02 maio 2011
No dia do povo, triunfo do povo
A tarde do último domingo - um dia do trabalhador, como foram todos os nossos ancestrais fundadores - é daquelas para entrar na história. Um derby épico, embora cercado de muita falação de véspera e pouco futebol em campo, digno desses dias tão sombrios para o esporte. Ainda assim, o Corinthians exorcisou alguns demônios e, mais ainda, mostrou que definitivamente não precisa de estádio se temos o Pacaembu. Ganhar do porco, ali, nos pênaltis, com todas aquelas recordações, é para lavar a alma alvinegra.
Juro que havia sonhado com isso na semana passada. Algo me dizia que precisaríamos ir para os pênaltis, apesar do juízo lembrar de tudo aquilo que já passamos diante dos ex-polenteiros. Porém, mesmo com tilte, mesmo com toda a zica contra e mesmo com aquilo tudo que a gente denuncia aqui há tempos, nada superou o Corinthians no domingo. Nada!
A filodramaturgia gritante, portanto, é a representação máxima de uma raiva contra essa mística. Óbvio que não jogamos bem, e isso vem sendo feito desde o começo do ano. No entanto, a esquizofrenia e o cotovelo moído fez a porcada dançar na própria armadilha. Já do nosso lado, a gente sabe que batalhas são feitas para serem enfrentadas e fizemos apenas isso.
Todo derby deixa lições e espero que tenhamos aprendido (eu, por exemplo, acho que a diretoria deve ceder o Tobogã no próximo confronto em que o mando for nosso), o que não quer dizer que não devamos comemorar. Comemoremos sim, e muito, pois eliminamos o rival e ainda mantivemos a invencibilidade que já vai para dois anos.
Para terminar, ficam algumas considerações:
- acusam-nos de termos favorecimentos do apito, mas não há súmula de jogo do Corinthians que indique um gol de juiz;
- dizem que nossa história é "suja", mas esquecem-se de 1942;
- falam de PCO, mas nunca ganhamos um clássico com ele no apito. Aliás, ele é o cara que expulsou o Gamarra depois da Copa de 1998, em que o zagueiro jogou sem cometer nenhuma falta;
- defendem um cidadão que queria jogar no panetone a todo custo;
- insistem na antropologia aplicada ao futebol, ignorando até algumas coisas que eles próprios criaram tempos atrás, na tentativa de nos diminuir;
*atualizações:
- adversários agora querem dizer como o Corinthians deve jogar;
- patrulheiros agora querem proibir nossa comemoração;
- a verdade, a pureza, a clarividência, a moralidade eu achava que estava só na máfia juquiniana;
Diante disso tudo, vos digo:
VIVA O CORINTHIANS!!!
20 abril 2011
São Jorge presente
Às vésperas de seu dia, o Santo Guerreiro corinthiano se mostra forte, guardião e presente. Alheio ao marketing, alheio às ações anticorinthianas de quem deveria zelar pelo patrimônio do clube do povo, São Jorge protege seus devotos por meio de lições que podem parecer duras aos olhares desavisados. O zelador maior da causa alvinegra se une aos deuses do futebol e nos mostra o caminho a seguir, obviamente na direção oposta de tudo que está aí.
Indício maior de manifestação que na recentíssima contusão de Adriano não há. Basta lembrar a maneira como foi feita a contratação, desde a tapeação ao empresário do jogador à intenção característica da diretoria de abafar a incompetência geral e irrestrita com a vinda de atletas em franca decadência. Quem não vê a lança certeira de Ogum rompendo milimetricamente o tendão em questão precisa ir ao oculista ou parar de se enganar.
Da mesma forma, é uma afronta a São Jorge o bafafá em torno do suposto interesse na contratação da revelação do time médio da Baixada, numa transação que só iria fazer igualar o Corinthians àqueles moleques que servem ao tráfico de drogas, conhecidos como aviõezinhos. Ou então o modo como é conduzida a construção do tal estádio - sendo que não precisamos de estádio, reitero minha posição.
A massa ignóbil e cega, no entanto, faz a festa. Rendeu-se à valorização dos penduricalhos que antes balançavam somente nas penteadeiras de putas falidas. Transvestiu-se de cores que nada representam nossa Centenária história de lutas e superação, bateu palmas para a mediocridade e clamou por modernidade (adoram o clube-empresa).
Lá de cima, São Jorge balança a cabeça num sinal de desaprovação e decepção ao ver muitos de seus protegidos sucumbindo à falta de convicção, alma e apego ao que há de mais valoroso e sagrado: o Sport Club Corinthians Paulista. Daqui debaixo, o que restamos dos teus fiéis seguidores corinthianos agradecemos as intervenções e pedimos cada vez mais força para uma luta que está apenas começando. Dentro de nossas próprias trincheiras, diga-se.
Saravá, São Jorge!
10 abril 2011
Direto e reto
O post vai na raiva e sem falar sobre obviedades como a incompetência do treinador (que mais uma vez troca um lateral por outro lateral), a necessidade de demissão por justa causa desse tal Castán ou a indecência da diretoria em ficar buscando nomes para o marketing ao invés de reforçar o elenco todo. As palavras aqui ficam para você, torcedor do Corinthians. E especialmente para você, Gavião da Fiel.
A torcida na arquibancada é retrato do clube e o clube é retrato da torcida na arquibancada. De modo que fazer homenagens a quem quer que seja é algo que deve vir do coração, não uma medida para aparecer na mídia. Apoio ao Corinthians durante os 90 minutos é nosso procedimento, mas poupar nomes que devem ser atacados depois do apito final não é saudável e foge do nosso propósito vigilante. Não é possível entender a passividade da Fiel diante de mais uma barbaridade cometida a preços exorbitantes de ingresso, tampouco é aceitável que uma organizada outrora referência nacional esteja tão mais preocupada com outras coisas que não a prioridade Corinthians.
A atrocidade ao futebol vista no Pacaembu deveria merecer mais uma noitada dos vagabundos no vestiário do estádio, seguida de outra visita ao portão do CT e bicudas nos belos carros importados que esse bando de perna de pau ostenta. O que esses inomináveis que vestem indevidamente nosso Manto fizeram neste domingo foi validar uma mentira que deveria ter sido enterrada há muito tempo.
Ainda há tempo para salvar o que resta desse Paulistão, apesar desse amontoado de derrotados que vivem à sombra de dois títulos conquistados há dois anos. Todo e qualquer campeonato em que o Corinthians entra deve ser vencido ou disputado com raça e alma, em nome dos ancestrais que tanto lutaram pela consolidação do sonho do povo. Hoje, porém, temos qualquer coisa menos a instituição guerreira que se formou na gloriosa várzea paulistana.
Protestos na arquibancada são solitários, quase envergonhados, porque não geram nem discordâncias. Estão querendo acabar com toda a irracionalidade que sempre nos caracterizou tão bem e que sempre manteve o Corinthians no caminho correto. As organizadas saem do Templo Sagrado batucando, felizes, como se uma derrota ali não significasse muita coisa. Oras, ao menos para mim, isso acabou com o fim de semana.
Futebol é coisa séria. Futebol não é diversão nem passatempo de domingo.
ACORDA FIEL!
01 abril 2011
Memorabilia
Em mais um surto dos milhares que me acometem, saiu na tarde de hoje a seguinte assertiva: "jornalista de futebol tem que ser velho. Sempre. E odiar a modernidade". Explico que a raiva incontida foi motivada por mais uma palhaçada do imbecil que atende pelo nome de Tiago Leifert, na Rede Globo, mas não é sobre isso que eu vou falar. Assim que lancei as frases, fui atrás de referências que estão na minha memória e que talvez estariam disponíveis para download. Pura ilusão.
Rádio e TV marcam a vida de qualquer um e, particularmente, tenho uma obsessão pelos logotons antigos dos programas esportivos. Nessa rápida pesquisa, encontrei pouca coisa, mas separo aqui alguns destaques:
- música "Na Cadência do Samba", de Luiz Bandeira, e tema do lendário Canal 100.
- logotom da Rádio Bandeirantes.
- música "Meu Guarda-Chuva", que passava antes do Plantão Esportivo da Jovem Pan AM
- o inesquecível "Show de Rádio", de Estevam Sangirardi, com "o melhoooor lance da jogadaaaa".
- chamada de jogo da Jovem Pan AM, com o famoso logotom e narração de José Silvério.
O que me deixou mais abismado durante essa viagem no tempo é que nenhuma das emissoras de rádio e TV disponibilizam esse tipo de material na internet. Destaco, por exemplo, a ausência na lista acima da música-tema do Desafio ao Galo, que animava nossas manhãs de domingo e, na verdade, era o logotom da TV Record para o futebol.
Fica aqui o apelo para que esse importante pedaço da memória esportiva tenha mais espaço, ao invés de valorizarem idiotas bobalhões que estão acabando com a dignidade do esporte. Em tempo, vale o lembrete: futebol não é brincadeira; FUTEBOL É COISA MUITO SÉRIA!
** Referências para este post:
- Era de Ouro do Rádio no Brasil
- Aimoré Home Page
- Arquivo do Rádio
30 março 2011
Pela Revolução Corinthiana
Na surdina, como tudo o que acontece no Parque São Jorge há algum tempo, reuniu-se no dia 29 de março o CORI, Conselho de Orientação do Corinthians, para deliberar uma série de proposições ao Estatuto. No entanto, apenas duas delas compuseram a pauta e, pior, nenhuma contemplou melhorias. A que iremos tratar aqui diz respeito a alterações na forma eletiva do Conselho, mas antes de tudo: 1) leiam o Anarcorinthians; 2) estamos no mundo da suposição, pois qualquer mudança depende da aprovação da Assembléia Geral dos sócios.
Como os amigos já devem estar a par da situação por conta da divulgação farta em diversos blogues alvinegros, aproveito que o assunto está pegando fogo para fazer ponderações relacionadas à sugestão apresentada na citada reunião do CORI, entre todas - elas podem ser vistas aqui - a mais anti-democrática e, por que não?, golpista.
Grosso modo, a idéia capitaneada pelo ex-presidente Waldemar Pires defende a eleição de um blocão. Cada chapa apresentaria 200 nomes e 100 suplentes e a votação é só na chapa. Aquela com mais votos leva todo o Conselho. Analisemos, em princípio, a postura do CORI. Conforme seu próprio nome indica, ele deveria orientar todo corinthiano sobre a indecência que é essa proposta, não sem antes advertir seu propositor. Ao se calar, o órgão transparece ser a favor dessa imbecilidade. Depois, é preciso apontar o dedo em direção ao histórico cappo do Parque São Jorge, há décadas aprontando das suas: Wadih Helu. O agrado, ao que parece, é para ele, e o responsável pela palhaçada tem nome e sobrenome: Antonio Roque Citadini.
Ademais, sempre que o assunto eleição vem à tona, exponho nessa humilde trincheira aquilo que considero importantes paradigmas. Enumero-os:
- extinção do Conselho Vitalício;
- extinção do CORI;
- eleições diretas de fato, para conselheiros e presidente, com a perpetuação desses termos no Estatuto;
- proporcionalidade na relação quantidade de conselheiros/quantidade de associados;
- direito de voto aos associados do Fiel Torcedor;
- campanha de associação maciça ao clube, com redução de preços do título;
- direito de voto a qualquer associado, sem restrição de tempo;
- redução do tempo de associação para candidatura ao conselho;
É preciso retomar a missão histórica do Corinthians de proporcionar a seu povo o exercício da política via participação efetiva na administração de sua única propriedade, que é o próprio Corinthians. Cabe a cada um de nós, caso haja possibilidade real (atualmente, po$$ibilidade), participarmos e plantarmos a semente da Revolução Corinthiana. Chega de entregar nosso patrimônio nas mãos do inimigo.
PELO CORINTHIANS, COM MUITO AMOR, ATÉ O FIM!
ACORDA, FIEL!
28 março 2011
Breves (ou bravas?)
- Depois da proeza de perder em pleno Pacaembu para a minúscula Ponte Preta, o expoente da maldita escola gaúcha de técnicos armou um time sem pé nem cabeça para um clássico. Só não esperávamos que a imbecilidade tática atingisse níveis tão medonhos. Com sua incompetência, esse bosta mordeu o cachorro para dar notícia à assessoria de imprensa e sua saída é urgente.
- Acredito não ser prudente jogar toda a responsabilidade sobre os ombros de Dentinho e, principalmente, Júlio César. Ainda que o primeiro anda firulando mais do que o necessário e o segundo tenha realmente falhado, lembremos que: 1) é a base, é o Terrão; 2) tire ambos do time e teremos algo mais escabroso; 3) no confronto anterior contra o mesmo time sujo, foram eles os responsáveis diretos pela vitória. No mais, admitamos: o Corinthians, no domingo, fez sua pior partida no campeonato.
- A culpa, portanto, é única e exclusiva do tilte.
- Vem Adriano. Tenho as mesmas ressalvas de quando veio a baleia, mas faço algumas ponderações. Primeiro, que ele é um jogador mais decisivo. Segundo, que é um maloqueiro. Terceiro, que não entendo a falta de tolerância com ele, uma vez que as passadas de pano pro gordo eram injustificadas.
- Eu novamente fora da População Economicamente Ativa, mas o tilte continua firme e forte. FORA TITE! MÁRCIO BITTENCOURT JÁ!
- Continuo com a máxima: time que tem história não se prende a penduricalhos.
AQUI É CORINTHIANS!
25 março 2011
15 março 2011
Pontos corridos: uma chatice homérica
Depois dos últimos anos provarem A+B que a fórmula de pontos corridos é uma falácia, uma aberração inventada por europeus para justificar seu fraco desempenho, a CBF aprofundou ainda mais a cova do Brasileirão com uma novidade em 2011: clássicos regionais na última rodada. Dois ótimos textos falam sobre o mesmo tema e eu os referencio aqui para enriquecer o debate. O primeiro é o do Barneschi e o segundo do Álvaro, ambos tratando de questões importantes, pautas incontestáveis em qualquer redação minimamente digna, mas que obviamente não serão sugeridas por defenderem os interesses do torcedor de verdade - no caso do Barneschi, ignorem o rio de lágrimas verde :D.
Careço, no entanto, reforçar uma leve discordância de minha parte à essência das citações, ainda que mais tarde a conclusão de todos nós será a mesma. Tanto o Barneschi quanto o Álvaro destacam a influência da realização dos clássicos no chamado período decisivo. Discordo frontalmente, e assim faço pois tal influência inexiste se uma equipe acumular uma boa diferença de pontos a fim de não contar com as últimas rodadas para ser campeão, garantir classificação para torneios secundários ou escapar do rebaixamento.
Digo isso baseado nas lembranças do último triênio, em que os clubes da ponta da tabela demonstraram uma capacidade incrível de entregar a taça na mão dos concorrentes, muito por causa da valorização da incompetência e da falta de comprometimento em campo proporcionada pelos pontos corridos. Ontem mesmo, falava ao rádio um recém-demissionário treinador que a mídia elege como o "especialista em Brasileiros" (o mesmo que, meses atrás, não cumpriu seu dever cívico com a Seleção). Quase bati o carro ao ouvir do sujeito bradar que um dos principais segredos para ser campeão nacional é "ter uma boa zaga"...
Mais do que simplesmente esvaziar os clássicos, os pontos corridos e seus defensores querem transformar o futebol numa chatice homérica, coerente com a postura passiva da bunda no sofá. Independentemente da rodada em que serão confrontadas as rivalidades regionais, há em todas elas o combate ostensivo ao esporte numa esfera mais ampla, ideológica até. De todo modo, o dito aqui e o dito nos links acima não são excludentes; quis apenas ressaltar que a desvalorização de duelos históricos é só mais um elemento do nocivo processo de europeização do esporte. Aliás, o esvaziamento dos clássicos nada mais é que conseqüência da receita de modernização, e não seu instrumento. Notem, portanto, que discordando da essência dos dois textos, todos dizemos em alto e bom som:
Viva o modorrento campeonato brasileiro de pontos corridos.
10 março 2011
Pelo fim da escola de técnicos gaúchos (ou respeitem o Brandão)
Só pelas expressões rebuscadas e que quase sempre dizem nada, o cuzão disfarçado de técnico do Corinthians não mereceria seu emprego. Mas ele está lá, dando seqüência a algo que outros dois indivíduos da maldita escola de técnicos gaúchos que o antecederam vinham fazendo. Nunca o Coringão repetiu tantas formações táticas covardes como nos últimos três anos, seja com o mano dos empresários, com o zé-lelé ou agora, com o tilte. Cansei de ver a zaga falhando porque íamos desembestados ao ataque, mas nunca por deixar times medíocres do interior dominar as ações em pleno Pacaembu.
Os tempos mudaram - e como mudaram, pois babaquinhas das palmas hipócritas e devotos do marquetim roxemberguiano transformaram o Templo Sagrado num lugar para correio elegante - e agora somos obrigados a aturar uma linhagem que parece tomar conta do futebol brasileiro, há muito tentando se equiparar aos moldes europeus. Como estamos cá, o produto final é uma total falta de organização em campo, fruto da preocupação com números da famosa "produtividade". Porém, já que gostam tantos de números, vamos a eles. Alertava ontem o Filipe, na saída do jogo, que a porcaria campineira sem títulos é um dos maiores fregueses do Timão. De fato, dos 125 confrontos, vencemos 73 e perdemos apenas 22. Assim, é vergonhoso o medo de emparedar um adversário com esse retrospecto.
Aprofundemos ainda mais a análise: quem tira os dois laterais diante de um oponente excessivamente retrancado não pode saber o que está fazendo. Pior ainda é o sujeito perceber sua cagada e rolar na merda, colocando um bisonho meia-atacante na lateral. Caso tudo isso não seja suficiente para deixar claro o que se quer mostrar aqui, a demissão estaria justificada pela coletiva pós-jogo, uma cereja no bolo em que o pazzo disse estar pensando no Brasileiro e, portanto, antevendo o fracasso nesse Paulistão.
Não podemos mais alimentar essa linhagem de treinadores que trabalham vislumbrando a derrota e consideram a zaga como primeira linha do time. A história do Corinthians não nos permite cautela, receio ou vacilação. Não entrarei nem no mérito da fragilidade do elenco, tampouco cometerei o devaneio de considerar que não se deve fazer marcação forte. No entanto, se é para perder, que seja atacando, e não acuado, como vem acontecendo.
FORA TITE!
CORINTHIANS PARA CORINTHIANOS!
28 fevereiro 2011
Carnaval, combustível de vida
Dizem os chatos, o sem-amigos, que o Carnaval é uma insuportável apologia à banalidade. Carnaval sob qual perspectiva, seus bufões? Os milionários e falseados desfiles, as excludentes orgias burguesas uniformizadas de Salvador ou os bailes de plumas certamente são a referência, e não são Carnaval. Os amargos não suportam ver o banguelo sorrir, o esfomeado deitar no mesmo meio-fio que o classe média e ambos terem suas bocas lambidas pelo mesmo vira-latas que procura afago.
Recorro ao mestre Luiz Antônio Simas para melhor e brilhantemente definir o sentimento que representa o Carnaval. Diz ele: "Sempre fui um vigoroso defensor de uma ideia que não tem lá muitos adeptos e que já apresentei alhures: os maiores foliões são os tristes. O Carnaval, definitivamente, não foi feito para os alegres, os festeiros escancarados, as globelezas, os baianos de ocasião, as polianas desvairadas do sonho bom, os colecionadores de abadás que depois da festa serão usados como uniformes de musculação. O verdadeiro folião - o triste - sabe que a experiência carnavalesca é uma pequena morte. Durante os dias de Momo, a máscara prevalece e todas as inversões sociais são urgentes e necessárias. É quando devemos esquecer o que somos, o que fazemos e, nos casos mais agudos, a quem amamos".
Não sei exatamente se o dito pelo professor foi o que interpretei, porém há, de fato, a necessidade extrema da tristeza do folião. Ela não é patológica, mas sim oriunda do cotidiano, e então temos ainda mais destacada a faceta renovadora da farra. Novamente, voltemos ao início desta digressão textual para lembrar os tais amargos (não confundir a canalhice com a tristeza pautada por Simas) e seus motivos de ojeriza a um bando de fudidos saindo às ruas para celebrar. "Celebrar o quê?", pensam com a bile.
Celebramos, seus otários, a liberdade. Mesmo tristes e levando seguidas cacetadas, enchemo-nos de vida durante 4 dias para conseguir passar pelos outros 361 - e nesse ponto tomo a ousadia de discordar do Simas, que entende o período como uma pequena morte na "quarta-feira de cinzas, quando [o folião] ressuscitará como burocrata, marido, professor ou escriturário, para o longo e medíocre intervalo cotidiano entre um carnaval e outro". Morte, para mim, é ficar restrito à pseudo-felicidade daqueles amargos, que enxergam plenitude no trabalho, no cartão de ponto impecável, na mesquinharia e nas babaquices que tomam conta do meu dia-a-dia. Morro um pouco cada vez que o despertador toca, pois ele diz que eu DEVO acordar em determinado horário para perder 10 horas do meu dia em troca de migalhas.
Que venha logo o próximo sábado, pois estamos com o tanque já na reserva. Este ansioso brasileiro já não agüenta mais pela sua alforria.
24 fevereiro 2011
Ingenuidade, uma arma poderosa
Eis que aconteceu um furdunço entre a classe dirigente futebolística do país. No tiroteio de interesses monopolistas, criou-se um clima de total desvio de foco na negociação dos tais “direitos de transmissão” dos jogos em que muitos viraram mocinhos, apesar de serem todos bandidos. A pauta, mais uma vez, se origina da visão cada vez mais distorcida do torcedor que valoriza a bunda grudada no sofá. Do lado de lá, cartolas, emissoras, imprensa, todos eles sabem o que estão fazendo – e fazem muito bem - para acabar de vez com o pouco de alma que ainda resta nas arquibancadas.
Não iremos ficar aqui explicando do que se trata o assunto, pois até os alienados da bola devem conhecê-lo. Façamos, então, a análise de alguns pontos que saltam aos olhos. Peguemos, em primeiro lugar, o grande totem que muitos ingênuos elegem como a salvação do futebol: a Rede Record. Sim, senhores, a emissora do bispo, aquela que toma dinheiro de gente pobre no dízimo e que transmite horas e horas de pregação numa concessão pública de um Estado laico, se apresentou como concorrente da Vênus platinada em uma disputa que, aos olhos desavisados, parece ser revolucionária. Só parece, porque temos aí a mera troca de mão da chibata.
Quem, por Deus do céu, acredita na boa intenção da emissora da Barra Funda? Quem garante que os horários esdrúxulos (os quais foram oficializados com o veto do generalzinho Kassab ao PL que previa término das partidas até as 23h15) irão acabar? Quem, pelo Santo do Pau Oco, não vê nessa investida crente mais uma movimentação tentacular da fé sobre outra esfera importantíssima do país, assim como é feito na política há algum tempo? Oremos, senhores, pois estamos diante de uma briga entre o Céu e o Inferno, e geralmente o barbudo e o chifrudo são os únicos que saem numa boa.
Adiante, é necessário frisar a subserviência ainda gigantesca de todos os envolvidos – inclusive da Record – à Rede Globo. Os clubes construíram sua divulgação e até mesmo suas vendas de patrocínio a partir do índice de audiência no canal 5. Parece-me até lógico, haja vista o interesse geral em deixar os estádios às moscas ou repletos de torcedores-modelo. Espertamente, os Marinho passaram a funcionar como um BNDES do futebol brasileiro, adiantando as famosas cotas e instituindo um sistema quase escravocrata. Não seria cegueira demais imaginar que o Clube dos 13 tomaria decisões sem levar isso em consideração? Está mais do que na cara a improbabilidade de qualquer time fechar com a Record, ou porque deve à Globo ou porque deve muito à Globo. Na malandragem, o C13 aproveitou a determinação do CADE em vetar os privilégios de negociação para tentar arrancar uma grana maior usando o bispo na jogada.
E então chegamos ao ponto crucial: o esfacelamento dessa eminência falsa. O C13 é uma bobagem que vinha se sustentando porque garante, apenas e tão somente, certo status a dirigentes decaídos. É também uma modalidade de monopólio do futebol que, se outrora prestou serviço ao esporte, agora está parada no tempo. Não é possível esquecerem que os jogos no meio da semana às 22h é culpa exclusiva do C13 e da CBF, cujas ineficiências ou submissões permitiram a emissora carioca desenhar a tabela dos campeonatos de acordo com suas vontades.
Por essa razão, é louvável que o tampão do Corinthians, ao lado dos presidentes dos 4 grandes do Rio, tenham tomado a iniciativa de cavar a sepultura desse ajuntamento de lordes. Os elogios, porém, ficam por aí, e agora passamos a avaliar apenas o alvinegro. Um dos grandes problemas - entre os muitos - de Sanchez é sua vocação para tomar uma decisão acertada seguida de inúmeras cagadas. Novamente, ao solicitar o desligamento do C13, ele não tinha na manga o próximo passo. Quando, em 1913, promovemos o revolucionário estapeamento da elite ao colocar a várzea no futebol da Liga, as ações foram muito bem programadas, estudadas e discutidas. Quase 100 anos depois, vemos apenas um dirigente jogando fumaça na realidade, deixando de exercer a função social do Sport Club Corinthians Paulista na defesa do seu povo e enganando trouxa sem sequer mencionar a questão indispensável: ou estatizam as transmissões ou cada clube possui sua própria emissora.
Antes que venham os gritos de “utópico!” por conta da suposta inviabilidade dessas duas propostas, é preciso reforçar que aqui neste espaço eu tento manter a coerência das idéias. E ser coerente é não conseguir aceitar que o futebol tenha seu destino traçado pela televisão. A televisão, ainda mais depois do crescimento gigantesco das novas e mais democráticas mídias, não pode mais ditar as regras. Ao mesmo tempo, clube que depende de dinheiro de transmissão de jogo cospe na própria história até meados dos anos 70, quando a TV não valia um vintém. De maneira que essas sugestões, além de atender os interesses dos torcedores, ainda garantem autonomia administrativa muito maior ao clube e acabam, definitivamente, com o futebol produto.
O mais assustador nesse papo todo é ver gente pensante, inteligente e freqüentadora de estádios caindo no conto de fadas elaborado pela mídia. Uma fábula na qual o Corinthians, notem, é a bruxa má (os times cariocas, de posição similar, são curiosamente poupados), tanto para a imprensa quanto para esses mesmos ingênuos que botam fé na Record ou em qualquer outra emissora. Na fábula, o Corinthians é o “advogado da Globo”, mas se esquecem de terem, os acusadores, defendido a emissora anos a fio. Dizem que é preciso “pensar coletivamente”, mas como trabalhar em conjunto com dirigentes do nível traiçoeiro de um Juvenal Juvêncio? Vou além, e digo que, se são tão nobres os reclamantes, para que precisam do Corinthians nas negociações? Será que não dão conta?
Pessoalmente, sempre me preocupo em avaliar muito a situação antes de esbravejar minhas opiniões. Consulto minha memória, avalio os fatos de acordo com minhas ideologias e, num último recurso, recorro ao inimigo para saber o que ele está dizendo. Fico contente em perceber que invariavelmente estou contra as vozes da verdade, malditos que usam os incautos para acabar com esse já combalido mundo.
21 fevereiro 2011
Pela simplicidade
Está chegando o Carnaval e me ponho a pensar seriamente naquilo que louva a frescura, a máscara da modernidade e as enganações típicas de um mundo sem alma. E o que isso tem a ver com a festa de Momo? Ora, o Carnaval é a hora do revés, é quando o pobre fica rico de alegria e o rico dorme bêbado na sarjeta. É o tempo do mais simples possível, sob a pena de se complicar.
Mentira, falei do Carnaval pois precisava mencionar os exploradores natos conhecidos como patrões. Desvalorizar os quatro dias de folia é nada mais que um ato terrorista dos pulhas, a grande maioria seres dotados de uma tristeza insolúvel: não ter amigos. Em não tendo amigos, presumem que o restante da população brasileira - sempre admirada a partir de uma superioridade garantida tão somente pelo poder econômico - não tem o direito de ser feliz. O imbecil que não dispensa funcionário do batente no Carnaval, portanto, é sinal de que o caminho atual leva às trevas.
Mas há outros exemplos de perdição na fuga do simples. Arthur Favela, figura simbólica da gloriosa e tradicional Associação Atlética Anhangüera, outro dia veio a público, indignado, noticiar que o campo da referida agremiação do desporto paulistano sofreu uma intervenção assassina: instalaram lá na várzea do Tietê, desrespeitando a raiz do futebol popular, uma merda de gramado sintético. A prática, aliás, é recorrente. Na Vila Maria, zona norte da capital, o terrão que ficava nos fundos da escola de samba local recebeu idêntico tratamento estético.
Aliás, as escolas de samba... É cada dia mais vergonhoso o que vêm se transformando os ensaios nas quadras e barracões. Infestados de ex-BBBs (nessa modernidade toda, ex-alguma coisa virou profissão bem remunerada) e celebridades de todo baixo nível, vai chegar o dia em que não veremos um único preto sambando. Até o ato de sambar ficou meio esquisito. Com as baterias funcionando no 220 e soando tal qual liquidificadores, as passistas sugerem ter pó de mico no cu. Pulam, não passam.
Como também não passa a raiva quando se nota o oportunismo de alguns representantes do poder constituído. Desde os promotores de merda que atuam no futebol até deputados que propõem projetos absurdos, essa escumalha que deveria estar a serviço do povo usa seu cargo de trampolim pessoal. Peguemos os babacas que atendem pelo nome de Luis Yabiku e Vinícius Camarinha, cujos projetos de lei em diferentes esferas congruem na proibição de cigarros e que tais em locais públicos. Além de todas as balelas sobre "melhorias na saúde", uma das principais defesas é a de que a idéia funciona em Nova York. Ora, que se foda essa cidade de merda! Noves fora, o tal Yabiku tem umas influências na Cosan, empresa que degrada o meio ambiente com sua monocultura extensiva e é fornecedora de álcool combustível. Aí eu pergunto o que poluiria mais, um cigarro ou um escapamento de carro?
Nesse conjunto articulado de iniciativas, a palhaçada lentamente se oficializa. Vá a um estádio e tente comer um pernil na porta ou beber uma cerveja. Pergunte ao colega de trabalho desse escritório bacana na Berrini onde tem um PF bem servido para o almoço e note o nariz torcido para a falta de glamour. Tente comprar um camarão na praia. Eu vi o fim e ele é meu vizinho: no último sábado, adolescentes faziam churrasco no prédio ao lado de casa escutando música eletrônica. Pela simplicidade, devemos combater essas práticas desgraçadas, urgentemente.
14 fevereiro 2011
Breves
Senhores, eu tenho muito a falar sobre dois assuntos. O primeiro é com relação ao fardo que sai das costas do Corinthians, cuja oficialização acontece nesta segunda-feira. Resumo o que penso: com os palhaços indo embora, o circo de Andrés Sanchez baixa a lona e a bosta do cavalo começa a aparecer. Obviamente, melhor escreveu e descreveu o que o corinthiano precisa ter em mente nesse momento o Doutor Sócrates, esse nosso guia. O texto vai ali para a coluna esquerda, na seção "Corinthianismo", com o título "O peso da camisa do Corinthians". De chorar!
E o segundo assunto é sobre o que vieram me cobrar sobre o meu partido participar da administração Kassab. Tal acontecimento demanda ainda mais reflexão e tempo, mas já adianto que nada do que escrevi por aqui será limado, tampouco irá cessar. Continuo achando esse cara um merda, mas não cairei no discurso comum de quem vê a política com olhos cândidos.
Depois eu volto...
07 fevereiro 2011
Corinthians em III atos
I - O clássico:
O resultado diante da porcada tem implicações que não podem mascarar nossa realidade, mas também não devem ser ignoradas. Nem esse bando de vagabundo consegue minimizar a alegria de destruir os verdes e mostrar que o Pacaembu é sim a nossa casa. Apesar do rival ter sido maioria esmagadora - é preciso lembrar, porém, que só o Corinthians coloca mais de 30 mil em clássico por lá -, o barulho alvinegro comprovou a máxima "quem manda nessa porra é a torcida do Timão". O risinho da quinta sumiu no domingo e o corinthiano que foi ao Pacaembu dormiu com a sensação de dever cumprido.
Mais: ficou provado, A + B, que não precisamos de ex-jogadores em campo. O nojento, o sujo Gordo e sua claque de imbecis não fazem a menor falta e não voltar nunca mais ao Templo Sagrado. Quem estiver a fim de festa, favor dirigir-se a outros clubes que possuem essa faceta, porque no Timão o futebol deve ser levado a sério.
São dois anos de hegemonia no derby, apesar de tudo e de muitos. Apesar de Tite. Apesar de Andrés. Apesar de Gordo e filhos da puta agregados. Fora com todos eles, AQUI É CORINTHIANS!
II - Os "marginais":
Eis que no sábado a torcida retomou seu papel e foi ao CT tocar o terror necessário para colocar o Corinthians de volta aos eixos. Antes mesmo de qualquer avaliação compromissada com o factual, a imprensa abutre já estampava nas manchetes o serviço dos "vândalos e marginais", com sua "violência desnecessária". Ora, corinthiano, esses carniceiros querem convencer você a não ir ao estádio por puro interesse do patrão, de olho nas vendas de publicidade nas transmissões e no pay-per-view. Querem despolitizar o povo, como fizeram durante todo o regime militar, para depois se transvestir de arautos da moralidade e cobrar consciência e engajamento.
O ápice dessa campanha sórdida, aliás, é o circo de Flávio Prado, esse arremedo de jornalista que, curiosamente, não pisa em estádios há um bom tempo. Seu programa, mesmo visto por quase ninguém, ainda tem certo impacto por trazer reproduzir intensamente o discurso reacionário do dito "torcedor comum" (que, registre-se, abandonou o Corinthians e não foi ao clássico). O grande problema é definir como violência o que deveria ser chamado de mera reação. Violência de verdade é desrespeitar um manto que recebeu litros de suor para se tornar o gigante que é. Violência é tratar o futebol como produto e o elitizar, é usar uma instituição gloriosa para enriquecimento ilícito. Violência é se apropriar indevidamente da paixão de milhões.
Nesse meio tempo, a torcida vem debatendo e levantaram a hipótese de não comparecer ao clássico nem aos demais jogos. A meu ver, faríamos exatamente o que querem os vagabundos. Querem também boicotar produtos de patrocinadores, como se isso fosse afetar contratos cujos interesses são todos, menos o impacto em vendas - duvido que tenha havido qualquer incremento no faturamento das empresas que estampam seu nome na vestimenta do time. Sugeriram até boicotar o Fiel Torcedor, o único direito adquirido pela torcida nessa gestão lamentável. Levando adiante tais sugestões, aí sim estaríamos cometendo a maior das violências, absorvendo a visão mercantilista do esporte, ao mesmo tempo em que exterminaríamos nossa característica de construção contínua do clube a partir do povo das arquibancadas. A bandeira máxima, o nosso norte, precisa ser a ampla participação dentro do Parque São Jorge e, no momento, a única maneira viável para chegarmos lá é forçar via porrada.
III - Morte:
A morte de William Morais para mim foi um baque. Nunca o vi a não ser em campo, defendendo o Coringão, mas a maneira como o troço aconteceu e o período conturbado pelo qual estamos passando deixou as coisas mais tristes. Sem querer me aproveitar da tragédia, é bem sensato afirmar que há alguns assassinos indiretos, desde Mano Menezes até Tite, passando também pela diretoria. Esse moleque era para ser nosso camisa 9 desde o ano passado, mas sua, digamos, incompatibilidade com o banco de negócios que hoje toma conta do clube fez com que ele acabasse emprestado. Todos, todos vocês, crápulas, devem prestar contas à família desse garoto. Daqui de baixo, a família corinthiana pede para São Jorge recebê-lo em boa conta.
CORINTHIANS! CORINTHIANS! CORINTHIANS!
03 fevereiro 2011
Acorde, corinthiano!
Texto indicado pelo mano Filipe.
"ELITIZAÇÃO DO CORINTHIANS
por Wagner da Costa, quinta, 3 de fevereiro de 2011 às 11:09
Há 3 anos para se associar no SCCP no primeiro ano pagava apenas o titulo, hoje em dia paga o titulo e a manutenção, manutenção que custava R$ 50,00 e hoje custa R$ 80,00 sendo que qualquer atividade que faça no clube é pago a parte.
Era permitido a entrada de não sócio para visitar o clube desde que um sócio autorizasse na secretária, hoje e cobrado R$ 50,00 para visitar.
O presidente viu que o Povão estava se associando e esta dificultando a possibilidade do povo se associar, sua mascara caiu. Presidente que só pensa em dinheiro e divida que nunca diminui...
Sem falar nos preços dos ingressos, e um absurdo arquibancada que já ficamos um campeonato paulista inteiro sem entrar no estádio por que estava sendo cobrado R$ 20,00 e hoje esse presidente me coloca R$ 50,00 num jogo de libertadores para fazer a Fiel passar essa vergonha.
Fora Andres!"
Leia mais: Por uma crise corinthiana
A violência voltou
A noite, que começou péssima para mim, comprovou o ditado do "ruim que pode piorar". Ver esse juntado de vagabundos vestindo uma sagrada camisa e protagonizando um vexame indizível é algo que eu, realmente, não precisava testemunhar. Já tivemos derrotas que doeram no fundo da alma. Hoje, o problema é a falta dela...
Em momentos como esse, a razão é a única coisa da qual temos a obrigação de abrir mão. É preciso descer o braço, dar porrada em filho da puta que fez do Corinthians um loteamento de esquemas para enriquecimento ilícito e para a prática despudorada e escancarada do anticorinthianismo. A começar pelo presidente tampão, passando pelo diretor de marketing e chegando na socialite obesa. Todos precisam apanhar, todos!
Domingo, se não bastasse, é dia de derby. A improvável à enésima potência vitória não pode servir como outra maquiagem a um boneco de cera que começa a derreter. O apoio ao Corinthians é defender seu maior patrimônio, ou seja, sua origem popular e de lutas. O Corinthians, como maior movimento social do mundo, não pode ficar à mercê dos parasitas do mercado, da modernidade e das negociatas.
Acorde, corinthiano! Esse modus operandi valoriza exatamente aquele que nunca deveria merecer destaque. A diretoria do bizines quer tratar como rei os aproveitadores, os babacas de camisas coloridas que desprezam a nossa Centenária história e nossos bravos antepassados a troco de oba-oba. Em todas as partidas no Pacaembu, é nossa obrigação tornar a vida dos vagabundos um inferno, até que todos sumam do Parque São Jorge. Se você é um adepto da babaquice, alienação e higienização social, nem chegue perto do estádio.
É chegada a hora de declarar guerra! Temos de varrer o anticorinthianismo de dentro de nossa casa. PELO CORINTHIANS, COM MUITO AMOR, ATÉ O FIM!
27 janeiro 2011
Pensamentos raivosos de uma noite vexatória
- Não adianta xingar jogador que está correndo se temos um vagabundo que não se mexe e só se apresenta para pegar o filé.
- Técnico que num jogo decisivo tira um lateral para colocar outro lateral a 10 minutos do apito final não sabe o que fazer.
- Torcida que leva como lema Lealdade, Humildade e Procedimento não tem o direito de passar pano para jogador vagabundo. Aliás, eu disse tempos atrás também que receber presidente do clube na quadra da torcida é, no mínimo, conflito de interesses.
- Torcida tem que torcer, e não ficar jogando sua história no lixo em prol do Carnaval e entregando seu patrimônio a nós sabemos quem.
- Apoiar os 90 minutos é o caralho. Chega de gastar gogó com vagabundo. Faz-se necessário criar um clima de medo para separarmos o joio do trigo. Quem não agüentar, pode sair fora.
- Enquanto tivermos como público gente que pretere um ídolo que ganhou o primeiro Brasileirão do Corinthians a uma baleia que descompromissada, os problemas tendem a aumentar. Por muito menos, jogadores que fizeram muito mais foram escorraçados do Parque São Jorge.
- É preciso reverter o clima quanto à direção do clube. Enquanto a grande maioria comprar a falsa idéia de que a administração do tampão é ótima, ele terá carta branca para continuar com seus esquemas e seu marketing anticorinthiano.
- Falando em marketing, cadê você que não vive de títulos e não pagou 300 conto para ver o Corinthians?
- Também é preciso formar desde já uma oposição de fato dentro do Conselho. Depois de ontem, eu quero que se foda: vou me endividar para comprar a porra do título ainda nesse fim de semana.
- A apatia do time em campo é muito o reflexo da inação da torcida.
- Vagabundo tem que tomar tapa na orelha para aprender. Tem de haver pressão, senão não é Corinthians.
- Ainda assim, depois da noite de ontem, tem filho da puta descompromissado que consegue dormir bem, dizendo "ah, é só futebol". À merda todos vocês!
PELO CORINTHIANS, COM MUITO AMOR, ATÉ O FIM!
25 janeiro 2011
Por uma crise corinthiana
O Corinthians precisa de uma crise. Pode até ser incoerente ler isso por aqui, mas a crise que devemos propor não é daquele tipo que a abutraiada insiste em inventar no Parque São Jorge. De tempos em tempos, organizações sociais se vêem diante de uma encruzilhada e somente um ambiente em ebulição é capaz mostrar o rumo certo na trajetória. Mais ainda: tradicionalmente, o Coringão sempre fez das suas insurreições internas um poderoso instrumento para manter sua essência e sua história intacta. Portanto, nada mais justificável que essa movimentação parta legitimamente do povo e para o povo.
Há tempos o Corinthians vem se desfigurando. Essa massa ignóbil, hoje em dia tão presente nos estádios por conta da modernização e da elitização promovida pelo marquetim roxembergueano, valoriza mais um ex-jogador socialite que o próprio clube. Clamam por contratações de europeus, acham o máximo pedir um jogador que disse gostar muito de nos vencer – ainda que nunca tenha feito isso. Ao mesmo tempo, desrespeitam nosso Manto Sagrado apoiando cores esdrúxulas e desfigurações dos modelos tradicionais. E quem somos contra tudo isso somos chamados de ultrapassados e intolerantes.
Por conta disso, precisamos reorganizar a torcida. É fato que os Gaviões da Fiel, outrora grande articuladora de toda e qualquer mobilização das arquibancadas, desde a década de 90 passa por uma despolitização e uma falta de compromisso que fariam seus fundadores se envergonhar e se decepcionar profundamente. Urge iniciar um processo de conscientização para que a Fiel retome o papel que sempre teve, de dar rumo à instituição. É preciso dizer que o foco dos Gaviões não é o Carnaval e suas atividades interligadas – e eu sempre ressalto que sou contra essa faceta, porque acaba com a torcida e com o samba.
Diante dessa realidade, não é exagero afirmar que a oposição ao areia mijada inexiste. Aquele banner no menu esquerdo pedindo o “Fora Sanchez” é um grito no deserto. Mas o cara, reconheçamos, é esperto. Calou todo mundo colocando gente em seu nocivo esquema ou fazendo pequenos favores para ganhar tempo e conseguir perpetuar o trabalho de seus mentores, devastando o patrimônio físico e moral do Corinthians.
Ressalto a publicação dessas palavras antes do jogo contra o Tolima. Segundo consta – e não compartilho essa opinião -, é o jogo do ano. Justamente para não soar oportunista diante de uma tragédia que se mostra iminente na quarta-feira, clamo por um clima bélico no Pacaembu, qualquer que seja o resultado. Ao ouvir palminhas hipócritas, xingue e ameace o babaca autor desse despautério (no caso de insistência, desça a mão no sujeito). Ao ver um cretino de camisa roxa, ordene a retirada do troço. No intervalo e no fim do jogo, grite contra o preço absurdo dos ingressos e incentive o linchamento da diretoria. Aproveite para ameaçar todos os vagabundos que certamente não irão se esforçar. Ainda que seja inacessível a muitos, associe-se ao clube (essa é minha meta para daqui dois meses) para fazer barulho lá dentro. Caso contrário, estaremos diante de uma ameaça muito maior que uma mera eliminação no torneio.
ACORDA, FIEL!
20 janeiro 2011
A ridícula pretensão de um indizível mijo de rato
Meses atrás, a minha cerveja de estimação embarcou numa de trocar a cor de sua lata. Levada a cabo por uma campanha de marketing que no fim das contas teve bons resultados, a Brahma deixou de lado a mesmice das latas alviprateadas e investiu no vermelho. Defensor de causas que sou, ignorei solenemente minha própria desconfiança e desfiei inúmeras justificativas - algumas injustificáveis - para convencer os outros dos benefícios que a mudança traria.
No supermercado, por exemplo, ficou muito mais fácil de distinguir a Brahma nossa de cada dia à distância (a Antarctica, minha número 2 na preferência, foi pioneira nisso ao se smurfetizar). Na campanha eleitoral, o mote #ondavermelha que extirpou a demo-tucanalhada e elegeu a presidenta Dilma serviu de desculpa para arregimentar partidários à nova lata. Para quem foge das blitzes da lei seca, dá para dirigir tranqüilamente com uma gelada na mão e outra no volante porque os gambés e os cagüetas vão achar que é coca-cola.
Argumentos pessoais à parte, a prova maior do sucesso de alguma coisa aparece quando ela é copiada descaradamente pelos concorrentes. Dias desses, vi dois caboclos com vermelhinhas na mão e logo pensei como seria boa idéia ir até a padaria comprar meia dúzia. Qual não foi meu pavor ao olhar mais atentamente e perceber que a cerveja em questão era a nojenta Itaipava.
Citei essa bosta e preciso fazer a necessária digressão. Tal mijo de rato apareceu cheio de pompa nas propagandas, se vendendo mentirosamente como um produto refinado da Cervejaria Petrópolis. Ganhou popularidade porque atingiu em cheio os anseios dos beberrões amadores, nojentos tal qual o produto que sorvem e tão facilmente reconhecíveis em eventos nos quais as bebidas são rateadas entre os presentes. Percebam: eu levo Brahma porque bebo Brahma e, suponho, todos no planeta bebem Brahma. No afã de economizar alguns centavos e pagar de moderno, esses oportunistas aparecem com um - sim, geralmente eles levam só um - fardo de Itaipava. Na hora em que o bicho pega, porém, lá está a minha Brahma descendo na goela nos desgraçados...
Sim, eu sei que a Brahma é artigo da Ambev, que a Ambev piorou consideravelmente a qualidade de suas cervejas e que os donos de bares, principalmente os pequenos grandes bares, comem o pão que o diabo amassou com o fornecimento nada digno da multinacional. Mas, oras, Brahma é Brahma e eu vou brigar do mesmo jeito que o Zeca Pagodinho brigou para ter uma caixa delas na gravação do comercial da Schincariol, este outro lixo que habita certos gogós desavisados.
Certamente, maior que a indignação com o monopólio da Ambev deveria ser a ojeriza à blasfêmia da Itaipava de tentar se equiparar a uma instituição etílica. Seria o mesmo que colocar a camisa do Corinthians no s4n7os: o time médio da baixada nunca vai ser grande. Pintar a lata da Itaipava, portanto, não traz automaticamente o carisma popular e o sabor da Brahma que, vale lembrar, tem sua origem glorificada pelo abolicionista dizer "desde 1888" estampado no logotipo. É preciso, no mínimo, respeito. Porra!
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