16 março 2010
Quem não tem cão...
Quem é músico ou já tentou ser músico alguma vez na vida - como é o meu caso -, invariavelmente segue o mesmo caminho: depois de escolhido o instrumento, vêm as aulas; das aulas, vêm os amigos que também tocam alguma coisa; dos amigos, forma-se o grupo; do grupo, as primeiras composições. O esquema sempre é muito sério e só permite a exceção de tocar canções de grupos conhecidos, geralmente influenciadores do tal trabalho próprio.
99% dessas empreitadas não vingam, seja por falta de oportunidade, de talento - como é o meu caso -, de sorte ou de insistência. É nas horas de indefinição e tristeza que aparece o que eu chamo de síndrome "Mamonas Assassinas". Você começa a tirar músicas do Só Pra Contrariar, da Jovem Guarda ou do Sérgio Mallandro só para fazer uma graça e relaxar nos ensaios e gravações. Em alguns casos, como no do falecido grupo guarulhense, o troço dá certo e muita gente começa a gostar.
Dias desses, vi no Youtube um tal de Fabrício Vinheteiro, pianista clássico que cansou de levar porta de orquestras na cara e resolveu interpretar temas de seriados famosos da televisão em seu instrumento. Para vocês terem uma idéia, fiquei quase duas horas assistindo a todos os vídeos relacionados ao cara, e a maioria é genial.
Deixo abaixo as duas obras que mais me agradaram. Vale visitar o perfil do Vinheteiro e conhecer um pouco mais da obra do sujeito. Sim, há demente para tudo nesse mundo...
15 março 2010
Dois em um
Fim de semana cheio de acontecimentos merece um post gigantesco, que será quebrado em dois para contemplar tudo o que eu tenho para falar.
- Fuck You, Axl Rose
Não, não é um protesto contra o cantor-símbolo da geração que cresceu escutando, a cada cinco minutos, "Sweet Child o' Mine" em todas as FMs, numa época em que as rádios ainda recebiam jabá para tocar músicas de qualidade. A expressão que abre o texto saiu da boca do próprio Axl durante a apresentação do Guns n' Roses aqui em SP e pode ser uma síntese da transformação pela qual passou essa que foi a maior banda do planeta na década de 90. Mesmo um pouco rouco, o agora tiozinho da bandana mostrou que ainda tem muita lenha para queimar.
A Evinha resumiu perfeitamente a apresentação: "foi o maior show que eu vi", tanto na duração quanto na imponência. Apesar de um som péssimo que fazia a voz do vocalista ir e vir constantemente (injustificável problema se você cobra R$200 num ingresso de pista), estávamos diante de um monstro até há pouco adormecido. O hiato desde o desmanche da formação clássica do Guns até o lançamento do "Chinese Democracy" - permeado por algumas tentativas de retomada às vezes constrangedoras - deve ter feito bem a Axl, que vem arrebentando nessa turnê.
Não há mais aquela rebeldia incontida e, obviamente, muito forçada do loirinho que tocou aqui em 1991 no Rock in Rio II. Também não dá para dizer que estávamos diante de um pároco, pois logo na primeira música veio a ameaça de sair do palco depois que ele foi atingido por algum objeto vindo do público da tal "Pista Vip"... Fato é que aquele espírito de porco se transformou em sarcasmo (vide o "Fuck you, Axl Rose" autofágico) e hoje o cara está se divertindo no palco, o que torna as coisas muito mais interessantes. O essencial, porém, não se perdeu: Axl ainda canta demais.
O gogó em dia ajudou na execução dos clássicos, os pontos altos que se contrapuseram às músicas do novo álbum, bem fraquinhas. Foi inesquecível a oportunidade de escutar, ao vivo, "Mr. Brownstone", "You Could Be Mine" e "Welcome to the Jungle", além de "November Rain", que fez a Evinha se desmanchar em lágrimas. Foram mais de 2 horas e meia de muito barulho, virtuosismo nas guitarras, luzes, explosões e tudo o mais que um grande show de rock deve ter. Na noite do último sábado, assisti ao filme de minha adolescência inconseqüente, e a trilha sonora era perfeita.
P.S.: vale falar do passa-moleque que Axl Rose deu nos babacas da casa noturna que disseram ter contratado o Guns para um "show surpresa" que todo mundo sabia. Resumidamente, ele preferiu tocar para um estádio cheio de fãs a agradar meia dúzia de paus-no-cu. Finalmente, não posso deixar de mencionar a péssima escolha do chiqueiro para receber a apresentação paulistana. Sair daquele lugar é missão impossível por conta das escadas montadas no vão entre as arquibancadas e numeradas e o campo.
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A estréia do Corinthians
O Corinthians finalmente estreou no ano do seu Centenário. Jogando de maneira organizada e matando a partida nos primeiros 15 minutos, o Coringão retomou o esquema com 3 atacantes de 2009 e desbancou um adversário direto na busca pela classificação às semifinais do Paulistão. Destaque novamente para Dentinho, que fez nosso gol de número 10 mil, e para Roberto Carlos, que chegou da Turquia, fez seu debut com um golaço e comemorou a la Neto.
Curioso foi ver que o time resolveu a parada quando a baleia disforme resolveu correr. Foi ele quem deu o passe para os dois gols, de maneira brilhante, mas parou por aí. Talvez satisfeito com sua performance, ele voltou à velha postura de pepino do mar, perdeu 3 gols imperdíveis e só mostrou mobilidade quando voltou a chover - as baleias, apesar de mamíferas, precisam de água para se locomover.
Além dos destaques individuais, o que mais a Fiel deve valorizar é o posicionamento tático. Ainda contando com algumas falhas da zaga com as quais estávamos desacostumados (o William precisa, de verdade, treinar jogadas pelo alto), é notável a melhora em relação às últimas partidas. Tabelisticamente, trata-se de um belo resultado, que dá moral para a batalha do Paraguai na próxima quarta-feira. Acredito numa vitória suada, do jeito que a gente gosta.
Mas suado mesmo é ir até aquela merda de Arena Barueri. Além de ficar longe de tudo (e eu moro do lado do Rodoanel), a tal propaganda de que se trata de um local moderno e confortável é mentirosa. Logo na entrada e nos banheiros, alagamentos por toda parte. O estacionamento é um caos e muito caro, a arquibancada não permite uma visão total do campo - não vi se o primeiro gol tinha entrado ou não porque a parte inferior da meta fica encoberta pelo muro que segura o alambrado - e os acessos ao estádio parecem igarapés. Mais ainda, é revoltante uma cidade com tantos problemas de infraestrutura como Barueri usar seu orçamento na construção de um lixo desses, ao invés de investir em melhorias básicas (não precisa nem ir muito longe, pois atrás do estádio tem uma favela que iria comemorar e muito a construção de, sei lá, uma escola).
Ao chegar em casa depois de uma hora e meia de trânsito, fiz um juramento: não piso mais naquela bosta. Se o Corinthians resolver mandar todos os jogos lá daqui para frente, encerro minha vida de arquibancada. Essa diretoria é brincadeira...
VAI CORINTHIANS!
12 março 2010
Previsível desmoronamento
Antes de tudo, uma história que merece ser repetida. Corria o ano de 2004 e o governo Lula já sofria com a irresponsabilidade da imprensa desde a campanha em 2002. Ainda não haviam transferido a maternidade do mensalão tucano aos petistas e qualquer deslize do presidente em discursos era motivo de crise, assim como a sua ortodoxia excessiva no campo econômico - ortodoxia que fora cobrada pela mesma imprensa ao mesmo Lula.
Assim como o mandato do metalúrgico, o Orkut também engatinhava e este que vos escreve criou, no dia 08 de junho de 2004, a comunidade Viva Lula, com a seguinte descrição:
"Como só existem comunidades que nasceram para falar mal do governo Lula, esta aqui se propõe a mostrar o quanto o país melhorou desde a saída do nosso tirano e entreguista FHC.
Desde já, o iniciador desta comunidade acredita que existe uma verdadeira conspiração por parte da imprensa - em especial a Folha de S.Paulo - contra o presidente, assim como já ocorre com Fidel e com Chávez.
Portanto, para aqueles aventureiros que querem causar polêmicas, fora. Você não é bem-vindo se for falar mal do presidente. Além disso, aqui não é um lugar democrático, é comunidade. Leia a descrição e veja se se enquadra. Discordou, nem entra. Discordou, entrou e falou coisas contrárias ao propósito da comunidade, tá expulso.
Simples assim..."
A postura golpista havia sido detectada pela nitidez do neolacerdismo desde a posse de Lula. Dois meses depois de fundada a comunidade, ela mereceu de uma menção na Falha Online. Da "reportagem" - não assinada, diga-se -, destaco a frase que se referia a mim: "A Folha tentou falar com o fundador, mas não obteve resposta." É óbvio que a Falha jamais me procurou, preferindo colocar em prática um artifício corriqueiro desse jornalismo moderno e imparcial que a mídia brasileira diz fazer. Para se vingar da descrição na Viva Lula, deixaram nas entrelinhas que eu era um sujeito intolerante ao ponto de não atender o jornal.
Procurei o ombudsman da época, exigindo retratação e a publicação de um direito de resposta. Meu e-mail nem foi respondido (quem é intolerante?), mas ainda assim repeti o pedido, falando então como assinante do jornal. O silêncio permaneceu, a assinatura foi imediatamente cancelada (ainda sinto pena da moça que me atendeu) e minhas suspeitas sobre como agia a Falha se comprovaram.
Por tudo isso, não surpreenderam as coberturas do mensalão e da reeleição de 2006, a criminalização dos programas e movimentos sociais, as fofocas sobre alcoolismo presidencial e as demais fábulas que toda a imprensa inventou e ainda vem inventando sobre Lula, assim como não surpreendem os golpes baixos que tornaram a aparecer com ainda mais intensidade neste 2010 eleitoral. Existe, no entanto, uma significativa diferença: em 2004, eu e alguns outros estávamos isolados, as redes sociais não tinham força e a mídia detinha uma credibilidade quase religiosa; hoje, os jornalões se enterram na cova que cavaram para um governo que tem tudo para eleger Dilma Roussef e têm de conviver com a migração de recursos cada vez maior para a mídia alternativa. Talvez por isso o desespero.
Peguemos o factóide Bancoop, em que não houve sequer apresentação de denúncia do promotor (ir)responsável, ou então a condenação midiática à EBC pela contratação de Luís Nassif, duas das pautas que bombardeiam a blogosfera política. No primeiro caso, há uma clara formação de quadrilha, com o já citado promotor convocando seus espalha-merdas nas redações para requentar denúncia não comprovada de 3 anos atrás. No segundo, é pura inveja e um troco ao profissional que realizou belo trabalho de desmascaramento da mídia com o Dossiê Veja. Sobre a Bancoop, o interesse não é o de ajudar quem ainda não conseguiu sua casa, mas sim favorecer a corrida eleitoral tucana. Na questão Nassif/EBC, não há nem denúncia - trata-se das regras de um mercado autorregulador que a própria Falha defende em qualquer ocasião. Por que, neste último exemplo, ninguém o relacionou com os contratos milionários firmados entre governo de SP e Editora Abril, Estadão e Falha, todos eles sem licitação?
Ao se descolar de seu princípio básico, ou seja, defender e ser porta-voz do bem social, o jornalismo de massa, consolidado nos jornalões e redes de rádio e TV, iniciou sua transformação decisiva, tornando-se simples panfleto de divulgação, geralmente das castas mais conservadoras deste país. Se há 10 anos um escorregão jornalístico era reversível, atualmente, com todas as possibilidades de se buscar informação, o fim é certo e está próximo. De minha parte, ao contrário da felicidade pelo acerto premonitório por conta do ocorrido em 2004, causa-me total angústia testemunhar o desmoronamento da profissão que escolhi.
11 março 2010
Outro recado
Não assisti ao jogo ontem. Dos lances que vi, tivemos ímpeto guerreiro e o golaço de Dentinho, mais uma vez deixando seu coração corinthiano falar mais alto. O empate foi bom resultado e lideramos o grupo. Pelo que ouvi, porém, devo novamente apelar para a republicação de um post, desta vez de dezembro de 2008.
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Corinthians e R9
Não dava para deixar passar O assunto do fim de ano. Esqueça Madonna, fim do RBD, crise econômica e o "sifu" do pizidente. Correu o mundo e à boca larga a contratação do Ronaldinho - Ronaldinho, porque Ronaldo só tem um e defendeu as traves corinthianas por 10 anos - pelo Corinthians. Uma grandiosa jogada de marketing e a maior negociação do futebol brasileiro dos últimos tempos.
Antes, porém, preciso lembrar o que sempre disse do tal fenômeno. Venho brigando com Deus e o mundo desde quando ele explodiu no Barcelona, pois via mais um craque da imagem que um craque da bola. Sei que ele fez muito em campo, principalmente na Copa de 2002, quando calou a boca de muita gente, inclusive a minha. Mesmo assim, nunca deixei de ficar com o pé atrás.
Recentemente, soube de umas histórias de bastidores da Copa de 2006. Consta que Ronaldinho, além de visivelmente fora de forma, tinha sua cabeça em qualquer outra coisa, menos no futebol. Ações na bolsa, bajulação de celebridades via msn, negociatas com multinacionais. Para mim, o ímpeto marqueteiro estava comprovado e havia chegado ao ápice, e o jogador passava a ser um empresário, ainda que sem abandonar o campo.
Esses dois fatores me fazem desconfiar demais do novo "reforço" corinthiano. Claro, ele sem joelho é melhor que Errei-rá, Otacílio Neto e Bebeto juntos. O que eu enxergo, no entanto, são duas coisas: a primeira, que se trata de mais uma jogada do departamento do Rosemberg, talvez a única estratégia certeira em toda a gestão Sanchez (FORA!) porque vai trazer receita ao Corinthians; a segunda é estritamente política, e o presidente tampão acaba de garantir sua reeleição. Como projeção, afirmo que sinto aí o mesmo cheiro que senti em 2004 com o MSI e Tevez.
Diante dessas reflexões, espero que no ano do Centenário não estejamos vendo o nome do Corinthians figurando novamente nas páginas policiais por conta da mesma corja estúpida e aproveitadora que ainda manda no Parque São Jorge. E também espero que o Gorducho cale minha boca mais uma vez, priorizando o jogador de futebol que ainda é em detrimento ao empresário que busca se tornar.
10 março 2010
Constatações (ou post motivador)
O resto do mundo que se posta contra nós, devotos do Time do Povo, invariavelmente nos tacha de megalomaníacos e pedantes. Dizem que exageramos na medida de nossa paixão pelo Corinthians, o que nos faz distorcer fatos. Até acredito que, a partir da década de 90, o corinthiano ficou muito mal-acostumado com os inúmeros títulos conquistados e isso ajudou a degradar um pouco nossa torcida. Porém, quase sempre falamos baseados na realidade - quando não é isso, é amor incondicional mesmo -, essa sim manipulada por uma mídia que, desde 1º de setembro de 1910, tenta devastar o Parque São Jorge.
A afobação para nos diminuir é tão grande que, na maioria das vezes, as manchetes e os textos dos abutres anticorinthianos acabam saindo pela culatra. Peguemos, por exemplo, o que diz nesta quarta-feira o site daquela emissora totem dos assassinos do futebol. "Timão disputa público com banda de rock" é a chamada, querendo impor uma obrigação à Fiel de lotar um estádio na longínqua Colômbia. Abstraiam a gigantesca possibilidade disso acontecer para notar que os carniceiros acabam comprovando o que todo alvinegro sabe: a nossa torcida não só é a maior do Brasil como, provavelmente, é a maior do mundo.
Nada enche mais de orgulho, no entanto, que duas torcidas rivais - e mais uma aspirante a rival - se juntando para dar eco ao discurso da imprensa. Navegava por blogues verdes na noite de ontem e me deparei com uma campanha que, além de ser digna de pena, joga o moral dos corinthianos lá para cima. Dos mesmos autores do movimento "Você já riu de um corintiano (sic) hoje?", criado em 2007 para tentar capitalizar sobre nossa pior tragédia, os invejosos reúnem-se desta feita para zicar a participação Centenária na Libertadores. Capitaneada por um torcedor de um clube que, há seis meses, assumia a autoria de nossa desclassificação na competição sul-americana (e que, risível, nem conseguiu se classificar para a dita competição), a cruzada anticorinthiana tem como objetivo "unir novamente Palmeirenses, São Paulinos e Santistas por um ideal em comum".
Eis aí a prova cabal do quanto incomoda o sucesso do Corinthians. O sentimento contrário à nossa existência é transformado num ideal e chega a comover, tamanha é a felicidade que uma derrota do Coringão proporciona a quem não tem o coração em preto e branco. É provável que essa lacuna na alma seja o motivo pelo qual tanta gente se propõe a nos destruir, ainda que sabendo da impossibilidade disso acontecer.
Dessa maneira, não se trata de pedância ou megalomania. Repito, são simples constatações de nossa grandeza. Há prêmio maior nesses 100 anos de existência, corinthiano?
CORINTHIANS MINHA VIDA, MINHA HISTÓRIA, MEU AMOR!
Leia mais:
- A Hora da Cimitarra VII (por AnarCorinthians)
09 março 2010
Ainda vale
Há um ano, este blogue publicava o seguinte post:
"Ronaldo só tem um
Só pra deixar as coisas bem claras.

VAI CORINTHIANS!"
Achei pertinente republicar isso hoje, não sei por quê.
08 março 2010
Curtas
- Coisa rápida, só para o registro. Parabéns ao Barneschi, mano véio vagabundo que faz anos hoje, no Dia da Mulher, e que está comemorando a data com a nova invenção da FPF: o futebol às segundas-feiras.
- Patrulha express! Estadão mancheteou: "Congestionamento de bicicletas na Ciclovia da Marginal Pinheiros, nesse domingo". Duvida? Dá uma olhada, então... Congratulações a todos os envolvidos, especialmente à Soninha Francine. Sorria, São Paulo!
- Duas cacetadas em Ali Kamel, aquele babaca que afirma não existir racismo no Brasil. Enquanto O Globo recusou um anúncio sobre o debate das cotas nas universidades públicas, o brilhante senador Demóstenes Torres (DEM), no mesmo evento, deu a seguinte declaração:
"Nós temos uma história tão bonita de miscigenação... [Fala-se que] as negras foram estupradas no Brasil. [Fala-se que] a miscigenação deu-se no Brasil pelo estupro. [Fala-se que] foi algo forçado. Gilberto Freyre, que é hoje renegado, mostra que isso se deu de forma muito mais consensual."
Brilhante, não?
- Ontem eu recebi uma mensagem que me deixou preocupado e que, por via das dúvidas, está guardada na minha caixa de e-mails para futura publicação. Digo que tem gente bem maluca na internet...
07 março 2010
Suficiente
Fizemos neste domingo o que deveríamos ter feito no jogo da última quinta: ganhamos. Era para estarmos tranqülos na classificação, mas as coisas quase sempre não acontecem do jeito que a gente quer quando se trata de Corinthians.
No entanto, foi o suficiente, até por se tratar de vitória fora de casa. Foi o suficiente para mostrar que as cornetas viradas contra o São Jorge Henrique estavam equivocadas e que o Dentinho chegou ao ano do Centenário com o Corinthianismo no coração. Foi o suficiente para vermos que Morais não tem a mínima condição de vestir nosso Manto (porra, porque não colocam o argentino???). E foi até o suficiente para que Roberto Carlos acertasse seu primeiro cruzamento jogando pelo Coringão.
Vamos à Colômbia sem o peso de outro resultado negativo no Paulistão, ainda que com o peso da baleia que veste a camisa 9. Aliás, vale o recado: ao invés de cair em ciladas dos abutres e ficar dando moral para críticas infundadas contra certos jogadores, a Fiel precisa acabar com essa blindagem ao obeso.
Quarta-feira é energia positiva e crença renovada. É o Corinthians contra a rapa, inclusive contra os canalhas do apito (só hoje foram dois pênaltis e pelo menos uma expulsão não dadas a nosso favor). Esqueçam, eu repito, esqueçam o que andam falando por aí e acreditem na nossa própria fé.
VAI, CORINTHIANS!
05 março 2010
O fim chegou antes da hora
Desde 2007, este blogue vem dizendo que a Copa de 2014 no Brasil seria um marco negativo para o futebol. O evento, tratado desde já com toda pompa e soberba, só irá servir à modernidade que está sendo imposta goela abaixo ao torcedor de verdade. No entanto, parece que houve um erro de leitura de minha parte, pois a morte anunciada para daqui quatro anos assombra as arquibancadas neste exato instante.
Senão, o que dizer do caso de proibição dos palavrões nos estádios da Paraíba, sob a alegação de que é preciso transformar o ambiente num lugar mais decente e favorável à família? Pior ainda é a aceitação passiva da massa, sem contestações ou revides. Como não ficar abismado com o relato preciso do nosso amigo João Medeiros, relatando que o sistema de som do Maracanã disparava ao público "para seu maior conforto e segurança, assista ao jogo sentado" durante a final da Taça Guanabara?
Essas são algumas facetas da tão propalada modernidade, que nunca trouxe nenhuma contrapartida. Acabaram com os campeonatos com confrontos diretos, sob a alegação de que os modorrentos pontos corridos seriam uma forma mais justa e organizada, evitando, inclusive, remarcação de jogos que era constante. Ao torcedor, prometeram mais conforto durante o "espetáculo" (a escolha da palavra foi proposital) e comodidade na compra dos ingressos. Tudo isso se comprova mentiroso, já que a Globo mexe na tabela como quem troca de cueca e os problemas na aquisição de entradas são os mesmos de sempre. Pior, quando alguém faz algo que valoriza o torcedor de verdade e cria um programa de fidelização, vem um canalha chamado Rafael Corrêa e faz um lixo de matéria criticando o troço, chegando inclusive a criminalizar quem se associa ao referido programa.
É um processo de elitização fortíssimo, aliás, de reelitização, já que as madames e os barões nunca aceitaram que o povo tenha tomado conta do futebol no início do século XX. As balelas, como sempre, são bancadas pela imprensa esportiva, que vive a condenar aqueles que nos dedicamos inteiramente ao time de coração. Os nobres jornalistas, do alto de suas pautas mal-feitas, só esquecem de informar aos brasileiros que, para essa festa de 2014, ninguém da baixa casta está convidado.
Como se não fosse o bastante a agonia diária, eis que o presidente da FPF vem à público justificar os injustificáveis horários esdrúxulos do Paulistão 2010, cravando em nosso peito a lança do destino. O Barneschi reproduziu as principais pérolas em seu blogue e eu destaco o trecho mais revoltante: "Para o presidente da FPF, o Paulista é feito para públicos distintos. E o trabalhador que tem de levantar cedo no dia seguinte, diz Del Nero, deve evitar ir aos jogos das 21h50.'O Paulista é 100% televisionado. Ele pode acompanhar a partida de casa'".
Aqueles que nos chamavam de lunáticos com mania de perseguição há 3 anos terão de rever seus conceitos, ainda que isso jamais signifique uma vitória, posto que o fim do futebol é o nosso próprio enterro.
Mais:
- Copa das Elites (ou 2014 parte II)
- Copa 2014: um monstro devastador
- Museu do Futebol: o engodo II
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*Atualização: No Paraná, aquele Estado da federação totalmente dispensável e que poderia ser incorporado por São Paulo e Santa Catarina, mais um engraçadinho quer se aproveitar do futebol para fazer campanha política. O secretário de segurança Luiz Fernando Delazari colocará bafômetros nos portões dos estádios para impedir a entrada daqueles que bebem sua cachacinha ou sua cerveja.
04 março 2010
Pendura na conta do Mano
Se o goleirinho mau-caráter havia rendido ao Corinthians menos 9 pontos no Paulistão, o "herói" do empate diante do Botafogo de Ribeirão foi Mano Menezes. Sem delongas, como eu posso ser paciente com alguém que me coloca dois volantes e o inominável num jogo em que era obrigatório ganhar? Como ficar calmo tendo de ir às 17h de uma quinta-feira no Pacaembu para assistir o treinador substituindo Dentinho, autor do gol, e deixando um pepino do mar obeso em campo? Como entender Edu na lateral esquerda?
Isso sem contar nego vaiando Jucilei, o único a apresentar bom futebol (como sempre, ao lado do já citado Dente), a intocável e imóvel baleia que veste camisa 9 sendo aplaudida com bola na canela e o Alessandro cagando de medo diante de uma equipe do interior. Tudo, vale repetir, às 17h de uma quinta-feira. O mano Janeiro chegou a uma conclusão precisa: só podem estar nos testando, fazendo de tudo para dificultar o Centenário. Os vagabundos não apresentam um futebol decente e a diretoria inventa partidas na puta que pariu e em horários ridículos, só para ver até onde vai a nossa teimosia.
Eu havia mencionado em outra ocasião que é hora de disparar críticas, é hora de cobrar e é hora de enfiar o dedo em certas feridas para não nos fudermos depois. Mas, ao que parece, tem gente que só quer fazer festa e, como disse o sábio Roberto Daga em tempos áureos, "que a gente fique batendo bumbo na arquibancada". Ora, vão fazer festa na casa do caralho!
AQUI É CORINTHIANS!
03 março 2010
Porra!
Não sei quando surgiu o primeiro e nem quando vai surgir o próximo, mas tem umas sacadas na internet que são inspiradoras. A série Porra! criada no tumblr, por exemplo. Ontem mesmo, eu fazia menção ao caso Turma da Monica maligna e um gaiato já tinha criado o "Porra, Maurício!".
O sacana se dá ao trabalho de escanear trechos dos gibis de Maurício de Souza que dão margem a dupla interpretações, só para "corroborar" as palavras insanas do tal Dioclécio Luz.

Fuçando nos tumblrs relacionados, é possível encontrar outras pérolas. A que mais me prendeu atenção e rendeu gargalhadas é o "Porra, Kassab!". A homenagem ao nosso cassado prefeito é prova da sua popularidade em alta.

Também curti o "Porra, Rafaela!", que penetra no cérebro doentio daquela menina diabólica da novela das oito. Aliás, vale o registro: é ou não é o troco da Globo para desbancar a Maísa do Silvio Santos?

O próximo destaque me fez lembrar do Edu Goldenberg, já que o "Porra, Ego!" faz paródias do (palavras precisas do Edu) "podre, fétido, infecto, putrefato, inconcebível, inacreditável e insuperável site EGO".

Finalmente, não podia faltar nessa lista a maior revelação das artes cênicas da última década. Fiuk, filho do rei da sacanagem Fábio Jr., está lá em seu "Porra, Fiuk!" com imagens bastante íntimas. A visita é altamente recomendável, principalmente porque é possível apreciar algumas fotos do prodígio com a Menina Luz.

Divirtam-se!
02 março 2010
Curtas
- O conluio entre imprensa, FPF e arbitragem contra o Centenário do Corinthians ficou claro e oficializado na última segunda-feira. As declarações de réu confesso de um jogador do time médio e os comentários do Coronel Marinho, responsável (???) pela Comissão de Arbitragem, servem como exemplo nítido de como o sucesso do Time do Povo ainda é intolerável.
- Ainda assim, o mano Filipe me manda por e-mail a declaração feita pelo comandante do tal Navio do Centenário, um italiano:
“Não foram os gritos de guerra incessantes até de madrugada (risos) nem foram as camisas do Corinthians vestidas por todos todos os dias o tempo todo: o que mais ficou marcado para mim foi o amor com que todo mundo, até os mais velhinhos, dizem ter pelo clube… O orgulho que se vê nos olhos. Agora também sou.”
- Dilma sobe nas pesquisas. Confesso que, há um ano, eu não acreditava que a força dessa mulher pudesse colocá-la no páreo para as eleições presidenciais. O registro dessa força está no Flickr da Dilma.
- O carcamano Seo Cruz faz anos hoje. Todas as felicidades para ele, menos as futebolísticas, obviamente!
- Um babaca escreveu ao Observatório da Imprensa criticando, veja só, a Turma da Mônica, leitura obrigatória de todo cidadão honesto na infância. Entre as incríveis bobagens, o autor do lixo afirma que a Mônica resolve tudo na porrada e que essa postura valoriza o machismo, que a Magali incentiva a obesidade e que o Chico Bento é uma visão burguesa do camponês. A contraposição, óbvio, é feita a partir dos quadrinhos gringos, que atualmente apresentam personagens com traços bem sexualizados a fim de atrair adolescentes punheteiros. Se você quiser perder seu tempo, leia. E depois confira isso aqui e isso aqui, caso tenha acreditado nas baboseiras do senhor Dioclécio Luz.
28 fevereiro 2010
Relembrando 2008
Campeonato Paulista de 2008, quarta-feira, 26 de março. O Corinthians descia a Serra do Mar para jogar no amontoado de laje contra o time médio. Vínhamos da tragédia de 2007 e o elenco, totalmente remontado, estava longe de engrenar. Ainda assim, éramos competitivos e, por conta disso, resolveram garantir os 3 pontos da equipe da casa na marra, promovendo um assalto descarado.
Campeonato Paulista de 2010, domingo, 28 de fevereiro. O Corinthians desce a Serra do Mar para jogar no amontoado de laje contra o time médio. Há um auê por conta do Cirque du Soleil que está montado naquilo que insistem em chamar de estádio. A imprensa faz festa, tentando ofuscar o marco Centenário do Time do Povo. E por conta disso, resolveram garantir os 3 pontos da equipe da casa na marra, promovendo um assalto descarado.
Alguém ainda duvidava que isso ia acontecer? É, talvez, o único caso no futebol mundial em que o time grande é prejudicado pelo apito em benefício de um menor. A anticorinthianada não vacila.
P.S.: em tempo, deixaram todo o nervosismo pra esse jogo que não valia nada. Só espero que as infantilidades demonstradas em campo hoje não se repitam mais. Quinta-feira, às 17h, no Pacaembu, É OBRIGAÇÃO ENTRAR COM O TIME TITULAR.
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Atualização: Confiram o histórico do canalha José Henrique de Carvalho no blogue Retrospecto Corintiano. Sim, é aquele que conseguiu a proeza de mostrar dois amarelos para um adversário do Corinthians e não expulsá-lo.
26 fevereiro 2010
Hora da Patrulha
Em meio a tanta propaganda enganosa do governo tucano na TV - lembrando sempre, é campanha eleitoral e estratégia de abafa-enchente -, talvez a mais descarada seja aquela que mostra as maravilhosas escolas da rede pública paulista. Por lá, vemos prédios impecáveis, estrutura de primeiro mundo, valorização dos profissionais e gestão eficiente das verbas. Só que no primeiro dia de aula, alunos sentaram no chão porque não havia carteiras, deixando claro o quão fantasiosa é a lavagem cerebral publicitária de José Serra para conter sua queda vertiginosa nas pequisas da corrida presidencial. Os problemas na educação básica não podem ser tratados com esse descompromisso, pois a realidade de quem está nas escolas - tanto alunos quanto professores - é bem mais dura que as mentiras mostradas no reclame.
Instintivamente, o discurso médio transforma os profissionais do ensino em alvo fácil. Nos últimos anos, a opinião pública vem os classificando como meros funcionários encostados que não se reciclam e só querem saber da fortuna no contracheque. O professor é aquele que só falta, que dá uma aula de merda e que não ensina o seu filho a ler e escrever corretamente. Mas seria esse o diagnóstico correto?
Em primeiro lugar, é preciso analisar o período histórico. Faz 16 anos que um mesmo partido e, pior ainda, uma mesma turba desse partido bate cartão no Palácio dos Bandeirantes. São quase duas décadas de exaltação da visão mercadológica e estatística da Educação, ao invés de considerá-la como parte estratégica na construção de uma sociedade mais igualitária. Ao mesmo tempo, há o enfraquecimento ideológico e prático de um sindicato que se engessou pelo corporativismo puro e simples (não é o corporativismo de categoria, mas sim de manutenção do "aparelho"), muito por conta da repressão policial presente em todas as manifestações, mas também pela falta de diálogo com quem está no front da guerra.
Toda essa imutabilidade traz conseqüências duríssimas. Os professores sofrem assédio moral a partir do momento em que são aprovados no concurso público. Prova explícita do crime são as atribuições de sala, verdadeiro pesadelo para quem acumula cargos na capital paulista. Cientes do absurdo que é um profissional ter de trabalhar em mais de um turno para não passar fome, as administrações estadual e municipal encavalam cargas horárias, numa vilania de dar inveja. Concomitante e paradoxalmente, determinam em circular uma desvirtuação de funções, solicitando a organização em mutirão para pintar parede de escola, reformar quadras e limpar banheiros.
O professor da rede pública do Estado ou do Município de São Paulo que quiser tirar licença para fazer mestrado ou doutorado - uma clara preocupação com a formação para posterior aplicação em sala de aula - dificilmente será contemplado. O tal choque de gestão considera aquele que busca reciclagem de conhecimento um potencial vagabundo. Curiosamente, a própria secretaria de Educação orienta mulheres que não conseguem dispensa para estudar (geralmente de dois anos) a pedir uma tal licença para acompanhar marido (sim, o nome é esse). Afora o machismo, qual a lógica?
Portanto, você que fica indignado quando teu filho chega em casa mais cedo pela falta de um professor, já pensou que ele pode não ter ido ao trabalho porque está, por exemplo, com aquela síndrome de pânico adquirida depois de uma reunião de pais e mestres em que um participante mostrou seu revólver no debate? Que para agüentar os constantes pisoteamentos morais, ele recebe um salário ridículo que não chega nem perto do necessário para pagar as contas no fim do mês? E, pior ainda, ele vê todos esses equívocos cotidianamente e não pode nem apresentar uma reclamação formal ou mandar sequer uma carta para jornal porque corre o risco de ser exonerado - a censura aos docentes é lei.
É tudo isso e mais um monte de cagadas que a gente não vê na televisão, naquele filme bonito ou na imprensa do Serra. É esse sistema equivocado, com base na modernidade e nos preceitos neoliberalistas, que acaba colocando duas forças aliadas em confronto e que as induz à apatia e à desmotivação. Ao invés do apego ao que está na telinha, não seria interessante se TODOS os pais participassem da formação escolar de seus filhos, sem querer jogar toda a responsabilidade nas costas dos professores? E os professores, por sua vez, não deveriam se mobilizar em prol do fortalecimento de seu sindicato? O inimigo, que fique bem claro, é um só. Aliás, é uma sigla só, e de bico bem comprido.
Sorria, São Paulo.
25 fevereiro 2010
Espírito de luta
A estréia corinthiana na Libertadores foi do jeito que tinha de ser, com o espírito de luta predominando sobre qualquer tentativa de show circense. A vitória de 2x1 - um resultado bem espanta zica, graças a São Jorge - é a cara da competição e pode se repetir até o fim. Nada de goleada, nada de soberba.
Afora a falha geral da zaga no primeiro gol do adversário, os jogadores demonstraram comprometimento e construíram a vitória sem afobações, sem aquele desespero que tomava conta do Corinthians quando se trata desse torneio. Destaques para Elias, autor dos dois gols alvinegros, e Tcheco, um gigante no meio de campo. E até para Mano Menezes, que estava com um belo rabo e acertou no erro, ao colocar o inominável para dar o passe do segundo tento.
Das arquibancadas, a Fiel esteve como sempre e, em contraposição às presenças desnecessárias naquele setor do business, empurrou o time e mostrou aos uruguaios que eles estavam jogando na nossa casa. Prova disso é a postura dos Gaviões da Fiel, que barravam nó-cegos desavisados que queriam subir ao espaço da torcida com camisas brancas e roxas.
A continuar com essa pegada guerreira, somada ao entrosamento que o time irá adquirir no decorrer da Libertadores, o Corinthians tem tudo para fazer uma bela campanha. Se vai ganhar ou não, isso são outros quinhentos. O que o corinthiano quer, de verdade, é uma equipe que faça jus ao nosso Centenário e que represente os ideais de sua fundação. Um time do povo, para o povo, contra tudo e contra todos.
AQUI É CORINTHIANS!
24 fevereiro 2010
Ser corinthiano basta
Para hoje, basta ser corinthiano. Só é preciso exaltar o corinthianismo. Se vir um repórter na rua, uma câmera ou um fotógrafo, xingue. Xingue bastante - não bata, afinal de contas o cara está ali para ganhar seu pão. Mande a imprensinha de merda tomar no meio do cu. Mas se for o Juquinha, aí vale a agressão.
Lembre e reze pelos velhos guerreiros alvinegros que já se foram. Agradeça pelos que ainda estão vivos. E torça. Faça do Pacaembu um inferno para o adversário.
É nóis contra a rapa! É CORINTHIANS!
23 fevereiro 2010
Hora da Patrulha
A prudência adquirida pelas pancadas no futebol é muito boa para ser aplicada em tudo na vida, tanto em crises quanto nas bonanças. Lembro do arsenal apontado a todos que sempre estiveram ao lado do governo Lula na ocasião do tal mensalão, na verdade uma prática nascida em ninho tucano. Era crime inafiançável declarar voto ao metalúrgico, assim como tentar esclarecer com dados e fatos que as denúncias não eram exatamente aquilo que a imprensa mostrava.
Já se vão alguns anos e o país vai melhor do que nunca, sobrevivendo a crises mundiais, tirando muita gente da miséria e criando empregos em ritmo e número inéditos. Até mesmo o mensalão serviu para que Lula se livrasse de alguns vícios antigos para trazer à tona novas lideranças políticas, haja vista a futura presidenta do Brasil. É por isso mesmo, por acreditar que não devemos nos comportar tal qual os inquisidores de outros dias, que esta Hora da Patrulha não vai tripudiar sobre o generalzinho Kassado. Pelo contrário, abriremos espaço para discutir o motivo da cassação: o financiamento de campanhas.
Receber dinheiro de empresas e de pessoas físiscas para bancar a corrida eleitoral sempre foi uma algema em qualquer político, corrupto ou honesto. Ao mesmo tempo, muita gente torce o nariz para a proposta de verba pública porque se fixa na tacanha visão do "é meu dinheiro". Ora, meu caro, é seu dinheiro de qualquer maneira. Se o cara não usá-lo na campanha, vai fazer isso - e com muito menos prudência - depois de eleito. Atrelar candidaturas ao caixa do Estado só aumenta o comprometimento dos postulantes com o povo.
Notem que, no caso da cassação, o processo atingiu todo mundo. PSDB, DEM e PT figuraram na lista e, curiosamente, todas essas siglas já posaram de defensores da moral e dos bons costumes em algum período de suas trajetórias. Ao lado deles está a imprensa, que nunca dá pitacos quando há processos de investigação sobre patrocínio de políticos, talvez por receio de ser pega. Ainda assim, é sempre bom destacar que se tivéssemos uma Marta ou uma Erundina na prefeitura, elas estariam sendo esquartejadas na Praça da Sé.
De tudo isso, podemos concluir, seguindo a prudência supracitada, que o Kassado colocou em seu currículo (eu disse currículo!) algo que nem o Pitta conseguiu. Concluímos também que o DEM, paladino da correção política, se vê envolvido em denúncias de corrupção muito graves, todas elas muito características do antigo PFL. Concluímos, ainda, que as TVs e jornais não levantaram a voz contra o desgoverno Serra/Kassab porque nunca na história deste país se viu tanta propaganda da dupla - ontem mesmo, com o caso da cassação explodindo, Kassab aparecia na TV culpando a chuva e o paulistano pelas enchentes. E concluímos que há dois lados bem definidos nesse jogo político-midiático dominante da pauta em 2010: os que querem melhorias e propõem soluções e os que gostam das coisas como estão para continuar mamando - ou continuar sendo ignorantes.
*P.S.: ainda nesta semana, uma Patrulha especial sobre a volta às aulas da rede pública.
22 fevereiro 2010
Nós contra a rapa
O corinthiano que ainda não sabe o que é a zica sobre os ombros deve se lembrar da final da Copa do Brasil do ano passado, dos últimos brasileiros ou do Mundial. Porque não tem jeito, negada. A abutraiada e a maior torcida do mundo - a anticorinthiana - estarão com os olhos gordos sobre o Templo Sagrado na próxima quarta-feira, quando estrearemos na Libertadores. Há quem esteja tenso, há os apenas ansiosos (como eu), há os concentrados, todos lutando contra a negatividade que nossa alma inspira naqueles que não têm o privilégio de estar deste lado da trincheira.
Notem que só no Coringão a definição dos 25 jogadores que serão inscritos no torneio gera polêmica. A abutraiada está, desde o ano passado, jogando faísca para tentar incendiar o Parque São Jorge e inventar uma crise, ignorando que o Corinthians de 2010 (salve nosso Centenário!) talvez seja o elenco mais forte já montado para disputar o campeonato. Só que todo alvinegro já sabe mais ou menos quem é que vai. Minha lista, por exemplo, está abaixo e deve diferir em um ou dois nomes da relação do técnico e dos 30 milhões de corinthianos.
Felipe
Julio Cesar
Rafael Santos
Alessandro
Balbuena
Chicão
William
Castan
Paulo André
Roberto Carlos
Escudero
Dodô
Elias
Ralf
Marcelo Mattos
Jucilei
Edu
Defederico
Danilo
Tcheco
Gordo
Dente
São Jorge Henrique
Iarley
Souza
É simples, é isso, não tem segredo, crise ou artimanha. Ainda assim, a partir dessa semana estaremos sob fogo cruzado. Os canalhas da imprensa farão de tudo para nos diminuir, os malditos do apito irão nos prejudicar mais que o normal (alguém viu o vôlei na partida de sábado?), a diretoria irá inventar alguma sacanagem com a Fiel.
No entanto, nada disso terá efeito se concentrarmos nossas forças nas arquibancadas. A prova maior de que abutre não canta de galo no nosso terreiro está na tabela do Paulistão: somos o único TIME GRANDE a figurar na zona de classificação para as semifinais. Mesmo que nem tão comprometidos com o estadual, bastou desmascarar as mentiras dos carniceiros que a zica passou longe.
É HORA DA GUERRA! É HORA DE ESPÍRITO ARMADO!
VAI CORINTHIANS!
18 fevereiro 2010
Cuidado ao cuspir
Dias desses, um amigo mencionou um editorial da Jovem Pan AM que tratava dos palavreados e das obcenidades no BBB, da Rede Globo. Tanto o texto quanto o áudio pode ser encontrado aqui e adianto que é preciso deixar um Sonrisal ao lado do computador, pois ao final da lauda ou dos 2:21 de som pode ser que apareça um mal-estar.
As palavras me causaram estranheza por conta da extrema cara-de-pau da rádio, que se transveste de defensora da moral e dos bons costumes e se auto-intitula, imodestamente, a representante do povo. Justamente ela, cuja história sempre esteve alinhada à pior faceta da sociedade paulista e paulistana, aquela conservadora e preconceituosa. Vale lembrar, por exemplo, que o patrono da rádio é Paulo Machado de Carvalho, bambi sujo que imunda a fachada do nosso Estádio Municipal e uma espécie de Ricardo Teixeira de outros tempos.
Contextualização histórica à parte, chama muita atenção o esquecimento dos editorialistas da Jovem Pan AM a um pequeno detalhe: na crítica às bundas e às palavras chulas exibidas pelo BBB, eles ignoram seu próprio diretor, Antônio Augusto Amaral de Carvalho Filho, vulgo Tutinha, herdeiro da emissora e criador do Pânico, atração televisiva que todo domingo mostra escatologias e os mesmos traseiros femininos em rede nacional.
Antes que alguém se assuste, não estou fazendo aqui a defesa de Globo nem de BBB, para mim duas excrescências desse país. Tampouco sou um carola. A verdade é que achei curioso o sujo falando do mal-lavado, o fato de duas emissoras de massa, ao invés de prestar serviço por meio de sua CONCESSÃO PÚBLICA de transmissão, encherem os bolsos de grana, ajudarem no emburrecimento coletivo e defenderem interesses político-sociais próprios ou de amigos.
O caso acima é exemplo cristalino do que acontece quando duas empresas de comunicação entram em conflito - geralmente comerciais. Graças aos céus, muita gente já não acredita em nada que esse pessoal anda dizendo, até porque é bastante incômodo ficar escutando lavação de roupa de madames. É preferível, talvez, o caos da internet, onde a responsabilidade com aquilo que se escreve ou se diz é muito maior. Há como provar, metrificar e arquivar tudo, e o catarro cai muito mais rápido na testa quando se cospe para cima.
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Falando em responsabilidade e ética, não podemos deixar passar batido um caso doentio de plágio. Saiba mais sobre Roberto Chalita, um plagiador barato, no Buteco do Edu, no Felipinho Cereal e no Bruno Ribeiro, aproveitando para divulgar essa insanidade.
17 fevereiro 2010
Continua lindo...
Após mais um Carnaval e mais uma visita ao Rio de Janeiro, é dispensável afirmar o que diz o título deste post. No entanto, serei repetitivo porque somente ali a festa de Momo é plena e seus adeptos se sentem à vontade para encarnar o espírito da coisa. O calor senegalês que tomou conta da Cidade Maravilhosa durante os quatro dias em que Evinha e eu passamos por lá ajudou a tornar as coisas ainda mais fantásticas, ainda que minha carcacinha já baleada pelos anos pedia alguns arregos.
Tudo é bom porque tudo é na rua. Há espontaneidade, há a heterogeneidade social, há alegria incontrolável por toda a cidade. Mas, principalmente, há cerveja aos milhares, sendo vendida a preços honestíssimos, haja vista o negociante de 3 latas de Antarctica por R$5. O folião é o protagonista de tudo e os espíritos vagam pelos blocos desarmados. São multidões se acotovelando e sem nenhuma briga - obviamente que nos blocos do centro (há tempos não atravesso o Rebouças para nada). Existe alegria maior que chegar ao Rio às 8h da manhã e já abrir uma gelada, ou então ser recepcionado pelo Cordão do Bola Preta? Ainda que a prefeitura carioca tenha tentado estragar a festa com seu choque de ordem (onde estavam os banheiros?), tudo correu muito bem graças à habilidade do povo de se organizar.
Não consegui encontrar todos os amigos que por lá estavam ou que por lá moram devido aos fatores etílicos já tratados acima, e também não pude passar por todos os blocos que queria. Valem, porém, algumas palavras sobre a emoção indescritível que é pisar na Marquês de Sapucaí. Mesmo com grande parte da platéia não tendo o mínimo de noção do que seja o Carnaval e mesmo que eu tenha saído numa escola de merda, toda a história que o lugar carrega parece vir à tona quando se cruza a avenida.
Diante de tanta beleza e de tanta alegria, releva-se o fato a volta à realidade paulistana, releva-se o frango (mais um) que eu tive de ver na televisão no último sábado e todas as amarguras que possam aparecer daqui para frente. O Carnaval carioca é a renovação de energias perfeita para agüentar esses percalços, e em 2010 isso será mais do que necessário.
Salve o Rio!
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