22 março 2010

Eu Rio


Há diferenças no estado de espírito do Rio de Janeiro e São Paulo que explicam muito da minha adoração pela primeira e ojeriza pela segunda. O comportamento diante das coisas mais valiosas da vida, o eterno ímpeto gozador e tantas outras facetas de um pessoal que prefere viver na boa, ao invés do individualismo e compromisso com as necessidades capitalistas típicos da terra da garoa, são alguns exemplos.

O problema é que essa minha preferência é defendida a partir de argumentos emocionais e, no caso de alguém não valorizar as mesmas coisas que eu, fica difícil arrebanhar mais aficionados pela Cidade Maravilhosa. No entanto, percebi algumas justificativas pontuais e factuais que talvez possam convencer o paulista mais fanático a, pelo menos, respeitar o Rio - calma, não vou citar passeata chapa-branca e nem governador chorão.

Notem a curiosidade: há nas duas principais cidades do país uma iniciativa muito forte de repressão social. Os estádios de futebol pouco a pouco são redesenhados para deixar o povão de fora, os vendedores ambulantes são cada vez mais tratados como bandidos, há leis proibindo o fumo dentro de bares e restaurantes e uma nojenta determinação federal que, nas grandes capitais, se tornou a oficialização da propina. Vamos nos ater a essa última questão.

Não julgo o mérito de tirar os motoristas embriagados das ruas. A questão é o auê criado em torno do aumento da fiscalização, deixando as ruas num estado de guerra permanente. Ao mesmo tempo, aqui em SP ainda é muito caro andar de táxi, tanto pelas grandes distâncias quanto pelos congestionamentos, e o sujeito acaba arriscando. O maior absurdo, porém, é criminalizar alguém que bebe duas cervejas depois do trabalho e sai dirigindo (e esse cara não está bêbado, vamos combinar). A fim de ajudar quem não é irresponsável e que não se submete ao fascista regime de internação alcoólica, criaram no twitter o perfil @LeiSecaRJ. Com mais de 43 mil seguidores e atualizações a todo instante, o troço demonstra claramente aquele estado de espírito citado no início do post. Deste lado da Dutra, apareceu bem depois o @LeiSecaSP, que possui a mesma finalidade do irmão carioca, mas conseguiu agregar apenas 2,5 mil seguidores e parcas informações.

Perceberam a diferença? O paulista, e principalmente o paulistano, é um cavalo domado que só vai para onde aponta o beiço. Ele aceita passivamente e até acredita nas bobagens de algumas regras visivelmente nocivas - e isso pode ter origem na valorização ridícula da dita "Revolução de 32" -, sem se dar conta que está jogando no lixo costumes e tradições riquíssimos. Para se ter uma idéia, se antes da lei antifumo era normal acender um cigarro num buteco, hoje em dia há que faça cara feia para qualquer sinal de fumaça na mesa ao lado.

Nessa toada, não seria exagerado afirmar que São Paulo vem passando por uma falência generalizada (talvez os 16 anos de tucanagem seja o princípal indício) e deve ser o lugar mais odiado pelo Brasil inteiro, principalmente por tentar se isolar a qualquer custo da pátria que a construiu. O paulista é metido a besta, é cagüeta, é conservador e é ignorante com relação à sua própria trajetória. Ele não se ajuda e prefere assistir ao CQC e votar no Kassado. E eu? Eu Rio. Rio demais!

3 comentários:

Nikimba disse...

Revolução de 32 foi uma piada... onde já se viu "burguesia" fazer "revolução", a familia Matarazzo tentou mas caiu por terra... O problema de SP é não ter "identidade", quem é paulistano em SP ?!?! é uma mistura de gente que vêm para "ganhar dinheiro" (pode ver pela nova imigração chegando; koreanos, chineses, bolivianos escravos, uma orgia exploratória) e vai embora, uma classe média tacanha que não consegue ver além do seu próprio umbigo (só a espera de comprar seu novo Iphone) e que no fim paga impostos de 40% ao ano e acha que o "serra" será a solução do meu e do vosso problema.
No fim somos todos brasileiros com suas diferenças e particularidades e se matando em busca do "não sei o que"

Corinthiano disse...

Desculpe pelo longo cometário, mas ando puto com td isso...

VC "RIo" e eu choro, ta cada vez mais dificil ficar em sampa. Aqui meu caro, como vc escreveu aceitamos tudo, é a mais pura verdade, onde deveríamos ter um transporte público de qualidade (e educação para usa-lo) a preços acessiveis, vias expressas, tuneis e viadutos, não, ganhamos o rodizío o limite dos fretados...

Na vizinha Diadema ao invés de educar e arrumar qq outra grande idéia, não, feche os bares bem cedo para ninguém sai por ai matando as pessoas.

Ao invés de criarem bares que não aceitem os fumantes, não, tiram o direito do cara fumar num bar...

São apenas alguns exemplos, mas percebe que todas as leis mitigam, mas passa longe de ser a solução? Ai que eu pergunto quais são os verdadeiros interesses?

Espero ao menos que o kassado aprove a lei das 23h15, por eqto, só silêncio...


Obs: Trabalho a 10km da minha casa, na ultima sexta-feira meu retorno durou 2h30, adivinhe a descupa? Greve dos profº!
1º Nem passei perto da Paulista,
2º Como uma greve teria impacto
numa praça?
3º Nenhum acidente no percurso...


Pobre São Paulo, pobre paulista!

Clayton

Geziel disse...

A muito tempo cheguei a conclusão de que qualquer lugar fora de São Paulo é muito melhor...Só nos paulistanos não percebemos isso, não somos cegos mas também não queremos ver isso.

Geziel