15 janeiro 2009

Anotem alguns nomes


A crise, como era de se esperar, trouxe na bagagem o desemprego. Corta daqui, acerta dali, o consumidor diminui sua voracidade e deixa de comprar. Assim, cai o ritmo de produção e as empresas vêem seu faturamento entrar no vermelho. Espertos como são, resolvem mandar funcionários pro olho da rua e, assim, ajudam a piorar a recessão econômica.

Há nesse esboço simplório do funcionamento do mercado um elemento que, aos olhos dos patrões, é imutável - ou como diria o outro, imexível. Os empresários pressionam o governo por mais incentivo na produção, auxílio na movimentação da economia e, principalmente, pela flexibilização da CLT. Chegam ao cúmulo de sugerir diminuição da jornada de trabalho combinada à redução salarial (e assim vão na contra-corrente da solução mais óbvia para o desemprego estrutural). O fator imexível, porém, é a margem de lucro. Nela ninguém toca, nem menos tocam no assunto.

A Falha de ontem deu o megafone para Paulo Skaf, tucano dos bastidores que está aparecidinho na mídia e provavelmente irá sair candidato em 2010. Skaf é presidente da Fiesp e hoje é o porta-voz do supracitado absurdo que é a redução de jornada e de salário. Tudo isso sem a garantia de manutenção do emprego, diga-se. Na cola, Gilberto Dimenstein repete o discurso em sua coluna. Coloca, logicamente, a culpa no governo Lula - gestão que mais criou empregos na história do país - e cutuca o ministro do trabalho, acusando-o de propagandista da própria imagem.

É imprescindível que guardemos esses nomes: Paulo Skaf e Gilberto Dimenstein. Eles assumiram a bronca de carregar a bandeira da flexibilização. Depois, lá na frente, a gente pega o saldo e bate na porta desses imprestáveis para cobrar a fatura. Porque restrição aos direitos dos trabalhadores não deveria passar pela cabeça de ninguém, mas a corja das redações fica quietinha, com medo de ser dispensada do seu frila-fixo. E o povo que se foda.

4 comentários:

Claudio Yida Jr disse...

Vale dar uma lida neste link. Lembro que, ao aceitar a flexibilização, corre-se o risco de não serem mantidos os empregos e a exceção virar regra. E aí é o fim da CLT.

Claudio Yida Jr disse...

Mais um link, esse do PHA.

cruzdesavoia disse...

Sim, grande Cráudio! Eis outra agenda do stablishment que navega sob o céu de brigadeiro de uma imprensa passiva, corrupta e golpista.

Filipe disse...

Sorria!...
Nóis entremos numa Frias...