11 janeiro 2010

Curtas


- Fez mais sucesso do que o esperado a minha espinafrada no mundo corporativo. O que era um desabafo se tornou um pequeno manifesto e me deixou bastante feliz saber que ainda há muita gente aversa a essa palhaçada. O troço teve também alguns desdobramentos via e-mail, mas nada que uma resposta atravessada não resolvesse. Noves fora, agradeço às manifestações e acredito que é possível "contaminar" aqueles do nosso entorno para mudar essa conduta nociva que infesta o mercado de trabalho.

- Copa SP comendo solta e, do elenco todo do Corinthians, percebo dois possíveis reforços para o time principal. O camisa 10 William, deslocado para o meio-campo, na verdade é um belíssimo centroavante. Na ponta, o veloz Elias lembra os velhos pontas habilidosos. Agora, eu não entendo o porquê de tanta falação sobre o tal Dodô. Ruim e mascarado demais.

- Reflexão do Twitter: "Narigudo, 36. André Luís, 30. Marcelinho Paraíba, 34. Bosco, 35. Jorge Wagner, 31. Washington, 34. E o #Corinthians é o time dos trintões..." E aí, corinthiano? Já contou quantas vezes só nesses últimos dias você escutou que o Coringão é time de velho, enquanto lá na vila sônia as coisas são fruto da organização - ainda que dois jogadores tenham colocarado os patrões no (ui) pau? Como disse um amigo meu, não chamam os leonores de trintões porque elas são o time das balzacas...

- Há um mês, bairros da Zona Leste estão alagados por culpa do desgoverno demo-tucano. Amanhã teremos uma Hora da Patrulha que vai compilar tudo que li sobre as enchentes em SP. Já comece a sorrir.

- Férias, ainda que forçadas, são ótimas. Hoje é segunda-feira e eu tô cagando e andando.

06 janeiro 2010

O tal mundo corporativo


Encerrou-se minha curta passagem pelo mundo corporativo numa rede varejista de artigos esportivos. Em menos de um ano, reaprendi o que já tinha visto no período de estágio, quando presenciei in loco a postura de jornalistas de renome vibrando com as bombas sobre Bagdá na invasão estadunidense ao Iraque. Triste não é ser demitido, e de certa maneira achei até bom porque estava em vias de entregar minha carta, mas sim ver algo que tinha um potencial incrível de crescimento não sair do lugar por conta de despreparo gerencial e de certas burocracias - alguém lembra aí que uma das "vantagens" das privatizações era substituir os morosos procedimentos estatais pela agilidade das empresas?

Vejam que o troço era tão desafiador e promissor que a equipe contava até com uma inédita área de redes sociais, no caso com este que vos escreve. No entanto, como em todo projeto bem sucedido, o planejamento de ações e a estratégia devem partir de baixo para cima, ou seja, com o chão de fábrica levando às instâncias superiores as idéias, os riscos e a previsão de resultados. É até lógico, uma vez que são esses profissionais que estão lidando dia-a-dia com aquilo que se quer tratar. Porém, no mundo corporativo isso é mero discurso.

No mundo corporativo, as coisas funcionam por meio de chamados na intranet. Se você precisa, por exemplo, de uma pasta no servidor para abrigar um simples blogue construído no Wordpress, isso demora mais de seis meses. No mundo corporativo, se você quer enviar um e-mail marketing, é necessária uma solicitação à TI (ou Tudo Incompetente) pré-histórica, e as métricas e relatórios nunca serão retornados. No mundo corporativo, se você tem um papo que engana gerentes e diretores, você é considerado gênio, mesmo não apresentando nenhum retorno do seu blablablá. E, principalmente, no mundo corporativo você escuta aquele mantra de que é preciso "pró-atividade, ousadia, espírito de vencedor, trabalho em equipe e iniciativa", ainda que o salário não condiga com a pregação.

Grandes empresas são verdadeiros ninhos de cobras, uma querendo passar a rasteira na outra. E os empresários adoram seus funcionários em constante clima de guerra para ver quem vai mostrar mais serviço, a qualquer custo. É a potencialização da mais-valia da pior maneira, com o assalariado se conformando com a exploração do seu trabalho e subvalorizando sua ética em busca de um lugar ao sol que pode nunca aparecer.

De saldo positivo, alguns amigos e o conhecimento adquirido - mesmo que metade do que o proposto não tenha se concretizado - com a valiosa experiência na área de marketing, para onde provavelmente me encaminharei daqui para frente, haja vista a degradação do jornalismo. De inovador, vi meu gerente não tendo a coragem de me mandar embora e aceitando uma outra demissão via MSN, sem contestação (talvez por isso ele tenha bloqueado o MSN da equipe, sob a alegação de distração e consumo de banda). De certezas, eu pretendo nunca mais fazer parte desse sistema vil e paranóico. Será que é tão difícil as pessoas compreenderem que a gente só trabalha para poder pagar nossas contas, nossa cerveja, um passeio de fim de semana com a amada
, nosso ingresso no futebol e nosso churrasco? É tão criminoso pensar dessa maneira?

05 janeiro 2010

Sem afobação, um dos mais fortes elencos


Ando vendo por aí muita desconfiança relacionada ao elenco que vai defender o Corinthians em nosso Centenário. O mais badalado reforço, inclusive, causa certo pavor em muitos e até mesmo neste que vos escreve. Porém, é o que temos e devemos apoiar como sempre.

Vale lembrar, no entanto, que o grupo de jogadores para a Libertadores deste ano talvez seja o mais forte e equilibrado de todos os tempos. Vejamos o histórico de participações alvinegras no torneio e as equipes-base e alguns outros nomes do elenco.

- 1977*: Tobias, Zé Maria, Moisés, Ademir, Wladimir; Ruço, Basílio, Luciano, Vaguinho, Geraldão e Romeu
* Time do Campeonato Paulista de 77. Não encontrei referências sobre o elenco na Libertadores daquele ano, e possivelmente a zaga pode ter Zé Eduardo e o meio-campo pode contar com Givanildo.

- 1991: Ronaldo, Giba, Marcelo, Wilson Mano, Guinei, Jairo; Márcio, Ezequiel, Neto, Tupãzinho, Edson Pezinho, Fabinho, Paulo Sérgio, Viola, Mauro e Mirandinha.

- 1996: Ronaldo, André Santos, Henrique, Célio Silva, Silvinho; Bernardo, Zé Elias, Marcelinho Paulista, Marcelinho, Tupãzinho, Robson, Leonardo e Edmundo.

- 1999: Nei (Maurício), Indio, Cris, Gamarra, Batata, Silvinho; Vampeta, Rincon, Marcio Costa, Edu, Marcelinho, Ricardinho, Dinei, Fernando Baiano, Edilson e Mirandinha.

- 2000: Dida, Índio, Fabio Luciano, Batata, João Carlos, Kléber; Vampeta, Gilmar, Marcio Costa, Marcos Senna, Marcelinho, Ricardinho, Luizão, Edílson, Ewerton e Gil.

- 2003: Doni, Rogério, Fábio Luciano, Anderson, Ludueña e Roger; Fabrício, Pingo, Fabinho, Jorge Wagner, Leandro, Renato, Leandro Amaral, Liedson e Gil.

- 2006: Silvio Luiz, Coelho, Betão, Marcus Vinícius e Rubens Júnior; Xavier, Marcelo Mattos, Ricardinho, Carlos Alberto, Nilmar e Tevez.

Dito isso, vamos comparar com aquilo que teremos à disposição no Centenário: Felipe, Alessandro, Balbuena, William, Chicão, Paulo André, Diego, Renato, Escudero e Roberto Carlos; Edu, Jucilei, Marcelo Mattos, Ralf, Elias, Defederico, Morais, Boquita, Edno, Danilo, Tcheco, Souza, Bill, Jorge Henrique, Dentinho, Iarlei e Ronaldo.

Percebe-se um equilíbrio interessante no elenco atual, com peças importantes em todos os setores (menos no gol). Se em 77 tínhamos uma grande zaga, o elenco dependia muito das subidas de Vaguinho e da inspiração de Luciano e Romeu para abrir jogadas. Em 90, assim como na conquista do Brasileirão, a dependência de Neto era total, e destaca-se apenas Ronaldo no gol e a guerreira dupla de volantes. Em 96, mesmo com Edmundo, faltou força de grupo e, apesar do certo balanceamento de forças no papel, dentro de campo o time era muito capenga. Em 99 e 2000, é nítida a disparidade entre a qualidade do meio de campo para frente e a defesa. Ainda que tivéssemos Gamarra no primeiro e Dida no segundo caso, o restante do sistema defensivo era frágil, até por uma característica natural do restante do time. Ainda em 2000, acredito num certo relaxamento por conta da conquista do Mundial de Clubes. Já 2003 e 2006 foram duas tragédias, começando do banco de reservas - não havia técnico - e passando pela zaga e meio campo. Nas duas oportunidades, o que segurou foi o ataque.

Alerto que este blogue não foi tomado por um surto de otimismo que me é tão pouco característico. Isso tudo é para mostrar que, ao contrário do que dizem os abutres, o Corinthians se preparou como nunca e tem um belíssimo elenco que, se jogar bola e não ficar com a palhaçada do último Campeonato Brasileiro, pode dar muitas alegrias à Fiel, não só na Libertadores. Portanto, o essencial é nos focarmos naquilo que nos diz respeito. Esqueçam esses anticorinthianos de merda e se banhem de CORINTHIANISMO.

A guerra começou. Armas em punho.

04 janeiro 2010

Como tantos outros filhos


Comecei o ano indo junto da Evinha ao cinema. Trata-se de uma daquelas minhas aparições raras diante das telonas, pois só me inspiro para apreciar a tal sétima arte quando o filme me gera um interesse muito grande. Além disso, há a regra básica: nada de shoppings e suas grandes redes que cobram preços absurdos pelo ingresso; apenas salas de rua que vendam cerveja.

Depois de um belo almoço no histórico Charm da rua Augusta, atravessamos a rua para assistir ao "Lula, o Filho do Brasil" no Espaço Unibanco. Alheio a todas as indicações de que poderia estar diante de um fiasco por conta da participação da Globo na produção, o resultado foi impactante. Ainda que não traga grandes novidades da trajetória do presidente Lula, o longa metragem cativa pela emoção e sensibilidade.

Para conseguir isso, nada como um elenco de primeira. Glória Pires desempenha um papel fundamental na condução dos fatos, assim como fez dona Lindu ("personagem" de Glória) durante toda a vida de seu filho. Rui Ricardo Lopes, protagonizando a fita, copiou brilhantemente alguns trejeitos de Lula sem parecer caricato, e Felipe Falanga - o Lula moleque - garante boas risadas e também grandes apertos no peito.

Há uma dramaticidade até certo ponto fatigante, mas nada que faça jus ao que passaram dona Lindu e sua prole. Imaginem viajar 13 dias num pau-de-arara, chegar na cidade grande com uma mão na frente e outra atrás e ainda manter intactos alguns valores benignos que hoje em dia são tão raros quanto a compreensão da elite sobre o significado de um metalúrgico no poder? Ao ilustrar tamanha escassez de recursos para sobrevivência, "Lula, o Filho do Brasil" joga novamente na cara do zé-povinho uma realidade extraterrena para quem assiste impunemente seu Jornal Nacional e lê sua Veja.

Ressalte-se um fato muito bem mostrado no filme: Lula já era vencedor quando foi diplomado torneiro mecânico. Já seria representativo e personagem ímpar se ficasse limitado ao batente nas fábricas do ABC, pois veio do nada e conseguiu o que muitos de seus conterrâneos não alcançaram. Porém, de um lado há os que fogem das dificuldades e se escondem na barra da saia da tia lá na Mooca. Em contraposição, há quem use o passado de adversidades para vislumbrar um futuro melhor, brigando pelo direito coletivo e jamais renegando sua história. São os filhos da luta, todos eles com a mesma sina e que hoje personificam sua rota de fuga no presidente da república.

Para quem achou inoportuno o lançamento do filme em ano eleitoral, garanto que o medo de uma suposta manipulação do voto se dá mais pelo retrato da superação da miséria do que pela figura pública de Lula. Essa última faceta já é bastante conhecida e reconhecida, inclusive mundialmente. Os barões não querem, na verdade, é que o longa acenda, em âmbito nacional, o orgulho desses milhares de Lulas que se conjuram em um só. Povo, garis, humanismo e participação política e social ampla são como filhos deficientes que os nobres cidadãos-de-bem-que-pagam-seus-impostos escondem e reprimem. Filhos da luta, repita-se.

23 dezembro 2009

Tchau, 2009


Senhoras e senhores, último post do ano. Um 2009 movimentado, cheio de bate-bocas virtuais e repleto de novos amigos. No balanço da audiência (by Google Analytics), contabilizamos mais de 40 mil visitas desde 23 de dezembro de 2008, número considerável se pensarmos que se trata de uma página BEM pessoal. Foram muitas discórdias, mas também foram muitas as pessoas que encontraram aqui palavras que representam algumas ideologias em comum. Vejam: é um processo de mão dupla, e isso pode ser percebido nos textos aqui presentes.

Fui chamado de lunático, sonhador, utópico, saudosista, radical, intolerante, imbecil e até filho da puta. Ainda assim, sei que colocamos pulgas atrás de algumas orelhas com nossos protestos corinthianos, a Hora da Patrulha e o combate ao futebol moderno. Às vezes, o troço cansa e parecemos bradar para as paredes. Mas tenho certeza que, pouco a pouco, estamos conseguindo mudar alguma coisa e é isso que motiva a continuar.

Para 2010, o clima aqui vai ser meio bélico, pelo menos até dia 01 de setembro. Aos corinthianos, descansem na virada do ano, preparando-se para a guerra contra tudo e contra todos no nosso Centenário. Aos vermelhos, alimentem-se de informação para combatermos o monstro da mídia golpista na campanha por Dilma Rousseff. Aos demais, continuem comparecendo! Há de se realizar churrascos e carraspanas em botequins, isso sem esquecer do glorioso Jogo das Barricas, que em sua terceira edição terá grandes novidades.

Abraços a todos!

22 dezembro 2009

De quem é essa voz?


Já que o Seo Cruz sumiu, assumirei o papel na carnificina. Áudio da Falha comprova o modus operandi da imundice. Adivinha de quem é essa voz? Dica: trata-se de um vereador paulistano.

Como diria o Brizolão, "filhotes da ditadura"!

21 dezembro 2009

Apesar do placar, a vitória


O jogo entre Barcelona e Estudiantes do último sábado mostrou ao mundo algumas provas da falência do "moderno" futebol europeu. Apesar de parecer loucura o que estou dizendo, muito por conta dos 2 a 1 que garantiram o Título Mundial à equipe catalã, vou tentar provar que os marginais e vândalos da América do Sul ainda são os responsáveis pela graça e pelo caráter popular do esporte.

Voltemos às semifinais do torneio, em que o Barça suou para bater uma equipe mexicana meia-boca. O troço só mudou de figura quando Messi, que hoje será eleito o melhor jogador do planeta, entrou em campo (o argentino se recuperava de lesão) e decidiu a partida num lance fantástico. Já na decisão, o gol do título foi inteiramente sul-americano. Daniel Alves, provavelmente o titular da Seleção Brasileira ano que vem, cruzou para o baixinho hermano balançar a rede, quase de mão.

Mais evidências? Semana passada, assistia ao clássico Liverpool x Arsenal, pelo modorrento campeonato inglês. Estava realmente disposto a encarar 90 minutos de um futsal tamanho família, mas minha paciência não foi suficiente para eu chegar até os 20 do primeiro tempo. Toques errados, nego tropeçando na bola e muito gol perdido - geralmente por erros grotescos das zagas. O melhor em campo, pelo menos até o momento em que troquei de canal, era Javier Mascherano, do Liverpool. O atacante Fernando Torres, outro do time dos Beatles, lembrava muito o velho Finazzi pela quantidade de gols que perdia. Durante tal martírio, pensava com meus botões que qualquer quebra-canelas exibido pela Rede Vida no sábado de manhã teria rendido muito mais prazer.

Vejam, portanto, que se não fossem os atletas saídos de nossas terras e dos países vizinhos, o que teriam para apresentar as milionárias ligas européias? Toda aquela organização, toda aquela elitização, toda aquela esterilidade nas arquibancadas iria vender que cazzo como produto? Restou ao endinheirado e civilizado velho mundo retomar o eterno processo de colonização exploratória nas Américas, só que agora por meio do futebol. E os latino-americanos ficamos todos alegres com espelhinhos em forma de pontos corridos, aumento no preço dos ingressos e criminalização do amor incondicional a um time, enquanto os parasitas dilapidam nossos craques e até mesmo alguns cabeças-de-bagre - que lá também se transformam em craques, dado o baixíssimo nível técnico.

Por volta dos 35 minutos do segundo tempo da final, quando o Estudiantes ainda vencia o Barcelona, enviei uma SMS para o Barneschi: "A vitória do Estudiantes é a derrota do futebol moderno!" A cornetagem veio no domingo, via Twitter. Ainda assim, digo ao meu irmão que o gol salvador de Lionel Messi (responsável pelo primeiro título Mundial dos espanhóis) e sua provável eleição como o futebolista do ano justificam a precipitação da mensagem. O Barça pode ter ficado com o caneco, mas ele só veio por conta do atraso, da marginalidade e do estilo varzeano e irresponsável que permite a formação de grandes boleiros. E no quesito gênios da bola, a gente goleia.

18 dezembro 2009

Encaminhamentos


Terminou nessa quinta a
Conferência de Comunicação convocada (em iniciativa inédita) pelo governo federal. Para o terror dos barões da mídia, as resoluções do encontro irão pautar o Congresso e a agenda pública com alguns pontos essenciais para combater o oligopólio no setor. Você pode conferir aqui todas elas, mas eu destaco as que considero essenciais para democratizar, de fato, a disseminação da informação. Lembro, novamente, que isso não garante a automática aceitação do Legislativo, mas ao menos bota lenha na fogueira e força deputados e senadores a encaminharem projetos nesse sentido.

- Criação do Conselho Nacional de Comunicação: talvez seja o marco inicial para que a responsabilidade e ética na produção de conteúdo não dependa de uma conduta pessoal, contando com o caráter de muita gente que não o tem. A proposta inclui a garantia de participação de todos os setores da sociedade no conselho, inclusive a empresarial, e muito provavelmente irá diminuir a aparição de casos como os da Escola Base, da edição do debate em 89, da ditabranda, do grampo sem áudio e da ficha falsa da Dilma.

- Criação de fundo público para financiamento da produção independente, educacional e cultural: medida essencial para abrir novas perspectivas no escasso e degradado mercado de trabalho da comunicação social. Caso vá para frente, essa resolução é a principal arma contra a concentração de renda que retém há anos o controle da mídia brasileira nas mãos de poucas famiglias. Justamente para garantir tal diferenciação e não permitir manejos legais por parte das empresas já consolidadas, há uma outra resolução que define produção independente como aquela produzida por micro e pequenas empresas ou entidades sem fins lucrativos.

- Criminalização do “jabá”: fator determinante para se reverter o processo de emburrecimento geral e irrestrito por meio da música - lógico que há jabás em outras esferas, mas na música ele se consagrou. Mais ainda, além de incentivar novas produções,
fechar o cerco contra o pagamento pela veiculação dará chance a grandes talentos que não se submetem à prostituição promovida pelas grandes gravadoras e que, por isso, são condenados ao anonimato.

- Produção financiada com dinheiro público não poderá cobrar direitos autorais para exibição em escolas, fóruns e veículos da sociedade civil não-empresarial: fora a obviedade da proposta, é interessante a menção aos direitos autorais. Quem sabe isso não inicie a discussão e a formulação de um projeto mais abrangente e honesto para a cobrança desses direitos em todas as instâncias?

- Criar mecanismos menos onerosos para verificação de circulação e audiência de veículos de comunicação: a medida visa desmascarar Ibope, Datafalha, IVC e outros institutos que forjam resultados de acordo com os interesses dos clientes. Será extremamente positivo apresentar um contraponto aos números desses verificadores de "relevância" viciados, que têm a desfaçatez de registrar, por exemplo, a manutenção da audiência durante um blecaute.

- Fim dos pacotes fechados na TV por assinatura: destaque de mero cunho pessoal. Acredito que a gente paga por merda, pois eu jamais assisto à maioria das bostas que a NET me empurra goela abaixo. Se essa proposta for adiante, vai ser como retirar algemas dos clientes das TVs fechadas.

- Inclusão digital como política pública de Estado, que garanta acesso universal: truco na privataria promovida pelo monarca tucano e no conseqüente péssimo serviço oferecido pelas empresas de banda frouxa atuais (chamar isso que a gente tem de banda larga é sacanagem). Ao lado dessa resolução, devemos defender a Telebrás sob as asas do poder público e galhofar dos planos mirabolantes, como aquele que o Serra tentou fazer para beneficiar a Telefonica e seu horrível Speedy.

- Buscar a volta da exigência do diploma para exercício de jornalismo: sobre isso, mostramos o porquê dias desses.

17 dezembro 2009

Hora da Patrulha


Hoje eu não falo nada. Deixo os telejornais (milagre, hein?) falarem por mim. Enquanto isso, o Taxab diz suas abobrinhas habituais e o governador foi para Copenhague. Fora da comitiva oficial, ressalte-se.







Leia mais:
- Manejo de comportas encheu bairros pobres de SP

16 dezembro 2009

O piso no fundo do poço


Há alguns meses, falávamos sobre o fim da obrigatoriedade do diploma para o exercício do jornalismo, uma iniciativa dos barões da mídia que traria muitos prejuízos aos profissionais de comunicação. Entre esses pontos negativos, apontamos como um dos piores o arrocho salarial que a classe iria sofrer, e não demorou muito para que tal constatação saísse do achismo para ser comprovado. Veja aqui duas oportunidades de emprego que eu achei por aí:

- Assessor de imprensa (RJ):
* Contratação CLT
* Remuneração: R$ 1.300,00
* Benefícios: Vale Transporte + Vale Refeição
* Local: Tijuca/RJ

- Assessor de comunicação (BH):
* Horário: 8:00 ás 18:00 ou 9:00 ás 19:00.
* Salário: de 1.200,00 A 1.500,00 + VR + VT + assistência médica e odontológica(depois do 3o. mês)

Belos salários e benefícios, ahn? Entendem por que eu defendo tanto o diploma?

15 dezembro 2009

Ainda batendo na imprensa


Continuo com o mesmo papo de ontem, aproveitando a deixa da Conferência de Comunicação para descer a lenha na mídia consolidada e golpista. Leio pelo Twitter da amiga de faculdade Daniele Moraes que o bicho está pegando nesse segundo dia de debates. Pudera, é muita informação e eu até acho positivo que as divergências aflorem. Afinal de contas, trata-se da primeira edição de um evento que PRECISA ser realizado anualmente até o fim dos tempos, sempre em busca da democratização no processo comunicacional.

O que me chamou atenção até agora foi o desprezo com que os grandes núcleos de imprensa estão tratando a Conferência - assim como fazem com o Fórum Social Mundial -, talvez porque sejam atacados em 9 entre 10 pautas. O problema, porém, é que nenhum deles cogita levantar os motivos dessa aversão e tampouco se dignam a contra-argumentar ou aprimorar suas práticas para diminuir a rejeição.

Ganham o que os colegas da Rede Globo com essa incorporação da postura pedante de Ali Kamel? Por que raios o ímpeto do jornalista lá de outros tempos se rendeu ao corporativismo e à falta de compromisso com o leitor? Por que será que os profissionais de comunicação que trabalham nos grandes conglomerados dão mais valor ao reflexo no espelho que a uma boa imagem na tela, na capa, na primeira página ou na home page? Quando foi que o jornalismo deixou de ser tão desumano?

Vou usar a imprensa esportiva para tentar explicar. Hoje mesmo a Fiel Torcida se deparou com outra tentativa de plantio de crise no Parque São Jorge. O lateral Roberto Carlos, dito contratado pelo Corinthians, se ofereceu ao Real Madrid. Não duvido que esse sem-caráter (mais um a vestir nosso sagrado Manto) tenha feito tal declaração, porém é de se espantar a rapidez com que isso foi espalhado ao vento. Por pura birra, por puro ódio ao povo e seu time. Jornalista, atualmente, não gosta de povo, haja vista a campanha covarde contra as torcidas organizadas. Fujo um pouco do tema, até, para reafirmar outra vez: proíbam as organizadas de irem aos estádios e o futebol se transformará em tênis ou golfe. Tudo isso nada mais é que a demonstração do ranço da mídia contra qualquer mobilização social.

Voltando ao fio da meada, ressalto novamente a empolgação com esse bate-boca positivo da Conferência. Assim como temos de discutir futebol, política e religião, a comunicação deve sempre ser colocada na agenda de debates, até mesmo para não deixarmos que poucas famiglias detentoras da mídia continuem promovendo suas lavagens cerebrais. Acompanhe as resoluções, publique sua opinião nos blogues. Esse é o melhor contra-ataque diante das mentiras.

Leia mais:
- Devagar. E todos os dias - Por Luiz Carlos Azenha
- Hélio Costa é mais vaiado que empresários (vídeo) - Portal Vermelho
- Carta de um abutre em depressão

14 dezembro 2009

O ocaso de 1500 (ou saindo da merda)


Desde que o primeiro português meteu os imundos pés europeus no Brasil e trouxe na bagagem o mercantilismo exploratório, a imprensa tupiniquim defende um só interesse. Vez ou outra aparece um ou outro veículo aqui e acolá para fazer a contraposição, mas os jornais sempre foram panfletos publicitários. Por isso mesmo, o modus operandi dos colegas das redações nunca foi merecedor de minhas mãos no fogo.

Mais de 500 anos depois de Cabral, numa conjunção inédita de acontecimentos, um metalúrgico se elegeu presidente e elevou a linguagem do povo para o centro do poder. Antes sapo barbudo e comedor de criancinha, o companheiro tornou-se referência política mundial e aprontou muito das suas para contestar, ainda que timidamente, o processo de produção e distribuição da informação.

Na semana passada tivemos um exemplo da contestação sutil. Lula, num português claro, disse que tirou da merda quem estava na merda. Poupando nossos ouvidos de um falatório dispensável como faria seu antecessor, o pizidente, na verdade, mandava toda essa mídia consolidada para o lugar onde antes estavam os pobres. O recado foi entendido e as metralhadoras dispararam em direção ao Planalto.

Aqui, um detalhe curioso. Há exato um ano, o mesmo Lula havia proferido um "sifu" que ruborizou as moças casadoiras da alta sociedade. Percebam: se é competente em seguir um cronograma golpista frio e bem programado (inclusive na falta de pauta), a imprensa não preza muito pela inteligência. Ignoram que o povo come todo dia, adquiriu inédito poder de compra e, acima de tudo, conheceu mais a fundo a cidadania e a dignidade social na prática.
Ao mesmo tempo, fecham os olhos para a verdade, como na cobertura das últimas enchentes paulistanas e no mensalão demo-tucano, ou então agem de maneira infantil e tacanha, como no próprio caso da merda.

Justamente por saber da burrice e fragilidade da imprensa, o governo peca no processo de ruptura com ela. Ao invés do enfrentamento, preferem leves tapinhas na cara. Criam o Blog do Planalto, o da Petrobrás, o Café com o Presidente. Ouvem a sociedade civil como nunca na história desse país, realizando Conferências Nacionais que produzem inúmeras demandas de políticas públicas à pauta do Congresso - nesta semana acontece, coincidentemente, a Conferência da Comunicação. A meu ver, isso é apenas um dos focos a seguir, pois defendo uma postura mais bélica, talvez a mesma pretendida pela grande maioria do público leitor, que hoje foge dos jornalões e vai à internet em busca de conhecimento.

Um dos argumentos disseminados pela mídia para deslegitimar movimentos sociais ou publicações (online e offline) que fogem do padrão golpista se refere à publicidade oficial. Enchem a boca para incompatibilizar dinheiro público em forma de patrocínio e independência editorial. Justo eles, recordistas de anúncios dos governos federal, estadual e municipal. Ainda assim, Abril, grupo Falha e as famílias Marinho, Mesquita e Sirotsky, todos eles promotores incansáveis de um impeachment baseado no pensamento lacerdista de "não pode se eleger; se eleito, não deve tomar posse; empossado, não deve governar", jamais sofreram retaliações lulistas, mesmo quando publicam mentiras ou disparates como a ditabranda. Só a título de comparação, José Serra vive a pedir cabeças de jornalistas quando se depara com alguma crítica à sua péssima administração estadual. De minha parte, eu decretaria no primeiro de janeiro: estão revogados todos os patrocínios do governo a quem julgar improcedente esse tipo de prática.


Deve ser por essa e tantas outras milhares de razões que Lula é o presidente da República e eu sou um merda. Mas pelo menos um merda consciente, que se emociona com o banho de povo brasileiro reproduzido no vídeo abaixo e que espera ser tirado do poço de excremento comunicacional ainda infestador do ideário verdamarelo:


11 dezembro 2009

Provas cabais


Mentira, eu resolvi escrever. Não pude ficar quieto diante de mais um sinal claro da boçalidade que acomete os dirigentes dos grandes clubes brasileiros. O tal G4 (coisa mais europeizada e babaca) se uniu à Femsa para um acordo de divulgação nas embalagens daquele lixo conhecido como Kaiser, usando como pano de fundo a volta da comercialização de cerveja nos estádios.

Esse tipo de decisão é prova cabal do quanto estão distanciados os dirigentes de seus torcedores. É óbvio ululante que o produto em questão é um mijo de rato que ninguém em plena consciência dos seus atos - mesmo bêbado - teria a coragem de comprar, ainda que ela traga estampado o escudo do seu time de coração. Por que não recorrer à Brahma ou à Antarctica, os melhores exemplares das fermentadas aqui no Brasil? A resposta aparece na frase infeliz do nosso tampão efetivado: "Cerveja e champagne (nota minha: ????), que são bebidas leves, deviam ser liberadas".

Queria poder louvar a atitude dos mandatários em combater a hipocrisia da proibição da cerveja durante os jogos - já escrevi, inclusive, um rápido parecer sobre isso, contrapondo-me à idéia de que o ato de entornar umas geladas se relaciona com a violência. Infelizmente, os engravatados conseguiram se complicar até numa campanha que poderia lhes render salvas de palmas. Para divulgar o troço, convocam o Padre Marcelo Rossi, aquele vigarista global, e mostram que não entendem nem de bebida, muito menos de marquetim.

Sem colocar em pauta a lamentável união da diretoria (anti)corinthiana com certos clubes, está comprovada a burrice geral e irrestrita que impera nas salas ar-condicionadas do Pq. São Jorge, Perdizes, Jd. Leonor ou no interior. Nessa toada, esses parasitas continuam assassinando o futebol com ações de civilidade e modernidade. Ou alguém discorda que o gigante Jessé Gomes da Silva Filho é quem deveria ser o garoto-propaganda de qualquer proposta que fale sobre futebol e cerveja? Cerveja de verdade, diga-se...

Mais sobre o tema: "Sobre Cerveja e Futebol", no Barneschi.

Já deu, 2009


Sem inspiração nenhuma. Fiquem com Cézar e Paulinho, "Eu e Meu Pai".
Até um dia. Vou lá estar entre os meus que eu ganho mais...


08 dezembro 2009

Hora da Patrulha


Hoje é rápido, até porque descascar longamente o
desgoverno demo-tucano mensalóide seria muito oportunismo. Nessa terça-feira, dia 8 de dezembro, quando nada anda em São Paulo, a gente sabe exatamente o motivo do caos que se instala na capital paulista. As obras da Marginal Tietê foram julgadas desnecessárias aqui neste espaço no dia 13 de julho. Qualquer um consegue perceber que elas não irão trazer melhorias e, pior, causarão novos problemas.

A lógica é simples: acabando com a capacidade de escoamento de água do rio pelas várzeas, as inundações são naturais. Por que não usaram essa fome voraz contra o trânsito construindo
corredores de ônibus? E o Rouboanel, que neste ano foi vítima de calote eleitoral?

Como queremos o melhor para essa terra cada vez mais esquecida pelos céus - ou seria lembrada, haja vista a chuva que não dá trégua? - fica aqui o pedido: não saia de casa. Seu chefe, assim como o meu, também não chegou no trabalho.

Sorria, São Paulo!

* acabo de ver que o Taxab vai dar uma entrevista falando seus blablablás intermináveis na Ponte das Bandeiras. Afora a medida populista e inábil, alguém poderia jogá-lo no Tietê, onde é o lugar de merda?

07 dezembro 2009

Lições e o balanço de 2009


O que falar dessa última rodada para o Corinthians? Num jogo que não valia nada, tivemos 3 gols de dois jogadores que também não valem nada.
De bom, somente a grande apresentação do argentininho e o Júlio César, reserva, catando mais pênaltis que o comedor de acarajé mau-caráter. Assim se resume a participação alvinegra no Brasileiro: vagabundos praticando um futebol meia-boca e a gente pagando R$30 para assistir. Ainda assim, é fato incontestável que o Coringão sai de 2009 como o grande campeão em nível nacional, levando na bagagem um título Paulista (o 26º) invicto e a conquista de mais uma Copa do Brasil.

Ditas as considerações, vamos à forra. Uma das vertentes da ideologia que rege (ou regia?) os Gaviões da Fiel clama pela Humildade. Ela é quem nos mantém prudentes e nos impede de camuflar nossos próprios problemas quando enxergamos o inferno nos outros. Talvez nos tempos de fila e de muito sofrimento corinthiano, ela deveria ser mais fácil de se praticar. No entanto, a partir da década de 80 e compensando um jejum de 23 anos, o Corinthians se mostrou cada vez mais vencedor, tal qual nas primeiras décadas de sua existência.

Essa série vitoriosa, aliada aos novos valores futebolísticos (torcedor-cliente, títulos como vitrine, perda da identidade e da alma), transformou muitos membros da Fiel Torcida num poço de arrogância. Quando, em 2007, a lição de São Jorge foi dada, muitos aprenderam - outros não e precisam levar corretivos, principalmente no ano do Centenário. E da maneira mais doída, o corinthiano percebeu que no futebol as coisas são cíclicas e que o escárnio de hoje pode nos ferir amanhã.

Toda essa divagação me passou pela cabeça quando lembrei do bolo de gente que tentou diminuir nosso título na Copa do Brasil. Especifico ainda mais, dizendo que eles vestem verde. Diziam que iriam nos eliminar da Libertadores em nosso Centenário, corroídos pela inveja de quem não consegue admitir a grandeza de um campeão que lutou dentro e fora de campo. Falaram mil besteiras, contando com uma coisa que ainda não haviam conseguido. Li, por exemplo, que ganhar a Copa do Brasil era como chegar em quarto lugar no torneio nacional. Inveja, pura inveja. Nós, os prudentes, permanecemos em silêncio, exaltando apenas a conquista.

Aí eu fui olhar a tabela no domingo para ver em que posição terminaram aqueles que "iriam nos eliminar no Centenário" (cortesia impagável do Filipe). A minha humildade não permite que eu fale o que estou pensando, até por respeito aos amigos que tenho do outro lado. Mas cá dentro do peito eu rincho de rir. Gargalho. Dou urros!

Bom recesso a todos e até dia 17 de janeiro, quando estaremos em Ribeirão Preto acompanhando o Corinthians contra o Monte Azul.

O CENTENÁRIO COMEÇOU! Corinthiano, você já se armou?

04 dezembro 2009

Febre Alvinegra


Corinthians 2 x 2 Vitória - 05/12/1993
Morumbi - São Paulo

O Corinthians havia feito uma campanha regularíssima no Campeonato Brasileiro daquele 1993. Sob o comando de Mário Sérgio e com o carrossel caipira funcionando bem, o time chegou ao quadrangular final do torneio sem perder nenhuma partida. Só fomos sofrer o primeiro revés na fase decisiva, contra o mesmo Vitória que iríamos enfrentar em casa. Esse jogo de volta seria a oportunidade de ir à forra.

O registro de 65 mil pagantes no borderô da partida é mentiroso. Fiquei onde hoje é a arquibancada azul do anti-estádio e por lá - e provavelmente por todo o anel superior do Morumbi - não havia espaço nem para uma folha de papel. Sem medo de errar, digo que havia mais de 90 mil presentes, todos reunidos na crença de ver um time até então desacreditado pela mídia (grande novidade) sagrar-se campeão nacional pela segunda vez. Outro fato relevante a se destacar sobre o público: o mesmo local havia recebido, um dia antes, 60 mil pessoas para o Choque Rei...

O time do povo entrou em campo recepcionado por uma Fiel incendiária. Não havia um metro de arquibancada sem uma linda bandeira alvinegra tremulando, e os corinthianos cantavam em uníssono o "Timããããão Eô" - até isso a modernização do futebol estragou, já que antes TODO MUNDO prestava atenção ao bumbo e não atravessava os cantos. Porém, o que era para ser uma festa se tornou um martírio.

Logo aos 10 minutos de jogo, uma enxurrada de água gélida tentou calar os gritos da arquibancada com os 0 x 2 no placar. Mas estava claro que o Corinthians precisava da gente e, segundos depois do baque, a torcida se refez e continuou empurrando o Coringão. Aquele instante foi o meu primeiro registro realmente impactante da tal Mística Corinthiana e da assertiva "no Corinthians, a Torcida é que tem um time". Ali, entendi o que tinha sido o IV Centenário, a Invasão Corinthiana, a final de 77 e o primeiro Brasileiro, tudo isso fruto dos atos heróicos dos primeiros corinthianos lá do começo do século XX.

Tamanha força vinda das arquibancadas ressucitou os jogadores e, no começo da segunda etapa, o zagueiro Henrique empatava a partida. O Morumbi veio abaixo e a virada era questão de tempo. No entanto, num desses absurdos característicos do histórico alvinegro, a lógica não aconteceu e a partida terminou em 2 x 2. Mesmo com o resultado adverso, fomos todos para casa com a sensação de dever cumprido, reconhecendo também o espírito de luta dos guerreiros em campo - nessa época, os jogadores não eram "profissionais" como hoje e transformavam o canto do torcedor em raça e dedicação.

O campeonato ainda não havia acabado, mas as chances de chegar às finais eram muito pequenas. Precisaríamos ganhar o último jogo e ainda depender da derrota do Vitória (perdoem o trocadilho inevitável), o que não ocorreu. Mais curioso de tudo é olhar para a classificação final e notar nossos cinco pontos a menos que o campeão daquele ano, tendo esta equipe feito dois jogos a mais, justamente as finais. Isso motivou o lamento de alguns desavisados pelo Brasileiro não ser disputado no "moderno sistema de pontos corridos". Eu, do contrário, dei graças a São Jorge por ele ter me presenteado com aquela inesquecível demonstração de amor e fé da Torcida Corinthiana, emoções que só um confronto direto proporciona.

03 dezembro 2009

Das coisas que o futebol precisa


Por que o foco do futebol brasileiro não é mais o jogo em si, mas sim as baboseiras decorrentes do sistema de pontos corridos, só hoje venho me manifestar sobre o que aconteceu lá pelo lado das Perdizes no último domingo. Rivalidade à parte, o gol de Diego Souza é coisa de gênio. Ainda que digam que ele errou o chute, só um gênio iria pensar em enfiar o canudo dali do meio de campo. Um cagão, tipo o inominável, não iria nem conseguir dominar a redonda, por exemplo. E eu venho falar de Diego Souza porque ele é um dos poucos jogadores atualmente que não se enquadra naquele padrão de atleta babaca que faz média. Além de jogar bola, o cara não fica com hipocrisia, mete a boca quando precisa e sai na mão se necessário.




Atravessando o Atlântico, achei esses dias uns vídeos do Jimmy Bullard, jogador do Hull City. Totalmente na contramão do péssimo futebol inglês - de regras mercadológicas rígidas e com esquemas de jogo que transformam o troço num futsal -, Bullard quebra protocolos até nas brigas. Talvez o suportem porque ele faz as vezes do personagem folclórico que acaba trazendo lucros e visibilidade ao campeonato da Rainha. Um, tudo bem. Dois, será um problema. Aproveitem enquanto algum promotor não o denuncia ao STJD e fique com os melhores momentos do fanfarrão:





Vendo Bullard, é automático associá-lo a Paulo Sérgio Rosa, o Viola. Quem não se lembra das comemorações coreográficas e das provocações certeiras aos adversários? Viola, aliás, poderia ter se tornado um dos grandes ídolos do Corinthians se não tivesse cometido o erro de nos trair. As tais brincadeiras após os gols tiveram tanta repercussão que rodaram o mundo (isso em tempos pré-internet) e acabaram proibidas, num dos primeiros indícios de que os canalhas começavam a destruir o futebol. Enquanto vocês assistem a alguns dos grandes lances de Viola com o Manto Alvinegro, aproveito para induzir um pensamento: na minha opinião, o negão jogava mais que o Gordo. Atentem também às cobranças de falta, escanteios e cruzamentos de Neto e do Demagoguinho. Dá até desgosto se pararmos para pensar que faz um bom tempo que não sai um gol a partir de uma jogada da linha de fundo.





São coisas assim que tornam o futebol imprescindível.


02 dezembro 2009

O samba é a corda, eu sou a caçamba


"O tempo vai passando e o samba vai seguindo
O povo está feliz, cantando, sambando e sorrindo
E assim vamos nós tirando esse som que de dentro do peito nos sai
O samba balança porém não cai

Vem de alguns anos atrás essa grande estrutura
Pro samba poder suportar qualquer temperatura
Vem onda, sai onda e o samba está sempre aí
Firme e forte, com força para resistir"


Quando esta alma preta que desceu em cavalo errado fala de samba, a desconfiança sempre está presente. Só que eu gosto de ir onde o povo está, e nego batendo no couro do pandeiro me hipnotiza da mesma forma que uma bola no barbante. Criado no Estado da Guanabara - só podia ser lá! - para prestarmos tributo ao batuque, o 2 de dezembro é dia de celebrar a emoção que só uma roda de samba consegue proporcionar. Pense em quantas vezes você já chorou num pagode. Se a resposta for zero, recomendo mudança de ambientes...

Não há como não se comover com a riqueza de melodias e, principalmente, com o intercâmbio de energia que existe numa roda. Ao contrário do circo pré-programado das casas de shows, o samba é espontâneo e participativo. Não depende de nenhum palco, precisa só de pessoas. Seu caráter humano e popular induz ao engajamento coletivo, e tal poder faz com que seja tratado como coisa de bandido e marginal - qualquer semelhança com a torcida das arquibancadas não é mera coincidência.

Tenho plena consciência que meu fenótipo gera desconfianças, pois o cabelo grande e a ascendência oriental me associa rapidamente ao rock ou a qualquer outra coisa menos digna, tornando natural a torcida de nariz. Ainda assim, lembro que o samba é a pura representação sonora da mestiçagem característica do Brasil.

Cantemos todos nesse Dia do Samba para espantar os males, fulgurar nossa identidade cultural e - por que não? -, nos aquecer para o Carnaval que já está logo aí.

Salve o batuque! Salve a África! Salve o Brasil!

01 dezembro 2009

Um comentário


Circula pela rede blogueira um texto da Leonor Macedo, mão cheia de primeira que sempre manda palavras belíssimas sobre o Corinthians. O troço está sendo republicado a torto e a direito e o meu mano Filipe, do AnarCorinthians, adicionou ao manifesto uma importantíssima introdução.

Apesar de reconhecer a importância do que foi escrito - ela exalta o corinthianismo -, discordo de alguns pontos e registrei um comentário lá no blogue do Filipe, reproduzido aqui também. Segue:

"Mano, a única ressalva que eu faço é a ocasião em que essas manifestações acontecem. Meia dúzia de gente vem criticando os atos tão anticorinthianos da diretoria há tempos. A grande maioria, porém, ignorou tampão e sua diretoria fazendo e falando merda - e há indícios de que ele cortejará a puta ano que vem -, técnico jogando a toalha faltando metade do campeonato para ser disputado e jogador vagabundo entrando em campo de chinelo. O roxo é aceito. Ingresso a R$500 é tolerado.

Antes que tirem conclusões equivocadas, ressalto que as palavras brilhantes da Leonor são certeiras, assim como outros textos que ela já fez para exaltar o corinthianismo. No entanto, seria importantíssimo que todo mundo fizesse essas indagações e contestações diariamente, porque a indignação com o anticorinthianismo tem de ser constante. A pauta já estava aí há muito tempo, mas a impressão é a de que a gente só se manifesta para responder aos ataques dos abutres, e guerra nenhuma se ganha na defensiva.

A partir daí, aprofundemo-nos no raciocínio, que para mim é o foco central do debate. Qual a razão desse comportamento do time e da diretoria? Por que havia tantos "torcedores comuns" aplaudindo a atitude do comedor de acarajé? Por que, mais uma vez, usam o Corinthians para colocar em xeque a lisura de um campeonato? A resposta está na morte do futebol alicerçado na paixão - ou na irracionalidade e na ignorância, como bem lembrou a Leonor. São esses pontos corridos e essa higienização moral, social, política e econômica que abrem espaço para tanta influência de fatores extracampo. Particularmente, o Corinthians ainda é o pilar mais forte do futebol na essência.

Finalizo afirmando que, enquanto somos fortes como Corinthianos, não somos unidos o suficiente para disseminar o corinthianismo. Nos acomodamos com a tal "mística" da Fiel, mas essa tática só nos prejudica quando estamos sobre um terreno em que o amor incondicional pelo clube é tratado como desvio de comportamento inaceitável. Temos, por exemplo, de suportar um juquinha ou um imbecilzInho como porta-vozes de uma torcida da qual eles nem fazem parte, alimentando a indiferença dos futuros corinthianos com relação aos rumos do seu próprio time. E aí corremos o risco de ver alguém com o comprometimento da Leonor tendo suas palavras utilizadas de maneira indevida, servindo a interesses de gente tão suja quanto o texto quer combater."

Aproveito, ainda, para perguntar novamente: CORINTHIANO, VOCÊ JÁ SE ARMOU PARA O ANO DO CENTENÁRIO?