02 setembro 2008

Salve, Baviera


Conheci neste fim de semana a ouropretana República Baviera. Incrustada num morro próximo à Praça Tiradentes, os bicudinhos bonitinhos comemoraram 50 anos da casa, numa festa em que tive a honra de poder participar.

É necessário, no entanto, lembrar que a grande responsável por me apresentar essa simpática morada na Rua dos Paulistas foi a Evinha. Desde que começamos a nos engraçar, ela me falava de seus carnavais em Ouro Preto (cujos detalhes, por motivos óbvios de total displicência ao masoquismo, nunca quis saber). E de como as pessoas vivam num clima de intensa e verdadeira irmandade.

Fato é que, durante o período do começo do namoro até agora, ela não havia mais voltado para lá. O que me fez partir do Tietê com um receio claro: vão me culpar por isso.

Qual foi minha surpresa ao entrar na casa e ser presenteado com um copo americano por um bixo, que serviu também a primeira das muitas garrafas de Original do dia (o total computado no fim de semana foi de 70 grades). A receptividade dos antigos e atuais moradores foi de impressionar. Apesar de ser nada mais que um penetra no convescote, todos, sem exceção, trataram-me do melhor jeito que um anfitrião pode fazer. E isso foi me emocionando ao longo do dia.

Ao longo do dia também foi chegando uma tonelada de gente. Pessoas da velha, da velhíssima e da antiqüíssima guarda, que desde 1958 seguiram à risca ideais hoje imprescindíveis aos novatos. Aquela coisa de se respeitar o lugar, baixar a cabeça pro mais velho e saber o que a construção branca e azul representa a cada um dos bavieranos.

O ápice do troço aconteceu na exibição de um vídeo comemorativo. Foi quando eu tive a certeza de que aquilo já havia me conquistado o coração. Vi, inclusive, o que significou o incêndio que destruiu grande parte do imóvel há dois anos. Coisa totalmente superada por causa – novamente -, do espírito solidário e fraterno daquele povo.

Comentava com a Eva, já no fim do domingo, que isso é mais um dos valores que se perderam nas grandes e “modernas” cidades. Elementos que nos fazem falta e nos levam à submissão a um sistema de sobrevivência vil e auto-destrutivo. Por isso mesmo, fugir vez ou outra dessa maldição é questão de saúde, mental e física. Ainda mais para um sujeito que, como eu, sempre buscou agregar pessoas em torno de ideais. Mesmo que esses ideais sejam cerveja e festa - e até para isso é necessário o respeito às tradições e a exaltação da amizade. Saí de lá com o coração amargurado, mas com a certeza de que o mundo ainda tem jeito.

Saudações, bavieranos!


Um comentário:

proeva disse...

acho q não poderia ter te oferecido prova maior de confiança...

obrigada por respeitar essa adorável casinha