11 setembro 2008

Clippando


- Cosa nostra

Costuma-se falar que a Falha de S.Paulo é o informativo institucional do PSDB. Eis que hoje o jornal publica reportagem sobre um jantar tucano de arrecadação de verba para a campanha em SP. Conversa vai, conversa vem, e o texto termina assim:

“A Folha comprou pelo valor de R$ 1.000 um convite para o jantar de arrecadação da campanha de Alckmin, ontem, após ser informada de que a imprensa não teria acesso ao salão principal do evento. Por entender que seria necessário estar no local para melhor descrever os acontecimentos aos leitores, o jornal adquiriu em nome do jornalista Claudio Dantas Sequeira um convite para o evento”.

Fosse este um país com uma imprensa séria, ou ainda, com uma imprensa plural, alguém teria todo o direito de manchetear na capa de hoje:

“Folha doa dinheiro para a campanha de Alckmin”

Está, portanto, oficializado e escancarado quais os interesses são defendidos pelo diário do Frias, ainda mais agora, nesse período de eleições.



- Schumacher e Rubinho

O Estadão falou que um grupo da tropa de choque do PCC será solto, segundo decisão do STF. O habeas corpus foi concedido devido a demora excessiva no processo de dez acusados, reclusos há quatro anos por tentarem invadir e soltar mais de mil detentos de um presídio. Quatro anos para provar o que é explícito!

Enquanto isso, o mesmo STF, na figura de seu presidente Gilmar Mendes, atropela todas as formalidades e liberta Daniel Dantas duas vezes em menos de uma semana, condena delegados e juízes e tenta impor ao Congresso uma rapidez na avaliação de novas leis.



- Tome chocolate, pague lo que deve

Outra da Falha: “Sem Corinthians, futebol cai 11% na Globo”.

É só fazer as contas com relação ao faturamento da emissora câncer e renegociar o contrato de transmissão dos jogos. Chega de dinheiro de pinga e subserviência!




- A vingança vem a cavalo

Belíssimo jogo o da seleção no Engenhão. Seleção da Bolívia, lógico, que conseguiu anular os "melhores do mundo". O Brasil, aliás, levou duas cacetadas bolivianas, no campo e no gás. Fora isso, gostaria de perguntar ao goleiro (tsc) Julio César, aquele que foi pra cima do Lula demonstrando patriotismo (e apesar de morar na Itália visando exclusivamente a grana de lá): por que você, que é tão brasileiro, não sabe cantar o hino nacional?

3 comentários:

Filipe disse...

CHEGA DE ABUTRAIADA!!!

Vamos ser abutres de abutres, cazzu.


CHUPA ABUTRAIADA!!!

- mais uma falha bem falha, de fato. outro dia aquele ilustre clóvis cita, como não quer nada - aliás, do nada - o preibói iraniano. Acho que foi na terça. tenta ver, quando puder.

Porque não cita o hawilla, que daria na mesma, teria o mesmo efeito no que ele quis dizer?

(quer que eu diga porque?)

Raphaello disse...

Caro Cráudio, como estamos, meu velho? Obrigado novamente pela solidariedade, e aproveito para vir falar um pouquinho da Bolha.

Lá no Cruz evito falar de política (não se trata de um blog plural como o seu), então deixa eu desabafar um pouquinho por aqui: trabalhei um ano ali como fotojornalista, em 2002. Estávamos em campanha para a presidência e governo do estado, e a Marta já era prefeita. Afirmo para você, categoricamente, que saia todo dia daquela redação com o objetivo de desconstruir o governo da prefeita petista em São Paulo.

Repórteres da editoria "Cotidiano", a mando do seu editor, imprimiam listas com endereços das escolas municipais, creches e postos de saúde construídos pela Marta. Minha missão (e de outros fotógrafos e repórteres) era sair rodando com um carro e motorista da Folha, visitanto todos esses lugares para procurar pelo em ovo. Valia foto de rachadura em parede, muro pixado, escola sem acesso para deficientes, enfim, qualquer coisa que servisse como munição para uma matéria negativa no dia seguinte.

Seguia tanto a prefeita que, em certa altura, ela olhou para mim no salão azul do Palácio das Indústrias antes de uma coletiva e disse: "o que você vai fazer para falar mal de mim hoje?..." Respondi: "Prefeita, pelo amor de Deus, não é minha culpa!". Ela sorriu e respondeu: "Eu sei, meu querido, pode ficar tranquilo que eu sei que não é você."

Vale dizer que o velho Frias era amigo pessoal de Paulo Maluf - e o foi até o dia de sua morte. É bem verdade que a folha corrida do libanês o afastou da linha editorial da Bolha, que adotou o PSDB já há uns 15 anos como forma de combater a esquerda em São Paulo.

Mas o que eu acho mais canalha é que, ao contrário do Estragão (que assume em editorial sua tendência política conservadora), a Bolha finge ser "pluralista" e "imparcial". Isso é ludibriar os leitores e agir de forma desonesta. Correndo o risco de estar novamente andando na contramão, acho mesmo que deveriia agir nesse país uma agência reguladora e uma Lei de Imprensa severa para enquadrar essa corja de canalhas vendidos. Liberdade de imprensa, aqui, significa poder caluniar, mentir, distorcer os fatos e tentar mudar os rumos de uma eleição. E isso acontece porque vivemos nessa pseudo-democracia de merda, onde só a imprensa pode ditar normas de conduta, comportamento e moral.

Decididamente, a censura faz falta nesse país tupiniquim. E muita falta.

Craudio disse...

Grande colaboração, Raphael! Impressionante também é a postura de intocável que mantêm esses crápulas da imprensa. O problema é exatamente o que você mencionou. Vestem-se de imparciais, mas atendem a interesses.

Não teria problema nenhum se assumissem que são um jornal tucano. Meu estimado Portal Vermelho assim o faz. A isenção está na maneira como se pratica o jornalismo, não se curvando a imposições comerciais e publicando matéria paga. Ideologias e preferências todos temos.

Quando você se recuperar plenamente, marquemos um buteco para tratar desses e de outros temas. Abraços!