15 janeiro 2009
Anotem alguns nomes
A crise, como era de se esperar, trouxe na bagagem o desemprego. Corta daqui, acerta dali, o consumidor diminui sua voracidade e deixa de comprar. Assim, cai o ritmo de produção e as empresas vêem seu faturamento entrar no vermelho. Espertos como são, resolvem mandar funcionários pro olho da rua e, assim, ajudam a piorar a recessão econômica.
Há nesse esboço simplório do funcionamento do mercado um elemento que, aos olhos dos patrões, é imutável - ou como diria o outro, imexível. Os empresários pressionam o governo por mais incentivo na produção, auxílio na movimentação da economia e, principalmente, pela flexibilização da CLT. Chegam ao cúmulo de sugerir diminuição da jornada de trabalho combinada à redução salarial (e assim vão na contra-corrente da solução mais óbvia para o desemprego estrutural). O fator imexível, porém, é a margem de lucro. Nela ninguém toca, nem menos tocam no assunto.
A Falha de ontem deu o megafone para Paulo Skaf, tucano dos bastidores que está aparecidinho na mídia e provavelmente irá sair candidato em 2010. Skaf é presidente da Fiesp e hoje é o porta-voz do supracitado absurdo que é a redução de jornada e de salário. Tudo isso sem a garantia de manutenção do emprego, diga-se. Na cola, Gilberto Dimenstein repete o discurso em sua coluna. Coloca, logicamente, a culpa no governo Lula - gestão que mais criou empregos na história do país - e cutuca o ministro do trabalho, acusando-o de propagandista da própria imagem.
É imprescindível que guardemos esses nomes: Paulo Skaf e Gilberto Dimenstein. Eles assumiram a bronca de carregar a bandeira da flexibilização. Depois, lá na frente, a gente pega o saldo e bate na porta desses imprestáveis para cobrar a fatura. Porque restrição aos direitos dos trabalhadores não deveria passar pela cabeça de ninguém, mas a corja das redações fica quietinha, com medo de ser dispensada do seu frila-fixo. E o povo que se foda.
14 janeiro 2009
Estatuto de qual torcedor?
Sancionado em 2003 pelo Governo Federal, o Estatuto do Torcedor foi criado para defender os direitos dos freqüentadores de estádio. Partindo do pressuposto de que o torcedor é um cliente, regras foram estabelecidas e normas foram criadas para, supostamente, dar jurisprudência a uma série de medidas contra clubes e federações, com extensão a seus respectivos dirigentes. Seis anos depois, o troço ganha agora uma reformulação que pretende ampliar seu viés restritivo. Em nenhum momento, porém, são levadas em conta as necessidades daqueles que não enxergam sua ida ao jogo como um passeio ou um produto, mas sim como uma prazeirosa obrigação moral.
Apesar das regras rígidas na teoria, a prática mostra que federações, clubes e até quem realmente manda no futebol brasileiro - ou seja, a Globo - não cumprem tal estatuto. Quer dizer, não cumprem a sua essência, que é o respeito ao dito "cliente". Horários esdrúxulos, ingressos a preços surreais, manutenção dos esquemas que beneficiam cambistas, entre outros, são práticas ainda muito comuns. Além disso, há o detalhe precioso, para não dizer pernicioso: o documento considera que a violência nos estádios está exclusivamente vinculada às torcidas organizadas.
A reformulação, ao menos, tem um ponto positivo no que tange aos cambistas. Está prevista a prisão para quem negociar ingressos acima do preço de tabela. Também é possível citar a penalização para manipulação de resultados como ganho a ser comemorado. Agora, vamos aos absurdos.
As organizadas serão responsabilizadas pelos atos criminosos de seus associados, e aí a gente volta para aquele erro de premissa organizadas=violência. Como uma organização social de massa pode ser condenada por um ato ilícito de um de seus membros? Parte-se de uma generalização preconceituosa cujo significado é o mesmo que dizer que o MST só tem vagabundo, comunista come criancinha, preto é tudo ladrão e mulher só serve para cuidar da casa. Que as torcidas respondam por invasões de campo ou brigas nas arquibancadas tudo bem. Porém, não dá para repassar a gerência da segurança pública em dias de jogo para as organizadas. Isso é função da polícia.
O pior, no entanto, vem agora: teremos bafômetros nos portões, e aqueles que tenham ingerido bebidas alcoólicas em excesso poderão ser impedidos de entrar. Qual é o critério? Por que, novamente, se quer criminalizar a cerveja? Não há provas concretas de uma relação direta entre ficar bêbado e partir para a porrada. E qual seria a constitucionalidade dessa medida?
Ao invés de valorizar essa tendência proibitiva, o governo deveria ir para cima de quem realmente prejudica o futebol. Não permitam que os jogos tenham início depois das 21h. Montem sindicâncias contra esquemas de cambistas, lavagem de dinheiro e enriquecimento ilícito. Criem mecanismos protecionistas para evitar a venda precoce de atletas ao exterior. E, antes de fazerem qualquer estatuto, promovam uma audiência pública a fim de escutar a opinião do verdadeiro torcedor. Aquele que, faça chuva ou faça sol, bate seu cartão e paga caro para ver seu time de coração.
Eô, eô, a censura vortô!
Todos lembram da censura deste blogger ao Cruz de Savóia no ano passado. Sob uma alegação esdrúxula e sem nenhuma possibilidade de defesa, simplesmente apagaram todo o conteúdo da página, que sempre dizia (e ainda diz) coisas que algumas pessoas não gostam de escutar. O resultado todos sabemos, e o Cruz de Savóia é hoje o blogue mais importante da mídia verde e um dos mais visitados e comentados sobre futebol.
À época, redigimos uma carta de repúdio que foi espalhada nas caixas de e-mails de vários jornalistas considerados por nós como independentes, responsáveis e com a moral em dia. Lá, citávamos o caso de Paulo Henrique Amorim, desligado do iG de forma semelhante com que o Cruz de Savóia foi retirado do ar. Na lista de destinatários do tal protesto estava o nome de Luís Nassif.
É óbvio que, fora os blogues amigos, o caso Cruz de Savóia teve zero repercussão, chegando somente a ser comentado pelo Baixa Cultura. Nem mesmo o pessoal que já havia sentido a censura na pele deu sequer uma linha. Talvez porque acharam a gente radical demais, e isso é elogioso como um quê. De qualquer maneira, ninguém aqui conserva mágoas e nosso fim é denunciar todo e qualquer tipo de cerceamento motivado por interesses de gente suja.
Acontece que o Nassif, depois de ter sido tirado da Falha há alguns anos, agora foi calado na TV Cultura. Por decisão de Paulo Markun - outro que virou velhaco - e muito provavelmente a pedido de José Serra (o caçador de jornalistas), Nassif não faz mais parte da emissora estatal. Não é preciso buscar muito na memória para entender: nos últimos meses, o jornalista havia feito críticas contundentes à participação indecente de Gilmar Mendes no Roda Viva, além de ter ecoado e se alongado no caso de propaganda eleitoral via Sabesp feita pelo governador dos pedágios em vários Estados do país.
Assim como foi com o Cruz de Savóia e com o PHA, Nassif muito provavelmente teve sua credibilidade e sua audiência potencializada. Porque, como disse o presidente Lula há alguns dias, o leitor não é mais tão burro assim (pelo menos aqueles que têm o mínimo de boa vontade) e já está separando o joio do trigo. De fato, não dá para levar a sério uma mídia que, por exemplo, está fazendo um show sobre a cirurgia plástica da possível candidata petista a 2010, tentando atribuir a ela a mesma pecha de dondoca que está colada à imagem de Marta Suplicy.
Em outros tempos, a censura tinha péssimas conseqüências. Tortura, fim do contraponto e mortes eram relacionados à falta de liberdade de expressão (ainda tão escassa, diga-se). No entanto, os pelegos precisam se conscientizar de que hoje ela é facilmente denunciada e pouco eficaz, pois tem efeito contrário. Parabéns ao Nassif por ter sofrido esse cerceamento. É sinal de que ele está no caminho certo.
12 janeiro 2009
Tirando um sarrinho...
Eu evito colocar aqui reflexões acerca das indignações causadas pela leitura do blogue do boca de latrina. É para não dar cartaz ao moço da credibilidade, e até mesmo para não espalhar por aí esse link nocivo (vi, por exemplo, uma moça que é leitora assídua do Kassab do Juquinha dizer em seu blogue que Berezovsky não é mafioso, que MSI foi vítima do Corinthians e outros absurdos). Só que hoje vale uma exceção, pois vou tirar um sarrinho, oras bolas!
O pseudo-jornalista publicou um texto (??) denunciando - ele, aliás, adora denúncias, mas nunca as comprova - que "Os comitês que organizarão (?) a Copa de 2014 e a candidatura para as Olimpiadas de 2016 foram beneficiados pelo governo de Lula 'não sei de nada' com isenção de ICMS. Traduzindo: Podem roubar a vontade e nem impostos precisarão pagar".
Não sei se mudou alguma coisa nas regras tributárias do país durante essa madrugada, mas o ICMS é, segundo a Lei Complementar 87/1996, um tributo de competência estadual. Ou seja, só os Estados e o Distrito Federal poderiam conceder tal isenção. Pior é a última frase sobre o pagamento de impostos. Para quem não sabe, o Inho é um ortodoxo devedor, não cumprindo seus compromissos até com locadora de filmes.
Ainda hoje, o pau-mandado repercutiu o apoio recebido pela jornalista (???) Barbara Gancia, conhecida pelo seu peleguismo e também por exercer função semelhante ao rapazote dentro da Falha. Como diria o ditado, quem anda com manco, manca.
A guerra pela mídia paralela
Ignorem todas as notícias dos grandes veículos de comunicação que dizem respeito à guerra entre israelenses e palestinos. Mesmo com alguns belos trabalhos, como nosso amigo Cruz de Savóia emplacando no Terra suas imagens do protesto ocorrido no último domingo em São Paulo, a grande maioria das coberturas - principalmente em Falha, Globo, Estadão e esses lixos - se baseia em preconceitos burros e busca isentar o criminoso Estado de Israel. Paralelamente, tais informações levianas alimentam um suposto ódio aos judeus que simplesmente não existe, tornando as coisas ainda mais insolúveis.
Para conhecer outras faces do prisma e ver que o mundo não é simplesmente dicotômico, basta ler alguns blogues. Por meio da página de Bruno Ribeiro, pude chegar a duas fontes preciosas de informação. Um é o Biscoito Fino e a Massa, cujas análises dos horrores do conflito são bastante humanizadas. O outro é o Blog do Bourdoukan, que dá um tratamento mais contestador, porém não menos verdadeiro, às recentes investidas de Israel na Faixa de Gaza.
Só para comprovar o quanto são viciadas as notícias de nossa mídia nativa, dêem uma olhada na denúncia feita pelo Nassif. A Veja, na sua notável incapacidade de fazer jornalismo, simplesmente plagiou uma página internacional em seu site. Sequer mudou as palavras do texto, tampouco citou a fonte. Por isso, fuja dessas armadilhas para não cair em contos do vigário.
09 janeiro 2009
O golpe petista e a aliança imoral
Este post, em primeiro lugar, irá servir para mostrar a alguns incautos que passam por aqui e, em outros blogues, me chamam de petista na tentativa de desmoralização. Não sou e nunca fui militante do Partido dos Trabalhadores. Sou filiado ao glorioso Partido Comunista do Brasil e defendo a causa comunista.
Feitos os esclarecimentos, vamos ao caso. Tomaram posse na última semana os deputados estaduais suplentes na Assembléia Legislativa que compunham a lista da coligação PT-PCdoB das eleições ocorridas em 2006. As vagas surgiram porque alguns dos legisladores foram eleitos como prefeito no ano passado e, pela impossibilidade do acúmulo, deixaram seus mandatos.
Ocorre que o presidente da casa, deputado Vaz Lima (PSDB), ignorando a ordem da lista, não empossou o ex-petista e agora comunista Pedro Bigardi. Segundo Lima, Bigardi, ao trocar de partido - por conta de incompatibilidade política -, cometeu ato de infidelidade partidária e, assim, perdia sua cadeira para o petista Carlos Neder.
Dois fatos precisam ser levados em conta nesse imbróglio. Primeiro, que o presidente da Assembléia atropelou todos os trâmites para se julgar um caso de infidelidade partidária (que não houve, é preciso dizer, porque Bigardi não tinha mandato quando trocou de partido), agindo de maneira autoritária e impositiva. Segundo, que isso foi resultado de um acordo entre tucanos e petistas feito por baixo dos panos.
O que assustou, mas obviamente não causou surpresa, foi o silêncio midiático. Incrível até, porque a corja golpista aproveita qualquer deslize do partido do presidente Lula para inventar uma crise institucional. Só que a imprensa se viu numa sinuca de bico: denunciando o golpe petista, elevaria o PCdoB. Conclusão? Dos males o menor.
Sem nenhuma moral ou conhecimento de causa aprofundado, digo sem medo que o PCdoB foi apunhalado pelas costas. Justo nós, que sempre mantivemos e mantemos uma aliança fiel e histórica com o PT, sendo inclusive os que mais apoiaram Lula durante todas as crises pelo qual seu governo passou - ao contrário de outros "articuladores" que se esconderam e/ou esconderam coisas. O consolo é ver que o ato de traição explícito e desavergonhado foi feito por um partido que, cada vez mais, se aproxima do que há de mais sujo na esfera político-empresarial desse país, e isso só engrandece o nosso Partido Comunista. 2010 será o xeque-mate e eu, infelizmente, vislumbro um PT cada vez mais tucano e pelego, mostrando, finalmente, a necessidade de se fortalecer o Bloco de Esquerda.
Para saber mais sobre a trairagem, leia o blogue do grande Nivaldo Santana e a matéria do Portal Vermelho.
08 janeiro 2009
Contra a guerra, vá à rua!
Partidos políticos, entidades representativas, movimentos sociais, veículos de comunicação e federações promovem no próximo domingo, dia 11, uma grande passeata em repúdio à imbecilidade dos ataques israelenses ao povo palestino. A partir das 10h, no vão livre do MASP, haverá a concentração para a manifestação organizada pelo Comitê de Solidariedade ao Povo Palestino.
Árabes, judeus, católicos, protestantes, budistas, umbandistas e agnósticos. Todos estão convocados para esse ato de humanidade. Passe na feira, coma um pastel e vá para a Paulista.
Além de SP, outras cidades pelo país também terão seus protestos. Para saber toda a programação, clique aqui.
07 janeiro 2009
Velhaco jamais
O notável Ulysses Guimarães lascou no Fernandinho Jet Sky uma frase que ficaria célebre, entre tantas outras que o arauto da Constituição de 88 proferiu ao longo da vida: "velho sim, velhaco nunca!" Essa frase não me saiu da cabeça quando li uma porcaria de livro que ganhei de amigo-secreto na firma. É mais uma daquelas publicações caça-níqueis, e traz depoimentos sem muita informação relevante - com exceção da entrevista com Mino Carta, que desce o sarrafo nos Civita. Mas vamos nos focar no porquê da frase ter sido recorrente.
Quase todos os jornalistas entrevistados eram rapazotes quando houve o golpe de 64. E quase todos eles eram ou membros do Partidão ou defensores da causa comunista. Talvez por conta do autoritarismo do regime militar, o Partido Comunista atraía inúmeros admiradores e militantes, uma vez que espelhava a luta efetiva contra os gorilas de farda.
O espanto se dá no fato de que a totalidade desses jornalistas abandonaram o lado vermelho da força, assim como saíram do partido por divergências (a grande maioria por motivos pessoais, diga-se). Tornaram-se, podemos dizer, velhacos ao envelhecer. Porque uma coisa é você ficar velho, ranzinza e intolerante - sinto-me cada vez mais assim. Porém, isso não te faz abandonar suas crenças e suas lutas, haja vista Ulysses Guimarães e sua frase lapidar. Ao mesmo tempo que deixaram de lado o Partidão, todos esses caras passaram a ignorar a ideologia coletivista que prega o comunismo, chamado nessas bandas capitalistas de utópico.
A conclusão imediata é a de que eles não deveriam estar convictos de suas idéias e pegaram embalo no clima que pariu, entre outros males, a tal "esquerda festiva". Meu pessimismo com relação à humanidade me faz pensar diferente. Ao invés de se contradizerem por pura mudança de opinião ou fraqueza de discurso, talvez eles aspiravam a vitória que a força repressiva supostamente obtinha e, mais idiólatras que ideólogos, atravessaram a cerca.
Não há neles nenhuma base teórica, só que naquela época isso não tinha tanta importância. Primeiro porque os "caras do muro" eram minoria. Segundo porque esses paspalhos não ocupavam cargos de alta cúpula nos meios de comunicação. Pode ser que isso explique, além da decadência humana, o encaminhamento que a mídia brasileira esteja dando aos seus veículos, cada vez mais vendidos a interesses empresariais e cada vez menos servindo o bem-estar social.
06 janeiro 2009
Hora da Patrulha
Estava aqui com uma dúvida editorial para este blogue. Afinal, a Hora da Patrulha foi criada, em princípio, para vigiar a gestão Kassab. O impasse se deu por conta de algumas notícias sobre o governo Serra que eu queria falar por aqui, e não sabia se elas entravam ou não na seção. Decidi, finalmente, ampliar a base de atuação da Hora da Patrulha, afinal de contas Kassab e Serra é tudo a mesma coisa.
Então, vamos lá. Os últimos dias de 2008 serviram para o governador infestar o Rodoanel de pedágio. Apesar de pouco combatido, o fato abafou mais uma fracassada tentativa de privatização do tucano, dessa vez nas estradas estaduais. Segundo consta, algumas das concessionárias descupriram regras dos editais e, sim, estão tendo problemas para obter financiamento.
Já em 2009, o PHA publicou e-mail de seus leitores, alertando que o Comedor de Maconheiras estaria fazendo propaganda antecipada para 2010, mostrando as maravilhas da Sabesp em reclames da TV nos Estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Goiás, Distrito Federal, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Bahia, Ceará, Pernambuco, Alagoas, Maranhão, Pará e Acre. Que raios?
Finalizando (e voltando a mira para o generalzinho), deixo aos amigos uma pulga atrás da orelha. Lembram do rolo que deu no CEU Vila Formosa durante a campanha para prefeito? A Marta foi lá visitar e mostrou que a obra estava atrasada, o demo mandou proibir a filmagem das instalações e a prefeitura prometeu entregar a escola em fevereiro de 2009.
Queria saber a que pé anda aquilo tudo. O CEU Jaguaré, por exemplo, tinha previsão de entrega de um tal "Bloco Didático" para dezembro de 2008. Passei lá hoje de manhã e não vi absolutamente nada de novo no terreno que dá de frente aos abandonados galpões da Cooperativa Agrícola de Cotia. Das duas uma: ou ele descumpre mais essa promessa ou irá entregar prédios que colocam em risco a segurança de estudantes e professores.
Sorria, São Paulo. Sorria, Brasil.
05 janeiro 2009
Ei-lo, 2009
Eis que chega o ano novo e eu estou aqui sentado nessa cadeira fétida do escritório sem a mínima vontade de trabalhar. É de conhecimento geral e irrestrito que o ano só vai começar realmente depois da farra momesca, então para que a pressa? Pior são aqueles que insistem em meter o pé no acelerador o quanto antes, comportamento que me irrita imensamente. Só para contrariar, comecemos as atividades desse blogue na manha, falando de algumas coisas que aconteceram na surdina durante a passagem de 2008 para 2009.
- A Reforma Ortográfica já está valendo segundo a lei. Tratada aqui há algum tempo, reitero meu posicionamento totalmente contrário às novas regras, por acreditar que está se nivelando a língua por baixo. Não dá para aceitar certas preguiças e banalizações. Ainda hoje, me deparei com um dilema: como não domino as determinações da Reforma, li textos com erros de acentuação e grafia e não sabia se eram erros de fato. Quer dizer, eram erros, mas agora tudo será justificado pela mudança na ortografia. É o miguxês se proliferando.
- Nunca nutri grandes amores pela Copa SP de Juniores, apesar de usar a hegemonia corinthiana na competição para tripudiar os adversários. Nesses últimos dias - e, particularmente, no último domingo -, andei refletindo sobre categorias de base dos grandes clubes, o que me deixou bastante apreensivo e angustiado. Reportagem exibida no programa Terceiro Tempo, do Cabeção, mostrou a exagerada cobrança sobre a molecada que ainda se prepara para a carreira futebolística. Semanas antes, matéria semelhante havia sido feita pelo Esporte Espetacular. Tudo isso me fez rever diversas premissas.
A boleirada também detectou o problema. O técnico leonor, por exemplo, recomendou que os times de formação não joguem no esquema 3-5-2, a fim de priorizar a formação de meias habilidosos, assim como fez o Madureira. Já o dirigente verde Toninho Cecílio, ex-zagueiro, apontou outro porém com relação à utilização desse esquema tático: forma-se zagueiros de maneira errada por causa da linha de três defensores, forma-se laterais que não sabem marcar e extermina-se a essência das categorias de base (que é a de revelar futuros talentos), em prol de metas de desempenho que não levam a lugar algum.
Fora isso, há também a pressão do torcedor sobre essa molecada. Não que os garotos devam ficar sob uma redoma protetora - e suportar pressão no Corinthians é pré-requisito -, mas a cobrança deve ser feita de maneira natural e responsável, servindo para exaltar o amor à camisa e para criar a tal identificação entre time e jogador. Em tempos de extinção dos camisa 10, é necessário que utilizemos um pouco mais a racionalidade para salvar o clube que amamos dessa coisa parasita que é o mercado da bola.
- O couro está comendo na Faixa de Gaza. Novamente, a intolerância toma conta das cabeças pensantes e israelenses e palestinos se matam aos borbotões. Não ficarei aqui tecendo comentários sobre quem está certou ou errado, pois há vítimas e vilões de ambos os lados. A questão maior é outra: a arma. O mal do mundo nasceu com o primeiro grão de pólvora. Aqui no Brasil, nego lembra o furdunço do plebiscito das armas. A meu ver, resolver as coisas na bala é uma das estratégias mais nojentas que assolam o mundo.
- Já contaram a quantidade fantástica de feriados nesse 2009? É pra tirar a barriga da miséria...
26 dezembro 2008
Último do ano
Despedindo-me do blogue neste 2008, recorro novamente à retrospectiva do ano que passou. Muitas mudanças, mas nada que alterasse o preço do meu pãozinho. Consegui me encher o saco de dois empregos, ganhei menos dinheiro do que precisava e fiquei ainda mais descrente com o caminho que toma o jornalismo.
Sofri menos do que achei que fosse sofrer com o Corinthians em 2008, apesar da perda de um título. Mas, oras bolas, disputamos a porra do título! Ao mesmo tempo que sofri menos, acredito que a conjuntura fez com que eu utilizasse muito mais do meu tempo para o alvinegro em pensamentos e ações. Por isso, peço até desculpa ao amor e aos amigos - e sobre isso vem um post em 2009 sobre o livro "Febre de Bola", de Nick Hornby, que estou terminando de ler.
De qualquer maneira, se 2008 não foi lá grandes coisas, também não foi uma grande porcaria. Sobrevivemos, apesar de tudo, e temos que comemorar. Sinto que coisas como realização profissional antes dos 30, pós-graduações na Europa, aprender alemão e francês e saber escolher um bom vinho são cada vez menos importantes do que dividir uma boa cerveja entre os seus num buteco. O conhecimento está nas ruas, no povo e em sua arte. Se meu dinheiro conseguir comprar isso e pagar (algumas) contas, tá ótimo.
Alguns pode chamar isso de acomodação. Outros de vagabundagem. Prefiro acreditar que estou remando contra essa maré nociva que nos leva em direção à modernidade e à competitividade a qualquer custo. Preservo, assim, meu estômago e meu cérebro. Sinto, por fim, que ando envelhecendo rapidamente. Talvez isso é o que alimenta minha falta de paciência com quem não divide tal ânsia coletivista comigo.
23 dezembro 2008
Hora da Patrulha
Em menos de uma hora, várias ruas e avenidas de São Paulo ficaram sob as águas da fortíssima chuva que caiu na cidade. Coisas que ainda somos obrigados a ver, e que podem ser conferidas aqui. A imprensa alarmada - e a Globo ainda mais, porque o alagamento foi em sua porta - fazia jogo de cena com as imagens de pessoas perdendo carros, casas, estabelecimentos comerciais e, por pouco, a vida.
Viu-se água, muita água. Viu-se choro e agonia de quem levou prejuízo. Mas sumiram do mapa o generalzinho Kassab e seu chefe, o governador dos pedágios José Serra. Ah, é recesso. Eles estão descansando...
Sorria, São Paulo. De boca fechada, pra não entrar água.
22 dezembro 2008
Assassinos da CLT
Do Estado Novo de Getúlio Vargas, as principais lembranças são as arbitrariedades desse governo ditatorial. Foi época de perseguições a imigrantes e comunistas, além do nacionalismo ufanista e das fotinhos do gaúcho nas repartições públicas. Porém, Getúlio era esperto - ao contrário das bestas em uniforme que tungaram o poder a partir de 1964 - e sabia aliviar as coisas para o povo, tanto que logo teve seu governo chamado de populista.
Foi esse populismo malandro que permitiu, por exemplo, a Consolidação das Leis do Trabalho, a famosa CLT. É por conta do trabalhismo getulista que hoje podemos cobrar férias, 13º e outros direitos. Ou seja: se o cara metia o sarrafo de um lado, mais precisamente nas forças políticas contrárias as suas, do outro trazia benefícios à população que o mantinha no topo. Grosso modo, também foi assim com o grande Fidel Castro, só que em outro contexto. Jânio, ao renunciar, também queria ter esse tipo de legitimidade popular, inspirado naquilo que havia visto em Cuba - o etílico presidente, no entanto, esqueceu-se só dos benefícios ao povo.
Hoje em dia, no entanto, as empresas contratantes vivem achando um jeitinho de burlar ou, ao menos, enfraquecer a CLT. No jornalismo, então, a coisa é feia. A maioria dos colegas trabalha no regime de prestação de serviços, sendo obrigados a criar uma empresa e fornecer nota aos contratantes. Abrem mão de toda e qualquer salvaguarda das leis do trabalho por conta de uma "necessidade de mercado" e enfraquecem a categoria. Outros, entre os quais me incluo, são contratados via CLT, mas seguindo regulamentações de sindicatos que são mais patronais do que de classe. Essas entidades jogam lá para baixo o piso salarial e ajudam na deteriorização da profissão, apesar de viabilizarem a contratação por garantir menos encargos aos empregadores.
O golpe na CLT, ao que parece, deve ser consolidado com a eleição de José Serra (o dos pedágios) para a presidência da República. Sob a desculpa da crise, entusiastas da candidatura presidencial do governador paulista sugeriram, com o óbvio apoio da mídia, uma flexibilização nas regras de contratação e demissão. A ameaça vem logo a seguir: risco iminente de demissões.
Melhor trataram desse golpe o PHA e o Azenha. Este último, aliás, reproduz o editorial do Brasil de Fato, que faz uma brilhante comparação entre essa proposta e as desculpas para a promulgação do AI-5. Mais do que a tal crise econômica, é preciso começar a se preocupar - e muito - com o que vem por aí a partir de 2010. A coisa promete feder, principalmente porque haverá a tentativa de se revogar a única garantia dos trabalhadores. E aqueles que se submetem a essa flexibilização deveriam ter a noção de que estão colaborando com algo nocivo e irreversível.
19 dezembro 2008
A palhaçada da FPF
A Rede Globo determina o horário de nossas idas aos estádios há anos e, a cada campeonato, inventa uma novidade para contemplar as necessidades da sua grade de programação. Hoje em dia, é raridade jogos de quarta-feira às 20h30 ou domingo às 16h. Se antigamente esses tradicionais agendamentos estavam na ponta da língua até de quem nunca havia pisado numa arquibancada, agora nem mesmo os assíduos sabem dizer a hora em que seu time joga.
Diante dessa palhaçada toda, Federações regionais - que deveriam proibir tal lambança no relógio do futebol - baixam a cabeça e aplaudem toda e qualquer invenção da Vênus Platinada. A contrapartida são o abafamento de escândalos de enriquecimento ilícito e uma boa cota de patrocínio, além do tráfico de influência.
Para 2009, a FPF novamente ficou de quatro para a emissora e tratou de oficializar alguns absurdos no Paulistão. Vejam:
- todos os domingos haverá uma partida às 11h (!!!), com transmissão;
- o campeonato será aberto numa quarta-feira, às 16h30;
- o Corinthians estréia numa quinta, às 19h30;
Vê-se que a Globo, com toda aquela palhaçada de "jogo das famílias" e de usurpação dos cantos das organizadas com letrinhas na tela, caga e anda para o torcedor. Não interessa se o cara trabalha de quarta-feira e não pode sair para ir a um jogo às 16h30. Estão pouco ligando se o jogo que começa depois da novela termina depois que o metrô fecha. Não querem nem saber se os jogadores não sofrerão fadiga desnecessária por conta do calor com as partidas às 11h. O negócio é faturar com publicidade e pay-per-view.
Fora dos gabinetes globais, os colegas jornalistas silenciam. Talvez por sonharem em fazer parte do expediente da emissora. Ou por pura falta de senso crítico, aliada à incompetência. Ajuda também o poder público, pois basta lembrar o veto do generalzinho à lei municipal que proibia a realização de jogos com início depois das 20h30.
E aí, torcedor? Vai ficar parado?
18 dezembro 2008
Hora da Patrulha
Não demorou nem janeiro chegar... Aliás, estava com saudade da Hora da Patrulha. Vamos aos fatos.
Quem não se lembra daquela propaganda bonita do Kassab, com as crianças todas SORRINDO pelas escolas e tendo aulas com professoras felizes com seu salário justo? Pena que isso jamais correspondeu à realidade. Lembro que ele foi até proibido de fazer propaganda gratuita para o Leite Ninho, um dos chamarizes de sua campanha eleitoral.
Era, de fato, uma belíssima cena aquela do molequinho bebendo seu leite e dizendo "saúde, Kassab" para a câmera. O que eu queria agora era ir na casa desse pentelho e ver se o leite está no armário. Isso porque, passadas as eleições, a prefeitura reduziu o número de latas de leite distribuídas pela rede de ensino. Pudera, devem ter gastado tudo de julho a outubro.
Já em novembro, as escolas municipais receberam menos leite do que sua quantidade de alunos. Dessa forma, novembro e dezembro passou em branco pra muita gente, e não é o branco do leite.
Sorria, São Paulo!
17 dezembro 2008
O que faz a falta de pauta
Fim de ano é uma grande porcaria. Talvez por isso eu odeie o Natal e sempre procuro passar o Ano Novo fora de São Paulo. Essa cidade, depois do dia 20 de dezembro, é um túmulo. Pior de tudo é ter que trabalhar até dia 23... Bom, chega de chororô, que eu não sou botafoguense. Alguns pitacos sobre o (pouco) que eu ando lendo por aí.
- Depois da contratação fenomenal, o que tem de jornalista vestindo a camisa anticorinthiana não tá escrito. Nego tá secando tanto que vai acabar ajudando. Conforme vi comentários por aí, a inveja é tão grande que depois do réveillon, o Ronaldinho vai estar mais magro que o Sócrates. Aliás, mais um texto ótimo de Mauro Carrara sobre uma gafe do Jornal da Placar - que há dias deu que era piada a ida do jogador ao Corinthians - saiu no site do Azenha.
- Errei-rá está bravo. Os babacas que gritava seu nome das numeradas e vestem roxo também. Pobrezinho do argentino perna-de-pau... O que esse povo precisa aprender é que correr e dar carrinho não é demonstração de raça, mas sim compensação para a falta de habilidade. Estamos disputando a São Silvestre? Não? Então pra que pagar 7 milhões num cara que é pior que minha vó? E cadê aquelas propostas da Europa pra esse merda? Se não um time do interior da Argentina não o quer, por que o Corinthians iria querer?
- Parabéns ao José Serra, prefeito e governador de São Paulo. Meteu logo um monte de praça de pedágio no Rodoanel e agora a capital paulista vai parar. Até o Mário Covas deve estar se revirando no caixão, já que o projeto original da obra previa a imbecilidade de se cobrar pedágio no anel viário. E o generalzinho está meio quieto, o que indica que vem coisa em janeiro. Por enquanto, ele está se contentando em fechar bares e restaurantes, além de alimentar a indústria de multas.
- O dia em que o povo tiver a noção do que é ter um presidente da República que fala "sifu", as coisas irão melhorar significativamente. Aliás, tenho comigo uma cena antológica, que pode ser conferida no documentário "Entreatos", de João Moreira Salles. O cineasta acompanhou a campanha de 2002 de Lula e, num dos milhares vôos da corrida eleitoral, o ex-operário solta para seu vice, José Alencar: "o problema é que o FH não toma umazinha. Como é que pode alguém não tomar umazinha? E aquele gramadão lá do Palácio? Se eu ganhar, vou encher aquele gramado com meus cabritinhos". É isso.
- Eu sou Aldo Rebelo pra Câmara!
16 dezembro 2008
Museu do Futebol: o engodo II
Em 03 de outubro, falei por aqui sobre o Museu do Futebol inaugurado sob as sagradas arquibancadas do Pacaembu. Tratei a obra com muito desdém, já que ela tinha idealizadores para lá de suspeitos, além de seguir preceitos pouco nobres, como a modernização do esporte. O prudente amigo Fernando Cesarotti, responsável jornalista que é, alertou nos comentários: "Porra, japonês, vá lá ver primeiro, também não precisa entrar de sola com todas as pedras na mão". Seguindo o conselho dele, fui lá no último domingo. E achei uma pena que a visita não serviu corroborar as palavras do Cesarotti.
Em linhas gerais, é um museu muito bem equipado, todo cheio de parafernálias tecnológicas e até um bom acervo, principalmente no que diz respeito ao audiovisual. O problema é que a coisa não vai muito além e traz poucas novidades. Mais (ou menos) do que isso, apesar de estar no Templo Sagrado da bola, o Museu do Futebol pouco inspira paixões.
Vou apegar-me à única coisa que me chamou atenção. Logo após o salão do primeiro andar, há uma escadaria e alguns telões que ficam bem embaixo de onde montam guarda os Gaviões da Fiel. Coincidentemente, esses telões prestam homenagem às torcidas organizadas do país, mostrando cantos e as festas nas arquibancadas. Existe inclusive uma espécie de duelo entre os principais rivais que ficou muito interessante. É possível passar um bom tempo apreciando as imagens, apesar do cheiro insuportável de mofo, uma vez que as estruturas foram montadas aproveitando as vigas do estádio e sobre o barranco que cai da Rua Itápolis.
Sendo repetitivo, assim como é esse museu, a visita só vale a pena por conta dessa área das torcidas e dos vídeos e sons disponibilizados. Para quem conhece um pouco mais das histórias do futebol, já antecipo: erros de informação serão encontrados em número relativamente elevado. Também se fala muito pouco sobre o estádio que o abriga, apesar das milhares de histórias maravilhosas que possui a Casa da Fiel. Portanto, fica a dica: vá durante a semana (em férias, obviamente), porque a lotação aos sábados e domingos é elevada e você não aproveita aquilo que o museu tem de melhor.
Não dá para finalizar esse texto sem mencionar o trágico bar que fica ao lado, denominado "O Torcedor". Cheio de bichices totalmente alheias ao futebol, ele só se salva por conta do entorno. Afinal de contas, é fantástico poder sentar à beira da Praça Charles Miller e ao lado do Pacaembu para tomar um chopp (Brahma, apenas correto, a R$4,20). Pedi, inclusive, um hambúrguer para ajudar o figueiredo na digestão, depois de ter constatado o maior erro desse bar: como se chamar "O Torcedor" se você não tem sanduíche de pernil no cardápio?
Roteiro completo percorrido, o veredicto continua o mesmo. O Museu do Futebol e sua estrutura complementar é muito menos do que tentaram mostrar. Além de ter prejudicado toda a fachada do Pacaembu com suas portas de ferro à la 25 de Março, ele pode ser o responsável por alimentar uma geração de alienados que preferem uma camisa do Manchester ao manto do Juventus da Mooca. A quem for e gostar, perdão, mas eu continuo achando aquela merda um engodo.
15 dezembro 2008
Vitória nas barricas
Verdadeiro sucesso foi o Jogo das Barricas realizado no último sábado, dia 13, com a peleja entre corinthianos e parmerenses. O resultado, é óbvio, foi favorável para o lado alvinegro, com o placar mostrando estrondosos 13 a 11. Detalhe: o escrete corinthiano jogou com dois moleques de não mais de 8 anos, além de um goleiro vesgo (isso graças aos furões que não apareceram para completar nosso plantel).
Mais do que a partida em si, no entanto, a vitória aconteceu na simples realização do evento. Reafirmou-se a maior rivalidade do mundo, bebeu-se Brahmas geladas e se falou de causos sobre esse apaixonante esporte que é o futebol. Ou seja, foi uma festa do povo.
Devo ressaltar que a primeira edição do Jogo das Barricas é a faísca que deverá permanecer acesa daqui para frente. Há, inclusive, muitos interessados em participar e que não o fizeram por conta de compromissos de final de ano e incompatibilidade de agenda. A todos, lembramos que, a partir de janeiro, é hora de nos mobilizarmos novamente a fim de promover ao menos uma edição anual.
Impressionante é ver como um Corinthians e parmera atrai todos os holofotes, mesmo sendo a disputa feita num campo society e com um bando de perna-de-pau (com exceção ao corinthianíssimo Mandioca, que carregou nosso time nas costas). Para se ter uma idéia, fui interpelado de minuto em minuto pelos gaiatos que ficaram de olho nos arredores, todos em busca do placar final. É, de fato, o maior clássico do mundo.
Finalmente, presenteio os leitores com frases antológicas proferidas pelos membros da família Pacífico, que jamais fazem questão de colocar em prática o que diz o próprio sobrenome. Lá vão:
- "Eu não consigo me entristecer com Santa Catarina. Veneza é igual, só que nego acha lindo."
- "O sul não é contra a migração? Então foda-se, eles que se virem pra arranjar comida."
- "Aliás, eu também sou contra a migração."
- "Que você tem contra o Maluf? É óbvio que eu votei no Maluf, inclusive no segundo turno. Olha aqui o meu vídeo anulando o voto."
- "Ué, japonês. Cadê os preto corinthiano? Tem dois alemão e um oriental e não tem preto?"
- "Li (sic), passa a bola, caralho!"
- "Ju (sic), passa a bola, caralho!"
Até a próxima edição!
12 dezembro 2008
Genialidades
O que se segue aqui são obviedades. Justifico-me lembrando de um professor na faculdade que dizia que uma boa pauta é aquela que enxerga justamente a obviedade, porque a maioria das pessoas tendem a fugir do óbvio por conta das manipulações, correndo o risco de passar batido pelo que realmente interessa. Tratarei, a partir de agora, de duas genialidades com as quais me deparei essa semana.
O primeiro gênio atende pelo nome de Kiko Dinucci. Quem anda pela noite ou já o viu nas quartas do Ó do Borogodó sabe do que eu estou falando, mas não deve saber de tudo. O cara, antes um roqueiro, virou seus olhos para o samba (e principalmente o samba paulista) depois de se cansar da simplicidade musical do gênero norte-americano. Além de excelente músico, atua com maestria em outras frentes nas artes, seja fazendo gravuras ou dirigindo filmes (realizou um documentário sobre o Exu no Brasil). Provocador, ele afirma que o samba de hoje é tudo mesmice. Kiko tem autoridade para falar, já que mistura ritmos e influências com muita propriedade e sem perder sua veia verdamarela. Confira abaixo dois vídeos que comprovam o que estou querendo dizer:
Voltemos agora lá para a primeira metade do século XX, mais precisamente na década de 30. Foi nesse período que o estupendo Ary Barroso, ao lado do não menos brilhante Lamartine Babo, escreveu "No Rancho Fundo". Ela também segue abaixo em vídeo, com a letra, interpretada pela dupla Chitãozinho e Xororó. Sobre Xororó, aliás, só um comentário: como pode um cara com uma puta voz dessa parir Sandy e Jr., ambos de garganta fraquíssima e comportamentos indignos?
Bom, esqueçam isso, pois o post é sobre gênios. Eis a outra pérola:
"No rancho fundo
Bem prá lá do fim do mundo
Onde a dor e a saudade
Contam coisas da cidade...
No rancho fundo
De olhar triste e profundo
Um moreno canta as máguas
Tendo os olhos rasos d'água...
Pobre moreno
Que de noite no sereno
Espera a lua no terreiro
Tendo um cigarro
Por companheiro...
Sem um aceno
Ele pega na viola
E a lua por esmola
Vem pro quintal
Desse moreno...
No rancho fundo
Bem prá lá do fim do mundo
Nunca mais houve alegria
Nem de noite, nem de dia...
Os arvoredos
Já não contam
Mais segredos
E a última palmeira
Ja morreu na cordilheira...
Os passarinhos
Internaram-se nos ninhos
De tão triste esta tristeza
Enche de trevas a natureza...
Tudo por que
Só por causa do moreno
Que era grande, hoje é pequeno
Pra uma casa de sapê...
Se Deus soubesse
Da tristeza lá serra
Mandaria lá prá cima
Todo o amor que há na terra...
Porque o moreno
Vive louco de saudade
Só por causa do veneno
Das mulheres da cidade...
Ele que era
O cantor da primavera
E que fez do rancho fundo
O céu melhor
Que tem no mundo...
Se uma flor desabrocha
E o sol queima
A montanha vai gelando
Lembra o cheiro
Da morena..."
11 dezembro 2008
Pintura sem arte
"Mas se é pra chorar, choro cantando
Pra ninguém me ver sofrendo
E dizer que estou pagando"
Houve o tempo de contemporizar. Houve o tempo de relevar. Houve o tempo de deixar de lado certas incertezas por conta de uma certeza.
Problema é quando essa certeza se vê em xeque por sutis e pontiagudas palavras. Palavras que entram na alma e na carne como prego enferrujado e ecoam até mesmo no sono mais profundo.
Fazer mal na tentativa de remediar é, talvez, a maior das frustrações. Porque isso inverte a ordem natural que dá alento para nossas ânsias.
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