em São Paulo".
Segundo os caras-de-pau, o problema foi causado por problemas técnicos. Assim, do nada? E aí, não seria incompetência?
Sorria, São Paulo!
01 dezembro 2008
O futuro do jornalismo
Sem citar o moço da credibilidade, sem falar nos milhares de fãs que o Juquinha tem, sem mencionar o fato de que a molecada entra na profissão querendo ser assessor de imprensa ou bajular artista de TV, músico e jogador de futebol, é preocupante o nível de conhecimento e a baixa capacidade de reflexão dos futuros jornalistas. Quando ainda trabalhava com estagiários, inclusive, já diagnosticava essa falência das próximas gerações.
Hoje, a onda é criar portais jovens, seja lá o que for isso. São sites que falam de tudo e não tratam de absolutamente nada. Ajudam na alienação desse povo, que só se preocupa em modinhas que vêm e vão na velocidade da luz. A fórmula é simples: muita imagem, fofocas sobre gente fútil e textos sem preocupação com a correção gramatical, tudo isso bancado por uma linha editorial que valoriza o politicamente correto.
Mea culpa, não consegui fazer muito para mudar esse cenário enquanto estive num desses portais. Talvez por incompetência, talvez por impotência diante das regras mercadológicas. Mas a principal interferência no processo era a inércia dos próprios moleques que, além de tudo, se achavam para caralho. Para se ter uma idéia, certa vez discutíamos em uma reunião sobre blocos de carnaval e uma menina, que dizia saber tudo sobre samba, ignorava solenemente a existência do Cordão do Bola Preta. Outro, um micareteiro, jamais tinha lido linha sobre Dodô e Osmar.
Se tudo isso já é motivo para vomitar de desgosto, o que dizer de uma chamada como a que encontrei no Vírgula? Em referência ao desastre que acomete Santa Catarina, o pessoalzinho muderno me vem com essa: "Blog Te Dou Um Dado? e Virgula (sic) lançam campanha para ajudar animais em SC".
Entendem o que eu quero dizer?
Hora da Patrulha
Em tempos de malas-brancas e malas jornalistas, apareceu na prestação de contas da campanha demoníaca a mala partidária. Vejam só que jeito belíssimo de se arrebanhar partidos e deixá-los totalmente dependentes e submissos:
"Campanha de Kassab cobre gastos de partidos aliados", diz a Falha Online.
Consta na reportagem que o DEMo destinou R$4,4 milhões para PR, PMDB, PSC, PRP e PV. Fiquei meio desapontado pela ausência do PPS, mas este deve constar no registro do caixa 2. O que esqueceu de questionar a jornalista Catia Seabra em seu texto, no entanto, foi exatamente a criação dessa subserviência. Porque na política nada é à toa ou gratuito.
E já que estamos falando em contas a pagar, os bastiões da austeridade fiscal - foi assim que eles se mostravam na corrida eleitoral - precisam explicar a notícia de que São Paulo é uma das 3 capitais brasileiras que estão acima da meta estipulada pela Lei de Responsabilidade Fiscal. A matéria, publicada no Estadão, obviamente dá um jeito de cornetar a Marta, citando que o percentual de dívida usado para tal meta era maior na gestão petista. A diferença é que ela nunca bradou pela imprensa essa postura de "integridade e responsabilidade" com as contas públicas, sabedora ela do papel do Estado em se endividar para fazer as coisas funcionarem.
Estamos só em dezembro de 2008. Sorria, São Paulo!
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Atualizando, às 11:20
Do blogue do Barneschi:
"Teve jogo aqui em SP ontem, é isso? Ok, deste assunto tratarei nos próximos dias, com a devida atenção e de maneira analítica, que é só o que se pode fazer agora. Por enquanto, deixo aqui uma singela notinha do Painel FC de hoje. Coisa fina, de elite mesmo. Vejam, pois, que é este o homem que alguns de vocês ajudaram a eleger:
Pegadinha. Instalado na tribuna da presidência do São Paulo, o prefeito Gilberto Kassab divertia-se no começo do jogo passando trote pelo celular em Valter Feldman, seu secretário de Esporte.
Não venham dizer que eu não avisei lá atrás..."
28 novembro 2008
Só um desabafo
Eu não suporto bater cartão de ponto. Eu não consigo trabalhar em lugar que segue essa rigidez de horário. Pode até ser falha de caráter ou coisa parecida, mas não consigo ver a relação entre o ponto e o aumento de produtividade, ao menos na minha profissão.
Quando instalam essa porcaria no lugar onde trabalho, é sinal de que meu prazo de validade venceu...
As coisas mudam
Ontem, depois de milênios, encontrei dois amigos dos tempos de colégio. Havíamos marcado, via internet, uma reunião para relembrar os ensaios que fazíamos quando adolescentes, ainda alimentados pelo sonho de viver de música. Só que uma coisa mudou, além da idade e dos sonhos: antes o negócio era meio que na marra, enfurnando-nos num quartinho ou no porão de casa. Ontem, meus caros, toquei num estúdio todo modernoso.
A comparação foi imediata com os campos de futebol society. E, da mesma forma, com as escolinhas de futebol. Se antes a bola era jogada nas ruas e os ensaios eram feitos nas garagens, agora a molecada vai toda emperequetada para a grama sintética e se enfia numa sala cheia de parafernálias para tocar.
O lado ruim é que isso some com a essência da coisa, aquele negócio meio rebelde (santa ingenuidade) de ficar tocando por horas, enchendo a cara de cana e jogando conversa fora com os amigos. Some também a inspiração para composições. Não que não tenha sido bacana tocar no mesmo lugar por onde passou um monte de artista fudido, mas os estúdios eram um outro estágio na vida de músico.
Para se ter uma idéia da facilidade, a hora custa módicos R$20. Há na recepção (!!!) um bar e todas as salas possuem ar-condicionado. Está ao alcance de todos um lugar que outrora era considerado um templo.
Talvez por isso qualquer um vira músico, bandas medíocres fazem sucesso e o Perdigão é jogador do Corinthians.
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Falando em coisas medíocres, não demorou muito para que confirmássemos que, mesmo com o limite de 40% para meia-entrada, os preços de ingressos para eventos culturais não irão diminuir. O Filipe me mandou esse texto, acompanhado de um editorial ameaçador da Falha, avisando que isso é só o começo.
E aí eu me pergunto: mesmo se baixar, vai baixar de R$400 pra R$300? Pra mim não adianta nada...
27 novembro 2008
Compilando idéias soltas
- Pensamento sobre a questão das cotas: se os jornalistas que as atacam dizem que o favorecimento seria motivo de desmerecimento e humilhação aos negros, o que dizer de jornalistas que se fazem às custas de (falsas) informações privilegiadas, recebidas por telefone ou e-mail?
- Tem um post no Nassif falando sobre como escrever bem. O tópico 10 recomenda não generalizar. Ignorando o fato de que isso é constante na atividade jornalística, pergunto qual o problema das generalizações? Ela dá toda a graça ao negócio e não deixa o texto sem sal. O grande desafio é provar tal generalização, coisa que a grande maioria não faz.
- Já o Kotscho reproduz texto de um editor do Fantástico. O global até que tenta fazer sua crítica da mídia, mas já está contaminado pelos vícios da emissora. Leiam que vocês irão me entender. O que eu realmente acho é que os jornalistas têm que humanizar as coisas, entrevistando o povo ao invés de "especialistas no assunto". Além de trazer novas pautas, é uma boa desculpa para dar ao editor na hora em que a fonte não quer falar nem sob decreto.
- A coisa em Santa Catarina foi feia, porém mais feio ainda é o que estão fazendo alguns comerciantes, segundo mostra o PHA. Botijão de gás a R$120, galão de água a R$50. Alô capitalismo!
- É praxe dirigente de futebol vir com aquelas provocações babacas na imprensa. Achando-se muito malandros, esses manés desconhecem as táticas dos verdadeiros mestres. Veja o que fizeram os presidentes do Corinthians e do fluminense quando do jogo da Invasão Corinthiana de 1976, em depoimento do próprio diretor tricolor ao Juquinha.
Inaugurando
Dando seguimento à promessa de fazer um rígido acompanhamento ao governo Kassab, inauguro hoje a seção Hora da Patrulha, que poderá ser acompanhada pelo marcador patrulha logo abaixo de cada texto.
Na cerimônia de abertura, temos a presença de ninguém menos que Soninha Francine. Interessante a trajetória dessa moça. Ela fez fama na MTV apresentando programas de debates voltados à juventude e virou até comentarista de futebol. Tal proximidade com a molecada transformou-a num belo quadro político, tanto que foi eleita vereadora do PT. Só que aí...
Há na política inúmeros fatores determinantes para o sucesso eleitoral. Coerência é uma das mais importantes, a meu ver. Porém, tudo que a jovem senhora em questão não possui é a coerência. Durante sua passagem pelo PT, ela foi uma das que mais fez eco aos discursos golpistas anti-Lula na época do "mensalão" (invenção tucana, lembrem-se disso), criando uma indisposição com a cúpula petista e o isolamento no partido. Ao mesmo tempo, Soninha passou a votar contra a determinação de sua coligação na Câmara - e outro elemento imprescindível na política é a lealdade partidária -, demonstrando inadequação aos preceitos do centralismo democrático.
Depois dessas tretas todas com o PT, a moça migrou para o PPS, filial tucana destinada a receber pseudo-esquerdistas que, na verdade, tiveram raros espasmos progressistas e nunca admitiram a própria peleguice. Foi nesse período que ficou muito próxima do então prefeito e atual governador José Serra. Por conta disso, refugou o convite do Bloco de Esquerda para compor candidatura com Aldo Rebelo e saiu pelo PPS, prestando grandes serviços à campanha do generalzinho, o Paulinho do Serra.
A recompensa para esse sinuoso caminho chegou agora. Deu no Estadão que "Soninha deve comandar Subprefeitura na gestão Kassab". Para aqueles que viam na moça a grande alternativa de São Paulo e se deixaram seduzir por aqueles papinhos ecológico e politicamente correstos, é bom começar a rever os requisitos na hora de escolher em quem votar.
Eu avisei!
26 novembro 2008
Patrulhamento cívico compulsório
Dois assuntos em pauta, ambos merecedores de extrema atenção. Falemos primeiramente da questão da meia-entrada, em discussão no Congresso Nacional. Foi aprovado no Senado, em primeiro turno, um projeto que cria a cota máxima de 40% no total de ingressos dos eventos culturais ao desconto estudantil.
Essa reserva representa o início da extinção da meia-entrada, uma bandeira histórica do movimento estudantil conquistada com muito suor e saliva. É um retrocesso inadmissível, que só servirá para tornar ainda mais restrito o acesso da juventude à cultura. Alegam os defensores do projeto que houve uma disseminação de carteirinhas, o que tornou as produções inviáveis por conta do baixo faturamento. Pois bem, o problema a se combater é exatamente a emissão desenfreada de identificações estudantis, e não o direito à meia. Dito isso, é bom sempre lembrar que o grande responsável pela baderna foi o ex-ministro Paulo Renato que, na tentativa de desarticular o movimento estudantil, tirou a única fonte de renda das entidades e acabou com o controle e fiscalização na confecção das carteirinhas.
Nesse imbróglio todo, o mais interessante foi ver alguns artistas fazendo coro a essa imbecilidade. Nomes como Beatriz Segall (diz a lenda que a Odete Roitman não sai de casa por menos de R$30 mil; quanto pagaram para ela?), Gabriela Duarte, Ivete Sangalo, Irene Ravache e Fernanda Montenegro nem surpreendem. Porém, me decepcionou muito gente como Wagner Moura e Herbert Vianna estarem no mesmo barco. Segundo a patota, eles afirmam que a cota possibilitará a redução no preço dos ingressos para suas peças e shows - um parêntese: quando o dólar explodiu, apareceu uma bela desculpa para inflacionarem os preços, que não caíram com a valorização do Real.
Por que, ao invés de se prestarem a esse papel, eles não se reúnem para pressionar o governo por subsídios e políticas públicas para a cultura? Talvez porque são bancados pela Globo e pela Lei Rouanet. Garanto, inclusive, que as peças e shows desses figurões não dependem de bilheteria, uma vez que já foram pagos com o patrocínio de empresas em busca de isenção fiscal. E agora eu lanço o primeiro motivo para nosso patrulhamento cívico. Quero ver se vão baixar o preço depois dessa cota!
O segundo assunto remete ao compromisso assumido com o amigo Raphael de realizar uma intensa fiscalização ao nefasto governo Kassab. Depois de descumprir a primeira promessa de campanha ao não priorizar os CEUs, o generalzinho divulgou hoje os patrocinadores de sua reeleição. A informação vem da Falha: "Maiores doadoras de Kassab têm contratos com a prefeitura de SP".
Não irei me prender ao dado, mas sim ao tratamento que ele mereceu no panfleto tucano dos Frias. Fosse a Marta, imaginem o escarcéu. Fosse o Lula, então... O erro maior da matéria está justamente em não ter investigado as últimas obras realizadas por tais empresas para o município, o que poderia até configurar uso da máquina pública em campanha.
É imprescindível que nos mobilizemos para patrulhar dia-a-dia esses afrontes ao povo. Mesmo que com opiniões divergentes, o essencial é mostrar que as coisas não são como os jornalões mostram. Estarei por aqui e conto com a adesão da nossa humilde rede blogueira.
25 novembro 2008
As madrugadas de quarta
Quem me acompanha há algum tempo já deve ter lido uns textos sobre meu saudosismo com relação à imprensa esportiva de não muitos anos atrás. As manhãs de domingo na rádio Jovem Pan AM e o fechamento da rodada com o Mesa Redonda, por exemplo. Tal saudosismo, no entanto, é sempre confrontado com o péssimo direcionamento que a mídia futebolística tomou a partir da década de 90. Jornalistas, servindo a interesses escusos, esqueceram-se de seu público e passaram a tratar a profissão como um grande balcão de negócios.
Há duas vertentes nesse novo jornalismo dos gramados. Uma, cuja figura principal é o Milton Neves, vende até a mãe se possível, utilizando um espaço (raro) para fazer seus merchans ao invés de aproveitá-lo em prol da informação. Fala-se muita besteira, e a não ida aos estádios, coisa incompreensível para quem quer ser chamado de jornalista, é o motivo. Já a outra vertente também não costuma freqüentar os estádios, porém é ainda mais perigosa. Usa seu espaço como meio de promoção político-social, se veste com o manto da moralidade e consegue atingir o público higienista e imbecil que, por exemplo, vota em Kassab e acha o máximo as benesses da modernização do mundo. Acertou quem pensou no Juquinha, o crápula inexplicavelmente admirado por uma renca de gente, principalmente a molecada.
Isso em mente, venho aqui cumprir o mea culpa e dizer que a primeira turma está, ao menos, prestando um ótimo serviço à memória das comunicações. O Cabeção, ao lado do Mauro Beting, faz hoje o melhor programa de rádio durante as madrugadas de quarta-feira na Bandeirantes AM, na edição especial do Terceiro Tempo. Enquanto os juquinhas tentam abocanhar alguma teta nos poderes instituídos, Milton e sua equipe parecem querer voltar aos áureos tempos de Panamericana - contando, inclusive, com o fantástico acervo da Bandeirantes.
É divertidíssimo escutar as merdas - no bom sentido - que são ditas durante o Terceiro Tempo. Bom humor, recordações de ricas histórias do futebol e do povo e o resgate de jingles, programas e propagandas antigos. Não dá, por exemplo, para não se emocionar com o logotom do "Scratch do Rádio" característico das transmissões esportivas na emissora dos Saad.
Lógico que não serei irresponsável em absolver todas as imbecilidades que já proferiu o Milton Neves, ainda mais em relação às torcidas organizadas e ao Corinthians. Porém, é altamente recomendável escutar - ou ressucitar o velho gravador de k7 - essas madrugadas de quarta. Pena que algo tão bom esteja num horário tão inacessível ao grande público. O que, diga-se, faz saltar novamente minhas lombrigas com relação ao podcast. Resolução para 2009, aliás: fazer essa porra acontecer.
24 novembro 2008
Abre o olho...
Depois da Miss Centenário querer sair na Playboy e da japonesada ficar se esfregando no vestiário, eis a última da Terra do Sol Nascente:
Sutiã para homens vira sucesso no Japão
Depois disso, nada mais a declarar...
Algumas doses
- Em plenas férias futebolísticas (forçadas, obviamente), me deparei com um jogaço no cumprimento de tabela do Corinthians, sábado passado. Jogaço porque o Coringão mostrou que o futebol é um negócio sério e que, se for preciso, o pau come. Corinthianíssima a atitude de Morais, que não só deu um chega-pra-lá num alemãozinho folgado da mentira azul catarinense como também mandou um belo cruzado. A coisa fechou, a Fiel se inflamou e o negócio ficou bonito. Pena que uma besta invadiu o campo, e isso nos deve custar um mando de jogo na Copa do Brasil, a obrigação de 2009.
- Ainda sobre o futebol, é baixíssimo o nível da Série A - e nego ainda vem querer falar que tivemos um campeonato fácil na B... Sem tirar os méritos do já campeão, uma vez que é inconstestável a invencibilidade de 16 jogos, os leonores foram levados ao título também por incompetência de seus adversários diretos. Ressalto: farei uma análise fria e com o mínimo de parcialidade. Na minha humilde opinião, o jogo-chave foi o parmera x spfc. Ali definiram-se os futuros escorregões verdes, que também serviram para ressucitar um quase-defunto. No mais, ficou comprovado que o Grêmio é um time como sua torcida: desprezível. Comprova-se, ainda, que fórmula de pontos corridos é totalmente equivocada. A dois jogos do fim, temos os mesmos dois times "brigando" pelo caneco. Agora é agüentar a Evinha (e só ela, já que ignoro o bando de aproveitadores que preferiram ficar vendo corridinha de F1 ao invés de ir no estádio) mais um ano...
- Aconteceu nesse último fim de semana o encontro dos principais Partidos Comunistas de todo o planeta. Conforme previsto, não houve uma cobertura digna do evento. A coisa toda, aliás, se torna ainda mais importante nos dias de hoje, em que o liberalismo sobrevivendo com a ajuda de aparelhos. Enquanto o mundo ignorar o comunismo e suas premissas, muito sangue, muita pobreza e muita exploração ainda vão contaminar as relações sociais por muito tempo.
- Visitei pela primeira vez o Bar dos Cornos neste último sábado. Prorrogava a visita há anos, apesar do lugar ficar perto de casa. Trata-se de um grande estabelecimento, com um cardápio recheado de delícias e a cerveja a um preço médio (R$4 a Brahma). Comi por lá uma porção de coxinha extraordinária, e a Eva mandou um caldo de mocotó. Dividimos, ainda, uma rã. Boa, mas a da Juriti ainda é melhor. Ainda é preciso outras tardes no buteco, já que ele serve pratos do norte. Tem também música ao vivo em ótimo volume (entenda: não é preciso ficar gritando para se conversar) e um mugido de boi recepcionando os clientes de forma bem-humorada. Boa opção de refúgio, principalmente nesses tempos de blitze.
- E o Jogo das Barricas, hein?
21 novembro 2008
Pela rede
Feriadão e só o otário aqui trabalhando - ou melhor, fingindo -, só me resta ficar lendo na internet e acompanhando uns vídeos no Youtube. Escolhi alguns temas para debate:
- A aprovação na Câmara da reserva de 50% das vagas para alunos de escola públicas para negros nas Universidades Federais vai render muita bobagem escrita por aí. Vão alegar que estão nivelando por baixo (preconceito), que as cotas são um real preconceito (não são), que os alunos das cotas não teriam condições de acompanhar o curso (mentira, porque nos últimos anos foram feitos levantamentos que provaram exatamente o contrário) e que a miscigenação típica do Brasil não pode permitir segregações (hipocrisia, porque o racismo ainda é fortíssimo por aqui, haja vista os discursinhos contra a criação do Dia da Consciência Negra, numa inveja de brancos terrível). Exemplo dessas aberrações? Leiam o artigo de Demétrio Magnoli no lixo dos Mesquita...
- "Em crise, o Corinthians pretende se desfazer de seu principal atleta, o atacante Dentinho, mas não sabe se terá recursos para contratar nomes de ponta". Essa frase está no site da Falha, e foi escrita pelo arruda e pelo galdieri. Crise? Onde, seus abutres? O time sobe com seis rodadas de antecedência, é campeão com quatro, e há crise? Só se for em vossas cabecinhas ocas. Depois eu sou paranóico...
- Teve nenhuma repercussão a declaração do secretário da educação Alexandre Schneider (hail), divulgada pelo vereador João Antônio e feita numa audiência pública da Comissão de Finanças da Câmara Municipal. Segundo ele, construir CEUs "não será prioridade desta administração". Ahn? Também relacionado com isso está a informação de que São Paulo é a capital mais endividada do país. Onde estão os compromissos de campanha? Onde está a austeridade mostrada na propaganda bonita da TV? Sorria, meu bem.
- Joguei alguma no ventilador no blogue do Luís Nassif na última terça, por conta da matéria sobre a indignação dos ilustres sócios do Clube Paulistano com um show do Zeca Pagodinho. Os reaças ficaram bravos e andam me detonando por lá. Quem quiser, pode acompanhar o caso e, se possível, dar seus pitacos.
- O Pedro Alexandre Sanchez conta uma polêmica participação do Nelson Sargento em um desses programas de "incentivo cultural" empresariais - no caso bancado pela Natura -, nos quais os mecenas só colocam grana pensando nas isenções fiscais (ou seria uma bela lavanderia?). Pois bem, vale dar uma lida no post do Pedro e ver ainda um comentário que conta como se dá tal apoio, que cobra do artista uma contrapartida bastante imoral. Pessoalmente, eu ainda não acredito que o Nelson tenha embarcado nessa, ou ao menos tenha se dignado a fazer o que fez.
- Acharam-me e eu os achei em retribuição o pessoal do blogue Baixa Cultura. Os caras promovem um interessantíssimo debate sobre as questões dos direitos autorais, criminalização da troca de arquivos na rede e outras cositas más. Deram, inclusive, repercussão para os casos de censura que a gente andou sofrendo por aqui (foram os únicos, aliás, fora de nossa rede blogueira). Vale conferir o endereço, com link ali do lado.
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