17 março 2010

Santa subserviência


Curiosa essa mobilização para celebrar o padroeiro irlandês aqui no Brasil. Nos últimos anos, assim como no Halloween, o pessoal vestiu a camisa da subserviência e incorporou ao calendário datas muito pouco brasileiras, ao mesmo tempo em que muitos se orgulham em ignorar o Carnaval. Nacionalismos à parte, também chama atenção e não me entra na cabeça a desculpa para que o tal dia de St. Patrick seja tão esperado: beber cerveja.

Ora, e desde quando é preciso o dia de um santo que não tem nenhuma relação com nossa cultura ser justificativa
para entornar umas geladas? Nesse 2010, por exemplo, a data caiu numa quarta-feira. Salvo aberrações promovidas pela Globo, quarta-feira é dia de futebol e, conseqüentemente, dia de beber com amigos num bar, na porta do estádio ou na frente da televisão.

Esse papo, aliás, me lembra de outra inversão de valores: a importação dos pubs. Causa-me pavor quando me chamam para esses lugares, primeiro porque são claustrofóbicos e, depois, por conta do que servem. Geralmente, o anfitrião se gaba pelos milhares de exemplares disponíveis na carta, vindos de lugares impensáveis e que custam preços astronômicos. E eu sempre passo vergonha perguntando se eles vendem Brahma... Só para não parecer chato, esclareço que não sou um xenófobo das ampolas. Gosto muito da mexicana Dos Equis, da norte-americana Miller e da uruguaia Norteña. Ainda assim, se juntar uma na bunda da outra, elas não me dão o prazer que a Brahma proporciona.

Talvez seja essa a razão de minha ojeriza pelo St. Patrick Day. É uma exaltação à cerveja de gosto ruim e, pior, à bebedeira inconseqüente. O bêbado é vulgarizado, desmistificado, banalizado por uma representação oportunista de um santo cuja significância está a milhares de quilômetros de nós. Eu gostaria de contabilizar, por exemplo, quantos corinthianos irão cometer a heresia de se vestir de verde nesta quarta, já que a cor é a marca registrada da data. Para vocês verem como o troço é constrangedor...

5 comentários:

Nikimba disse...

Boa observação !! acredito que seja uma forma do brasileiro ficar "conectado" (não sei se essa palavra é a correta para ocasião), com o que os gringos "vivem" ou "consomem" e esse comportamento não é só especificamente brasileiro, está também acontecendo fora do país, uma marginalização do que é "nacional" e uma absorção sem critério ou se quer filtro do que vem de fora. E ainda por cima pagam de "moderno".

Opus Dei disse...

Muito bom o texto, aliás vi a dica do seu blog, em algum blog que não me lembro e achei muito bom os textos, ta salvo na leitura diaria. Vai Corinthains hoje é noix. abs

Corinthiano disse...

Claudio,

Não gosto "muito" de trazer costumes de gringos pra cá -odeio ralouin - por outro lado, sou fissurado por cervejas a Brahma é minha predileta, mas eu piro muito nas cervejas Guiness, Erdinger e Harpp(até então nada errado só pq é importado, correto?) nem sempre posso pagar pra tomar essas brejas, até pq não costumo encostar meu cotovelo num balcão pra tomar "duinhas", hj deverá rolar mtas promoções para bber na mesma quantidade e pagar metade e vou aproveitar, um salve pra St Patrick! E outros milhões de salves ao São Jorge! Os bares atualmente pegam a terça-feira para dar chopp em dobro, legal! Mas prefiro cerveja.

Abraços

Clayton

Claudio Yida Jr disse...

Nikimba, é a "modernidade" que querem nos empurrar goela abaixo desde o princípio da colonização...

Opus Dei, valeu pela visita, apareça sempre!

Clayton, até entendo que as importadas são bem caras e que nesse dia os caras baixam os preços. Mas aí não é mais um motivo pra desconfiar dessa comemoração? Se os caras podem fazer promoção, pq não criar uma demanda de consumo natural, ao invés de cobrar R$20 numa garrafa nos outros 364 dias do ano? E reitero, novamente, que não sou contra essas cervejas, até porque mencionei as que gosto. Abraço!

Corinthiano disse...

Aproveitei e li o texto do bebado!
Perfeito ClAUDIO!

Outro dia me peguei numa discussão com algumas pessoas que não se conformavam como eu poderia tomar minhas cervejas as segundas, ou até msm ir ao bar sozinho (até pq lá a amizade é garantida). É dificíl entenderem qdo vc realmente gosta muito de algo?