29 outubro 2009

Tapa na cara da Fiel


Às vésperas do jogo mais importante do segundo semestre, a diretoria do Corinthians deu outro tapa na cara da Fiel Torcida. De maneira maquiavélica, esperou uma vitória para anunciar o golpe já sugestionado e mastigado na mídia há tempos, e que diz respeito ao preço dos ingressos na Libertadores do Centenário. Entre as principais incoerências, a principal é saber que o Time do Povo vai custar a seu torcedor R$50 por partida, no mínimo.
Tudo em prol do bizines e da modernidade injustificáveis que afrontam os que construíram toda nossa história de caráter popular e revolucionário.

Ainda assim, tratemos de bizines. A previsão é de R$3 milhões de renda por jogo, obtidos a partir da faixa de preços que varia dos já citados R$50 até R$500. Na primeira fase, são R$9 milhões brutos, quantia ínfima se pensarmos numa outra alternativa popular, inclusiva, democrática e que, primordialmente, não criasse essa dependência de venda de ingresso. Há 30 milhões de corinthianos pelo Brasil. Usando como base, sei lá, uma taxa de conversão padrão das campanhas de mídia da internet (algo em torno 1% do número de cliques em banner convertidos em venda), suponhamos que o título do clube custe R$300, em dez vezes. Seriam 300 mil corinthianos se associando, pagando R$30 por mês e gerando o mesmo montante de R$9 milhões. SÓ COM A COMPRA DO TÍTULO.

Ganha o Corinthians uma fonte de recursos que, posteriormente, induziria a uma renda fixa com a taxa de manutenção, e ganha o torcedor, que teria a possibilidade de participar politicamente no Corinthians e não seria assaltado toda vez que coloca sua cara na frente da bilheteria. Ou alguém aqui não estaria disposto a pagar R$300 em dez vezes e R$50 de mensalidade? Só que tem um probleminha: fatalmente, a corja teria de se explicar a todos esses 300 mil corinthianos e iria perder muitas boquinhas ali dentro. Dessa forma, é impossível pensar no óbvio quando se trata desses imbecis das salas ar-condicionadas do Parque São Jorge.

Existem ainda outras contradições nesse processo de elitização. Por que raios o ingresso do Brasileirão modorrento não baixou ainda? Segundo a lógica de mercado, estabelecemos valores do - perdão pela expressão - "produto" de acordo com a qualidade. Assim, pelo que andam apresentando Gordo e cia., nada mais justo que pagar uns R$5, só de caridade, para assistir a esse bando de vagabundos em férias remuneradas. Outro ponto: o tampão vem a público dizer que a torcida não pode tratar a Libertadores como obsessão (no que eu concordo), mas aí o cara se contorce todo para fazer uma graninha lazarenta num torneio cuja credibilidade garante atropelamento de fase por conta da gripe suína.

A caminho de Prudente, e com o prejuízo estimado em uns 300 conto nessa viagem até o Pantanal, vou encarar os 700km matutando sobre como dar conta de pagar, além dos jogos que faltam neste 2009, o cambista oficializado da Libertadores. Eu, que só não fui no jogo-balada contra o Coritiba durante o ano inteiro, valho menos do que aqueles aproveitadores sempre ovacionados pela moderna diretoria. É assim que ela prepara nosso espírito para o derby.

7 comentários:

Filipe disse...

Mais um texto-referência, Porta-Voz. Parabéns.

diretoria de merda!!!

AQUI É CORINTHIANS!!!

Mônikita disse...

O engraçado é que só alguns reclamam outros nada e tô falando de gente de bancada tb.
Agora se vê eles tão fazendo tudo isso com essa merda de Libertadores e depois o Sanchez dá declaração que ganhar ela no ano que vem NÃO É OBRIGAÇÃO.

É um safado msm

Bruno Ferraz (sOUL) disse...

se a previsão é de 3 milhões por jogo, não havia necessidade de vender Cristian, André e Douglas, já que ambos renderam 11 milhões, e 3 jogos renderam 9 milhões.

se perder da porcada, o bicho pega!

Não tenho condições financeiras de pagar o que a diretoria cobrará por jogo na libertadores, me contentarei em ir ao estádio no paulistão e no campeonato brasileiro.

Abraço!

Claudio Yida Jr disse...

Pois é, negada. E essa nota saiu ali, meio escondida, no Lanche!. É ou não coisa de mau-caráter esperar o time perder pra soltar o troço?

E a idéia do tampão é que, pra ganhar, é preciso disputar todo ano. O espírito, portanto, é assaltar a gente todo ano e, todo ano, elitizar cada vez mais o time do povo.

Thiago disse...

maravilhoso meu velho.

Álvaro disse...

Enquanto o Corinthians não se democratizar de fato, vai ser sempre essa merda.

E democratizar, não significa "democratismo".

O clube arrecada essa dinheirama e quem toma a decisão do que fazer? Mário Gobbi? Tampão? E eles prestam satisfação a quem? Aos conselheiros subservientes?

É como foi dito aí em cima, se é tanto dinheiro assim, por que não segurou os jogadores?

Bruno Ferraz (sOUL) disse...

vo linka mano!