10 setembro 2008

O aniversário no Vico


Ao invés da tradicional dupla cerveja+buteco, neste aniversário mudei os rumos e parti para uma comemoração mais recatada. Fui com Evinha ganhar meus graaaaandes presentes ao Vico d'o Scugnizzo, uma cantina napolitana fantástica do bairro de Pinheiros.

Antes, à tardinha, fui à internet confirmar se eles já aceitavam cartões, coisa que não fazem ainda e que também não depõe contra. Deparo-me, na pesquisa, com algumas opiniões sobre o lugar. Uma lá dizia que o espaço era mal cuidado. Outro reclamava da falta de opções de molho, pois "só tinha de tomate" (???). Um terceiro defenestrava a assistência, chamando-a de omissa e despreparada. Pobres coitados que não sabem reconhecer uma preciosidade.

Primeiramente, devo falar como é o Vico. Trata-se de um pequeno cortiço, onde se adaptou cozinha, banheiros, bares e, no pátio ao fundo, colocaram-se as mesas e um piano antiquíssimo. A entrada é peculiar, e você vai perambulando no meio daquela favelinha até chegar onde interessa. Entre as portinhas coloridas, imagens de santos e fotos na parede.

Aqui, uma primeira dica: há de se chegar cedo ao Vico, principalmente a partir da quinta-feira. A espera é braba, uma vez que quem vai a cantinas tem a obrigação de permanecer algumas horas à mesa.

Dito isso, passemos ao cardápio. De fato, são poucas as opções. Ainda bem. Não há aquelas frescuras modernas que vemos por aí. É tudo ortodoxamente e intransigentemente napolitano, além de delicioso. Pode-se, ainda, optar pela mesa de antepastos, com a fartura e a variedade que a ocasião pede. Porém, não dá para esquecer do couvert, um belíssimo pão italiano ao alho frito na hora, em finas fatias. Acompanhando, um pouco de sardela, azeitonas, manteiga e uma beringela em conserva. Finalmente, para amansar o figueiredo, peça sem pestanejar a barrica com o vinho da casa. Mas experimente antes, porque excepcionalmente ontem ele não estava dos melhores.

Caso todos esses argumentos ainda não forem suficientes para tirar alguém de casa, eis a sugestão matadora. Vá às sextas, chegue por volta das 20h, e aguarde. Não peça o prato de imediato. Aprecie o couvert, belisque algo da mesa de antepastos e seja brindado com uma bela apresentação ao piano do tiozinho que por lá bate cartão no último dia últil da semana. É um maestro, literalmente. Tudo isso é meio caro, mas é um dinheiro bem gasto. Memoráveis as horas de prazer por lá, como as que eu passei neste meu último aniversário.

4 comentários:

Filipe disse...

Tenho a alegria de freqüentar lugares como o Vico desde que era espermatozóide em um óvulo, portanto:
1) assino embaixo do que esse Japonês da Calabria está dizendo
2) se um babaca fala esse negócio de que "só tem molho de tomate" na minha frente, vai perder no mínimo três dentes, mas com a certeza de que o fará cheio de solenidade
3) vale cada centavo gasto, só por me fazer lembrar da minha Vó e do filho dela.

Faz tempo que não vou lá...

evaodocaminhao disse...

ah, aquela última gota de vinho...

bruno disse...

O Vico nao so é um lugar super alegre como delicioso, nem na Italia temos tamanha engenhosidade. A comida e deliciosa e bem caseira, a pastiera di grano e barbara e totalmente diferente, nao deixe de experimentar essa sobremesa. Vale a pena comemorar o aniversario la.

bruno disse...

O Vico nao so é um lugar super alegre como delicioso, nem na Italia temos tamanha engenhosidade. A comida e deliciosa e bem caseira, a pastiera di grano e barbara e totalmente diferente, nao deixe de experimentar essa sobremesa. Vale a pena comemorar o aniversario la.