20 outubro 2008

Sucessão de imbecilidades


Apesar do atraso, não dá para deixar passar batida mais uma pataquada da Polícia Militar paulista, que teve, ainda, outros elementos trágicos e nefastos de tempero.

A primeira imbecilidade no caso do seqüestro em Santo André foi o retorno de uma ex-refém ao local do crime. Em lugar nenhum do mundo cogita-se essa possibilidade de negociação. A nossa PM, porém, decidiu inovar e colocou novamente em risco uma vida que já estava salva.

Na quinta-feira, outra palhaçada sem tamanho. Tentando capitalizar sobre a tragédia, dirigentes leonores tentaram mandar um representante (no caso, o anão de jardim que assumirá em breve a secretaria de esportes) para “intermediar as negociações”. O herói dos fracos e oprimidos foi devida e obviamente barrado pela polícia...

Depois, no início da noite de sexta-feira, a tragédia se consumou: estoura-se o cativeiro, ouve-se tiros e as reféns saem de maca para o Pronto-Socorro. O suposto responsável pelos disparos, um corno psicopata, leva na saída umas porradas dos PMs. É o único revés ao animal que manteve por quase uma semana duas pessoas sob ameaças e agressões.

Seguida do ápice está a sucessão de trapalhadas, em que se explicita, inclusive, o negativo papel representado mais uma vez pela imprensa nativa. Minutos após o arrombamento, o governador José Serra (que um dia antes havia inflamado o lamentável embate entre as polícias Civil e Militar) “mata” a moça que fora pivô da crise. Deu a notícia com exclusividade para a Globo – mais sobre isso no PHA – e os outros repórteres, levando a sério a máxima “só aconteceu se saiu na Globo”, disseminam o erro de informação, esquecendo do básico: a apuração. Mais tarde, no Jornal Nacional, o mesmo Serra aparece com uma cara de bunda, pede desculpa pela vergonha a qual ele fez seus assessores, err..., jornalistas passarem e ressucita a vítima.

Alguns questionamentos: por que cargas d’água a PM levou tanto tempo para invadir o cativeiro, prolongando a operação por cinco dias? É muita paciência e muito cartaz para um mané que queria aparecer. Prova disso é sua elevação a “príncipe do gueto”, auto-promulgada nos primeiros momentos do seqüestro. Falando em príncipe, reproduzo aqui a dúvida do Raphael: por onde anda o Capitão Gay? Será que ele foi visitar a outra vítima no hospital? E a família da morta, será assistida pelos leonores? Finalmente, de quem é a autoria dos tiros que matou uma das adolescentes e atingiu a outra.

Não nos esqueçamos, finalmente, de condenar outro caso de superexposição da mídia, que usou e invadiu a privacidade de uma adolescente, valorizando um factóide com o objetivo de aumentar audiência e as vendas. Opa! É a mesma mídia que, dias antes, detonava a campanha de Marta porque ela havia perguntado sobre o estado civil do generalzinho demoníaco. Haja hipocrisia.

Tivemos na última semana uma das maiores crises na segurança pública de São Paulo, com o confronto de polícias causado pela intransigência de um governador e o despreparo da PM em lidar com um caso aparentemente simples. E eu só queria saber onde encontro essa manchete.


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Sobre o Corinthians, eu só me manifesto após o jogo do próximo sábado. E aí agüenta...

2 comentários:

Raphael disse...

Cara, deixo teu texto (e o do Filipe) linkados lá no Cruz, porque não posso mais falar desse assunto agora, e voc disseram tudo. Tenho duas filhas, é uma sensação de tristeza mesmo, além de todos esses ingredientes já terem embrulhado meu estômago até o limite.

Saí de campo no intervalo (não dou sorte mesmo contra os nazis, se não saísse meu time não empataria) e fui assisitir o segundo tempo num reduto da Mancha Verde.

Por isso não vi quando 30.000 vozes ovacionaram o anão-acéfalo, que teve o despeito de pisar meu Jardim Suspenso:

"EI! VOCÊ MATOU A REFÉM! EI! VOCÊ MATOU A REFÉM"

Teria ficado lá, só para gritar também.

Mônikita disse...

Disse tudo que vergonha pro madame satã ...queria aparecer em cima de um doente bambi corno ...
Alias emboscada e se sopbrepor em cima de quem não está nas msm condições é bem tipico da bixarada msm.
Qto a policia ... acho que o tenente era bambi tb FATO!